Tag: tarifas

  • Tarifa zero nos EUA deve impulsionar exportação de café brasileiro

    Tarifa zero nos EUA deve impulsionar exportação de café brasileiro

    Os Estados Unidos retiraram o café da lista de produtos com sobretaxa de 40% no último dia 20. Antes disso, em 14 de novembro, o governo norte-americano já havia eliminado a tarifa de 10% aplicada em abril deste ano. A decisão animou o setor exportador brasileiro, segundo pesquisadores do Cepea.

    Além disso, o mercado aguardava a medida com expectativa devido à lentidão nos embarques da safra atual.Até então, o ritmo mais fraco gerava preocupação com a possível perda de mercado para países concorrentes.

    Agora, com a isenção, o setor projeta maior competitividade do café brasileiro no mercado norte-americano. Porém, a liberação não alcançou todos os produtos do setor. O café em grão ficou isento, mas o café solúvel manteve sobretaxa de 50%. Os Estados Unidos seguem entre os principais destinos do café solúvel brasileiro.Por isso, representantes dos dois países continuam negociando a inclusão do produto na lista de isenções.

    Enquanto isso, os preços do café seguem firmes nos mercados interno e externo. Segundo o Cepea, a baixa oferta e os estoques globais reduzidos sustentam as cotações.Ainda assim, analistas avaliam que a retirada da tarifa fortalece as exportações brasileiras nos próximos meses.

  • Tarifaço ainda afeta 22% das exportações brasileiras

    Tarifaço ainda afeta 22% das exportações brasileiras

    O tarifaço dos Estados Unidos ainda impacta 22% das exportações brasileiras. O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, confirmou o dado nesta sexta-feira, no Palácio do Planalto. Ele comentou o avanço obtido após a Casa Branca excluir 238 itens da lista de sobretaxas.

    Alckmin lembrou que o tarifaço atingiu 36% das vendas brasileiras no início das medidas. Ele afirmou que as negociações reduziram gradualmente essa fatia. “Com a retirada dos 238 produtos, reduzimos para 22% a parcela atingida”, disse o ministro.

    Os Estados Unidos revogaram a tarifa extra de 40% para itens majoritariamente agrícolas. A lista inclui café, carne bovina, banana, tomate, açaí, castanha de caju e chá. A medida vale desde 13 de novembro. O governo norte-americano também autorizou o reembolso de produtos exportados após essa data.

    Impacto direto nas vendas externas

    Dados do MDIC mostram o peso das tarifas sobre os US$ 40,4 bilhões exportados aos Estados Unidos em 2024. As informações revelam a seguinte distribuição:
    • US$ 8,9 bilhões seguem com tarifa adicional de 40% ou 10% mais 40%.
    • US$ 6,2 bilhões continuam sujeitos à sobretaxa de 10%.
    • US$ 14,3 bilhões estão livres de tarifas extras.
    • US$ 10,9 bilhões permanecem enquadrados nas tarifas horizontais da Seção 232, aplicadas à siderurgia e ao alumínio.

    A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, destacou que a fatia isenta cresceu 42% desde o início da crise. Ela avaliou que a indústria continua mais exposta às barreiras. “A indústria enfrenta mais dificuldade para buscar novos mercados do que as commodities”, afirmou. Aeronaves da Embraer seguem com tarifa de 10%.

    Negociações continuam abertas

    Alckmin afirmou que o avanço ocorreu após o encontro entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Malásia, em outubro. O Brasil enviou uma proposta de acordo comercial aos Estados Unidos no dia 4 de novembro. O governo não divulgou detalhes do documento.
    O presidente em exercício disse que as discussões incluem temas tarifários e não tarifários. A agenda trata de áreas como terras raras, big techs, energia renovável e o regime tributário para data centers. Ele confirmou que Lula também questionou a aplicação da Lei Magnitsky, que impôs sanções a autoridades brasileiras.
    Alckmin disse que ainda não há reunião prevista entre Lula e Trump. O presidente brasileiro, no entanto, convidou o líder norte-americano para visitar o país.

    Setores industriais continuam mais pressionados

    Mesmo com o alívio para produtos agrícolas, o governo considera que a indústria segue como o principal ponto de atenção. Itens de maior valor agregado e produtos fabricados sob encomenda têm mais dificuldade para buscar novos compradores.
    Alckmin afirmou que o governo continuará a negociar novas exceções. “Estamos otimistas. O trabalho não terminou, mas avança com menos barreiras”, declarou.

     

  • Cecafé se manifesta sobre a retirada do tarifaço

    Cecafé se manifesta sobre a retirada do tarifaço

    Depois do anúncio da Casa Branca sobre a retirada da tarifa de 40% sobre o café brasileiro, o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, comentou sobre o trabalho realizado pelo setor juntamente com o governo brasileiro até chegar ao resultado divulgado hoje por Donald Trump.

    Alívio pelo fim do tarifaço

    Ferreira afirma que o setor comemora a retirada da tarifa sobre o café verde que vinha numa situação desvantajosa e muito preocupante em relação ao futuro. Além disso, o presidente do Cecafé esclareceu que ontem, numa reunião em Brasília, junto com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o setor apresentou o cenário que era desafiador no caso da manutenção da tarifa.

    Cenário com as tarifas

    Vale lembrar que os Estados Unidos representam cerca de  US$ 2,5 bilhões para as exportações de café do Brasil e nos últimos três meses a queda foi de 50%. Na semana passada, a tarifa para os países concorrentes de café em grão foi zerada, com isso a estimativa era perder mais 30% de mercado. Em resumo, redução de 80%.

    Trabalho diplomático

    Setor agradece ao trabalho diplomático do governo brasileiro que focou nas questões comerciais e não políticas.

    Café solúvel

    Agora a expectativa é pela retirada das tarifas do café solúvel que representa 10% das exportações brasileiras. O produto continua tarifado, não apenas para o Brasil, mas também para outros países.

  • Saiba quais produtos ficaram isentos da tarifa de 40% dos EUA

    Saiba quais produtos ficaram isentos da tarifa de 40% dos EUA

    O presidente Donald Trump assinou hoje uma ordem executiva que elimina as tarifas de 40% aplicadas a diversos produtos brasileiros desde julho deste ano. A medida atinge principalmente itens agrícolas como café, carne bovina, frutas tropicais e castanhas. São produtos que tiveram forte impacto nos preços do mercado americano nos últimos meses.

    A decisão vem depois que os consumidores americanos sentiram no bolso o peso das tarifas. O Brasil é o maior fornecedor de café dos Estados Unidos. E com as sobretaxas acumuladas chegando a 50%, o preço do café no mercado americano subiu quase 20% em setembro comparado ao mesmo período de 2024.

    Essa alta nos preços virou dor de cabeça politica para Trump. Muitos eleitores começaram a rejeitar a medida. E especialistas apontam que a vitória de candidatos democratas nas eleições municipais em diversos estados foi um dos sinais claros da insatisfação popular com a gestão das tarifas.

    Lula conversou diretamente com Trump

    As negociações entre Brasil e Estados Unidos foram cruciais pra reverter o cenário. Segundo o comunicado oficial da Casa Branca, houve contato direto entre autoridades brasileiras e o governo americano, incluindo uma conversa entre os presidentes.

    “Em 6 de outubro de 2025, participei de uma conversa com o presidente brasileiro Lula, durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as preocupações identificadas no Decreto Executivo 14323. Essas negociações estão em andamento”, diz trecho da ordem executiva assinada por Trump.

    Medida é retroativa a novembro

    O documento tem efeito retroativo a 13 de novembro e lista uma ampla gama de produtos agrícolas beneficiados. Além de carne e café, a ordem inclui frutas e nozes, produtos de cacau, chá, especiarias, vegetais, raízes e tubérculos. A relação ainda contempla alimentos processados, bebidas, fertilizantes, minérios, combustíveis fósseis e derivados de petróleo.

    Na semana passada, o governo americano já havia removido a tarifa básica de 10% sobre importação de café, carne bovina, tomate, banana e outros produtos agrícolas que tinha sido anunciada em abril contra diversos parceiros comerciais.

    Quais produtos brasileiros ficaram mais baratos

    A lista de produtos liberados das tarifas é extensa e beneficia diversos setores da economia brasileira:

    • Carnes: todos os cortes bovinos, incluindo carne fresca, refrigerada, congelada, com osso ou desossada, além de miúdos como língua e fígado, e produtos como carne salgada e corned beef.
    • Café: desde o grão cru até o torrado, com ou sem cafeína, além de cascas, substitutos e extratos concentrados.
    • Castanhas e nozes: castanha-do-pará, castanha de caju, macadâmia e outras variedades, todas com e sem casca.
    • Frutas tropicais: manga, abacaxi, abacate, mamão, goiaba, banana, limão e açaí — tanto frescos quanto processados em polpas, sucos e preparações.

    Importante: alguns tipos de suco de laranja congelado e não concentrado ainda continuam pagando a tarifa adicional, segundo o documento.

    A lista também inclue especiarias como pimenta-do-reino, baunilha, canela e cravo; produtos de cacau; mandioca e seus derivados; inhame; tomate fresco; erva-mate; chás verde e preto; e itens mais específicos como palmito, cogumelos secos e bambu.

    Vitória para exportadores brasileiros

    A remoção das tarifas representa um alívio significativo para os exportadores brasileiros, que vinham enfrentando dificuldades pra competir no mercado americano com os preços inflacionados pelas sobretaxas. O setor agrícola, um dos pilares da economia brasileira, deve sentir os efeitos positivos da medida nos próximos meses.

    Agora resta saber se as negociações em andamento entre os dois países vão resultar em acordos comerciais mais amplos ou se novas tarifas podem surgir no futuro, dependendo do clima político em Washington.

    Amcham Brasil emite nota

    A Amcham Brasil avalia como muito positiva a decisão anunciada hoje pelo governo dos Estados Unidos de eliminar as sobretaxas de 40%, em vigor desde agosto, sobre um conjunto de produtos brasileiros. Incluindo itens relevantes da pauta exportadora para o mercado americano, como café, carnes bovinas, frutas e óleos essenciais.

    A medida representa um avanço importante rumo à normalização do comércio bilateral, com efeitos imediatos para a competitividade das empresas brasileiras envolvidas e sinaliza um resultado concreto do diálogo em alto nível entre os dois países.

    Ao mesmo tempo, a Amcham reforça a necessidade de intensificar esse diálogo entre Brasil e Estados Unidos. Com o objetivo de estender a eliminação dessas sobretaxas aos demais produtos ainda impactados, com destaque para bens industriais. E de aprofundar a cooperação bilateral em temas de interesse mútuo.

  • Trump retira tarifas de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros

    Trump retira tarifas de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (20) ordem executiva que determina a redução das tarifas de 40% impostas sobre a importação de determinados produtos agrícolas brasileiros. Ou seja, a decisão marca uma mudança significativa na política comercial entre os dois países e resulta de negociações iniciadas em outubro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    A medida anunciada pela Casa Branca reverte o Decreto Executivo 14323, que havia declarado estado de emergência nacional em relação a práticas e ações do governo brasileiro. Com a nova ordem, a sobretaxa que onerava produtos agrícolas do Brasil deixa de existir.

    De acordo com o texto oficial divulgado pela presidência americana, a ordem exigirá o reembolso dos impostos cobrados sobre importações brasileiras a partir de 13 de novembro de 2025. Ou seja, irá beneficiando empresas que pagaram a tarifa adicional no último mês.

    Trump justifica decisão após conversa com Lula

    Em declaração oficial, Trump revelou os bastidores da decisão e destacou o papel das negociações bilaterais no processo:

    “Em 6 de outubro de 2025, participei de uma conversa telefônica com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as preocupações identificadas no Decreto Executivo 14323. Essas negociações estão em andamento”, afirmou o presidente americano.

    Trump explicou ainda que recebeu informações e recomendações de diversos funcionários que acompanharam as circunstâncias relacionadas ao estado de emergência. “Certas importações agrícolas do Brasil não deveriam mais estar sujeitas à alíquota adicional ad valorem imposta pelo Decreto Executivo 14323 porque, entre outras considerações relevantes, houve progresso inicial nas negociações com o Governo do Brasil”, declarou.

    Impacto para exportadores brasileiros

    A eliminação da tarifa de 40% representa um alívio significativo para exportadores brasileiros de produtos agrícolas. Entre os itens que devem se beneficiar da medida estão café, carne bovina, frutas tropicais, açúcar e outros commodities essenciais da pauta exportadora do Brasil para os Estados Unidos.

    O reembolso retroativo a partir de 13 de novembro também significa que empresas que pagaram a sobretaxa nas últimas semanas poderão recuperar os valores, reduzindo prejuízos e melhorando a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

    Negociações Brasil-EUA continuam

    Embora a redução das tarifas represente um avanço importante, as negociações entre Brasil e Estados Unidos devem continuar. O governo brasileiro não se pronunciou oficialmente sobre a decisão até o momento. Porém, mas a medida é vista como um sinal positivo para o relacionamento comercial bilateral.

    A ordem executiva assinada por Trump demonstra que o diálogo entre os dois países tem produzido resultados concretos, abrindo caminho para possíveis acordos comerciais mais amplos no futuro.

    O que muda na prática

    Antes da ordem executiva:

    • Produtos agrícolas brasileiros pagavam tarifa adicional de 40%
    • Exportadores enfrentavam dificuldades de competitividade no mercado americano
    • Estado de emergência nacional estava em vigor

    Depois da ordem executiva:

    • Tarifa de 40% foi eliminada
    • Reembolso retroativo desde 13 de novembro
    • Estado de emergência foi revogado
    • Negociações bilaterais continuam em andamento

    A decisão de Trump deve impactar positivamente a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos, fortalecendo as relações econômicas entre as duas maiores economias das Américas.

  •  “Piorou para o Brasil”, afirmam exportadores  de café

     “Piorou para o Brasil”, afirmam exportadores de café

    A recente redução das tarifas de importação pelos Estados Unidos gerou reações contrastantes entre exportadores brasileiros. Embora o governo americano tenha eliminado a taxa global de 10% para cerca de 200 produtos, manteve a sobretaxa de 40% aplicada especificamente ao Brasil, o que afetou diretamente os embarques de café, carnes e frutas.

    “Melhorou para os nossos concorrentes e piorou para o Brasil”, afirmou o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos. Segundo ele, o café brasileiro, antes taxado em 50%, passou a ter tarifa de 40%, enquanto países concorrentes, como Colômbia e Vietnã, agora exportam para os EUA com taxa zero.

    Os Estados Unidos são o principal destino do café nacional e respondem por cerca de 16% das exportações brasileiras do produto, de acordo com o Ministério da Agricultura. No entanto, a manutenção da tarifa elevada já provocou forte queda nas vendas. Entre agosto e outubro, as importações americanas de café brasileiro recuaram 51,5% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados do Cecafé.

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) emitiu uma nota agora a pouco:

    Comunicado BSCA – Tarifaço dos EUA

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) lamenta o fato de a nova ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sexta-feira, 14 de novembro, que trata da “Modificação do âmbito de aplicação da tarifa recíproca em relação a certos produtos agrícolas”, não conter a exclusão integral das tarifas de 50% impostas sobre os cafés do Brasil, principalmente os cafés especiais, a serem importados pelos norte-americanos.

    A nova orientação da Casa Branca retira a taxa recíproca de 10% sobre a importação dos cafés do Brasil, mas mantém os 40% adicionais, que estão em vigência desde agosto deste ano.

    Tal situação, de manutenção de elevada posição tarifária imposta ao Brasil, amplia as distorções no comércio e tende a intensificar, no curto prazo, a queda nas exportações de cafés especiais aos Estados Unidos.

    Como exemplo, de agosto a outubro — os três meses de vigência do tarifaço —, os embarques de cafés especiais do Brasil aos EUA, o principal mercado importador desse produto nacional, caíram cerca de 55%, saindo de 412 mil sacas de 60 kg no mesmo período de 2024 para as atuais 190 mil sacas.

    Diante disso, a BSCA anseia pela aceleração das negociações entre Brasil e EUA, de modo a corrigir as distorções no comércio cafeeiro entre os países, o qual desejamos que tenha seu fluxo normal restabelecido o mais rápido possível, já nas próximas semanas, dada a urgência que o tema demanda.

    Carnes e frutas

    No setor de carnes e frutas, a avaliação é de que houve algum avanço, mas ainda insuficiente para garantir competitividade frente a outros países contemplados com isenções totais. O temor é de que o Brasil perca participação em mercados estratégicos caso as negociações comerciais não avancem em direção a maior igualdade tarifária.

     

  • Após tarifaço, Trump recua e baixa impostos sobre alimentos importados

    Após tarifaço, Trump recua e baixa impostos sobre alimentos importados

    Donald Trump assinou uma canetada que pode mudar o rumo do comércio agrícola entre Estados Unidos e Brasil. Nesta sexta (14), o presidente americano anunciou a redução das tarifas sobre carne bovina, café, tomate e banana. O gesto mira a inflação que corrói o bolso do consumidor americano, e abre espaço para os exportadores brasileiros respirarem aliviados.

    A medida vem após semanas de pressão sobre o governo, especialmente depois do tarifaço que elevou os preços dos alimentos nos EUA. O texto da Casa Branca, publicado de madrugada, tem efeito retroativo: vale desde as 2h01 desta quinta (13), horário de Brasília. Um raro recuo de Trump em meio à sua cruzada por “déficits comerciais justos”.

    O Brasil surge entre os maiores beneficiados. Maior produtor global de café e segundo maior exportador de carne bovina, o país vinha sofrendo com sobretaxas de até 50%. Desde agosto, as vendas de café para o mercado americano desabaram, com uma queda de 54,4% em outubro, segundo o Cecafé. E o consumidor americano sentiu o golpe: o produto acumula alta de 20% no preço médio, conforme dados oficiais de inflação (CPI).

    Ainda pairam dúvidas sobre o alcance do decreto. A nova ordem de Trump não cita diretamente a sobretaxa de 40% contra o Brasil. Especialistas avaliam que o alívio pode se aplicar apenas às tarifas de 10% impostas em abril. “Seguimos estudando o texto”, disseram analistas ouvidos pela reportagem.

    Reações

    Nos bastidores, o clima é de observação. A Abiec classificou a decisão como “muito positiva”, destacando que ela reforça a confiança no diálogo técnico entre os países. “A carne brasileira é reconhecida pela qualidade e regularidade. Essa medida é um passo na direção certa”, afirmou a entidade em nota.

    Enquanto isso, Washington costura acordos pela América Latina. Na quinta (13), Trump anunciou negociações avançadas com Argentina, Equador, El Salvador e Guatemala — todos sem citar o Brasil. As conversas incluem promessas de abrir mercados e travar impostos sobre serviços digitais.

    A Casa Branca, contudo, deixou claro: as tarifas gerais de 10% e 15% para esses países continuarão, mas alguns produtos terão exceções. Fica claro que Trump tenta calibrar a balança e conter a inflação doméstica sem perder a retórica protecionista que mobiliza sua base.

    Em Brasília, o Itamaraty se move. O chanceler Mauro Vieira se encontrou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em busca de uma trégua. O Brasil propôs suspender temporariamente as sobretaxas de 40% e negociar caso a caso. Nenhuma resposta oficial até o fim da noite.

    O jogo comercial segue em aberto. Trump ensaia um recuo tático. O Brasil observa e espera.

  • Brasil aguarda retorno dos EUA para avançar no acordo

    Brasil aguarda retorno dos EUA para avançar no acordo

    O Brasil espera, nos próximos dias, a resposta dos Estados Unidos sobre o “mapa do caminho” que orientará as negociações comerciais entre os dois países. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a definição é essencial para solucionar pendências acumuladas nos últimos anos.

    Vieira se reuniu em Washington com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, após encontros durante o G7 no Canadá. O chanceler relatou que Rubio demonstrou interesse em avançar rapidamente nas conversas técnicas. “Apresentamos nossas propostas para a solução das questões. Agora esperamos a resposta deles”, afirmou Vieira após a reunião.

    O encontro ocorre após a primeira reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada em 26 de outubro. Na ocasião, os países decidiram iniciar negociações técnicas para reverter o tarifaço imposto pelo governo Trump sobre produtos brasileiros.

    O chanceler explicou que, em 4 de novembro, Brasil e Estados Unidos realizaram uma reunião virtual de alto nível. Nela, o governo brasileiro apresentou uma resposta detalhada à lista de temas enviada por Washington em outubro. Segundo Vieira, Rubio sinalizou que a análise americana deve terminar até esta semana ou no início da próxima.

    Vieira afirmou que Brasil e Estados Unidos buscam concluir, até o fim deste mês, um acordo provisório. Esse documento deve definir o roteiro das negociações para os próximos um ou dois anos. As discussões ocorrem em meio às tarifas adicionais de 50% aplicadas pelos EUA a diversos produtos brasileiros.

    Reunião teve delegações ampliadas

    A reunião em Washington incluiu uma rodada ampliada de trabalho com negociadores e diplomatas dos dois países. Representaram o Brasil:
    • Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil em Washington;
    • Joel Sampaio, chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social;
    • Ricardo Monteiro, chefe de gabinete e embaixador;
    • Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty;
    • Fernando Sena, ministro-conselheiro da embaixada brasileira.

     

  • Tarifa dos EUA derruba exportações de peixe brasileiro

    Tarifa dos EUA derruba exportações de peixe brasileiro

    As novas tarifas de importação que os Estados Unidos impuseram aos produtos da piscicultura brasileira provocaram um tombo nas exportações do setor. No terceiro trimestre de 2025, a receita com as vendas externas encolheu 28% na comparação com o mesmo período de 2024. Em volume, a queda foi de 26%, segundo o Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, publicado pela Embrapa Pesca e Aquicultura em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).

    Diego Vargas / Seapa MG

    O período de julho a setembro registrou os piores resultados do ano, com o Brasil exportando pouco menos de 3.000 toneladas de peixe. Os números mensais mostram uma queda acentuada logo após o início da tarifa em agosto. As exportações, que foram de 1.390 toneladas (US$ 5,7 milhões) em julho, despencaram para pouco mais de 800 toneladas (US$ 3,9 milhões) em agosto e chegaram a menos de 780 toneladas (US$ 3,7 milhões) em setembro.

    Queda é mais acentuada no principal mercado

    O impacto foi ainda mais severo nos Estados Unidos, principal destino da piscicultura brasileira, onde as vendas caíram 32%. A tilápia responde por 99% dessas exportações. Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa e responsável pelo relatório, explica que especialistas esperavam uma queda maior, mas algumas empresas mantiveram parte das vendas mediante negociações com importadores norte-americanos.

    “No entanto, alguns exportadores afirmam não ser possível manter essas negociações no longo prazo. Caso o ‘tarifaço’ continue, é provável que haja uma redução maior nas vendas no último trimestre de 2025”, contextualiza Pedroza. A tarifa sobre o pescado brasileiro saltou de 10% para 50%.

    Concorrência interna e busca por novos mercados

    Além do desafio externo, o setor também enfrenta uma ameaça interna. O relatório destaca a importação de filé de tilápia do Vietnã, que totalizou US$ 195 mil e 48 toneladas. Parte desse produto chegou ao Brasil ao preço de R$ 16,70/kg, valor bem inferior aos R$ 31,00 praticados pelo filé de tilápia nacional.

    Enquanto isso, a busca por mercados alternativos esbarra em dificuldades. “Os exportadores tentam buscar novos mercados, mas isso leva tempo. É difícil encontrar outros países que absorvam o mesmo volume de tilápia que era exportado para os Estados Unidos, principalmente considerando que o mercado europeu continua fechado para o pescado do Brasil”, projeta Manoel Pedroza. O futuro do setor, portanto, depende diretamente da manutenção ou revogação das tarifas norte-americanas.

  • Brasil e EUA abrem diálogo sobre tarifas do café; setor se manifesta

    Brasil e EUA abrem diálogo sobre tarifas do café; setor se manifesta

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) comemorou o diálogo realizado neste domingo (26), na Malásia, entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A conversa marcou um passo importante para fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

    Importância do mercado americano

    Os EUA importam 16% de todo o café exportado pelo Brasil, o que correspondeu a 8,1 milhões de sacas em 2024. O país é o principal destino do café brasileiro e um parceiro estratégico para o setor.

    Durante a missão oficial à Indonésia e à Malásia, o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, participou de reuniões com a equipe do governo federal. Ele apresentou informações estratégicas e defendeu a isenção das tarifas aplicadas aos cafés brasileiros.

    Segundo o Cecafé, ambos os governos demonstraram disposição em avançar nas negociações sobre as tarifas em vigor. Essas taxas reduzem a competitividade do café brasileiro nos Estados Unidos. Como resultado, elas aumentam os preços ao consumidor norte-americano e ameaçam a participação do Brasil no maior mercado importador e consumidor de café do mundo.

    A entidade reforçou que atua tanto no Brasil quanto em Washington para fortalecer a parceria bilateral. O objetivo é garantir competitividade nas exportações, previsibilidade ao mercado global e sustentabilidade à cadeia produtiva do café.

    O Cecafé espera resultados concretos para a eliminação das tarifas sobre o produto, medida que pode reduzir a pressão inflacionária nos EUA e estimular toda a cadeia produtiva brasileira.

    Cafés Especiais

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) também celebrou o encontro entre Lula e Trump. Para a entidade, a reunião representa uma oportunidade real de resolver o impasse tarifário e abrir novas frentes de cooperação entre os dois países.

    A BSCA destacou que os Estados Unidos são o principal destino dos cafés especiais do Brasil, com 2 milhões de sacas exportadas por ano e uma receita superior a US$ 550 milhões.

    A possível retirada do tarifaço de 50% sobre os cafés brasileiros tende a normalizar o comércio internacional do produto, especialmente entre o Brasil — maior fornecedor global — e os EUA — maiores importadores e consumidores do mundo.

    Como representante oficial do setor de cafés especiais, a BSCA defende que o diálogo entre os governos preserve empregos, renda e parcerias históricas construídas entre os dois países. A entidade reforçou que a eliminação das tarifas é essencial para proteger o setor brasileiro, a indústria cafeeira e os consumidores norte-americanos.