Tag: tarifas

  • Demanda por suco desafia setor citrícola em 2026/27

    Demanda por suco desafia setor citrícola em 2026/27

    A safra brasileira de laranja 2025/26 caminha para o encerramento. No entanto, o setor já volta as atenções para os desafios de 2026/27. Os pesquisadores do Cepea afirmam que a principal preocupação deixa de ser a oferta de fruta. Agora, o foco está na recuperação da demanda global por suco de laranja.

    Mesmo com a expectativa de menor produção brasileira na próxima temporada, as exportações seguem em ritmo limitado. Além disso, a demanda europeia ainda apresenta recuperação lenta. Entre julho de 2025 e maio de 2026, o Brasil exportou 749,1 mil toneladas de suco de laranja em equivalente concentrado. O volume ficou apenas 2,8% acima do registrado na safra anterior.

    Os dados da ComexStat mostram crescimento modesto nos embarques. Porém, a receita cambial recuou 27,6% no período. Segundo o Cepea, a queda ocorreu devido à forte desvalorização dos preços internacionais. Ao longo da safra, as cotações externas caíram quase 30%.

    Enquanto isso, os Estados Unidos ampliaram sua relevância para o setor citrícola brasileiro. O país consolidou sua posição como principal suporte das exportações nacionais. A participação norte-americana na receita das vendas externas subiu de 39% para 44%. Já a fatia da União Europeia recuou de 51% para 47%.

    De acordo com os pesquisadores, esse movimento evidencia as dificuldades da recuperação do consumo europeu. Historicamente, o bloco representa o principal destino do suco brasileiro.

    De olho nas tarifas norte-americanas

    Além da demanda internacional, o mercado monitora as discussões tarifárias nos Estados Unidos. O tema ganhou importância ao longo da atual temporada.

    Para a safra 2026/27, o desempenho do mercado dependerá de vários fatores. Entre eles estão a retomada do consumo na Europa e nos Estados Unidos. Além disso, o setor aguarda definições sobre o ambiente regulatório e tarifário norte-americano. Esse cenário deve influenciar diretamente as exportações brasileiras de suco de laranja.

  • Lula e Trump orientam ministros a resolverem tarifas em 30 dias

    Lula e Trump orientam ministros a resolverem tarifas em 30 dias

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Brasil e Estados Unidos buscarão um acordo comercial em 30 dias. Lula reuniu-se nesta quinta-feira (7) com o presidente Donald Trump na Casa Branca, em Washington.

    Após o encontro, Lula informou que ministros dos dois governos apresentarão uma proposta para encerrar o impasse tarifário. O Brasil também voltou a defender o encerramento da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos no ano passado. Os norte-americanos conduzem a apuração com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

    Segundo Lula, representantes da Indústria e Comércio dos dois países negociarão uma solução conjunta. O presidente afirmou que o governo brasileiro aceitará eventuais concessões, caso sejam necessárias.

    Os Estados Unidos acusam o Brasil de concorrência desleal em áreas como Pix, etanol e propriedade intelectual. O governo brasileiro, porém, rejeita a legitimidade da Seção 301.

    Além disso, o Brasil argumenta que o instrumento contraria regras da Organização Mundial do Comércio. Lula declarou que o tema do Pix não entrou na conversa com Trump.

    Reunião durou mais de três horas

    Lula e Trump permaneceram reunidos por mais de três horas na Casa Branca. O encontro incluiu um almoço oferecido pelo presidente norte-americano.

    Trump classificou Lula como “um presidente muito dinâmico” em publicação nas redes sociais. O norte-americano também afirmou que a reunião foi produtiva e indicou novos encontros entre representantes dos dois países.

    As equipes negociaram previamente a reunião bilateral. Os governos discutiram comércio, segurança, crime organizado e minerais estratégicos. Após o encontro, Lula afirmou que saiu otimista das conversas.

    O presidente disse que o Brasil está aberto ao diálogo internacional, mas não abrirá mão da democracia e da soberania.

    Brasil e EUA ampliam cooperação contra o crime

    Durante coletiva, Lula anunciou um novo plano brasileiro de combate ao crime organizado. O governo deve lançar a iniciativa na próxima semana.

    Brasil e Estados Unidos também acertaram ações conjuntas contra organizações criminosas transnacionais. Segundo Lula, os países querem enfraquecer financeiramente facções criminosas.

    O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que Receita Federal e autoridades norte-americanas atuarão em operações conjuntas. As ações buscarão combater contrabando de armas e tráfico internacional de drogas sintéticas.

    Lula afirmou que não discutiu especificamente facções brasileiras durante a reunião. O governo dos EUA avalia classificar grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas. O Brasil considera a proposta um risco à soberania nacional.

    Em abril, os dois países já haviam firmado acordo de cooperação contra tráfico internacional de armas e drogas. A parceria prevê compartilhamento de informações sobre apreensões realizadas nas aduanas.

    Terras raras entram na pauta bilateral

    Lula e Trump também discutiram investimentos em minerais críticos e terras raras. Esses minerais são essenciais para equipamentos de alta tecnologia.

    Lula informou a Trump sobre a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A nova legislação prevê um conselho para definir minerais estratégicos brasileiros.

    O Brasil possui a segunda maior reserva mapeada de terras raras do mundo. O país soma cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China.

    Lula afirmou que o Brasil quer ampliar parcerias internacionais no setor mineral. Porém, o presidente destacou que o país pretende agregar valor à produção nacional. Segundo Lula, o Brasil não deseja atuar apenas como exportador de matérias-primas.

    Lula pede revisão de restrições de vistos

    Lula afirmou que entregou a Trump uma lista de autoridades brasileiras afetadas por restrições de vistos norte-americanos. As medidas ocorreram após o julgamento da tentativa de golpe de Estado no Brasil. Segundo Lula, familiares de autoridades também sofreram restrições.

    O presidente citou ministros do Supremo Tribunal Federal e familiares de integrantes do governo. Participaram da comitiva brasileira ministros das áreas econômica, diplomática e de segurança pública.

    Tensões comerciais cresceram desde 2025

    Brasil e Estados Unidos enfrentam disputas comerciais desde 2025. O conflito começou após Trump impor tarifas de 25% sobre aço e alumínio. O Brasil está entre os principais fornecedores desses produtos aos Estados Unidos.

    Os EUA também aplicaram tarifas adicionais sobre outros produtos brasileiros. Washington alegou falta de reciprocidade comercial nas relações bilaterais.

    Em resposta, o Brasil intensificou negociações diplomáticas e acionou a Organização Mundial do Comércio. O governo brasileiro também reforçou mecanismos legais de reciprocidade comercial.

    No fim de 2025, os Estados Unidos reduziram parcialmente algumas medidas tarifárias. Apesar disso, setores como aço e alumínio continuam com tarifas elevadas. A comitiva brasileira retorna a Brasília nesta sexta-feira (8).

  • Exportações de café solúvel do Brasil têm melhor fevereiro em cinco anos

    Exportações de café solúvel do Brasil têm melhor fevereiro em cinco anos

    As exportações brasileiras de café solúvel atingiram 7,4 mil toneladas em fevereiro de 2026, registrando avanço de 13,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O volume corresponde a 321,1 mil sacas de 60 kg, com receita cambial de US$ 90,3 milhões, alta de 10,8% frente a fevereiro de 2025.

    De acordo com o diretor executivo da entidade, Aguinaldo Lima, esse foi o melhor resultado para o mês de fevereiro nos últimos cinco anos. “O desempenho surpreende diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que ainda impactam parte dos embarques. Mesmo assim, observamos aumento das aquisições norte-americanas, o que reforça a demanda pelo café brasileiro”, afirmou.

    Desempenho no ano ainda é negativo

    Apesar da recuperação mensal, o acumulado do primeiro bimestre de 2026 somou 13,2 mil toneladas (573,7 mil sacas), queda de 11,5% em relação ao mesmo período de 2025. A receita também recuou, totalizando US$ 161,1 milhões no comparativo anual.

    Lima avalia, porém, que a redução das tarifas de 50% para 10% sobre o produto brasileiro, válida a partir de março, pode estimular a retomada dos embarques nos próximos meses. “Essa mudança tende a amenizar as perdas e fortalecer o ritmo de exportações para os EUA ao longo do ano”, destacou.

    União Europeia e mercados prioritários

    A Abics também espera avanços com a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia, que deve reduzir gradualmente a tarifa de 9% incidente sobre o café solúvel exportado ao bloco europeu. “A Europa é nosso segundo principal destino. O acordo trará novos espaços para crescimento”, comentou Lima.

    No ranking dos principais importadores, os Estados Unidos permanecem líderes, com 1,8 mil toneladas (76,8 mil sacas) compradas no primeiro bimestre. Uma queda de 2,5% ante 2025. Rússia e Argentina completam as primeiras posições, com 1,16 mil toneladas (+18,5%) e 1,09 mil toneladas (−2,6%), respectivamente.

    No mercado doméstico, o consumo de café solúvel no Brasil continua em expansão. Entre janeiro e fevereiro, o volume cresceu 15,1%, alcançando 4,1 mil toneladas (179,7 mil sacas). Segundo Lima, o avanço reflete investimentos da indústria em qualidade e inovação. “As empresas vêm apostando em novos produtos e embalagens, o que tem fortalecido a preferência do consumidor brasileiro”, disse.

  • Setor de pescados projeta recuperação após alívio tarifário dos EUA

    Setor de pescados projeta recuperação após alívio tarifário dos EUA

    O setor brasileiro de pescados inicia 2026 com expectativa de recuperação gradual. O segmento reage após um dos períodos mais desafiadores da história recente. Segundo Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), as tarifas dos Estados Unidos afetaram fortemente o setor em 2025.

    O governo norte-americano impôs sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros. De acordo com o presidente da entidade, Eduardo Lobo, a medida reduziu a competitividade das exportações. Como resultado, empresas perderam contratos internacionais e diminuíram a produção. Além disso, a piscicultura retraiu e a cadeia produtiva eliminou postos de trabalho.

    Entretanto, o cenário começou a mudar após decisão da Corte dos Estados Unidos. A Justiça suspendeu as tarifas aplicadas ao setor de pescados brasileiro. Mesmo com a taxação de 10%, o Brasil recupera condições de competir. Segundo Lobo, o setor permanece forte, competitivo e otimista. Contudo, a entidade mantém cautela diante de novas medidas tarifárias.

    Crescimento e empregos

    A Abipesca projeta retomada do crescimento ao longo de 2026. A entidade estima recuperar mais de 5 mil empregos na cadeia produtiva. Além disso, o setor deve recompor parte da capacidade produtiva.

    As exportações brasileiras de pescados podem alcançar US$ 600 milhões. O mercado norte-americano seguirá como principal destino dos embarques. A tilápia lidera a pauta exportadora para os Estados Unidos.
    Para a Abipesca, o novo ambiente comercial inaugura ciclo mais positivo.

    No entanto, o setor mantém prudência diante das incertezas globais. Eduardo Lobo destacou o esforço dos ministérios da Agricultura e da Pesca. Segundo ele, a abertura de novos mercados reduziu perdas maiores.
    O presidente reforçou que o objetivo estratégico segue sendo tarifa zero.

     

  • Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impacta o agro

    Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impacta o agro

    A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que tornou ilegal o tarifaço do governo Donald Trump já repercute no agronegócio brasileiro. Os setores com negócios nos Estados Unidos receberam a notícia de forma positiva e, ao mesmo tempo, cautelosa.

    Os especialistas afirmam que o mercado ainda precisa entender como o governo americano cumprirá a decisão. Por seis votos a três, a Corte decidiu que a legislação não permite ao presidente criar tarifas sem autorização do Congresso. Com isso, os ministros derrubaram as tarifas aplicadas desde abril de 2025.

    Devolução de valores?

    O governo dos Estados Unidos pode ter que devolver parte dos valores arrecadados. As estimativas apontam que o montante supera US$ 175 bilhões. A decisão produz efeitos a partir da data do julgamento e invalida a cobrança desde então. No entanto, o reembolso não ocorre de forma automática.

    As empresas que pagaram as tarifas precisarão ingressar com ações na Justiça americana. Cada pedido de devolução passará por análise individual. Os analistas destacam que apenas quem sofreu prejuízo direto poderá propor ação. Ou seja, somente o importador que pagou a tarifa nos Estados Unidos poderá pedir reembolso ou indenização.

    As empresas brasileiras terão legitimidade se atuarem como importadoras nos Estados Unidos. Além disso, poderão agir se possuírem subsidiárias no país que tenham recolhido as tarifas. O ordenamento jurídico americano não reconhece, em regra, prejuízos indiretos. Assim, perdas de mercado ou redução de vendas não garantem direito automático à indenização.

    Reversão da decisão é difícil

    As decisões da Suprema Corte têm caráter final e efeito vinculante. Por isso, uma reversão pelo governo americano se torna improvável. Mesmo assim, analistas recomendam cautela diante da possível reação do governo Trump.

    Trump anuncia 10% de tarifa

    Após o julgamento, Trump anunciou tarifa global de 10% sobre produtos importados. A nova medida deve valer por 150 dias, segundo o governo. Caso a decisão judicial seja mantida, o comércio global pode passar por rearranjo.

    A queda das tarifas tende a enfraquecer políticas de retaliação comercial. Com isso, produtos americanos podem voltar a competir com os brasileiros em mercados estratégicos. Isso pode ocorrer tanto em novos destinos quanto naqueles onde houve substituição de fornecedores. Ao mesmo tempo, a decisão reduz incertezas no comércio internacional e nas cadeias de suprimentos.

    No caso do Brasil, a interrupção das tarifas amplia a competitividade dos produtos exportados. Ainda assim, a medida não garante aumento imediato das exportações ao mercado americano. Além disso, a Suprema Corte não detalhou como ocorrerá a devolução dos valores pagos. Essa ausência de regras claras pode gerar disputas judiciais prolongadas nos Estados Unidos.

    De modo geral, empresas expostas ao mercado americano já reavaliam suas estratégias.Agora, elas podem revisar políticas de preços sem considerar os custos adicionais das tarifas.

  • Exportações aos EUA caem e para a China avançam

    Exportações aos EUA caem e para a China avançam

    As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram pelo sexto mês seguido. O movimento ocorre após o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Já as vendas do Brasil para a China mantiveram trajetória de crescimento.

    O Ministério do Desenvolvimento divulgou os dados nesta quinta-feira, em Brasília. Em janeiro, as exportações aos EUA somaram US$ 2,4 bilhões. O valor representa queda de 25,5% na comparação anual. No mesmo mês de 2025, as vendas atingiram US$ 3,22 bilhões.

    As importações de produtos norte-americanos também diminuíram no período. O Brasil comprou US$ 3,07 bilhões dos Estados Unidos. O número indica retração de 10,9% sobre janeiro do ano passado. Com esse desempenho, a balança comercial bilateral registrou déficit. O saldo ficou negativo em US$ 670 milhões para o Brasil.

    A redução nas exportações ocorre desde a aplicação das tarifas extras. O governo norte-americano impôs sobretaxa de 50% a produtos brasileiros em 2025. Depois, as autoridades revisaram parte das alíquotas no fim do ano. Mesmo assim, o impacto permanece sobre o comércio brasileiro. O MDIC calcula que 22% das vendas ainda pagam tarifas adicionais. As taxas atuais variam entre 40% e 50%.

    China mantém resultado positivo

    O comércio com a China seguiu na direção oposta. As exportações brasileiras ao país asiático cresceram 17,4% em janeiro. O total embarcado alcançou US$ 6,47 bilhões no período. Um ano antes, o valor exportado somou US$ 5,51 bilhões. Já as importações brasileiras da China recuaram 4,9%. As compras caíram para US$ 5,75 bilhões. Com isso, o Brasil obteve superávit comercial com os chineses. O saldo positivo chegou a US$ 720 milhões no mês.

    A corrente de comércio com a China apresentou avanço. A soma de exportações e importações atingiu US$ 12,23 bilhões. O resultado indica alta de 5,7% na comparação anual.

    No caso dos Estados Unidos, o cenário foi diferente. O intercâmbio comercial totalizou US$ 5,47 bilhões. O volume caiu 18% frente ao mesmo período anterior.

    Desempenho em outros mercados

    O comércio com a União Europeia também mostrou retração. Ainda assim, o Brasil registrou superávit de US$ 310 milhões. A corrente comercial com o bloco recuou 8,8%. As exportações para os europeus caíram 6,2% em janeiro. As importações do Brasil diminuíram 11,5% no mesmo intervalo.

    Com a Argentina, o fluxo comercial encolheu de forma mais intensa. O comércio bilateral apresentou queda de 19,9% no mês. Mesmo com a retração, o Brasil manteve saldo positivo. O superávit com o país vizinho alcançou US$ 150 milhões. As exportações brasileiras para a Argentina recuaram 24,5%. As importações vindas do mercado argentino caíram 13,6%.

     

  • Acordo Mercosul-União Europeia ampliará acesso do Brasil a 36% do comércio global

    Acordo Mercosul-União Europeia ampliará acesso do Brasil a 36% do comércio global

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o Brasil passará a ter acesso a 36% do comércio global de bens com a entrada em vigor do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Atualmente, a taxa está em 8%. O salto reflete a força da União Europeia, responsável por 28% das importações e exportações mundiais em 2024.

    A assinatura do tratado ocorreu neste sábado (17), em cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai, com a presença de representantes dos dois blocos. Para a CNI, o acordo representa uma virada estratégica para a indústria brasileira, ao ampliar mercados e fortalecer a competitividade nacional.

    Segundo levantamento da entidade, 54,3% dos produtos comercializados, ou mais de cinco mil itens, terão tarifas zeradas na União Europeia assim que o tratado entrar em vigor. No caso do Mercosul, o Brasil adotará um cronograma mais gradual, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos (4,4 mil itens).

    “Com base nos dados de 2024, 82,7% das exportações brasileiras à UE entrarão no bloco sem tarifas desde o início da vigência. O Brasil, por sua vez, eliminará de imediato apenas 15,1% das tarifas sobre importações europeias, o que garante vantagem competitiva ao país”, informou a CNI.

    Ainda faltam etapas

    Antes de valer, o acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais dos países do Mercosul. A parte comercial do tratado terá implementação gradual nos próximos anos.

    A CNI calcula que o Brasil terá, em média, oito anos a mais que a UE para cumprir o cronograma de redução tarifária. Período que permitirá aos setores produtivos se adequar de forma previsível.

    “Trata-se de um marco histórico para fortalecer a indústria, diversificar exportações e ampliar a integração internacional do país”, destacou a entidade.

    O acordo, negociado há mais de 25 anos, vai além das tarifas e inclui regras que elevam a segurança jurídica e reduzem custos operacionais, criando um ambiente mais favorável a investimentos, inovação e geração de empregos.

    Em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado à União Europeia gerou 21,8 mil empregos, R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção, de acordo com a CNI.

    No setor agroindustrial, as cotas acordadas favorecem produtos estratégicos. No caso da carne bovina, o volume destinado ao bloco europeu é mais que o dobro do oferecido ao Canadá e supera em mais de quatro vezes as cotas concedidas ao México. O arroz brasileiro também contará com cotas acima do volume atual exportado, abrindo novo espaço no mercado europeu.

    Cooperação tecnológica e sustentabilidade

    O tratado cria condições para impulsionar projetos de pesquisa, inovação e sustentabilidade. A CNI afirma que o acordo estimula o desenvolvimento de tecnologias de descarbonização industrial, como captura e armazenamento de carbono, uso de hidrogênio de baixa emissão e reciclagem de baterias e minerais críticos, além de fomentar bioinsumos para a agricultura sustentável.

    Essas iniciativas devem fortalecer a cooperação tecnológica entre os países e acelerar a transição do Brasil para uma economia de baixo carbono.

    Em 2024, a União Europeia representou o segundo principal destino das exportações brasileiras, com US$ 48,2 bilhões, 14,3% do total vendido pelo país. As importações somaram US$ 47,2 bilhões, o equivalente a 17,9% das compras externas do Brasil.

    A indústria de transformação respondeu por 98,4% das importações vindas da Europa, enquanto 46,3% das exportações brasileiras ao bloco foram de bens industriais. Para a CNI, essa complementaridade ajuda a modernizar o parque industrial nacional e amplia a competitividade global da indústria.

    A União Europeia também se mantém como o maior investidor no Brasil, com 31,6% do estoque de investimento produtivo estrangeiro no país em 2023, o equivalente a US$ 321,4 bilhões. O Brasil, por sua vez, destinou 63,9% de seus investimentos externos à União Europeia, consolidando o bloco como principal parceiro econômico do país.

  • Cota chinesa pode reduzir exportações brasileiras de carne

    Cota chinesa pode reduzir exportações brasileiras de carne

    O Brasil pode deixar de faturar cerca de US$ 3 bilhões com exportações de carne bovina à China. Isso ocorre após a adoção de novas tarifas e cotas de importação pelo governo chinês. Nesta quarta-feira (31), a China anunciou uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil.

    O volume excedente terá tarifa de 55%, o que restringe o acesso ao mercado. Além disso, o país asiático definiu cotas isentas da tarifa para outros grandes exportadores. A medida afeta diretamente a competitividade da carne bovina brasileira.

    Exportações

    Para 2025, o setor projeta exportações de 1,7 milhão de toneladas de carne bovina à China. Até novembro, os embarques já somaram 1,5 milhão de toneladas, com receita de US$ 8 bilhões. Segundo analistas, a tarifa pode inviabilizar exportações acima da cota estabelecida.

    O percentual de 55% dificulta negociações nas atuais condições de mercado. Caso as vendas fiquem limitadas a 1,1 milhão de toneladas, o Brasil voltaria ao patamar pré-2022. Desde aquele ano, as exportações superaram 1 milhão de toneladas anuais.

    Tratamento desigual

    O setor também critica o tratamento desigual entre fornecedores. A Argentina recebeu cota de 510 mil toneladas, enquanto o Uruguai ficou com 310 mil toneladas. Em resumo, na avaliação de especialistas, esses volumes são elevados em relação ao tamanho dos rebanhos desses países. Por isso, eles consideram que a medida é mais severa para o Brasil.

    Distribuição de cotas

    Outra preocupação envolve a distribuição das cotas. O setor ainda não sabe qual país fará a gestão nem quais critérios serão adotados. Além disso, as autoridades chinesas também avaliam novas medidas, ainda não detalhadas oficialmente. Entre elas, estão a redução de frigoríficos habilitados e das linhas de crédito aos importadores.

    Diante desse cenário, o mercado já projeta revisões nas estimativas de exportação para 2026.
    A incerteza aumenta e pressiona o planejamento do setor pecuário brasileiro.

  • Apenas 6 de 21 setores brasileiros superam perdas com tarifas americanas

    Apenas 6 de 21 setores brasileiros superam perdas com tarifas americanas

    As tarifas de 40% e 50% que os Estados Unidos aplicam sobre produtos brasileiros derrubaram as exportações em US$ 1,5 bilhão entre agosto e novembro de 2025. Um estudo inédito da Amcham Brasil mostra que todos os 21 setores analisados registraram queda nas vendas para o mercado americano no período, quando comparados ao mesmo intervalo de 2024.

    Os dados revelam que, em todos os setores, a retração nas vendas para os Estados Unidos superou a variação das exportações globais, com exceção apenas do setor de material de transporte. A análise demonstra o impacto profundo das tarifas americanas sobre a balança comercial brasileira.

    Diversificação de mercados não resolve problema das sobretaxas

    A estratégia de redirecionar exportações para outros países não conseguiu mitigar os efeitos das sobretaxas na maioria dos casos. Quinze dos 21 setores analisados não alcançaram desempenho global suficiente para compensar as perdas registradas no mercado americano.

    Esses 15 setores acumularam perdas de US$ 1,2 bilhão. Os segmentos mais prejudicados incluem alimentos (como mel e pescados), plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte.

    Seis setores conseguiram compensar integralmente as perdas: produtos vegetais, gorduras e óleos, químicos, pedras preciosas, máquinas e aparelhos elétricos, e máquinas e instrumentos mecânicos.

    Mercado americano exige produtos específicos que outros países não demandam

    O estudo destaca um problema adicional: muitas empresas brasileiras aumentaram exportações para terceiros mercados com produtos diferentes daqueles que tradicionalmente vendem para os Estados Unidos. Essa situação indica uma compensação imperfeita tanto em nível de produtos quanto de empresas.

    O setor de máquinas e aparelhos elétricos ilustra bem esse desafio. As exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões, enquanto as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões no período. Aparentemente, o setor compensou as perdas. Porém, os principais produtos afetados no mercado americano não tiveram o mesmo desempenho em outros destinos.

    As exportações de transformadores caíram 23,1% para os EUA e 40,9% para o resto do mundo. Os geradores recuaram 54,6% no mercado americano e cresceram apenas 2,3% nos demais destinos. Esses números comprovam que o mercado americano não oferece substituição fácil para as exportações brasileiras.

    O tamanho, a diversidade, o maior valor agregado da pauta importada e as especificações técnicas dos produtos tornam os Estados Unidos um parceiro comercial único para o Brasil.

    Amcham pede urgência nas negociações bilaterais

    Os dados confirmam que a diversificação de mercados não reverte comercialmente os impactos das tarifas para a maioria dos setores exportadores brasileiros, especialmente os produtos industriais.

    “O estudo sugere que não é possível compensar plenamente as vendas da maioria dos produtos exportados para os Estados Unidos por meio do seu redirecionamento a outros destinos. A estratégia de diversificação é bem-vinda, mas não substitui o papel do mercado americano, cujo tamanho, escala e características são únicos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    Neto reforça a importância das negociações bilaterais para melhorar as condições de acesso dos setores exportadores brasileiros que ainda enfrentam sobretaxas nos Estados Unidos.

  • Tarifas dos EUA ainda ameaçam milhares de empregos

    Tarifas dos EUA ainda ameaçam milhares de empregos

    Mais de um terço das mercadorias brasileiras continua sob tarifas de 40% impostas pelos Estados Unidos, mesmo após a retirada de taxas sobre café, carne bovina e frutas há um mês. Produtores de mel, pescados, máquinas e calçados enfrentam riscos crescentes aos negócios e alertam para perdas de competitividade no mercado americano.

    O setor de pescados enfrenta um cenário de encolhimento, segundo a Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescado). A entidade estima que o Brasil perdeu cerca de US$ 250 milhões em exportações de pescados aos Estados Unidos em 2025, após perder competitividade para países não tarifados.

    A situação é especialmente crítica para a tilápia. No início de 2025, até 99% da tilápia brasileira tinha como destino os Estados Unidos. Com as tarifas, a PeixeBR (Associação Brasileira da Piscicultura) projeta que esse percentual pode cair praticamente a zero.

    As mercadorias redirecionadas para o mercado interno e outros países encontram preços mais baixos, o que compromete a rentabilidade do setor.

    Calçados e máquinas projetam milhares de demissões

    A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) alerta que a permanência das tarifas pode gerar até 8 mil demissões em 2026. O setor já registrou 1.650 demissões em outubro devido à taxação. Nos últimos quatro meses, o volume de exportações de calçados brasileiros aos EUA caiu 23,4%.

    O setor de máquinas também sofre impacto significativo. A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) destaca que as tarifas geraram demissões em diversas empresas. A participação do Brasil no mercado americano despencou de 27% para 13%.

    A associação adverte que novos mercados não conseguem absorver o volume de vendas e as mesmas condições comerciais dos EUA no curto prazo. A demora no corte de impostos pode gerar substituição permanente dos produtos brasileiros por concorrentes estrangeiros.

    Pequenos produtores de mel enfrentam ameaça ao sustento

    A guerra comercial compromete principalmente pequenos produtores e agricultores familiares, que representam a maioria dos produtores de mel no Brasil. A Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel) ressalta que 53% do mel produzido no país tem como destino os Estados Unidos.

    A entidade pede que o governo solucione a taxação por meio de diplomacia estratégica, alertando para os riscos à cadeia produtiva.

    Café solúvel perde liderança no mercado americano

    A Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) aponta “risco de perda permanente de mercado”. Os EUA são o principal destino do café solúvel brasileiro, mas as vendas ao país caíram 52% em volume desde agosto, quando começou a taxação.

    Em outubro, a Rússia assumiu o lugar dos EUA como principal destino do café solúvel brasileiro. No entanto, o mercado russo não absorve a mesma demanda americana.

    Tarifaço teve redução parcial há um mês

    Trump anunciou a retirada de tarifas sobre café, carne bovina, frutas, suco de laranja, cacau e madeira em novembro, após meses de negociações com o governo brasileiro. O tarifaço havia atingido mais de 200 produtos.

    Atualmente, 36,5% dos produtos brasileiros seguem taxados, segundo a Câmara de Comércio Brasil-EUA. Máquinas, calçados, roupas, pescados, mel e café solúvel estão entre os itens que mantêm a sobretaxa de 40%.

    Brasil diversifica mercados e registra crescimento nas exportações

    O total de exportações agrícolas do Brasil cresceu 1,7% entre janeiro e novembro de 2025, segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). As vendas aos EUA caíram 38% entre agosto e novembro, em comparação ao mesmo período de 2024.

    Carla Beni, economista da FGV, avalia que o impacto negativo das tarifas foi muito menor do que o esperado. A situação obrigou o Brasil a diversificar mercados, o que pode aquecer a economia do país.

    “Quanto mais parceiros comerciais, melhor”, afirma Beni. A maior presença de produtos brasileiros em novos mercados, como a Europa, pode facilitar novos acordos comerciais, como o esperado entre União Europeia e Mercosul.

    Café prevê retomada de vendas em 2026

    O CNC (Conselho Nacional do Café) projeta que a queda de 30% nas exportações aos EUA deve ser retomada no ano que vem. O otimismo se baseia na queda dos impostos e nos baixos estoques no país norte-americano.

    Silas Brasileiro, presidente do CNC, explica que o café não tem validade curta, o que permitiu que produtores estocassem parte das sacas até a solução do problema. Ele destaca que a diversificação de destinos muda para sempre a dinâmica setorial e reduz a dependência futura dos Estados Unidos.

    Setor de carnes mostra resiliência e redireciona vendas

    A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) já registra retomada de vendas após a queda de tarifas. O setor tinha grande presença em muitos países antes das taxações.

    Para evitar 50% de impostos sobre mercadorias nos EUA, 60 mil toneladas foram rapidamente redirecionadas para mais de 160 destinos, incluindo Ásia, Europa, Chile e Rússia.

    A troca de compradores apertou o lucro, mas o setor mostrou resiliência. “De janeiro a novembro já exportamos 244,5 mil toneladas e US$ 1,4 bilhão para os EUA, superando todo o resultado de 2024”, destaca Roberto Perosa, presidente da Abiec. O setor espera recuperação total do volume de vendas de 2024 durante 2026.

    Tarifas elevam preços nos EUA

    Ulisses Ruiz de Gamboa, professor de Economia do Insper, explica que a taxação de produtos estrangeiros aumentou preços de itens do cotidiano dos americanos, como café, hambúrguer e suco de laranja.

    O professor ressalta que a maioria dos exportadores brasileiros conseguiu encontrar alternativas. O maior impacto no Brasil ficou localizado em setores específicos que tinham exportação dependente dos EUA.