Os preços do boi gordo e da carne bovina apresentam comportamentos diferentes em agosto. Segundo o Cepea, a arroba perdeu força em São Paulo. Por outro lado, os preços da carne bovina no atacado da Grande São Paulo continuam firmes.
De acordo com o Centro de Pesquisas, o mercado do boi gordo começou agosto ainda fortalecido. Porém, perdeu intensidade nos dias seguintes. O movimento ocorreu principalmente porque os frigoríficos reduziram a necessidade de novas compras de animais no mercado spot. Apesar desse enfraquecimento, a arroba permanece em patamares elevados.
O mercado independente de suínos atravessa um período de preços baixos em 2026. Até julho, o cenário provocou prejuízos aos produtores. Além disso, alguns suinocultores consultados pelo Cepea encerraram suas atividades diante das dificuldades do mercado.
A baixa demanda agrava o cenário enfrentado pelo setor. Ao mesmo tempo, a oferta elevada de animais aumenta a disponibilidade de carne. Como consequência, as cotações do suíno vivo recuam expressivamente.
O Cepea destacou esse cenário há duas semanas. Em julho, o suíno vivo alcançou R$ 5,18 por quilo na praça SP-5. O valor representa o terceiro menor nível de toda a série histórica da região. A praça SP-5 reúne Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba.
Mercado de suínos repete cenário de 2022
Os pesquisadores avaliam que o atual cenário apresenta semelhanças com o mercado observado em 2022. Naquele ano, a praça SP-5 registrou seu pior momento em fevereiro. Na ocasião, o preço médio alcançou R$ 5,97 por quilo. O valor considera preços reais, corrigidos pelo IGP-DI de julho de 2026. Assim, o mercado independente de suínos enfrenta um período de forte pressão sobre preços e rentabilidade.
O mercado atacadista da Grande São Paulo registra queda nos preços das carnes bovina e suína nesta parcial de julho. Em contrapartida, o frango resfriado acumula alta no mesmo período. O levantamento do Cepea considera as negociações realizadas entre 30 de junho e 14 de julho.
O consumo doméstico moderado explica a retração das cotações das carnes bovina e suína. Além disso, o atacado costuma repor estoques com mais cautela na primeira quinzena de julho.
No mercado bovino, a queda do preço da arroba reduz o ritmo das negociações. Ao mesmo tempo, a dificuldade para repassar os preços ao varejo também limita os negócios. Por outro lado, a oferta mais restrita de animais terminados e o bom desempenho das exportações impedem desvalorizações mais acentuadas da carne bovina.
Carnes suína e de frango
Na carne suína, as exportações seguem aquecidas. Entretanto, a demanda doméstica enfraquecida continua pressionando as cotações no mercado interno.
Já o frango apresenta desempenho mais favorável. Conforme o Cepea, a proteína mantém preço mais competitivo que as demais carnes.
Com isso, muitos consumidores substituem a carne bovina e a suína pelo frango. Como resultado, a demanda permanece firme e sustenta os preços.
O que vem pela frente?
Para a segunda quinzena de julho, o Cepea avalia que o mercado da carne bovina dependerá da demanda doméstica e da oferta de animais para abate. Se o consumo não reagir de forma consistente, a pressão sobre os preços das carnes bovina e suína deve continuar no atacado. Enquanto isso, o frango poderá manter a valorização caso a procura permaneça aquecida.
O Brasil registrou recordes nos abates de bovinos e suínos no primeiro trimestre de 2026. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O país abateu 10,29 milhões de bovinos entre janeiro e março. O volume representa alta de 3,3% frente ao mesmo período de 2025. O resultado é o maior para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997. Em comparação ao último trimestre de 2025, o abate recuou 6,9%.
Mato Grosso liderou o ranking nacional, com 17,5% de participação. Na sequência aparecem São Paulo, Goiás e Pará. A produção de carcaças bovinas alcançou 2,63 milhões de toneladas. O volume cresceu 5,1% na comparação anual. Por outro lado, a produção caiu 10,3% em relação ao trimestre anterior.
Suínos também registram recorde
O abate de suínos atingiu 15,27 milhões de cabeças no primeiro trimestre de 2026. O número representa crescimento de 5,5% sobre igual período do ano passado.
O desempenho também estabeleceu um recorde para primeiros trimestres da série histórica do IBGE. Na comparação com os três meses finais de 2025, o volume apresentou leve queda de 0,1%.
Santa Catarina manteve a liderança nacional no setor. O estado respondeu por 28,1% do total abatido. Paraná e Rio Grande do Sul aparecem na sequência, com participações de 20,9% e 17,8%, respectivamente.
O peso acumulado das carcaças suínas chegou a 1,43 milhão de toneladas. O resultado avançou 6,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Além disso, houve aumento de 1% frente ao trimestre imediatamente anterior.
Frangos têm segundo melhor resultado da história
O abate de frangos somou 1,71 bilhão de aves no primeiro trimestre de 2026. O volume ficou 3,6% acima do registrado no mesmo período de 2025. Na comparação trimestral, porém, ocorreu recuo de 0,5%.
Segundo o IBGE, esse foi o segundo melhor resultado da série histórica iniciada em 1997. O recorde permanece com o quarto trimestre de 2025.
O Paraná continuou como principal produtor nacional. O estado respondeu por 35% de todo o abate de frangos do país. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo completam a lista dos maiores participantes.
O peso acumulado das carcaças de frango atingiu 3,73 milhões de toneladas. O resultado cresceu 6,9% na comparação anual. Em relação ao trimestre anterior, o avanço foi de 2,2%.
As exportações brasileiras de carne bovina mantiveram forte ritmo no primeiro quadrimestre de 2026. Segundo a Secex, o Brasil embarcou 953,606 mil toneladas de carne bovina in natura no período.
O volume cresceu 15,2% frente ao mesmo intervalo de 2025. Além disso, o resultado ficou quase 30% acima do registrado no primeiro quadrimestre de 2024.
Desde março de 2025, os embarques mensais superam 200 mil toneladas. Em abril de 2026, o País exportou 251,944 mil toneladas da proteína. Esse foi o maior volume já registrado para abril na série histórica da Secex.
China
A China liderou novamente as compras da carne bovina brasileira. Somente em abril, o país asiático adquiriu 135,472 mil toneladas do produto nacional. O volume avançou 32,8% na comparação com março deste ano. No acumulado do quadrimestre, a China importou 460,888 mil toneladas. O total representa alta de 19,3% frente ao mesmo período de 2025.
Os pesquisadores do Cepea alertam para desafios no mercado internacional nos próximos meses. Segundo o Centro de Pesquisas, a China pode ampliar restrições relacionadas às cotas de importação.
Além disso, a União Europeia excluiu o Brasil da lista de países adequados às regras antimicrobianas. O bloco europeu anunciou a medida nesta semana. Apesar disso, os embarques brasileiros para a União Europeia representam apenas 4% do total exportado.
Mesmo com esse cenário, a oferta global de carne bovina segue reduzida.
Carne suína também registra recorde histórico
As exportações brasileiras de carne suína atingiram recorde para abril. Segundo a Secex, o Brasil embarcou 138,3 mil toneladas da proteína no mês.
Esse foi o maior volume da série histórica iniciada em 1997. Na comparação anual, os embarques cresceram 8,2% frente a abril de 2025.
O Cepea destaca que este foi o quinto recorde mensal consecutivo das exportações. Segundo os pesquisadores, o setor buscou ampliar negócios internacionais diante do consumo doméstico enfraquecido.
A estratégia também tenta reduzir a oferta interna e sustentar os preços nacionais. Mesmo assim, os preços da carne suína recuaram no mercado doméstico.
O Cepea estima que as exportações representaram cerca de 26% da produção nacional em abril. No primeiro quadrimestre de 2026, os embarques somaram 526,4 mil toneladas. O volume cresceu 14,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
O mercado de suínos registra a terceira queda semanal seguida nos preços do animal vivo e dos cortes. Esse movimento ocorre devido à demanda doméstica enfraquecida e ao aumento da oferta no país.
O levantamento do Cepea indica desvalorizações mais intensas nas regiões do Sul. Por outro lado, as exportações de carne suína mantêm ritmo acelerado neste mês.
Dados da Secex mostram embarques médios diários de 6,2 mil toneladas em abril. Esse volume representa o maior da história e supera em 3,3% a média registrada em março. As vendas externas costumam representar entre 25% e 30% da produção nacional de carne suína.
Os pesquisadores do Cepea afirmam que exportações ajudam a reduzir a oferta interna. No entanto, a demanda doméstica segue fraca e limita a reação dos preços no mercado nacional.
Assim, mesmo com desempenho recorde nas exportações, os preços continuam em queda no Brasil.
A instabilidade geopolítica mantém o mercado brasileiro de suínos em estado de atenção neste início de março.
Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) afirmam que agentes monitoram os impactos do conflito no Oriente Médio.
Segundo o Cepea, a tensão pode afetar os preços do petróleo, o dólar e outras variáveis econômicas.
Além disso, as incertezas do cenário geopolítico geram especulações e reduzem a liquidez no mercado independente. Diante disso, produtores e indústrias evitam mudanças nos preços do suíno vivo e da carne.
Assim, as cotações seguem estáveis mesmo com o aumento do poder de compra da população neste início de mês.
Nesse cenário, o suíno vivo na praça SP-5 registra média de R$ 6,94 por quilo nesta parcial de março.
A cotação considera negócios até o dia 10 nas regiões de Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba. O valor atual é o menor desde abril de 2024, quando o animal foi vendido a R$ 6,89 por quilo.
Os dados consideram valores reais corrigidos pelo IGP-DI.
Insatisfação com o mercado
Apesar da estabilidade, agentes consultados pelo Cepea demonstram insatisfação com o mercado.
Isso ocorre porque o setor esperava recuperação dos preços no início de março. A expectativa considerava o aquecimento sazonal da demanda e o baixo patamar das cotações no mercado independente.
As exportações brasileiras de carne suína atingiram recorde histórico para janeiro, apontam pesquisadores do Cepea. Embora os embarques tenham recuado frente a dezembro, o setor registrou o maior volume já exportado para o mês.
Dados da Secex, analisados pelo Cepea, mostram que o Brasil embarcou 115 mil toneladas em janeiro. O volume ficou 15% abaixo de dezembro, quando o País exportou 136 mil toneladas. Além disso, essa foi a maior retração mensal para o período desde 2022. Ainda assim, o resultado superou em 10% o volume de janeiro de 2025. Naquele mês, o Brasil havia embarcado 104 mil toneladas de carne suína.
Com isso, janeiro de 2026 registrou o maior volume da série histórica da Secex. A série começou em 1997 e acompanha os dados oficiais de exportação. Segundo o Cepea, o desempenho reforça a expectativa de novo recorde anual. Portanto, o setor exportador de suínos mantém perspectiva positiva para 2026.
O dia em Toledo, no oeste do Paraná, começa cedo, antes que o sol se desprenda do horizonte e espane a névoa sobre as plantações. O orvalho escorre das folhas de soja, o motor dos tratores rompe o silêncio, e o ar já carrega aquele cheiro inconfundível: mistura de ração, terra úmida e promessas de fartura. Seja bem-vindo(a) ao Reino do Oink.
À distância, há quem jure ouvir um murmúrio que vem do campo. Um rumor ritmado, quase orquestral. É o som de 950 mil porcos respirando, comendo, crescendo, existindo.
No mapa, a simpática Toledo é um ponto distante de Curitiba, no interior paranaense. Mas, na prática, é a capital invisível dos suínos. Um lugar onde há quase seis porcos para cada pessoa.
Os 160.701 habitantes, segundo estimativa do IBGE para 2025, vivem cercados por um oceano de grunhidos e silos metálicos. Os animais são tantos que parecem se multiplicar no eco dos currais e no vapor que sai das granjas nas manhãs frias.
O trono dos porcos
Foto: Ari Dias/AEN
Há uma ironia silenciosa na paisagem. A cidade foi erguida por gente, mas quem reina por aqui é o porco. O IBGE confirma: 950 mil suínos dividem o território com pouco mais de 160 mil moradores. Se cada habitante decidisse adotar um, ainda sobrariam quase 790 mil focinhos sem dono. É a cidade brasileira com a maior quantidade de suínos.
O contraste é poético e brutal. O mesmo animal que já foi símbolo de fartura nas mesas do interior hoje sustenta uma indústria de bilhões. Toledo produz proteína como quem produz destino, no compasso dos caminhões frigoríficos que cruzam a BR-467, levando o cheiro e a riqueza do campo para longe.
O império do oink
Dizem que é fácil saber quando se está chegando a Toledo. O vento entrega. Ele sopra carregado de um aroma ácido, mistura de vida, trabalho e exaustão. Para uns, é incômodo; para outros, é sinal de prosperidade. Aqui, o cheiro do ar é o cheiro do sustento.
Entre as faixas de milho e soja, surgem granjas que mais parecem fortalezas: portões automáticos, silos reluzentes, sistemas de ventilação que nunca param. Lá dentro, máquinas alimentam, climatizam e registram cada movimento. O que era natureza virou cálculo. O que era instinto virou estatística.
Foto: Ari Dias/AEN
Mesmo assim, há uma harmonia discreta nesse cotidiano. É como se homem e animal tivessem firmado um pacto silencioso. Cada porco alimentado é uma engrenagem da economia, uma batida no coração do município, uma pequena parte do futuro que Toledo constrói com paciência e precisão.
O cheiro, o som e o sustento
Com o tempo, os moradores se acostumaram. A suinocultura não é apenas um negócio, é uma espécie de identidade. O caminhoneiro sabe o caminho de cor; o agricultor reconhece no ar quando as granjas estão cheias; o comerciante mede as vendas pelo número de abates da semana.
Toledo respira em oinks. O som é constante, mas não ensurdece. É o bater de um coração coletivo, pulsando do campo para o centro, atravessando os milharais e as ruas largas da cidade.O Paraná é o segundo estado que mais abate suínos no Brasil, responsável por 21,5% da produção nacional. Mas Toledo é um caso à parte. Nenhum outro município reúne tantos animais por habitante. Aqui, o porco é mais presente que o poste, mais numeroso que as janelas e tão essencial quanto a chuva que molha o milho.
Entre o barro e o brilho
Nada disso seria possível sem as mãos que trabalham na sombra. Homens e mulheres que acordam antes do amanhecer, lavam as botas com pressa e entram nas granjas como quem entra num templo. O cheiro forte que muitos evitam é, para eles, o perfume da estabilidade.
Foto: Ari Dias/AEN
Cada porco adulto produz de cinco a sete litros de dejetos por dia. É muito e Toledo aprendeu a lidar com o excesso. Biodigestores transformam o que antes era problema em energia. O que era sujeira, por exemplo, hoje ilumina casas, move motores e fertiliza plantações.
O ciclo se fecha com uma elegância quase poética: o porco alimenta o homem, e o homem devolve o que sobra à terra.
O futuro em tom de rosa
Toledo carrega um desafio constante: crescer sem sufocar. O mundo exige carne, mas também cobra sustentabilidade. A cidade aposta em tecnologia, pesquisa e vigilância sanitária. A Embrapa Suínos e Aves desenvolve rações que reduzem emissões, enquanto cooperativas testam sistemas de reuso de água e manejo inteligente de resíduos.
Foto: Ari Dias/AEN
Mesmo assim, o risco ronda: a peste suína africana, as oscilações de mercado, as mudanças no clima. Tudo pode mudar de uma safra para outra. Ainda assim, Toledo segue firme — resiliente, teimosa, obstinada, como os próprios animais que cria.
Entre o sol e o som
Quando o entardecer cobre o oeste do Paraná de dourado, então a cidade parece suspensa no tempo. Enquanto isso, os silos brilham sob a luz oblíqua, e ao mesmo tempo os caminhões passam levantando poeira. Por fim, ao fundo, ainda se ouve o mesmo coro grave, contínuo, quase ritual.
Toledo é mais que uma cidade. É uma metáfora viva do Brasil agrícola. Um lugar onde o homem e o porco dividem o mesmo destino. Ou seja, um produz, o outro sustenta; um respira, o outro transforma.
E, no fim do dia, quando o vento muda de direção e traz de volta o cheiro do campo, fica clara a essência de tudo: é uma cidade de gente, movida a oinks.
O suinocultor de São Paulo registra o momento mais favorável em mais de duas décadas na compra de farelo de soja. O levantamento do Cepea mostra que, em setembro, o produtor de Campinas comprou 5,57 quilos de farelo com a venda de um quilo de suíno vivo.
Esse é o maior volume desde dezembro de 2004, quando a relação de troca chegou a 6,49 quilos, segundo o Cepea. O poder de compra atual está 54% acima da média da série histórica iniciada em janeiro de 2004, de 3,62 quilos.
O preço firme do suíno vivo contribuiu para esse resultado. Em setembro, o animal registrou média de R$ 9,25 por quilo, o maior valor de 2025.
Além disso, a forte queda do farelo de soja favoreceu os produtores. A tonelada do derivado em Campinas custou, em média, R$ 1.660,53. Esse valor representa queda de 21,7% em relação a setembro de 2024, segundo levantamento da equipe de grãos do Cepea.
O Cepea aponta que os preços do suíno vivo registram em setembro os maiores patamares de 2025 em termos reais. Os pesquisadores explicam que a valorização decorre da menor oferta de carne suína no mercado interno nos últimos meses.
O número de abates caiu e reduziu a disponibilidade da proteína, reforçando o movimento de alta nos preços médios nacionais.