Tag: Semiárido

  • Mudanças climáticas forçam cafeicultores fluminenses a buscar seguro rural

    Mudanças climáticas forçam cafeicultores fluminenses a buscar seguro rural

    Secas prolongadas e temperaturas extremas colocam a cafeicultura fluminense em alerta. O Noroeste do Rio de Janeiro, responsável por 70% a 80% da produção estadual de café, agora integra oficialmente o Mapa do Semiárido brasileiro.

    A mudança climática acelera transformações na agricultura brasileira. Entre janeiro e abril de 2025, seguradoras desembolsaram R$ 2 bilhões em indenizações rurais, crescimento de 8% comparado ao ano anterior, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

    O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 1.440/2019 neste mês. A medida inclui 22 municípios das regiões Norte e Noroeste Fluminense no Semiárido. Agricultores dessas áreas passam a receber o Benefício Garantia-Safra, proteção contra perdas por estiagens.

    “Nos últimos anos, estas regiões experimentam menos chuva, temperaturas médias mais altas e maior evaporação”, explica Glaucio Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg. “O risco climático aumenta para qualquer atividade agrícola.”

    Impacto econômico de R$ 22 milhões

    A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) calcula impacto econômico de R$ 22 milhões anuais. A reclassificação destrava acesso ao crédito rural e estimula investimentos na cadeia agroindustrial.

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Embrapa forneceram critérios técnicos para a decisão. Dados comprovam avanço da aridez em municípios tradicionalmente produtores de café.

    O Noroeste Fluminense produz principalmente café arábica de alta qualidade. A região ganha destaque crescente por cafés especiais, reconhecidos em premiações nacionais e internacionais.

    Toyama destaca mudança de paradigma: “O Seguro Rural deixa de ser alternativa e vira necessidade diante das volatilidades climáticas.” O mecanismo protege produtores da quebra total em anos de intempéries.

    A proteção climática através de seguros cria ambiente mais seguro para investidores. Agricultores podem investir em tecnologia, insumos e infraestrutura resiliente com mais tranquilidade.

    “Mais crédito leva a mais investimentos, que aumentam o valor agregado dos produtos e geram novos negócios”, analisa Toyama. A cadeia agroindustrial envolve desde plantio até comercialização dos produtos.

    Novo modelo em setembro

    O deputado federal Wladimir Garotinho (PP-RJ) apresentou o PL 1.440/2024 sobre incentivos ao desenvolvimento sustentável. A proposta menciona seguro rural como estratégia para manter renda do agricultor.

    O Governo Federal apresentará novo modelo de seguro rural até setembro de 2025, antes do plantio da próxima safra. O objetivo é ampliar acesso ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

    Especialistas alertam para necessidade urgente de fortalecer mecanismos de gestão de risco. O seguro evita colapso de cadeias produtivas e reduz pressão por renegociação de dívidas.

    A perspectiva climática incerta torna essencial ampliar proteção aos cafeicultores. A medida garante que o café brasileiro continue referência mundial, mesmo com solo seco e clima imprevisível.

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  • Produção de caju garante renda a agricultores familiares no Piauí

    Produção de caju garante renda a agricultores familiares no Piauí

    O Piauí se destaca como o segundo maior produtor de caju do Brasil. A cultura ocupa mais de 50 mil hectares e atinge mais de 100 municípios no estado. A Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) investe forte no fortalecimento da cajucultura para garantir renda aos agricultores familiares. Para isso, a SAF planeja entregar 800 mil mudas de caju até o final de 2025, para plantio e reposição da área.

    José Augusto de Sousa, agricultor familiar em Jaicós, diz que o caju transformou sua vida. Ele planta cajueiros desde 2014 e vende o caju e a castanha em feiras, fábricas e para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Segundo ele, o trabalho com o caju é a principal fonte de renda da família. “Com a SAF doando as mudas, conseguimos plantar, colher e vender. Depois que entramos no PAA, nossa renda melhorou bastante”, afirma.

    José Augusto relata melhoria na renda após ser beneficiado com distribuição de mudas de caju pela SAF. Foto: Geirlys Silva / SAF

    O superintendente de Ações de Apoio à Agricultura Familiar da SAF, Clébio Coutinho, explica que a secretaria atua para ampliar a área plantada e gerar emprego e renda. Até 2025, a SAF vai distribuir 1,8 milhão de mudas no estado, sendo 400 mil entregues em 2023 e 2024, e 800 mil previstas para este ano. O programa conta com recursos do governo estadual, federal e emendas parlamentares.

    Viveiros

    Além disso, a SAF vai entregar quatro viveiros de mudas de caju, ligados a jardins clonais, para garantir mudas de qualidade. Dois viveiros estão em fase avançada de conclusão, em Jaicós e Pio XIX. Outros dois serão implantados em Teresina e Eliseu Martins, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

    O projeto inclui capacitação para estudantes e produtores dos territórios Entre Rios e Chapada das Mangabeiras, por meio das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). Segundo Clébio, a estratégia visa aumentar a produção de mudas de qualidade não só no semiárido, mas também na região de Picos, berço da cajucultura no Piauí.

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  • Piauí desenvolve hidrogel que pode revolucionar o combate à desertificação

    Piauí desenvolve hidrogel que pode revolucionar o combate à desertificação

    Uma inovação científica desenvolvida no Piauí está trazendo esperança para uma das regiões mais castigadas pela desertificação no Brasil. Pesquisadores aplicaram, pela primeira vez, um hidrogel 100% natural em Gilbués, município que concentra a maior área de solo degradado do país.

    O produto, criado a partir de polissacarídeos extraídos do babaçu e do cajueiro, tem a capacidade de reter água no solo por mais tempo, favorecendo o crescimento de mudas mesmo durante longos períodos de estiagem. A iniciativa faz parte de um projeto maior, que visa recuperar 10 hectares de terra dentro do Núcleo de Pesquisa de Recuperação de Áreas Degradadas e Combate à Desertificação (Nuperade).

    Educação e sustentabilidade: alunos participam de plantio simbólico

    Um dia de campo marcou o lançamento da tecnologia e reuniu 45 alunos do quinto ano da Unidade Escolar Denilde Alencar. Cada criança plantou e batizou uma muda de espécie nativa ou frutífera, criando uma conexão emocional com a recuperação ambiental.

    “Começar esse trabalho com as crianças foi essencial. Elas agora têm um vínculo afetivo com o solo e com o meio ambiente. É uma forma de plantar futuro não só na terra, mas também nas pessoas”, afirmou Gustavo Carvalho, assessor da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh).

    Diferença chave: hidrogel natural vs. sintético

    Enquanto os géis convencionais usam derivados de petróleo em sua composição, o hidrogel desenvolvido no Piauí adota matérias-primas locais e oferece uma alternativa totalmente biodegradável.

    “Nosso produto mantém a umidade do solo por mais tempo, reduzindo a necessidade de irrigação e ajudando as plantas a sobreviverem em períodos críticos de seca – tudo isso sem causar danos ao meio ambiente”, explicou Adriano Akira, diretor da Afert Biofertilizantes, uma das empresas parceiras do projeto.

    Gilbués, localizado a 800 km ao sul de Teresina, já perdeu mais de 7 mil km² para a desertificação, com impactos devastadores na agricultura, biodiversidade e qualidade de vida da população.

    “Esta tecnologia pode ser adaptada para outras áreas do semiárido brasileiro. É ciência feita no Piauí com potencial para transformar realidades em todo o país”, destacou Edson Cavalcanti Filho, pesquisador da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e representante do INCT Polissacarídeos.

    Unindo ciência e comunidade

    A expectativa é que o projeto sirva como modelo para outras regiões afetadas pela desertificação, combinando pesquisa científica, educação ambiental e participação comunitária.

    hidrogel
    Ação integra um projeto de recuperação de 10 hectares de solo dentro do Núcleo de Pesquisa de Recuperação de Áreas Degradadas e Combate à Desertificação. Foto: Maria Catiany

    “Essa tecnologia é diferente de tudo que já foi testado no Brasil. Ela prova que, com as ferramentas certas, é possível recuperar até mesmo solos que pareciam perdidos para sempre”, concluiu João Xavier, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Piauí (Fapepi).

    Importância

    • Sustentável: utiliza recursos naturais locais e não polui.
    • Eficiente: reduz a necessidade de irrigação, economizando água.
    • Escalável: técnicos e produtores podem aplicar essa solução em outras áreas do semiárido.
    • Educativo: envolve a comunidade, especialmente crianças, na preservação ambiental.

    Com essa iniciativa, o Piauí não só avança no combate à desertificação, mas também se consolida como polo de inovação em tecnologias verdes.

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  • Parceria amplia compromisso com a preservação da Caatinga

    Parceria amplia compromisso com a preservação da Caatinga

    Em celebração ao Dia Nacional da Caatinga, comemorado em 28 de abril, a M. Dias Branco reforça seu compromisso com a preservação desse bioma exclusivamente brasileiro por meio de sua parceria com a Associação Caatinga. Em 2024, a colaboração entre a companhia e a organização não governamental gerou avanços significativos na conservação ambiental, incluindo a remoção de 6.870,90 toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) da atmosfera e a manutenção de um estoque de 494.091,99 toneladas de CO₂e na vegetação da Reserva Natural Serra das Almas.

    O projeto está alinhado a compromissos globais de sustentabilidade, como a Década da ONU para a Restauração de Ecossistemas, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as metas estabelecidas pelo Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. A ação também contribui diretamente para o combate à desertificação, a redução do aquecimento global e a conservação da biodiversidade na Caatinga. O bioma é caracterizado por clima semiárido, vegetação adaptada à seca e elevada riqueza ecológica.

    Ampliação da área protegida e impactos ambientais positivos

    Desde o início da parceria com a Associação Caatinga, a M. Dias Branco mais que dobrou a área adotada dentro da Reserva Natural Serra das Almas, que passou de 800 hectares para 1.857 hectares em 2024. Localizada entre os municípios de Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI), a reserva é a maior RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) do estado do Ceará e possui papel estratégico na proteção de espécies ameaçadas da fauna e da flora da Caatinga.

    Com o apoio da empresa, foram realizados 96 monitoramentos ambientais na área, cujos dados são repassados regularmente ao IBAMA e ao ICMBio. Desta forma, fortalecendo a gestão da unidade de conservação. Essas ações são conduzidas pela Associação Caatinga. Ela  atua há 26 anos na defesa dos recursos naturais do semiárido nordestino.

    Educação ambiental, reflorestamento e fortalecimento comunitário

    Em 2024, a M. Dias Branco também apoiou iniciativas de educação ambiental e engajamento comunitário, promovidas pela Associação Caatinga. Entre as atividades realizadas, destacam-se a exposição itinerante “Conheça e Conserve a Caatinga”, ações educativas com colaboradores e a realização de palestras e visitas guiadas sobre a importância do bioma.

    Outro destaque foi o monitoramento do plantio de 5 mil mudas de espécies nativas, realizado em 2023 na Fazenda Gameleira — área recentemente incorporada à Reserva Serra das Almas. O resultado foi promissor: a taxa de sobrevivência das mudas atingiu 78%, indicando boas condições de adaptação e crescimento. O projeto ainda teve impacto positivo nas comunidades vizinhas. Todas as sementes foram coletadas localmente e a mão de obra contratada para o plantio veio das comunidades próximas, gerando renda e fortalecendo a economia regional.

    Reconhecimento da importância ecológica da Serra das Almas

    A relevância da Serra das Almas ultrapassa fronteiras. Reconhecida pela Unesco como área-chave para a conservação da Caatinga, a reserva abriga diversas espécies listadas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da Fauna Brasileira. Assim, consolidando-se como referência em conservação ambiental no semiárido.

    “Iniciamos a adoção da reserva com 800 hectares. Hoje, somos responsáveis por 1.857 hectares de proteção ativa. Esse esforço simboliza nosso compromisso com a biodiversidade e com a mitigação das mudanças climáticas”, destaca Tiago Timbó, gerente de Comunicação e Sustentabilidade da M. Dias Branco.

    A Associação Caatinga também celebra os avanços da parceria: “O apoio da M. Dias Branco fortalece nossas ações de conservação e contribui significativamente para o enfrentamento das mudanças climáticas. Estamos construindo juntos um futuro mais sustentável”, afirma a entidade.

    Sustentabilidade como diretriz corporativa

    A atuação da M. Dias Branco na preservação da Caatinga integra a estratégia ESG da companhia e reflete uma postura de responsabilidade ambiental que extrapola a cadeia produtiva da indústria alimentícia. A expectativa é de que os resultados positivos sirvam de incentivo para que outras empresas se juntem ao esforço coletivo de proteção dos biomas brasileiros.

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  • Nova uva branca sem sementes reduz em 50% custos no Semiárido

    Nova uva branca sem sementes reduz em 50% custos no Semiárido

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lança oficialmente a cultivar BRS 54 Lumiar, uma nova variedade de uva branca de mesa sem sementes, desenvolvida para o Semiárido brasileiro. A cultivar promete reduzir em até 50% os custos com mão de obra no manejo, um dos principais desafios da viticultura na região.

    A BRS 54 Lumiar é resultado do programa de melhoramento genético “Uvas do Brasil”, coordenado pela Embrapa. Ela será apresentada ao público durante as comemorações do 52º aniversário da instituição, em solenidade marcada para hoje, 7 de maio, em Brasília (DF).

    Segundo o pesquisador João Dimas Garcia Maia, da Embrapa Semiárido, a nova cultivar atende a uma demanda histórica por uma variedade de uva branca sem sementes, com menor necessidade de intervenções manuais, como o raleio de cachos. “As cultivares estrangeiras demandam pelo menos 50% a mais de mão de obra para essa prática. Além de imporem o pagamento de royalties por quilo produzido”, explica o pesquisador.

    A produtividade é outra característica positiva da BRS 54 Lumiar. Ela produz de 20 a 22 toneladas por hectare por safra (cerca de 50 toneladas por hectare/ano). Foto: João Dimas Garcia Maia/Embrapa

    Por se tratar de cultivar nacional, os produtores que optarem pela BRS 54 Lumiar precisam pagar apenas pelas mudas, sem encargos adicionais por produtividade. Essa condição reduz consideravelmente o custo de produção e pode ampliar o acesso à cultivar por pequenos agricultores.

    Atributos sensoriais valorizados

    Com alto potencial comercial, a BRS 54 Lumiar se destaca também por atributos sensoriais valorizados pelo mercado: bagas grandes e elípticas, textura crocante e macia, alto teor de açúcares, acidez equilibrada e ausência de adstringência na película. As bagas possuem coloração amarelo-clara com tons esverdeados, lembrando o brilho da lua cheia que inspirou o nome da cultivar.

    De acordo com o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Adeliano Cargnin, a nova cultivar é uma entrega relevante para o setor produtivo: “A BRS 54 Lumiar atende a todos os perfis de produtores, dos familiares aos grandes. A redução da mão de obra no manejo dos cachos impacta diretamente no custo de produção e pode resultar em maior lucro e preço mais competitivo para o consumidor”.

     

    Produtor e consultor Newton Matsumoto. Foto: Divulgação

    O viticultor e consultor Newton Matsumoto, que participou da validação da cultivar no Vale do São Francisco, destaca a produtividade, o sabor e a aparência da nova uva como fatores decisivos para sua adoção. “A cultivar entrega produtividade, sabor e aparência. É uma uva com grande potencial de mercado, que deve agradar tanto produtores quanto consumidores”, afirma.

    A equipe da Embrapa testou a cultivar em diversas regiões, mas até o momento recomenda seu cultivo no Vale do Submédio São Francisco, onde o clima e a irrigação favorecem a produção de uvas de mesa ao longo de todo o ano.

    Desenvolvimento

    A equipe da Embrapa Uva e Vinho realizou, em 2010, um cruzamento genético na Estação Experimental de Viticultura Tropical, em Jales (SP), que deu origem à BRS 54 Lumiar. Em 2019, os pesquisadores implantaram as primeiras unidades de validação no Vale do São Francisco, em parceria com 12 empresas da região.

    Para garantir o acesso ao material genético, a Embrapa realiza a distribuição das mudas exclusivamente por meio de viveiristas licenciados. A lista desses fornecedores está disponível no site da Empresa. Viveiristas interessados em adquirir o material básico da cultivar podem participar do edital de oferta pública da Estação Experimental de Canoinhas (SC).

    O programa “Uvas do Brasil”, iniciado na década de 1970, é responsável pelo desenvolvimento de cultivares adaptadas às condições brasileiras. O polo do Vale do São Francisco é o maior produtor nacional de uvas de mesa finas e sem sementes. São cerca de 16 mil hectares cultivados, segundo o Hortifruti/Cepea (Esalq/USP).

    Cultivares

    Entre as cultivares já consolidadas na região estão a BRS Vitória (uva preta sem sementes), BRS Isis (uva vermelha sem sementes), BRS Núbia (uva preta com sementes) e BRS Melodia (uva vermelha sem sementes). A chegada da BRS 54 Lumiar amplia esse portfólio. E reforça o protagonismo da pesquisa nacional no desenvolvimento de soluções para a fruticultura irrigada no Semiárido.

    O desenvolvimento da cultivar de uva branca contou com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). E com colaboração do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) nas análises de compostos funcionais.

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  • Projetos impulsionam sustentabilidade e transformação social na Caatinga

    Projetos impulsionam sustentabilidade e transformação social na Caatinga

    Iniciativas socioambientais apoiadas pela Fundação Banco do Brasil (Fundação BB) ganham destaque ao promoverem desenvolvimento sustentável, inclusão social e preservação do único bioma exclusivamente brasileiro. Abrangendo cerca de 10% do território nacional e presente em nove estados do Nordeste e no norte de Minas Gerais, a Caatinga é lar de mais de 27 milhões de pessoas e abriga uma biodiversidade única, com quase 5 mil espécies de plantas e mais de 1.100 espécies animais, muitas delas exclusivas da região.

    Entre os projetos de destaque está o “Mulheres Camponesas, Autonomia, Alimentação e Vidas Saudáveis na Caatinga”, realizado no Agreste pernambucano. Com investimento social de R$ 500 mil da Fundação BB, a iniciativa promove a recuperação de áreas degradadas, a implantação de quintais produtivos e a formação em agroecologia para mulheres assentadas da reforma agrária. Os quintais produtivos, próximos às residências, integram hortas, plantas medicinais e frutíferas, fortalecendo a agricultura familiar, a autonomia econômica e a preservação ambiental.

    Segundo representantes da entidade executora, o projeto já mostra impacto positivo nas comunidades, estimulando o reflorestamento e a convivência sustentável com o bioma. Nos municípios de Caruaru e São Joaquim do Monte, 60 famílias são beneficiadas diretamente, e outras 150 pessoas de forma indireta. A iniciativa aposta na diversidade de cultivos, uso de sementes crioulas e redução de insumos químicos, promovendo uma produção mais resiliente e sustentável.

    Tecnologia social e segurança alimentar

    Outro exemplo de transformação é o projeto “Nas Ramas da Esperança”, desenvolvido há 15 anos no Sertão do São Francisco. Em 2024, a iniciativa recebeu a certificação de Tecnologia Social da Fundação BB, ampliando sua atuação para 11 estados e 153 municípios. O projeto destaca-se pela introdução de alimentos biofortificados, como batata-doce, macaxeira e feijão, fundamentais no combate à fome e na diversificação da produção agrícola adaptada ao semiárido. Além de garantir segurança alimentar, o projeto capacita jovens e fortalece o protagonismo feminino nas comunidades rurais.

    Caatinga: potência ambiental e social

    A Caatinga, frequentemente subestimada por sua aparência seca, é um dos maiores trunfos ambientais do Brasil no combate ao aquecimento global, graças à sua eficiência na captura de carbono e à vegetação adaptada ao clima semiárido. O bioma enfrenta desafios como desmatamento, queimadas e degradação do solo, mas projetos de desenvolvimento sustentável e políticas públicas vêm fortalecendo sua preservação e valorizando o conhecimento local.

    A Fundação Banco do Brasil, ao lado de comunidades e parceiros, demonstra que o sertão pode florescer com inovação, inclusão e respeito ao meio ambiente. No Dia Nacional da Caatinga, o bioma se reafirma como espaço de vida, trabalho e esperança para milhões de brasileiros.

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  • Produção de camarão em água salobra transforma o Semiárido

    Produção de camarão em água salobra transforma o Semiárido

    No Semiárido brasileiro, onde a seca e a escassez de água são históricas, uma nova atividade vem mudando o cenário rural. Famílias do Agreste de Alagoas apostam na criação de camarão em água salobra para gerar renda e melhorar de vida.

    Com apoio da FAO, do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e do Sebrae, pequenos produtores alagoanos recebem assistência técnica. Em geral, o projeto oferece ferramentas digitais para monitorar e melhorar a produção, além de formações sobre associativismo e cooperativismo. Atualmente, a iniciativa atende seis municípios do interior alagoano, um dos estados mais pobres do Brasil. O objetivo é fortalecer a aquicultura local e incentivar o uso sustentável dos recursos disponíveis.

    Modelo do Sul inspira projeto no Nordeste

    Foto: Divulgação – Sebrae Alagoas

    O Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores produtores de tilápia no mundo. A maior parte da produção ocorre no Sul, impulsionada por cooperativas. Agora, o projeto quer replicar esse modelo no Nordeste, com foco na carcinicultura.

    Em Alagoas, a água salobra antes vista como obstáculo se tornou fonte de renda. Como resultado, a produção de camarão marinho cresceu de 435 toneladas em 2018 para 1,6 mil toneladas em 2023.

    Rejane e os nove irmãos de Coité do Nóia

    Foto: Divulgação – FAO / Luiza Olmedo

    A produtora rural Rejane Madalena de Alcântara viu a vida mudar com a união familiar. Junto aos oito irmãos, transformou a antiga fazenda do pai em polo de produção de camarão.

    Tudo começou em 2018, quando um dos irmãos, professor da rede pública, ouviu sobre os resultados da carcinicultura na região. Ele investiu parte do salário nos primeiros viveiros. O sucesso inicial motivou os demais irmãos, que construíram 29 tanques no terreno da família.

    Hoje, cada irmão administra seu próprio açude. Além disso, os sobrinhos também participam do processo, formando uma rede intergeracional de trabalho. Todos integram a Associação dos Criadores de Camarão de Alagoas.

    “Já conseguimos pagar nosso irmão e ainda temos lucro”, comemora Rejane. Ela usa os R$ 3 mil mensais da produção para custear as despesas da casa e o tratamento do filho autista. “Começamos com dificuldade, mas com apoio técnico e esforço, aumentamos a produtividade.”

    Marinho troca a fábrica pelo campo

    Foto: Divulgação – FAO / Luiza Olmedo

    Marinho Eduardo Martins cresceu na agricultura de subsistência em Arapiraca. A família vivia da plantação de abacaxi, feijão e mandioca, mas os ganhos eram baixos. Ele decidiu tentar a vida nas fábricas da cidade. Anos depois, ao ver o sucesso de vizinhos com a carcinicultura, Marinho voltou ao campo. Mesmo com a desconfiança do pai, decidiu construir dois tanques para criação de camarões.

    “Meu pai achava arriscado. Mas eu insisti, e deu certo”, lembra. Hoje, cada ciclo de 60 a 90 dias rende até R$ 15 mil. “Nossa vida mudou da água para o vinho. Agora temos renda garantida.”

    Com apoio técnico e da Associação dos Criadores de Camarão, Marinho aprendeu a manejar a produção com responsabilidade. Em resumo, ele monitora água e solo, usa probióticos e garante bons resultados. “Nunca tive prejuízo. Só lucro”, afirma.

    Iury lidera produção e mobilização

    Foto: Divulgação – FAO / Luiza Olmedo

    O engenheiro de pesca Iury Amorim viu na carcinicultura uma chance real para desenvolver sua região natal. Depois de estudar no Sul, voltou a Coité do Nóia e investiu no primeiro viveiro escavado da família.

    Ao mesmo tempo, a novidade despertou a curiosidade dos vizinhos. “Parecia um estacionamento de carro, de tanta gente olhando”, conta. Os camarões se desenvolveram bem, e o entusiasmo se espalhou.

    Com apoio da prefeitura e assistência técnica, Iury fundou a Associação dos Criadores de Camarão de Alagoas. Hoje, a entidade reúne mais de 80 famílias, opera 180 viveiros e produz mais de mil toneladas por ano.

    Além de presidir a Associação, Iury atua como extensionista do projeto da FAO. Portanto, ele orienta produtores locais sobre boas práticas, conectando o conhecimento técnico ao saber tradicional. “A água salobra, antes desprezada, virou base de uma economia familiar que muda vidas”, afirma.

    Organização e tecnologia aumentam renda

    A Associação também fortaleceu a comercialização e reduziu custos. Ou seja, os produtores agora compram insumos de forma coletiva, o que melhora a autonomia e os resultados. “Cada novo tanque representa uma família com renda, dignidade e esperança”, resume Iury. A atuação da associação ajuda a consolidar a atividade como alternativa sustentável para o Semiárido.

    Nos próximos meses, extensionistas da FAO, MPA e Sebrae visitarão regularmente os produtores, incluindo Rejane e Marinho. O objetivo é aprimorar ainda mais a produção de camarão com base em dados concretos. Ou seja, com auxílio de uma plataforma digital, técnicos vão monitorar as condições da água, tamanho das safras e práticas de manejo. Portanto, com essas informações, cada aquicultor receberá um Plano de Ação personalizado.

    A expectativa é tornar a produção mais eficiente, reduzir custos e ampliar a renda das famílias do Agreste alagoano. A aquicultura em água salobra surge como uma nova rota de desenvolvimento no Semiárido.

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  • Feijão guandu: opção para alimentação de rebanhos no semiárido

    Feijão guandu: opção para alimentação de rebanhos no semiárido

    Uma nova cultivar de feijão guandu adaptada às condições do Semiárido brasileiro promete reduzir os custos com a alimentação de rebanhos de caprinos, ovinos e bovinos. A pesquisa conduzida pela Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) identificou a cultivar comercial Super N como a mais produtiva para a região. Ela atingiu uma produtividade média de matéria seca de forragem superior a 6,2 mil quilos por hectare (kg/ha).

    Os testes ocorreram em Sobral (CE), Boa Viagem (CE) e Sumé (PB), regiões de clima semiárido com período chuvoso entre fevereiro e junho e pluviosidade variando entre 400 e 800 mm. O estudo analisou 21 genótipos de feijão guandu, sendo quatro cultivares comerciais e 17 experimentais, para identificar os mais adaptados ao ambiente. As características avaliadas incluíram tempo de florescimento, altura da planta e produtividade de grãos.

    Os resultados apontaram produtividade entre 4,6 mil e 9 mil kg/ha de matéria seca. É um número superior ao da cultivar Taipeiro, que produz cerca de 2,49 mil kg/ha no Semiárido. As cultivares comerciais Super N e Iapar 43 demonstraram a melhor adaptação, com produtividade superior a 5,7 mil kg/ha, sendo que a Super N superou a Iapar 43 em 16% na produção de grãos.

    Histórico e importância do melhoramento genético

    O melhoramento do feijão guandu no Brasil teve início nos anos 1970, com pesquisas do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Embrapa Cerrados (DF), Embrapa Pecuária Sudeste (SP) e Embrapa Semiárido (PE). Inicialmente, produtores do Sudeste usaram o guandu na rotação de culturas para recuperar o solo em lavouras de amendoim e cana-de-açúcar. Além disso, a planta se popularizou em quintais devido à sua capacidade de produção por até quatro anos sem replantio.

    No Semiárido, a adaptação das cultivares às condições climáticas locais é essencial. O professor Ranoel Gonçalves, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), destacou a relevância da pesquisa, especialmente para produtores de caprinos e ovinos. Sumé, um dos principais polos de caprinocultura leiteira do Brasil, abriga diversas indústrias de laticínios e pode se beneficiar diretamente das novas cultivares adaptadas.

    A próxima etapa do estudo prevê testes em propriedades rurais maiores, seguido de dias de campo para produtores interessados e a divulgação de formas de acesso às sementes. A Embrapa também trabalha no desenvolvimento de cultivares ainda mais produtivas e resistentes ao clima semiárido.

    Fonte nutritiva para humanos e animais

    O feijão guandu, também conhecido como andu, é originário da África e se adaptou bem ao Brasil. Ele é cultivado em estados como Minas Gerais, Goiás, Bahia e Piauí.

    Leguminosa originária da África, feijão guandu se adaptou ao Brasil e é fonte de fibras e proteínas para alimentação humana e animal. Foto: Fernando Guedes/Embrapa

    A planta se destaca por sua versatilidade, podendo ser utilizada tanto na alimentação humana quanto animal. O guandu oferece proteínas e fibras de alta qualidade, sendo uma alternativa mais econômica a ingredientes tradicionais como farelos de soja e milho. Suas folhas e grãos são os principais componentes para alimentação animal, enquanto os galhos e cascas das vagens fornecem fibras.

    Para otimizar seu uso na nutrição animal, a planta pode ser oferecida na forma de feno ou silagem. O feno exige secagem ao sol por cerca de um dia e meio. Enquanto a silagem requer mistura com outras culturas para equilibrar o alto teor proteico do guandu.

    Com os avanços nas pesquisas e a seleção de cultivares adaptadas ao Semiárido, o feijão guandu se firma como uma solução viável e sustentável para a produção agropecuária na região.

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  • Modelo de gestão de forragem estabiliza produção pecuária no semiárido brasileiro

    Modelo de gestão de forragem estabiliza produção pecuária no semiárido brasileiro

    Pesquisadores da Embrapa, junto com universidades do Brasil e dos Estados Unidos, criaram um modelo inovador que estima a quantidade ideal de forragem necessária para armazenamento anual em propriedades rurais no Semiárido brasileiro.

    A pesquisa concluiu que o armazenamento de 1,5 tonelada de forragem por hectare é suficiente para complementar a alimentação de rebanhos de 35 a 45 caprinos leiteiros. A descoberta representa um avanço no planejamento alimentar e na sustentabilidade da produção pecuária na região, caracterizada por longos períodos de seca e chuvas irregulares.

    O artigo “Stabilized Forage Guarantee System: defining a forage storage capacity to stabilize livestock production in vulnerable ecosystems” apresenta o estudo e está disponível na Revista Ciência Agronômica, da Universidade Federal do Ceará (UFC).

    A pesquisa utilizou dados de localidades semiáridas como Sobral e Quixadá, no Ceará, e Ouricuri, em Pernambuco. Fatores como histórico de chuvas, tipos de solo e vegetação da Caatinga influenciam a análise

    Planejamento alimentar e sustentabilidade

    O modelo criado utiliza ferramentas de simulação para prever variações na produção de pastagens ao longo do tempo, correlacionando essas variações ao consumo dos rebanhos. Essa tecnologia ajuda os produtores a planejar estoques anuais de forragem, prevenindo os impactos da estiagem sobre a alimentação animal.

    De acordo com a pesquisadora Ana Clara Cavalcante, da Embrapa Caprinos e Ovinos, o armazenamento adequado de forragem é a chave para enfrentar as incertezas climáticas. “O maior desafio no Semiárido é a escassez de forragem durante o período seco. As simulações nos permitem prever a quantidade ideal de alimento a ser estocado, reduzindo os riscos associados à seca e garantindo a continuidade da produção pecuária”, afirmou.

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    Magno Cândido, professor do Departamento de Zootecnia da UFC, destacou o impacto econômico do modelo. “Essa ferramenta permite análises de longo prazo, com 95% de garantia na estimativa das necessidades alimentares do rebanho. Isso ajuda o produtor a evitar custos desnecessários com insumos, energia e mão de obra para armazenar alimentos em excesso”, explicou.

    Capacidade de suporte e sustentabilidade

    O estudo mostrou que, com a adoção do modelo, uma propriedade rural de tamanho médio (28,9 hectares) pode sustentar de 35 a 45 caprinos leiteiros, sem a necessidade de expandir a área de pastagem. Essa solução traz benefícios diretos para os produtores do Semiárido, que enfrentam limitações na expansão de terras para cultivo, frequentemente marcada pela insustentabilidade.

    Rodrigo Gregório, professor de Agronomia do Instituto Federal do Ceará (IFCE), afirma que o modelo se adapta a diferentes regiões semiáridas do Brasil.. “Ele funciona em qualquer localidade, pois leva em conta as condições específicas de solo e clima. Além de definir a capacidade de suporte da área, garantindo que o rebanho seja alimentado adequadamente”, afirmou.

    Avanços no combate à desertificação

    A modelagem de sistemas auxilia no planejamento alimentar e também enfrenta desafios como a degradação ambiental e a desertificação, problemas intensificados por práticas inadequadas de manejo. O superpastejo – excesso de animais por área – e a baixa qualidade do solo dificultam o uso sustentável dos recursos alimentares, impactando diretamente os custos de produção.

    Ana Clara Cavalcante explicou que o modelo também orienta os produtores na adoção de práticas mais eficientes e sustentáveis. “Ele permite otimizar recursos, como o uso de terras, e ainda estimula a diversificação forrageira, recomendada pela Embrapa, que consiste na introdução de diferentes espécies de plantas na propriedade para diversificar a alimentação animal”, detalhou.

    Além disso, a pesquisa aponta que a melhoria das condições de manejo e armazenamento pode reduzir significativamente as perdas de qualidade da forragem. Para Magno Cândido, o modelo ainda depende de investimentos em infraestrutura e capacitação. “Muitos produtores não têm acesso a mão de obra qualificada ou maquinário adequado para armazenar forragem no momento ideal de corte. Isso é crucial para manter a qualidade do alimento estocado”, ressaltou.

    Inovação tecnológica e projeções futuras

    A equipe de pesquisadores pretende aprimorar o modelo, incorporando novos parâmetros, como a qualidade da forragem armazenada e a necessidade de suplementação nutricional dos animais. “Estamos investindo na coleta de dados para alimentar bancos de informações que possam melhorar ainda mais as simulações. Também queremos estimular a formação de especialistas em modelagem para que essa ferramenta seja amplamente utilizada na formulação de políticas públicas e no apoio à tomada de decisões pelos produtores”, disse Cavalcante.

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    Os resultados da pesquisa já inspiraram o desenvolvimento de soluções tecnológicas, como o aplicativo Orçamento Forrageiro, que ajuda os produtores no planejamento de estoques. No futuro, a intenção é integrar os dados do modelo a sistemas de alerta precoce para riscos climáticos. Desta forma, possibilitando que os criadores de animais antecipem estratégias de mitigação em períodos de seca extrema.

    Revolução na pecuária do semiárido

    Com a aplicação desse modelo, a pecuária no Semiárido pode dar um salto significativo em eficiência e sustentabilidade. A tecnologia oferece aos produtores ferramentas para enfrentar a imprevisibilidade climática, melhorar a gestão de suas propriedades e reduzir custos.

    “A ciência prova que é essencial produzir forragem anualmente para armazenamento. Isso reduz drasticamente os riscos associados à seca, permitindo que a pecuária no Semiárido prospere em um ambiente desafiador”, concluiu Cavalcante.

    O modelo promete transformar o setor, possibilitando que produtores enfrentem os desafios ambientais com maior resiliência e promovam um uso mais sustentável dos recursos naturais.

  • Novo vinho nacional – Pesquisadores desenvolvem bebida fermentada a partir do umbu

    Novo vinho nacional – Pesquisadores desenvolvem bebida fermentada a partir do umbu

    Pesquisadores da Embrapa, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), desenvolveram uma nova bebida fermentada a partir do umbu, um fruto nativo da Caatinga. Esse estudo revelou o grande potencial do umbu como matéria-prima para a produção de uma bebida alcoólica fermentada, similar a um vinho espumante e naturalmente gaseificada. Os testes realizados com consumidores indicaram uma aceitação positiva, reforçando a viabilidade de sua introdução no mercado de bebidas alcoólicas inovadoras.

    De acordo com Aline Biasoto, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, o teste de consumidores mostrou que o fermentado gaseificado de umbu foi bem aceito pelo público. Com destaque para o seu potencial no mercado nacional. No entanto, a pesquisadora aponta a necessidade de pequenos ajustes, como o aumento do teor de açúcar antes do fechamento da garrafa com rolha de cortiça. Esse ajuste visa intensificar o aroma característico do umbu e aumentar a percepção do gosto doce, elementos importantes para melhorar a aceitação do produto pelos consumidores.

    Estratégia eficaz para agregar valor

    O uso do umbu para a produção dessa bebida fermentada é uma estratégia eficaz para agregar valor a um fruto que, por ser altamente perecível, sofre grandes perdas após a colheita. Além de promover o uso sustentável do umbu, essa inovação contribui para a diversificação econômica em uma das regiões mais afetadas pela escassez de água no Brasil, o Semiárido. O desenvolvimento de produtos como o fermentado de umbu pode beneficiar diretamente os agricultores familiares e extrativistas da Caatinga. Fortalecendo, desta forma, a economia local e promovendo a economia circular.

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    O processo de fabricação do fermentado segue o método tradicional, também utilizado na produção de vinhos espumantes, como o Champagne. Esse método envolve duas etapas de fermentação alcoólica. Na primeira fase, a polpa de umbu, diluída em água, é fermentada após a adição de açúcar e levedura (S. cerevisiae), resultando em um fermentado de base.

    Vinho espumante

    A segunda etapa de fermentação ocorre nas garrafas, quando se adiciona uma mistura de açúcar e leveduras, conhecida como licor de tiragem. A garrafa, então, é fechada, permitindo que o dióxido de carbono (CO₂) produzido na fermentação fique preso, formando as bolhas que caracterizam o vinho espumante.

    Além da avaliação sensorial com consumidores, o fermentado de umbu foi submetido a análises físico-químicas e instrumentais. Eles comprovaram a presença de compostos voláteis importantes para o aroma e o sabor da bebida. Entre esses compostos, os ésteres e os terpenos são responsáveis pelas notas frutadas e florais da bebida. Juliane Elisa Welke, professora da UFRGS, ressaltou que os ésteres etílicos, com seus aromas frutados, e os terpenos, com notas florais, foram os compostos voláteis de maior impacto no perfil aromático da bebida.

    Sustentabilidade

    O projeto de pesquisa também reforça a importância do umbu para a sustentabilidade da Caatinga. O umbuzeiro é uma planta nativa extremamente resistente ao clima semiárido. Também é uma fonte tradicional de renda para as famílias do Nordeste brasileiro que praticam o extrativismo.

    A Embrapa tem incentivado o cultivo organizado do umbuzeiro, com a introdução de novas cultivares que aumentam a produtividade e melhoram a qualidade dos frutos, tanto para o consumo in natura quanto para a produção de produtos alimentícios processados.

    Fermentado de umbu gaseificado (similar ao vinho espumante) pode agregar valor ao fruto e fortalecer sua cadeia produtiva no Semiárido brasileiro. Foto – Luís Henrique Pereira de Sá Torres. Divulgação: Embrapa

    A produção de fermentados de frutas gaseificadas, como o umbu, segue uma tendência de diversificação no mercado internacional de bebidas. Mercado esse que busca por inovações e sabores exóticos.

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    Ao apostar em matérias-primas como o umbu, o Brasil pode se posicionar de forma competitiva nesse mercado. Criando, portanto, uma cadeia produtiva sólida e oferecendo produtos de alto valor agregado.

    Os pesquisadores acreditam que essa inovação tem o potencial de contribuir não apenas para a valorização do umbu e da agricultura familiar na Caatinga. Mas também para a sustentabilidade econômica e ambiental da região. Criando, assim, oportunidades para novos negócios em torno de produtos diferenciados e de grande apelo entre os consumidores.