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  • Brasil envia amostras ao Banco Global de Sementes de Svalbard

    Brasil envia amostras ao Banco Global de Sementes de Svalbard

    No interior do Rio Grande do Sul, a Associação dos Guardiões das Sementes Crioulas de Ibarama realizou um marco histórico: o primeiro envio brasileiro de variedades tradicionais ao Banco Global de Sementes de Svalbard, na Noruega. O carregamento incluiu 59 variedades tradicionais, entre elas milho, feijão-comum, trigo, alface, tomate e girassol.

    A iniciativa integra um esforço global de conservação da biodiversidade agrícola. E foi viabilizada por um projeto da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), financiado pelo programa BOLD, da Crop Trust.

    Preservação da agrobiodiversidade

    O Banco Global de Sementes de Svalbard, localizado no ártico norueguês, funciona como uma reserva de segurança para variedades agrícolas, protegendo-as contra ameaças como mudança climática e desastres naturais. O envio das sementes de Ibarama marca a primeira vez que uma associação de agricultores multiplica suas próprias sementes exclusivamente para conservação no Brasil e no exterior.

    As sementes de 59 variedades tradicionais fizeram parte de um depósito de três mil amostras de coleções da Embrapa. Foto: Letícia Cremonese/Emater-RS

    “Ter nossas sementes guardadas em Svalbard e no Banco Genético da Embrapa é um reconhecimento do trabalho das famílias agricultoras. Esse patrimônio agora estará protegido para as futuras gerações”, destacou Mário Raminelli, presidente da Associação dos Guardiões de Ibarama.

    Parceria entre Embrapa e agricultores fortalece conservação genética

    A seleção e envio das sementes contaram com a colaboração da Embrapa Clima Temperado, da Universidade Federal de Santa Maria e da Emater-RS. Todas as amostras passaram por rigorosos testes de germinação na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, garantindo a alta qualidade do material enviado.

    Além das sementes dos agricultores gaúchos, foram enviadas 2.944 amostras de arroz, feijão-comum, milho, pinus e trevo das coleções da Embrapa, fortalecendo a presença do Brasil no cofre global de sementes.

    Banco genético da Embrapa

    Localizado em Brasília, o Banco Genético da Embrapa é uma das maiores infraestruturas mundiais dedicadas à conservação de recursos genéticos para a agricultura. Com capacidade para armazenar até 750 mil amostras de sementes a -18ºC, a instituição desempenha um papel essencial na segurança alimentar do país.

    Além da conservação de sementes, o banco também mantém coleções in vitro e realiza criopreservação de materiais genéticos vegetais e microbianos a temperaturas de até -196ºC. Portanto, assegurando a viabilidade de recursos genéticos por tempo indeterminado.

    Svalbard: o cofre mundial da biodiversidade agrícola

    Inaugurado em 2008 e localizado a 1.300 km do Polo Norte, o Banco Global de Sementes de Svalbard abriga mais de 1,3 milhão de amostras de sementes de 6.297 espécies de plantas. Com sua estrutura subterrânea protegida por condições climáticas extremas, o local garante a segurança de cultivos essenciais para a humanidade.

    O Brasil iniciou sua cooperação com Svalbard em 2008, enviando sua primeira remessa em 2012. Desde então, a Embrapa já realizou cinco depósitos, totalizando mais de 8 mil amostras de sementes brasileiras armazenadas no cofre mundial.

    Elcio Perpetuo Guimaraes, da Embrapa, entrega as caixas para depósito no banco, conhecido como a “Arca de Noé dos Vegetais”. Reprodução Redes Sociais

    O envio das sementes brasileiras ao Banco Global de Svalbard representa um passo fundamental para a preservação da agrobiodiversidade nacional e global. Em um contexto de desafios climáticos e insegurança alimentar, iniciativas como essa garantem a disponibilidade de variedades tradicionais para as futuras gerações.  Fortalecendo a resiliência dos sistemas agrícolas frente às mudanças ambientais.

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  • Caruru ameaça lavouras de soja no Sul do Brasil

    Caruru ameaça lavouras de soja no Sul do Brasil

    Com a colheita da safra de soja 2024/25 em andamento, produtores da região Sul do Brasil enfrentam um desafio crescente: a infestação de caruru (Amaranthus hybridus). O caruru é uma planta daninha que pode reduzir a produtividade das lavouras em até 80%. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a área plantada nesta safra seja de 47,5 milhões de hectares. Um aumento de 2,8% em relação à safra anterior, com uma produção projetada de 166 milhões de toneladas. No entanto, o aumento da produção vem acompanhado de desafios no manejo de plantas daninhas, com o caruru se destacando como uma das principais preocupações.

    Maicon Detoni, Gerente de Marketing Enlist para o Sul, explica que o caruru tem se mostrado extremamente agressivo e de difícil controle nas lavouras brasileiras. Sempre competindo por água, luz e nutrientes, o que reduz drasticamente a produtividade da soja. Em casos de infestação severa, as perdas podem inviabilizar a colheita.

    Disseminação e resistência a herbicidas

    A alta capacidade de produção de sementes do caruru, que varia entre 300 mil e 400 mil por planta, facilita sua disseminação através de máquinas agrícolas, esterco animal, pássaros e sementes ilegais. Além disso, a planta tem demonstrado resistência a herbicidas comumente utilizados, como o glifosato e inibidores da enzima Acetolactato Sintase (ALS), limitando as opções de controle.

    “A resistência ao glifosato, que já foi uma ferramenta amplamente eficaz no controle de plantas daninhas. Mas agora é um grande desafio para os agricultores do estado. Eles precisam buscar alternativas para enfrentar a invasão do caruru”, pontua Detoni.

    Sistema Enlist®

    Para auxiliar os produtores no manejo do caruru, a Corteva Agriscience oferece o Sistema Enlist®. Ele combina sementes com biotecnologia avançada e herbicidas de alta eficácia. As variedades com a tecnologia tolerantes aos herbicidas Enlist® Colex-D® (novo 2,4-D sal colina), glifosato e glufosinato de amônio, proporcionando um controle mais eficiente das plantas daninhas.

    Mais informações disponíveis no site da Corteva.

  • Boa Safra  anuncia nova diretora Administrativa e de Controle

    Boa Safra  anuncia nova diretora Administrativa e de Controle

    A Boa Safra, a maior produtora de sementes de soja do Brasil, acaba de anunciar a nomeação de Patrícia Baceti como sua nova diretora Administrativa e de Controle. Com cerca de três décadas de experiência nos setores financeiro e de saúde, Baceti traz um perfil estratégico focado em pessoas, processos e indicadores.

    Baceti é especialista em Finanças e áreas administrativas. Antes de ingressar na Boa Safra, ela ocupou cargos estratégicos em empresas como DASA, Orizon e Itaú Unibanco.

    Em seu comentário sobre a nova posição, Patrícia Baceti expressou admiração pela missão e propósito da Boa Safra. Ela destacou seu foco em apoiar o crescimento contínuo da empresa, implementando as melhores práticas e fornecendo suporte para a tomada de decisões.

    Além de sua experiência em gestão, Baceti também possui experiência em projetos de aquisição e planejamento estratégico, com auditorias realizadas pelas empresas “Big4”. Seu histórico inclui alinhamentos estratégicos para CEOs e Conselhos de Administração, seguindo as melhores práticas de governança.

    A chegada de Patrícia Baceti é vista como um movimento estratégico para a Boa Safra, visando a reestruturação de áreas, a implantação de sistemas de gestão e a melhoria da governança.

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  • Uso de plantas de cobertura cresce no agro brasileiro,

    Uso de plantas de cobertura cresce no agro brasileiro,

    Uma pesquisa de opinião realizada pela Embrapa Cerrados revelou que 74% dos produtores rurais brasileiros utilizam plantas de cobertura em suas propriedades. Indicando uma crescente conscientização sobre os benefícios dessa prática para a saúde do solo e a sustentabilidade da produção agrícola. Entre os 26% que ainda não adotam a tecnologia, quase todos se mostraram dispostos a considerar seu uso, demonstrando um potencial de expansão ainda maior.

    O levantamento, que ouviu 709 participantes, incluindo produtores rurais, gerentes agrícolas, consultores técnicos e representantes de instituições ligadas ao agronegócio. E buscou entender os critérios que influenciam a decisão de adotar ou não as plantas de cobertura, o nível de conhecimento sobre seus benefícios e as dificuldades enfrentadas pelos produtores.

    “Nosso objetivo é entender os critérios que levam os produtores rurais a adotarem ou não as plantas de coberturas em suas propriedades e o nível de conhecimento sobre seus benefícios, além de identificar as dificuldades que eles têm em relação à tecnologia”, explica o pesquisador Marcelo Ayres, coordenador da pesquisa.

    Prática consolidada

    Entre os produtores que já utilizam plantas de cobertura, cerca de 50% o fazem há mais de cinco anos e 30% há mais de dez anos. Isso mostra que a prática está consolidada em muitas propriedades. Metade dos respondentes utilizam plantas de cobertura em uma área equivalente a 40% da área agrícola da propriedade.

    As espécies mais utilizadas são a braquiária ruziziensis (57%) e o milheto (54%), seguidas pelo nabo-forrageiro (37%). As culturas comerciais mais plantadas nas propriedades dos entrevistados são o milho e a soja.

    A ampliação da área com plantas de cobertura nas propriedades depende da disponibilidade de sementes comerciais em quantidade, qualidade e procedência conhecida, além de informações sobre as espécies mais adequadas para o cultivo.

    A pesquisa também revelou que quase 70% dos produtores adquirem sementes para plantio, enquanto 34% produzem sua própria semente. Isso sugere um grande mercado para sementes das espécies de plantas de cobertura.

    Minas Gerais se destaca

    Minas Gerais foi o estado com maior representatividade entre os participantes da pesquisa, seguido do Paraná, São Paulo e Goiás.

    A Embrapa Cerrados pretende repetir a pesquisa periodicamente, para acompanhar a evolução da adoção de plantas de cobertura no país. Isso a exemplo do que é feito nos Estados Unidos.

    O relatório completo com a análise de todos os dados e informações está sendo elaborado para divulgação completa dos resultados.

    As plantas de cobertura são cultivadas com o objetivo de proteger o solo emelhorar suas propriedades físicas, químicas e biológicas. Além disso, podem reduzir a erosão, controlar plantas daninhas e aumentar a matéria orgânica. A prática contribui para a sustentabilidade da produção agrícola e a redução da dependência de fertilizantes químicos.

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  • Pepino-do-diabo: pesquisadores revelam o mistério explosivo da espécie

    Pepino-do-diabo: pesquisadores revelam o mistério explosivo da espécie

    Cientistas descreveram, nesta semana, o funcionamento de um dos mecanismos mais curiosos da natureza: como o pepino-do-diabo (Ecballium elaterium) lança suas sementes. A pesquisa, conduzida pela Universidade de Oxford e publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, utilizou experimentos práticos, filmagens de alta velocidade e modelagem matemática para solucionar o mistério.

    Pepino-do-diabo ou pepino-explosivo

    Conhecido também como pepino-explosivo, o Ecballium elaterium é uma planta comum na Europa e na região do Mediterrâneo. Sua fama vem do método único e violento de dispersão de sementes, que envolve um verdadeiro “disparo”.

    Quando maduras, as frutas ovais do pepino se desprendem do caule e ejetam as sementes com alta pressão. O jato, rico em mucilagem — uma substância gelatinosa —, alcança velocidades de até 20 metros por segundo. As sementes podem ser lançadas a distâncias de até 10 metros, o que representa 250 vezes o comprimento do fruto. Esse processo ocorre em apenas 30 milissegundos.

    Segredo por trás da pressão hidráulica

    Chris Thorogood, diretor adjunto do Jardim Botânico de Oxford, explicou o mecanismo: “O fruto acumula fluido internamente, gerando uma grande pressão. Parte desse fluido é redirecionada para o caule, que se alonga, engrossa e endurece”. Ou seja, esse movimento altera a posição do fruto, que sai de uma postura vertical para um ângulo de 45°, ideal para o lançamento das sementes.

    Além disso, diferentemente de outras plantas que utilizam energia elástica, como “estilingues naturais”, o pepino-do-diabo adota a pressão hidráulica para lançar suas sementes. Ao mesmo tempo, esse ajuste interno permite que o fruto acumule fluido suficiente para o disparo.

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    Estratégia de sobrevivência

    A estratégia do pepino-explosivo visa reduzir a competição entre as sementes e a planta-mãe. O objetivo é lançar as sementes longe o suficiente para evitar a concorrência, mas em locais favoráveis ao crescimento. “Embora não seja o mecanismo mais rápido ou de maior alcance da natureza, ele garante que as novas gerações cresçam em ambientes adequados”, afirmou Finn Box, coautor do estudo e pesquisador da Royal Society University na Universidade de Manchester.

    Portanto, o estudo revelou a sofisticação de um mecanismo raro no reino vegetal e destacou a importância da dispersão eficiente de sementes para a sobrevivência da espécie.