Tag: seguro rural

  • El Niño até 2027: por que seus contratos agrícolas podem não estar protegidos

    El Niño até 2027: por que seus contratos agrícolas podem não estar protegidos

    INPE, INMET e CEMADEN já confirmaram o El Niño em 2026. As três instituições projetam que o fenômeno siga ativo pelo menos até o início de 2027. Diante disso, o agronegócio brasileiro entra em um novo ciclo de risco.

    O fenômeno muda o regime de chuvas e eleva as temperaturas. Além disso, ameaça compromissos contratuais: entregas, transporte, fornecimento e capacidade de pagamento entram na mira dos efeitos climáticos.

    Um levantamento recente mostra o tamanho da preocupação. Diversas empresas brasileiras já projetam os impactos do El Niño sobre agronegócio, logística, transporte e seguros. Entre os riscos mapeados estão quebra de safra, aumento da inadimplência e maior sinistralidade.

    Contratos precisam prever riscos climáticos com clareza

    Por isso, a advogada Ana Franco Toledo, sócia do escritório Dosso Toledo Advogados, defende que o momento pede uma nova análise sobre os contratos do setor. “Durante muito tempo, eventos climáticos foram tratados nos contratos como situações excepcionais. Hoje, diante da maior frequência e intensidade desses fenômenos, é preciso avaliar se as cláusulas existentes realmente oferecem proteção para as partes”, afirma.

    Segundo ela, um contrato de fornecimento agrícola precisa prever, de forma clara, o que acontece quando uma quebra de safra ou um evento climático impede o cumprimento de uma obrigação.

    Ainda assim, a especialista alerta: as cláusulas de caso fortuito e força maior ganham relevância, mas não podem virar um atalho automático. “A ocorrência de um evento climático não significa, por si só, que uma empresa ou produtor estará automaticamente isento de suas obrigações. É necessário analisar o contrato, a natureza do evento, a possibilidade de previsão, as consequências concretas e a relação entre o fenômeno e o eventual descumprimento.”

    Impacto atinge toda a cadeia produtiva

    O El Niño não afeta apenas quem produz diretamente no campo. As alterações no regime de chuvas também repercutem sobre transportadoras, armazéns, indústrias processadoras, fornecedores de insumos, instituições financeiras e empresas que dependem de produtos agrícolas.

    As previsões oficiais para o trimestre agosto-setembro-outubro reforçam esse cenário desigual. Enquanto o Sul deve registrar chuvas acima da média, o centro-norte do país tende a enfrentar volumes abaixo do esperado. Além disso, as temperaturas devem ficar acima da média em boa parte do território nacional.

    Para o advogado Ricardo Dosso, também sócio do escritório, esse contexto transforma a gestão contratual em uma ferramenta de proteção empresarial. “Quando uma propriedade ou uma indústria depende de uma cadeia de fornecimento, um problema climático em um determinado ponto pode produzir efeitos em toda a operação. Por isso, as empresas precisam olhar seus contratos de forma integrada, avaliando prazos de entrega, volumes, preços, garantias, seguros e mecanismos para situações extraordinárias.”

    Ele chama atenção especial para os contratos de longo prazo. “Uma empresa que assina hoje um contrato de fornecimento para os próximos meses precisa considerar que estará atravessando um período de maior incerteza climática. Não significa deixar de fazer negócios, mas estabelecer regras claras para situações em que as condições originalmente previstas sejam profundamente alteradas.”

    Seguro rural não substitui o planejamento jurídico

    O seguro rural também merece atenção redobrada. Neste ano, a necessidade de proteção financeira diante dos riscos climáticos ganhou ainda mais peso.

    Contudo, segundo Ana Franco Toledo, contratar uma apólice não substitui o planejamento jurídico. “Seguro e contrato são instrumentos complementares. O produtor precisa entender exatamente quais riscos estão cobertos pela apólice e, ao mesmo tempo, verificar quais são suas responsabilidades perante compradores, fornecedores e parceiros comerciais. Uma coisa não substitui a outra.”

    Por isso, Ricardo Dosso reforça a importância da documentação em eventuais disputas. Laudos, registros meteorológicos, documentos da produção e comunicações entre as partes precisam ser preservados desde já, já que será fundamental comprovar o que aconteceu e como o evento climático afetou o cumprimento da obrigação.

    Prevenção pode evitar disputas milionárias

    Diante de um El Niño potencialmente forte, os especialistas defendem uma mudança de postura no setor. O planejamento jurídico deve acontecer antes do problema, não depois que a safra já tiver sido perdida.

    “O melhor momento para discutir como uma empresa ou produtor vai lidar com um evento climático é antes que ele aconteça. Depois do prejuízo, as alternativas são muito mais limitadas. A revisão preventiva dos contratos permite estabelecer responsabilidades e procedimentos de forma clara”, afirma Ana.

    Além disso, Ricardo Dosso destaca que a prevenção também protege a relação comercial entre as partes. “Um contrato bem estruturado não serve apenas para proteger uma empresa em uma eventual disputa. Ele também oferece previsibilidade para que as partes saibam como agir diante de uma situação extraordinária. Em um agronegócio cada vez mais profissionalizado, administrar riscos climáticos também é administrar riscos jurídicos e financeiros.”

    Com o El Niño já confirmado e a possibilidade de persistir até 2027, os especialistas recomendam agir agora. Produtores rurais e empresas do agronegócio devem aproveitar o período que antecede os principais ciclos produtivos para revisar contratos, conferir coberturas de seguro, organizar documentos e estabelecer, com antecedência, mecanismos para situações de força maior e desequilíbrio econômico.

  • Evento reúne lideranças do agro para discutir produção de alimentos

    Evento reúne lideranças do agro para discutir produção de alimentos

     O painel “Políticas Agrícolas e Segurança Alimentar” será realizado em 1º de outubro, durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, com a participação do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. O encontro será realizado no Nubank Parque, em São Paulo.

    Na ocasião, serão discutidas medidas capazes de ampliar a produção de alimentos e reduzir os riscos enfrentados por produtores e consumidores. Além disso, serão analisados temas como crédito, seguro rural, infraestrutura, comércio internacional, sustentabilidade, tecnologia e previsibilidade regulatória.

    Produção é pressionada

    A segurança alimentar passou a receber mais atenção no cenário internacional. Entre os fatores responsáveis estão o crescimento populacional, as mudanças climáticas e os conflitos geopolíticos.

    Além disso, a volatilidade dos mercados de commodities e a necessidade de aumento da produtividade também são apontadas como fontes de pressão sobre o setor agropecuário.

    Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial, estimada em 8,2 bilhões de pessoas em 2024, deverá chegar a aproximadamente 9,7 bilhões em 2050.

    Ao mesmo tempo, o relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2026–2035 estima que a produção agrícola e pesqueira mundial precisará crescer 13% na próxima década.

    Diante desse cenário, políticas públicas de longo prazo serão discutidas como instrumentos para melhorar as condições de produção, estimular investimentos e ampliar o acesso a tecnologias.

    Riscos serão debatidos

    Durante o painel, deverão ser avaliadas medidas voltadas à garantia de uma oferta mais regular de alimentos. Para isso, serão considerados mecanismos capazes de reduzir os riscos da atividade agropecuária.

    Entre os temas previstos, serão abordados:

    • acesso ao crédito
    • seguro rural
    • infraestrutura
    • comércio internacional
    • sustentabilidade
    • incorporação de tecnologias
    • previsibilidade regulatória

    Dessa forma, também deverão ser analisados os fatores que afetam a competitividade do produtor, o abastecimento e os preços dos alimentos.

    A participação de Roberto Rodrigues foi destacada por Luiz Felipe Nastari, diretor de Comunicação e Eventos da DATAGRO:

    “É uma honra para o evento contar com a participação de uma das principais referências do agro brasileiro e uma voz fundamental no debate sobre o futuro da produção de alimentos, o ex-ministro Roberto Rodrigues,” ressalta Nastari.

    Programação terá três palcos

    O painel será integrado à programação do evento. Segundo a organização, mais de 35 painéis serão realizados, com a participação de mais de 100 palestrantes.

    As atividades serão distribuídas em três palcos simultâneos. Paralelamente, serão promovidas ações relacionadas à feira de negócios, à gastronomia e ao entretenimento.

    Em 2026, duas edições do evento serão realizadas no Brasil. A programação de São Paulo ocorrerá nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque.

  • Governo libera R$ 1,3 bilhão para combater efeitos do El Niño

    Governo libera R$ 1,3 bilhão para combater efeitos do El Niño

    O avanço do El Niño sobre o clima brasileiro colocou o Governo Federal em alerta para os possíveis impactos na produção agropecuária durante a safra 2026/27. Diante do risco de alterações nas chuvas e nas temperaturas, o Executivo prepara ações para reduzir os efeitos do fenômeno e evitar problemas de abastecimento.

    O governo anunciou um pacote de R$ 1,335 bilhão para medidas relacionadas ao fenômeno. O planejamento inclui a formação de estoques públicos, distribuição de alimentos, monitoramento de rios, ações de saúde e prevenção e combate a incêndios florestais.

    No entanto, um dos principais instrumentos de proteção do produtor ainda enfrenta restrições. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) permanece com R$ 461,7 milhões bloqueados em 2026.

    Seguro rural entra no centro das preocupações

    O orçamento original do PSR para este ano era de aproximadamente R$ 1,01 bilhão. Depois de cancelamentos e do bloqueio de recursos, a disponibilidade operacional caiu para cerca de R$ 473,8 milhões.

    A situação preocupa porque o seguro rural permite ao produtor reduzir parte do risco financeiro provocado por eventos climáticos. Além disso, o período entre julho e setembro concentra uma parcela importante das operações de custeio e da contratação de apólices para a safra de verão.

    Segundo dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), as contratações de seguro agrícola caíram 13,9% entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

    O cenário pode se tornar ainda mais delicado caso o El Niño apresente forte intensidade.

    Governo monitora impactos sobre a agricultura

    O Ministério da Agricultura e Pecuária criou um grupo de trabalho para acompanhar os possíveis efeitos do fenômeno sobre o setor agropecuário. A iniciativa envolve órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

    A equipe deve avaliar vulnerabilidades regionais e por cultura, além de propor estratégias de adaptação e redução dos impactos. Entre as atividades analisadas estão lavouras de soja, milho, trigo, feijão, cana-de-açúcar, café e mandioca.

    A preocupação é justificada porque o El Niño pode provocar efeitos diferentes conforme a região. No Sul, por exemplo, o fenômeno costuma aumentar o risco de chuvas acima da média. Já em áreas do Norte e do Nordeste, pode favorecer condições mais secas. No Centro-Oeste, as alterações no regime de chuvas também podem afetar o calendário e o desenvolvimento das lavouras.

    Onde será aplicado o R$ 1,3 bilhão

    Do total anunciado pelo governo, R$ 850 milhões serão destinados à compra de arroz e milho para formação de estoques públicos. A medida busca aumentar a capacidade de resposta do país diante de uma eventual redução da oferta de alimentos.

    Outros R$ 65 milhões estão previstos para a aquisição e distribuição de 350 mil cestas de alimentos. A ação contempla povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.

    Também foram previstos recursos para monitoramento de rios e ações na área de saúde. Além disso, R$ 337 milhões, autorizados anteriormente por crédito extraordinário, serão utilizados em fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais.

    Apesar do volume anunciado, a principal crítica do setor está na ausência de uma recomposição imediata do orçamento destinado ao seguro rural.

    FGV alerta para redução da área protegida

    O Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) avalia que, caso os recursos atualmente disponíveis sejam mantidos, a área agrícola protegida pelo seguro pode cair para aproximadamente 2,7 milhões de hectares em 2026.

    O número representaria menos de 3% da área agrícola brasileira. Para o observatório, o cenário aumenta a exposição dos produtores aos eventos climáticos justamente em um período de maior risco para a próxima safra.

    A instituição defende não apenas o desbloqueio dos recursos, mas também uma suplementação do orçamento. A proposta é elevar o PSR para cerca de R$ 2,3 bilhões, o que permitiria ampliar novamente a área protegida.

    A urgência está no calendário agrícola. Quanto mais próxima a decisão estiver do plantio, maior é a necessidade de que os recursos estejam disponíveis para que o produtor consiga contratar a proteção antes de assumir o risco climático.

  • Plano Safra 2026/27 recebe críticas apesar da queda dos juros

    Plano Safra 2026/27 recebe críticas apesar da queda dos juros

    O governo federal anunciou nesta terça-feira (30) o Plano Safra da Agricultura Empresarial 2026/27, que disponibilizará R$ 525,1 bilhões em crédito rural para médios e grandes produtores. Apesar da redução de até 1,5 ponto percentual nas taxas de financiamento, representantes do agronegócio afirmam que os juros continuam elevados e podem limitar novos investimentos no campo.

    As linhas de custeio e investimento terão taxas entre 8% e 12,5% ao ano, válidas para a safra que começa em 1º de julho.

    Especialistas avaliam que juros ainda dificultam investimentos

    Segundo Leila Harfuch, sócia-gerente da Agroicone, a redução das taxas representa um avanço, mas ainda não é suficiente diante do elevado endividamento dos produtores rurais.

    Na avaliação da especialista, muitos agricultores continuarão enfrentando dificuldades para contratar novos financiamentos, especialmente em um cenário de inadimplência elevada.

    Ela destaca ainda que parte dos recursos anunciados pelo governo veio da incorporação de programas já existentes, como o Move Agricultura e o EcoInvest Brasil.

    Entre eles estão:

    • R$ 10 bilhões do Move Agricultura;
    • R$ 28,5 bilhões do EcoInvest Brasil para recuperação de pastagens degradadas.

    Apesar disso, Harfuch afirma que ainda existem dúvidas sobre a execução prática desses programas.

    Seguro rural preocupa o setor

    Outro ponto que gerou críticas foi a ausência de novos anúncios para o seguro rural.

    Segundo especialistas, o instrumento é considerado fundamental para reduzir riscos provocados por eventos climáticos extremos e garantir maior segurança financeira aos produtores.

    A falta de definição sobre novos recursos amplia a preocupação do setor.

    Faesp cobra medidas contra o endividamento

    A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) afirmou que o aumento de aproximadamente R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior não resolve os principais problemas enfrentados pelo agronegócio.

    Para a entidade, o governo deveria apresentar medidas concretas para enfrentar o elevado endividamento dos produtores.

    Segundo a Faesp, sem soluções para o passivo acumulado, novos financiamentos podem apenas ampliar as dificuldades financeiras no campo.

    Sistema Faep critica acesso ao crédito

    O Sistema Faep, do Paraná, também demonstrou preocupação com o novo Plano Safra.

    O presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que o valor recorde perde relevância caso o produtor continue encontrando dificuldades para acessar as linhas de crédito.

    Segundo ele, permanecem desafios como juros elevados, restrições para contratação de financiamentos, cortes no orçamento do seguro rural e aumento do endividamento.

    Aprosoja-MT aponta perda real de recursos

    A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) destacou que, apesar do crescimento nominal do Plano Safra, houve redução no volume real de recursos quando considerada a inflação.

    De acordo com a entidade, seriam necessários cerca de R$ 538,7 bilhões apenas para manter o mesmo poder de financiamento da safra anterior.

    Na avaliação da associação, o produtor enfrenta atualmente um ambiente de crédito mais caro, maior seletividade na concessão de financiamentos e exigências mais rigorosas para obtenção dos recursos.

    FPA critica composição dos recursos

    A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também questionou a composição do Plano Safra 2026/27.

    A bancada afirmou que parte dos recursos anunciados corresponde a programas que não integram o crédito rural tradicional, como o EcoInvest Brasil e o Move Agricultura.

    Segundo a FPA, essa estratégia reduz o volume efetivo disponível para custeio da produção agrícola.

    O que prevê o Plano Safra 2026/27

    Os principais números anunciados pelo governo são:

    • R$ 525,1 bilhões em crédito rural;
    • juros entre 8% e 12,5% ao ano;
    • redução de até 1,5 ponto percentual nas taxas;
    • R$ 10 bilhões do Move Agricultura;
    • R$ 28,5 bilhões do EcoInvest Brasil.

    Apesar do volume recorde anunciado, especialistas e entidades do agronegócio avaliam que o cenário de juros elevados, endividamento e incertezas sobre o seguro rural ainda limita a capacidade de investimento dos produtores brasileiros.

  • Governo estuda reduzir juros do crédito rural para quem contratar seguro agrícola

    Governo estuda reduzir juros do crédito rural para quem contratar seguro agrícola

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) pretende apresentar à equipe econômica uma proposta para reduzir os juros dos financiamentos rurais destinados aos produtores que contratarem seguro rural. A medida prevê um abatimento de até um ponto percentual nas taxas de operações de custeio agrícola com recursos controlados no Plano Safra 2026/27.

    A proposta busca ampliar a contratação diante dos riscos associados ao El Niño, mas enfrenta limitações orçamentárias para subsidiar apólices e custear a equalização dos juros. Atualmente, o Tesouro destina mais de R$ 18 bilhões à equalização do crédito rural em 2026, embora o Ministério da Agricultura ainda não tenha estimado o custo da medida.

    Pelo modelo em estudo, o desconto nos juros seria concedido a produtores que contratarem seguro com cobertura para os principais riscos climáticos da região e da cultura financiada, garantindo ao menos o valor do custeio da atividade.

    Benefício já existe para produtores com CAR validado

    Embora a proposta ainda esteja em análise, uma política semelhante já está disponível para produtores com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) validado. Nesse caso, o desconto corresponde a 0,5 ponto percentual sobre as taxas de juros das operações de custeio com recursos controlados.

    Por outro lado, representantes do mercado defendem alternativas adicionais para incentivar a contratação do seguro rural. Entre elas está a criação de um bônus de adimplência para produtores que mantêm os financiamentos em dia e contratam cobertura securitária.

    Maior estabilidade para o seguro rural

    O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, apoia a adoção do desconto nos juros já na próxima safra. Embora não tenha detalhado os mecanismos da proposta, ele ressaltou a necessidade de fortalecer o mercado de seguros de forma sustentável.

    Para Campos, o seguro rural deve ser tratado com previsibilidade para estimular a atuação das seguradoras e ampliar a área protegida no campo.

    “O seguro rural precisa ser tratado de maneira realista e com estabilidade.”

    Projeto no Senado busca garantir recursos para o seguro

    Enquanto isso, o Projeto de Lei 2.951/2024, de autoria da senadora Tereza Cristina, segue em tramitação no Senado. A proposta prevê tornar obrigatória a previsão orçamentária destinada ao seguro rural.

    A equipe econômica do governo, contudo, se posiciona contra a medida. Na avaliação do Executivo, a proposta poderia reduzir a flexibilidade da gestão orçamentária da União.

    Guilherme Campos discorda dessa interpretação.

    “Engessamento orçamentário é quando tem uma obrigatoriedade, como para a saúde, para a educação, de um percentual no orçamento. O que foi colocado aqui é que, uma vez acertado o montante do seguro, esse montante seja executado, não fique sujeito a contingenciamento, bloqueio, corte e cancelamento”, afirmou.

    Crédito rural poderá exigir seguro no futuro

    O Ministério da Agricultura também não descarta a possibilidade de vincular o acesso ao crédito rural com juros controlados à contratação obrigatória de seguro. Contudo, essa mudança dependeria de alterações na legislação federal.

    A proposta encontra resistência entre representantes do setor produtivo. Além disso, o Projeto de Lei 2.951/2024 não estabelece obrigatoriedade para contratação de apólices, priorizando mecanismos de incentivo aos produtores.

    Cortes no orçamento preocupam setor

    A discussão ocorre em um momento de redução dos recursos destinados à subvenção ao seguro rural. No início de 2026, o orçamento previsto para o programa era de R$ 1,01 bilhão.

    Posteriormente, após ajustes orçamentários, o valor caiu para R$ 998 milhões. Além disso, um bloqueio de R$ 461,7 milhões, anunciado no início deste mês, reduziu os recursos disponíveis para pouco mais de R$ 530 milhões.

    Na avaliação de Guilherme Campos, a falta de previsibilidade continua sendo um dos principais obstáculos para o desenvolvimento do mercado de seguros no país.

  • Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    As recentes tensões geopolíticas em importantes rotas globais de transporte de petróleo reacenderam o debate sobre segurança energética. Em um cenário de incertezas, países capazes de combinar produção agrícola em larga escala e fontes renováveis de energia ganham relevância estratégica.

    O Brasil aparece entre os protagonistas dessa discussão. Com previsão de safra recorde de grãos em 2025/26, liderança mundial na produção de soja e avanço dos biocombustíveis, o país reúne condições para ampliar sua participação na transição energética global.

    Para Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro, o desafio vai além de produzir mais alimentos. Segundo ele, o setor precisa transformar sua escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Em entrevista, o executivo analisa as oportunidades e os desafios para o agronegócio brasileiro nos próximos anos.

    A safra brasileira de grãos deve atingir um novo recorde em 2025/26. Qual é a importância desse resultado para o agronegócio?

    A projeção de 358 milhões de toneladas mostra a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro. Mais do que um número expressivo, ela demonstra a eficiência do setor e sua capacidade de atender tanto a demanda por alimentos quanto por matérias-primas destinadas à produção de energia renovável.

    De que forma essa produção recorde pode fortalecer o setor energético brasileiro?

    A expansão da produção agrícola fortalece cadeias ligadas ao biodiesel, etanol, biometano e combustível sustentável de aviação, o SAF. À medida que o mundo busca reduzir emissões e diversificar fontes de energia, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua participação nesse mercado.

    O que diferencia o Brasil nesse cenário global?

    Poucos países conseguem combinar liderança agrícola, disponibilidade de recursos naturais, matriz energética renovável e capacidade crescente de produção de biocombustíveis. Essa combinação coloca o Brasil em uma posição privilegiada diante das transformações que estão ocorrendo no mercado global de energia.

    Qual é o papel da soja nessa estratégia?

    A soja tem enorme relevância porque o Brasil é o maior produtor mundial. Além da exportação do grão, ela é uma matéria-prima fundamental para a cadeia do biodiesel. Isso amplia sua importância não apenas para o agronegócio, mas também para a agenda energética.

    E qual é a importância do milho nesse contexto?

    O milho vem ganhando protagonismo com o crescimento das usinas de etanol de cereais, especialmente no Centro-Oeste. Esse movimento agrega valor à produção dentro do país, fortalece a indústria de biocombustíveis e contribui para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

    O Plano Safra 2025/26 é aguardado com expectativa pelo setor. O que está em jogo para os produtores?

    O Plano Safra será determinante para a próxima temporada. O setor aguarda definições sobre volume de recursos, taxas de financiamento, linhas de investimento e mecanismos de apoio à modernização tecnológica. Em um cenário de juros elevados, essas definições influenciam diretamente a capacidade de financiamento da atividade agrícola.

    Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro – Foto: Arquivo Pessoal

    O seguro rural também tem sido tema recorrente nas discussões do agro. Por quê?

    Os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes. Por isso, fortalecer instrumentos de gestão de risco é fundamental. O seguro rural oferece mais previsibilidade ao produtor e contribui para preservar a estabilidade produtiva e a segurança dos investimentos.

    Apesar da perspectiva positiva para a produção, quais desafios permanecem para o produtor rural?

    Os custos continuam sendo um fator importante. Fertilizantes, defensivos, logística e despesas financeiras ainda pressionam as margens. Além disso, o mercado internacional vive uma fase de maior oferta e recomposição de estoques, o que exige mais eficiência operacional e gestão de risco.

    Crédito mais seletivo

    O acesso ao crédito mudou nos últimos anos?

    Sim. O capital continua disponível, mas as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos de análise. Hoje, governança, capacidade de gestão e qualidade das garantias fazem cada vez mais diferença na obtenção de recursos.

    A China segue como um fator importante para o mercado brasileiro de soja?

    Sem dúvida. A China continua sendo o principal destino das exportações brasileiras de soja. Isso faz com que o mercado acompanhe com atenção fatores como decisões de compra, questões diplomáticas e movimentos geopolíticos.

    O Brasil está preparado para assumir um papel ainda mais relevante na segurança energética global?

    O país já demonstrou capacidade de expandir sua produção agrícola e consolidar sua liderança em biocombustíveis. O próximo desafio é transformar essa escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Se conseguir avançar nessa direção, o Brasil poderá ocupar uma posição ainda mais estratégica em um mundo que busca fontes de energia mais seguras e de menor emissão de carbono.

  • Em ano de El Niño, governo trava quase 50% do orçamento do seguro rural

    Em ano de El Niño, governo trava quase 50% do orçamento do seguro rural

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) bloqueou R$ 461,6 milhões do orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 2026. A medida retira quase metade dos recursos previstos para subsidiar apólices de seguro rural, em um cenário de aumento dos riscos climáticos no campo.

    O orçamento inicial do programa era de R$ 1,01 bilhão. Após um corte definitivo de R$ 25 milhões, o valor disponível caiu para R$ 991,1 milhões. Agora, com o bloqueio de 46,5% desse montante, os recursos ficam temporariamente indisponíveis para contratação de novas apólices.

    Impacto significativo

    Embora o bloqueio não represente um corte definitivo, o setor vê semelhanças com o que ocorreu em 2025. Naquele ano, o seguro rural também enfrentou restrições orçamentárias e encerrou o período com aplicação de R$ 565,4 milhões.

    Mesmo após reforços de caixa no fim do ano passado, que ampliaram a cobertura de culturas como a soja, o programa alcançou apenas 3,2 milhões de hectares segurados e pouco mais de 60 mil apólices subsidiadas.

    PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) chegou a atender 13,7 milhões de hectares — Foto: GOV Goiás

    Uma fonte do setor afirmou que o impacto pode ser expressivo caso os recursos não sejam liberados.

    “Ainda não temos estimativas, mas certamente o impacto será significativo caso esse bloqueio não seja revertido. A situação é muito parecida com a de 2025”, declarou.

    A contenção faz parte do ajuste fiscal conduzido pelo governo federal. Até o momento, foram bloqueados R$ 23,7 bilhões do orçamento da União para 2026. No âmbito do Ministério da Agricultura, o total bloqueado alcança R$ 788,4 milhões, incluindo ainda R$ 293 milhões do programa de Fomento Agropecuário, R$ 550 mil em pesquisas da Embrapa e R$ 33,1 milhões destinados à modernização da infraestrutura da estatal.

    Pressão do setor produtivo

    Diante do cenário, a bancada da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) solicitou ao ministro da Agricultura, André de Paula, garantias de que os recursos do seguro rural serão executados integralmente neste ano.

    Além disso, a entidade reforçou apoio ao Projeto de Lei 2.951/2024, que busca modernizar o sistema e impedir futuros cortes, bloqueios ou contingenciamentos nos recursos do programa.

    Segundo a FPA, o seguro rural é essencial para proteger a renda dos produtores, fortalecer o crédito rural, garantir a continuidade da produção e reduzir a necessidade de renegociação de dívidas.

    Paraná critica bloqueio

    A Federação da Agricultura e Pecuária do Paraná (Faep) classificou a medida como um “novo golpe no seguro rural” e pediu a reversão imediata da decisão.

    Em nota, a entidade destacou que cerca de 42% dos recursos previstos para o PSR em 2025 foram bloqueados, enquanto em 2024 a execução ficou aproximadamente 40% abaixo do valor aprovado pelo Congresso.

    O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que a efetivação do corte trará dificuldades ao produtor paranaense.

    “Especificamente no Paraná, o impacto seria enorme para a produção rural, pois nós somos o Estado que mais contrata o seguro rural no país”.

    Em 2025, o Paraná registrou 28,02 mil apólices, o equivalente a 43,7% dos 64,17 mil contratos firmados via PSR em todo o Brasil.


    Para Ágide, um novo corte será um ‘golpe duro no produtor rural’ — Foto: Divulgação/Sistema Faep

    Brasil tem seguro rural mais frágil entre os produtores agrícolas

    Um estudo do FGV Agro apontou que o Brasil possui o sistema de seguro rural mais vulnerável entre os principais produtores agrícolas do mundo. A análise comparou o modelo brasileiro com os de Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru.

    De acordo com Anna Cortellini, pesquisadora do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), os produtores brasileiros contam com menor apoio e cobertura quando comparados aos concorrentes internacionais.

    “Entre os grandes países produtores, o Brasil está em uma posição de maior fragilidade em seguro rural. Aqui, os produtores rurais têm menor apoio, e há menor cobertura de seguro”, afirmou.

    A especialista ressalta que não existe um modelo único. No entanto, destaca que o Brasil poderia buscar inspiração no sistema da Espanha, que combina recursos públicos e privados para ampliar a proteção ao produtor rural.

     

  • Plano Safra 2026/27 pode ter juros abaixo de 10% para custeio, diz Ministério da Agricultura

    Plano Safra 2026/27 pode ter juros abaixo de 10% para custeio, diz Ministério da Agricultura

    O Ministério da Agricultura e Pecuária trabalha para viabilizar linhas de custeio rural com taxas de juros de um dígito no Plano Safra 2026/27. A informação foi confirmada pelo secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, durante entrevista à CNN Brasil.

    Segundo o secretário, o governo negocia a proposta junto ao Tesouro Nacional, ao Ministério da Fazenda e à Casa Civil. O objetivo é reduzir o peso financeiro sobre os produtores rurais e ampliar o acesso ao crédito oficial.

    “Nosso pleito junto ao Tesouro, Ministério da Fazenda e Casa Civil é uma taxa de juros para custeio de um dígito”, afirmou Campos.

    A discussão ocorre em um momento de preocupação crescente com o custo do financiamento agropecuário. Além disso, produtores têm relatado dificuldades para acessar recursos subsidiados diante do atual cenário de juros elevados.

    No ciclo vigente, a taxa de custeio empresarial alcançou 14% ao ano, enquanto a Selic estava em 15% ao ano quando o programa foi anunciado. Para o secretário, o encarecimento do crédito se consolidou como um dos principais entraves para o desenvolvimento da atividade agropecuária.

    Além disso, Campos destacou que experiências recentes demonstram uma maior procura por financiamentos quando as condições são mais acessíveis. Como exemplo, ele mencionou as linhas destinadas à agricultura familiar.

    De acordo com o secretário, “as taxas oferecidas para a agricultura familiar, de até 4% ao ano e 6% ao ano, foram todas tomadas”.

    Crédito disponível nem sempre chega ao produtor

    No atual Plano Safra, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões destinados à agropecuária. No entanto, o Tesouro Nacional conseguiu equalizar os juros de apenas R$ 113,8 bilhões desse montante, volume que representa menos de um quarto dos recursos anunciados.

    Para Guilherme Campos, a preocupação vai além do valor total disponibilizado. Segundo ele, o desafio está em garantir que os recursos cheguem efetivamente aos produtores rurais.

    Além disso, o secretário alertou que o problema pode se repetir no próximo ciclo caso temas como seguro rural e endividamento dos produtores não sejam discutidos em conjunto com o Plano Safra.

    Dessa forma, o governo busca construir uma solução mais ampla para melhorar o acesso ao crédito e fortalecer a capacidade de investimento do setor.

    Governo mantém cronograma de lançamento

    Apesar das negociações ainda estarem em andamento, o Ministério da Agricultura garante que o anúncio do Plano Safra 2026/27 será realizado dentro do calendário previsto.

    Segundo Campos, os prazos de plantio seguem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), o que impede alterações motivadas por questões políticas ou administrativas.

    “Não há possibilidade de adiamento do anúncio, porque o tempo de plantar é independente de qualquer coisa. Está no ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático). Esse calendário nem a política consegue mudar”, declarou.

    Sobre o volume de recursos previsto para a próxima temporada, o secretário informou que a proposta em análise pelo governo está próxima da demanda apresentada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    A entidade sugeriu um Plano Safra de R$ 623 bilhões, valor 53,5% superior aos R$ 405,9 bilhões disponibilizados no ciclo anterior. Conforme Campos, “está muito próximo daquilo que a CNA deliberou”.

  • Câmara aprova projeto que fortalece seguro rural e garante verba obrigatória no orçamento

    Câmara aprova projeto que fortalece seguro rural e garante verba obrigatória no orçamento

    A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2951/24, que altera regras do seguro rural no Brasil e transforma em obrigatória a execução dos recursos federais destinados à subvenção do programa. Como os deputados modificaram o texto original, a proposta seguirá novamente para análise do Senado Federal.

    A expectativa no Congresso é de tramitação acelerada. Além disso, parlamentares devem apresentar um pedido de urgência logo no início da análise no Senado, o que permitirá votação diretamente no plenário, sem passar pelas comissões temáticas.

    O projeto promove mudanças em três legislações ligadas ao setor: a Lei da Política Agrícola, a norma que criou o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) e a legislação do Fundo de Catástrofe.

    Seguro rural passa a ter verba obrigatória

    Atualmente, os recursos destinados ao PSR dependem de verbas discricionárias do governo federal. Por isso, os valores podem sofrer contingenciamentos durante o ano para atender metas fiscais.

    Com a proposta aprovada pela Câmara, as despesas com a subvenção ao seguro rural passam a ser classificadas como gastos obrigatórios no orçamento federal. Além disso, os recursos ficarão vinculados ao orçamento do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária).

    Apesar da mudança, o montante continuará limitado ao valor previsto na Lei Orçamentária Anual enviada pelo governo ao Congresso.

    Sobras do Proagro poderão reforçar recursos

    O texto também autoriza o governo federal a remanejar parte das sobras orçamentárias do Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) para fortalecer os recursos do seguro rural.

    Entretanto, a medida estabelece limites. Segundo a proposta, o remanejamento não poderá comprometer o funcionamento do programa nem afetar operações já contratadas.

    Seguro poderá servir como garantia de crédito

    Outro ponto importante do projeto mantém a possibilidade de utilizar o seguro rural como garantia em operações de crédito rural.

    Além disso, produtores segurados poderão ganhar prioridade no acesso ao crédito, na renegociação e na prorrogação de dívidas. O texto ainda prevê condições mais vantajosas para operações seguradas, como juros menores, prazos ampliados e condições diferenciadas.

    Mesmo assim, a proposta não torna obrigatória a contratação do seguro para obtenção de crédito rural.

    Projeto define prazo para indenizações

    O projeto estabelece prazo máximo de 30 dias para liquidação de sinistros após a entrega da documentação exigida ou da realização da vistoria.

    Além disso, os contratos deverão apresentar regras mais claras sobre a apresentação de documentos e os procedimentos para acionamento do seguro.

    Fundo de Catástrofe terá regras flexibilizadas

    A proposta também modifica o funcionamento do Fundo de Catástrofe, criado para oferecer cobertura suplementar ao seguro rural em situações de perdas elevadas.

    O texto retira dispositivos considerados entraves para operacionalização do fundo. Entre eles estão a exigência de aporte mínimo da União e a previsão de encerramento da isenção de tributos federais sobre operações de seguro rural após o início das atividades do fundo.

    Além disso, o projeto autoriza mecanismos de transferência de risco, como resseguro, Letras de Risco de Seguro (LRS) e as chamadas Sociedades Seguradoras de Propósito Específico (SSPE).

    A proposta ainda permite a criação de subfundos voltados para setores específicos do agronegócio.

    Participação ampliada no fundo

    O texto amplia o número de participantes autorizados no Fundo de Catástrofe. Além do governo federal e das seguradoras que operam o PSR, poderão integrar o fundo:

    • resseguradoras;
    • cooperativas agropecuárias;
    • empresas das cadeias produtivas do agro.

    Esses grupos poderão participar como cotistas do fundo.

    Outros pontos previstos no projeto

    O projeto aprovado pela Câmara também estabelece outras mudanças importantes para o setor agropecuário:

    • produtores precisarão fornecer dados da atividade agropecuária para acessar a subvenção federal do seguro rural;
    • seguradoras participantes do PSR terão de integrar o Fundo de Catástrofe;
    • cooperativas de seguros passarão a ter tratamento equivalente ao das seguradoras no programa;
    • o Conselho Diretor do Fundo de Catástrofe definirá quais operações poderão receber cobertura;
    • as operações do fundo deverão seguir as regras do zoneamento de riscos agropecuários definidas pelo governo federal;
    • o fundo poderá adquirir Letras de Risco de Seguro (LRS) negociadas no mercado financeiro;
    • a administração do fundo poderá ficar temporariamente sob responsabilidade de uma instituição financeira federal até a criação de uma estrutura própria de gestão.
  • IBGE lança mapa com Brasil no centro e territórios invertidos

    IBGE lança mapa com Brasil no centro e territórios invertidos

    O IBGE acaba de lançar um novo mapa‑múndi que coloca o Brasil bem no centro e inverte a posição dos territórios, deixando o hemisfério Sul na parte de cima. O material recebeu o título “Riqueza de Espécies 2025” e trata da biodiversidade global. A presidência do órgão está sob o comando do economista Marcio Pochmann, indicado para o cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) .

    A nova projeção cartográfica mostra o Brasil virado para cima, com o Sul no topo e o Norte na parte de baixo da imagem. Segundo o instituto, o mapa muda a perspectiva que tradicionalmente privilegia a América do Norte na parte superior.

    O material é vendido em versões física e digital, com preços entre cerca de R$ 25 e R$ 90, e já está sendo divulgado como recurso didático e de comunicação institucional. A intenção é que escolas, governos e meios de comunicação usem a imagem para discutir geopolítica, ciência do clima e a posição do Brasil em organismos internacionais.

    Por que o Brasil no centro?

    A escolha de colocar o Brasil no centro busca reforçar a liderança do país em fóruns como BRICS, Mercosul e na COP 30 sobre clima. O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, afirmou que o mapa quer “ressaltar a posição atual de liderança do Brasil em importantes fóruns internacionais”, destacando também países de língua portuguesa e a área da Amazônia.  “Estamos falando de um planeta que não é plano e, portanto, permite variações do ponto de vista do olhar”, afirmou ele. “Inovamos e fortalecemos o espírito público de refletir as transformações que estão em curso no mundo e o papel protagonista que o Brasil tem e pode ter ainda mais”.

    Além disso, o recorte do mapa dá mais destaque às regiões tropicais e de alta biodiversidade, reforçando a importância ambiental do país para o resto do planeta. Em termos práticos, isso significa que territórios que costumam aparecer pequenos e periféricos em mapas tradicionais passam a ocupar um espaço visual muito maior.

    Representação política

    O mapa invertido é um lembrete de que qualquer representação do mundo é uma escolha política e cultural, não apenas técnica. A configuração clássica, com o “Norte” em cima, naturaliza uma hierarquia de poder que o novo material do IBGE tenta questionar visualmente.