A capital do Piauí celebra 173 anos neste 16 de agosto. Teresina une tradição gastronômica e crescimento empresarial em um cenário que impressiona. A cidade dobrou o número de empresas ativas na última década, saltando de 46 mil para mais de 94 mil estabelecimentos.
Pontos gastronômicos tradicionais mantêm viva a cultura local. No Mercado do Mafuá, o bolo frito conquista filas desde a madrugada. Jonnys Teixeira trabalha no local há mais de 30 anos. Vende 120 unidades durante a semana e 400 nos fins de semana.
“No sábado e domingo chego aqui às 2h da manhã e já tem gente esperando”, conta Teixeira. Clientes saem das festas e procuram caldos e bolo frito na madrugada.
Desde 1957, o Suco do Abrahão oferece 27 sabores de sucos naturais. Carlean Alves Lima herdou o negócio do pai. O estabelecimento serve desde opções tradicionais até variedades menos comuns como jaca e pequi.
A Casa do Beiju opera há três décadas na zona leste. Antônio Silva Santos produz 150 a 200 unidades diárias através de processo artesanal. “Começou com meu pai, agricultor. Surgiu da farinhada tradicional do interior”, relembra Santos.
Panelada e novos negócios fortalecem economia
A chef Gardênia Mesquita comanda a Casa da Panelada com ingredientes de produtores locais. O cardápio inclui sarapatel, buchada de carneiro e tripinha frita no coco babaçu. “Tudo que servimos é cultural e artesanal”, destaca Mesquita.
Foto: Francisco Leal
O empreendedorismo criativo também ganha força. Dalvisangela Carvalho migrou de Chapadinha (MA) para desenvolver artesanato sustentável. Suas peças de eco-craft reutilizam garrafas de cajuína e alcançam mercados nacionais e internacionais.
A Casa do Queijo, fundada na década de 1970, exemplifica a reinvenção empresarial. José Luiz mantém o negócio familiar ampliando produtos. “Hoje temos cachaças, licores e linguiça caseira”, informa José Luiz.
Produtos locais despertam vínculos afetivos. Solene Costa, teresinense que vive em Fortaleza há 15 anos, sempre retorna buscando sabores únicos. “Eu acho os produtos do Piauí melhores, como a cajuína e o doce de buriti”, afirma Costa.
A dupla Ítalo e Marcelo criou linha de produtos com identidade piauiense. Estampas celebram símbolos locais conquistando turistas e moradores. “Queremos levar um pedacinho de Teresina para o mundo”, declara Ítalo.
Izabela Muller, do Sebrae, explica o crescimento empresarial. A pandemia estimulou a formalização de negócios. “Pessoas apostaram no próprio potencial empreendedor”, analisa Muller.
Uma parceria estratégica firmada nesta quarta-feira (6) entre o Sebrae e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) promete revolucionar o cenário das pequenas agroindústrias brasileiras. O acordo tem como meta aumentar a produtividade em até 20% e beneficiar inicialmente cerca de 2,5 mil estabelecimentos rurais em todo o país.
A iniciativa foca no fortalecimento do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI) e do Selo Arte, instrumentos fundamentais para que pequenos produtores possam comercializar seus produtos em escala nacional com qualidade e segurança garantidas.
Inclusão e desenvolvimento sustentável no campo
“O mercado não foi feito para os pequenos, por isso precisa de processos protetivos e principalmente de políticas de um estado social”, destacou Décio Lima, presidente do Sebrae, durante o evento de assinatura do acordo. “Essa parceria é justamente para garantir a inclusão da pequena agricultura e o desenvolvimento da economia dos pequenos dentro dessa lógica de poder ter longevidade e fazer escala no mercado.”
A parceria surge em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. Atualmente, o SISBI possui 3.526 estabelecimentos registrados, mas apenas 1.061 estão habilitados para comercialização nacional através do cadastro geral SISBI-POA. O novo acordo visa ampliar significativamente esse número.
Capilaridade e tecnificação: a fórmula do sucesso
O Sebrae atuará nos serviços de inspeção municipal dos aproximadamente 800 consórcios existentes no país, promovendo a adesão ao SISBI e simplificando processos burocráticos. A estratégia aproveita a reconhecida capilaridade da instituição para chegar até os pequenos produtores.
“O selo SISBI garante a inspeção, a qualidade do alimento e, com isso, sua comercialização em todo o território nacional”, explicou o ministro Carlos Fávaro. “O Sebrae, com sua capilaridade, acessa esses empreendedores para que possam atender às novas demandas, conquistar o Selo Arte e gerar mais oportunidades no meio rural.”
Formalização e inserção na economia global
Um dos principais objetivos da parceria é combater a informalidade no setor. “Queremos fazer com que as pequenas agroindústrias possam se formalizar para se inserir inclusive no contexto da globalização econômica”, enfatizou Décio Lima.
Carlos Fávaro e Décio Lima apostam na capilaridade do Sebrae para ampliar o atendimento. Foto: Maicon Felipe./Sebrae
O diretor-técnico do Sebrae, Bruno Quick, ressaltou o potencial transformador da iniciativa: “Só tem uma coisa que segura o filho do produtor no campo: a industrialização da sua produção. Isso vai mudar a pequena agricultura no Brasil.”
A parceria fortalecerá diversos programas já existentes:
Selo Arte: Reconhece produtos artesanais de origem animal e já conta com mais de 2 mil registros
Indicações Geográficas (IG): 139 reconhecimentos em todo o país que valorizam identidade regional
Programa Mais Leite Saudável: Foca na profissionalização do setor leiteiro
Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite: Visa elevar padrões de qualidade
Números que impressionam
O impacto da parceria pode ser dimensionado pelos números do Sebrae no campo. Nos últimos dois anos, a instituição realizou cerca de 1,1 milhão de atendimentos em parceria com mais de 250 mil produtores rurais.
As propriedades de agricultura familiar representam dados expressivos na economia nacional:
23% do valor bruto da produção agropecuária brasileira
67% das ocupações no campo
Aproximadamente 10,1 milhões de trabalhadores empregados
Para o ministro Fávaro, a parceria representa uma oportunidade única de democratizar o acesso ao mercado nacional. “A partir do selo de inspeção instalado nos municípios, o Ministério passará a ter, por intermédio do Sebrae, acesso direto aos empreendimentos rurais. Ninguém tem mais capilaridade e competência para qualificar e prepará-los para agregar valor ao produto.”
A iniciativa promete não apenas aumentar a produtividade, mas também fortalecer as economias locais, reduzir desigualdades e criar novas oportunidades de desenvolvimento sustentável no meio rural brasileiro.
Enquanto alguns dizem que não aguentam mais ver morango do amor no feed, essa febre veio na hora certa para aquecer o mercado, tanto do lado dos produtores quanto dos pontos de vendas.
Enquanto o morango some das prateleiras e a oferta não supre a demanda, muitos confeiteiros também estão faturando alto com a produção dos doces. Lojas com filas, pessoas esperando ansiosamente sua vez de comprar, encomendas batendo recordes e morango faltando no mercado.
Amanda Mandita, da Amandita Doces, de Caucaia, em São Paulo, comemorou em suas redes sociais o sucesso: “Foram mais de 200 unidades em um único dia. E isso me fez lembrar o quanto é importante esperar as coisas acontecerem no tempo de Deus. Pois quem acredita no propósito nunca estará só ! A demanda altíssima me fez entender que estou no caminho certo , e que crescer de pouquinho em pouquinho é importante , pois temos que estar preparado para o extraordinário. Obrigada a todos os clientes que passaram por aqui hoje. E agradecer a cada motoboy que fez esse dia mais incrível ainda , fazendo com que todos os produtos chegassem em segurança!
Pessoas inclusive que estavam em dificuldades para manter seus negócios viram a situação mudar em poucos dias. A confeitaria da Sá, no Espírito Santo, estava passando por dificuldades, pois seu ponto físico teria que sair do local atual. E o morango do amor chegou com tudo.
Já em Santarém, a situação também é igual. Fabi Lira, da FabiLira Confeitaria, comemora o sucesso das vendas. E só lamenta a falta de mais morangos, para conseguir mais vendas. O estoque de morango na cidade não dá conta da produção dos doces.
O sucesso do “morango do amor” nas redes sociais impactou diretamente no mercado. A alta procura pelo doce viral impulsionou os preços tanto em feiras quanto em supermercados.
Disparada nos preços do morango no Brasil
A demanda explosiva pelo famoso doce fez os preços dispararem em todo território nacional. No Ceará, o quilograma do morango no atacado subiu 44,6% e chegou a R$ 50,00. Em algumas capitais nordestinas, o quilo da fruta está custando em torno de R$ 40,00.
O Sudeste apresenta variações significativas nos preços. Enquanto alguns mercados vendem a caixinha por R$ 10,00, outros cobram valores bem mais altos. Em Campo Grande (MS), o quilo do morango está cotado a R$ 23,00.
Para o morango de qualidade superior, os preços são ainda mais elevados. O morango orgânico comercializa por R$ 48,00 o quilo. Já o morango convencional de alta qualidade chega a R$ 30,00 por quilo. Para os demais tipos, o preço médio gira em torno de R$ 20,00 o quilo.
Produção brasileira de morango
O Brasil concentra sua produção de morango em regiões específicas. Os estados de Minas Gerais e São Paulo respondem por 66% da produção nacional. Cerca de 80% da produção brasileira está concentrada nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
O Sul de Minas se destaca como o maior polo produtor. A região responde por cerca de 90% da produção estadual de morangos em Minas Gerais. A região de Pouso Alegre é responsável por 87,5% da safra mineira. A previsão para 2024 indica que o Sul de Minas deve alcançar 173 mil toneladas de morango.
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar
O cultivo do morangueiro representa uma atividade em expansão no Brasil. A produção é relativamente expressiva, mas extremamente dispersa em pequenas propriedades pelo país. Essa característica torna o morango uma alternativa importante de renda para a agricultura familiar.
A colheita ocorre de 50 a 100 dias após o plantio. O cultivo do morango também estimula a sucessão rural, despertando o interesse dos jovens pela atividade agrícola em diferentes regiões.
Impacto econômico e social
A febre do morango do amor trouxe benefícios diretos para toda a cadeia produtiva. Produtores rurais viram seus lucros aumentarem significativamente. Confeiteiros relatam vendas recordes e filas constantes em seus estabelecimentos. Desde o campo até o varejo, passando pela confeitaria e food service, todos os elos da cadeia foram beneficiados pela alta demanda.
Para a agricultura familiar, o morango representa uma oportunidade valiosa. A fruta permite o sustento da família, mantém as contas em dia e ainda possibilita investimentos na propriedade. A alta rentabilidade da cultura a torna uma opção atrativa para pequenos produtores.
“Um vídeo bonito, um nome criativo, uma imagem que dá vontade de comer — e pronto. Em poucos dias tá todo mundo querendo experimentar”, endossa a especialista em Mercados e Transformação Digital do Sebrae, Janaína Camilo.
Foto: Reprodução Mandita Doces
Quem já tem um negócio, o momento é de oportunidade de escalar a esteira de produtos. “O moranguinho do amor tem apelo visual, é fácil de fazer, tem baixo custo e pode ser vendido tanto na rua quanto em uma doceria ou lanchonete”, salienta o Sebrae.
O sucesso é tanto que até a comunicação do Governo Federal entrou na onda.
A atual escassez do produto nos mercados evidencia a necessidade de ampliação da produção. Muitos estabelecimentos enfrentam dificuldades para manter o estoque adequado. Essa situação abre espaço para novos produtores entrarem no mercado.
A tendência de alta nos preços pode se manter enquanto a demanda permanecer aquecida. Para os produtores já estabelecidos, o momento representa uma oportunidade única de maximizar lucros e investir na expansão da cultura.
O sucesso do morango do amor demonstra como as redes sociais podem impactar diretamente a economia real. Um fenômeno digital transformou-se em oportunidade concreta de negócios para milhares de pessoas.
Com pouco mais de 3 milhões de habitantes, o Uruguai transformou sua carne bovina em um produto premium, rastreável, sustentável e reconhecido em mais de 70 países. Este foi o tema central da missão técnica ao país promovida pela Agrotravel, com apoio do Sebrae-RR, que reuniu produtores e especialistas em uma imersão estratégica.
Durante a visita, o grupo percorreu Montevidéu e o interior uruguaio, conhecendo o Instituto Nacional de Carnes (INAC), a Associação Rural do Uruguai (ARU), fazendas modelo, confinamentos e a planta industrial da Minerva Foods.
Um destaque essencial do sistema uruguaio é a rastreabilidade individual e obrigatória para todo o rebanho, implementada desde 2006. Cada animal carrega brincos eletrônicos que registram seu histórico do nascimento até o abate, integrados ao sistema nacional SNIG.
“O que impressiona no Uruguai não é o volume da produção, mas a estratégia clara e organizada. Eles sabem exatamente o que estão vendendo: um produto ético, controlado e com história”, afirma Fábio Torquato, fundador da Agrotravel.
Certificações
O Uruguai consegue acessar nichos internacionais exigentes graças a certificações rigorosas. A ARU, que representa 75% do rebanho uruguaio, oferece a certificação Never Ever 3. Ela assegura a ausência de hormônios, antibióticos e alimentação com subprodutos de origem animal — um diferencial ainda pouco comum no Brasil.
A visita à planta da Minerva Foods em Montevidéu mostrou a sinergia entre indústria e produtores. A empresa fornece assistência técnica, uniformiza critérios de produção e mantém programas de certificação. Nos últimos 20 anos, foram investidos US$ 65 milhões no país, beneficiando mais de 5 mil pecuaristas.
Além disso, a planta utiliza tecnologias avançadas, como currais antiestresse baseados nas pesquisas de Temple Grandin e sistemas de classificação de carcaças por raio-X, garantindo precisão milimétrica no controle da gordura.
Logística
A logística do Uruguai também é um diferencial. O Porto de Montevidéu, com calado de 13 metros e expansão planejada para 14, funciona com automação total. Isso inclui agendamento digital e integração com a malha ferroviária que conecta as áreas produtivas à exportação.
O transporte de gado vivo segue protocolos rigorosos, resultando em mortalidade média de apenas 0,03% durante o trajeto marítimo.
Foto: Divulgação Agrotravel
Para encerrar a missão, os participantes participaram de uma oficina prática de churrasco uruguaio, símbolo da forte conexão cultural com a carne, que vai além do alimento e representa identidade nacional.
“Eles não exportam apenas carne, mas uma história, um modo de produção e uma imagem de país limpo e confiável. Isso encanta o mercado internacional”, conclui Torquato.
A experiência uruguaia mostra que, mesmo com estrutura menor, a combinação entre rastreabilidade, certificações, logística eficiente e cooperação entre produtores, indústria e governo constrói reputação de excelência.
Para o Brasil, o estudo traz aprendizados fundamentais: investir em rastreabilidade individualizada, fomentar certificações valorizadas no mercado, fortalecer o elo técnico entre indústria e campo, além de valorizar a carne como patrimônio cultural e econômico.
“O Brasil tem escala e é um gigante exportador. O exemplo do Uruguai evidencia como podemos agregar mais valor aos produtos com inteligência e posicionamento claro. Apesar do baixo volume, o Uruguai colhe grandes frutos dessa estratégia,” finaliza Torquato.
O Sebrae-SP reafirmou seu compromisso com o fortalecimento do empreendedorismo rural ao marcar presença de forma estratégica na 30ª edição da Hortitec, em Holambra. Com um estande movimentado até esta sexta-feira (27), a instituição apresentou uma série de ações voltadas ao desenvolvimento de pequenos negócios, com foco especial na inovação e na conexão com o mercado.
Presente no segundo dia da feira, o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Nelson Hervey Costa, destacou a relevância do evento para os objetivos da instituição. “Estamos mais uma vez na Hortitec, uma grande feira muito conectada ao pequeno produtor, nosso cliente. Temos aqui startups trazendo soluções tecnológicas, inovações e muitos produtores. É assim que reafirmamos nosso compromisso com quem empreende no campo.”
Startups, pitchs e muito conteúdo técnico
O estande recebeu uma programação intensa de painéis e encontros técnicos. Apenas nos dois primeiros dias foram realizados dez painéis temáticos, e o encerramento conta com atrações voltadas à inovação, incluindo pitchs de startups do agronegócio. Entre os destaques da sexta-feira estão a apresentação da N&P sobre tecnologia farmacêutica aplicada à hortifruticultura, da FertiSense com foco em adubação inteligente, e uma palestra da Nutralis sobre resistência das plantas ao estresse climático.
Nilcio Freitas, gerente regional do Sebrae-SP em Campinas, reforçou a importância desse espaço para fomentar o ecossistema agro. “Fomentar o empreendedorismo é uma das nossas missões. Selecionamos negócios para dividir esse espaço conosco, dando visibilidade e acesso a um público estratégico.”
Caso de sucesso: Tchê Jardins!!! transforma negócio com apoio do Sebrae-SP
Entre os expositores que passaram pelo espaço, um exemplo se destaca pela trajetória inspiradora: Joel Alexandre Schmitt, proprietário da Tchê Jardins!!!, distribuidora de acessórios para jardinagem e paisagismo de Holambra. Participando pela segunda vez da Hortitec, Joel relata que o evento é uma vitrine fundamental para alcançar novos públicos e reforçar parcerias comerciais. “Mais do que vendas, a feira facilita o relacionamento com fornecedores e clientes, impulsionando a consolidação da nossa marca.”
Joel Alexandre Schmitt, proprietário da Tchê Jardins – Foto: Agro em Campo/ Pedro H. Lopes
A história da empresa se entrelaça com a do Sebrae-SP. Foi a partir de eventos, consultorias e do programa Empretec que Joel começou a se reconhecer como empreendedor. A mudança de postura resultou em avanços significativos: registro da marca, expansão do portfólio com seis produtos próprios, mais de mil itens em catálogo e uma estrutura produtiva com mil metros quadrados.
“O apoio do Sebrae foi decisivo. Hoje a empresa é mais estratégica, sistemática e alinhada às demandas do mercado”, afirmou Joel, que agora aposta em novos equipamentos e investimentos para consolidar ainda mais sua presença no setor.
A Hortitec 2025 segue até esta sexta-feira com expectativa de receber mais de 30 mil visitantes. A atuação do Sebrae-SP no evento evidencia como o suporte técnico e a valorização do pequeno produtor podem se traduzir em crescimento, inovação e impacto real no campo.
O aipim produzido em Itajaí destaca-se por ser tenro, adocicado, de cozimento rápido e fácil de descascar e colher. Isso graças ao solo poroso e rico em matéria orgânica, conhecido como terra preta. Essas características únicas tornam o Aipim da Terra Preta de Itajaí um forte candidato ao Selo de Indicação Geográfica (IG).
Para celebrar a safra 2025, a cooperativa Cooperar, na localidade Rio Novo, sediou um evento especial de abertura de safra. Que reuniu 17 produtores e representantes da Epagri, Sebrae, Univali, além do prefeito Robson Coelho e do vice Rubens Angioletti. Após a colheita simbólica, a Univali serviu pratos à base de aipim, como creme com couve e presunto de parma e bombocado com goiabada, evidenciando a versatilidade do produto.
O extensionista da Epagri fez questão de homenagear os agricultores. Fotos: Renata Rosa / Epagri
O extensionista rural da Epagri, Antônio Henrique dos Santos, que percebeu o potencial do aipim em 2019, explica. “Por ser produzido num solo rico em matéria orgânica, proveniente de substrato marinho, o aipim, além de macio e saboroso, é mais nutritivo por causa dos compostos fenólicos”. Ele destaca ainda que “em algumas plantações é possível encontrar restos de conchas, como um sambaqui”, reforçando a singularidade do solo negro da região.
Comitê
Em janeiro de 2025, formou-se um comitê com representantes da Cooperar, agricultores da Colônia Japonesa, Sebrae, Epagri, Univali e prefeitura para conduzir o processo de obtenção da IG. O pesquisador da Univali, Evandro Luis Pasa, ressalta a importância do trabalho coletivo. “Vale destacar que a ideia da IG do Aipim da Terra Preta partiu da necessidade de valorização dos produtos da agricultura familiar de Itajaí, identificada pelo Antônio. Sem a total adesão da Cooperar, do diretor executivo do Planejamento Estratégico do Município de Itajaí (PEMI 2040), da Epagri, Sebrae e Univali, nada estaria acontecendo”.
A Univali realiza análises laboratoriais para identificar compostos fenólicos totais, fibras, açúcares, amido e outros componentes, com resultados previstos para os próximos seis meses. A consultora do Sebrae Ester de Jesus explica os próximos passos. “O próximo passo será criar o conselho regulador, que vai definir regras e estabelecer os critérios de qualidade para se adequar às exigências do INPI. Também precisa fazer o caderno de especificação técnica. E boa parte dele depende do estudo que está sendo feito pela Univali e pela Epagri, no caso do solo. Se esta etapa for concluída até outubro, em dezembro poderemos submeter a documentação ao INPI”.
Importância do vínculo entre produto e território
Ester reforça a importância do vínculo entre produto e território. “O registro de denominação de origem exige que a documentação comprove a ligação do produto ao meio geográfico, neste caso, ao solo. É preciso ter um nexo causal e comparativo do local em relação a outros locais comprovando que ali, de fato, é diferente”. Para isso, serão feitas plantações experimentais em locais com solos diferentes, como Navegantes e Luiz Alves.
Terra preta e porosa facilita a colheita e melhora a qualidade de vida do produtor. Fotos: Renata Rosa / Epagri
Evandro Luis Pasa complementa: “O dossiê deve conter, além da especificidade do solo, uma série de elementos que dizem respeito também à história, forma de produção, coletivo de produtores, etc. Sendo o mais importante a peculiaridade do aipim”.
Assim, essa iniciativa visa valorizar a agricultura familiar de Itajaí. E além disso, reforçar a identidade regional e garantir reconhecimento nacional e internacional ao Aipim da Terra Preta, promovendo desenvolvimento sustentável e agregação de valor ao produto.
A liderança do Brasil como maior produtor mundial de café está revolucionando o mercado de grãos especiais, com pequenos produtores mineiros conquistando paladares exigentes no exterior. A Fazenda Nova Aliança, em Monte Santo de Minas (MG), tornou-se símbolo dessa transformação ao exportar há 13 anos para a renomada Ozone Coffee, do Reino Unido.
Juliana Paulino, produtora à frente da propriedade, detalha o segredo do sucesso: “Enviamos uma amostra sem expectativas e, aos poucos, os pedidos foram aumentando. Todos os anos, eles vêm pessoalmente nos visitar para ver nosso trabalho. Essa proximidade gera confiança, que faz toda a diferença nas negociações.”
Há 13 anos, a marca Ozone Coffee leva o café especial da fazenda Nova Aliança para o mundo, com vendas consolidadas no exterior. Foto: divulgação.
Seus cafés, protegidos pela Indicação Geográfica (IG) do Sudoeste de Minas, alcançam hoje mercados como Irlanda e Nova Zelândia, com embarques anuais de seis a oito contêineres.
Fermentação controlada e microlotes: a aposta da Fazenda Nakamura
No Vale do Jequitinhonha, a Fazenda Nakamura surpreendeu o mercado ao desenvolver grãos fermentados que superam 85 pontos na escala de qualidade. Cláudio Nakamura, produtor da propriedade, explica a estratégia:
“Esse tipo de café é muito apreciado lá fora e já começa a ser mais consumido no Brasil. O mercado internacional valoriza boas práticas, então mantemos processos sustentáveis mesmo com desafios na mão de obra.”
O produtor de café Cláudio Nakamura em sua fazenda no minicípio mineiro de José Gonçalves. Foto: divulgação
Apesar de adotar maquinário recentemente, Nakamura mantém a filosofia artesanal: “Prefiro trabalhar com pessoas. A colheita manual é feita com cuidado e carinho com as plantas – isso se reflete no produto final.”
Seus microlotes, comercializados via Noca Coffee, já alcançam EUA, Canadá e Europa.
Estratégias comprovadas para exportação de sucesso
Gustavo Reis, analista do Sebrae Nacional, destaca três pilares para competir globalmente: “O café brasileiro como commodity já alcança vários países. O diferencial está em agregar valor através da história do produtor, exclusividade dos lotes e certificações como a Indicação Geográfica.”
Ele reforça que a união em cooperativas tem sido decisiva: “Quando pequenos produtores contam sua história coletiva, atraem compradores para um turismo de negócios que gera resultados concretos.”
A IG do Sudoeste de Minas, conquistada com apoio do Sebrae, reúne 21 municípios e funciona como selo de qualidade reconhecido internacionalmente.
Sustentabilidade como exigência mínima
Ambos os produtores enfatizam que práticas ambientais responsáveis deixaram de ser diferencial para se tornarem requisito básico. Juliana Paulino explica:
“A qualidade é obrigatória, mas o mercado internacional exige responsabilidade em todos os níveis – desde o tratamento dos colaborares até o manejo do solo.”
Nakamura complementa: “Investimos em técnicas que preservam os recursos hídricos e a biodiversidade local. Sem isso, não conseguiríamos manter clientes no exterior.”
O Sebrae-SP está com inscrições abertas para a Missão Internacional que levará até 20 empresários, produtores rurais e apicultores de São Paulo para a Apimondia 2025, a maior feira de apicultura do mundo, que acontecerá em Copenhague, Dinamarca, entre 23 e 27 de setembro. As inscrições podem ser feitas até 14 de março.
A Apimondia, realizada a cada dois anos em diferentes locais, tem como objetivo promover conhecimento, melhores práticas, oportunidades de negócios, apresentar produtos apícolas e destacar a importância das abelhas e da apicultura. Em 2023, Santiago, no Chile, sediou o evento.
De acordo com Márcio de Carvalho, consultor de comércio exterior do Sebrae-SP, participar da Missão Empresarial oferece benefícios como networking, conhecimento, visibilidade e oportunidades. A programação inclui seminário de abertura, visitas técnicas e três dias dedicados à Apimondia, finalizando com um Hackthon de inovação.
O valor de participação para os selecionados é de R$ 200, cobrindo serviços técnicos do Sebrae-SP, como acompanhamento geral, traduções e ingressos para a feira. Os participantes devem arcar com os custos de passagem aérea, hospedagem e alimentação.
Um comitê internacional organiza a Apimondia, que reúne aproximadamente 130 países. É uma oportunidade para conhecer tendências de mercado, compartilhar tecnologia e fazer negócios. As associações de apicultores da Suécia, Noruega e Dinamarca organizam o evento.
A erva-mate produzida na região de Machadinho, no Rio Grande do Sul, obteve o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O registro valoriza e fortalece a atuação dos pequenos produtores rurais, garantindo a qualidade e a reputação do produto no mercado consumidor.
A Indicação de Procedência “Erva-Mate Região de Machadinho” abrange as modalidades de Chimarrão, Tereré e Chá Mate Tostado, fabricados tanto pelo método industrial quanto pelo artesanal “barbaquá”. A área geográfica delimitada compreende dez municípios em área contínua, totalizando 2.716,868 km²:
Barracão
Cacique Doble
Machadinho
Maximiliano de Almeida
Paim Filho
Sananduva
Santo Expedito do Sul
São João da Urtiga
São José do Ouro
Tupanci do Sul
Valorização dos produtores rurais
O registro é resultado dos esforços da Associação dos Produtores de Erva-mate de Machadinho (Apromate), que deu entrada no pedido com o apoio do Sebrae. A iniciativa visa fortalecer o território e valorizar a produção local.
Hulda Giesbrecht, coordenadora de tecnologias portadoras de futuro do Sebrae Nacional, destaca que a IG valoriza o trabalho dos pequenos produtores rurais que seguem boas práticas e preservam a cultura e a tradição associadas à erva-mate da região.
Ao adquirir produtos com IG, o consumidor tem a garantia da qualidade, da origem e da reputação, diferenciais que agregam valor e aumentam a competitividade dos pequenos negócios rurais, ressalta Hulda Giesbrecht.
Com essa concessão, o Brasil passa a contar com 128 Indicações Geográficas, sendo a terceira de erva-mate brasileira. As outras duas são da região de São Matheus (PR) e da região do Planalto Norte Catarinense (SC).
A Plataforma Brasil Exportação, iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), comemora seu primeiro ano de funcionamento. Neste primeiro ano, ela já conta com mais de 90 mil usuários cadastrados. Lançada em novembro de 2023 durante o Web Summit em Lisboa, a plataforma se consolidou como a maior ferramenta digital de serviços de comércio exterior do Brasil. Ela oferece mais de 800 serviços para apoiar empresas brasileiras na exportação.
Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, destacou a importância da plataforma. “Essa é uma ferramenta extraordinária porque veio para facilitar a vida de quem está interessado em exportar, do micro ao grande empresário. Ela foi pensada para ser uma comunidade que apoia os que estão iniciando no comércio internacional e os que buscam expandir mercados.”
Parceria
A ferramente foi desenvolvida em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Aplataforma oferece uma variedade de serviços, incluindo estudos de mercado, cursos, eventos e contatos de apoio no exterior.
Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC, ressaltou que a plataforma está alinhada à Política Nacional da Cultura Exportadora. E tem o potencial de transformar a cultura exportadora no Brasil. “Ela simplifica o processo, permitindo um acesso mais fácil e eficiente aos recursos necessários para o comércio exterior”, afirmou.
Entre as funcionalidades desenvolvidas ao longo do ano está o Calendário Brasileiro de Promoção Comercial. Ele reúne eventos internacionais apoiados por organizações brasileiras. Já o Mapa Digital oferece contatos de apoio no exterior em mais de 80 países. Décio Lima, presidente do Sebrae Nacional, enfatizou que a plataforma permite que pequenos negócios se integrem aos processos de exportação.
Exemplos
Empresas como a Maison Charlô, especializada em mesa posta, e a Cooperativa dos Produtores Agroextrativistas do Bailique e do Beira Amazonas (AMAZONBAI) já se beneficiaram dos serviços oferecidos pela plataforma. Karen Reis, da Maison Charlô, destacou como a plataforma ajudou na elaboração de estratégias para vendas internacionais. Já Amiraldo de Lima Picanço, presidente da AMAZONBAI, afirmou que a ferramenta foi crucial para impulsionar as primeiras exportações da cooperativa para os Estados Unidos e Europa.
Com um futuro promissor pela frente, a Plataforma Brasil Exportação se estabelece como um recurso essencial para empresas brasileiras que desejam explorar oportunidades no mercado internacional.