A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) intensifica o monitoramento de javalis no Rio Grande do Sul e convoca produtores rurais a informarem a ocorrência dos animais até 30 de junho. O objetivo é mapear a presença de espécies asselvajadas e fortalecer estratégias de vigilância, prevenção e controle no Estado.
O questionário, disponível on-line e sem caráter fiscalizatório, reúne dados essenciais para orientar o Serviço Veterinário Oficial. Com base nas informações, o órgão consegue identificar áreas críticas, avaliar riscos sanitários e direcionar ações mais eficientes no campo.
A presença de javalis preocupa o setor agropecuário brasileiro devido aos prejuízos recorrentes. Os animais provocam danos diretos às lavouras de milho, soja e hortaliças, além de destruírem pastagens e cercas. Também atacam nascentes, revolvem o solo e favorecem processos erosivos, o que compromete a produtividade e eleva os custos de recuperação das áreas.
Outro ponto crítico envolve a sanidade animal. Javalis podem transmitir doenças como febre aftosa e peste suína clássica, colocando em risco a produção pecuária e o status sanitário do país — fator decisivo para exportações.
Segundo a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Seapi, Grazziane Rigon, a colaboração dos produtores amplia a capacidade de resposta do Estado. “A participação dos produtores é essencial para ampliar o conhecimento sobre a ocorrência de animais asselvajados e aprimorar as estratégias de monitoramento e controle”, afirma.
A Seapi reforça que o engajamento do setor produtivo contribui diretamente para proteger rebanhos, lavouras e ecossistemas, além de reduzir impactos econômicos causados pela espécie invasora.
A força-tarefa criada após a confirmação do primeiro caso de greening no Rio Grande do Sul já realizou a vistoria de 522 imóveis e promoveu a erradicação de 201 árvores cítricas em Palmitinho, município localizado no norte do estado. O foco da doença foi identificado em 8 de junho, conforme informações divulgadas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
As equipes concluíram os trabalhos de fiscalização e eliminação de plantas no raio de 500 metros ao redor do foco inicial. Além disso, as ações de monitoramento na área ampliada de 2,4 quilômetros já estão em fase final.
A próxima etapa poderá incluir a ampliação da vigilância para municípios vizinhos. O objetivo é detectar rapidamente possíveis novos registros da doença e evitar sua disseminação para outras regiões produtoras.
Força-tarefa já vistoriou 522 imóveis em Palmitinho (RS) — Foto: Divulgação/Seapi
As medidas seguem os protocolos estabelecidos pelo Programa Nacional de Prevenção e Controle do Huanglongbing (PNCHLB). Nesse contexto, as ações concentram esforços no combate ao psilídeo Diaphorina citri, inseto responsável pela transmissão da bactéria associada ao greening.
Segundo o diretor do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Seapi, Ricardo Felicetti, a grande quantidade de plantas cítricas encontradas em quintais e áreas urbanas levou o Estado a reforçar a estratégia de monitoramento.
“Optamos por ampliar o monitoramento na área urbana e, nas próximas semanas, faremos novas prospecções na área rural”, afirmou durante reunião da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Doença representa risco à produção de citros
Considerado uma das maiores ameaças à citricultura mundial, o greening não possui cura. Por isso, especialistas apontam a identificação precoce e a eliminação rápida das plantas infectadas como as principais ferramentas para reduzir os impactos da doença.
Além de comprometer a produtividade dos pomares, o greening reduz a qualidade dos frutos e pode provocar a morte das plantas. Em consequência, a doença representa um desafio significativo para produtores e para toda a cadeia de produção de citros.
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) emitiu nesta semana o Alerta Sanitário nº 03/2026 para casos de raiva em herbívoros nos municípios de São Francisco de Paula e Caraá, no Rio Grande do Sul. A medida reforça a necessidade de prevenção e mobiliza produtores rurais diante do avanço da doença.
O alerta destaca o risco de disseminação dos focos para municípios vizinhos. Em São Francisco de Paula, a atenção se estende a Canela e Três Coroas. Já em Caraá, o monitoramento inclui Rolante, Riozinho e Maquiné.
A Seapi orienta produtores a intensificarem a vacinação dos rebanhos, considerada a principal forma de controle da raiva herbívora. A recomendação abrange bovinos, bubalinos, equinos, ovinos e suínos, com aplicação e reforço das doses conforme o calendário sanitário.
Segundo o coordenador do Programa de Controle da Raiva Herbívora da Seapi, Wilson Hoffmeister, o estado já registra focos desde o ano passado nessas regiões. “O alerta busca estimular a vacinação dos rebanhos e auxiliar na identificação de refúgios de morcegos. O que fortalece a atuação das equipes no controle da doença”, afirma.
Em 2026, o Rio Grande do Sul contabiliza 45 focos ativos de raiva herbívora distribuídos em 10 regiões, o que acende o sinal de alerta para o setor pecuário.
Atenção
A captura de morcegos hematófagos, principais transmissores da doença, deve ocorrer exclusivamente por equipes dos Núcleos de Controle da Raiva Herbívora da Seapi, que possuem capacitação e imunização adequadas para a atividade. Produtores que identificarem possíveis refúgios devem comunicar imediatamente a Inspetoria ou o Escritório de Defesa Agropecuária local.
Este é o terceiro alerta sanitário emitido pela Seapi em 2026. Os anteriores abrangeram os municípios de Piratini e região, em fevereiro, e Tiradentes do Sul e São Nicolau, em abril.
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi) emitiu na última semana um alerta sanitário para a raiva dos herbívoros nos municípios de Tiradentes do Sul e São Nicolau, no Noroeste Gaúcho. O motivo é o registro de focos da doença nas duas cidades, agravado pelo alto número de agressões a animais na região e pela ausência de localização dos refúgios dos morcegos hematófagos, os chamados morcegos-vampiros, principais transmissores da raiva em herbívoros.
O alerta indica risco de expansão da doença para municípios vizinhos. Na área de Tiradentes do Sul, a preocupação se estende a Esperança do Sul, Crissiumal e Derrubadas. Já em torno de São Nicolau, as cidades em alerta são Pirapó, Garruchos e Dezesseis de Novembro. Ao todo, seis municípios entram na zona de atenção.
Equipes em campo
Equipes da Seapi já atuam na região para localizar os esconderijos dos morcegos e adotar medidas preventivas. A estratégia combina o controle dos animais transmissores com a conscientização dos produtores rurais sobre a importância da vacinação dos rebanhos.
O coordenador do Programa de Controle da Raiva Herbívora da Seapi, Wilson Hoffmeister, explica que a resposta ao surto depende tanto da agilidade do Estado quanto da cooperação dos produtores.
“Nossas equipes trabalham no monitoramento de focos, no atendimento às suspeitas e na adoção de medidas sanitárias rápidas para evitar a disseminação da doença. Essa é uma ação contínua, que depende da parceria com os produtores e da comunicação ágil de qualquer ocorrência, garantindo a proteção da pecuária e a segurança sanitária no Estado.”
O que fazer ao encontrar um refúgio de morcegos
A orientação da Seapi é clara: produtores rurais que localizarem refúgios de morcegos-vampiros não devem tentar capturá-los por conta própria. O procedimento correto é comunicar imediatamente a Inspetoria ou ao Escritório de Defesa Agropecuária do município.
A espécie transmissora da raiva herbívora é o Desmodus rotundus, que costuma se abrigar em troncos ocos de árvores, cavernas, fendas de rochas, furnas, túneis e casas abandonadas. A captura desses animais é feita exclusivamente pelos Núcleos de Controle da Raiva do Estado, cujas equipes recebem treinamento específico e vacinação contra a doença.
Os Núcleos de Controle entram em ação sempre que uma região registra laudo positivo para raiva em herbívoro. Ou apresenta índices elevados de mordeduras em animais de produção, ou seja, bovinos, equinos, ovinos e suínos. O acionamento parte das regionais da Seapi após a confirmação dos casos.
A raiva herbívora não tem cura após o aparecimento dos sintomas nos animais, o que torna a vacinação preventiva do rebanho a principal arma dos produtores contra a doença. Surtos não controlados podem causar perdas significativas na pecuária regional e comprometer a segurança sanitária de todo o Estado.
Equipes de vigilância sanitária visitam criatórios de aves domésticas num raio de 10 quilômetros da Lagoa da Mangueira, em Santa Vitória do Palmar, onde a doença apareceu em cisnes silvestres. O objetivo é identificar suspeitas da gripe aviária rapidamente e orientar produtores para evitar a propagação do vírus.
O Serviço de Vigilância Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) iniciou nesta semana) as visitas a 40 propriedades de subsistência localizadas num raio de 10 quilômetros do foco de gripe aviária. A doença atingiu aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba (cisne-coscoroba) na Lagoa da Mangueira, área da Reserva do Taim.
“Acompanhamos a criação desses animais nas proximidades para identificar rapidamente qualquer suspeita e evitar que a doença se espalhe”, explica Grazziane Rigon, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Seapi. Durante as visitas, os técnicos orientam os produtores sobre a importância de observar sinais da doença nas aves e acionar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial em caso de suspeita. “Quanto mais rápida a notificação, maior a chance de conter o avanço”, acrescenta.
Embora o Plano de Contingência do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) determine esse raio de vigilância apenas para focos em aves comerciais, não havendo regra específica para casos em aves silvestres, a Secretaria adotou a medida como precaução. “Estabelecemos a vigilância dentro desse raio como forma de prevenção”, diz Rigon.
A ação inclui também trabalho de educação sanitária junto às autoridades municipais e regionais, além de lojas agropecuárias. Granjas comerciais na área de abrangência da Supervisão Regional de Pelotas também passam por vistoria para verificação das medidas de biosseguridade.
Como notificar suspeitas
Produtores devem comunicar imediatamente à Secretaria da Agricultura qualquer suspeita da doença, que inclui sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves. O contato pode ser feito na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
A confirmação da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade ocorreu na terça-feira (03/03). O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS) atendeu a notificação de animais mortos ou doentes no dia 28 de fevereiro. O Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), realizou os exames que confirmaram a doença.
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi) emitiu, nesta quinta-feira (26), um alerta sanitário oficial para a raiva dos herbívoros nos municípios de Piratini, Herval, Pedro Osório, Cerrito, Pinheiro Machado e Canguçu, na região Sul do estado.
O alerta foi acionado após a confirmação de focos da doença em Piratini e a identificação de um elevado número de agressões a animais na região. A situação se agrava pelo fato de que os refúgios dos morcegos hematófagos, os chamados morcegos-vampiros, principais transmissores da raiva herbívora, ainda não foram localizados pelas equipes de vigilância.
Vacinação e monitoramento: as duas frentes de combate
Segundo o coordenador do Programa de Controle da Raiva Herbívora da Seapi, Wilson Hoffmeister, o combate à doença depende de duas ações simultâneas: o controle dos morcegos transmissores e a vacinação dos rebanhos.
“Reiteramos a necessidade da vacinação e revacinação dos animais suscetíveis, além da identificação dos refúgios onde ficam os morcegos. Pedimos aos produtores que fiquem atentos a esses dois aspectos”, destacou o coordenador.
A Seapi orienta que, ao identificar possíveis refúgios de morcegos-vampiros, os produtores não tentem capturá-los por conta própria. A recomendação é comunicar imediatamente a localização à Inspetoria ou ao Escritório de Defesa Agropecuária do município.
Entre os esconderijos mais comuns da espécie Desmodus rotundus, responsável pela transmissão da raiva, estão:
Troncos ocos de árvores
Cavernas e fendas de rochas
Furnas e túneis
Casas e construções abandonadas
Os Núcleos de Controle da Raiva do Estado realizam exclusivamente a captura dos animais, com equipes treinadas e vacinadas. A mobilização ocorre sempre que há laudo positivo para raiva em herbívoro. Ou quando se registram altos índices de mordedura em bovinos, equinos, ovinos e suínos em uma determinada área.
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul assinou dois convênios da Consulta Popular com o Consórcio Intermunicipal da Região Nordeste (Cirenor) na última semana, em Tapejara. O governo estadual investirá R$ 2,468 milhões em ações que fortalecem a agricultura, o desenvolvimento rural e a infraestrutura em 19 municípios da região.
O secretário da Seapi, Edivilson Brum, participou da cerimônia ao lado de prefeitos e lideranças regionais. Ele anunciou que os recursos já entraram em fase de execução e reforçou o papel estratégico da Consulta Popular nas políticas públicas locais.
“Estamos celebrando investimentos que impactam diretamente o desenvolvimento regional. Eles melhoram as condições de trabalho e de produção no campo. A Consulta Popular confirma sua importância como instrumento de fortalecimento das comunidades”, declarou Brum.
O primeiro convênio, referente ao período 2024/2025, destina R$ 1.728.571,43 do Estado e conta com contrapartida de R$ 365.844,34 dos municípios. O governo aplicará os recursos em projetos de irrigação rural, fortalecimento da patrulha agrícola do Cirenor, medidas emergenciais contra desastres naturais e aquisição de veículos e equipamentos para ações sociais.
Segundo convênio prioriza inspeção sanitária e capacitação técnica
O segundo acordo abrange o período 2020/2021 e soma R$ 342.857,00 do Estado, além de R$ 30.900,00 de contrapartida municipal. A Seapi comprará três veículos, cinco notebooks, cinco impressoras multifuncionais e materiais de inspeção sanitária com esses recursos. O convênio também prevê cursos e assessoria técnica para agroindústrias familiares da região.
Em outubro de 2024, a Seapi já havia firmado outro convênio da Consulta Popular com o Cirenor, no valor de R$ 2,169 milhões. Desse montante, as prefeituras entram com contrapartida de R$ 214.548,00. O acordo destina recursos para a compra de equipamentos pesados, como caminhões-caçamba, que reforçarão a patrulha agrícola regional.
A iniciativa foca na melhoria das estradas vicinais, essenciais para o escoamento da produção agrícola local. A região tem economia baseada principalmente no cultivo de grãos e na criação de bovinos e aves.
Municípios beneficiados pelos convênios
O Cirenor reúne 19 municípios do Nordeste gaúcho: Água Santa, Barracão, Cacique Doble, Capão Bonito do Sul, Caseiros, Ibiaçá, Ibiraiaras, Lagoa Vermelha, Machadinho, Maximiliano de Almeida, Paim Filho, Sananduva, Santa Cecília do Sul, Santo Expedito do Sul, São João da Urtiga, São José do Ouro, Tapejara, Tupanci do Sul e Vila Lângaro.
A maria-mole (Senecio spp.) é uma planta invasora que representa uma das maiores ameaças à pecuária brasileira, especialmente no Rio Grande do Sul. Apesar do nome inofensivo, esta erva daninha causa a seneciose, uma doença hepática fatal que não possui tratamento e mata praticamente 100% dos bovinos intoxicados.
A planta se prolifera rapidamente em pastagens degradadas e áreas com baixa cobertura vegetal, tornando-se um problema crônico para produtores rurais. Durante o outono e inverno, quando há escassez de forragem, os bovinos acabam ingerindo acidentalmente a maria-mole junto com o pasto. Nesse período, a planta concentra níveis elevados de alcaloides tóxicos que destroem irreversivelmente o fígado dos animais.
Os prejuízos econômicos são devastadores: além da perda total dos animais intoxicados, não existem soluções terapêuticas disponíveis. Uma vez que o bovino consome quantidade suficiente da planta, a morte é inevitável, impactando severamente a cadeia produtiva da bovinocultura.
Uma boa cobertura vegetal e o pastoreio ovino são as formas de controle mais eficazes contra a infestação de maria-mole, conforme apontou estudo recente da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi).
A pesquisa “Emergência e quantificação da infestação de maria-mole (Senecio spp.) em área de abrangência do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor – IPVDF” foi conduzida pelo pesquisador Fernando Karam, do Laboratório de Histopatologia, durante 2023 e 2024, em parceria com a Emater/RS-Ascar.
O trabalho resultou no Comunicado Técnico 11, intitulado “Infestação de maria-mole (Senecio spp.) e o risco da intoxicação: resultados de pesquisa”, lançado recentemente pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Seapi.
Infestação muito alta na maioria das propriedades
Durante os dois anos de investigação, foram visitadas propriedades rurais nos municípios de Guaíba, Eldorado do Sul, Viamão e Charqueadas. Os resultados foram alarmantes.
Pesquisador Karam. Foto: Divulgação/Seapi
“Os resultados confirmaram o predomínio da infestação muito alta de maria-mole na maioria dos locais investigados e comprovaram que, nas poucas áreas de baixa infestação, esse fato deveu-se à boa cobertura vegetal e ao pastoreio ovino”, esclarece Karam.
O pesquisador enfatiza a importância dessas medidas preventivas devido à inexistência de tratamento para animais intoxicados. “Essas medidas são as mais eficazes, entre outras, já que para a intoxicação nos animais não há soluções terapêuticas, e esse prejuízo na cadeia produtiva da bovinocultura é muito expressivo”, alerta.
Outono e inverno: período crítico de maior risco
A época mais perigosa para os rebanhos concentra-se no outono e inverno, quando os bovinos têm maior probabilidade de ingerir acidentalmente a planta tóxica.
“E nessa época ela possui alto teor de alcaloides tóxicos, exigindo controle por roçadas estratégicas, uso de ovinos e manejo do pasto para evitar mortes e grandes prejuízos econômicos”, explica Karam.
Estratégias de controle recomendadas
Com base nos resultados da pesquisa, o comunicado técnico apresenta as seguintes estratégias de manejo:
Cobertura vegetal adequada: manter pastagens com boa densidade de forragem dificulta o estabelecimento da maria-mole. E também reduz a necessidade dos bovinos buscarem alimento em áreas infestadas.
Pastoreio ovino: os ovinos são naturalmente resistentes aos alcaloides da maria-mole e podem consumir a planta sem sofrer intoxicação, controlando sua proliferação de forma natural e eficiente.
Roçadas estratégicas: realizar cortes programados antes da floração e produção de sementes impede a disseminação da planta, especialmente nos períodos críticos de outono e inverno.
Manejo integrado do pasto: combinar diferentes técnicas de controle e manter o monitoramento constante das áreas de pastagem garante maior eficácia no combate à infestação.
Impacto econômico na pecuária gaúcha
A seneciose causada pela maria-mole representa um dos principais problemas sanitários da bovinocultura sul-rio-grandense. Com letalidade próxima a 100% e sem possibilidade de tratamento, cada animal intoxicado significa perda total do investimento do produtor.
Os prejuízos vão além da morte direta dos animais, incluindo custos com diagnóstico, tentativas frustradas de tratamento e a necessidade de investimentos em medidas preventivas de longo prazo.
O estudo da Seapi reforça que a prevenção é a única arma eficaz contra a intoxicação por maria-mole. A adoção de práticas de manejo adequadas, especialmente a manutenção de boa cobertura vegetal e o uso estratégico de pastoreio ovino, pode salvar rebanhos. Além de evitar prejuízos significativos para a economia pecuária do Rio Grande do Sul.
Produtores rurais devem intensificar a vigilância durante outono e inverno. Além de implementar roçadas estratégicas e considerar a integração de ovinos ao sistema produtivo como medida preventiva de longo prazo contra esta ameaça silenciosa mas letal.
A ferrugem asiática, principal doença da soja, apresentou altos níveis de infecção logo no início da safra 2024/2025 no Rio Grande do Sul. No entanto, o clima seco e as ondas de calor registradas entre fevereiro e março atuaram como um freio natural, contendo a propagação do fungo e resultando em um avanço menor que o observado na safra anterior, influenciada pelo El Niño. As informações são do programa de monitoramento aerobiológico do governo do estado.
O monitoramento realizado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e pela Emater/RS-Ascar detectou os primeiros focos já em outubro de 2024, logo após o fim do vazio sanitário, em lavouras de Cruz Alta.
De acordo com a Circular Técnica nº 29 – Programa Monitora Ferrugem RS, os municípios de Muitos Capões (602 esporos), Três Passos (372), Ijuí (293) e Cruz Alta (205) registraram as maiores concentrações do fungo Phakopsora pachyrhizi nas semanas iniciais. A análise mostrou que os picos de esporos ocorreram sempre após períodos de chuva e com alta umidade relativa do ar.
Entre as regiões, o Planalto Médio foi a mais crítica, com a impressionante marca de 5.584 esporos coletados, seguido pelo Planalto Superior–Serra do Nordeste (2.908) e pelo Alto/Médio Vale do Uruguai (2.281).
Ação do clima e importância do monitoramento
A pesquisadora doutora em fitopatologia da Seapi, Andréia Mara Rotta de Oliveira é uma das autoras do estudo. E explica que os resultados “reforçam a relevância do monitoramento climático aliado à vigilância do patógeno como estratégia essencial para o manejo preventivo”.
Ricardo Felicetti, diretor do Departamento de Defesa Vegetal (DDV/Seapi), enfatiza que o objetivo do programa é justamente fornecer um prognóstico de risco. “As informações geradas podem ser utilizadas para o início do controle da doença e para a tomada de decisão quanto ao uso de fungicidas”, disse.
O programa mantém coletores em 77 lavouras distribuídas por 75 municípios, cobrindo as 11 regiões ecoclimáticas do RS. Os dados são atualizados semanalmente e disponibilizados em mapas online, servindo como uma ferramenta vital para o produtor rural.
Atualmente, o estado cumpre o vazio sanitário da soja, que segue até 30 de setembro. A medida, que proíbe a manutenção de plantas vivas no campo, é considerada fundamental para quebrar o ciclo do fungo. E, portanto, reduzir a pressão de incidência da ferrugem asiática na próxima safra.
O Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal (Ceflor) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) de Santa Maria realizou uma entrega significativa de berçários de minhocas para escolas e produtores rurais nos municípios de Santa Maria e Agudo. A ação visa difundir a técnica da vermicompostagem como uma solução eficaz para o aproveitamento de resíduos orgânicos e como fonte de renda sustentável.
A técnica da vermicompostagem
A vermicompostagem, também conhecida como minhocultura, é uma prática que utiliza minhocas para transformar resíduos orgânicos em adubo de alta qualidade. Segundo a pesquisadora Gerusa Pauli Kist Steffen, responsável pelo “Minhocário Solo Vivo” do Ceflor, essa técnica é prática e eficiente para reciclar resíduos vegetais e animais. As minhocas californianas são uma das espécies mais indicadas para essa prática.
Gerusa (à esquerda) entrega os berçários para a extensionista rural da Emater/RS-Ascar de Agudo, Kamila Santos. – Foto: Divulgação/Seapi
Além de produzir adubo orgânico para plantas, a vermicompostagem oferece benefícios sociais e ambientais significativos. O adubo resultante, conhecido como húmus de minhoca, contém mais de dezessete nutrientes essenciais para o crescimento vegetal, além de compostos orgânicos que estimulam o desenvolvimento das plantas e melhoram a qualidade biológica do solo.
Entregas e parcerias
Nesta ação, treze berçários de minhocas chegaram a escolas e produtores rurais. Em Agudo, o projeto “Cultivando Vida – vermicompostagem nas escolas” beneficiou dez instituições de ensino, em parceria com o “Minhocário Solo Vivo” do Ceflor.
A vermicompostagem é uma atividade multifuncional e rentável, pois gera produtos comercializáveis, como o adubo orgânico e as matrizes de minhocas. Não é necessário um grande espaço para implementar essa técnica. Uma caixa de um metro quadrado pode processar meia tonelada de resíduos orgânicos em poucos meses.
Para mais informações, contate o Ceflor através dos telefones (55) 3228-1045 e 3228-1212 ou pelo e-mail: [email protected].