Tag: sanidade animal

  • Parasita “comedor de carne” ameaça pecuária dos EUA

    Parasita “comedor de carne” ameaça pecuária dos EUA

    Parecia um problema enterrado nos livros de história da pecuária. Mas ele voltou. E voltou fazendo barulho.

    A reaparição do verme conhecido como bicheira do Novo Mundo, um parasita capaz de consumir tecido vivo de animais, colocou autoridades sanitárias e pecuaristas dos Estados Unidos em estado de alerta. Casos recentes registrados no sul do país reacenderam um temor que há décadas não rondava os ranchos americanos.

    O parasita, chamado cientificamente de Cochliomyia hominivorax, deposita seus ovos em feridas abertas. Quando as larvas eclodem, começam a se alimentar da carne do hospedeiro ainda vivo. O processo é rápido, doloroso e, se não houver tratamento imediato, pode levar o animal à morte.

    A descrição parece saída de um filme de terror. No campo, porém, ela é bastante real.

    Como a bicheira do Novo Mundo ameaça a produção

    A bicheira foi considerada erradicada dos Estados Unidos no fim do século passado, após um longo e custoso programa de controle biológico. Por isso, o surgimento de novos casos despertou preocupação não apenas sanitária, mas também econômica.

    O alerta ocorre em um momento delicado para a pecuária americana. Os Estados Unidos atravessam o menor ciclo de oferta de gado em mais de 70 anos, consequência de secas prolongadas, custos elevados de produção e redução do rebanho. Nesse cenário, qualquer ameaça adicional ganha proporções ainda maiores.

    Além das perdas diretas nas fazendas, o temor é de que o avanço da bicheira provoque restrições sanitárias, aumente os custos de manejo e pressione ainda mais os preços da carne bovina. Nos Estados Unidos, o valor da proteína já opera em níveis historicamente elevados.

    Autoridades reforçam vigilância sanitária

    As autoridades intensificaram a vigilância em regiões de fronteira e reforçaram protocolos de inspeção em propriedades rurais. O objetivo é identificar rapidamente novos focos e evitar que o parasita encontre condições favoráveis para se espalhar.

    Para os pecuaristas, o episódio também funciona como um lembrete de uma velha máxima do campo: ameaças sanitárias raramente dão aviso prévio.

    Enquanto os técnicos ampliam o monitoramento, produtores acompanham cada novo boletim com atenção redobrada. O inimigo é pequeno, quase invisível a olho nu. Ainda assim, seu potencial de causar prejuízos bilionários faz dele uma das maiores preocupações da pecuária americana neste momento.

    Efeitos podem ultrapassar as fronteiras dos Estados Unidos

    Em um mercado global cada vez mais conectado, o que acontece nos pastos do Texas dificilmente fica apenas no Texas. Os desdobramentos do surto podem repercutir nas cadeias internacionais de carne, influenciar o comércio global e acender um sinal de atenção também entre produtores e exportadores brasileiros.

  • Pecuária dos EUA enfrenta praga considerada altamente perigosa

    Pecuária dos EUA enfrenta praga considerada altamente perigosa

    A pecuária dos EUA voltou a acender o alerta sanitário após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmar um novo caso de mosca-varejeira-do-novo-mundo no estado do Texas. O animal afetado é um bezerro de apenas um mês de idade, localizado a cerca de 9 quilômetros do primeiro foco registrado na região.

    Segundo o USDA, a ocorrência já era esperada pelos especialistas que monitoram a disseminação da praga.

    “Todos os modelos previam a entrada da mosca-varejeira-do-novo-mundo no país em 2025”, afirmou Dudley Hoskins, subsecretário de marketing e programas regulatórios do órgão.

    Além disso, Hoskins destacou que a chegada da praga ao território americano era considerada provável pelos órgãos de vigilância. No entanto, ressaltou que a cooperação entre os estados e o setor privado tem contribuído para conter o avanço da infestação.

    Mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma praga perigosa, com potencial de causar grandes prejuízos — Foto: USDA

    Para reforçar o combate, o USDA informou que uma equipe especializada do serviço de inspeção foi enviada à área onde os focos foram identificados. Além disso, um entomologista passou a atuar diretamente na região para acelerar os processos de confirmação dos diagnósticos.

    Outra medida adotada pelas autoridades americanas envolve a liberação de mais de 2 milhões de larvas estéreis da mosca-varejeira-do-novo-mundo. Dessa forma, o governo busca interromper o ciclo reprodutivo do inseto e reduzir sua capacidade de propagação.

    Risco econômico para a pecuária

    A mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma das pragas de maior impacto para a produção animal. As larvas penetram na pele dos hospedeiros, provocando feridas, infecções, sofrimento e prejuízos produtivos.

    Além dos rebanhos comerciais, a praga também pode atingir animais domésticos e espécies silvestres. Por isso, as autoridades sanitárias mantêm vigilância constante para evitar a expansão dos focos.

    O USDA orienta produtores rurais e tutores de animais a observarem sinais como aumento de ferimentos, presença de larvas ou massas de ovos, comportamento de desconforto e lesões em áreas sensíveis, incluindo nariz, orelhas e região umbilical.

    Em relação à saúde humana, o órgão esclarece que os casos são incomuns:

    “Embora não seja comum em humanos, se você notar uma lesão suspeita em seu corpo ou suspeitar que possa ter contraído a mosca-da-berne, procure atendimento médico imediatamente”.

    Abastecimento de alimentos segue sem impacto

    Por outro lado, o USDA reforçou que não existem riscos para o abastecimento de alimentos nos Estados Unidos. Segundo o comunicado, a praga não afeta carnes, frutas ou hortaliças destinadas ao consumo.

    Além disso, os diagnósticos são confirmados durante processos de inspeção sanitária. Assim, produtos provenientes de animais infectados não chegam ao mercado consumidor, garantindo a segurança da cadeia de abastecimento.

     

  • Exclusão do Brasil é mantida pela UE após revisão das regras para exportação de carnes

    Exclusão do Brasil é mantida pela UE após revisão das regras para exportação de carnes

    A União Europeia (UE) publicou nesta sexta-feira (5) um novo regulamento de execução que consolida as exigências relacionadas ao uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal destinada à exportação. Com a medida, o Brasil permanece fora da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal para consumo humano aos europeus a partir de setembro.

    Além disso, o regulamento reúne normas publicadas anteriormente e atualiza a relação de países que comprovaram o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo bloco.

    As regras europeias proíbem a importação de carnes e derivados de animais tratados com antibióticos para promoção de crescimento ou aumento de rendimento produtivo, bem como de produtos que contenham substâncias reservadas ao tratamento de determinadas infecções em humanos.

    As exigências abrangem as cadeias de bovinos, ovinos, caprinos, suínos, equinos, aves, aquicultura, leite, ovos, coelhos, carne de caça, mel e tripas.

    Brasil não apresentou garantias exigidas

    De acordo com o regulamento, o Brasil não forneceu à Comissão Europeia informações suficientes para comprovar que implementou, até 3 de setembro de 2026, as medidas necessárias para garantir o cumprimento das exigências relativas ao não uso de antimicrobianos em cadeias de bovinos, equinos, aves, aquicultura, mel e tripas.

    Embora as normas europeias tenham sido publicadas em 2023, o regulamento que exigia a comprovação dos controles entrou em vigor em outubro de 2024.

    Nas últimas semanas, autoridades brasileiras intensificaram as negociações para tentar reverter a restrição antes do início da vigência das novas regras. No entanto, segundo fontes ligadas às tratativas, os avanços foram limitados.

    O principal impacto potencial recai sobre as exportações de carne bovina — Foto: Embrapa

    Países habilitados ampliam presença no mercado europeu

    Segundo o regulamento, diversos países e territórios conseguiram apresentar as garantias exigidas pela Comissão Europeia.

    Entre os países aprovados estão Amênia, Benim, Belize, Irã, Quênia, Sri Lanka, Nigéria, Indonésia, Índia e Guernsey.

    Brasil é o único país citado por falta de informações

    O regulamento destaca que o Brasil foi o único país mencionado especificamente por não apresentar as informações e garantias necessárias dentro do prazo.

    Atualmente, segundo o novo regulamento de execução, 92 países ou regiões estão habilitados a exportar ao menos um produto de origem animal para a União Europeia, desde que cumpram as exigências relacionadas ao controle e à não utilização de antimicrobianos proibidos pelo bloco.

     

  • Vacinas contra clostridioses: Mapa libera mais 2,4 milhões de doses para pecuária

    Vacinas contra clostridioses: Mapa libera mais 2,4 milhões de doses para pecuária

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou a liberação de 2.470.600 doses de vacinas contra clostridioses para o mercado nacional entre os dias 25 e 29 de maio de 2026.

    A medida reforça o abastecimento de imunizantes destinados à pecuária e busca atender à demanda dos produtores rurais em diferentes regiões do país.

    Do total disponibilizado, 1.360.800 doses, equivalentes a 55,08%, saíram da indústria nacional. Já as vacinas importadas somaram 1.109.800 doses, o que representa 44,92% da oferta liberada no período.

    Governo intensifica ações para ampliar a oferta

    Segundo o ministério, a iniciativa faz parte de um conjunto de medidas desenvolvidas em parceria com a indústria de insumos veterinários.

    Vacinação preventiva segue como uma das principais ferramentas para preservar a saúde dos rebanhos — Foto: MAPA

    Além disso, o governo trabalha para ampliar a produção nacional. Também busca facilitar as importações e acelerar os processos de fiscalização e liberação dos imunizantes.

    Essas ações ganharam força nos últimos meses diante da necessidade de garantir o fornecimento regular das vacinas ao setor pecuário.

    Volume acumulado supera 41 milhões de doses

    Os números mais recentes mostram um avanço importante na disponibilidade de vacinas para o campo.

    Com as liberações realizadas desde março, o volume ofertado ao mercado brasileiro já ultrapassa 41 milhões de doses. O total inclui tanto produtos fabricados no país quanto imunizantes importados.

    Por isso, a expectativa do setor é de melhora gradual no abastecimento ao longo de 2026.

    Projeção aponta mais de 100 milhões de doses até dezembro

    Na semana passada, o ministério divulgou uma nota com estimativas apresentadas pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).

    Em 5 de maio de 2026, a entidade projetou a entrega de 8 milhões a 10 milhões de doses por mês até dezembro.

    “A entrega de 8 milhões a 10 milhões de doses por mês até dezembro, com possibilidade de ampliação no segundo semestre”, informou o órgão ao reproduzir a projeção do setor.

    Dessa forma, o mercado poderá receber mais de 100 milhões de doses até o final do ano. O volume reforça os esforços para proteger os rebanhos e fortalecer a sanidade animal nas propriedades rurais brasileiras.

  • Brasil e África do Sul fecham acordo no agro com foco em febre aftosa, proteínas animais e biosseguridade

    Brasil e África do Sul fecham acordo no agro com foco em febre aftosa, proteínas animais e biosseguridade

    Dois dos maiores produtores agrícolas do hemisfério sul decidiram sentar à mesa para construir algo maior do que uma simples troca comercial. Brasil e África do Sul assinaram, nesta quinta-feira (30), um Memorando de Entendimento voltado ao fortalecimento da cooperação agropecuária bilateral. O destaque fica para a defesa sanitária animal e para a ampliação de oportunidades em setores estratégicos do agro.

    Do lado brasileiro, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, assinou o documento. Do lado sul-africano, o ministro da Agricultura, John Steenhuisen. No centro das negociações, um tema que o Brasil conhece bem e que ainda preocupa o sul do continente africano: a febre aftosa.

    Brasil como referência global em sanidade animal

    Não é por acaso que a África do Sul buscou o Brasil como parceiro técnico nessa área. Afinal, o país conquistou, junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o status de território livre de febre aftosa sem vacinação. Trata-se de um dos patamares mais elevados de reconhecimento sanitário no mundo. Chegar a esse ponto levou décadas de investimento em vigilância, rastreabilidade e políticas públicas de defesa agropecuária.

    Agora, essa experiência pode ser transferida. O governo sul-africano demonstrou interesse direto em aprender com o modelo brasileiro para estruturar um plano regional de combate à doença. Vale lembrar que a febre aftosa ainda provoca impactos econômicos relevantes em boa parte do sul da África. “Estamos aqui para aprender com a experiência brasileira e buscar apoio no enfrentamento da febre aftosa”, afirmou o ministro John Steenhuisen.

    André de Paula, por sua vez, reforçou o papel estratégico da parceria: “A garantia da segurança alimentar no mundo é uma prioridade do governo brasileiro e representa um ponto de convergência importante com a África do Sul”. Além da febre aftosa, o acordo também abre espaço para cooperação no monitoramento da influenza aviária. Essa é outra preocupação crescente para produtores de proteína animal em escala global.

    O que está na mesa além da sanidade

    Saúde animal é o núcleo do acordo, mas está longe de ser o único tema. Os dois países mapearam oportunidades concretas em pelo menos cinco segmentos: proteínas animais, frutas cítricas, fertilizantes, máquinas agrícolas e genética animal e vegetal.

    Para que esse comércio funcione com mais agilidade, o acordo prevê ainda o aprimoramento dos mecanismos de diálogo em medidas sanitárias e fitossanitárias, o chamado sistema SPS. Na prática, isso significa reduzir o tempo de resolução de barreiras técnicas que costumam travar exportações. Quando essas barreiras persistem, o prejuízo ao setor pode ser considerável.

    Uma das propostas mais concretas do encontro foi a criação de um Corredor de Biosseguridade Brasil–África do Sul. A ideia é montar uma estrutura capaz de reduzir o risco de interrupções no fluxo comercial em casos de surtos sanitários. Esse tipo de evento, quando ocorre, pode fechar mercados da noite para o dia.

    Por que esse acordo importa para o produtor brasileiro

    Em um cenário em que o agronegócio brasileiro segue expandindo sua presença internacional, acordos como este têm peso direto na competitividade do setor. A África do Sul representa uma porta de entrada relevante para o continente africano, um mercado em crescimento que ainda importa volumes consideráveis de proteína animal, insumos e tecnologia agrícola.

    No entanto, o valor estratégico do acordo vai além dos números imediatos. Ao se posicionar como referência técnica em sanidade animal, o Brasil fortalece sua credibilidade internacional. Assim, amplia também sua capacidade de negociar acesso a mercados com mais solidez. Ser reconhecido como o país que ensina a combater a febre aftosa tem um peso diplomático e comercial que nenhuma campanha publicitária compra.

    Por fim, a cooperação entre Brasil e África do Sul reforça uma tendência crescente: o hemisfério sul construindo alianças próprias em torno de agendas produtivas. Para o agro brasileiro, essa aproximação chega em um momento estratégico.

  • Piauí mapeia javalis e prepara vacinação inédita contra peste suína

    Piauí mapeia javalis e prepara vacinação inédita contra peste suína

    O Piauí se destaca como um dos primeiros estados brasileiros a concluir integralmente o levantamento nacional sobre a presença de javalis em seu território. A pesquisa, conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em parceria com as Unidades Veterinárias Locais (UVLs), teve 100% de adesão no estado graças à coordenação da Agência de Defesa Agropecuária (Adapi).

    O mapeamento inédito visa diagnosticar a circulação do javali no Brasil, animal considerado o principal reservatório e transmissor da Peste Suína Clássica (PSC) e da Peste Suína Africana (PSA) para rebanhos domésticos.

    Plano de vacinação aguarda liberação federal

    Com base nos dados coletados, o Serviço Veterinário Oficial do Piauí intensificou as ações de vigilância epidemiológica. E também desenvolveu estratégias estruturantes para proteger o setor suinícola. Entre as medidas está o Plano Estadual de Vacinação contra a Peste Suína Clássica, elaborado pela Adapi. E que aguarda autorização do MAPA para implementação em 2026.

    A iniciativa ganha relevância especial considerando que o Piauí já registrou casos da doença em seu território, tornando urgente a adoção de medidas preventivas eficazes.

    Mudança no sistema de criação no norte do estado

    Paralelamente ao plano de vacinação, a Secretaria da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (Sada) desenvolveu um Plano de Manejo Sustentável de Suínos, também encaminhado ao Ministério da Agricultura. Os dois projetos funcionam de forma integrada. E priorizam a transformação do sistema de criação na região norte piauiense, onde se concentram o maior rebanho e o maior número de focos da PSC.

    A estratégia prevê substituir o sistema extensivo tradicional, com animais criados soltos, por modelos mais seguros e controlados. As ações incluem educação sanitária, comunicação com produtores rurais e apoio técnico para adequação das instalações.

    Medidas estruturantes para a suinocultura

    Entre as melhorias propostas estão o aprimoramento da estrutura física das propriedades, manejo sanitário adequado, alimentação balanceada e controle rigoroso do trânsito de animais. Essas medidas são consideradas fundamentais para conter a disseminação da doença e garantir que a vacinação alcance máxima efetividade.

    A conclusão do levantamento sobre javalis e a elaboração dos planos estaduais representam um avanço significativo para a suinocultura piauiense. O Governo do Estado aguarda o aval do MAPA para dar início às ações que devem fortalecer toda a cadeia produtiva. Além de proteger a sanidade animal e impulsionar o desenvolvimento econômico do setor no Piauí.

  • Produção de ovos na Bahia cresce 16,3%

    Produção de ovos na Bahia cresce 16,3%

    A avicultura baiana encerrou 2025 em forte crescimento e inicia 2026 com perspectivas otimistas. A produção de ovos no estado cresceu 16,3%, enquanto o setor de frango de corte alojou mais de 152 milhões de pintinhos. Livre de focos de Influenza Aviária (gripe aviária), a Bahia lidera a produção no Nordeste e ocupa a 9ª posição no ranking nacional.

    O desempenho robusto reflete o compromisso dos criadores com controle de qualidade, segurança sanitária e rastreabilidade. A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) prioriza a sanidade animal por meio da Agência de Defesa Agropecuária (Adab), em sintonia com o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA).

    Sanidade e parceria público-privada alavancam o setor

    O secretário da Seagri, Pablo Barrozo, credita os resultados à atuação integrada. “A Bahia se manteve livre da gripe aviária graças ao trabalho conjunto entre poder público, produtores e o sistema de defesa agropecuária. Investir em prevenção protege nossos produtores e garante competitividade”, destaca.

    A presidente da Associação Baiana de Avicultura (ABA), Kesley Jordana, reforça a importância do diálogo. “Os governos estadual e federal trabalham em parceria. Nosso diálogo com a Seagri busca soluções estratégicas para fortalecer a avicultura baiana”, afirma.

    Perspectivas positivas e agenda de oportunidades para 2026

    A retomada das importações pela China e União Europeia abre uma janela de oportunidade para 2026. “Esse movimento beneficia diretamente a Bahia, pois reduz a concorrência de produtos de outros estados no mercado interno e fortalece nossa produção”, explica o secretário Pablo Barrozo.

    Foto: Secom/BA

    Para consolidar o crescimento, a ABA discute uma agenda com prioridades claras: financiamento acessível para modernização de granjas, incentivos fiscais, programas de crédito para pequenos e médios produtores e campanhas para aproximar o consumidor baiano da produção local.

    Brasil Bate recorde de exportações e fortalece credibilidade

    O cenário nacional também impulsiona o otimismo baiano. Em 2025, as exportações brasileiras de frango atingiram um recorde histórico: 5,324 milhões de toneladas, consolidando o país como o maior exportador mundial. Os dados são da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

    “É uma conquista de toda a cadeia produtiva, das entidades do setor e do poder público comprometido com o agronegócio”, comemora Paulo Emílio Torres, assessor técnico da Seagri. O desempenho reforça a credibilidade sanitária e a competitividade do produto brasileiro no exterior.

  • Alerta: decretada emergência sanitária após confirmação de peste suína clássica

    Alerta: decretada emergência sanitária após confirmação de peste suína clássica

    O Piauí está em estado de emergência zoossanitária após a confirmação de um foco de Peste Suína Clássica (PSC) no município de Porto, região Norte do estado. O decreto do governador Rafael Fonteles, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE), terá validade de 180 dias. E estabelece controles rigorosos para impedir a disseminação da doença viral.

    A medida emergencial foi tomada após laudos do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), confirmarem a presença do vírus causador da PSC em animais da região. A doença representa grave ameaça à suinocultura brasileira e pode causar prejuízos econômicos significativos ao setor.

    Controle rigoroso de movimentação

    De acordo com o decreto estadual, o trânsito de suínos e produtos considerados de risco no território piauiense passará a seguir protocolos específicos estabelecidos por equipes técnicas. As autoridades só autorizarão a movimentação de animais após o cumprimento de normas sanitárias rigorosas, com foco na contenção e eliminação do agente viral.

    A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí (Adapi), em conjunto com a Secretaria da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (Sada), coordenará todas as ações de vigilância, controle e erradicação da doença. O órgão estadual está autorizado a expedir diretrizes sanitárias, adotar manejo integrado da doença e adquirir insumos necessários às operações de campo.

    Criadores devem notificar imediatamente qualquer suspeita

    O secretário da Sada, Fábio Abreu, fez um apelo direto aos produtores rurais. “Ressaltamos que criadores que observarem qualquer anormalidade nos suínos informem imediatamente à Sada e à Adapi. Não omitam qualquer informação, para que sejam adotados os protocolos necessários. O criador será ressarcido em caso de detecção da doença”, alertou.

    Abreu também destacou que a legislação sanitária considera crime a omissão de informações sobre animais doentes, passível de multas e outras penalidades.

    O que é a Peste Suína Clássica?

    A Peste Suína Clássica é uma doença viral altamente contagiosa que afeta suínos domésticos e selvagens. Segundo o Ministério da Agricultura, a enfermidade não representa risco para humanos. Mas pode causar mortalidade de até 100% nos rebanhos infectados, especialmente em animais jovens.

    Os principais sintomas incluem febre alta, falta de apetite, apatia, manchas avermelhadas na pele, problemas respiratórios e neurológicos. O vírus se transmite por contato direto entre animais, através de alimentos contaminados ou por meio de equipamentos e veículos utilizados nas propriedades.

    O Brasil vinha avançando no controle da PSC nas últimas décadas. De acordo com dados do Mapa, várias regiões do país já conquistaram o status de zona livre da doença, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A confirmação de novos focos representa um alerta para todo o setor produtivo nacional.

    Impactos econômicos e comerciais

    A presença da Peste Suína Clássica pode afetar diretamente as exportações de carne suína brasileira, um setor que movimenta bilhões de reais anualmente. Países importadores adotam barreiras sanitárias rigorosas contra nações que registram focos da doença, o que pode resultar em perdas econômicas significativas para os produtores.

    O Piauí, embora não esteja entre os maiores produtores de suínos do país, conta com importante atividade de suinocultura familiar e comercial. A rápida contenção do foco identificado em Porto representa uma estratégia para preservar a sanidade do rebanho estadual e evitar a propagação para estados vizinhos.

    Ações coordenadas de prevenção

    As autoridades estaduais ressaltam que as medidas adotadas seguem protocolos técnicos rigorosos e contam com apoio de equipes especializadas. O foco das ações está na proteção do rebanho suíno, na preservação da atividade produtiva e na manutenção da sanidade animal em todo o território piauiense.

    Produtores rurais, técnicos agrícolas e a população em geral podem obter mais informações sobre os procedimentos de notificação e as medidas preventivas entrando em contato com a Adapi ou com escritórios regionais da Sada em seus municípios.

    As autoridades sanitárias estaduais e federais vão monitorar continuamente a situação durante todo o período de emergência.

  • Vacinação contra brucelose: Minas Gerais supera meta nacional

    Vacinação contra brucelose: Minas Gerais supera meta nacional

    Minas Gerais atingiu 80,3% de cobertura vacinal contra brucelose em bezerras bovinas e bubalinas com idade entre 3 e 8 meses em 2024, superando a meta nacional de 80%, estabelecida pelo Programa de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT). O resultado marca um avanço em relação ao índice de 77,5% registrado em 2023, consolidando o estado como referência no combate à doença.

    O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) desempenhou papel essencial na conquista do resultado, implementando ações como:

    • Intensificação da fiscalização nas propriedades;
    • Força-tarefa em regiões com menores índices de vacinação;
    • Apoio à regularização de propriedades rurais;
    • Reuniões com cooperativas e sindicatos rurais;
    • Campanhas educativas para conscientizar produtores sobre os riscos da brucelose e a importância da vacinação.

    Além disso, o IMA prorrogou os prazos de vacinação e declaração durante a primeira etapa do programa devido ao desabastecimento temporário de vacinas no mercado. Garantindo que os produtores pudessem cumprir as exigências.

    Impactos da brucelose e importância do controle

    A brucelose é uma doença que causa prejuízos significativos nos rebanhos como abortos em fêmeas infectadas. Além de representar riscos à saúde pública e às exportações. Segundo Luciana Oliveira, coordenadora do PNCEBT em Minas Gerais:

    “A superação da meta demonstra o comprometimento dos produtores mineiros, das entidades do setor e o papel fundamental do IMA em garantir a sanidade dos rebanhos e a segurança alimentar. Esse marco fortalece nosso status sanitário e contribui para o desenvolvimento sustentável do setor”.

    Entre as regiões mineiras, o Vale do Jequitinhonha liderou com 92,5% de cobertura vacinal, seguido pela região Oeste (89,3%) e pela Zona da Mata (88,4%). No Triângulo Mineiro, municípios como Monte Alegre de Minas (92,6%), Patrocínio (84,7%) e Coromandel (89,4%) se destacaram pelos altos índices de imunização.

    As unidades do IMA também registraram avanços significativos: Passos liderou com 94,4%, enquanto Almenara alcançou 92,5%, ambas superando os índices do ano anterior. Montes Claros registrou alta de 8,4%, atingindo 80% em 2024.

    Atualização obrigatória dos rebanhos em 2025

    Os produtores rurais devem atualizar os dados dos rebanhos entre 1º de maio e 30 de junho de 2025, informando ao IMA as espécies e quantidades de animais presentes nas propriedades. Essa atualização é essencial para manter um banco de dados confiável que sustente ações de vigilância sanitária, controle de doenças e rastreabilidade da produção agropecuária no estado.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Vietnã reabre mercado para carne bovina brasileira após quase 10 anos
    + Agro em Campo: Exportadores de frutas espanhóis visitam Porto de Santos

  • Calendário vacinal: garantia de sanidade e sustentabilidade na pecuária

    Calendário vacinal: garantia de sanidade e sustentabilidade na pecuária

    A organização do calendário vacinal dos rebanhos é essencial para promover a sanidade animal, aumentar a produtividade e garantir a sustentabilidade econômica no setor pecuário. Apesar da erradicação da febre aftosa no Brasil, os pecuaristas devem manter a vacinação contra outras doenças, como brucelose, leptospirose e clostridioses, para assegurar a competitividade no mercado global de carne.

    Garantir a sanidade do rebanho é uma das principais preocupações dos pecuaristas, impactando diretamente na produtividade, na segurança alimentar e na sustentabilidade econômica do setor. Um calendário vacinal bem estruturado, com reforços adequados, é crucial para proteger os animais contra doenças infecciosas e preservar o desempenho da produção pecuária.

    Em 2023, o rebanho bovino brasileiro cresceu 1,6%, alcançando um recorde de 238,6 milhões de animais, conforme a pesquisa Produção da Pecuária Municipal divulgada pelo IBGE em setembro de 2024. Com o segundo maior efetivo bovino do mundo, o Brasil possui mais cabeças de gado do que habitantes (211,7 milhões), refletindo a importância do setor para a economia do país. Esse crescimento exige maior responsabilidade sanitária para evitar a propagação de doenças como febre aftosa, brucelose e clostridioses.

    Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa

    Em 2024, o Brasil avançou no Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PE-PNEFA) e se tornou livre da doença sem vacinação. Essa conquista histórica abre portas para exportação a mercados mais exigentes, como Japão e Coreia do Sul. O país aguarda agora a decisão da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) sobre o reconhecimento oficial desse novo status sanitário.

    “Mesmo com a erradicação da febre aftosa, os pecuaristas precisam continuar atentos ao calendário vacinal, garantindo que os animais recebam proteção em tempo apropriado também para outras doenças”, afirma Guilherme Caldeira, diretor de Categorias da Axia Agro. Ele destaca que o compromisso com o cronograma de administração de vacinas contribui para o bem-estar animal e a sustentabilidade econômica do negócio.

    A manutenção da saúde do rebanho por meio de um calendário vacinal organizado é fundamental para prevenir surtos que possam se propagar rapidamente, aumentar a longevidade e a produtividade do rebanho, minimizar as perdas econômicas e garantir a segurança alimentar. A imunização recomendada inclui vacinas contra brucelose (B-19 e RB-51), vacinas polivalentes (clostridioses), vacina contra leptospirose e vacinas contra doenças respiratórias.

    “A falta de vacinação pode gerar impactos significativos, como perda de peso do animal e aumento de gastos com tratamento”, reforça Caldeira.

    Implementação do calendário vacinal nas fazendas

    Para um manejo eficiente da vacinação, é importante consultar um veterinário para avaliar as necessidades específicas do rebanho. A elaboração do cronograma deve considerar a idade dos animais e as temporadas endêmicas. Além disso, é essencial manter uma documentação rigorosa das vacinas administradas.

    Além disso, a capacitação da equipe e a avaliação constante das necessidades de ajustes são fundamentais. O uso de tecnologia pode auxiliar na programação e monitoramento das taxas de vacinação.

    “Os reforços vacinais também devem ser observados. A frequência pode variar conforme a vacina e as recomendações locais”, complementa Caldeira.

    A adoção de um calendário vacinal estruturado, aliada ao uso de tecnologias e boas práticas sanitárias, é decisiva para garantir a sanidade dos rebanhos e manter a competitividade do Brasil no mercado global de carne bovina.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Chuvas impactam produção de banana no Paraná
    + Agro em Campo: Mills investe R$ 80 milhões em tratores John Deere