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  • UE começa auditoria no Brasil a dias de possível bloqueio às exportações

    UE começa auditoria no Brasil a dias de possível bloqueio às exportações

    Técnicos da União Europeia (UE) iniciam nesta segunda-feira (24) uma missão de duas semanas no Brasil para avaliar os sistemas de produção, processamento e fiscalização de carne de aves e mel. A visita acontece a poucos dias da entrada em vigor de uma medida que pode interromper parte das exportações brasileiras de produtos de origem animal ao bloco.

    O principal foco da missão será verificar como o Brasil controla o uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas. A avaliação poderá pesar no processo para que o país volte a integrar a lista de fornecedores considerados aptos a exportar esses produtos para o mercado europeu.

    A medida europeia passa a valer em 3 de setembro e alcança categorias como carne bovina, carne de aves, pescado e mel. A decisão de retirar o Brasil da lista foi tomada em maio e posteriormente formalizada em regulamento publicado pela Comissão Europeia. O bloco alegou não ter recebido garantias suficientes sobre o cumprimento das exigências relacionadas ao uso de determinados medicamentos antimicrobianos.

    Em julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que as negociações técnicas continuavam e afirmou que o Brasil não havia pedido flexibilização das normas sanitárias europeias, mas buscava demonstrar o cumprimento integral das exigências do mercado.

    Setor de aves espera resultado positivo

    Entre representantes da cadeia de aves, a expectativa é de que a auditoria transcorra sem grandes problemas.

    Segundo fontes ouvidas sob reserva, as empresas que vendem para a Europa já adotam há bastante tempo procedimentos específicos para esse mercado, incluindo a segregação dos animais destinados à UE e a não utilização de antimicrobianos como promotores de crescimento.

    A inspeção, portanto, será uma oportunidade para que os técnicos europeus acompanhem essas práticas diretamente nas unidades brasileiras.

    Ainda assim, um eventual retorno do país à lista de exportadores autorizados dependerá exclusivamente de uma nova decisão das autoridades europeias.

    Exportações podem ser interrompidas em setembro

    Mesmo com a presença da missão no país, existe a possibilidade de os embarques serem interrompidos a partir de 3 de setembro, ainda que temporariamente.

    Equipes oficiais que atuam nos frigoríficos já receberam orientação para não certificar, a partir dessa data, mercadorias que não estejam em conformidade com os requisitos europeus referentes ao uso de antimicrobianos.

    A legislação que retira o Brasil da relação de fornecedores habilitados tem aplicação prevista justamente para 3 de setembro de 2026.

    Para que o país volte à lista, será necessária uma decisão do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff), ligado à Comissão Europeia. Reuniões extraordinárias podem ser convocadas, mas o próximo encontro regular está previsto apenas para novembro, segundo fonte a par das negociações.

    Mercado europeu movimenta milhões para o frango brasileiro

    O impasse ocorre em um mercado relevante para a avicultura nacional.

    Em 2026, o Brasil já exportou 226,2 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, com faturamento próximo de US$ 680 milhões, segundo dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura.

    Somente em julho, os embarques alcançaram 36,8 mil toneladas, movimentando aproximadamente US$ 104,2 milhões.

    Uma interrupção nas vendas, portanto, pode afetar frigoríficos habilitados para atender ao mercado europeu, mesmo que a paralisação seja revertida posteriormente.

    Missão vai visitar empresas em três estados

    A agenda dos técnicos europeus começa com reuniões com representantes do Ministério da Agricultura em Brasília.

    Na sequência, a equipe deve visitar quatro empresas de carne de aves habilitadas a exportar para a União Europeia, localizadas no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

    A missão também inclui inspeções em apiários paranaenses, uma indústria de processamento de mel no interior de São Paulo e agências estaduais de defesa agropecuária.

    Os representantes europeus permanecem no Brasil até 4 de setembro, quando está prevista uma reunião de encerramento em Brasília.

  • Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (18) que acredita que o Brasil será reincluído ainda em 2026 na lista de países autorizados a exportar proteínas animais e derivados para a União Europeia (UE).

    A expectativa ocorre após o bloco europeu retirar o Brasil da relação de países autorizados a fornecer determinados produtos de origem animal. A medida, relacionada às exigências sobre o controle do uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas, está prevista para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026.

    No entanto, a eventual reinclusão na lista não significa que todas as cadeias voltarão a exportar imediatamente.

    Carne bovina pode demorar mais para retornar

    André de Paula explicou que o prazo para a retomada dos embarques dependerá do ciclo de produção de cada cadeia animal.

    No caso da carne bovina, por exemplo, o ministro afirmou que não há expectativa de retorno imediato, porque o ciclo de produção do gado é mais longo.

    “O que nós estamos brigando é para que nós sejamos reincluídos na lista porque na lista, quando inclui um país, não quer dizer que vai comprar do país, quer dizer que o país está habilitado a lhe fornecer. Se voltarmos, como vamos voltar à lista, aí você terá a sinalização para que, em tendo a carne nas condições em que o mercado europeu exige, você fornece”, afirmou em entrevista à rádio Nova Brasil Recife.

    O ministro também destacou que a reinclusão depende da adequação dos produtos brasileiros às exigências sanitárias europeias.

    “A luta no primeiro momento, que estamos trabalhando e tenho certeza que vamos ter sucesso, é para realistar o Brasil. No segundo momento, vamos ter o produto de acordo com as exigências colocadas pelo mercado europeu e vamos voltar a fornecer nossa carne bovina, nossas aves, nosso pescado, nosso mel, nossos ovos”, acrescentou.

    Exigências sobre antimicrobianos

    A retirada do Brasil da lista europeia está relacionada à necessidade de comprovação de que os requisitos do bloco sobre antimicrobianos são cumpridos ao longo da cadeia produtiva.

    A questão envolve mecanismos de controle, certificação e rastreabilidade capazes de demonstrar a conformidade dos produtos destinados ao mercado europeu. A decisão europeia não equivale, por si só, à constatação de contaminação da carne brasileira.

    Além disso, o ministro salientou que ficar fora da lista pode gerar impactos além do mercado europeu.

    Outros países podem seguir exigências da UE

    Segundo André de Paula, entre 10 e 18 países também seguem exigências sanitárias baseadas nas regras europeias e poderiam adotar medidas semelhantes.

    “A União Europeia é um mercado importante e muitos países regulam as exigências sanitárias que fazem a partir da regulação da UE. Não poder fornecer para a UE tem como implicação também não fornecer para [uma lista de] 10 a 18 países que seguem essas regras. Ainda não estão definidos, mas como seguem as regras, podem seguir no mesmo caminho”, afirmou André de Paula.

    Recentemente, a Noruega decidiu acompanhar a decisão europeia e não comprar os produtos a partir de 3 de setembro.

    Governo espera retomar fornecimento

    Questionado sobre o restabelecimento do fornecimento, o ministro disse que a normalização do comércio pode demorar para algumas cadeias.

    “Trabalhamos para realistar, sim, nesse semestre. O fornecimento depende muito do período da cadeia”, completou.

    “Imagino que a carne bovina não [volte em setembro] porque temos um ciclo do boi muito maior que o da ave. Essas pactuações permitem que rapidamente, como o ciclo da ave é 45 dias, possamos ter aves que estejam aptas a voltar a ter o status de estar na lista de países que fornecem a Europa”, explicou.

    Negociações envolvem diferentes áreas do governo

    André de Paula afirmou que o governo brasileiro trabalha em diferentes frentes para tentar solucionar a questão.

    Segundo ele, a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura participa das negociações técnicas, enquanto o chanceler Mauro Vieira atua na frente diplomática e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa das negociações em nível de Estado.

    “Estamos trabalhando intensamente para que isso [interrupção no fornecimento] não ocorra. Tenho expectativa favorável em relação a essa questão”, disse.

    “É uma questão tão importante que envolve todos os níveis do governo (…) Tem a esfera diplomática, e o chanceler Mauro Vieira está envolvido, e próprio presidente Lula participa dessas questões com negociações diretas com as maiores autoridades da comunidade europeia. É um esforço que envolve o país todo”, completou.

    Ministro cita interesses comerciais nas negociações

    André de Paula disse ainda que “por trás das questões técnicas tem questões econômicas e políticas” e, por isso, as negociações são intensas.

    “A carne bovina brasileira tem competitividade enorme. Muitos países da Europa têm carne oito vezes mais cara que a nossa. É evidente que por trás de exigências sanitárias também existem interesses que a gente compreende. Todo país luta para proteger seus produtores e isso exige diálogo”, explicou.

    O ministro também lembrou que há interesses de países europeus em manter o comércio de seus produtos com o Brasil e afirmou que o governo brasileiro possui “instrumentos importantes” nas negociações.

    “A França tem interesse na exportação de vinho, a Espanha do azeite. Todos têm seu interesse. É uma pactuação que envolve o governo todo”, concluiu.

  • Embrapa descobre nova bactéria ligada a doença em bovinos

    Embrapa descobre nova bactéria ligada a doença em bovinos

    Pesquisadores da Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Instituto Biológico (IB), identificaram uma nova espécie de bactéria associada à ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB).

    Conhecida entre produtores como mal do olho, doença do olho gordo ou pinkeye, a enfermidade afeta principalmente bovinos jovens e pode comprometer a visão dos animais.

    A nova espécie foi denominada Moraxella tarda e foi isolada da mucosa nasal de bovinos da raça Hereford que apresentavam sinais iniciais da doença.

    Nova espécie de bactéria foi identificada em bovinos

    A pesquisa envolveu equipes da Embrapa Pecuária Sul, Embrapa Gado de Leite e Embrapa Gado de Corte.

    As coletas foram realizadas em campo, na Embrapa Pecuária Sul, no Rio Grande do Sul. Depois, as amostras foram encaminhadas para análises em laboratórios das unidades de Gado de Leite, em Minas Gerais, e Gado de Corte, em Mato Grosso do Sul.

    Segundo os pesquisadores, o trabalho começou em 2018, com as primeiras coletas realizadas em campo.

    “Essa conquista reflete uma jornada que começou em 2018 com as coletas em campo. O depósito nessas coleções valida definitivamente Moraxella tarda no catálogo global de microrganismos”, afirma a pesquisadora Marta Martins, autora correspondente da publicação.

    Ainda de acordo com a pesquisadora, a descoberta foi resultado da cooperação entre as equipes e instituições envolvidas no estudo.

    Bactéria tem características genéticas próprias

    As amostras passaram por análises bioquímicas, fisiológicas e genômicas para determinar as características do microrganismo.

    O processo permitiu diferenciar a nova espécie de outras bactérias do gênero Moraxella já associadas à enfermidade, como M. bovis e M. bovoculi.

    O sequenciamento completo do genoma indicou que a bactéria possui identidade genética própria, característica utilizada pelos pesquisadores para sua classificação.

    Para que a descoberta fosse reconhecida internacionalmente, também foram seguidos os critérios taxonômicos necessários para a descrição de uma nova espécie bacteriana.

    Amostras foram depositadas em coleções microbiológicas

    Parte das amostras de Moraxella tarda foi depositada em coleções microbiológicas da Bélgica, de Portugal e do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

    Esse depósito faz parte do processo necessário para a validação científica de uma nova espécie bacteriana.

    O procedimento também permite que o microrganismo fique disponível para futuras pesquisas e análises científicas.

    A escolha do nome

    O nome Moraxella tarda está relacionado ao comportamento da bactéria durante o crescimento em laboratório.

    Segundo os pesquisadores, outras espécies do gênero costumam formar colônias em aproximadamente 24 horas. Já o novo microrganismo leva cerca de 48 horas para apresentar crescimento visível.

    A característica chamou a atenção da equipe durante as análises e levou à realização de investigações adicionais, que confirmaram tratar-se de uma espécie inédita.

    Descoberta pode ajudar no controle da doença

    A identificação da bactéria amplia o conhecimento científico sobre a ceratoconjuntivite infecciosa bovina e pode contribuir para novas pesquisas relacionadas ao diagnóstico, à prevenção e ao controle da enfermidade.

    O pesquisador da Embrapa Fernando Cardoso, um dos autores do trabalho, destaca que a descoberta pode contribuir para estudos envolvendo diferentes estratégias de controle.

    Segundo ele, o conhecimento sobre o microrganismo pode ser importante para o desenvolvimento de vacinas polivalentes, além de estratégias como seleção de animais mais resistentes e medidas de manejo.

    A descoberta, portanto, não significa que exista atualmente uma vacina específica disponível contra a nova espécie. Ela representa uma nova informação científica que pode subsidiar pesquisas futuras.

    O que é a ceratoconjuntivite infecciosa bovina?

    A ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB) é uma enfermidade ocular que afeta bovinos, principalmente bezerros e animais de raças europeias, também chamadas de taurinas.

    Entre os principais sinais estão:

    • inflamação nos olhos;
    • dor;
    • lacrimejamento;
    • lesões e úlceras na córnea;
    • comprometimento da visão.

    Em casos mais graves, a enfermidade pode provocar perda parcial ou total da visão.

    Além dos impactos sobre o bem-estar dos animais, a doença também pode trazer consequências para a produtividade do rebanho. A dor contínua tende a reduzir o apetite e o ganho de peso.

    O tratamento também exige manejo frequente dos animais, aumentando o trabalho necessário dentro da propriedade rural.

  • Com novo caso de raiva bovina, SC já tem 27 mortes pela doença em 2026

    Com novo caso de raiva bovina, SC já tem 27 mortes pela doença em 2026

    Um novo caso de raiva bovina foi confirmado em Santa Catarina. Segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc), o animal que morreu e teve diagnóstico positivo para a doença estava na mesma propriedade rural de Itapiranga, na região Oeste do Estado, onde um foco já havia sido registrado em julho.

    Com a nova ocorrência, o número de mortes de animais provocadas pela enfermidade em Santa Catarina em 2026 subiu para 27. O caso reforçou o alerta das autoridades sanitárias para que os pecuaristas vacinem os rebanhos e monitorem a presença de morcegos hematófagos, principais transmissores do vírus.

    Onde os casos foram registrados

    Os municípios catarinenses com ocorrências confirmadas de raiva bovina em 2026 são Pescaria Brava, com seis casos, e Chapecó, com quatro. Orleans registrou três ocorrências, enquanto Angelina, Gravatal e Itapiranga somam dois casos cada.

    Já Apiúna, Bocaína do Sul, Caçador, Criciúma, Indaial, Major Gercino, São Francisco do Sul e São José do Cedro tiveram um caso confirmado cada um.

    Doença sem cura também atinge humanos

    A raiva bovina, também chamada de raiva dos herbívoros, é uma doença viral que afeta o sistema nervoso central e não tem cura.

    Os bovinos não são os únicos animais de produção envolvidos no ciclo da doença: equinos, ovinos, caprinos e suínos, além de animais silvestres e seres humanos, também podem ser acometidos pela enfermidade.

    Como o vírus é transmitido?

    O transmissor da raiva bovina é o Desmodus rotundus, conhecido como morcego-vampiro. O animal transmite o vírus por meio da saliva durante a mordida, quando tenta se alimentar do sangue do hospedeiro. Depois da infecção, o período de incubação costuma variar entre 30 e 90 dias.

    Portanto, a principal medida de prevenção continua sendo a vacinação dos rebanhos. A Cidasc também orienta os produtores a observarem possíveis abrigos de morcegos hematófagos, como troncos ocos de árvores, cavernas, telhados e casas abandonada.

    Sintomas que merecem atenção

    Entre os principais sinais da raiva bovina em animais infectados estão a mudança de comportamento e a perda de apetite, seguidas de salivação excessiva e falta de coordenação motora. Em estágios mais avançados, o animal costuma apresentar fraqueza generalizada e dificuldade para se levantar.

    Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação é isolar o animal suspeito e acionar imediatamente a Cidasc ou o serviço veterinário local.

  • Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Uma das pragas mais temidas da pecuária voltou ao centro das atenções nos Estados Unidos. O governo americano anunciou um novo pacote de investimentos para impedir o avanço da mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo, inseto capaz de provocar ferimentos graves e até matar animais quando o tratamento não ocorre a tempo.

    Desta vez, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) destinou US$ 25 milhões para construir uma unidade de distribuição de moscas estéreis em Douglas, no Arizona. A medida fortalece a barreira sanitária na fronteira com o México e amplia a capacidade de resposta diante da ameaça.

    Como a mosca-da-bicheira ameaça os rebanhos

    O perigo não está na mosca adulta, mas nas larvas.

    As fêmeas procuram feridas abertas em bovinos, ovinos, caprinos, equinos e outros animais de sangue quente. Em seguida, depositam os ovos sobre esses machucados.

    Pouco tempo depois, as larvas eclodem e passam a consumir tecido vivo. Como consequência, a lesão aumenta rapidamente e favorece infecções secundárias.

    Sem tratamento imediato, o quadro se agrava. Além de perder peso, o animal sofre intenso estresse e pode morrer nos casos mais graves.

    Embora a pecuária concentre a maior parte dos prejuízos, o parasita também pode atingir animais silvestres, cães, gatos e, em situações raras, seres humanos.

    Técnica reduz a população do inseto

    Em vez de depender apenas de produtos químicos, os Estados Unidos apostam em uma estratégia biológica desenvolvida há décadas.

    O método consiste na criação de milhões de machos estéreis em laboratório.

    Depois disso, equipes especializadas liberam esses insetos nas áreas de risco.

    Ao cruzarem com as fêmeas selvagens, eles impedem o nascimento de novas gerações. Assim, a população da praga diminui gradualmente até desaparecer em determinadas regiões.

    Por isso, especialistas consideram essa tecnologia uma das ferramentas mais eficientes já utilizadas no controle da mosca-da-bicheira.

    Nova estrutura amplia a defesa na fronteira

    O novo centro funcionará em Douglas, cidade localizada na divisa entre os Estados Unidos e o México.

    A escolha não ocorreu por acaso. A região representa uma das principais portas de entrada para animais provenientes do território mexicano.

    Com a nova unidade, o USDA espera acelerar a distribuição das moscas estéreis sempre que surgirem focos da praga.

    Ao mesmo tempo, o governo mantém outro projeto estratégico em andamento: a construção de uma fábrica de grande porte no Texas, responsável pela produção em larga escala desses insetos.

    Juntas, as duas estruturas deverão ampliar significativamente a capacidade de resposta das autoridades sanitárias.

    Avanço da praga elevou o nível de alerta

    Foto: USDA

    Nos últimos meses, a identificação de novos focos na América Central e no México aumentou a preocupação do setor pecuário americano.

    Diante desse cenário, o USDA endureceu temporariamente as regras para a entrada de bovinos mexicanos.

    Agora, entretanto, o governo iniciou uma reabertura gradual das importações.

    Douglas será o primeiro ponto autorizado a receber animais novamente. Ainda assim, cada etapa dependerá do cumprimento rigoroso das medidas sanitárias estabelecidas pelas autoridades americanas.

    Restrição também afetou o mercado

    As limitações impostas às importações reduziram a oferta de bovinos para frigoríficos dos Estados Unidos.

    Como resultado, os preços da carne permaneceram elevados durante vários meses.

    Mesmo assim, técnicos do governo avaliam que reforçar o controle sanitário continua sendo mais vantajoso do que enfrentar uma disseminação ampla da praga em regiões produtoras.

    Segundo eles, um surto de grandes proporções poderia provocar prejuízos muito superiores aos impactos temporários sobre o mercado.

    Brasil também acompanha a situação

    Embora o investimento tenha como foco o território americano, o assunto interessa diretamente aos pecuaristas brasileiros.

    A mosca-da-bicheira ocorre em diversos países das Américas e exige monitoramento permanente das propriedades rurais.

    Por isso, veterinários orientam os produtores a examinarem qualquer ferida identificada nos animais.

    Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, maiores serão as chances de recuperação e menores tendem a ser os prejuízos econômicos.

    Além disso, boas práticas de manejo, inspeções frequentes e programas de vigilância sanitária continuam sendo fundamentais para preservar a saúde dos rebanhos e garantir a competitividade da pecuária no mercado internacional.

  • Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    A gripe aviária ampliou a atenção sobre a importância do diagnóstico precoce na produção animal e reforçou o papel da biologia molecular na vigilância sanitária. Técnicas como a PCR em tempo real permitem identificar agentes infecciosos antes mesmo do surgimento dos primeiros sinais clínicos. Com isso, produtores, profissionais da medicina veterinária e autoridades sanitárias conseguem agir com mais rapidez diante de possíveis ameaças aos plantéis.

    Para Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, empresa brasileira especializada em soluções para diagnóstico molecular, a mudança acompanha um cenário em que a sanidade animal passou a exigir monitoramento cada vez mais preciso e contínuo. Segundo ela, os desafios enfrentados pelos aviários estão relacionados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e também à necessidade de reduzir o uso de antibióticos.

    “Os desafios de sanidade e controle de doenças em aviários estão cada vez mais ligados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e à necessidade de reduzir o uso de antibióticos”, afirma Tatiani.

    Na avaliação da especialista, a vigilância molecular permite antecipar a identificação de agentes causadores de doenças. Dessa forma, a produção pode responder mais rapidamente diante de um risco sanitário, reduzindo a possibilidade de perdas e fortalecendo as medidas de controle.

    “Com a vigilância molecular, hoje conseguimos identificar a presença do agente causador muito antes da manifestação clínica, permitindo decisões rápidas que reduzem perdas produtivas, minimizam riscos sanitários e fortalecem toda a cadeia do agronegócio”, explica.

    A preocupação ganhou força diante da experiência recente com a influenza aviária de alta patogenicidade, considerada uma das principais ameaças à produção animal global. O cenário reforçou a necessidade de ampliar a vigilância laboratorial e adotar ferramentas capazes de identificar a circulação de agentes infecciosos com maior antecedência.

    Vigilância molecular amplia capacidade de prevenção

    De acordo com Tatiani, o diagnóstico molecular não se limita à identificação inicial de um agente infeccioso. A tecnologia também permite caracterizar geneticamente vírus e bactérias, acompanhar mutações, identificar variantes e compreender as possíveis rotas de disseminação dos patógenos.

    Essas informações ajudam a orientar decisões relacionadas à biossegurança e aos programas sanitários. Na prática, o monitoramento oferece elementos para que produtores e autoridades possam avaliar riscos e definir estratégias de controle de maneira mais rápida e precisa.

    A especialista avalia que a experiência com doenças de grande impacto econômico demonstrou a importância de investir em prevenção antes que um surto esteja instalado. Entre os exemplos estão a própria influenza aviária, a peste suína africana e a febre aftosa.

    Para a avicultura, esse acompanhamento contínuo representa uma ferramenta adicional de proteção dos plantéis. Além disso, a capacidade de identificar riscos com antecedência pode contribuir para reduzir impactos econômicos e preservar a regularidade das operações.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais”, destaca Tatiani.

    A afirmação resume uma mudança de estratégia na sanidade animal. Em vez de concentrar as ações apenas na resposta a uma doença já manifestada, a vigilância molecular permite trabalhar com uma lógica de acompanhamento permanente.

    Diagnóstico molecular chega a outras doenças

    A evolução das ferramentas de diagnóstico também ampliou o uso dos exames moleculares para outras enfermidades de importância econômica. Além da influenza aviária, os testes vêm sendo utilizados na detecção de doenças como brucelose, tuberculose bovina, leptospirose, mastite e diarreia neonatal.

    Tatiani explica que a ampliação dessas aplicações acompanha a necessidade de diagnósticos mais rápidos e precisos na medicina veterinária. A identificação antecipada de agentes pode apoiar decisões clínicas e contribuir para um controle sanitário mais eficiente dos rebanhos.

    Esse movimento também ganha relevância diante das exigências dos mercados internacionais. A manutenção de padrões sanitários rigorosos é um fator importante para a competitividade da agropecuária brasileira. Por isso, a capacidade de monitorar doenças e demonstrar controle sanitário contribui para proteger a produção e manter a confiança dos compradores.

    Na visão da especialista, o diagnóstico molecular tende a ocupar um espaço cada vez mais permanente na rotina da produção animal. O objetivo é transformar a vigilância em uma prática contínua, capaz de identificar riscos antes que eles provoquem impactos maiores.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais. O diagnóstico molecular passou a ser um investimento permanente em biossegurança, porque monitorar continuamente custa muito menos do que lidar com os prejuízos provocados por um surto sanitário”, afirma Tatiani.

    A adoção dessas ferramentas, portanto, amplia a capacidade de prevenção e resposta da cadeia produtiva. Na avicultura, o diagnóstico precoce se soma às medidas de biossegurança para reduzir riscos e proteger os plantéis.

    Ao mesmo tempo, o uso contínuo da vigilância molecular pode contribuir para preservar a produtividade, reduzir perdas e fortalecer a posição da produção brasileira no mercado internacional. Assim, o diagnóstico deixa de ser apenas uma etapa diante de uma suspeita e passa a integrar uma estratégia permanente de proteção da atividade agropecuária.

  • Câncer transmissível é encontrado em peixe-gato

    Câncer transmissível é encontrado em peixe-gato

    Desde 2012, pescadores e biólogos vêm relatando um aumento preocupante de bagres-marrons (Ameiurus nebulosus) com lesões escuras na pele, no lago Memphremagog, localizado entre Estados Unidos e Canadá. Em 2014, quase um em cada três exemplares apresentava as manchas.

    Um novo estudo publicado na revista Nature revelou a causa: trata-se de um melanoma, tipo de câncer de pele — e, mais importante, o primeiro câncer transmissível já identificado em uma espécie de água doce, sendo apenas o quarto caso documentado em todo o reino animal.

    Outros três casos de câncer transmissível conhecidos

    Antes desta descoberta, a ciência já havia identificado:

    • O tumor facial do diabo-da-tasmânia
    • O tumor venéreo transmissível em cães
    • Patologias semelhantes à leucemia em bivalves, como amêijoas e mexilhões

    Testes de DNA confirmam origem tumoral

    Como o bagre-marrom vive no fundo dos corpos d’água e é usado como indicador de qualidade ambiental, a primeira suspeita recaiu sobre algum patógeno ou poluente.

    “No começo, pensávamos que essa doença pudesse ser causada por um vírus, mas isso não fazia muito sentido”, explicou Julie Dragon, codiretora do estudo, em comunicado da Universidade de Vermont.

    Por meio de sequenciamento genético completo, a equipe comparou o DNA dos tumores com o de tecidos saudáveis dos mesmos peixes. O resultado surpreendeu os pesquisadores: as células cancerígenas estavam muito mais próximas geneticamente entre si do que do peixe hospedeiro que as carregava.

    As células agem como um parasita, passando de um animal para outro, e não como um tumor comum, que se origina no próprio corpo do hospedeiro — Foto: Reprodução/Redes Sociais

    Como o câncer se espalha entre os peixes

    A equipe ainda investiga os mecanismos exatos de transmissão. Até agora, os dados indicam que a doença afeta principalmente peixes maiores e em idade reprodutiva.

    “Talvez algum aspecto do comportamento reprodutivo provoque a propagação do câncer entre os animais”, disse Mark Henderson, coautor da pesquisa.

    Duas hipóteses estão sendo avaliadas pelos cientistas:

    • Durante a desova, os bagres se aglomeram em águas rasas, favorecendo o contato físico direto
    • Por não terem escamas e viverem no fundo, esses peixes têm contato constante com sedimentos que podem abrigar células tumorais soltas

    Segundo o estudo, contaminantes ambientais ou alterações hormonais também podem enfraquecer o sistema imunológico dos animais, tornando-os mais suscetíveis à infecção.

    Existe risco para humanos?

    O lago Memphremagog abastece de água potável mais de 175 mil pessoas. Segundo os pesquisadores, não há risco conhecido à saúde humana: as células cancerígenas não conseguem infectar nem sobreviver em outras espécies, o que permite manipular e estudar os peixes com segurança.

    Ainda assim, Henderson faz uma ressalva: “Eu não comeria os que têm tumores”

    Ele estima que cerca de 30% dos bagres-marrons do lago apresentem sinais da doença.

    Para Elizabeth Murchison, especialista em câncer transmissível da Universidade de Cambridge, a descoberta amplia a compreensão sobre esse tipo raro de doença. Em entrevista ao New York Times, ela destacou que achados como esse reforçam a ideia de que cânceres transmissíveis podem surgir em qualquer espécie, inclusive na humana, embora nenhum caso desse tipo tenha sido registrado até hoje.

  • Governo endurece posição contra exigência da UE para exportação de carnes

    Governo endurece posição contra exigência da UE para exportação de carnes

    O Ministério da Agricultura endureceu o discurso contra a União Europeia e classificou como “inaceitável” a exigência de uma comprovação prévia do controle de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação de carnes. Em nota divulgada nesta quinta-feira (24), a Pasta também defendeu a permanência do Brasil na lista de países habilitados a exportar para o bloco europeu.

    Segundo o ministério, o reconhecimento do sistema sanitário brasileiro deve ser mantido, mesmo que parte da produção ainda precise de tempo para cumprir os novos requisitos exigidos pela União Europeia. Além disso, o governo afirmou que a implementação das medidas ocorre de forma gradual ao longo dos ciclos produtivos.

    Ministério critica exigências europeias

    O Ministério da Agricultura afirmou que as relações sanitárias internacionais devem ser baseadas na confiança e na transparência entre as autoridades responsáveis pelos sistemas oficiais de fiscalização. Por isso, considerou inadequada a exigência de uma comprovação integral antes da conclusão do processo de adaptação.

    Recentemente, o governo passou a fiscalizar todo o ciclo de produção das diferentes cadeias pecuárias em relação ao uso de antimicrobianos. Na bovinocultura, por exemplo, a certificação de animais livres das substâncias proibidas pela União Europeia pode levar pelo menos dois anos. Já na avicultura, esse período é de aproximadamente 40 dias.

    “O Brasil defende a manutenção deste sistema e considera inaceitável a exigência de comprovação prévia da implementação integral de medidas cuja execução ocorre de forma progressiva ao longo dos ciclos produtivos”, afirmou o Ministério da Agricultura.

    Além disso, a Pasta destacou que os sistemas oficiais de fiscalização têm a responsabilidade de verificar o cumprimento das normas e certificar apenas os produtos que atendem integralmente às exigências sanitárias.

    “As relações sanitárias internacionais são estruturadas sobre um princípio fundamental: confiança e transparência entre autoridades competentes. O reconhecimento internacional dos sistemas oficiais de controle sanitário baseia-se na capacidade demonstrada pelo país de estabelecer normas, fiscalizar seu cumprimento, adotar medidas corretivas e certificar, com credibilidade, os produtos que atendem aos requisitos acordados bilateralmente”, informou a nota.

    Governo mantém diálogo técnico com o bloco

    Enquanto as negociações continuam, o Ministério da Agricultura informou que segue em tratativas técnicas com a União Europeia sobre os critérios sanitários relacionados ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

    Ao mesmo tempo, a Pasta reforçou que o Brasil não solicitou flexibilização das normas europeias. Pelo contrário, reafirmou o compromisso de atender integralmente às exigências impostas pelos mercados importadores.

    Representantes da indústria frigorífica e do setor pecuário avaliam que a posição do governo fortalece a credibilidade do sistema sanitário brasileiro. Segundo fontes do setor, o país deve permanecer na lista de exportadores da União Europeia, mesmo que ainda não existam animais aptos para atender imediatamente aos novos critérios.

    Outro representante do setor disse que o governo adotou uma postura mais firme durante as negociações. Segundo ele, o Brasil não aceitará que a confiabilidade do sistema sanitário nacional seja colocada em dúvida.

    Permanência na lista não libera exportações automaticamente

    O Ministério da Agricultura esclareceu que integrar a lista de países autorizados não significa que todos os produtos brasileiros estejam automaticamente aptos para exportação.

    Na prática, esse reconhecimento demonstra que o país possui um sistema oficial considerado confiável para certificar apenas os produtos que cumprem os requisitos sanitários exigidos pelo mercado europeu.

    Além disso, a Pasta explicou que a disponibilidade de produtos varia conforme o ciclo produtivo de cada cadeia. Portanto, o tempo necessário para atender às exigências pode ser diferente entre bovinos, aves e outras produções.

    Segundo o ministério, a credibilidade do sistema está justamente na capacidade de impedir a certificação de produtos que ainda não atendem às normas estabelecidas.

    Comissão Europeia retirou o Brasil da lista em maio

    Em maio, a Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para o bloco a partir de 3 de setembro. A decisão ocorreu após questionamentos sobre a comprovação do não uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas brasileiras.

    Depois do anúncio, representantes da indústria frigorífica defenderam o banimento dessas substâncias como forma de demonstrar o compromisso do Brasil com as exigências europeias. No entanto, estimativas do setor indicam que a medida poderia elevar os custos da pecuária em cerca de US$ 2 bilhões por ano, principalmente com alimentação e medicamentos.

    Exportações movimentam US$ 1,8 bilhão

    A União Europeia importou 128 mil toneladas de carne bovina brasileira em 2025, volume que movimentou aproximadamente US$ 1 bilhão. Ao considerar todas as proteínas animais, o comércio entre Brasil e União Europeia alcançou US$ 1,8 bilhão no período.

    Além disso, o Ministério da Agricultura informou que já encaminhou à Comissão Europeia uma documentação técnica detalhando os mecanismos oficiais de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação adotados nas cadeias de carne bovina, aves, ovos, mel e produtos da pesca.

    Segundo a Pasta, os documentos demonstram como o sistema brasileiro garante o cumprimento dos requisitos sanitários exigidos pelo bloco europeu. Entretanto, as autoridades da União Europeia ainda não apresentaram uma manifestação conclusiva sobre o material enviado.

    Por fim, o ministério reafirmou o compromisso do Brasil com o atendimento integral das exigências sanitárias internacionais. Também destacou que continuará mantendo diálogo técnico com a União Europeia com base na ciência, na transparência e na cooperação entre as autoridades competentes.

  • Diagnóstico molecular fortalece combate à brucelose

    Diagnóstico molecular fortalece combate à brucelose

    O diagnóstico molecular da brucelose ganha cada vez mais espaço na pecuária brasileira. A tecnologia acelera a identificação da doença e fortalece as ações de vigilância sanitária. Dados do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT), atualizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em outubro de 2025, mostram que a enfermidade ainda apresenta diferentes níveis de ocorrência entre os estados. Por isso, especialistas defendem métodos mais rápidos e precisos para ampliar o controle da doença.

    A classificação do PNCEBT considera o risco epidemiológico em cada estado. Para isso, o programa analisa a prevalência de focos e a efetividade das ações de defesa sanitária. Santa Catarina é o principal destaque. O estado registrou prevalência de apenas 0,9% dos focos e tornou-se o único do País enquadrado na categoria de menor risco para brucelose bovina e bubalina.

    Além dos prejuízos econômicos, a enfermidade preocupa por seu impacto na saúde pública. Isso ocorre porque a brucelose é uma zoonose e também pode atingir seres humanos.

    Diagnóstico molecular da brucelose amplia a precisão

    Segundo Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, o Brasil avançou nos programas de controle. No entanto, ainda existem diferenças importantes entre as regiões.

    “Embora o Brasil tenha avançado nos programas de controle da brucelose, os dados mostram que a doença ainda apresenta comportamentos distintos entre os estados. Por isso, é cada vez mais importante investir em diagnósticos mais rápidos e precisos, capazes de apoiar decisões sanitárias em tempo oportuno e reduzir a circulação do agente nos rebanhos”, afirma.

    A rapidez na identificação dos animais infectados faz diferença no combate à enfermidade. Quanto menor o tempo entre a coleta da amostra e o resultado do exame, mais rapidamente as equipes sanitárias conseguem agir. Dessa forma, elas isolam os animais positivos, realizam a investigação epidemiológica e evitam novos focos nas propriedades.

    Os laboratórios ainda utilizam amplamente os métodos sorológicos tradicionais. Entretanto, em algumas situações, esses exames exigem análises complementares. Como consequência, o diagnóstico pode demorar mais. Nesse cenário, o diagnóstico molecular da brucelose permite identificar diretamente o material genético da bactéria. Assim, os profissionais obtêm resultados com mais rapidez e precisão.

    Tecnologia fortalece a vigilância sanitária

    A bactéria do gênero Brucella provoca a doença e afeta principalmente bovinos e bubalinos. Entre os principais prejuízos estão abortamentos, nascimento de animais debilitados, redução das taxas de prenhez, descarte precoce de matrizes e queda da produtividade nas propriedades rurais.

    Apesar dos avanços nos programas sanitários, o MAPA aponta desafios importantes. Entre eles estão o tamanho dos rebanhos, a cobertura vacinal, os diferentes sistemas de produção e a estrutura dos serviços veterinários. Esses fatores influenciam o controle da doença em todo o País.

    Ao mesmo tempo, cresce a demanda por exames laboratoriais. Por isso, a modernização dos laboratórios tornou-se estratégica. A automação e o diagnóstico molecular da brucelose ampliam a capacidade de processamento das análises. Além disso, padronizam procedimentos e reduzem o tempo necessário para a emissão dos resultados.

    “As ferramentas moleculares e os sistemas automatizados estão transformando a rotina laboratorial ao permitir maior produtividade, padronização dos processos e rapidez na obtenção dos resultados. Isso fortalece os programas de vigilância sanitária e amplia a capacidade de resposta diante de doenças que impactam tanto a produção animal quanto a saúde pública”, destaca Tatiani.

    Por fim, especialistas avaliam que a combinação entre vacinação, monitoramento epidemiológico, fiscalização e diagnóstico molecular da brucelose fortalece o controle da enfermidade. Com isso, o setor reduz a circulação do agente infeccioso, protege os rebanhos e amplia a competitividade da pecuária brasileira.

  • Brasil celebra 20 anos sem febre aftosa

    Brasil celebra 20 anos sem febre aftosa

    Em 2026, o Brasil completa 20 anos sem registros de focos de febre aftosa. A conquista ocorre um ano após o país receber o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação, consolidando um dos avanços sanitários mais importantes para o setor pecuário.

    O último registro da doença em território brasileiro ocorreu em 2006, quando focos foram identificados nos estados do Paraná e de Mato Grosso do Sul.

    No entanto, especialistas alertam que o cenário exige atenção permanente. Segundo o auditor fiscal federal agropecuário João Cavallero, a doença continua presente em diferentes partes do mundo e pode voltar a atingir países que já haviam conseguido controlá-la.

    “A febre aftosa continua sendo uma preocupação em diversos países. Mesmo nações que já haviam controlado a doença voltaram a registrar surtos nos últimos anos. Isso demonstra que a vigilância não pode ser relaxada”, observa.

    Um exemplo é o Uruguai, país vizinho da região Sul do Brasil. A nação chegou a conquistar o certificado de área livre de febre aftosa sem vacinação, mas posteriormente registrou novos casos da enfermidade. Como consequência, retomou a vacinação dos rebanhos, prática que permanece em vigor até hoje.

    Além disso, a preocupação com a circulação do vírus permanece em outras regiões do mundo. Em abril deste ano, a China comunicou a ocorrência de dois focos da doença em duas províncias. O episódio envolveu mais de 6 mil bovinos, dos quais 219 apresentaram sintomas compatíveis com a febre aftosa.

    Diante desse cenário, Cavallero destaca que a condição sanitária alcançada pelo Brasil resulta de um esforço contínuo de monitoramento e controle.

    “O status sanitário brasileiro não é permanente nem acontece por acaso. Ele depende de um sistema estruturado, baseado em vigilância ativa e análise de risco para impedir a entrada de enfermidades que possam comprometer a pecuária nacional”, explica.

    Impactos econômicos preocupam o setor

    A febre aftosa é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta bovinos, suínos, ovinos e outros animais de casco fendido. Devido à sua rápida disseminação, surtos da doença costumam gerar elevados prejuízos econômicos, principalmente pelos custos relacionados ao controle sanitário e pelas restrições impostas ao comércio internacional de carnes e produtos pecuários.

    Por isso, representantes do setor defendem a manutenção dos investimentos em vigilância e prevenção.

    De acordo com o vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Saúde Animal (Sindan), Emílio Salani, o retorno do vírus é considerado uma possibilidade concreta. O principal desafio, segundo ele, é garantir que o país esteja preparado para responder rapidamente a uma eventual emergência sanitária.

    “A dúvida não é se a aftosa vai reaparecer no Brasil, mas quando ela vai retornar e como vamos reagir”, afirma o vice-presidente do Sindan.

    Vizinhos seguem no radar das autoridades

    Entre os países vizinhos, a maior preocupação dos especialistas está relacionada à Venezuela, que ainda não possui reconhecimento sanitário oficial para a doença e apresenta limitações na divulgação de informações sobre sua situação epidemiológica.

    Por outro lado, a Bolívia recebeu há duas semanas o certificado de país livre de febre aftosa sem vacinação concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

    Status sanitário aumenta responsabilidade da cadeia pecuária

    Na avaliação dos auditores fiscais agropecuários, a conquista do reconhecimento internacional amplia a responsabilidade de toda a cadeia produtiva na preservação da sanidade animal.

    Além da atuação dos produtores rurais, o trabalho de fiscalização, monitoramento e controle de fronteiras é considerado essencial para evitar a entrada de enfermidades que possam comprometer a competitividade da pecuária brasileira.

    Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Janus Pablo Macedo, a manutenção desse patrimônio sanitário exige investimentos permanentes.

    “A credibilidade sanitária do Brasil é um ativo estratégico. A manutenção desse status depende de investimentos contínuos, estrutura adequada e valorização dos auditores fiscais federais agropecuários que atuam na proteção dos rebanhos, da economia e da imagem do país perante o mundo”, completa.