Tag: Receita Federal

  • Produtor rural precisa ficar atento à declaração do IR 2025

    Produtor rural precisa ficar atento à declaração do IR 2025

    Com o prazo final para entrega da Declaração do Imposto de Renda 2025 marcado para 30 de maio, os produtores rurais devem redobrar a atenção a três aspectos cruciais que podem fazer diferença na hora de evitar problemas com a Receita Federal. Especialistas alertam que questões relacionadas a doações, contratos de arrendamento e parcerias, além da nova classificação de pessoa física diferenciada, são os pontos que mais geram dúvidas e equívocos nesse período.

    Quando o assunto são doações, a advogada Viviane Morales, da Lastro Agronegócios, explica que existe um limite anual por CPF que muitos produtores desconhecem. Valores recebidos em doação de até 2.500 UFESPs (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo) estão isentos de declaração. Porém, quando esse limite é ultrapassado, passa a incidir o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), o que exige atenção redobrada na hora de preencher os dados.

    Viviane Morales é diretora administrativa da Lastro Agronegócios. Foto: Divulgação

    Outro ponto que costuma trazer complicações é a distinção entre contratos de arrendamento e parcerias rurais. Viviane alerta que muitos produtores cometem erros ao declarar essas operações. No arrendamento, o usuário da terra paga um valor fixo diretamente ao proprietário, sem dividir os riscos da atividade. Esse pagamento precisa constar como “pagamentos efetuados”, com a indicação do CPF do recebedor. Já nas parcerias, as partes compartilham tanto os lucros quanto os prejuízos, e devem registrar a operação como receita compartilhada. Confundir esses dois tipos de contrato pode levar a problemas na fiscalização.

    Novas classificações para pessoas física

    A novidade deste ano fica por conta da Portaria 505/24, que estabeleceu novas classificações para pessoas físicas de alto patrimônio. Agora, produtores rurais com renda anual acima de R$ 15 milhões ou patrimônio superior a R$ 30 milhões serão enquadrados como Pessoa Física Diferenciada. Para aqueles que ultrapassarem R$ 100 milhões em renda ou R$ 200 milhões em patrimônio, a classificação será de Pessoa Física Especial. Gustavo Venâncio, também da Lastro Agronegócios, reforça que esses produtores devem revisar cuidadosamente seus dados, já que a Receita Federal está intensificando a fiscalização sobre esse grupo.

    Gustavo Venâncio é diretor comercial da Lastro Agronegócios. Foto: divulgação

    Com o prazo final se aproximando, a recomendação é que os produtores rurais organizem com antecedência todos os documentos necessários, atualizem seus contratos. E, se possível, busquem orientação de um contador especializado em agronegócio. Esses cuidados podem fazer toda a diferença para evitar multas e garantir uma declaração dentro das normas estabelecidas pela Receita Federal.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Novos terroirs brasileiros ganham espaço no mercado
    + Agro em Campo: JBS convoca assembleia para votar dupla listagem na NYSE e B3

  • Rei do Gado: operação contra sonegação em venda de animais

    Rei do Gado: operação contra sonegação em venda de animais

    A Receita Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Maranhão lançaram a Operação Rei do Gado nesta quarta-feira (17). A ação visa desmantelar um esquema de fraude na venda de gado. O valor total é de R$ 1,4 bilhão entre julho de 2020 e abril de 2023. Segundo a Receita Federal, R$ 300 milhões em tributos federais foram sonegados.

    Rei do Gado

    A operação cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em municípios de São Paulo, Maranhão, Minas Gerais, além de Brasília, Goiânia e Palmas. Também houve um mandado de prisão preventiva cumprido em Brasília.

    A Justiça autorizou a suspensão de servidores públicos de suas funções e o bloqueio de bens dos envolvidos, totalizando R$ 67 milhões. Além disso, a Receita Federal utilizará as provas obtidas para identificar os reais fornecedores de gado, verificar a regularidade tributária e combater o uso de notas fiscais frias.

    De acordo com a Receita Federal, um grupo de servidores públicos facilitou a inserção de dados falsos em sistemas oficiais e fabricou Guias de Trânsito Animal (GTAs) fraudulentas. Contadores foram identificados como responsáveis pela emissão das notas fiscais frias.

    O esquema também envolve um núcleo de “laranjas”, usados como remetentes de mais de 6,9 mil notas fiscais avulsas fraudulentas. O total soma R$ 1,4 bilhão em vendas de 448.887 cabeças de gado. Ou seja, este grupo inclui líderes do esquema, seus familiares, empresas e funcionários.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Operação “Ossos do Ofício” combate produtos agropecuários ilícitos
    + Agro em Campo: Boi valorizado – oportunidade para confinamento

    As notas frias encobriam gado de produtores que omitiram receita em suas declarações de imposto de renda. Além disso, a Receita Federal investiga ainda compradores de gado e transportadores de animais que intermediavam as notas frias e revendiam o gado para abate em frigoríficos no Estado de São Paulo.

    Com esta operação, a Receita Federal e o MPMA buscam combater a sonegação fiscal e garantir a justiça tributária no setor de venda de gado.