A JBS apresentou uma proposta não vinculante para adquirir as ações da Pilgrim’s Pride (PPC) que ainda estão nas mãos de acionistas minoritários. A companhia já controla aproximadamente 82% da produtora de alimentos, com forte atuação no mercado de carne de frango.
Se a operação for aprovada e concluída, a JBS passará a controlar integralmente a Pilgrim’s e as ações da empresa americana poderão deixar de ser negociadas na Nasdaq.
A proposta prevê a troca de cada ação ordinária da Pilgrim’s por 2,086 ações Classe A da JBS.
A relação foi calculada considerando os preços de fechamento de 18 de agosto de 2026: US$ 13,66 por ação da JBS e US$ 28,49 por ação da Pilgrim’s Pride.
JBS busca adquirir participação restante da Pilgrim’s
Jeremiah O’Callaghan, presidente do conselho de administração da JBS, afirmou que as duas empresas trabalham juntas há mais de 16 anos, período em que a Pilgrim’s ampliou suas operações e presença internacional.
“Por mais de 16 anos, a JBS e a PPC trabalharam juntas enquanto a PPC expandia suas operações, fortalecia sua presença global e crescia significativamente sua receita”, afirmou.
Segundo O’Callaghan, a proposta permitiria que os atuais acionistas da Pilgrim’s continuassem expostos ao desempenho da companhia por meio da participação na JBS.
“Nós acreditamos que esta proposta ofereça aos acionistas da PPC a oportunidade de continuar a participar do desempenho futuro da PPC por meio da detenção de ações da JBS, com exposição a um negócio maior e mais diversificado globalmente”, declarou.
O executivo acrescentou que o relacionamento entre as empresas e o conhecimento das operações da Pilgrim’s devem contribuir para a continuidade das relações com empregados, clientes e parceiros comerciais durante o processo.
O que precisa acontecer para a operação avançar
A proposta não significa que a aquisição já foi concluída.
Antes disso, a operação deverá passar por diferentes etapas de análise e aprovação.
Entre elas estão:
avaliação por um comitê especial independente da Pilgrim’s Pride;
análise com apoio de consultores financeiros e jurídicos;
aprovação das instâncias competentes da companhia;
voto favorável da maioria exigida entre os acionistas da Pilgrim’s que não são ligados à JBS;
cumprimento das demais condições previstas para a conclusão da transação.
A JBS informou que a proposta não exige aprovação de seus próprios acionistas.
Caso todas as condições sejam atendidas e a transação seja concluída, as ações ordinárias da Pilgrim’s Pride poderão ser retiradas do registro e deixar de ser negociadas na Nasdaq.
O governo federal intensificou as negociações com a União Europeia para evitar que o Brasil seja retirado da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco. A medida preocupa o agronegócio brasileiro, principalmente a cadeia da carne bovina, já que as novas exigências entram em vigor a partir de setembro.
Durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), realizado em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o governo atua em diferentes frentes para reverter a decisão.
“Estamos trabalhando do ponto de vista técnico, diplomático e político para encontrar uma solução. Representantes brasileiros já participaram de reuniões com a Comissão Europeia para discutir alternativas.”
A União Europeia informou que o Brasil não comprovou integralmente o cumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.
O bloco europeu proíbe a utilização desses produtos como promotores de crescimento e exige um sistema capaz de comprovar que os animais não receberam substâncias vetadas desde o nascimento até o abate.
Caso não haja acordo, o Brasil poderá deixar de exportar determinados produtos de origem animal para o mercado europeu a partir de 3 de setembro.
Governo negocia período de transição
O Ministério da Agricultura tenta negociar um período de adaptação para que os produtores possam atender às novas exigências sem interromper o fluxo comercial.
Além disso, o governo avalia ampliar as restrições ao uso desses insumos em todo o território nacional, medida que hoje é aplicada principalmente às propriedades habilitadas para exportação ao mercado europeu.
Para André de Paula, manter o Brasil entre os fornecedores da União Europeia é fundamental.
“É inaceitável para o Brasil estar fora da lista.”
O ministro ressaltou que o país exporta alimentos ao bloco europeu há décadas e também atende mercados considerados igualmente ou até mais rigorosos em relação às normas sanitárias.
Setor teme impactos nas exportações
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que existe preocupação com o prazo necessário para adequação das propriedades.
Segundo ele, comprovar todo o histórico sanitário de um bovino exige acompanhar o animal desde o nascimento até o abate, processo que pode levar entre dois e três anos.
“Hoje há risco, mas temos esperança de que o governo brasileiro consiga negociar uma transição maior para manter o fluxo comercial com a Europa.”
Diversificação dos mercados segue como estratégia
Enquanto negocia com a União Europeia, o governo também busca ampliar a presença da proteína animal brasileira em novos mercados.
Entre as iniciativas está uma missão técnica da Coreia do Sul, prevista para agosto, que poderá abrir novas oportunidades para o setor.
Segundo André de Paula, essa estratégia reduz a dependência de compradores específicos e fortalece o agronegócio brasileiro diante de mudanças nas regras internacionais.
Brasil mantém presença global
O ministro destacou que o Brasil exporta produtos agropecuários para cerca de 180 países e territórios e já conquistou 664 aberturas de mercado.
De acordo com ele, esse desempenho demonstra a competitividade da produção nacional, a qualidade da carne brasileira e a credibilidade do sistema de defesa sanitária do país.
O Brasil abriu nesta terça-feira (4) a maior edição da história do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), em São Paulo. O evento reúne mais de 400 empresas expositoras e visitantes de mais de 60 países até quinta-feira (6/8) e consolidou-se como o principal ponto de encontro das cadeias produtivas de aves, suínos e ovos no país.
Autoridades durante a abertura oficial do SIAVS 2026. Foto: Alf Ribeiro | ABPA
Durante o discurso de abertura, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, atribuiu a liderança brasileira no setor a décadas de investimentos contínuos, e não a uma vantagem natural do país. “Isso mostra que a nossa liderança não foi herdada. Mas construída por gerações de produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores e profissionais que fizeram da produção de alimentos uma missão para o Brasil e para o mundo”, afirmou.
Genética, sanidade e inovação sustentam a posição do Brasil
Santin listou os pilares que, segundo ele, garantiram ao país a posição de destaque global: investimentos em genética, sanidade animal, tecnologia, inovação e integração entre produtores e agroindústrias. Essas atividades já geram milhões de empregos e movimentam mais de US$ 33 bilhões em exportações, de acordo com a entidade.
O dirigente também relacionou o cenário internacional à relevância crescente do Brasil no fornecimento de alimentos. “Diante de um cenário internacional marcado por conflitos, barreiras comerciais e insegurança alimentar, o Brasil se tornou um dos poucos países capazes de garantir oferta contínua de proteína animal para os mercados interno e externo”, declarou.
Governo federal aposta na expansão da liderança brasileira
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, também discursou na cerimônia e reforçou o papel estratégico da proteína animal para a economia nacional. Segundo ele, o crescimento do agronegócio impulsiona diretamente a geração de empregos, renda e oportunidades em todo o país.
De Paula parabenizou a ABPA pela realização da maior edição do evento. E destacou que o SIAVS passou a reunir toda a cadeia produtiva; produtores, indústrias, pesquisadores, investidores, compradores internacionais e representantes do poder público. “O Brasil possui todas as condições para ampliar ainda mais sua liderança global na produção de proteína animal, apoiado em inovação, tecnologia, ciência, genética, sustentabilidade e credibilidade internacional”, afirmou.
O ministro citou ainda os esforços do governo para enfrentar novas exigências regulatórias dos mercados internacionais. E preservar o reconhecimento do sistema brasileiro de defesa agropecuária. “O Brasil assumiu com responsabilidade a missão de alimentar o mundo. A grandeza de um país se mede pela sua capacidade de gerar oportunidades, produzir conhecimento e contribuir para a segurança alimentar global”, completou.
Parlamentares defendem ambiente regulatório favorável ao setor
A senadora Tereza Cristina também participou da abertura e elogiou a condução da ABPA sob a liderança de Ricardo Santin. A parlamentar destacou o esforço diário dos produtores rurais e defendeu que o poder público deve criar condições favoráveis para sustentar o crescimento do setor. “A produção de proteína animal transforma a realidade dos municípios brasileiros, promovendo geração de empregos, renda e melhoria dos indicadores de desenvolvimento”, disse.
O deputado federal Pedro Lupion Mello, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e representante do Paraná, reforçou o papel das cadeias de avicultura, suinocultura e pescado no desenvolvimento regional. Segundo ele, a FPA trabalha para reduzir entraves burocráticos e garantir um ambiente regulatório que preserve a competitividade dos produtores brasileiros de todos os portes. “Nosso papel é garantir que a legislação não impeça quem produz de continuar gerando empregos, renda e alimentos para o Brasil e para o mundo”, declarou.
Produtividade baixa ainda limita o crescimento da economia brasileira
Na conferência magna do evento, o professor do Insper Fernando Schuler apontou a baixa produtividade como o principal entrave estrutural do país. Ele citou a cadeia de proteína animal como um exemplo de eficiência, já que o setor combina investimento contínuo em tecnologia, inovação e gestão com abertura à competição internacional.
Foto: Alf Ribeiro | ABPA
Schuler alertou ainda para os riscos da dívida pública, do alto custo do crédito e da perda de credibilidade fiscal sobre os investimentos produtivos. Para o professor, reformas administrativa, previdenciária e fiscal são essenciais para sustentar as contas públicas. Além de criar espaço para a expansão da atividade econômica, com o agronegócio como referência de geração de riqueza.
Simpósio discute expansão do consumo e exportação de ovos
O primeiro dia do SIAVS também recebeu o Simpósio Ovos Brasil, que reuniu especialistas, produtores e empresas para debater o crescimento do consumo interno de ovos, a abertura de novos mercados internacionais e as estratégias de agregação de valor aos produtos.
A coordenadora técnica da ABPA, Tabatha Lacerda, explicou que a programação buscou oferecer um panorama amplo sobre o futuro da avicultura de postura. “O setor precisa estar preparado para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas”, afirmou.
O SIAVS 2026 segue em São Paulo até quinta-feira (6/8), com programação voltada às cadeias de aves, suínos, ovos e pescado.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta um novo avanço da produção e das exportações brasileiras de proteínas animais nos próximos anos. As estimativas, divulgadas nesta terça-feira (28), indicam crescimento para os setores de frango, carne suína e ovos, reforçando a posição do Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos.
No caso da carne de frango, a expectativa é que o país exporte até 5,875 milhões de toneladas em 2026, volume 10,3% superior ao embarcado no ano anterior, quando foram exportadas 5,324 milhões de toneladas.
Segundo a entidade, as vendas externas deverão continuar avançando em 2027, embora em ritmo mais moderado, alcançando 6,050 milhões de toneladas, alta de 3%.
A ABPA estima que a produção brasileira de carne de frango fique entre 16 milhões e 16,150 milhões de toneladas em 2026, representando crescimento de até 5,6% em relação ao ano anterior.
Para 2027, a previsão é de nova expansão, desta vez de 2,8%, elevando a produção para aproximadamente 16,6 milhões de toneladas.
No mercado interno, a disponibilidade de carne de frango também deve aumentar. A projeção é de 10,275 milhões de toneladas em 2026, alta de 3,1%. Em 2027, a oferta pode atingir 10,550 milhões de toneladas, avanço de 2,7%.
Carne suína mantém trajetória de expansão
As perspectivas também são positivas para a carne suína.
A produção brasileira deve chegar a 5,870 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 5% sobre o ano anterior. Em 2027, a expectativa é de aumento de 3,1%, totalizando cerca de 6,050 milhões de toneladas.
Nas exportações, a ABPA projeta embarques de 1,6 milhão de toneladas em 2026, resultado 5,9% superior ao registrado anteriormente.
Para 2027, a previsão é de novo avanço, com exportações próximas de 1,7 milhão de toneladas, crescimento estimado em 6,3%.
Produção de ovos continua em alta
A produção brasileira de ovos deverá alcançar 64,8 bilhões de unidades em 2026, volume 4,1% maior que o registrado no ano anterior.
Em 2027, a ABPA prevê novo crescimento, desta vez de até 2,6%, levando a produção para aproximadamente 66,5 bilhões de unidades.
Exportações de ovos devem se recuperar em 2027
Ao contrário do desempenho esperado para frango e carne suína, as exportações de ovos devem recuar em 2026.
A associação estima embarques de 30 milhões de unidades, queda de 26,6% em relação ao ano anterior.
Para 2027, entretanto, a expectativa é de recuperação. A ABPA projeta crescimento de 15% nas exportações, que poderão atingir cerca de 64,5 milhões de unidades.
O que indicam as projeções da ABPA
As estimativas reforçam a expectativa de continuidade da expansão da proteína animal brasileira nos mercados nacional e internacional. O avanço da produção e das exportações de frango e carne suína demonstra a competitividade do setor, enquanto o mercado de ovos deve recuperar parte das perdas registradas em 2026, segundo as projeções apresentadas pela ABPA.
Com expectativa de aumento na demanda por proteínas durante as partidas da Seleção Brasileira, a indústria de alimentos já se prepara para atender os torcedores. Entre as apostas para o período, a carne suína surge como uma das principais opções para churrascos e encontros entre amigos e familiares.
Levantamento da Scanntech projeta crescimento superior a 10% no consumo de proteínas nos dias de jogos do Brasil. O estudo também aponta que 86% dos brasileiros associam futebol e churrasco, reforçando uma tradição que movimenta toda a cadeia produtiva de carnes.
Futebol, churrasco e carne
A relação entre futebol e churrasco faz parte dos hábitos de milhões de brasileiros. Em grandes eventos esportivos, o consumo de carnes costuma crescer, impulsionando supermercados, açougues, frigoríficos e produtores rurais.
Nesse cenário, a carne suína ganha destaque por oferecer variedade de cortes e praticidade no preparo.
Segundo Julce Lucion, diretora-geral da Nutribras Alimentos, a preferência do consumidor tem aumentado especialmente em receitas rápidas, que permitem acompanhar os jogos sem passar muito tempo na cozinha.
“Quando o brasileiro se reúne para torcer, o churrasco quase sempre está presente. A carne suína vem se consolidando como uma escolha importante nesse momento”, afirma.
Receitas rápidas ganham espaço
Entre as sugestões da empresa para os dias de partida está o palitinho de filé mignon suíno com pimentões.
A receita combina cubos de carne já temperada com pimentões verdes e amarelos, preparados na air fryer em aproximadamente dez minutos.
Outra alternativa é a linguiça suína fatiada na fritadeira elétrica, que fica pronta em cerca de quinze minutos e pode ser servida com cebolas douradas e limão.
Carne suína segue entre as favoritas dos brasileiros
Além das receitas rápidas, produtos tradicionais continuam figurando entre os mais consumidos pelos brasileiros em eventos esportivos.
Entre eles estão a panceta, o torresmo, filé mignon suíno e costela suína.
O crescimento da demanda durante períodos de grande audiência esportiva também beneficia a cadeia da suinocultura nacional, setor que desempenha papel importante no agronegócio brasileiro.
Quando o apito inicial soa nos estádios da Copa do Mundo de 2026, milhões de brasileiros já estão em frente às grelhas. E boa parte da carne que vai chegar às mesas nesses dias de jogo atravessou as fazendas, frigoríficos e rodovias de Mato Grosso antes de chegar ao prato.
O estado responde por 13% de toda a carne bovina disponível para consumo no Brasil. A conta é simples e expressiva: a cada oito quilos ingeridos pelo brasileiro, um quilo teve origem mato-grossense.
Os dados são do Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e cobrem o ano de 2025. Mato Grosso produziu 2,006 milhões de toneladas de equivalente carcaça bovina no período. Desse total, 978 mil toneladas seguiram para 92 países: uma presença no mercado externo que coloca o estado entre os principais exportadores de proteína animal do mundo. Mas o dado que chama atenção desta vez é o que ficou dentro do país: 1,027 milhão de toneladas, suficiente para garantir uma oferta média de 4,82 quilos de carne bovina por habitante ao longo do ano.
A discussão sobre exportação costuma dominar o noticiário do agronegócio mato-grossense, e não sem razão. Os números de 2025 deixam evidente que o mercado interno também depende da produção do estado de forma estrutural.
“Esses dados mostram algo igualmente importante: a contribuição da nossa cadeia produtiva para a alimentação dos brasileiros”, diz Bruno de Jesus Andrade, diretor
de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).
Para ele, a Copa amplifica esse papel.
“Em um período de grande mobilização, quando aumenta o consumo de carne em confraternizações e eventos, Mato Grosso segue desempenhando um papel estratégico para garantir o abastecimento do mercado interno”, afirma.
O fluxo que transforma o campo em proteína envolve fazendas de criação, plantas frigoríficas e uma extensa rede logística — tudo concentrado em um estado que ocupa posição de liderança no rebanho nacional há anos. A Copa passa. A demanda por carne, não.
A JBS, uma das maiores empresas globais do setor de carne bovina, deve interromper a partir deste sábado (20) a produção de cortes específicos destinados ao mercado chinês. A medida busca evitar que cargas brasileiras desembarquem na China após o preenchimento da cota de importação, o que resultaria em elevadas sobretaxas.
Segundo Renato Costa, CEO da Friboi, marca pertencente ao grupo JBS, a companhia passará a priorizar a logística de exportação e a organização dos embarques.
“Nós estamos organizados para, a partir do dia 20, só concentrar embarques, não produção. Então, a partir do dia 20, concentra os embarques, define os portos, organiza, porque se chegar fora da cota, tem uma sobretaxa muito alta”, afirmou o executivo.
De acordo com estimativas da indústria, as exportações brasileiras seguem seguras até o final de junho, sem risco de ultrapassar a cota de 1,1 milhão de toneladas estabelecida para 2026. No entanto, dados consolidados pelo governo chinês indicam que o Brasil já havia utilizado mais de 50% do volume autorizado até 9 de maio.
Além disso, o elevado número de cargas em trânsito aumenta a cautela entre frigoríficos e importadores. Somente no mês passado, o Brasil embarcou quase 154 mil toneladas de carne bovina para o mercado externo.
Costa alertou que o impacto tarifário pode inviabilizar operações fora da cota.
“O que entra hoje é 12% dentro da cota, fora da cota são mais 55%, vai para 67%. Aí realmente inviabiliza”, destacou.
No início de junho, algumas plantas habilitadas para exportar à China já haviam reduzido o ritmo de abates e a produção de cortes específicos destinados ao país asiático.
Além de comandar a Friboi, Renato Costa preside o conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Segundo ele, cada empresa vem adotando estratégias próprias diante da proximidade do esgotamento da cota chinesa.
“Nós, como JBS, não vemos impacto de volume, nós distribuímos isso. Já o preço é o mercado que vai ditar”, afirmou.
Por outro lado, o executivo reconheceu que não há expectativa de ampliação da cota brasileira ainda em 2026. Mesmo assim, o setor produtivo e o governo brasileiro solicitaram às autoridades chinesas a redistribuição de volumes não utilizados por outros países exportadores.
A cota total destinada a todos os fornecedores internacionais soma 2,6 milhões de toneladas.
“O ministro [da Agricultura] André de Paula, na feira Sial na China, já colocou isso, para que, no final, quem não cumpriu a cota, faz-se a redistribuição da cota. Aí a gente vê como possibilidade, mas dentro desse ano, não”, explicou.
Enquanto isso, a China informou nesta quinta-feira (18) que a Austrália atingiu integralmente sua cota de 205 mil toneladas. Dessa forma, a partir de sábado (20), as cargas australianas que chegarem aos portos chineses passarão a pagar uma sobretaxa de 55%.
Mudanças de hábitos alimentares favorecem consumo de proteína
Outro fator apontado pela companhia para o fortalecimento das vendas é a mudança nos hábitos de consumo da população, incluindo o uso crescente das chamadas canetas para emagrecimento.
Segundo Costa, esse movimento tem reforçado a procura por alimentos ricos em proteína.
“Isso tem tido um efeito e vem comprovar o que a gente sempre acreditou, que a proteína é a principal fonte de tudo, de energia do corpo humano como um todo. O futebol e essa mudança do hábito alimentar têm incentivado muitas vendas”, concluiu.
As principais empresas brasileiras de proteína animal enxergam na Copa do Mundo uma oportunidade estratégica para fortalecer vendas e ampliar o consumo interno.
Enquanto o setor de aves e suínos projeta um aumento expressivo na comercialização de produtos, a indústria da carne bovina acredita que o torneio pode marcar uma nova fase para o consumo per capita da proteína no país.
Sadia aposta em crescimento de até 50% como patrocinadora BR
A Sadia, marca de aves e suínos da MBRF, reforça sua presença no evento como patrocinadora oficial da seleção brasileira. A empresa estima que o volume de vendas durante a competição alcance níveis comparáveis aos registrados em datas tradicionalmente fortes para o varejo, como o Dia das Mães e as festas de fim de ano.
Além disso, a marca firmou parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até 2030. Dessa forma, será responsável pelo fornecimento de proteínas aos atletas da seleção principal e também a outras 19 equipes ligadas à entidade, incluindo categorias de base e seleções femininas.
A previsão é distribuir cerca de duas toneladas mensais de produtos para aproximadamente 160 integrantes das equipes. Ao longo de quatro anos, o volume pode se aproximar de 100 toneladas.
“A seleção, independentemente do período, é uma paixão nacional. Por isso, estamos muito felizes de ver nossa marca ligada à seleção, ainda mais agora com a Marfrig e a BRF em uma empresa única, as oportunidades são potencializadas”, afirmou Miguel Gularte, diretor-executivo da MBRF.
‘Lek Trek’ e ‘Canarinho’ em campanha da Sadia — Foto: CBF
Após encerrar o primeiro trimestre com vendas domésticas 5,5% menores na comparação anual, a empresa vê a Copa como um dos principais vetores de crescimento em 2026.
Por isso, a expectativa é ampliar em até 50% o volume comercializado durante o torneio em relação à edição de 2022. O desempenho deverá ser impulsionado principalmente por produtos como linguiças, salames, empanados e itens destinados ao churrasco.
Engajamento digital
Segundo levantamento da plataforma de inteligência de consumo Winnin, o interesse pelo torneio cresceu de forma significativa entre os consumidores. O volume de interações relacionadas à Copa nas redes sociais saltou de cerca de 20 milhões por mês no início do ano para 240 milhões em maio.
Para aproveitar esse cenário, a Sadia desenvolveu uma linha especial com 20 produtos temáticos e lançou uma promoção que oferece brindes oficiais da seleção brasileira aos consumidores participantes.
De acordo com a empresa, o planejamento das ações começou ainda em janeiro.
“A procura pelos nossos produtos aumenta de forma significativa nos dias de jogos. Por isso, começamos a nos preparar com bastante antecedência”, destacou Manoel Martins, vice-presidente de Mercado Brasil e Marketing da MBRF.
Sadia lançou ação promocional em parceria com a seleção brasileira — Foto: Divulgação
Seara aposta no conceito do “primeiro tempo do churrasco”
A Seara, marca de aves e suínos da JBS, também projeta forte crescimento nas vendas durante o torneio. A expectativa é registrar aumento de aproximadamente 40% em comparação à Copa anterior.
Diferentemente da estratégia adotada em 2022, quando o foco estava em produtos específicos, a empresa decidiu concentrar sua campanha na valorização da etapa inicial do churrasco brasileiro.
Segundo o presidente da Seara, João Campos, a proposta foi batizada de “1º tempo do churrasco”.
“O churrasco brasileiro tem dois momentos. Tem a abertura, que é a linguiça, o frango, o suíno, às vezes um pão de alho, o petisco. Depois vai para o bovino. Fazendo alusão ao futebol, estamos dando foco na ideia de que o primeiro tempo do churrasco é tão importante quanto o segundo”, explicou.
Além disso, a companhia lançou kits churrasco, inspirados nos tradicionais kits natalinos.
Friboi vê oportunidade
No segmento de carne bovina, a Friboi, operação da JBS, também trabalha com expectativas positivas. A expectativa é elevar em cerca de 10% as vendas.
Base atual de consumo da marca já é superior à observada durante a Copa de 2022 — Foto: Friboi
Nos dias em que houver partidas, entretanto, a projeção é ainda mais otimista. A empresa espera comercializar pelo menos 20% mais produtos em relação aos dias sem jogos.
Segundo o diretor-executivo comercial da empresa, Leonardo Monteiro, a Copa pode representar um marco importante para a expansão do consumo de carne bovina no país.
O consumo global de carne cresceu de forma acelerada nas últimas seis décadas, impulsionado principalmente pela carne de frango. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que a oferta mundial do produto quadruplicou desde 1961 e deve continuar em expansão nos próximos anos.
De acordo com o relatório, o consumo médio de carne passou de 25 kg por pessoa em 1961 para 47 kg em 2022. O destaque vai para o frango, cuja oferta saltou de menos de 3 kg per capita para 17 kg no período. Já a carne suína dobrou, alcançando 15 kg por pessoa, enquanto a bovina permaneceu estável em cerca de 9 kg.
O avanço no consumo acompanha mudanças estruturais na produção e na renda global, mas também intensifica desafios ambientais. A FAO projeta que as emissões do setor agropecuário devem crescer 7,6% na próxima década, com a pecuária respondendo por aproximadamente 80% desse aumento.
Além do crescimento da demanda, o relatório chama atenção para perdas ao longo da cadeia produtiva. Cerca de 14% da carne e do leite se perdem durante a produção ou são desperdiçados após chegarem ao varejo e aos serviços de alimentação.
Desigualdade
A análise também evidencia forte desigualdade no acesso aos alimentos de origem animal. Em países de baixa e média renda, onde a insegurança alimentar ainda predomina, esses produtos têm custo elevado em relação à renda da população. Já em países ricos, o consumo permanece alto e estável, mesmo diante de recomendações médicas e ambientais para redução.
Segundo Daniela Battaglia, especialista da FAO e coautora do estudo, o cenário global ainda apresenta distorções importantes. “O acesso continua desigual. Enquanto países de alta renda mantêm consumo elevado, regiões mais pobres enfrentam limitações econômicas para adquirir esses alimentos”, afirmou.
Brasil é grande produtor de frango. Foto: divulgação – ABPA
O relatório também dialoga com alertas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que aponta a redução do consumo de carne e a adoção de dietas mais baseadas em vegetais como estratégias eficazes para mitigar emissões. Apesar disso, a FAO não recomenda explicitamente a diminuição do consumo, mesmo reconhecendo o excesso em países desenvolvidos.
Especialistas independentes criticam essa abordagem. Para Cleo Verkuijl, do Stockholm Environment Institute, o documento reconhece o problema, mas evita conclusões mais diretas sobre a necessidade de redução. Já o pesquisador Matthew Hayek, da Universidade de Nova York, afirma que o relatório minimiza os impactos ambientais do alto consumo de carne.
Efeito estufa
Atualmente, a pecuária responde por cerca de 12% a 20% das emissões globais de gases de efeito estufa e figura entre os principais vetores de perda de biodiversidade. O planeta já registra aquecimento de aproximadamente 1,4°C em relação ao período pré-industrial.
A FAO, por sua vez, defende uma abordagem baseada em eficiência produtiva e inovação tecnológica. A entidade destaca a importância de reduzir emissões, melhorar o uso de recursos e enfrentar problemas como a resistência antimicrobiana, sem necessariamente limitar a produção pecuária.
Para a organização, o desafio está em equilibrar os benefícios nutricionais dos alimentos de origem animal com a necessidade de reduzir seus impactos ambientais.
A adoção de tecnologias voltadas ao controle da amônia em aviários pode injetar cerca de R$ 2 bilhões anuais na economia da avicultura brasileira. A estimativa faz parte de um estudo desenvolvido pela Dux Grupo, que aponta a melhoria da ambiência nas granjas como fator decisivo para aumentar a produtividade, reduzir perdas sanitárias e ampliar a competitividade do Brasil nos mercados internacionais.
Segundo o levantamento, a redução da concentração de gases tóxicos nos ambientes de criação impacta diretamente o desempenho das aves. As validações realizadas em campo indicaram ganho médio de 60 gramas de peso vivo por animal criado em condições controladas. Quando projetado para o volume nacional de abates, estimado em aproximadamente 7 bilhões de aves em 2026, o resultado representa centenas de milhões de quilos adicionais de carne produzidos ao longo do ano.
O estudo destaca que esse incremento ocorre sem a necessidade de ampliar áreas de produção ou elevar proporcionalmente os custos com alimentação. O que favorece a rentabilidade dos produtores e a eficiência da cadeia produtiva.
Impactos sanitários e comerciais
Além dos ganhos em produtividade, o controle da amônia contribui para reduzir problemas sanitários que afetam a qualidade final dos produtos. Entre eles está a pododermatite, conhecida popularmente como calo nas patas, condição agravada pela umidade excessiva e pelas altas concentrações de amônia presentes na cama dos aviários.
De acordo com a Dux Grupo, a neutralização dos gases pode diminuir a incidência dessas lesões entre 5% e 17,5%. O resultado tem reflexos diretos na comercialização internacional, especialmente em mercados asiáticos, como a China, que exigem elevados padrões de qualidade e integridade das patas para importação.
Além disso, a redução das lesões diminui perdas por condenações e agrega valor aos produtos exportados. Dessa forma, a melhoria da ambiência passa a ser vista não apenas como uma questão de bem-estar animal. Mas também como estratégia econômica para o setor.
Química verde como aliada da produção
Os resultados observados no estudo estão relacionados ao uso de tecnologias baseadas nos princípios da química verde. Diferentemente de soluções que apenas reduzem o odor dos aviários, os processos analisados atuam na decomposição molecular da amônia, neutralizando sua toxicidade e reduzindo os impactos sobre animais, trabalhadores e meio ambiente.
A tecnologia utiliza compostos biodegradáveis capazes de promover a neutralização química dos gases sem provocar saturação química nos galpões. Com isso, a produção se torna mais alinhada às exigências globais de sustentabilidade, governança ambiental e bem-estar animal.
“Tecnologias como o Amonix, solução que lançaremos este ano no Brasil, são o resultado prático e direto desses estudos de viabilidade, projetadas para oferecer ao mercado uma ferramenta de alta performance que une rentabilidade e sustentabilidade”, afirma Spaziani.
Segundo o executivo, o objetivo é transformar desafios ambientais e químicos em oportunidades de crescimento para o agronegócio brasileiro, com resultados mensuráveis para produtores e integradoras.
A Dux Grupo atua no segmento de química verde e registrou crescimento de 241% entre 2020 e 2025. Atualmente, a empresa está presente em sete países da América Latina e em Portugal. Portanto, ampliando sua participação no agronegócio por meio de soluções voltadas à eficiência operacional, sustentabilidade e produtividade animal