Tag: produtividade agrícola

  • Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Uma nova biotecnologia na soja foi apresentada durante a 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). A inovação amplia a proteção contra lagartas e aumenta as opções de manejo de herbicidas. Ao mesmo tempo, busca elevar a produtividade e a sustentabilidade da cultura no Brasil.

    A tecnologia faz parte de uma nova geração de soluções para a agricultura tropical. Durante o evento, especialistas explicaram que o avanço combina genética, biotecnologia e novas estratégias de manejo. O objetivo é ajudar o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos nas lavouras.

    A novidade integra a plataforma Intacta 5+, desenvolvida pela Bayer. Segundo a empresa, as primeiras variedades comerciais devem chegar ao mercado na safra 2027/28. No entanto, a liberação final ainda depende de aprovações regulatórias em países importadores de soja.

    Responsável pela apresentação da tecnologia, Mateus Benedeti afirmou que a evolução da biotecnologia acompanha a própria transformação da agricultura brasileira.

    “A história da biotecnologia na soja também é uma história de protagonismo do produtor brasileiro. Desde o início, o agricultor buscou tecnologias que permitissem produzir mais e com maior eficiência”, destacou.

    Nas últimas décadas, a adoção dessas tecnologias ajudou o Brasil a ampliar sua produtividade agrícola. Como resultado, o país se consolidou entre os maiores produtores e exportadores de soja do mundo.

    Proteção ampliada contra pragas e plantas daninhas

    A nova biotecnologia na soja incorpora cinco proteínas voltadas ao controle de lagartas que atacam a cultura. Dessa forma, o sistema amplia o espectro de proteção e fortalece o manejo integrado de pragas.

    Entre os principais alvos está a Elasmopalpus lignosellus, conhecida como elasmo. Essa lagarta ataca a planta ainda nas fases iniciais do desenvolvimento. Quando o ataque ocorre nesse estágio, a lavoura pode perder plantas inteiras e comprometer o potencial produtivo.

    Além da proteção contra insetos, a tecnologia permite tolerância a cinco herbicidas diferentes. Entre eles estão mesotriona, dicamba, glifosato, glufosinato e 2,4-D.

    Mateus Benedeti – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Na prática, essa combinação amplia as estratégias de controle de plantas daninhas. O produtor pode utilizar diferentes protocolos de manejo durante o ciclo da cultura. Assim, adapta o controle às condições de cada região produtora.

    Outro benefício está na preservação da eficiência da tecnologia ao longo do tempo. Quando o agricultor alterna mecanismos de ação, reduz a pressão de seleção sobre pragas e plantas daninhas.

    Integração entre genética e biotecnologia

    Outro destaque apresentado durante o lançamento foi o processo YieldBoost™. A metodologia foi desenvolvida no Brasil e busca acelerar a integração entre biotecnologia e genética das plantas.

    O sistema permite testar um número maior de materiais em campo. Com isso, os pesquisadores conseguem avaliar mais combinações genéticas em menos tempo.

    Segundo a empresa, o método permite analisar até 15 vezes mais materiais do que os processos tradicionais de melhoramento. Dessa forma, o desenvolvimento de novas variedades ocorre com maior velocidade e precisão.

    A estratégia também prioriza materiais adaptados às condições da agricultura tropical. Como resultado, as variedades tendem a apresentar maior estabilidade produtiva nas diferentes regiões do país.

    Caminho até o lançamento comercial

    A nova biotecnologia já recebeu aprovação regulatória no Brasil. Ainda assim, sua comercialização depende da autorização de mercados internacionais que importam soja brasileira.

    Por isso, os próximos anos serão dedicados à realização de testes em campo com produtores parceiros. Essas áreas permitirão avaliar o desempenho das variedades em diferentes ambientes produtivos.

    A expectativa é que, no momento do lançamento comercial, o mercado já conte com diversas variedades adaptadas às principais regiões produtoras.

    Para o setor agrícola, a chegada de novas biotecnologias representa um passo importante para o avanço da produtividade. Ao mesmo tempo, essas soluções ajudam o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos no campo.

    Assim, a evolução da biotecnologia na soja continua a desempenhar um papel central no fortalecimento da agricultura brasileira.

  • Boas práticas e tecnologia marcam debate da Corteva

    Boas práticas e tecnologia marcam debate da Corteva

    A Corteva Agriscience reuniu especialistas, produtores rurais e jornalistas durante a Expodireto Cotrijal 2026, em Não-Me-Toque (RS), para discutir dois temas centrais da próxima safra de grãos: a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas e o impacto das doenças iniciais da soja na produtividade. O encontro ocorreu no dia 11 de março e destacou a importância da inovação, do treinamento e das boas práticas agrícolas para reduzir perdas no campo.

    Participaram da coletiva o professor Adriano Arrué Melo, da Universidade Federal de Santa Maria, o consultor agronômico Maurício De Bortoli, o produtor rural Pedro Basso, da região de Vacaria (RS), e Maxwell Borges, líder comercial de tratamento de sementes da empresa. Ao longo do debate, os convidados abordaram desafios técnicos da produção agrícola e estratégias para melhorar a eficiência das lavouras.

    Além disso, representantes da companhia apresentaram projetos voltados à disseminação de conhecimento técnico no campo. A iniciativa busca aproximar pesquisadores, técnicos e produtores, ampliando o acesso a informações sobre manejo e aplicação correta de insumos agrícolas.

    Treinamento e tecnologia para aplicação responsável

    Um dos focos da apresentação foi a difusão de boas práticas agrícolas. A empresa destacou programas de capacitação voltados à aplicação responsável de defensivos, com treinamentos teóricos e práticos para agricultores e operadores de máquinas.

    Nesse contexto, uma das iniciativas utiliza uma caminhonete equipada para levar cursos diretamente às propriedades rurais. O objetivo é orientar trabalhadores sobre a pulverização correta, garantindo que o produto seja aplicado na dose adequada e atinja o alvo desejado.

    Desde 2006, mais de 45 mil pessoas já participaram de mais de 2 mil treinamentos promovidos pela empresa em diferentes regiões do país. Os cursos têm duração de 16 horas, divididas entre teoria e prática, e abordam temas como regulagem de pulverizadores, segurança do trabalhador e manejo eficiente de defensivos.

    Além disso, as ações fazem parte de uma estratégia baseada em cinco pilares: manejo integrado de plantas daninhas, manejo integrado de pragas, manejo integrado de doenças, tecnologia de aplicação e segurança do trabalhador rural.

    Deriva

    Outro ponto discutido foi a deriva de herbicidas, fenômeno que ocorre quando o produto aplicado se desloca para áreas vizinhas. Esse problema pode atingir outras culturas e gerar prejuízos para produtores rurais.

    Para reduzir esse risco, a empresa apresentou tecnologias como o herbicida Enlist Colex-D, desenvolvido com sal colina. Segundo a companhia, a formulação reduz a volatilidade e pode diminuir o risco de deriva em até 90% durante a aplicação.

    O professor Adriano Arrué Melo destacou que a evolução da tecnologia de aplicação tem papel decisivo para conciliar produtividade e responsabilidade ambiental. Segundo ele, defensivos agrícolas continuam sendo ferramentas importantes para o controle de pragas e doenças, desde que utilizados com critérios técnicos.

    “A pesquisa busca garantir que os produtos sejam aplicados de forma eficiente. Assim, o agricultor evita perdas e a sociedade também se beneficia”, afirmou.

    De acordo com o pesquisador, o Rio Grande do Sul foi pioneiro ao estabelecer normas específicas sobre tecnologia de aplicação em 2018. A regulamentação ampliou o controle sobre a atividade e estimulou programas de capacitação de operadores.

    Hoje, segundo dados apresentados no encontro, o número de aplicadores cadastrados no Estado passou de 3.348 em 2022 para mais de 32 mil em 2026. Além disso, a certificação exige reciclagem a cada cinco anos.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Doenças iniciais da soja preocupam produtores

    Outro tema discutido foi o impacto das doenças iniciais da soja, que podem comprometer o desenvolvimento das plantas logo nas primeiras fases da cultura. O consultor agronômico Maurício De Bortoli apresentou um panorama dos principais patógenos presentes na safra 2025/26 e destacou que fatores como solo, clima e qualidade das sementes influenciam diretamente o desempenho das lavouras.

    Segundo ele, a janela de plantio considerada ideal no Rio Grande do Sul costuma ocorrer entre 20 de outubro e 20 de novembro. Esse período reúne condições favoráveis de temperatura e umidade para o estabelecimento inicial da cultura.

    No entanto, variações climáticas podem trazer desafios adicionais ao produtor. Em muitas regiões, o início da safra apresenta temperaturas mais baixas e maior umidade. Já no final do ciclo, o cenário costuma mudar, com calor mais intenso e menor disponibilidade de água.

    Por isso, especialistas defendem que o produtor adote estratégias preventivas para proteger a lavoura desde o início do cultivo. Nesse contexto, o tratamento de sementes surge como uma ferramenta fundamental para reduzir riscos e garantir melhor desenvolvimento das plantas.

    Maxwell Borges, líder comercial de tratamento de sementes da Corteva, destacou que a proteção inicial da semente pode influenciar diretamente o estabelecimento da cultura no campo. Segundo ele, a adoção de tecnologias específicas ajuda a reduzir o impacto de patógenos presentes no solo.

    Além disso, o manejo adequado contribui para fortalecer o sistema radicular das plantas e aumentar o potencial produtivo das lavouras.

    Experiência no campo reforça importância do manejo

    A visão prática do campo foi apresentada pelo produtor rural Pedro Basso, que cultiva soja na região de Vacaria (RS), área caracterizada por altitudes mais elevadas e variações climáticas frequentes.

    Segundo ele, as lavouras enfrentam diferentes adversidades ao longo da safra, como frio, chuvas intensas e períodos de estiagem. Por isso, a escolha de tecnologias adequadas se torna decisiva para reduzir perdas.

    Basso relatou experiências com doenças como a podridão radicular causada por Phytophthora sojae, patógeno que pode comprometer o desenvolvimento das plantas ainda nos estágios iniciais da cultura.

    Para enfrentar esse cenário, o produtor afirmou que o tratamento de sementes tem se mostrado uma estratégia importante para aumentar a segurança da lavoura. Ele destacou resultados obtidos após testar a tecnologia LumiTreo.

    Segundo o agricultor, o produto apresentou efeito mais duradouro em comparação ao manejo anterior. “Observamos cerca de 21 dias adicionais de proteção, o que trouxe mais segurança no estabelecimento da lavoura”, relatou.

    Por fim, os participantes do encontro ressaltaram que a integração entre pesquisa, inovação tecnológica e capacitação de produtores será fundamental para enfrentar os desafios da próxima safra. A troca de conhecimento entre universidades, empresas e agricultores deve continuar impulsionando práticas mais eficientes e sustentáveis no agronegócio brasileiro.

  • Corteva leva soluções completas ao produtor na Show Rural

    Corteva leva soluções completas ao produtor na Show Rural

    A Corteva Agriscience levou à 38ª edição da Show Rural Coopavel, realizada de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel (PR), um conjunto de soluções pensadas para facilitar a rotina do produtor rural e melhorar os resultados da lavoura. Durante o evento, a empresa apresentou tecnologias em sementes, defensivos químicos e biológicos, além de ferramentas voltadas às Boas Práticas Agrícolas e ao manejo de pastagens.

    O Paraná, segundo maior produtor de grãos do País, deve registrar crescimento superior a 1% na produção da safra 2025/26, segundo a Conab. Diante desse cenário, a presença da Corteva na feira reforçou a importância de investir em tecnologia para manter produtividade e rentabilidade no campo.

    Com um estande de cerca de 5 mil metros quadrados, sendo 1 mil de área construída e 4 mil de campo demonstrativo, a empresa mostrou, na prática, como suas soluções atuam desde o planejamento do plantio até a colheita. A proposta foi aproximar a tecnologia da realidade diária do agricultor.

    Segundo Felipe Daltro, diretor de Marketing e Efetividade Comercial da Corteva para Brasil e Paraguai, o foco da companhia é apoiar a tomada de decisão no campo. “O produtor precisa de soluções que funcionem na prática. Por isso, trabalhamos com tecnologias integradas, que entregam resultado e segurança”, afirmou.

    Conhecimento técnico aliado à tecnologia

    Além dos produtos, a Corteva apostou fortemente em capacitação. Ao longo da feira, dois espaços receberam palestras sobre manejo de pragas, doenças, plantas daninhas, tratamento de sementes e uso de biológicos. Dessa forma, o produtor teve acesso a informação técnica aplicada à realidade da lavoura.

    Também houve experiências imersivas, como cinema e realidade virtual, que mostraram a jornada do agricultor desde antes do plantio. Assim, os visitantes puderam entender como cada decisão impacta o desempenho da cultura ao longo do ciclo.

    De acordo com Carlos Landerdal, diretor de Marketing para Proteção de Cultivos e Biológicos da Corteva Brasil e Paraguai, informação e produto caminham juntos. “Quando o produtor entende o modo de ação das tecnologias, ele consegue extrair mais produtividade e reduzir riscos”, explicou.

    Sementes, biológicos e proteção no centro da estratégia

    No segmento de sementes, a Brevant Sementes apresentou seu portfólio completo de milho, com híbridos adaptados às condições do Paraná. Já a Pioneer, que completa 100 anos no mundo e mais de 50 no Brasil, levou materiais voltados ao alto teto produtivo e à estabilidade, especialmente para a safrinha.

    Enquanto isso, a Cordius destacou suas cultivares de soja com as tecnologias Enlist E3 e Conkesta E3. Essas soluções ajudam no controle de plantas daninhas resistentes e no manejo de lagartas, desafios cada vez mais comuns nas lavouras do Estado.

    Executivos da Corteva durante apresentação na 38ª Show Rural Coopavel

    O Sistema Enlist, por exemplo, foi apresentado como aliado no controle do picão-preto, invasora que já apresenta resistência ao glifosato e pode causar perdas severas. Dessa maneira, o manejo correto contribui diretamente para a rentabilidade da soja.

    Na área de biológicos, a Corteva reforçou sua liderança com soluções como o Utrisha N, que auxilia no fornecimento de nitrogênio às plantas. A empresa utilizou realidade aumentada para explicar o funcionamento do produto, facilitando o entendimento do produtor.

    Por fim, a Linha Pastagem mostrou tecnologias voltadas à recuperação de áreas degradadas, com destaque para os herbicidas Navius e Juvix. Segundo Anelcindo Souza Jr., líder comercial da Área Sul do Brasil e Paraguai, pastagens bem manejadas resultam em mais produtividade no rebanho e melhor retorno ao pecuarista. No encerramento, a Corteva apresentou o Programa Lidera, que amplia o poder de compra do produtor por meio de pontos e benefícios.

  • El Niño e produtividade em risco impulsionam mercado de insumos

    El Niño e produtividade em risco impulsionam mercado de insumos

    A combinação do fenômeno El Niño e a expectativa de uma queda na produtividade agrícola moldam um cenário desafiador para a safra 2025/2026. Este contexto, no entanto, abre caminho para um crescimento seletivo no mercado de insumos, com destaque para bioestimulantes, inoculantes e fertilizantes de alta concentração. Produtores buscam essas tecnologias para proteger as lavouras contra adversidades climáticas e garantir rentabilidade em um ano de margens apertadas.

    A previsão de uma safra de grãos cerca de 3,7% menor que o recorde de 2025 e os veranicos (períodos de seca durante a estação chuvosa) projetados para o Centro-Oeste aceleram a adoção de soluções específicas. Produtores da região já antecipam a compra de fertilizantes foliares para correções nutricionais rápidas, prática que pode elevar a eficiência da adubação em até 20%.

    “O manejo adequado com fertilizantes líquidos de alta concentração é o ponto de partida para obter produtividade, qualidade e rentabilidade. Eles melhoram o desempenho das plantas e ajudam a controlar problemas fitossanitários, fortalecendo a imagem do Brasil como líder mundial”, afirma Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro.

    Mercado em transformação: biológicos e precisão no centro da estratégia

    A demanda por resiliência impulsiona o mercado de bioinsumos a um novo patamar. Especialistas preveem que produtos como bioestimulantes e inoculantes, que mitigam estresses hídricos e térmicos, podem alcançar 50% da área plantada com grãos no país. Em 2025, registros recordes de novos produtos já sinalizavam essa maturidade.

    A adaptação é regional. No Sul, o excesso de chuvas amplia o mercado de fungicidas para soja e trigo. Já no Matopiba, biofortificantes ganham importância para sustentar a produtividade em solos arenosos sob seca prolongada.

    A integração desses insumos com a agricultura de precisão – usando drones e sensores – se torna crucial. Essa combinação otimiza custos, reduz perdas e atende à crescente pressão por sustentabilidade.

    Crescimento moderado e volatilidade exigem cautela

    Apesar do otimismo com os biológicos, o mercado total de insumos enfrenta ventos contrários. A volatilidade nos preços internacionais dos fertilizantes, pressionada por tensões geopolíticas e demanda global, pode limitar o volume total aplicado. Estratégias nacionais, como o Plano Nacional de Fertilizantes, buscam estabilizar a oferta, mas o poder de compra do produtor ainda depende da recuperação dos preços das commodities.

    As projeções refletem esta dualidade: enquanto o mercado de fertilizantes tradicionais pode crescer modestamente 1% a 2%, o setor de bioinsumos mira uma expansão robusta acima de 13% ao ano, com potencial para atingir R$ 40 bilhões em sete anos.

    “Levamos tecnologia e inovação para o campo com soluções que impulsionam o trabalho do produtor. O investimento em pesquisa, aliado ao seu conhecimento, é o caminho para uma agricultura mais sustentável e produtiva”, conclui Sodré.

    O ano de 2026 se configura, portanto, como um período de ajustes, onde a alta seletiva em insumos com alto retorno por hectare moldará um mercado agrícola mais eficiente e resiliente.

  • Agro brasileiro adota fertilizantes de baixo carbono para conter custos

    Agro brasileiro adota fertilizantes de baixo carbono para conter custos

    O mercado brasileiro de fertilizantes demonstra forte resiliência e crescimento, impulsionado pela busca do produtor por soluções mais inteligentes e sustentáveis. Dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA) mostram que as entregas ao mercado atingiram 40,95 milhões de toneladas entre janeiro e outubro de 2025, um crescimento significativo de 8,4% frente ao mesmo período de 2024.

    Este movimento ocorre em um cenário de custos elevados e grande dependência de importações, que somaram 35,8 milhões de toneladas no mesmo período. A alta demanda evidencia uma mudança estratégica no campo: os produtores agora priorizam insumos que ofereçam maior eficiência nutricional, melhor custo-benefício e menor impacto ambiental.

    Especialistas do setor apontam que esta é uma resposta direta às pressões econômicas e à necessidade de uma agricultura mais sustentável. George Fernandes, CEO da Morro Verde Fertilizantes, confirma a tendência. “Mesmo diante de um cenário desafiador, tivemos um ano muito positivo. Isso demonstra claramente que o produtor está adotando alternativas mais eficientes e sustentáveis”, afirma.

    A busca por soberania produtiva e redução da pegada de carbono está colocando as soluções nacionais em destaque. Produtos como fosfato natural reativo (FNR), calcário dolomítico e bioinsumos minerais ganham espaço por combinarem produtividade e sustentabilidade.

    “Com essa linha de produtos, buscamos contribuir para solos mais produtivos e ao mesmo tempo fortalecer a produção nacional”, explica Fernandes. A empresa mantém colaboração com instituições de pesquisa de ponta, como ESALQ, Embrapa e UFV, para integrar ciência e tecnologia no desenvolvimento dessas soluções.

    O executivo acredita que esta transformação veio para ficar. “O agro brasileiro está se adaptando a um novo patamar de custos e, consequentemente, a um novo nível de exigência. Soluções que aumentem o aproveitamento de nutrientes e a produtividade serão diferenciais competitivos nos próximos anos”, projeta.

  • Sementes falsificadas causam prejuízo de R$ 10 bi ao agronegócio

    Sementes falsificadas causam prejuízo de R$ 10 bi ao agronegócio

    O agronegócio brasileiro enfrenta um dos seus maiores desafios: a pirataria de sementes. Dados apresentados no Seed Congress of the Americas 2026 revelam que sementes não registradas ou não certificadas ocupam 11% da área cultivada com soja no país. O problema gera prejuízos anuais de até R$ 10 bilhões à cadeia produtiva.

    A situação afeta não apenas a soja. Outras culturas, como forrageiras, algodão, arroz e feijão, também sofrem com a comercialização ilegal de material de plantio. A prática compromete a produtividade das lavouras e ameaça a sustentabilidade do setor.

    A Associação Paulista dos Produtores de Sementes (APPS) aponta que o uso de sementes piratas provoca perdas significativas de qualidade nas lavouras. O material ilegal dissemina pragas e doenças, além de reduzir drasticamente a eficiência da produção.

    Andreia Bernabé, diretora-executiva da APPS, alerta os produtores sobre os riscos dessa economia equivocada. “A semente representa o ponto de partida de toda a produção. Economizar nesse momento pode custar caro depois”, afirma a executiva.

    Ela explica que a semente legal garante origem, qualidade, pureza genética e resultados previsíveis no campo. Já o material ilegal traz riscos de baixa produtividade, contaminações e prejuízos irreversíveis. “Investir em semente certificada não é gasto: é segurança, rentabilidade e respeito ao futuro da agricultura brasileira”, destaca Andreia.

    Especialistas apontam riscos econômicos e tecnológicos

    Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e Gerente Técnico da Wolf Sementes, classifica a pirataria como um risco econômico, de imagem e de produtividade. “Nosso compromisso é entregar ao produtor um material de alta performance, que oferece segurança e resultados reais no campo”, declara o especialista.

    O agrônomo ressalta que a escolha por semente pirata coloca em risco toda a cadeia produtiva e o trabalho de quem investe em pesquisa, qualidade e tecnologia. Ele lembra ainda que a comercialização ilegal configura crime e prejudica o avanço de novas tecnologias no campo. “Cada saca de semente falsificada é um golpe contra o produtor e contra o futuro da agricultura responsável”, reforça Pontes.

    Como identificar sementes certificadas

    A APPS orienta os produtores a adotarem cuidados essenciais na hora da compra. A primeira medida consiste em verificar se o fornecedor possui registro no RENASEM (Registro Nacional de Sementes e Mudas, do MAPA).

    Os produtores devem exigir nota fiscal e termo de garantia da qualidade, emitido por laboratório credenciado. Também precisam observar se a embalagem está lacrada, íntegra e sem sinais de violação. Esses elementos garantem que a semente possui procedência certificada e passou por rigorosos controles de qualidade genética e sanitária.

    Setor trabalha para fortalecer mercado formal

    Apesar dos avanços na conscientização dos produtores, o problema ainda preocupa o setor. “Seguimos trabalhando para fortalecer o mercado formal e valorizar quem faz a agricultura de forma correta, garantindo a pesquisa para novos cultivares de forma sustentável”, afirma Andreia Bernabé.

    A diretora-executiva da APPS reforça que a escolha por sementes certificadas garante produtividade, segurança e longevidade para o negócio rural. A decisão protege não apenas o bolso do produtor, mas também o desenvolvimento sustentável do agronegócio brasileiro.

    Canal de Denúncias

    Os produtores podem denunciar o comércio irregular de sementes de forma anônima no site da APPS (appssementes.com.br) ou diretamente no portal do MAPA (www.gov.br/agricultura). As denúncias ajudam as autoridades a combater a pirataria e proteger os agricultores brasileiros.

  • Drones transformam rotinas e ampliam a rentabilidade no campo

    Drones transformam rotinas e ampliam a rentabilidade no campo

    O avanço dos drones agrícolas tem remodelado práticas no campo e ampliado a produtividade das lavouras brasileiras. Desde a regulamentação em 2021, o número de aeronaves agrícolas em operação saltou de cerca de 3 mil para 35 mil, segundo estimativa da Associação Brasileira de Empresas de Drones (ABDrone) e da Schroder Consultoria Agro. O ritmo de crescimento indica uma profissionalização contínua, impulsionada pela busca por eficiência, redução de custos e maior precisão nas operações.

    Com o objetivo de orientar produtores e operadores sobre como garantir o melhor desempenho das aeronaves, o Portal Agro em Campo, conversou com Matias Lazarotto, fundador da AgroAcademy — uma das maiores escolas de pilotos agrícolas do Brasil.

    Lazarotto reuniu sete recomendações essenciais para quem está começando ou deseja qualificar a operação. As respostas destacam a importância de técnica, planejamento e adaptação às novas funcionalidades dos drones.

    7 pilares para uma operação agrícola de sucesso com drones

    Qual é o primeiro passo para melhorar a eficiência dos drones na lavoura?

    É fundamental conhecer profundamente o equipamento e suas configurações. Não basta comprar um drone e começar a pulverizar. É como usar um celular moderno: é preciso explorar funções, personalizar, ajustar e adaptar para cada cenário. Os acessórios fazem muita diferença, como kits de bicos que permitem variar o tamanho da gota ou agitadores de cauda que facilitam a mistura dos produtos.

    Como adaptar a operação ao tipo de cultura e ao terreno?

    Cada cultura exige um tipo específico de aplicação, com janelas e características próprias. Uma lavoura de soja é totalmente diferente de uma lavoura de café, por exemplo. Terrenos acidentados também exigem planos de voo distintos, e softwares de mapeamento ajudam muito. O ideal é entender profundamente a cultura e ajustar o drone à realidade do local.

    Qual é o peso das condições climáticas no desempenho da operação?

    O clima é decisivo. Ventos fortes, chuva e altas temperaturas podem prejudicar a pulverização e até danificar a aeronave. Ainda há quem trabalhe “no olho”, mas isso traz risco. Hoje existem softwares capazes de monitorar o clima em tempo real e emitir alertas. Em dias quentes demais, quando a pulverização perde eficiência, o drone pode ser usado para outras funções, como aplicação de fertilizantes.

    Por que o planejamento operacional deve anteceder cada aplicação?

    Planejar melhora a velocidade, a segurança e a rentabilidade. O operador precisa definir o melhor ponto de posicionamento para reduzir deslocamentos do drone. Também é essencial preparar uma estrutura eficiente de pouso, recarga e reabastecimento. Quanto mais organizado for esse processo — quase como um pit stop de Fórmula 1 — maior será o rendimento por hectare.

    Como a manutenção interfere no desempenho do equipamento?

    Manutenção e higienização adequadas são indispensáveis. O drone precisa de cuidado no manejo, no transporte e, principalmente, na limpeza. Por lidar com químicos, o tanque e os acessórios exigem uma tríplice lavagem para evitar resíduos. O mesmo vale para bateria e bicos. Muitos operadores não fazem isso corretamente, e isso reduz a vida útil do equipamento.

    Quais regras precisam ser seguidas para operar dentro da legislação?

    Drones não são brinquedos. Eles exigem responsabilidade, atenção e cumprimento das normas. Operador e aeronave precisam ser registrados na Anac e no Ministério da Agricultura. Também é obrigatório fazer o Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR) em instituição homologada.

    Além disso, cada voo exige autorização e relatórios de operação. A segurança vem sempre em primeiro lugar.

    Por que investir em especialização e atualização constante?

    A tecnologia evolui rápido e exige operadores preparados. Depois do CAAR, há caminhos de especialização, como cursos de mapeamento de terrenos, que permitem aplicações mais precisas e localizadas.

    O mercado está aquecido, a mão de obra ainda é escassa e quem se especializa aumenta muito as chances de empregabilidade.

    Reprodução/ Divulgação

    Carreira em alta e formação profissional aquecida

    A demanda por pilotos cresce em ritmo acelerado. Com milhares de drones registrados no país e expansão da pulverização aérea remota, produtores relatam dificuldade para encontrar profissionais qualificados — especialmente em regiões como o Mato Grosso.

    O salário médio atual gira entre R$ 5 mil e R$ 6 mil, com possibilidade de comissões por hectare aplicado.

    A formação profissional acompanha esse crescimento. Cursos como o CAAR + Piloto de Drone reúnem certificações exigidas pela legislação e ampliam as perspectivas de atuação.

    São módulos teóricos e práticos, com acesso permanente ao material didático e possibilidade de certificação em até 24 horas após a prova. Mais de 4 mil pilotos já foram formados nos últimos anos.

    Além do CAAR, existem formações complementares, como o curso de Operador Enterprise, voltado ao uso de drones menores para acompanhamento de culturas, e o curso de manutenção de drones, lançado recentemente.

    A oferta de novos cursos específicos por cultura também está em desenvolvimento para atender a um público cada vez mais especializado.

    A expansão segue acelerada: novos polos estão sendo implementados em diferentes regiões para facilitar o acesso de operadores e produtores rurais que buscam qualificação.

  • Cafeicultura em Rondônia cresce 543% em produtividade

    Cafeicultura em Rondônia cresce 543% em produtividade

    A Embrapa divulgou estudo que mapeia o crescimento acelerado da cafeicultura nas Matas de Rondônia e apresenta números que desafiam o modelo tradicional de expansão agrícola. A produtividade nos cafezais da região saltou de 7,8 para 50,2 sacas por hectare entre 2001 e 2023, enquanto a área cultivada encolheu de 245 mil para apenas 60,6 mil hectares no mesmo período.

    Foto: Enrique Alves /Embrapa

    O levantamento “Perfil socioeconômico e produtivo dos cafeicultores da região das Matas de Rondônia” abrangeu 15 municípios que respondem por 75% da produção estadual de café robusta. Esses municípios obtiveram, em 2021, o registro de Indicação Geográfica do tipo denominação de origem para o grão produzido na região.

    Pequenos produtores lideram crescimento com alta rentabilidade

    Mais de sete mil produtores cultivam café em propriedades com média de 28,6 hectares, onde os cafezais ocupam cerca de 3,4 hectares. A rentabilidade do negócio surpreende: cada saca de 60kg custa R$ 618 para produzir e os produtores vendem por aproximadamente R$ 1.300.

    “Uma margem que tem ajudado a melhorar a vida de muitos produtores”, afirma Calixto Rosa Neto, analista da Embrapa Rondônia e autor do estudo. O impacto financeiro positivo reflete-se na redução da idade média dos cafeicultores, que caiu de 53 para 47 anos em 15 anos, demonstrando que jovens permanecem no campo.

    A pesquisa utilizou questionários aplicados com apoio do Sebrae-RO, além de dados do IBGE, Conab e informações coletadas por satélite. O trabalho integra o projeto CarbCafé, coordenado pela Embrapa Territorial (SP).

    Café representa 63% do PIB agrícola regional

    O Valor Bruto da Produção (VBP) do café representa, em média, 63,6% do VBP agrícola total nos 15 municípios das Matas de Rondônia. Os números evidenciam a importância da cafeicultura no desenvolvimento socioeconômico local.

    Foto: Enrique Alves /Embrapa

    “Um ponto positivo encontrado foi o tempo de espera para comercializar a safra. A grande maioria espera por melhores preços. Isso reflete uma certa maturidade econômica dos cafeicultores”, explica o pesquisador Enrique Alves, coautor do documento.

    Mecanização e inovação transformam colheita

    Os produtores já utilizam mais de 200 máquinas colhedoras nos cafezais. A demanda crescente fez surgir empresas de aluguel de colhedoras de café semi-mecanizadas, serviço inexistente na região há poucos anos.

    “Esse é um dos sinais de que a cadeia produtiva está crescendo e se consolidando”, aponta Rosa Neto. Além da mecanização, os cafeicultores adotam fertirrigação, manejo específico de solos e plantas, adubação correta e podas nos períodos recomendados.

    A revolução tecnológica começou há mais de dez anos com o plantio de cafeeiros clonais desenvolvidos especialmente para a região, híbridos de robusta e conilon conhecidos como Robustas Amazônicos.

    Internet chega a 97,7% das propriedades rurais

    O salto na conectividade impressiona: em 2017, o Censo Agropecuário do IBGE registrou apenas 9,2% de propriedades conectadas nos 15 municípios. Sete anos depois, 97,7% dos produtores entrevistados têm acesso à internet.

    Foto: Enrique Alves /Embrapa

    “A falta de conectividade afeta a administração da lavoura e é um dos motivos que provoca a evasão de jovens do campo. Por isso, esse alto índice de acesso à internet é uma excelente notícia”, revela Rosa Neto. Os produtores usam a tecnologia principalmente para comprar insumos, comunicação e comercialização da produção.

    Falta de mão de obra temporária preocupa setor

    A escassez de trabalhadores temporários representa um dos principais gargalos. Os cafezais demandam grande número de empregados durante os três meses de colheita, período em que cada vez menos pessoas aceitam trabalhar, independentemente da remuneração oferecida.

    “A mecanização pode ajudar a resolver parte do problema, ela substitui até cerca de 50% da mão-de-obra, mas ainda haverá um efetivo considerável a ser suprido”, prevê Rosa Neto. Desde 2011, a cafeicultura regional perdeu aproximadamente 20 mil trabalhadores.

    Setor precisa desenvolver colhedoras específicas para Robustas

    Os Robustas Amazônicos necessitam de máquinas colhedoras próprias. Enquanto plantas arábicas possuem um único caule, os robustas têm vários caules, impedindo que as duas espécies compartilhem o mesmo equipamento de colheita.

    Gestão financeira ainda é informal

    Dos produtores entrevistados, 61% declararam não fazer registro financeiro algum. Apenas 6,6% usam planilha eletrônica para organizar as finanças e 35% anotam receitas e despesas em cadernos.

    O custo médio de produção informado pelos produtores foi de R$ 17,8 mil por hectare. No entanto, a maioria não inclui nesse valor a mão-de-obra familiar, depreciação de equipamentos e custo da terra.

    “É comum contratar empregados temporários com almoço incluso. No entanto, o custo dos alimentos e a hora da cozinheira não entram na conta”, exemplifica Rosa Neto.

    Mudanças climáticas ampliam período de irrigação

    As alterações climáticas já obrigam produtores a adaptar práticas agrícolas. Os períodos de seca aumentaram significativamente, estendendo a necessidade de irrigação de três para cinco meses.

    Foto: Enrique Alves /Embrapa

    “Isso significa aumento no custo de produção, especialmente em energia elétrica, e, o mais preocupante, necessidade de maior suprimento de água”, alerta Rosa Neto. O analista cita produtores do noroeste do Mato Grosso que não conseguiram irrigar porque os rios secaram.

    Cafezais sequestram 2,3 vezes mais carbono do que emitem

    Estudo publicado pela Embrapa em 2024 comprovou que os cafezais das Matas de Rondônia sequestram 2,3 vezes mais carbono do que emitem. A cafeicultura regional contribui significativamente para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

    Entre 2020 e 2023, sete dos 15 municípios da região das Matas de Rondônia alcançaram desmatamento zero. Na região inteira, a pesquisa encontrou traços de retirada de áreas florestais em menos de 1% da área total ocupada pela cafeicultura.

    Mais da metade dos territórios dos 15 municípios somados mantém cobertura florestal, totalizando 2,2 milhões de hectares com vegetação nativa. As terras indígenas preservam 56% dessa floresta, ou 1,2 milhão de hectares.

    “Esse café está se consolidando como produto de alta qualidade, que promove o desenvolvimento social em pequenas propriedades e comunidades tradicionais e que ainda ajuda a manter a floresta Amazônica”, declara Enrique Alves.

    O pesquisador destaca que o café, apesar de estar entre as três principais culturas agronômicas do estado, ocupa apenas 0,8% da área das Matas de Rondônia, região que responde por 75% da produção estadual.

  • Zona da Mata mineira surpreende com potencial para arroz de sequeiro

    Zona da Mata mineira surpreende com potencial para arroz de sequeiro

    A Zona da Mata mineira está se revelando uma nova fronteira agrícola para o cultivo de arroz de sequeiro, com produtividades que desafiam expectativas. Dados divulgados em abril de 2024 pela Emater-MG e Epamig comprovaram que unidades demonstrativas implantadas em Olaria, Lima Duarte e Santana do Garambéu alcançaram mais de 5 toneladas por hectare em todas as variedades testadas, com picos de até 10 toneladas na cultivar CMG 1590. Os resultados apontam um cenário promissor para agricultores familiares e a economia regional.

    Resultados que superam expectativas

    As unidades, instaladas em novembro de 2023 em parceria com Ufla e prefeituras, testaram sete variedades de arroz em áreas de 500 m² cada. A metodologia rigorosa incluiu medição de área, pesagem de grãos e ajustes por umidade e impurezas. Enquanto a expectativa inicial era de 3 toneladas/hectare, o desempenho foi surpreendente:

    • CMG 1590: 10 toneladas/hectare (melhor resultado);
    • Arroz aromático: 8,15 toneladas/hectare;
    • Variedade crioula tradicional: apenas 1,2 tonelada/hectare.

    “O arroz aromático, por exemplo, tem alto valor de mercado, o que pode agregar renda aos produtores”, destacou Marco Aurélio Moreira, coordenador regional de Culturas da Emater-MG.

    Em Santana do Garambéu, município de altitude elevada, variações térmicas afetaram a qualidade dos grãos em algumas cultivares. Ainda assim, a CMG 1590 manteve resistência e produtividade. Já em Lima Duarte, ataques de capivaras e pássaros trouxeram desafios, mas não houve infestações graves de pragas ou doenças.

    “Os danos foram pontuais e não comprometeram os resultados gerais”, explicou Janine Guedes, pesquisadora da Epamig, reforçando a robustez das cultivares modernas.

    Parcerias que fortalecem a agricultura familiar

    A colaboração entre Emater-MG, Epamig, Ufla e prefeituras foi essencial para o sucesso. Enquanto a Epamig liderou a pesquisa e a Emater-MG a extensão rural, as prefeituras forneceram apoio logístico, e a Ufla contribuiu com recursos humanos.

    “Pesquisa e extensão juntas são capazes de transformar a realidade do pequeno produtor”, afirmou Janine Guedes. Em Olaria, por exemplo, cerca de 40 agricultores visitaram a propriedade de Vicentina Oliveira, uma das participantes. “No começo, duvidei, mas o resultado foi incrível. Agora quero ampliar a produção para vender ao Pnae e em feiras”, comemorou Vicentina.

    Um novo horizonte para a região

    Os números abrem caminho para a diversificação da produção na Zona da Mata, tradicionalmente focada em culturas como café e leite. Com variedades de alto rendimento e valor comercial, como o aromático, o arroz de sequeiro pode se tornar uma alternativa viável para geração de renda e segurança alimentar.

    A próxima etapa inclui a disseminação de técnicas de manejo e a expansão das cultivares para outras áreas. Enquanto isso, os agricultores da região já enxergam no arroz uma semente de esperança para colheitas mais fartas.

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  • Condições climáticas afetam produção gaúcha

    Condições climáticas afetam produção gaúcha

    A Emater/RS-Ascar divulgou nesta quinta-feira (27/03) que as condições climáticas na região administrativa de Caxias do Sul foram propícias para o desenvolvimento do tomate, com colheitas encerradas para cultivos precoces e avançadas para os tardios. Não há registros de problemas fitossanitários, e os preços se estabilizaram: R$ 4,00/kg na Ceasa Serra e R$ 5,00/kg na Ceasa Porto Alegre para o tomate longa vida.

    Soja: produtividade desigual e riscos climáticos

    A colheita da soja avançou de 11% para 24% da área cultivada. Com produtividade média de 2.240 kg/ha – variando de perdas econômicas no Oeste gaúcho a 4 mil kg/ha em áreas irrigadas do Planalto e Campos de Cima da Serra. O déficit hídrico em março ameaça lavouras em floração e enchimento de grãos (35% do total), com risco de redução nos rendimentos já considerados baixos.

    Milho: estresse hídrico e produtividade reduzida

    A colheita do milho atingiu 80%, com produtividade estimada em 6.866 kg/ha – 3,5% abaixo da projeção inicial devido à estiagem. Apesar da qualidade dos grãos (umidade próxima a 13%), o déficit pluviométrico acumulado compromete o potencial das áreas remanescentes. Cigarrinha-do-milho e lagarta-do-cartucho exigem monitoramento contínuo.

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