Tag: produtividade agrícola

  • IA multiagente amplia operação no campo com robôs autônomos

    IA multiagente amplia operação no campo com robôs autônomos

    A Solinftec apresentou, durante a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), uma nova etapa de sua estratégia em robótica agrícola ao lançar uma família de robôs autônomos e uma arquitetura de inteligência artificial multiagente. Léo Carvalho (CGSO), Denis Arroyo Alves (vice-presidente global) e Emerson Crepaldi (COO) conduziram a apresentação, enquanto Henrique Nomura (CTO), Bruno Pavão (CCO) e Murilo Toneta (diretor financeiro) participaram da sessão de perguntas e respostas. Com isso, a empresa avança na aplicação da chamada inteligência artificial física, na qual sistemas analisam dados e executam decisões diretamente no campo.

    Inicialmente, a companhia consolidou o modelo Solix X1 como base de sua operação autônoma. Agora, amplia o portfólio com os modelos Solix XT e Solix XC. Dessa forma, passa a estruturar uma operação com múltiplos robôs, capazes de ampliar cobertura e reduzir gargalos operacionais. Segundo Léo Carvalho, “essa nova geração representa a escala, pois a autonomia deixa de ser solução e passa a ser infraestrutura do campo”.

    O Solix XT atua de forma contínua ao longo do ciclo produtivo. Além disso, prioriza frequência e consistência nas operações. O equipamento pode operar por até 50 horas e cobrir até 500 hectares, sobretudo em culturas como a cana-de-açúcar. Por outro lado, o Solix XC foca velocidade e intensidade. Nesse sentido, alcança autonomia de até 70 horas e cobertura de até 1.000 hectares por ciclo, com aplicação em culturas como soja, milho e algodão.

    Ao combinar os dois modelos, a empresa cria uma lógica operacional complementar. Enquanto o XT mantém o campo sob monitoramento contínuo, o XC responde a demandas de execução rápida em grandes áreas. Assim, o sistema reduz a dependência de operações manuais e aumenta a previsibilidade.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    IA multiagente leva decisão à execução no campo

    Além dos robôs, a empresa lançou a Alice IA Multiagente, que introduz uma nova camada de inteligência operacional. Diferentemente dos modelos tradicionais, a solução distribui funções entre agentes especializados. Dessa maneira, cada agente assume responsabilidades específicas e atua de forma coordenada.

    A tecnologia utiliza dados históricos e contexto operacional para transformar análises em ações práticas. Conforme destacou Denis Arroyo Alves, “não se trata mais apenas de analisar dados, mas de agir sobre eles”. Entre os agentes previstos, destacam-se os módulos de suporte, operação, clima, análise de dados, gestão de frotas e projeção espacial.

    Na prática, o sistema atua como um copiloto da operação agrícola. Ele monitora variáveis em tempo real, antecipa riscos e organiza prioridades. Além disso, adapta decisões conforme mudanças no cenário. Segundo Henrique Nomura, a principal mudança ocorre na transição de um modelo reativo para uma inteligência contínua e ativa.

    O Agente Operacional concentra parte relevante das funções. Ele prevê, planeja e otimiza atividades com base em dados agronômicos, históricos e logísticos. Entre as capacidades, estão a simulação de operações, a estimativa de insumos e a recomendação automática de parâmetros de máquinas.

    Além disso, os agentes atuam de forma integrada. Por exemplo, o sistema cruza dados climáticos, operacionais e espaciais para gerar recomendações mais precisas. Com isso, consegue ajustar operações conforme o clima, redistribuir máquinas e priorizar áreas com maior risco agronômico. Ao mesmo tempo, simula cenários antes da execução, o que reduz incertezas.

    Executivos da Solinftec durante perguntas e respostas na coletiva de imprensa – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Previsibilidade e eficiência operacional

    Com a arquitetura multiagente, a empresa busca substituir decisões reativas por planejamento antecipado. Assim, a operação semanal pode ser prevista, simulada e ajustada antes mesmo de começar. Durante a execução, o sistema realiza correções automáticas conforme as condições mudam.

    Outro avanço envolve a comunicação operacional. Em vez de depender de múltiplas etapas, o sistema envia decisões diretamente para operadores e equipamentos. Dessa forma, reduz o tempo de resposta e aumenta a eficiência.

    Por fim, a Solinftec projeta ganhos em eficiência operacional, melhor uso de insumos, redução de riscos e maior velocidade na tomada de decisão. Com isso, a empresa reforça a proposta de uma operação agrícola mais integrada, orientada por dados e com maior autonomia.

  • Trator que fala com operador eleva padrão de conectividade

    Trator que fala com operador eleva padrão de conectividade

    A Valtra colocou a conectividade no centro da estratégia ao apresentar, na Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), um trator com interface interativa capaz de “conversar” com o operador e entregar dados em tempo real sobre a operação. A novidade foi acompanhada pelo lançamento da nova geração da plantadeira Momentum, com modelos de 30 e 40 linhas, focada em ampliar a eficiência e reduzir o tempo de plantio. As informações foram detalhadas por Marcelo Traldi, vice-presidente Valtra e Fendt e gerente geral da AGCO América Latina, e Claudio Esteves, diretor comercial da marca.

    A combinação entre automação, monitoramento contínuo e redução de intervenções manuais posiciona a fabricante na disputa por produtividade em larga escala. Em um cenário de expansão da área cultivada e pressão por margens, a proposta é clara: fazer mais em menos tempo, com maior precisão.

    Plantadeira reduz paradas e amplia janela de plantio

    A nova geração da Momentum chega ao mercado com ajustes diretos no rendimento operacional. A eliminação de pontos de lubrificação reduz paradas para manutenção, enquanto a estrutura de transporte otimizada permite ganho de até uma hora diária na operação, variável crítica durante a janela de plantio.

    Outro avanço está nas três seções de corte de fertilizante, que diminuem a sobreposição nas cabeceiras, aumentam a uniformidade da aplicação e reduzem desperdícios. A medida impacta diretamente o custo por hectare, ponto sensível para o produtor.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    O tanque de fertilizante também foi redesenhado. A substituição do inox por polietileno elevou a capacidade em 15%, ao mesmo tempo em que reduziu o peso da máquina e simplificou a manutenção, combinação que melhora a eficiência sem comprometer a robustez.

    No controle de plantio, o sistema atua linha a linha e em tempo real. O monitor 20|20 Seed Sense oferece leitura completa da operação, enquanto o dosador vSet2 garante precisão na deposição das sementes. Já o vDrive ajusta automaticamente a dosagem, assegurando independência e uniformidade entre as linhas.

    Trator interativo reforça digitalização no campo

    O conceito do trator que “fala com o produtor” sintetiza o avanço da conectividade nas máquinas agrícolas. A tecnologia permite comunicação direta com o operador, geração de alertas operacionais e acompanhamento contínuo do desempenho.

    Na prática, o equipamento deixa de ser apenas executador e passa a atuar como ferramenta de gestão, apoiando decisões em tempo real e reduzindo falhas durante a operação. A tendência acompanha o movimento mais amplo de digitalização do campo, com integração crescente entre máquinas, dados e planejamento agrícola.

    Safra positiva pressiona por eficiência

    Os lançamentos ocorrem em um ambiente de expectativa positiva para o agronegócio. Mesmo com impactos climáticos recentes, a produção brasileira deve alcançar 353,4 milhões de toneladas, segundo a Conab — alta de 0,3% frente ao ciclo anterior.

    Foto: PH Lopes/Agro em Campo

    O cenário reforça a necessidade de ganho operacional dentro da porteira. Com custos elevados e margens pressionadas, a adoção de tecnologias que aumentem precisão, reduzam desperdícios e ampliem a capacidade de trabalho tende a se intensificar.

    Ao concentrar os anúncios na Agrishow, a Valtra reforça o posicionamento em inovação aplicada ao campo e sinaliza uma disputa cada vez mais centrada em eficiência operacional e inteligência embarcada.

  • Como 18 dias sem chuva não derrubaram 135 sacas de soja

    Como 18 dias sem chuva não derrubaram 135 sacas de soja

    Enquanto a média nacional da soja no Brasil ronda cerca de 60 sacas por hectare, um grupo de produtores já está chegando a 90, 100 e até mais de 130 sacas por hectare. O que separa essas lavouras não é a semente, mas uma mudança radical na forma de pensar a calagem e a fertilidade do solo. O ponto central é um nutriente ainda pouco valorizado: o magnésio, analisado pela saturação na CTC em diferentes camadas do perfil

    O método que destrava a produtividade da soja (e o que você está ignorando no solo)

    O agrônomo Leandro Barcelos, por trás do recorde de 135,49 sacas por hectare da Agro Mallon no CESB 2025, defende que o limite produtivo da soja está menos na planta e mais na lógica herdada desde a década de 1990. A calagem tradicional foca em elevar o pH e o cálcio na camada de 0 a 20 cm, como se o solo fosse apenas um piso úmido.

    Barcelos propõe outro caminho: desenhar a arquitetura química do perfil do solo, com cálculo por saturação de magnésio na CTC nas camadas de 0–20 cm e 20–40 cm. Segundo ele, o foco quase exclusivo no cálcio mascara o fato de que o magnésio é o fator limitante em boa parte das fazendas. Solos tecnicamente “corrigidos” podem estar travando o sistema radicular por falta de equilíbrio entre cálcio e magnésio.

    Sem esse equilíbrio, a planta trava a clorofila e perde a capacidade de absorver fósforo, mesmo quando o nutriente é aplicado em doses altas. O produtor pode usar o melhor adubo do mercado, mas a porta de entrada da planta continua semi‑fechada.

    Magnésio na CTC: a porta de entrada

    A lógica de saturação de magnésio na CTC coloca o nutriente no centro da decisão de calagem. O carbonato de magnésio, por exemplo, tem maior dificuldade de dissociação que o do cálcio. Se o produtor não domina essa dinâmica, o investimento fica parado na superfície e não vira produtividade.

    Construir um perfil químico em profundidade elimina a “barreira invisível” que condena a soja a explorar só a superfície. Isso reflete diretamente na capacidade da planta de acessar água em camadas mais profundas. O resultado é um sistema radicular mais verticalizado, com raízes que descem até cerca de 1,5 metro, em vez de se espalharem apenas perto do solo.

    A planta sai da estaca zero com mais força, preparada para janelas de estresse hídrico. Barcelos compara com um produtor que investe fortunas em fertilizantes de última geração, mas deixa a porta de entrada da planta bloqueada. O resultado é lavoura morrendo de sede com água logo abaixo, porque o solo foi tratado como um depósito de insumos, não como um sistema biológico vivo.

    Como 18 dias de veranico não abateram 135 sacas/ha

    A prova de fogo do método veio na safra 2024/25, na Fazenda Santa Bárbara (Canoinhas/SC), unidade da Agro Mallon. O produtor Charles Adriano Breda colheu 135,49 sacas por hectare mesmo com 18 dias seguidos sem chuva. Para Barcelos, essa resiliência hídrica não é sorte e sim consequência direta da correção do perfil do solo.

    Com magnésio e cálcio equilibrados, a soja consegue aprofundar o sistema radicular e acessar o CAD em camadas de até 1,5 metro de profundidade. Esse comportamento vertical é o que sustenta a produtividade em períodos de estresse. Um ponto pouco explorado é a relação entre potássio e magnésio na CTC. Muitos produtores aumentam o K para ganhar peso de grão, mas sem magnésio adequado, ocorre inibição competitiva.

    Os nutrientes competem entre si e a planta perde produtividade. Essa combinação, aliada ao ajuste de calagem e adubação, fez a lavoura de Breda superar a média nacional de censo, em torno de 59 sacas por hectare, e a média auditada do CESB, próxima de 96 sacas por hectare. A fazenda se tornou campeã nacional de produtividade de soja sequeira.

    Histórias reais: de 60 para 90, 100 e mais

    A metodologia de “A Raiz da Solução” já é testada em dezenas de fazendas, com ganhos estruturais de produtividade mesmo em safra de clima apertado. No Cerrado Mineiro, o engenheiro agrônomo e produtor Eduardo Primon conta que o manejo focado em raiz e fisiologia elevou a média da fazenda de 70 para 90,5 sacas por hectare. Em áreas monitoradas, a lavoura chegou a 107 sacas por hectare.

    A estratégia passa por preparar a planta para o “embate” contra o clima ainda na fase de planejamento. O ajuste de fertilidade, calagem e profundidade do sistema radicular é feito antes do plantio. No Rio Grande do Sul, Márcio Natalli partiu de uma média de 60 sacas por hectare e chegou a 90 sacas graças ao investimento em construção do perfil do solo. Enquanto vizinhos sentiam o impacto do veranico, sua soja permanecia verde e a procurar água no fundo.

    Isso só é possível porque o sistema radicular atua onde o manejo comum não chega. Em Goiás, Francisco Luçardo também rompeu a barreira de 70 sacas, atingindo 100 sacas por hectare com ajuste nutricional profundo. A mensagem é a mesma: não basta colocar adubo; é preciso garantir que o solo esteja equilibrado em profundidade para que a planta absorva tudo o que é oferecido. O investimento vira saca, e saca vira lucro.

    Sair do “balcão” e virar engenheiro da própria lavoura

    Para Leandro Barcelos, o maior gargalo não é falta de tecnologia, e sim a dependência de pacotes prontos de revendedor. O produtor precisa parar de ficar na mão do balcão de vendas e de aceitar receitas que nem sempre a terra dele precisa. Lucratividade máxima só vem quando ele conquista independência técnica.

    Isso significa saber olhar para a análise de solo e decidir, com critério, o que vai aplicar, quando, qual fonte e em qual momento. É essa autonomia que sustenta a produtividade real, ajustada ao tempo e ao orçamento de cada fazenda. Parte dessa independência passa por capacitação técnica.

    Especialista em fertilidade do solo e fisiologia vegetal com mais de 40 anos de vivência no campo, Leandro Barcelos é o consultor agronômico por trás da conquista do último campeonato nacional de produtividade de soja do CESB 2025.

    Barcelos lança uma série gratuita de três aulas online, “As Verdades Ocultas para Colher Mais Soja”. Ela serve como porta de entrada para o evento presencial “ARDS Experience” e para o programa “A Raiz da Solução 2.0”. O objetivo é ajudar o produtor a construir um perfil de solo resiliente, atingir produtividades de três dígitos e respeitar sempre custo‑benefício e lucratividade.

  • Gigante de 19 toneladas estreia na Agrishow 2026

    Gigante de 19 toneladas estreia na Agrishow 2026

    Um trator de até 425 cavalos de potência, com cerca de 19 toneladas e capacidade de operar praticamente sozinho, será uma das principais novidades da Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP). Pela primeira vez no Brasil, a Massey Ferguson apresenta o MF 9S. O modelo é voltado à agricultura de larga escala. Além disso, aposta em automação, conectividade e eficiência operacional para ampliar a produtividade no campo.

    O lançamento ocorre durante a feira, entre os dias 27 de abril e 1º de maio. Com isso, a fabricante entra em um novo segmento de alta potência no País. A proposta é clara. A empresa quer reduzir a dependência direta do operador. Ao mesmo tempo, busca transformar o trator em uma plataforma inteligente de trabalho. Essa evolução se baseia em dados e monitoramento remoto.

    Desenvolvido para operações de grande escala, o MF 9S incorpora sistemas avançados. Esses recursos permitem condução automatizada e execução de tarefas com mínima intervenção humana. Na prática, o equipamento realiza grande parte das operações sozinho. Assim, o operador passa a focar no acompanhamento dos parâmetros técnicos e estratégicos.

    “O MF 9S é o carro-chefe do novo segmento de alta potência dentro do nosso portfólio. Descomplicada, confiável e conectada, a série combina uma experiência de usuário aprimorada com tecnologia inovadora para oferecer um equipamento versátil e que atenda às necessidades dos agricultores”, afirma Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson.

    Automação e conectividade redefinem a operação no campo

    Entre os principais recursos está o piloto automático MF Guide. O sistema mantém o trator alinhado com precisão centimétrica. Além disso, o MF AutoTurn permite que a máquina faça curvas de forma autônoma ao final de cada linha. Já o AutoHeadland executa comandos automaticamente nas manobras de cabeceira. Dessa forma, há redução de falhas operacionais e aumento do rendimento.

    Foto: Divulgação MF

    Outro ponto central é a conectividade. Com o MF Connect, o produtor acompanha dados em tempo real. Ele pode verificar consumo de combustível, localização e desempenho do equipamento, mesmo à distância. Além disso, a plataforma FarmEngage amplia a gestão. O sistema reúne informações agronômicas e permite conexão com outras máquinas da propriedade, inclusive de diferentes marcas.

    O conjunto mecânico também reforça a eficiência. O MF 9S utiliza motor AGCO Power de seis cilindros. A transmissão Dyna-VT é continuamente variável. Assim, o trator entrega potência de forma constante. Não há necessidade de troca de marchas. Como resultado, o desempenho operacional melhora e o consumo de combustível diminui. O tanque de 660 litros amplia a autonomia em campo.

    No quesito conforto, o design Protec-U separa o motor da cabine por um vão de 18 centímetros. Essa solução reduz ruídos e vibrações. A cabine, com 3,4 m³, está entre as mais amplas da categoria. Além disso, conta com painel digital, terminal touchscreen e iluminação LED 360°. Dessa maneira, o trabalho noturno se torna mais eficiente e seguro.

    Conjunto com plantadeira amplia ganhos de produtividade

    O desempenho do MF 9S aumenta quando o trator opera em conjunto com a plantadeira Momentum. O equipamento está disponível nas versões de 30 e 40 linhas. A solução integrada foi desenvolvida para garantir maior uniformidade no plantio. Ao mesmo tempo, busca maximizar o aproveitamento das janelas operacionais.

    Ensaios de campo indicam ganhos de até 3% na produtividade da soja. No milho safrinha, o avanço pode chegar a 2,3%. Segundo a fabricante, esse desempenho pode representar retorno de até R$ 465 por hectare. Esse resultado ocorre devido à melhor uniformidade na emergência das plantas.

    Foto: Divulgação MF

    A plantadeira utiliza tecnologias como Smart Frame e Weight Transfer. Esses sistemas distribuem automaticamente o peso ao longo da estrutura. Dessa forma, as linhas mantêm melhor contato com o solo. Além disso, os sistemas VSet e VDrive garantem precisão na distribuição de sementes. O controle de fertilizantes ocorre por meio do vApply. Esse recurso evita sobreposições e reduz desperdícios.

    Com monitoramento em tempo real por meio do display 20/20, o operador acompanha toda a operação com maior precisão. Assim, ele identifica falhas rapidamente e ajusta os parâmetros conforme necessário.

    A combinação entre potência, automação e inteligência operacional posiciona o MF 9S como uma solução voltada ao produtor que busca escala, eficiência e maior controle sobre os resultados no campo.

  • Você pode estar jogando fertilizante fora sem perceber

    Você pode estar jogando fertilizante fora sem perceber

    Produtor, imagine jogar dinheiro fora antes mesmo de ver a colheita. No Brasil, com custos de fertilizantes nas alturas por causa de oscilações globais e impostos pesados, a demanda retrai e a eficiência vira sobrevivência.

    Luís Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes, avisa: “A agricultura moderna exige cada vez mais eficiência. Produzir mais com menos passa diretamente pelo uso correto dos fertilizantes, desde o planejamento até a aplicação. O desperdício impacta não só o bolso do produtor, mas também o desempenho da lavoura”. Vamos direto ao ponto: aqui vão os cuidados práticos para evitar isso.

    Armazenamento ruim: Perda antes da hora!

    Você guarda os sacos no celeiro úmido ou sob o sol? Erro fatal. Fertilizantes precisam de locais cobertos, secos e ventilados. A umidade causa empedramento, perda de qualidade e até queda na concentração de nutrientes. Schiavo explica: “Produtos mal armazenados podem sofrer empedramento, perda de qualidade e até redução da concentração de nutrientes, comprometendo sua eficiência no campo”. Resultado? Nutrientes evaporam ou viram pó, e seu investimento some antes da plantadeira.

    Análise de solo é importante

    Aplica no achismo? Pare agora. Cada talhão varia em argila e nutrientes, mesmo na mesma fazenda. Faça análise de solo para dosar certo e evitar excessos. Escolha entre químicos, orgânicos ou minerais conforme a cultura. “Não existe uma solução única. O importante é entender a necessidade da planta e utilizar a fonte mais adequada, podendo inclusive combinar diferentes tipos para potencializar resultados”, diz o executivo. Sem isso, você desperdiça dinheiro e equilibra mal o solo.

    Mais fertilizante não significa mais produção. Excesso bloqueia absorção de outros nutrientes e atrasa o crescimento. Aplique na hora exata, considerando estágio da cultura e clima. “Aplicar na hora certa garante maior absorção e reduz perdas de nutrientes para o ar ou pela água da chuva”, alerta Schiavo.

    Tecnologia: O caminho para zero desperdício

    Agricultura de precisão muda o jogo. Use GPS, mapas de taxa variável, sensores, drones e softwares para distribuir certinho. Nada de sobreposições ou irregularidades. “Ferramentas tecnológicas ajudam a otimizar o uso dos insumos e aumentam a eficiência operacional”, reforça o CEO. Com isso, você corta custos e maximiza o que cai no solo.

    Siga isso religiosamente: fonte certa, dose certa, hora certa, local certo. “Quando seguimos esse conceito, conseguimos maximizar os resultados e minimizar impactos negativos, tanto econômicos quanto ambientais”, concluiu.

    Com demanda global por comida explodindo, produzir mais sem mais terra depende disso. Para isso, a Naval Fertilizantes, de Campo Novo do Parecis (MT), aposta em produtos biológicos, nutrição e tecnologia de aplicação para as lavouras de soja, milho, milho pipoca, arroz, feijão, algodão, girassol, cana de açúcar e pastagens, além de  franquias para expandir, mirando R$ 2 bilhões em cinco anos.

  • Técnica criada por produtores está mudando o cultivo de maracujá no Brasil

    Técnica criada por produtores está mudando o cultivo de maracujá no Brasil

    Quem planta maracujá conhece bem a equação cruel da fruticultura: você investe meses de trabalho, e o mercado decide quanto vai pagar. Em 2026, essa conta ficou ainda mais difícil. O preço despencou, o clima atrapalhou a formação dos frutos e, mesmo assim, há produtores que encontraram saída por conta própria, literalmente na ponta do broto.

    Quando o preço cai pela metade, é hora de adaptar

    Em Gália, no centro-oeste paulista, José Roberto Martineli cuida de três hectares com 2,5 mil pés de maracujá. A caixa de aproximadamente 20 quilos, que chegou a R$ 100 no final do ano passado, agora sai por R$ 40. Uma queda de 60% que não veio sozinha.

    As temperaturas mais baixas registradas em 2025 comprometeram a formação da fruta, reduzindo qualidade e volume. Para muitos produtores, esse tipo de combinação seria razão suficiente para repensar a cultura. Para Martineli, foi razão suficiente para aperfeiçoar o que já fazia.

    O método que o produtor desenvolveu ao longo dos anos foca em aumentar a florada e concentrar a produção em dezembro, quando o mercado paga melhor. A lógica está no número de brotos conduzidos na parreira: mais brotos geram mais guias, mais guias resultam em mais frutos no período certo. A meta é chegar a duas mil caixas até o fim do ano.

    A técnica não está em nenhum manual acadêmico. Ela nasceu da observação, do erro e do acerto dentro da própria lavoura, o que define boa parte do conhecimento aplicado na agricultura familiar brasileira.

    A 40 quilômetros dali, outra família e o mesmo compromisso

    Em Alvinlândia, município vizinho, a família de Viviane Pinheiro da Cruz Pereira trabalha um hectare com 830 pés de maracujá. Por lá, a polinização manual é o detalhe que faz toda a diferença, processo que exige presença constante e atenção ao ciclo das flores.

    A projeção para 2026 é ambiciosa: a família espera colher três caixas por pé, o que representa uma estimativa de cerca de 35 mil quilos. Para uma propriedade de um hectare conduzida em família, esse volume só se sustenta com rotina rigorosa e presença diária no campo, incluindo sábados e domingos.

    O que esses produtores nos ensinam?

    A história de Martineli e da família Pereira funciona como exemplo de como a agricultura familiar responde a pressões que fogem do seu controle. Quando o preço cai e o clima falha, o que resta ao produtor é dominar aquilo que está ao seu alcance: o manejo, o tempo de poda, a condução da planta, a polinização feita à mão.

    Nenhuma dessas escolhas resolve o problema estrutural da oscilação de preços. Mas elas fazem a diferença entre fechar a safra no vermelho ou chegar a dezembro com produção suficiente para aproveitar o melhor momento do mercado.

  • O que ninguém te contou: plantas podem memorizar a seca

    O que ninguém te contou: plantas podem memorizar a seca

    As plantas não apenas reagem ao ambiente. Na verdade, elas também aprendem com ele. Um estudo recente da Unesp mostra que plantas conseguem “memorizar” eventos estressantes e, dessa forma, ajustar suas respostas no futuro. Esse avanço, portanto, pode abrir novas estratégias para o agronegócio brasileiro.

    Além disso, a descoberta chega em um momento decisivo. Com o aumento de secas e ondas de calor, produtores buscam alternativas para manter produtividade e reduzir riscos no campo. Nesse contexto, entender como as plantas se adaptam se torna essencial.

    Como funciona a memória das plantas

    Embora não possuam sistema nervoso, as plantas desenvolveram mecanismos altamente sofisticados. Nesse sentido, elas registram experiências anteriores de estresse, como falta de água, e ajustam seu funcionamento.

    Por exemplo, pesquisas com sorgo mostram que plantas expostas a estresse hídrico recorrente apresentaram melhor desempenho fisiológico. Além disso, os estudos identificaram:

    • Maior eficiência fotossintética
    • Melhor conservação do sistema fotoquímico
    • Ajustes nas relações hídricas

    Como resultado, essas plantas conseguem sobreviver melhor em condições adversas. Ao mesmo tempo, elas mantêm níveis mais estáveis de produtividade.

    Outro ponto importante envolve os mecanismos antioxidantes. Durante o estresse, enzimas como SOD, CAT e APX entram em ação. Dessa forma, elas reduzem danos celulares e fortalecem a resistência da planta.

    Clima extremo acelera a necessidade de adaptação

    Atualmente, eventos climáticos extremos ocorrem com mais frequência. Por isso, estresses como seca, salinidade e calor intenso impactam diretamente a produção agrícola.

    Nesse cenário, a capacidade de adaptação rápida se torna um diferencial competitivo. Além disso, plantas que já passaram por estresse tendem a responder melhor quando enfrentam novas adversidades.

    Por outro lado, essas mesmas plantas também se recuperam mais rápido. Quando as condições melhoram, como no retorno das chuvas, elas retomam o crescimento com maior eficiência.

    Assim, o ciclo produtivo se torna mais estável, mesmo diante de variações climáticas.

    Impactos diretos para o agronegócio

    A descoberta não fica restrita ao campo científico. Pelo contrário, ela já aponta caminhos práticos para o produtor rural.

    Em primeiro lugar, programas de melhoramento genético podem priorizar plantas com maior capacidade de adaptação. Dessa forma, novas cultivares tendem a ser mais resistentes. Além disso, o manejo agrícola pode evoluir. Técnicas como irrigação controlada, por exemplo, podem estimular respostas adaptativas nas plantas.

    Outro benefício importante envolve a redução de perdas. Em períodos críticos, lavouras mais preparadas sofrem menos impacto.

    Ao mesmo tempo, produtores podem otimizar o uso de insumos. Como resultado, há maior eficiência no uso de água e nutrientes, o que reduz custos.

    Epigenética impulsiona a agricultura do futuro

    A chamada memória vegetal está ligada à epigenética. Ou seja, trata-se de mudanças na expressão dos genes sem alterar o DNA.

    Nesse sentido, a planta cria uma espécie de histórico biológico. Assim, ela consegue responder de forma mais rápida a novos estresses. Além disso, esse processo envolve diferentes níveis, como expressão gênica, produção de protéinas e ajustes metabólicos.

    Portanto, a epigenética se consolida como uma das áreas mais promissoras para inovação no agro.

    Oportunidade estratégica para o Brasil

    O Brasil pode se beneficiar diretamente dessa descoberta. Afinal, o país depende fortemente de culturas sensíveis ao clima, como soja, milho e cana-de-açúcar.

    Nesse cenário, lavouras mais resilientes aumentam a previsibilidade da produção. Além disso, reduzem riscos associados às mudanças climáticas. O setor ganha mais estabilidade econômica e ao mesmo tempo, o produtor se torna menos vulnerável a perdas inesperadas.

    Ciência que já começa a transformar o campo

    A ideia de que plantas aprendem com o ambiente deixa de ser apenas teoria. Na prática, ela já aponta caminhos concretos para o agronegócio.

    Assim, ao integrar ciência e manejo, o produtor ganha eficiência e segurança. Além disso, prepara sua lavoura para um cenário climático cada vez mais desafiador.

    Portanto, a memória vegetal pode se tornar uma aliada estratégica. E, nesse novo cenário, quem adotar essas práticas primeiro tende a sair na frente.

  • Eficiência vira prioridade em meio à alta dos custos no agro

    Eficiência vira prioridade em meio à alta dos custos no agro

    A 23ª edição da Tecnoshow Comigo (Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano), realizada em Rio Verde (GO), começou sob o desafio de superar os resultados do ano anterior em um cenário econômico mais restritivo. Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (8), o diretor de insumos da Comigo e coordenador geral do evento, Cláudio Teoro, e o presidente executivo da cooperativa, Dourivan Cruvinel, destacaram que a feira mantém o compromisso com inovação, conforto e geração de conhecimento, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo setor.

    Segundo os dirigentes, a evolução da Tecnoshow ao longo dos anos superou as expectativas iniciais. “Nunca passava pela cabeça que a feira tomaria essa proporção”, afirmaram. Além disso, reforçaram que a organização busca aprimorar cada edição, com foco em estrutura, segurança, alimentação e higiene, mantendo o padrão de excelência que marca o evento.

    Cenário econômico impõe cautela

    Apesar do otimismo com a realização da feira, o momento exige prudência. O setor agropecuário, assim como a indústria, enfrenta desafios relacionados ao endividamento dos produtores, à queda nos preços da soja e às altas taxas de juros.

    Presidente executivo da cooperativa, Dourivan Cruvinel e o diretor de insumos da Comigo e coordenador geral do evento, Cláudio Teoro durante coletiva de imprensa – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Nesse contexto, a expectativa é de redução no volume de negócios em relação a anos anteriores. Ainda assim, os produtores seguem presentes e demonstram interesse, principalmente na aquisição de insumos, considerados essenciais para a produção.

    “Estamos em um ano de comprar somente o necessário”, destacaram. Por outro lado, empresas expositoras têm buscado oferecer condições comerciais mais atrativas, na tentativa de estimular as negociações.

    O aumento recente no preço de fertilizantes, especialmente os fosfatados, também pressiona os custos de produção. Ainda assim, a feira mantém seu papel não apenas comercial, mas também técnico, ao apresentar inovações, tecnologias e promover a troca de conhecimento por meio de palestras e espaços como o pavilhão de startups.

    Cooperativismo e investimento sustentam crescimento

    A Comigo segue ampliando sua atuação no estado de Goiás, com investimentos contínuos em infraestrutura. Atualmente, a cooperativa já responde por cerca de 20% da soja produzida no estado e se consolidou como a maior armazenadora de grãos da região.

    Entre os projetos em andamento estão a abertura de novas lojas, ampliação da capacidade de armazenagem e a implantação de uma esmagadora de grãos, que deve dobrar o faturamento da cooperativa. Para os próximos anos, a meta inclui a construção de novas unidades e armazéns.

    Além disso, a cooperativa conta com cerca de 13 mil cooperados e atua fortemente na geração e difusão de conhecimento. Em parceria com universidades e pesquisadores, desenvolve estudos que posteriormente são levados ao campo, contribuindo para ganhos de produtividade.

    “Essa é uma vitrine tecnológica. O conhecimento gerado aqui chega ao produtor e se transforma em resultado”, destacaram.

    Tecnologia e gestão ganham protagonismo

    Diante de um cenário de margens mais apertadas, a busca por eficiência se torna essencial. Os dirigentes reforçaram que produtividade e gestão caminham juntas e que, em muitos casos, melhorias no manejo não implicam aumento de custos, podendo, inclusive, gerar economia.

    Ao mesmo tempo, fatores de mercado continuam determinando os preços, seguindo a lógica de oferta e demanda. A atual crise de liquidez global, segundo eles, pode impactar o setor no curto prazo, mas a tendência de aumento na demanda por alimentos permanece.

    “Não vemos redução na produção de grãos ou carne. O que ocorre é um aumento de produção em áreas menores, com mais tecnologia”, afirmaram.

    Estande da Comigo na Tecnoshow 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    A segunda safra também foi tema da coletiva. O atraso no plantio da soja comprometeu a janela ideal do milho, mas as chuvas recentes melhoraram as perspectivas. “A agricultura é uma empresa a céu aberto. Houve atraso, mas choveu, e isso pode garantir uma boa safra”, avaliaram.

    Sustentabilidade e diversificação ganham espaço

    A Comigo também investe em sustentabilidade energética desde a década de 1980, com o plantio de eucalipto para abastecimento de biomassa. A iniciativa garante autonomia e reforça o compromisso ambiental da cooperativa.

    Além disso, a diversificação de renda tem ganhado espaço entre os produtores, impulsionada pela chegada de novas indústrias na região, como usinas e plantas de processamento. Para os dirigentes, essa estratégia fortalece o produtor frente às oscilações do mercado.

    “O produtor não precisa mudar de cultura, mas pode diversificar sua renda”, destacaram.

    Público e negócios

    Nos primeiros dias de evento, a Tecnoshow registrou público expressivo, com cerca de 16 mil visitantes no primeiro dia e quase 24 mil no segundo. No entanto, a organização optou por não divulgar projeções de volume de negócios neste ano, adotando uma postura mais conservadora diante do cenário atual.

    Ainda assim, o volume de operações no segmento de insumos da cooperativa já se aproxima do registrado em 2025, o que demonstra a confiança dos produtores na instituição, que acumula mais de 50 anos de atuação.

  • Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    A agricultura brasileira entrou em um novo patamar de exigência técnica, no qual produzir mais não é mais suficiente: é preciso produzir melhor. Essa foi a principal mensagem apresentada por Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo, realizada em Rio Verde (GO). Nesse contexto, a pressão por produtividade aumenta, e o sucesso no campo passa a depender de inovação, manejo assertivo e escolha correta de tecnologias.

    Segundo ele, a IHARA atua como uma ponte entre a tecnologia japonesa e o agricultor brasileiro, trazendo moléculas inovadoras adaptadas à realidade tropical. “A agricultura é capricho. Não basta plantar, é preciso entender o ambiente, o momento da planta e o problema a ser enfrentado”, afirmou.

    A necessidade de inovação, explicou, está diretamente ligada às características do sistema produtivo brasileiro. Com possibilidade de segunda safra e condições climáticas favoráveis, o mesmo ambiente que beneficia as culturas também favorece pragas e doenças. “Tudo que é bom para a planta também é bom para os fatores que limitam a produtividade”, ressaltou. Por isso, investir em tecnologia deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade.

    Hoje, o Brasil possui cerca de 50 milhões de hectares de soja. No entanto, a área tratada com defensivos ultrapassa 1,4 bilhão de hectares ao longo dos anos, considerando múltiplas aplicações. Esse dado evidencia um movimento claro: o agricultor trata cada vez mais sua lavoura para proteger o potencial produtivo.

    Produtividade exige estratégia e precisão

    No Cerrado, a média de produtividade gira em torno de 55 sacas por hectare — ponto de equilíbrio para muitos produtores. A margem de lucro, porém, só aparece acima disso. Para alcançar ganhos mais expressivos, é necessário atingir patamares entre 70 e 75 sacas por hectare.

    Esse salto produtivo, segundo Valdumiro, depende de uma combinação de fatores: melhoramento genético, acesso a crédito e, principalmente, manejo eficiente. “É impossível imaginar a prosperidade da agricultura brasileira sem investimento em tecnologia”, afirmou.

    Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O avanço das doenças e pragas também exige um olhar mais detalhado. Se no passado o foco estava em problemas visíveis, como a ferrugem asiática, hoje o cenário é mais complexo. A mancha-alvo, por exemplo, vem ganhando protagonismo e já apresenta maior tolerância a fungicidas tradicionais.

    Diante desse cenário, a IHARA apresentou o fungicida SEIV, desenvolvido especificamente para o controle dessa doença. De acordo com dados da empresa, a tecnologia pode alcançar até 95% de eficácia, contribuindo diretamente para a manutenção da produtividade.

    Outro ponto destacado foi a importância da especificidade no manejo. Enquanto o produtor costuma escolher fungicidas considerando o tipo de doença e o estágio da planta, o mesmo cuidado nem sempre ocorre no controle de pragas.

    Pressão de pragas e plantas daninhas aumenta

    Entre os principais desafios atuais estão os percevejos, especialmente o barriga-verde, que vem se adaptando à soja e causando danos mais severos que o percevejo-marrom. Além disso, a presença de mosca-branca em anos chuvosos rompe antigos padrões e exige novas estratégias de controle.

    Para esse cenário, o inseticida ZEUS surge como uma solução de amplo espectro, com atuação eficiente tanto em percevejos quanto em mosca-branca, além de efeito residual prolongado.

    No manejo de plantas daninhas, o alerta é para a crescente resistência. Espécies como capim-pé-de-galinha, caruru e capim-amargoso apresentam menor sensibilidade aos herbicidas convencionais, exigindo novas abordagens.

    Uma das estratégias defendidas é o uso de herbicidas pré-emergentes, como o Yamato, que atuam antes mesmo da germinação das plantas invasoras. Ainda assim, há espaço para crescimento: cerca de metade das lavouras brasileiras de soja não utiliza esse tipo de manejo.

    “A planta daninha precisa ser combatida antes de aparecer. O produtor precisa surpreender o problema, não reagir a ele”, explicou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Cooperativismo e futuro da agricultura

    A relevância da Tecnoshow Comigo também aparece como ponto de conexão entre tecnologia e produtor. A cooperativa atua em cerca de 22% da área de soja e milho de Goiás, reforçando o papel do cooperativismo na difusão de conhecimento e inovação.

    Ao mesmo tempo, a IHARA mantém um pipeline robusto, com 22 novos ativos em desenvolvimento e potencial para até 240 produtos. Entre os lançamentos previstos está o Fusão Fix, que promete mais praticidade e eficiência no manejo da soja.

    A mensagem final reforça a mudança de mentalidade no campo. Se antes produzir 70 sacas era referência, hoje já se fala em 100 sacas por hectare. Assim, o novo cenário exige mais conhecimento, planejamento e precisão.

    “Cada vez mais, o agricultor precisa conhecer o alvo e escolher a solução adequada. Esse é o caminho para garantir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo”, concluiu Valdumiro.

  • Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    A Corteva Agriscience apresentou, nesta terça-feira (7), durante a 23ª Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO), o Reklemel, nova tecnologia voltada ao manejo de nematoides no solo. O produto surge como resposta a um problema bilionário no campo. Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia, as perdas podem chegar a R$ 35 bilhões por ano no Brasil. Os nematoides atacam as raízes e comprometem o desenvolvimento das plantas.

    Além disso, a proposta da empresa é oferecer controle seletivo dos fitonematoides. Dessa forma, a tecnologia preserva a biota do solo e contribui para o aumento da produtividade. O lançamento foi apresentado como uma nova ferramenta dentro do manejo integrado.

    Durante coletiva, o Líder de Portfólio de Inseticidas e Nematicidas da Corteva para Brasil e Paraguai, Thomas Scott, destacou que o Reklemel representa um avanço importante. Isso ocorre porque o produto atua com um novo modo de ação e um grupo químico inédito no mercado. “Hoje, muitos produtores ainda não diferenciam nematoides benéficos dos prejudiciais. O diferencial da tecnologia é eliminar o fitonematoide e manter os organismos que contribuem para a saúde do solo”, afirmou.

    Os nematoides são vermes microscópicos, de corpo cilíndrico, presentes no solo. No entanto, nem todos causam danos. Cerca de 70% são de vida livre e exercem papel importante na decomposição da matéria orgânica. Além disso, ajudam na ciclagem de nutrientes. Por outro lado, os fitonematoides parasitam plantas. Eles formam galhas nas raízes e reduzem a absorção de água e nutrientes.

    Manejo integrado ganha reforço com nova tecnologia

    A cientista de campo da Corteva, Marina Gomes, que participou do desenvolvimento da solução, explicou que o Reklemel atua como uma ferramenta complementar. Segundo ela, o produto protege o sistema radicular da planta. Ao mesmo tempo, mantém a microbiota do solo ativa. “Isso permite que fungos e outros agentes biológicos continuem contribuindo para o controle natural das pragas”, disse.

    Além disso, o uso combinado com soluções biológicas já adotadas pelo produtor potencializa os resultados. A aplicação do produto é feita diretamente no sulco de plantio. Dessa forma, a tecnologia permanece próxima à raiz. Isso aumenta a eficiência e reduz a quantidade utilizada por hectare.

    “Como a aplicação é concentrada no local de desenvolvimento da planta, o manejo se torna mais eficiente. Além disso, há redução de custos e maior sustentabilidade no sistema produtivo”, acrescentou Scott.

    O lançamento contempla diferentes culturas agrícolas. A molécula chega ao mercado sob três marcas. Lormelo é voltado para soja, milho, algodão e sorgo. Já o Salibro atende hortifrúti e café. Por fim, o Yeldana foi desenvolvido para a cultura da cana-de-açúcar.

    Problema generalizado exige estratégia contínua

    Atualmente, todas as culturas agrícolas são suscetíveis aos nematoides. No entanto, o nível de impacto varia conforme a espécie e a região. Por isso, o manejo adequado depende da identificação correta do tipo de nematoide presente na área.

    Além disso, o avanço da praga tem exigido maior adoção de tecnologias no campo. Regiões do Cerrado, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso, já apresentam uso mais intensivo das soluções. Dessa forma, o controle se torna mais eficiente ao longo do tempo.

    Marina e Thomas durante apresentação do Reklemel na 26ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A recomendação técnica é manter o manejo de forma contínua. Ou seja, ao longo dos ciclos produtivos e nos diferentes talhões da propriedade. “Quanto mais longo o manejo, melhores são os resultados. Não é uma solução pontual, mas um trabalho contínuo de construção da saúde do solo”, explicou Marina.

    Por fim, o uso de práticas integradas segue como estratégia essencial. Entre elas, estão a rotação de culturas, o uso de produtos biológicos e o monitoramento constante. Assim, o produtor consegue reduzir os impactos dos nematoides e manter a produtividade.

    Com o Reklemel, a Corteva aposta em uma abordagem mais equilibrada. A tecnologia alia eficiência no controle dos fitonematoides à preservação dos organismos benéficos. A expectativa é ampliar as possibilidades de manejo e fortalecer sistemas produtivos mais sustentáveis no longo prazo.