Tag: Produção de leite

  • Embrapa lança protocolos para reduzir emissões na produção de leite

    Embrapa lança protocolos para reduzir emissões na produção de leite

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou três protocolos inovadores destinados a transformar a produção de leite no Brasil em uma atividade mais sustentável. As diretrizes científicas, desenvolvidas após anos de estudos, focam na redução de gases de efeito estufa (GEE) e no aumento do sequestro de carbono, respondendo aos desafios climáticos enfrentados pelo setor agropecuário.

    Os protocolos, que abrangem a mitigação de metano em bovinos, redução de amônia e óxido nitroso no solo, e manejo para acúmulo de carbono , foram publicados pela Embrapa Pecuária Sudeste e representam ferramentas práticas para produtores rurais que buscam adequar suas propriedades às demandas ambientais globais.

    Pecuária leiteira responde por 11% das emissões de metano bovino

    Segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) de 2024, o setor agropecuário brasileiro é responsável por 30,5% das emissões totais de GEE do país. Dentro desse cenário, 19% correspondem ao metano, sendo que 97% desse gás provém de bovinos. Do rebanho bovino nacional, 11% das emissões de metano são atribuídas à produção leiteira.

    “A atividade leiteira é desafiadora para o produtor. A redução das emissões deve ser considerada nas decisões das propriedades para garantir a segurança alimentar com menor impacto ambiental”, explica a pesquisadora Patrícia Perondi Anchão Oliveira, da Embrapa Pecuária Sudeste.

    Primeiro protocolo: redução de metano através da eficiência produtiva

    O metano bovino é liberado principalmente pela eructação (arroto). E representa mais de 95% das emissões do animal. O primeiro protocolo estabelece estratégias como melhoria de índices produtivos e reprodutivos, seleção genética, otimização de dietas, uso de aditivos alimentares e aprimoramento do manejo de pastagens.

    Simulações realizadas pela Embrapa demonstram o impacto dos índices zootécnicos nas emissões. Comparando dois cenários de manejo, observou-se que práticas inadequadas, como intervalo entre partos de 18 meses em vez de 12, e idade ao primeiro parto de 30 meses em vez de 24, aumentaram as emissões de metano em 22%.

    A especialização genética também influencia. Vacas holandesas puras apresentaram emissão de 18,4 gramas de metano por litro de leite, enquanto animais girolandos emitiram 25,3 gramas por litro, evidenciando a importância da escolha racial para a sustentabilidade.

    “Animais saudáveis de alta produtividade colaboram para a redução do impacto do setor sobre as mudanças climáticas”, afirma André Novo, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste. Ele ressalta que um rebanho equilibrado deve ter 70% de vacas adultas e 30% de fêmeas jovens, com 83% das vacas em lactação.

    Segundo protocolo: controle de amônia e óxido nitroso

    O óxido nitroso (N₂O) possui potencial de aquecimento global 298 vezes superior ao dióxido de carbono e permanece na atmosfera por até 114 anos. O segundo protocolo aborda medidas para reduzir esse gás altamente poluente e a amônia (NH₃), que contribui indiretamente para as emissões de GEE.

    Entre as práticas recomendadas estão o consórcio de leguminosas com gramíneas, que fixam nitrogênio no solo e reduzem a necessidade de fertilizantes sintéticos. Cada quilo de fertilizante nitrogenado não utilizado evita a emissão de 5,42 quilos de CO₂ do processo de fabricação.

    Leguminosas consorciadas com gramíneas fixam nitrogênio no solo e contribuem para reduzir a emissão de GEE porque diminuem o uso de fertilizantes nitrogenados. Foto: Gisele Rosso/Embrap

    O protocolo também sugere a distribuição uniforme de dejetos animais através de lotação rotativa, uso de fertilizantes de eficiência aumentada, aplicação incorporada de ureia no solo e irrigação após fertilização. Essas medidas reduzem tanto o impacto climático quanto os custos de produção.

    Terceiro protocolo: sequestro de carbono no solo

    O terceiro protocolo foca no aumento da matéria orgânica do solo (MOS) através de práticas conservacionistas. Pastagens tropicais bem manejadas têm alto potencial de sequestro de carbono, sendo capazes de armazenar o elemento em profundidades superiores a um metro.

    Dados da Embrapa revelam que sistemas integrados com árvores podem compensar emissões bovinas: são necessários 52 eucaliptos para neutralizar a emissão anual de uma vaca produzindo 26 quilos de leite por dia.

    Práticas de conservação como plantio direto (foto) são primordiais para aumentar e preservar o carbono sequestrado no solo. Foto: Gisele Rosso/Embrap

    Técnicas como calagem, fertilização, plantio direto, adubação verde e sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta são fundamentais para preservar o carbono sequestrado. Além dos benefícios climáticos, animais criados em pastagens bem manejadas apresentam menor suscetibilidade a doenças e estresse.

    Desafios econômicos e políticas públicas

    Alexandre Berndt, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, reconhece que o principal obstáculo para ampliação dessas práticas é o custo inicial. “Migrar para uma produção mais eficiente exige investimentos em tecnologia. Contudo, após a adoção, a rentabilidade aumenta e permite novos investimentos”, pondera.

    O pesquisador destaca a importância de políticas públicas como o Plano ABC+ e de arranjos locais envolvendo cooperativas, associações e laticínios para facilitar a transição dos produtores rumo à sustentabilidade.

    Contribuição para objetivos globais

    Os protocolos representam uma contribuição concreta para os objetivos de descarbonização da cadeia leiteira brasileira e para o cumprimento da meta 13 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, voltada ao combate às mudanças climáticas.

    Foto: Gisele Rosso/Embrap

    “A adoção de tecnologias adequadas para cada tipo de sistema é crucial para desenvolver uma pecuária mais resiliente, sustentável e responsável”, conclui Berndt. Ele enfatizaou que técnicos e produtores agora dispõem de soluções científicas para cooperar na garantia da sustentabilidade planetária.

  • Tecnologia: como a automação eleva produtividade leiteira em 7,4%

    Tecnologia: como a automação eleva produtividade leiteira em 7,4%

    Um estudo global conduzido pela Lely analisou dados de 13.816 fazendas leiteiras e comprovou o que produtores rurais já suspeitavam: a automação combinada de ordenha e alimentação aumenta significativamente a produtividade. Os números mostram um ganho médio de 7,4% na produção diária de leite por vaca quando comparadas propriedades que automatizam ambos os processos com aquelas que robotizam apenas a ordenha.

    A pesquisa, realizada entre janeiro de 2023 e maio de 2024, avaliou indicadores como volume de produção, frequência de ordenhas e comportamento das vacas em relação aos sistemas automatizados. Os resultados apontam uma correlação direta entre a disponibilidade constante de alimento e o aumento nas visitas voluntárias aos robôs de ordenha.

    O segredo está na rotina

    Segundo Letícia Fernandes, especialista da equipe Farm Management Support da Lely América Latina, a tecnologia não substitui boas práticas — ela as aprimora. “Quando o básico é feito com precisão e constância, o resultado aparece em todos os níveis. A vaca se alimenta melhor, ordenha com mais frequência e o produtor ganha eficiência”, explica.

    O princípio é simples: vacas que têm acesso contínuo ao alimento seguem seu comportamento natural de se alimentar em pequenas porções ao longo do dia. Isso reduz períodos de jejum, melhora a digestão e, consequentemente, estimula a produção leiteira.

    Caso brasileiro comprova eficácia

    Na Cabanha Stefini, localizada em Sertão (RS), os resultados práticos superaram as expectativas. A propriedade mantém 60 vacas holandesas em lactação sob gestão de Diogo Stefini, zootecnista especializado em nutrição bovina.

    “O empurrador automático de comida fez as vacas voltarem mais vezes ao cocho. Em menos de 30 dias, registramos um aumento de 4 litros de leite por animal apenas com essa mudança”, relata o produtor.

    Após implementar também a ordenha robotizada, a fazenda alcançou um incremento total de aproximadamente 20% na produção. Além disso, houve redução significativa na demanda por mão de obra. “Hoje temos mais tempo para cuidar das bezerras e do planejamento estratégico. As vacas estão mais calmas, com menos estresse, o que trouxe estabilidade ao rebanho”, complementa Stefini.

    Tendência global em sustentabilidade

    Para Letícia Fernandes, os dados reforçam uma tendência mundial de integração entre tecnologia, bem-estar animal e rentabilidade econômica. “Eliminar tarefas repetitivas e garantir constância na rotina transforma o sistema em um ambiente produtivo 24 horas por dia, com animais mais saudáveis e ativos”, afirma.

    A especialista ressalta que, embora os números representem médias globais, os resultados podem variar conforme manejo, manutenção dos equipamentos e frequência de uso. “Mesmo com variações, as tendências mostram que a automação se tornou aliada indispensável da eficiência e sustentabilidade na pecuária leiteira moderna”, conclui.

    A pesquisa reforça o posicionamento da tecnologia como ferramenta estratégica para o futuro do agronegócio, combinando produtividade econômica com práticas de bem-estar animal. Uma demanda crescente tanto do mercado quanto de consumidores conscientes.

  • Como reduzir o consumo de água na produção de leite

    Como reduzir o consumo de água na produção de leite

    Quando você toma um copo de leite no café da manhã, provavelmente não imagina que aqueles 200ml carregam uma história bem mais complexa. Por trás de cada litro produzido, existe um consumo de água que pode variar de 299 a 1.058 litros. Uma diferença que assusta e, ao mesmo tempo, mostra o potencial de melhoria no setor.

    Pesquisadores brasileiros e alemães mergulharam fundo nessa questão. Eles analisaram 67 fazendas leiteiras em Lajeado Tacongava, no nordeste gaúcho, e fizeram algo impressionante: testaram 192 combinações diferentes de práticas e cenários climáticos para cada propriedade. O resultado? Um mapa detalhado que mostra exatamente onde os produtores podem economizar água.

    O que realmente consome água na produção leiteira

    A pegada hídrica na pecuária leiteira funciona como uma contabilidade invisível. Julio Palhares, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste que participou do estudo, explica que esse conceito vai muito além da água que o animal bebe. “Temos que considerar a água usada diretamente na fazenda e também aquela consumida indiretamente no cultivo dos alimentos para o gado”, destaca.

    Os cientistas dividiram essa conta em três categorias. A água verde — que vem da chuva e evapora durante o crescimento das plantas — representa impressionantes 98,8% do total em sistemas de pastagem. Depois vem a água azul, retirada de rios e poços, usada pelos animais e na limpeza. Por fim, a água cinza, que seria necessária para diluir os poluentes dos efluentes.

    Boas práticas que fazem diferença real

    As propriedades analisadas mostraram realidades bem distintas. Entre as 57 fazendas de pastagem, sete semi-confinadas e três confinadas, os números revelaram que o sistema de produção sozinho não define a eficiência. Uma fazenda a pasto pode ter pegada menor que uma confinada, dependendo de como é gerenciada.

    “Independentemente do modelo de produção, se gerenciado corretamente, ele pode ser ambientalmente amigável em relação à água”, afirma Palhares. Essa frase resume bem a descoberta central: não existe vilão, existe gestão ruim.

    As combinações mais eficientes envolveram aumentos de 25% na produtividade de milho e soja — os principais alimentos do rebanho. Reduzir o consumo de água na lavagem da sala de ordenha também trouxe resultados significativos. Um litro a mais de leite por vaca ao dia já impacta positivamente os números. E o tratamento adequado dos efluentes reduziu drasticamente a pegada cinza.

    O fantasma do aquecimento global

    Mas tem um problema crescendo no horizonte. O estudo publicado na Science of The Total Environment mostra que as mudanças climáticas estão jogando contra os produtores. Temperaturas 1,5°C a 2,5°C mais altas fazem as vacas beberem mais água e prejudicam a produtividade do milho.

    Foto: Gisele Rosso/Embrapa

    “A cada ano, fica mais limitado aumentar os rendimentos das culturas devido aos efeitos das mudanças climáticas”, alerta o pesquisador. É uma corrida contra o tempo onde os produtores precisam melhorar a eficiência enquanto o clima trabalha na direção oposta.

    A pegada hídrica azul deve aumentar entre 1% e 2% por causa do aquecimento global. Parece pouco, mas em uma atividade que já consome centenas de litros por quilo de leite, cada percentual conta.

    Soluções de curto prazo existem

    A boa notícia é que tem solução à vista. Aumentar os rendimentos de milho e soja seria a ação mais rápida para melhorar a eficiência hídrica. Como a água verde domina a conta (mais de 98% do total), qualquer ganho nas lavouras se reflete diretamente na pegada do leite.

    Outras medidas também ajudam: otimizar o tamanho do rebanho, selecionar animais com melhor conversão alimentar, usar água de forma inteligente na limpeza das instalações. São mudanças práticas que muitos produtores já podem implementar.

    O tratamento de efluentes merece atenção especial. “É crucial porque garante uma menor carga poluente, reduzindo a pegada hídrica cinza”, explica Palhares. Mesmo representando apenas 0,07% a 0,11% do total, essa fração pode crescer se mal gerenciada.

    Conexão com os objetivos globais

    Esse trabalho científico não acontece no vácuo. As medidas para reduzir a pegada hídrica nas fazendas conectam diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para 2030. O ODS 2 fala de práticas agropecuárias resilientes. O ODS 12 trata de consumo e produção responsáveis. E o ODS 13 busca combater as mudanças climáticas.

    São metas ambiciosas, mas os dados das 67 fazendas gaúchas mostram que o setor leiteiro pode contribuir significativamente. A variação de até 72% entre a menor e maior pegada hídrica (de 299 a 1.058 litros por quilo) demonstra o tamanho da oportunidade.

    O que vem pela frente

    O estudo seguiu as diretrizes do Manual de Avaliação da Pegada Hídrica e representa 81,7% das fazendas da bacia hidrográfica analisada — uma amostra robusta que permite extrapolar conclusões. Os pesquisadores geraram dados sobre eficiência hídrica que podem orientar políticas públicas e decisões de manejo.

    Para os produtores, a mensagem é clara: eficiência hídrica não é luxo, é necessidade. Com o clima mudando e a pressão por sustentabilidade aumentando, quem não se adaptar vai ficar para trás. As ferramentas existem, o conhecimento está disponível. Falta colocar em prática.

    A pegada hídrica média de 704 litros de água por quilo de leite pode parecer alta, mas os casos de sucesso mostram que dá para chegar nos 299 litros. É questão de combinar as práticas certas com gestão competente. E talvez, num futuro próximo, aquele copo de leite do café da manhã carregue uma história bem mais sustentável.

  • Embrapa firma parceria com multinacional para agricultura regenerativa no Brasil

    Embrapa firma parceria com multinacional para agricultura regenerativa no Brasil

    A Nestlé Brasil anunciou nesta segunda-feira (10), durante a abertura da COP30 em Belém, um acordo de cooperação estratégica com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) para impulsionar a agricultura regenerativa no país. A parceria tem como foco principal o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias sustentáveis voltadas às cadeias produtivas de leite e cacau.

    O acordo já conta com dois projetos de pesquisa definidos. O primeiro vai avaliar as emissões de gases de efeito estufa em vacas leiteiras submetidas a diferentes tipos de dieta. O segundo projeto concentra-se no desenvolvimento de sistemas agroflorestais mais eficientes para a produção de cacau na Amazônia.

    “Este acordo representa um passo importante da Nestlé rumo à neutralidade de carbono até 2050”, destacou Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil. Segundo ele, a ciência aplicada à prática tem papel fundamental na construção de sistemas alimentares mais sustentáveis e resilientes.

    Brasil como protagonista na agricultura regenerativa

    O país é considerado estratégico para a Nestlé global. Sendo um dos principais produtores de ingredientes para a multinacional. As cadeias de leite, cacau e café formam o núcleo das operações da empresa no território brasileiro.

    Para a produção de cacau, a parceria prevê investimentos em pesquisa genética e práticas regenerativas. O objetivo é aumentar a produtividade e tornar o Brasil novamente autossuficiente na produção do ingrediente, aproveitando as condições climáticas favoráveis do país.

    Parceria entre setor público e privado

    Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, ressaltou a importância da colaboração entre instituições públicas e empresas privadas. “É possível conciliar produtividade, competitividade e sustentabilidade, criando valor para toda a sociedade e contribuindo para a agenda de descarbonização do país”, afirmou.

    A aliança entre Nestlé e Embrapa já dura cerca de três décadas. Em 2006, as instituições lançaram o Programa de Boas Práticas em Fazendas de Leite, que se tornou referência nacional e, até 2017, alcançou todas as propriedades parceiras da companhia.

    Meta: 50% de matérias-primas de fontes regenerativas até 2030

    O acordo recebeu aval do Nestlé Institute of Agricultural Sciences (NIAS), centro de pesquisa inaugurado na Suíça em 2023. A meta da empresa é garantir que 50% das principais matérias-primas utilizadas globalmente venham de práticas regenerativas até 2030.

    Foto: Divulgação

    “A parceria com a Embrapa conecta a ciência global da Nestlé à realidade brasileira, permitindo validação local e adaptação às condições tropicais”, concluiu Melchior.

  • Câmara discute como reduzir riscos na produção de leite

    Câmara discute como reduzir riscos na produção de leite

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados realiza audiência pública na próxima terça-feira (4) para debater a implementação de um contrato futuro de leite no Brasil.

    O objetivo é reduzir os riscos de mercado, aumentar a previsibilidade de preços e fortalecer a competitividade do setor lácteo nacional. O debate está marcado para as 15h30, em plenário a ser definido.

    O deputado Cobalchini (MDB-SC), autor do requerimento, destaca a importância de garantir estabilidade econômica e previsibilidade aos produtores diante da volatilidade dos preços e do aumento dos custos de produção. “Queremos fortalecer toda a cadeia produtiva do leite”, afirma.

    Apesar dos avanços na produtividade, o Brasil enfrenta dificuldades para competir com a importação de leite subsidiado de países do Mercosul, alerta Cobalchini. Essa diferenciação, segundo ele, ameaça a sustentabilidade da atividade e inviabiliza a continuidade de muitos produtores.

    Para o parlamentar, a criação do contrato futuro de leite na bolsa de valores B3 pode transformar o cenário. “Esse instrumento trará previsibilidade nos preços, atrairá investimentos e facilitará o planejamento financeiro de produtores, cooperativas e indústrias”, explica Cobalchini.

  • Produção de leite no Piauí movimenta R$ 222 milhões

    Produção de leite no Piauí movimenta R$ 222 milhões

    A produção de leite no Piauí gerou R$ 222 milhões em 2024, consolidando o setor como um motor importante da economia local. O norte do estado lidera esse crescimento, com São José do Divino produzindo mais de 9 milhões de litros no ano, seguido por Parnaíba, que registrou 4,1 milhões de litros.

    Outras cidades como Teresina, Luís Correia, Caraúbas do Piauí e Piracuruca também ultrapassaram a marca de 1 milhão de litros. Isso segundo dados do IBGE divulgados em 18 de setembro.

    O avanço na produção decorre de ações do Governo do Estado, que reúne esforços da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e da Secretaria da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (Sada).

    Um destaque é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Leite, que conecta produtores a laticínios credenciados para pasteurização e envase. O leite é distribuído por Centros de Referência em Assistência Social (Cras) a famílias que recebem, em média, 4 litros por semana. O pagamento feito pela SAF ultrapassa o preço de mercado, garantindo renda justa aos produtores e segurança alimentar nos municípios.

    Programa Piauí Mais Genética

    Além disso, o Programa Piauí Mais Genética oferece inseminação artificial com sêmen de touros geneticamente superiores. Desta forma, melhorando a qualidade do rebanho e aumentando a produtividade de carne e leite. O Governo também libera crédito para produtores rurais, como a quantia de mais de R$ 260 mil destinada a 18 produtores de São José do Divino e região, liberada pelo Badespi em abril para a compra de matrizes, equipamentos e melhorias.

    Em agosto, a SAF apoiou a fundação da Cooperativa dos Produtores de Leite do Estado do Piauí (Coopileite) em Piracuruca. A cooperativa busca fortalecer a gestão e logística do PAA Leite e já investe em capacitação e infraestrutura, incluindo a compra de um caminhão-tanque. A expectativa é que a Coopileite assuma completamente o programa até 2026.

  • Mulheres do agro inovam e transformam a cadeia do leite

    Mulheres do agro inovam e transformam a cadeia do leite

    Um passo firme no campo, outro na gestão moderna e um olhar atento ao futuro: assim caminha o protagonismo feminino na produção de leite no Brasil. Em um cenário de alta capilaridade – presente em 98% dos municípios do país – o setor lácteo ganha cada vez mais força com a atuação de mulheres que aliam tecnologia, sustentabilidade e impacto social em suas propriedades.

    Três exemplos dessa transformação são Alessandra Barth, Lisiane Rocha Czech e Maria Lúcia Bessa, premiadas no Prêmio Mulheres do Agro, iniciativa da Bayer em parceria com a ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio). Cada uma, em sua realidade, rompeu barreiras e tornou sua fazenda um modelo de equilíbrio entre produtividade e responsabilidade ambiental.

    Gestão, tecnologia e bem-estar animal

    Alessandra Barth, 3º lugar na categoria Pequena Propriedade do Prêmio Mulheres do Agro de 2023 – Foto: Arquivo Pessoal

    Ex-professora, Alessandra Barth assumiu o Sítio São Jorge, em Ipiranga (PR), em 2021. Terceira colocada na categoria pequena propriedade em 2023, ela implantou um modelo de gestão baseada em dados, com software zootécnico e financeiro, inseminação artificial e uso de colares inteligentes para monitoramento do rebanho. A fazenda também adota energia solar e reaproveitamento de dejetos como adubo, resultando em economia de até 90% nas contas de energia.

    Além da eficiência, o bem-estar animal é prioridade. “Uma vaca que não está bem e não está confortável, não produz”, resume Alessandra. O reconhecimento do prêmio, segundo ela, mostrou que o caminho da inovação e da sensibilidade pode – e deve – caminhar junto no campo.

    Lisiane Rocha Czech, 3º lugar na categoria grande propriedade do Prêmio Mulheres do Agro 2024, faz palestra para produtoras do Paraná e da Alemanha – Foto: Arquivo Pessoal

    Na categoria grande propriedade, quem brilhou foi Lisiane Rocha Czech, da Fazendinha Sofia, em Teixeira Soares (PR). Desde 1992 à frente do negócio, ela modernizou a propriedade de 182 hectares, que hoje abriga 402 animais de alto rendimento. A adoção de energia fotovoltaica, plantio direto, logística reversa e manejo sustentável consolidou sua posição como referência.

    Para Lisiane, o prêmio abriu novas possibilidades de troca de experiências. Em março, ela reuniu mais de 200 mulheres em um dia de campo, inclusive produtoras rurais vindas da Alemanha. “A atividade leiteira é intensa, cheia de detalhes. E é isso que me motiva: os desafios constantes”, afirma.

    Modelo de agricultura regenerativa no Centro-Oeste

    Maria Lúcia Bessa – 2º lugar na categoria média propriedade do Prêmio Mulheres do Agro 2024 – Foto: Arquivo Pessoal

    Na categoria média propriedade, a 2ª colocação foi para Maria Lúcia Bessa, da Fazenda São Tomaz, em Rio Verde (GO). Autodidata, ela transformou a fazenda em um laboratório vivo de agricultura regenerativa, com recuperação de nascentes, pastagem rotacionada e uso de energia solar. A propriedade alia produtividade com redução do impacto ambiental. “Equilibrar inovação com respeito ao meio ambiente é o que guia nosso trabalho”, afirma.

    Nestlé fortalece apoio às mulheres do agro

    Para 2025, o Prêmio Mulheres do Agro conta com uma nova apoiadora institucional: a Nestlé Brasil. A empresa já investe no protagonismo feminino com o programa Força da Moça, além de promover práticas sustentáveis no leite por meio do Nature por Ninho. A parceria com a premiação visa ampliar a participação de mulheres no setor e fortalecer pilares ESG (ambiental, social e de governança).

    “Acreditamos que fortalecer o papel da mulher no campo é essencial para o avanço do agronegócio”, afirma Bárbara Sollero, Head de Agricultura Regenerativa da Nestlé. Priscila Araújo, da Bayer, complementa: “Unimos forças por um futuro mais equitativo e sustentável”.

    As inscrições para a edição de 2025 estão abertas até 31 de julho, no site oficial do prêmio.

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  • Silagem de inverno é alternativa para produção de leite na Região Sul

    Silagem de inverno é alternativa para produção de leite na Região Sul

    A silagem de cereais de inverno desponta como uma solução eficiente para reduzir custos e garantir alimentação de qualidade ao rebanho leiteiro na Região Sul do Brasil. Segundo a Embrapa Trigo, o uso de silagem produzida a partir de aveia, cevada, triticale, trigo e centeio pode suprir a demanda alimentar dos animais nos períodos críticos, como durante o inverno ou em dias consecutivos de chuva que dificultam o pastejo.

    A alimentação representa o principal custo na produção leiteira. E a silagem de inverno oferece uma fonte garantida de energia e proteína, aproveitando áreas ociosas no período frio. Renato Fontaneli, pesquisador da Embrapa Trigo, destaca que, embora o milho seja tradicionalmente usado para silagem, sua produção no verão tem sido limitada pela concorrência com a soja. “Utilizar cereais de inverno para silagem permite o aproveitamento integral da área produtiva, assegurando volumoso essencial para a produção de leite”, explica.

    A Embrapa já disponibilizou 15 cultivares forrageiras de inverno, com potencial para produzir até 30.000 kg de matéria verde por hectare. O que pode resultar em até 20 litros de leite por vaca por dia com manejo adequado. Em termos nutricionais, 1 kg de matéria seca de silagem de trigo pode gerar 1,1 kg de leite. Enquanto a cevada e o triticale podem produzir 1,2 kg e 1,3 kg, respectivamente.

    Como utilizar a silagem de inverno na alimentação

    Em propriedades familiares, a silagem costuma compor cerca de um terço da dieta de vacas que produzem entre 20 e 30 litros de leite por dia. Em sistemas de confinamento, a silagem pode representar até 40% da alimentação, geralmente combinada com milho e outros cereais. Na ausência do milho, os cereais de inverno podem ser usados integralmente, compensando a menor concentração energética (até 10% inferior ao milho) com maior teor proteico (25% superior).

    O momento da colheita é crucial para garantir a qualidade nutricional da silagem. A melhor fase para cortar os cereais vai do grão leitoso ao grão em massa firme, quando a energia líquida para lactação está no pico. A digestibilidade diminui com o avanço da maturidade, e atrasos na colheita reduzem o consumo, a digestibilidade e a produção de leite.

    Benefícios adicionais da silagem de inverno

    Além de garantir alimento nos períodos de escassez, a silagem de inverno contribui para a manutenção do solo coberto, reduz riscos climáticos e libera áreas para outros cultivos no verão. A diversidade de espécies aptas a ensilar e o potencial produtivo elevado tornam essa prática uma alternativa sustentável e econômica para a produção leiteira na Região Sul.

    Por que fazer silagem de cereais de inverno?

    • Aproveitamento de área para produção de volumoso no inverno;
    • Redução dos riscos de falta de alimento por intempéries climáticas;
    • Liberação da área para outros cultivos no verão;
    • Excelente valor nutricional;
    • Manutenção do solo coberto por mais tempo;
    • Grande diversidade de espécies aptas a ensilar: trigo, cevada, aveia, centeio e triticale;
    • Potencial de produção: 15 a 40 toneladas de silagem/ha.

    Veja as vantagens da silagem com cereais de inverno no vídeo da Embrapa Trigo.

    https://www.youtube.com/watch?v=tsNrIH8P05w&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fwww.embrapa.br%2F&source_ve_path=OTY3MTQ

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  • Clima no Rio Grande do Sul afeta atividade leiteira

    Clima no Rio Grande do Sul afeta atividade leiteira

    O verão de 2024/2025 no Rio Grande do Sul foi marcado por ondas de calor e estiagem, afetando significativamente a atividade leiteira no estado. Segundo o Comunicado Agrometeorológico 83, publicado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), esses eventos meteorológicos extremos resultaram em perda de produção, baixo desempenho reprodutivo das vacas, maior suscetibilidade a doenças como a mastite, e aumento dos custos de produção.

    Os principais fatores que contribuíram para esses impactos incluem estresse térmico calórico moderado, disponibilidade forrageira deficiente nos campos e má qualidade da água. A agrometeorologista Ivonete Tazzo explica que o estudo utilizou o Índice de Temperatura e Umidade (ITU) para documentar as condições de conforto e desconforto térmico enfrentadas pelos animais, estimando os efeitos na produção de leite.

    Condições meteorológicas

    Durante o trimestre de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025, as temperaturas mínimas e máximas absolutas do ar foram elevadas, indicando situações de estresse térmico calórico para as vacas leiteiras. Em janeiro e fevereiro de 2025, apenas 42,6% e 28,3% das horas avaliadas ofereceram conforto térmico aos animais. Em fevereiro, ondas de calor com temperaturas acima de 35°C e precipitações irregulares foram registradas. Especialmente nas regiões Central, Campanha e Noroeste, onde se concentra a maior produção de leite do estado.

    A médica veterinária Adriana Tarouco destacou que situações de estresse térmico leve a moderado foram identificadas em 41% das horas avaliadas ao longo do trimestre. As regiões do Vale do Uruguai, Baixo Vale do Uruguai e Missioneira foram particularmente afetadas. Para minimizar os efeitos ambientais e evitar prejuízos econômicos, os produtores rurais precisaram adotar estratégias de manejo, diante de declínios de produção diária de leite estimados entre 24,5% e 28%.

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  • Vaca brasileira bate recorde mundial na produção de leite; veja

    Vaca brasileira bate recorde mundial na produção de leite; veja

    A vaca Darlin FIV da Cabo Verde estabeleceu um novo recorde mundial na produção de leite da raça Gir Leiteiro, durante a 2ª ExpoLeite, realizada em Uberaba (MG),  alcançando uma média impressionante de 84,540 kg.

    “É uma emoção muito grande poder consagrar o trabalho que o meu avô iniciou e estar à frente da Fazenda São José do Can Can com toda minha família, coordenando esse trabalho”, afirmou Rodrigo Coelho, gestor da propriedade.

    Paixão e Fé

    A paixão pela atividade é evidente e fundamental para o sucesso alcançado. Além do trabalho árduo, a fé também desempenhou um papel significativo. O tratador Carlos Henrique manteve uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante todo o concurso.

    “Carrego ela para qualquer lugar que vou – sou muito devoto de Nossa Senhora Aparecida e ela está sempre comigo e com os animais”, conta o tratador, Carlos Henrique. Sendo assim, a devoção é um símbolo do compromisso da equipe com a tradição e os valores familiares.

    Imagem: Reprodução ABCZ TV

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    O evento não apenas celebrou a produção de leite, mas também evidenciou a aptidão das raças zebuínas.

    “Isto é uma satisfação enorme, sensação de dever cumprido de um programa de melhoramento, de 40 anos de trabalho, de criadores e selecionadores para se chegar a este resultado”, destacou Sílvio Queiroz, membro do conselho diretivo da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL).

    Conheça as campeãs

    No Concurso Leiteiro, a Darlin FIV conquistou os títulos de Grande Campeã e Campeã Vaca Adulta, batendo o novo recorde mundial na produção de leite.

    Na categoria Fêmea Jovem, a Virtuosa FIV da Fazenda Mutum foi a vencedora com uma média de 58,823 kg, enquanto Itatiba FIV da Cabo Verde levou o prêmio na categoria Vaca Jovem com 61,043 kg.

    A Solar do Engenho Garoa, da raça Girolando, conquistou o título de Campeã Vaca Adulta, com uma média impressionante de 95,803 kg.

    A organização determinou os vencedores após realizar dez ordenhas oficiais. Entretanto, descartaram a maior produção e somaram as outras nove para definir as médias e as campeãs em cada categoria.

    Nesta edição da ExpoLeite, participaram 34 matrizes de diversas partes do Brasil, refletindo, portanto, a diversidade e o potencial da pecuária nacional.