A aquisição de leite cru por estabelecimentos que operam sob algum tipo de inspeção sanitária chegou a 6,61 bilhões de litros no segundo trimestre de 2026.
O volume representa uma alta de 1% em relação ao mesmo período de 2025, segundo os primeiros resultados das Pesquisas Trimestrais da Produção Animal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa considera estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária federal, estadual ou municipal.
Apesar do crescimento na comparação anual, o resultado foi menor do que o observado nos três primeiros meses deste ano.
Aquisição de leite recua frente ao primeiro trimestre
Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, a aquisição de leite apresentou queda de 2,5%.
Nos primeiros três meses do ano, o IBGE havia registrado aquisição de aproximadamente 6,78 bilhões de litros de leite cru por estabelecimentos inspecionados.
A diferença entre as duas comparações é importante: enquanto o setor apresentou crescimento em relação ao segundo trimestre do ano passado, houve redução na passagem de um trimestre para o outro.
Os números fazem parte das pesquisas do IBGE sobre abate de animais, leite, couro e produção de ovos de galinha, que acompanham trimestralmente alguns dos principais segmentos da produção pecuária brasileira.
Produção de ovos chega a 1,25 bilhão de dúzias
A produção de ovos de galinha também apresentou crescimento no segundo trimestre de 2026.
Segundo o IBGE, foram produzidas 1,25 bilhão de dúzias de ovos no período. O resultado corresponde a uma alta de 0,3% em relação ao segundo trimestre de 2025.
Na comparação com os três primeiros meses de 2026, o crescimento foi mais expressivo, de 2,6%.
No primeiro trimestre, a produção havia alcançado cerca de 1,21 bilhão de dúzias, segundo os dados divulgados anteriormente pelo instituto.
Os resultados são preliminares e integram o acompanhamento trimestral realizado pelo IBGE sobre a atividade pecuária brasileira.
A búfala Serena, criada em Piquete (SP), tornou-se a nova recordista mundial de produção de leite da espécie ao alcançar a marca de 40,250 quilos durante a Expass Agro 2026, realizada em Passos (MG).
Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos (ABCB), o resultado supera o recorde anterior, registrado em 2024, e consolida o animal como referência na bubalinocultura brasileira.
Serena pertence ao criador Thiago Quirino Mansfeld e faz parte do plantel da Fazenda Búfalas da Mantiqueira.
Curiosamente, o recorde anterior, de 39,820 quilos de leite, também era de uma búfala do mesmo criador, demonstrando a evolução genética do rebanho.
Nascida em 27 de fevereiro de 2022, Serena foi selecionada para alcançar alto desempenho produtivo.
Genética, nutrição e manejo fizeram a diferença
De acordo com Thiago Quirino Mansfeld, o novo recorde é resultado da combinação entre genética, alimentação balanceada e manejo adequado.
“Apostamos em um animal com potencial maior”, afirmou o criador, segundo informações divulgadas pela ABCB.
Ele explica que outras búfalas participantes receberam alimentação semelhante e foram submetidas às mesmas condições de manejo, mas não alcançaram o mesmo desempenho produtivo.
Melhoramento genético impulsiona produtividade
Para o pecuarista, o resultado evidencia a importância do investimento contínuo em melhoramento genético aliado ao acompanhamento técnico da alimentação dos animais.
“Temos um animal de alto potencial, uma dieta ajustada com acompanhamento dos zootecnistas e alimentos de primeira linha. A genética é a cereja do bolo”, destacou.
A automação avança no campo e desperta cada vez mais interesse entre produtores de leite. De olho nesse movimento, o Sistema FAEP capacitou 16 instrutores do curso de Manejo e Ordenha para atuarem como multiplicadores de conhecimento sobre ordenha robotizada.
O treinamento ocorreu nos municípios de Castro e Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, e reuniu atividades práticas e técnicas voltadas ao uso de robôs de ordenha nas propriedades rurais.
Segundo a entidade, a iniciativa surgiu após o aumento da procura por informações sobre a adoção dessas tecnologias nas fazendas.
“Os próprios produtores começaram a perguntar como funciona o robô, se seria possível implementar esse sistema na propriedade e o que precisariam entender para tomar essa decisão. Diante disso, atualizamos tecnicamente nosso quadro de instrutores para levar informação atualizada e baseada na realidade do campo”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.
Como funciona a ordenha robotizada
Nos sistemas automatizados, a vaca se dirige espontaneamente ao equipamento, atraída pela oferta de ração concentrada.
O robô identifica o animal, realiza a higienização dos tetos, faz a ordenha e executa os procedimentos sanitários necessários.
Após a operação, a vaca retorna normalmente para a alimentação ou para o descanso.
Robôs de ordenha prometem revolucionar a pecuária leiteira — Foto: Embrapa
Além da automação da ordenha, o sistema registra uma série de informações importantes para a gestão da propriedade.
Entre os dados monitorados estão a produção individual do leite, frequência de ordenha, comportamento dos animais e indicadores de saúde do rebanho.
Essas informações são disponibilizadas em tempo real para o produtor.
Durante a formação, os instrutores visitaram centros de distribuição das empresas Lely e DeLaval para conhecer os diferentes modelos de robôs de ordenha disponíveis no mercado.
O grupo também acompanhou o funcionamento da tecnologia em três propriedades rurais com diferentes níveis de produção.
A proposta foi mostrar que a automação pode ser adotada em sistemas de diversos portes, desde fazendas menores até operações de maior escala.
Tecnologia não substitui trabalhadores
Um dos temas abordados durante a capacitação foi o impacto da automação sobre a mão de obra rural.
Segundo Marta Liliane de Vasconcelos, técnica do Departamento de Desenvolvimento de Ofertas do Sistema FAEP, a tecnologia não elimina postos de trabalho, mas modifica a dinâmica das atividades dentro da propriedade.
“O robô não vem para eliminar a mão de obra, mas para flexibilizar e qualificar o trabalho. O profissional que antes ficava exclusivamente na ordenha pode ser direcionado para outras atividades estratégicas dentro da propriedade, inclusive para acompanhamento dos dados gerados pelo sistema”, explica.
Automação cresce na produção de leite
O interesse pela ordenha robotizada tem aumentado à medida que os produtores buscam mais eficiência operacional, melhor gestão do rebanho e maior controle dos indicadores produtivos.
Para Ricardo Biscaro, instrutor da regional de Pato Branco, a capacitação permitiu compreender na prática o funcionamento dos equipamentos e ampliar o conhecimento necessário para orientar os pecuaristas.
Além dos ganhos de produtividade, a tecnologia também pode contribuir para melhorar a qualidade de vida no campo, oferecendo mais flexibilidade na rotina de trabalho das propriedades leiteiras.
A 21ª edição da Megaleite, Exposição Brasileira do Agronegócio do Leite, terminou com resultados históricos para a pecuária leiteira nacional. Realizado entre os dias 2 e 6 de junho, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG), o evento movimentou cerca de R$ 400 milhões, um crescimento de R$ 100 milhões em relação à edição anterior.
Ao todo, aproximadamente 100 mil visitantes passaram pela feira, incluindo representantes de nove países: Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, França, México, Panamá e Portugal. A programação reuniu produtores, técnicos e investidores interessados em genética, inovação e gestão no setor leiteiro.
Segundo Alexandre Lacerda, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, o desempenho da feira reflete o momento positivo da atividade. “A demanda por genética bovina leiteira está aquecida em 2026. Os leilões registraram crescimento e as empresas ampliaram negócios e prospecções. O produtor percebeu que investir em genética superior aumenta a rentabilidade”, afirmou.
Entre os destaques institucionais, a Megaleite sediou a assinatura de um termo de cooperação técnica entre a Embrapa Gado de Leite e a Associação Girolando. O acordo marca o início de um projeto de edição gênica da raça, com foco em características como resistência ao calor, imunidade, longevidade e produtividade.
Também foi firmado um acordo para o desenvolvimento de pesquisas com a raça Girolando na Fazenda Santa Mônica, da Embrapa. Outro lançamento relevante foi a nova edição do Sumário de Touros e Fêmeas Girolando, já disponível ao público.
Recordes de produção e genética em destaque
A edição de 2026 ficou marcada pela quebra de três recordes produtivos em torneios leiteiros oficiais. O principal destaque foi a vaca Jornada Montross FIV LPN (Girolando 1/2), que estabeleceu novo recorde mundial com produção total de 337,950 kg de leite e média de 112,650 kg/dia.
Outro recorde foi registrado pela vaca Gemada FIV Feriado 1259 Mogiana (Girolando 1/4), com produção de 263,790 kg e média de 87,930 kg/dia. Já entre as vacas jovens 3/4, Singela Countdown 23072 Campos Lima atingiu 269,780 kg, com média de 89,927 kg/dia.
Julgamentos e grandes campeãs
A Megaleite também sediou a 35ª Exposição Nacional de Girolando, com transmissão online que alcançou público internacional. As grandes campeãs foram:
Girolando 1/4: 1172 Maravilha Iva da Querença
Girolando 1/2: Oricema FIV Crushabull 2817 RS do Rancho Alegre
Durante o evento, foram lançados os programas Girolando Jovem e Girolando Mulher, com foco na sucessão familiar e no fortalecimento da participação feminina na pecuária leiteira.
A programação incluiu ainda palestras, cursos técnicos e atividades voltadas à gestão, melhoramento genético, produção de derivados e bem-estar animal. Entre as atrações, o Festival do Queijo Artesanal de Minas reuniu produtores e promoveu a valorização dos produtos regionais.
Ao final do evento, a organização anunciou que realizará a próxima edição da Megaleite entre 8 e 12 de junho de 2027, novamente em Belo Horizonte.
O agronegócio brasileiro acaba de registrar um marco histórico. Pela primeira vez, as duas maiores propriedades leiteiras do país superaram a média anual de 100 mil litros de leite comercializados por dia. O Levantamento Top 100 2026, realizado pela MilkPoint em parceria com a Abraleite, revela uma mudança profunda na liderança e um salto expressivo na produtividade nacional.
Após 12 anos de domínio absoluto da Fazenda Colorado, a Fazenda São José, de Tapiratiba (SP), assumiu o posto de maior produtora de leite do Brasil. Juntas, as 100 maiores fazendas do ranking já respondem por cerca de 4,7% de toda a captação formal de leite no país. No último ano, esse grupo comercializou 1,29 bilhão de litros, um volume 8% superior ao levantamento anterior.
Crescimento exponencial e eficiência
Os dados mostram uma evolução impressionante. A produção atual das propriedades listadas cresceu 444% se comparada aos números de 2001, ano em que o ranking estreou. Em 2025, a produção média diária das fazendas do Top 100 atingiu 35.392 litros, superando amplamente o ritmo de crescimento da produção leiteira geral do Brasil.
Minas Gerais mantém a hegemonia estadual com 39 propriedades no ranking, seguida pelo Paraná (23) e São Paulo (12). No âmbito municipal, a cidade de Carambeí (PR) desbancou a vizinha Castro (PR) e retomou a liderança nacional, concentrando 8 propriedades que, sozinhas, representam 9% de todo o volume do Top 100. Embora o Sudeste concentre a maior fatia do volume (53,3%), o Centro-Oeste registrou a maior expansão percentual, com 16% de crescimento.
O fim do pasto e a soberania genética
O setor caminha para uma consolidação definitiva dos sistemas intensivos. Das 100 fazendas listadas, 85 operam em confinamento total, um salto relevante comparado às 70 que utilizavam esse modelo em 2020. No campo da genética, a raça holandesa domina 82% das propriedades, enquanto o gado Sul-Brasileiro se destaca pela eficiência produtiva, alcançando a média de 40,47 litros por animal ao dia.
Apesar da escala, o setor enfrenta pressões financeiras. Quase metade dos produtores (48%) relatou piora na rentabilidade em 2025. O custo médio de produção atingiu R$ 2,31 por litro,mas as grandes fazendas garantiram uma remuneração media de R$ 2,77. Um valor 23% superior ao que recebem os pequenos produtores.
Mesmo com margens apertadas, o espírito é de expansão. Cerca de 91% das fazendas planejam crescer nos próximos três anos. E quase um quinto delas projeta aumentar o volume de leite em mais de 50%. Esses números confirmam que, para os gigantes do leite, a eficiência técnica e o ganho de escala continuam sendo as principais ferramentas de sobrevivência e sucesso no mercado global.
O preço do leite pode enfrentar novas pressões nos próximos meses devido a um problema que começa longe das prateleiras dos supermercados. Um alerta emitido pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) aponta para o risco de escassez de fosfato bicálcico, matéria-prima essencial na fabricação de suplementos minerais utilizados na alimentação bovina.
Embora pouco conhecido pelo consumidor, esse insumo desempenha papel fundamental na nutrição dos rebanhos.
O que o sal mineral tem a ver com o preço do leite?
A resposta está na produtividade das vacas. A maior parte das pastagens brasileiras apresenta deficiência natural de nutrientes importantes, como fósforo, cálcio, zinco, cobre e enxofre.
Para compensar essa limitação, os produtores utilizam suplementos minerais que ajudam a manter o desempenho dos animais. Quando a suplementação é inadequada, podem ocorrer quedas na produção de leite, piora dos índices reprodutivos e aumento da vulnerabilidade a doenças.
Além disso, a nutrição correta influencia diretamente a eficiência produtiva dos rebanhos leiteiros.
Sal mineral no cocho durante as águas auxilia a bater as metas de produtividade — Foto: João Costa Jr
Escassez e alta de preços preocupam o setor
Segundo a Famato, o risco de desabastecimento está ligado à combinação de fatores como a baixa produção nacional, a forte dependência de importações e as restrições de oferta em mercados internacionais.
Ao mesmo tempo, produtores já enfrentam aumentos nos preços dos suplementos minerais utilizados na alimentação animal. Caso a oferta continue pressionada, o mercado espera novos reajustes.
Impacto pode chegar ao consumidor
Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o problema não afeta apenas o produtor rural.
“Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho. Quando esses produtos ficam caros ou, pior, começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural e pode chegar às prateleiras dos supermercados”, afirmou.
Além do risco de aumento nos custos das fazendas, uma eventual redução na eficiência produtiva dos rebanhos pode pressionar a oferta de leite, contribuindo para novas altas ao consumidor.
Dependência externa
O episódio também evidencia a dependência brasileira de insumos estratégicos importados. Segundo a Famato, a escassez reforça a necessidade de ampliar a produção nacional de matérias-primas utilizadas na agricultura e na pecuária.
Entre as medidas defendidas pela entidade estão a redução temporária das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre, além da agilização dos processos alfandegários e da busca por novos fornecedores internacionais.
Embora ainda não exista confirmação de desabastecimento generalizado, o setor acompanha o cenário com atenção. Para especialistas, garantir o fornecimento de insumos essenciais à nutrição animal é uma condição indispensável para manter a competitividade da pecuária brasileira e evitar pressões adicionais sobre os preços do leite.
A pecuária leiteira brasileira vive um momento de transformação. Após permanecer por 12 anos consecutivos na liderança nacional, a Fazenda Colorado, localizada em Araras (SP), perdeu a primeira posição do principal ranking do setor. Agora, a liderança pertence à Fazenda São José, de Tapiratiba (SP), conforme aponta o Levantamento Top 100 2026, elaborado pela MilkPoint em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite).
Por mais de uma década, a Fazenda Colorado se consolidou como maior produtora de leite do país
Além da mudança no topo da lista, o levantamento registra um marco inédito para a atividade leiteira nacional. Pela primeira vez desde a criação do ranking, as duas propriedades mais bem colocadas ultrapassaram a média anual de 100 mil litros de leite comercializados por dia.
Produção das maiores fazendas segue em expansão
Os dados também demonstram que a produção continua avançando entre os principais produtores do país. Em 2025, as 100 maiores fazendas comercializaram 1,29 bilhão de litros de leite, resultado que representa crescimento de 8% em comparação ao levantamento anterior.
Além disso, a produção média diária das propriedades alcançou 35.392 litros, registrando avanço de 8,7%. Dessa forma, o desempenho das maiores fazendas superou o ritmo observado na cadeia leiteira nacional.
Segundo estimativas da equipe MilkPoint Mercado, a produção formal de leite apresentou crescimento de 107,4% no último ano. Já a produção total avançou aproximadamente 81,2% no mesmo período.
Quando a análise considera a primeira edição do ranking, realizada em 2001, a evolução se torna ainda mais expressiva. Ao longo desses anos, a produção das propriedades integrantes do levantamento aumentou 444%.
Mesmo com a troca de liderança entre as fazendas, Minas Gerais continua como o principal estado produtor entre os integrantes do ranking. Atualmente, o estado reúne 39 propriedades entre as 100 maiores do país.
Na sequência aparecem o Paraná, com 23 fazendas, e São Paulo, com 12 propriedades.
Por outro lado, o destaque paranaense é ainda mais evidente quando a análise ocorre em nível municipal. Carambeí voltou a liderar o ranking nacional de municípios, com oito propriedades entre as maiores produtoras do Brasil. Com isso, superou Castro, que aparece com sete fazendas na lista.
Além disso, as propriedades localizadas em Carambeí responderam sozinhas por 9% de todo o volume produzido pelos participantes do Top 100.
Regionalmente, o Sudeste permanece concentrando a maior parcela da produção, representando 53,3% do volume total registrado pelo levantamento. Entretanto, o Centro-Oeste foi a região que apresentou o maior crescimento, avançando 16% em relação ao ano anterior.
Confinamento ganha espaço e produtividade cresce
O levantamento também mostra mudanças importantes nos sistemas produtivos adotados pelas maiores fazendas leiteiras do país.
Em 2025, 85 das 100 propriedades do ranking operavam em regime de confinamento total. Cinco anos antes, esse número era de 70 fazendas, evidenciando a crescente adoção desse modelo de produção.
Além disso, a raça holandesa segue predominante no setor, estando presente em 82% das propriedades listadas. Em segundo lugar aparece o girolando, resultado do cruzamento entre as raças gir e holandesa, representando 14% das fazendas.
Apesar da liderança do Sudeste em volume produzido, a maior produtividade por animal foi observada na região Sul. A média alcançou 40,47 litros por vaca ao dia, superando a média nacional do ranking, que ficou em 36,31 litros por vaca diariamente.
Rentabilidade menor não reduz investimentos
Os números mostram ainda que o custo médio de produção nas maiores fazendas brasileiras atingiu R$ 2,31 por litro de leite em 2025.
Em contrapartida, essas propriedades receberam aproximadamente R$ 2,77 por litro comercializado, valor 23% superior ao obtido pelos produtores de menor escala.
No entanto, nem todos os indicadores foram positivos. Cerca de 48% dos entrevistados relataram piora na rentabilidade em comparação com 2024.
Ainda assim, o cenário não diminuiu o interesse pela expansão dos negócios. Entre os produtores consultados, 91% afirmaram que pretendem aumentar a produção nos próximos três anos. Além disso, dentro desse grupo, 19% projetam elevar o volume produzido em mais de 50%, demonstrando confiança no futuro da atividade leiteira brasileira.
A produção de leite no Brasil atingiu um novo recorde e intensificou os desafios logísticos da cadeia de lácteos. Dados do IBGE mostram que a aquisição de leite cru chegou a 27,51 bilhões de litros em 2025, alta de 8,5% em relação ao ano anterior e o maior volume da série histórica. No quarto trimestre, a captação somou 7,36 bilhões de litros, avanço anual de 8,6% e novo recorde para o período.
O crescimento consistente reforça o potencial do setor, mas também pressiona a cadeia a operar com mais eficiência. O principal desafio agora está em garantir que esse volume chegue ao consumidor com qualidade e menor nível de desperdício.
Cadeia mais complexa exige precisão
O leite exige uma logística altamente eficiente devido à sua perecibilidade. Qualquer desalinhamento entre produção e consumo gera perdas, seja por excesso de oferta ou falta de produto em momentos de alta demanda.
Ao mesmo tempo, o comportamento do consumidor muda. A demanda por alimentos frescos, naturais e com origem conhecida cresce no país e favorece modelos de distribuição mais diretos. Segundo o estudo “Do prato ao copo”, da MindMiners, 33% dos brasileiros aumentaram o consumo de alimentos in natura, enquanto 53% alternam entre produtos naturais e industrializados. Entre as bebidas não alcoólicas, 38% priorizam opções naturais.
Esse cenário impulsiona o retorno de um modelo tradicional: a entrega domiciliar de leite.
Entrega direta ganha força com tecnologia
A distribuição porta a porta já fez parte da rotina de consumo no Brasil e sempre operou com base em recorrência e rotas fixas. Agora, a tecnologia amplia o alcance e melhora o controle desse modelo.
Plataformas digitais integram pedidos, pagamentos e logística em um único sistema, conectando indústria, distribuidores e consumidores. Com isso, empresas passam a operar com dados em tempo real, o que reduz falhas e melhora a eficiência.
“Não se trata de reinventar a distribuição, mas de organizar melhor um modelo que já funcionava. A digitalização traz previsibilidade e controle para operações antes manuais”, afirma Einat Eisler Carasso, CEO da Food2C.
Recorrência melhora planejamento e reduz perdas
Modelos de compra recorrente, como assinaturas, ganham espaço no setor por aumentar a previsibilidade da demanda. Com isso, empresas ajustam melhor a produção, reduzem desperdícios e melhoram o abastecimento.
A previsibilidade também fortalece a fidelização e melhora a experiência do consumidor, que passa a receber produtos mais frescos com regularidade.
“A recorrência muda a lógica da operação. Quando a empresa conhece a demanda, consegue planejar toda a cadeia com mais eficiência e agilidade”, diz Einat.
Digitalização avança no campo e na indústria
Empresas tradicionais já incorporam essa transformação. A Fazenda Bela Vista, que atua há mais de 30 anos com entrega domiciliar, digitalizou sua operação e passou a centralizar pedidos, pagamentos e dados em uma única plataforma.
A mudança aumentou o controle operacional e reduziu perdas ao longo da cadeia. “A digitalização elevou nosso nível de organização e eficiência sem perder a proximidade com o cliente”, afirma o diretor comercial Paulo Passarini.
Dados conectam produção e consumo
A tecnologia também resolve um dos principais gargalos do setor: a falta de visibilidade sobre o consumidor final. Com dados centralizados, empresas identificam padrões de consumo, ajustam ofertas e tomam decisões mais estratégicas.
Na logística, sistemas digitais organizam pedidos, preveem demanda e definem rotas com mais precisão, o que reduz erros e otimiza recursos.
Tendência acompanha expansão do setor
Com a produção em alta e a demanda por alimentos frescos em crescimento, a digitalização tende a se consolidar como um dos principais vetores de transformação da cadeia de lácteos.
Mais do que criar novos modelos, a tecnologia moderniza formatos tradicionais e amplia eficiência, escala e qualidade na distribuição.
Representantes do setor de produção de leite pressionaram o Congresso Nacional nesta quinta-feira (7) por medidas urgentes de proteção à produção nacional. Em audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, produtores, cooperativas e entidades rurais defenderam a criação de um fundo nacional financiado com recursos do Imposto de Importação de produtos lácteos, além de tarifas compensatórias contra o que chamam de concorrência desleal de países do Mercosul.
Deputado Welter (PT-PR). Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
No centro do debate está o Projeto de Lei 431/26, apresentado em fevereiro pelo deputado Welter (PT-PR). A proposta cria um fundo destinado a financiar ações de fortalecimento da produção nacional, estabilidade econômica dos produtores e desenvolvimento sustentável do setor.
Para o coordenador do ramo agropecuário da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Rodolfo Jordão, o mecanismo é essencial para garantir resiliência ao setor. “É um instrumento para que, nos momentos de crise, a gente consiga reagir e, nos de bonança, fortalecer a cadeia produtiva”, afirmou.
Das 1.200 cooperativas agropecuárias existentes no país, 150 atuam na produção de leite e respondem por mais de 50% da produção nacional, o que evidencia o peso estratégico do setor para o agronegócio brasileiro.
Dumping e importação clandestina: a ameaça que vem de fora
O consultor da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ronei Volpi, revelou que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, há dois anos, um pedido formal de investigação antidumping junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sem resposta até o momento.
Dumping é a prática de exportar produtos abaixo do custo de produção para conquistar mercados e eliminar concorrentes locais. “Se houve dumping, nós precisamos, antes tarde do que nunca, impor tarifas compensatórias para a importação do leite”, cobrou Volpi.
Luis Corti: setor enfrenta custos elevados de produção e baixos preços pagos aos produtores. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
A situação é ainda mais grave no Paraná. O deputado estadual Luis Corti (PSD) informou que o estado, segundo maior produtor de leite do Brasil, já perdeu 40% de seus produtores. Ele denunciou que o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai chega ao Brasil para ser reidratado e, em alguns casos, entra clandestinamente próximo ao vencimento ou já vencido. “Como a polícia já denunciou, isso representa riscos reais à saúde pública”, alertou.
Projetos em tramitação: o que muda para o produtor
Além do fundo nacional, outros dois projetos foram debatidos na sessão:
PL 5738/25 — Já aprovado pela Comissão de Agricultura, proíbe a reconstituição de leite em pó importado para produção de leite líquido e queijo no Brasil.
PL 20/26 — Propõe a criação do Instituto Nacional do Leite, com foco no planejamento estratégico de toda a cadeia produtiva.
PLP 4/26 — Proíbe incentivos fiscais a empresas que utilizem leite em pó ou derivados importados em sua produção.
Vânia Marques apontou riscos para agricultores familiares. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), Vânia Marques Pinto, foi enfática ao defender o instituto. “Se não houver medidas que garantam a criação de um fundo e de um instituto que planeje essa cadeia produtiva, num futuro próximo teremos uma redução significativa dos agricultores familiares que hoje produzem leite.”
O que o governo já faz e o que o setor ainda cobra
O diretor do Departamento de Assistência Técnica do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Marenilson Batista da Silva, destacou iniciativas em andamento, como a Rede ATER Leite, parceria entre o ministério e a Embrapa para transferência de tecnologias ao setor, e o programa Da Terra à Mesa, lançado no ano passado para fortalecer a agricultura familiar.
Ainda assim, para o deputado Welter, as medidas em vigor são insuficientes diante da crise. “Temos que achar o caminho para uma política nacional do leite. A Câmara dos Deputados tem que dar uma resposta para esse setor”, disse o parlamentar.
Os projetos seguem em análise nas comissões temáticas da Câmara.
O Governo do Brasil anunciou nesta segunda-feira (27) um pacote de R$ 465 milhões para impulsionar a cadeia produtiva do leite na agricultura familiar. Do total, o Programa de Transferência de Embriões (Pronaf Mais Leite) receberá R$ 450 milhões para ampliar a produtividade e a qualidade genética dos rebanhos.
Foto: Albino Oliveira – Ascom/MDA
Durante o evento em Andradina (SP), o governo também confirmou um investimento de R$ 15 milhões para construir a primeira agroindústria de leite em pó do estado. A Cooperativa de Produção, Industrialização e Comercialização Agropecuária dos Assentados e Agricultores Familiares da Região Noroeste de São Paulo (Coapar) instalará a unidade.
O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou o papel da agroindustrialização no fortalecimento da renda no campo. Segundo ele, a iniciativa agrega valor à produção e amplia a competitividade dos pequenos produtores. “A Coapar mostra como o cooperativismo e o associativismo geram desenvolvimento e oportunidades”, afirmou.
A nova planta industrial deve processar até 25 mil litros de leite por dia, substituindo a atual produção terceirizada. O contrato para a obra foi assinado entre o Governo Federal, o Banco do Brasil e a cooperativa.
A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, reforçou a relevância da cadeia leiteira para o país. Ela destacou que o Brasil conta com cerca de 1,17 milhão de propriedades produtoras de leite, sendo aproximadamente 950 mil ligadas à agricultura familiar.
Representantes da Coapar e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ressaltaram o impacto social da iniciativa, especialmente para pequenos produtores assentados, que encontram no cooperativismo uma forma de ampliar a produção e a renda.
Reforma agrária e novos investimentos
Além das ações voltadas ao setor leiteiro, o governo anunciou medidas no âmbito do programa Terra da Gente. Dois decretos de desapropriação foram assinados para criação de novos assentamentos.
Em Americana (SP), a Fazenda Sítio Boa Vista, com 103,45 hectares, deverá beneficiar cerca de 70 famílias. Já em Santa Quitéria (CE), a Fazenda Caraúbas, com 3.130,91 hectares, tem potencial para atender 48 famílias.
O governo também liberou mais de R$ 155 milhões para o pagamento de mais de 9 mil créditos em todo o país. Em São Paulo, serão R$ 24,5 milhões destinados a 794 famílias assentadas.
Desde 2023, o Programa Nacional de Reforma Agrária já incluiu mais de 230 mil famílias.
Novas ações para a cadeia do leite
O pacote anunciado inclui ainda outras medidas estratégicas:
Destinação de R$ 100 milhões em leite em pó, adquiridos via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), para abastecer Cozinhas Solidárias.
Lançamento de chamada pública de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), no valor de R$ 28,5 milhões, para qualificar a produção leiteira.
Criação de uma nova linha de crédito do Pronaf para cooperativas de leite, com orçamento de R$ 150 milhões.