Tag: praga

  • Lagartas invencíveis: pragas podem dizimar até 60% da lavoura antes da colheita

    Lagartas invencíveis: pragas podem dizimar até 60% da lavoura antes da colheita

    Produtores rurais enfrentam uma escalada nos ataques de lagartas que, em casos extremos, podem dizimar mais da metade da lavoura antes da colheita. O problema se agrava com a resistência crescente dessas pragas aos inseticidas químicos e biotecnológicos, como as variedades Bt. Aliado a isso, o clima favorável e falhas no manejo integrado aumentam a incidência de infestações em culturas como milho, soja, algodão e feijão.

    As principais responsáveis por esse cenário são as lagartas do gênero Spodoptera frugiperda, popularmente conhecidas como lagarta-do-cartucho, e Helicoverpa zea, a lagarta-da-espiga. Presentes em praticamente todas as regiões produtoras, elas atacam diretamente estruturas vitais para a produção, como espigas, vagens e botões florais.

    Segundo o engenheiro agrônomo Jorge Silveira, coordenador comercial da Sell Agro, a Helicoverpa zea pode provocar perdas que variam de 10% a 50%, dependendo do nível de infestação e da eficiência do controle adotado. “Ela perfura as estruturas reprodutivas, além de abrir caminho para a entrada de patógenos, o que agrava ainda mais os danos”, afirma.

    Já a Spodoptera frugiperda preocupa especialmente produtores de milho, mas também ataca soja, algodão e pastagens. A lagarta tem alimentação intensa, reduz a área foliar responsável pela fotossíntese e pode atrasar o desenvolvimento das plantas ou mesmo levá-las à morte. “Em infestações severas, as perdas podem ultrapassar 60% em lavouras sem manejo adequado. Em regiões tropicais, onde o ciclo da lagarta ocorre o ano inteiro, o impacto tende a ser ainda maior”, destaca Silveira.

    Uso de desalojantes reforça controle e amplia eficiência dos inseticidas

    A resistência crescente das lagartas a produtos químicos e transgênicos torna indispensável a adoção de estratégias complementares. Entre as ferramentas disponíveis, os desalojantes têm ganhado espaço no manejo das infestações. Esses produtos atuam irritando o sistema dérmico e olfativo das lagartas, obrigando-as a sair dos abrigos e expondo-as aos inseticidas aplicados.

    Um exemplo é o UPSIDE, desenvolvido pela Sell Agro, que não contém enxofre e pode aumentar em até 40% a eficiência das aplicações. “Seu princípio ativo permanece ativo por até 72 horas, o que garante uma cobertura mais ampla e efetiva no campo”, explica Silveira. O especialista ressalta que o produto mostra melhores resultados no início da infestação, quando os danos ainda não são visíveis, por isso o monitoramento constante da lavoura é essencial.

    Monitoramento e manejo integrado continuam fundamentais

    Além do uso de desalojantes, a recomendação técnica reforça a importância do manejo integrado de pragas (MIP), que inclui práticas como rotação de culturas, eliminação de plantas voluntárias e adoção de variedades resistentes, para reduzir o ciclo das lagartas e manter as populações sob controle.

    Foto: Divulgação Sell Agro

    Com o avanço das infestações e a evolução da resistência, produtores que investem em soluções integradas conseguem minimizar as perdas e proteger a rentabilidade. “O manejo precisa ser planejado, monitorado e ajustado ao longo do ciclo, sempre com acompanhamento técnico, para evitar prejuízos irreversíveis”, orienta Silveira.

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  • Mosca-das-galhas ameaça lavouras de mandioca no Tocantins

    Mosca-das-galhas ameaça lavouras de mandioca no Tocantins

    Uma praga antes considerada secundária virou motivo de alerta entre mandiocultores do Tocantins. A mosca-das-galhas da mandioca (Jatrophobia brasiliensis) tem causado perdas de até 100% em áreas recém-plantadas no estado e em outras regiões do país. Ao mesmo tempo, o inseto já afeta lavouras no Polo de Fruticultura Irrigada São João.

    A infestação ocorre após o registro de emergência fitossanitária provocada pela vassoura-de-bruxa no Pará e no Amapá. Agora, o problema se espalha para outras áreas, como o Tocantins, onde produtores buscam ajuda urgente. Segundo a Embrapa Pesca e Aquicultura, com sede em Palmas (TO), as infestações ocorrem em alta intensidade. A instituição apoia produtores e técnicos do Ruraltins na tentativa de controlar a praga.

    Praga ataca plantas novas e causa morte precoce

    As larvas da mosca se alimentam dos tecidos internos das folhas. A planta reage formando galhas ou verrugas, comprometendo a fotossíntese e o crescimento. “Em casos severos, há paralisação do desenvolvimento e morte de plantas jovens”, explica o entomologista Daniel Fragoso, da Embrapa.

    Cristiano Barros, produtor do Polo São João, relata o prejuízo. “No fim do ano, vimos alguns focos e achamos que era pontual. Quando voltamos, a praga já tinha tomado a plantação. Precisamos destruir tudo e replantar”, afirma.

    Manejo integrado é a principal estratégia de controle

    A Embrapa orienta o uso do Manejo Integrado de Pragas (MIP) como principal estratégia. Em geral, o método combina diversas práticas, deixando os defensivos químicos como última alternativa. Entre as recomendações estão o plantio na época seca, uso de cultivares resistentes, eliminação de folhas infestadas, catação manual e rotação de culturas. A presença de parasitóides também ajuda no controle biológico da praga. Além disso, pesquisadores acreditam que o uso intenso de inseticidas contra a mosca-branca, na safra passada, pode ter reduzido os inimigos naturais da mosca-das-galhas. Isso explicaria o aumento da infestação neste ano.

    Atenção ao monitoramento e ao controle químico

    Fragoso ressalta a importância do monitoramento constante. “A identificação precoce evita perdas maiores e permite ações mais eficazes”, destaca. Em situações graves, o controle químico pode ser necessário. “É preciso apoio técnico e rotação de ingredientes ativos para evitar resistência”, alerta o pesquisador.

    A Embrapa e produtores seguem realizando testes com produtos biológicos e químicos. O objetivo é encontrar soluções sustentáveis para garantir a produtividade nas lavouras de mandioca.

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  • Bahia confirma primeiro caso de ferrugem asiática; Brasil soma 107 focos

    Bahia confirma primeiro caso de ferrugem asiática; Brasil soma 107 focos

    A Bahia registrou o primeiro caso de ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) em lavouras de soja neste mês de fevereiro. O Programa Fitossanitário da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) identificou o foco no núcleo produtor de Rosário, em Correntina, no dia 5. Depois, a confirmação veio após análise laboratorial com apoio da Fundação BA, em Luís Eduardo Magalhães.

    A Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), responsável pelo registro oficial da doença no estado, acompanha a situação. O órgão reforça que não há motivo para alarde.

    Segundo o Consórcio Antiferrugem, a safra 2024/25 já soma 107 focos da doença no Brasil. O Rio Grande do Sul lidera com 71 casos, sendo o estado com maior incidência.

    A pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja (Londrina-PR), afirma que a tendência é de aumento na ocorrência da ferrugem asiática devido às chuvas frequentes nesta época do ano. No entanto, ela destaca que os produtores estão mais atentos ao controle da doença nesta safra, aproveitando o conhecimento adquirido em anos anteriores.

    Os municípios com focos de ferrugem, o mapa das áreas afetadas e dados sobre o controle da doença estão disponíveis no Sistema de Alerta: www.cnpso.embrapa.br/alerta.

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  • Caramujos africanos: problema para o agronegócio e saúde pública

    Caramujos africanos: problema para o agronegócio e saúde pública

    Os caramujos africanos, conhecidos cientificamente como Achatina fulica, são moluscos nativos do leste e nordeste da África que foram introduzidos no Brasil na década de 1980. A intenção era substituir o escargot na culinária, mas acabou se tornando uma praga de difícil controle.

    Desde então, sua presença se tornou um problema significativo, especialmente nas regiões tropicais e subtropicais do país. Esses caramujos são conhecidos por sua grande capacidade de reprodução e resistência, o que os torna uma praga invasora.

    Os caramujos africanos geralmente aparecem em ambientes quentes e úmidos, sendo mais ativos durante a primavera e o verão, quando as condições climáticas favorecem sua reprodução. Cada caramujo pode produzir entre 200 a 400 ovos por postura, com várias posturas ao longo do ano. Essa prolificidade contribui para o rápido aumento de suas populações, tornando-os uma preocupação crescente para agricultores e comunidades.

    Prejuízos causados

    Os caramujos africanos causam impactos variados e significativos. Eles competem com espécies nativas por alimento e espaço, além de se alimentarem vorazmente de uma ampla gama de vegetação, incluindo culturas agrícolas. Essa voracidade pode resultar em prejuízos substanciais para o agronegócio, afetando plantações de hortaliças, frutas e grãos.

    Os caramujos-africanos se proliferam principalmente em períodos quentes e chuvosos, como a primavera e o verão.

    Além dos danos diretos às plantações, os caramujos africanos também são vetores de doenças. Eles podem hospedar parasitas como Angiostrongylus cantonensis e Angiostrongylus costaricensis, que causam doenças sérias em humanos. A infecção pode ocorrer pela ingestão acidental dos caramujos ou de alimentos contaminados por seu muco.

    Como evitar a infestação

    Algumas medidas ajudam a evitar a proliferação dos caramujos-africanos:

    • A coleta manual dos caramujos é uma das formas mais eficazes de controle. É importante usar luvas durante a coleta para evitar contato direto.
    • Ao coletar os caramujos, deve-se prestar atenção aos ovos, que são brancos ou amarelados e ficam semi-enterrados no solo. Eles devem ser destruídos para prevenir novas infestações.
    • Após a coleta, é necessário colocar os caramujos em sacos plásticos e quebrar as conchas para impedir o acúmulo de água e a proliferação de mosquitos.
    • A aplicação de cal virgem sobre os caramujos coletados ajuda a eliminá-los antes do enterro em locais afastados de fontes de água.
    • É essencial lavar bem frutas e verduras antes do consumo, especialmente se cultivadas em áreas onde os caramujos são comuns.

    Os caramujos africanos representam um desafio significativo tanto para a agricultura quanto para a saúde pública no Brasil. Compreender sua biologia e comportamento é fundamental para implementar estratégias eficazes de controle e mitigação dos danos que causam. A conscientização sobre as práticas adequadas de manejo pode ajudar a proteger as plantações e reduzir os riscos à saúde associados a esses moluscos invasores.

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  • Erradicação da Cydia pomonella completa 10 anos no Brasil

    Erradicação da Cydia pomonella completa 10 anos no Brasil

    O Brasil celebra uma importante conquista na agricultura: a erradicação da Cydia pomonella, conhecida como traça da maçã, que foi oficialmente declarada livre do país em 2014. A data marca o décimo aniversário desse marco significativo, conforme anunciado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

    A erradicação da praga foi formalizada através da Instrução Normativa Nº 10, publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A solenidade de comemoração ocorreu em Vacaria, no Rio Grande do Sul, com a presença de autoridades, produtores e técnicos do setor. A chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Seapi, Rita Antochevis, ressaltou a importância dessa conquista: “É um motivo de orgulho para todos nós e reforça nossa responsabilidade em manter esse status fitossanitário.”

    Monitoramento contínuo

    Apesar do sucesso na erradicação, o monitoramento da praga continua sendo uma prioridade. Atualmente, a Seapi mantém mais de 100 armadilhas instaladas em pomares nas regiões de Vacaria, Caxias do Sul, Bom Jesus, Arvorezinha e Anta Gorda. O objetivo é garantir que a Cydia pomonella não retorne ao país.

    O pesquisador e entomologista da Embrapa Uva e Vinho, Adalecio Kovaleski, destacou que a Cydia pomonella é uma das principais pragas que afetam maçãs e peras nas principais regiões produtoras do mundo. Ele lembrou que a primeira detecção no Brasil ocorreu em 1991, em armadilhas na área urbana de Vacaria.

    Programa nacional de erradicação

    O Mapa iniciou o Programa Nacional de Erradicação da Cydia pomonella em 1993, logo após a detecção inicial da praga. A Embrapa fornece suporte técnico, enquanto diversas associações e órgãos estaduais colaboram na execução do programa. “A erradicação foi uma decisão conjunta entre produtores, Mapa, Embrapa e os órgãos estaduais de defesa fitossanitária”, afirmou Kovaleski.

    O monitoramento intensificado identificou focos da praga em várias localidades, mas as ações coordenadas eliminaram a infestação. A captura do último exemplar ocorreu em novembro de 2011.

    Benefícios econômicos

    A erradicação da Cydia pomonella trouxe ganhos significativos para a competitividade da maçã brasileira. A redução dos custos de produção, diminuição do uso de inseticidas e menor contaminação ambiental são alguns dos benefícios observados. Além disso, o status livre da praga facilita a abertura de mercados exigentes em relação a pragas quarentenárias e resíduos de pesticidas.

    A erradicação da Cydia pomonella no Brasil é um exemplo notável de sucesso na proteção fitossanitária e na colaboração entre diferentes setores. Com um monitoramento contínuo e ações preventivas, o país se posiciona para manter sua liderança na produção de maçãs e garantir a saúde das lavouras para as futuras gerações.

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  • Podridão da soja afeta lavouras no Médio Norte de MT

    Podridão da soja afeta lavouras no Médio Norte de MT

    A podridão de grãos tem causado perdas significativas nas lavouras de soja do Médio Norte de Mato Grosso desde a safra 2019/2020. Em geral, o problema se intensificou nas safras seguintes, especialmente em 2020/2021 e 2021/2022. Portanto, para combater a doença, a Embrapa e parceiros focam no manejo de fungicidas, avaliação de cultivares resistentes e estudos metagenômicos para identificar com precisão as causas do problema.

    Em dezembro, a Embrapa e a CropLife Brasil realizaram reuniões em Sorriso e Sinop com 16 produtores de soja. Os participantes fazem parte das cooperativas Coacen (Cooperativa Agropecuária e Industrial Celeiro do Norte) e Coap (Cooperativa Agropecuária Primavera), além de um consultor especializado.

    O pesquisador Auster Farias, da Embrapa Cerrados e o consultor Nery Ribas conduziram as reuniões. Em resumo, a ação integra um projeto em parceria com Embrapa Cerrados, Embrapa Soja, Embrapa Agrossilvipastoril e CropLife Brasil.

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    Produtores alertam sobre a podridão da soja

    “Todos os produtores relataram a presença da podridão de grãos nas lavouras nos últimos anos, mas em níveis controlados. Isso é resultado do manejo eficiente com fungicidas e do uso de cultivares mais resistentes”, afirmou Farias. Ele destacou que essas soluções são frutos de anos de pesquisa e cooperação entre Embrapa e parceiros.

    Outro ponto debatido foi a influência da nebulosidade durante o florescimento e enchimento de grãos. “Os produtores foram unânimes ao relatar que anos com muita nebulosidade resultam em queda de produtividade”, explicou o pesquisador.

    Em 2025, a Embrapa e a CropLife Brasil planejam novas reuniões com produtores da região. Os encontros ocorrerão tanto de forma presencial quanto virtual, reforçando o compromisso com soluções para o enfrentamento da podridão dos grãos na soja.

     

  • Pesquisa orienta produtor para controle da lagarta-do-cartucho

    Pesquisa orienta produtor para controle da lagarta-do-cartucho

    Um estudo da Embrapa Milho e Sorgo (MG) apresenta novas orientações para o manejo da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

    A pesquisa, que se insere, por sua vez, no contexto do novo cenário agrícola brasileiro, destaca, assim, a importância de práticas sustentáveis. Principalmente em plantios consorciados com braquiária.

    Os pesquisadores alertam, ainda, que a braquiária, frequentemente utilizada em consórcio com o milho, favorece a proliferação da lagarta-do-cartucho.

    Dessa forma, a combinação do uso de produtos químicos e biológicos no Manejo Integrado de Pragas (MIP) surge como a solução mais eficaz para controlar o inseto.

    Esse método orienta, então, os produtores a tomarem decisões informadas sobre a aplicação de inseticidas, com o objetivo de reduzir custos e aumentar a sustentabilidade das lavouras.

    Complexidade do manejo

    Ivênio Oliveira, pesquisador da Embrapa, ressalta que o manejo da lagarta-do-cartucho é complexo e deve considerar todo o sistema de produção.

    “É essencial entender a ocorrência e permanência dessa praga em sistemas como o ILPF e o de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), que estão se tornando cada vez mais comuns no Brasil”, afirma Oliveira.

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    A pesquisa enfatiza a necessidade de um monitoramento contínuo da praga para determinar os momentos adequados para o controle.

    O estudo introduz índices de tomada de decisão, como o nível de dano econômico (NDE) e o nível de controle (NC). Além disso, o relatório sugere que as aplicações de inseticidas devem ser realizadas apenas quando se atinge um NC em torno de 20% das plantas afetadas.

    Os experimentos realizados em condições simuladas de lavouras comerciais mostraram que as estratégias de MIP são mais eficazes do que a aplicação de inseticidas químicos.

    “A estratégia MIP reduz a necessidade de aplicações químicas, passando de quatro para três por safra”, conclui Oliveira.

    Com essas orientações, os produtores poderão gerenciar melhor a lagarta-do-cartucho, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis e eficientes.

  • Cigarrinha-do-milho: nova estratégia eficiente no combate a praga

    Cigarrinha-do-milho: nova estratégia eficiente no combate a praga

    O controle eficaz da cigarrinha-do-milho (Daubulus maidis), praga responsável por grandes prejuízos à cultura de milho em várias regiões do Brasil, depende de uma abordagem integrada que vai além da simples aplicação de inseticidas. Isso é o que afirma o fitotecnista Paulo Garollo, que há mais de quatro décadas atua no setor. Para ele, a utilização correta do inseticida buprofezina, focando no controle da fase ninfal do inseto e na esterilização das fêmeas, pode ser a chave para conter o avanço da praga de forma eficaz.

    Fitotecnista Paulo Garollo figura entre os especialistas renomados do país

    Garollo aponta que a cigarrinha tem causado perdas expressivas, como uma redução de até 40% na Argentina na última safra. Além disso, está sendo estudada com preocupação nos Estados Unidos. No Brasil, a praga já é uma realidade devastadora em regiões como o Triângulo Mineiro, onde os ataques se tornaram severos. A cigarrinha é vetor de doenças graves como enfezamento vermelho, amarelo e o vírus do raiado fino. E causa danos significativos às lavouras, com perdas de até 90% em alguns híbridos.

    Ação integrada para controle da praga

    O especialista defende que o controle da cigarrinha-do-milho deve incluir um foco na fase ninfal do inseto, em vez de priorizar apenas o combate aos adultos. “As ninfas são altamente protegidas e têm baixa mobilidade, o que permite que se multipliquem rapidamente nas lavouras, perpetuando a espécie. Controlar essa fase é essencial para interromper o ciclo reprodutivo”, explica Garollo. Ele destaca que o uso da buprofezina, inseticida introduzido pela Sipcam Nichino, é eficaz não só no controle das ninfas. Mas também na esterilização das fêmeas, reduzindo a proliferação de ovos férteis.

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    Além de seu efeito direto na redução da população de cigarrinhas, Garollo ressalta que o uso da buprofezina também contribui para o manejo da resistência da praga a outros inseticidas. A buprofezina pertence à classe dos reguladores de crescimento. E oferece uma alternativa menos agressiva ao meio ambiente e específica para a Ordem dos Hemípteros, grupo ao qual a cigarrinha pertence.

  • Brasil e França firmam parceria para combater a praga na mandioca

    Brasil e França firmam parceria para combater a praga na mandioca

    A Embrapa e o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad), da França, firmaram uma parceria para combater a vassoura-de-bruxa da mandioca. As instituições assinaram uma Carta de Intenções que oficializou a colaboração.

    Vassoura-de-bruxa da mandioca

    O fungo, identificado recentemente, causou grandes prejuízos à produção de mandioca no Amapá, impactando diretamente os sistemas alimentares de comunidades indígenas em Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa. Portanto, para enfrentar a praga de forma coordenada, o documento assinado por Antonio Claudio Almeida de Carvalho, chefe-geral da Embrapa Amapá, e Margaux Llamas, pesquisadora do Cirad, destaca a importância de compreender os fatores que favorecem sua prevalência e os métodos que podem limitar seus danos.

    Brasil e França

    Entre as ações planejadas estão estudos epidemiológicos da doença no Brasil e na Guiana Francesa. Ou seja, os pesquisadores farão testes de patogenicidade e irão buscar por possíveis hospedeiros alternativos do fungo. Além disso, a equipe aplicará boas práticas de manejo na cultura da mandioca e adotará estratégias de diversificação agrícola para garantir a segurança alimentar.

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    A assinatura da Carta de Intenções foi o resultado de reuniões realizadas nos dias 4 e 5 de setembro, na sede da Embrapa Amapá. No encontro, participaram equipes da Embrapa e do Cirad, além de pesquisadores e avaliadores que acompanharam de forma remota.

    O Cirad, vinculado ao governo francês, atua em mais de 50 países, incluindo a Guiana Francesa, e é uma das principais instituições

  • Pela primeira vez “vassoura de bruxa” da mandioca é detectada no Brasil

    Pela primeira vez “vassoura de bruxa” da mandioca é detectada no Brasil

    O fungo Ceratobasidium theobromae (Rhizoctonia theobromae) foi identificado em lavouras de mandioca no norte do estado do Amapá, informou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Esta é a primeira vez que a praga, conhecida como “vassoura de bruxa” da mandioca, é detectada no Brasil.

    Região em alerta

    O alerta foi feito após técnicos da Embrapa Amapá encontrarem a praga nas plantações de mandioca das terras indígenas de Oiapoque, município que faz fronteira com a Guiana Francesa. Além disso, a praga já se espalhou para os municípios de Calçoene e Amapá, ambos localizados ao sul de Oiapoque.

    De acordo com Edilene Cambraia, diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, a presença do patógeno pode reduzir significativamente a produtividade das plantas de mandioca. Os sintomas incluem ramos secos e deformados, nanismo, proliferação de brotos fracos e finos, clorose, murcha, seca das folhas e morte apical.

    Em resumo, a dispersão do fungo ocorre através de material vegetal infectado, ferramentas de poda contaminadas e, possivelmente, pelo solo e água. Segundo uma Nota Técnica da Embrapa, a movimentação de plantas e produtos agrícolas entre regiões pode aumentar o risco de infecção em novas áreas.

    Ações de defesa fitossanitária

    Após a confirmação da praga pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Goiânia, técnicos do Mapa se deslocaram ao Amapá. Primeiramente, eles se reuniram com autoridades locais e especialistas da Embrapa para discutir ações de defesa fitossanitária.

    As medidas adotadas incluem o monitoramento intensivo das áreas de cultivo para identificar precocemente os sintomas. Além disso, estão implementando medidas de quarentena para restringir a movimentação de material vegetal das áreas afetadas. Portanto, a recomendação é usar manivas comprovadamente saudáveis, produzidas em regiões sem a praga ou em condições que impeçam o desenvolvimento do patógeno.

    Outras medidas incluem o uso de fungicidas específicos, a remoção e queima de plantas doentes, e a sanitização de ferramentas utilizadas na destruição das plantas infectadas. Ou seja, o objetivo é reduzir o inóculo nas áreas afetadas e diminuir a incidência de novas infecções.

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    Pragas quarentenárias

    As pragas quarentenárias ausentes são definidas como aquelas com potencial econômico para determinada área e que ainda não estão presentes. Atualmente, cerca de 700 espécies ou gêneros estão regulamentados como pragas quarentenárias ausentes no Brasil, conforme a Instrução Normativa nº 39, de 01/10/2018.

    Além disso, cada praga apresenta riscos específicos, exigindo ações de controle diferenciadas. Para isso, foi instituído o Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes. O programa visa evitar o ingresso de novas pragas no território nacional, mantendo um sistema de vigilância para detecção precoce e identificação dessas pragas, aplicando medidas de mitigação de risco.