Tag: praga

  • Praga reaparece nos EUA após 60 anos e ameaça pecuária do Texas

    Praga reaparece nos EUA após 60 anos e ameaça pecuária do Texas

    Autoridades americanas confirmaram o primeiro caso do verme da bicheira do Novo Mundo (screwworm) em solo americano em seis décadas. O diagnóstico positivo veio de uma amostra colhida em um bezerro de três semanas de idade em La Pryor, no condado de Zavala, próximo à fronteira com o México. A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, anunciou o caso durante coletiva de imprensa em 3 de junho.

    A mosca, que deposita seus ovos em ferimentos abertos de animais vivos, representa uma ameaça direta à indústria pecuária do Texas, avaliada em cerca de US$ 15 bilhões por ano. Até o momento, as autoridades não registraram novos casos, mas o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) já mobilizou equipes em campo e trabalha em conjunto com parceiros locais para conter um possível avanço da praga.

    O órgão reforçou que a bicheira não contamina carne, frutas ou vegetais e não deve afetar diretamente a cadeia de abastecimento de alimentos. Ainda assim, estimativas do próprio USDA apontam que um surto pode gerar prejuízos de até US$ 1,8 bilhão apenas no Texas, pressionando ainda mais os preços da carne bovina, que já operam em patamares recordes.

    O que é o verme da bicheira?

    O verme da bicheira do Novo Mundo pertence a uma espécie de mosca varejeira que se diferencia das demais por depositar ovos em tecido vivo, e não em matéria em decomposição. Pequenos ferimentos, como picadas de carrapato, já atraem as fêmeas, que podem depositar entre 200 e 300 ovos por vez. E até 3 mil ao longo de uma vida que dura entre 10 e 30 dias.

    As bicheiras do Novo Mundo são a forma larval carnívora de Cochliomyia hominivorax, uma espécie de mosca varejeira — Foto: Michael Miller/Texas A&M

    Após a eclosão, as larvas penetram na ferida e se alimentam da carne viva do hospedeiro. No estágio final de desenvolvimento, elas formam estruturas semelhantes a ganchos e se aprofundam ainda mais no tecido, o que originou o nome “screwworm” (verme parafuso, em tradução livre). Depois de cerca de sete dias se alimentando, as larvas caem no solo, se enterram e emergem como moscas adultas, reiniciando o ciclo.

    Infestações múltiplas costumam ocorrer na mesma ferida, com larvas em diferentes estágios de desenvolvimento, o que acelera a destruição dos tecidos.

    Historicamente, a praga concentrava sua presença na América do Sul e em partes do Caribe. Desde 2023, porém, ela vem avançando para o norte, atravessando a América Central até chegar ao México, movimento que levou as autoridades a intensificar o monitoramento a partir do ano seguinte.

    A praga pode infectar humanos e animais domésticos?

    A maior parte dos casos atinge mamíferos como bovinos, animais domésticos e fauna silvestre, mas humanos também podem ser infectados.

    Cães e gatos apresentam vulnerabilidade especial, já que pequenos ferimentos já são suficientes para atrair as moscas. O Texas Farm Bureau recomenda que tutores inspecionem os animais diariamente, com atenção redobrada a áreas com picadas antigas, mau cheiro, lesões visíveis ou sinais de larvas. A entidade também orienta que os tutores avaliem o ambiente onde os pets circulam, evitando objetos que possam causar ferimentos, como cercas de arame ou vegetação cortante. Sem tratamento, a infestação pode matar o animal rapidamente.

    Em humanos, os casos permanecem raros e costumam estar associados a viagens para regiões onde a praga é comum, como América do Sul, Cuba, Haiti e República Dominicana. Pequenos ferimentos, picadas de insetos e até incisões cirúrgicas podem servir de porta de entrada, e a infestação também pode atingir nariz, boca e olhos. Entre os sinais estão feridas que não cicatrizam, dor, sangramento e, em alguns casos, a sensação de movimento causada pela presença das larvas. A prevenção passa por manter feridas limpas e cobertas e usar roupas que protejam a pele.

    Por que a bicheira preocupa tanto o setor pecuário?

    A presença do verme em um animal provoca danos severos, já que o ciclo contínuo de deposição de ovos amplia progressivamente a ferida e pode levar o animal à morte. Mesmo quando o animal sobrevive, a infestação costuma deixar prejuízos significativos à saúde e ao couro.

    vaca leiteira

    Os bovinos enfrentam risco particularmente alto, pois não conseguem proteger feridas abertas e seu porte físico permite o surgimento de múltiplos focos de infestação simultâneos.

    Embora os Estados Unidos tenham erradicado a praga na década de 1960, um ressurgimento entre 1972 e 1976 afetou dezenas de milhares de animais em seis estados e gerou custos milionários ao setor. Produtores americanos não enfrentam essa praga há mais de 40 anos, fator que aumenta a vulnerabilidade atual do setor. O Texas, maior produtor de bovinos do país, movimenta cerca de US$ 15 bilhões por ano com a atividade.

    Como a praga chegou até o Texas?

    A disseminação pela América Central ocorreu de forma rápida, avançando centenas de quilômetros em poucas semanas. Especialistas acreditam que esse deslocamento não se deu apenas por vias naturais, mas também por meio do transporte de animais já infestados. Uma hipótese reforçada pelo fato de a praga não tolerar bem climas muito secos, quentes ou frios por longos períodos.

    Após a confirmação de casos no México em novembro de 2024, os Estados Unidos chegaram a fechar a importação de gado vivo pela fronteira sul, medida que também impactou a oferta no Texas. As restrições passaram por ajustes ao longo de 2025. Até o momento, as autoridades ainda não determinaram exatamente como a infestação chegou ao sul do estado.

    Quais medidas as autoridades estão adotando?

    O governo federal já investiu US$ 100 milhões em pesquisas, armadilhas e reforço da vigilância na fronteira. A principal estratégia de combate continua sendo a técnica do inseto estéril: machos esterilizados são liberados no ambiente para cruzar com fêmeas, gerando ovos inviáveis e reduzindo gradualmente a população da praga. O método já provou eficácia ao longo de décadas, com base operacional no Panamá.

    Novas instalações estão em implementação no México e no Texas, incluindo centros de dispersão de moscas estéreis. As autoridades também estabeleceram uma zona de quarentena e intensificaram a vigilância, com monitoramento que inclui a fauna silvestre. Produtos veterinários emergenciais já foram autorizados para tratamento em diversas espécies.

    Quais sinais os produtores devem observar?

    Especialistas recomendam monitoramento constante dos animais. Entre os principais sinais de alerta estão:

    • Feridas com mau cheiro e presença de larvas
    • Animais lambendo ou mordendo ferimentos com insistência
    • Lesões visíveis e comportamento anormal, como agitação ou apatia

    As larvas podem ser identificadas por pequenos espinhos ao redor do corpo. O tratamento envolve a remoção manual das larvas, limpeza da ferida e uso de produtos prescritos por veterinários. Atualmente há 12 produtos aprovados nos EUA para esse fim, embora ainda não exista ração medicamentosa disponível no mercado.

    Produtores devem comunicar casos suspeitos a veterinários ou autoridades sanitárias imediatamente. Segundo o USDA, o controle da praga é possível com cooperação do setor e cumprimento rigoroso das medidas sanitárias, evitando que a bicheira volte a se estabelecer no país.

  • Praga devastadora pode ter chegado ao interior paulista

    Praga devastadora pode ter chegado ao interior paulista

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instalou, na semana passada, uma armadilha de monitoramento em área da Universidade de Taubaté (Unitau), no interior de São Paulo. O objetivo é verificar a presença do Rhynchophorus ferrugineus,o bicudo-vermelho-das-palmeiras. O dispositivo permanecerá no local por três meses e receberá vistorias semanais.

     armadilha instalada em Taubaté vai monitorar presença da praga por três meses. Foto: MAPA

    A ação partiu do Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) da Secretaria de Defesa Agropecuária, com suporte das unidades regionais do ministério em Guaratinguetá e São José do Rio Preto. O Departamento de Agronomia da Unitau acompanha os trabalhos. O local foi escolhido pela segurança do ambiente e pela presença de plantas hospedeiras da praga.

    A armadilha combina atrativo sexual e alimentar para capturar possíveis exemplares. A durabilidade da isca define o prazo de três meses de monitoramento. Se outras suspeitas surgirem, o Mapa poderá instalar dispositivos semelhantes em diferentes municípios paulistas. O DSV também trabalha em um plano de contingência para viabilizar o monitoramento em larga escala e acionar medidas de controle caso a detecção seja confirmada oficialmente.

    O que é o bicudo-vermelho-das-palmeiras

    O Rhynchophorus ferrugineus é um gorgulho da ordem Coleoptera considerado uma das pragas mais devastadoras de palmeiras no mundo. Originário do sudeste asiático, o inseto já se espalhou para os Estados Unidos, Caribe, região do Mediterrâneo, norte da África e Uruguai, causando prejuízos econômicos estimados em dezenas de milhões de dólares anuais nos países afetados.

    O ciclo de vida passa por quatro fases; ovo, larva, pupa e adulto. A fêmea deposita os ovos na zona de crescimento da coroa da palmeira. Após a eclosão, as larvas se desenvolvem no interior da planta, alimentando-se de tecidos jovens e escavando galerias no tronco. Várias gerações podem coexistir na mesma planta ao mesmo tempo, amplificando os danos. O ciclo completo ocorre em 7 a 10 semanas, o que favorece a multiplicação rápida da praga.

    As espécies vulneráveis incluem coqueiro, dendezeiro, açaizeiro, palmeira-imperial, tamareira e diversas palmeiras ornamentais. Os sintomas de infestação incluem furos no tronco com saída de seiva ou fibras mastigadas, odor forte, folhas centrais amareladas ou caídas e copa deformada. Em infestações avançadas, a praga provoca o colapso da copa e a morte da planta.

    A dificuldade de controle está justamente no comportamento larval: as larvas se desenvolvem internamente no estipe, tornando a infestação praticamente invisível até estágios avançados, quando o controle se torna extremamente difícil ou impossível.

    Praga ausente mas com histórico de suspeitas no Brasil

    O R. ferrugineus ainda não tem registro oficial como praga estabelecida no Brasil, mas o alerta já existe há algum tempo. A praga já está presente em países vizinhos como Uruguai e Argentina, e a proximidade geográfica eleva o risco de introdução no território nacional, principalmente por meio do trânsito irregular de mudas e plantas hospedeiras.

    Em dezembro de 2024, um caso suspeito foi identificado em Nova Lima, Minas Gerais, em uma palmeira Phoenix canariensis, e rapidamente motivou a mobilização de órgãos fitossanitários. A descoberta foi encaminhada ao Instituto Biológico de São Paulo para confirmação.

    O bicudo-vermelho pode ser confundido com a broca-do-olho-do-coqueiro (Rhynchophorus palmarum), espécie nativa já presente no Brasil. Por isso, a confirmação de qualquer suspeita deve ser feita por profissionais do Mapa ou pelos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal.

  • Fiscalização em aeroporto barra praga capaz de devastar lavouras brasileiras

    Fiscalização em aeroporto barra praga capaz de devastar lavouras brasileiras

    Agentes da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), interceptaram na última semana uma carga de aproximadamente uma tonelada de aspargos importados do Peru no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). O motivo: a presença do inseto Prodiplosis longifila, praga quarentenária ausente no Brasil e com potencial de devastar culturas estratégicas do agronegócio nacional.

    A carga era composta por 200 caixas do produto. Equipes do Vigiagro identificaram o inseto durante a fiscalização de rotina e enviaram amostras ao laboratório no dia 8 de maio. O laudo conclusivo saiu na última quarta-feira (13) após análises que incluíram exame visual, morfologia em microscópio, consulta bibliográfica, PCR e sequenciamento genético.

    Uma praga com muitos nomes e um só problema

    Conhecida popularmente como mosca-dos-botões-florais, larva-fura-botão, mosquinha-do-tomate ou negrilla, a Prodiplosis longifila é um inseto de difícil controle. Segundo a Embrapa, suas larvas se desenvolvem no interior de tecidos vegetais (botões florais, brotos terminais e frutos jovens) provocando deformações, abortamento de flores e queda de produtividade. O inseto se adapta melhor a climas quentes e úmidos e consegue se dispersar por voo em até 300 metros.

    A espécie, classificada como praga quarentenária A1 no Brasil, já está presente na Colômbia e no Peru e representa uma das maiores preocupações fitossanitárias do país. Pesquisadores da Embrapa apontam que regiões de fronteira, sobretudo aquelas vizinhas a países onde a praga já ocorre, são os pontos de entrada mais vulneráveis ao território nacional.

    Impacto potencial sobre o agronegócio

    A lista de culturas em risco é extensa: tomate, aspargo, citros, pimentão, algodão, feijão, abacate, alcachofra, batata e cebola. Estudos publicados em periódico científico registram perdas de até 100% na produção de tomate na Colômbia e de até 60% no Equador. No Peru, o inseto também provoca prejuízos consideráveis nos cultivos de aspargo.

    Nos países onde a praga já está estabelecida, como Peru, Equador e Colômbia, sua chegada causou perdas volumosas nas principais zonas produtoras de tomate e pimentão. Em Manabí, no Equador, a Prodiplosis longifila ocupa o posto de praga mais importante do tomate desde 1996.

    Sem controle adequado, a praga pode provocar perdas de rendimento superiores a 50% em batata, aspargo e outras hortaliças. A maioria dos produtores afetados recorre ao uso intensivo de inseticidas sintéticos como única estratégia de combate. O que eleva custos de produção e gera riscos ambientais.

    No Brasil, uma eventual introdução do inseto poderia afetar diretamente as cadeias produtivas de citros e hortaliças, comprometer mercados de exportação e exigir gastos elevados com programas de contenção. A introdução de pragas quarentenárias, sem medidas fitossanitárias adequadas, provoca impactos sociais, ecológicos e econômicos. Portanto, com elevação dos custos de exportação por barreiras fitossanitárias e gastos com programas de controle oficial.

    O papel do Vigiagro na proteção das fronteiras

    O Vigiagro conta atualmente com 111 Serviços e Unidades de Vigilância Agropecuária distribuídos em portos, aeroportos, postos de fronteira e aduanas especiais. A estrutura realiza a fiscalização de cargas, produtos de origem vegetal e animal e bagagens em trânsito internacional, com o objetivo de impedir o ingresso de pragas ainda ausentes no território nacional.

    O caso de Guarulhos reforça a importância da vigilância ativa nas fronteiras,  especialmente em um país com um dos maiores agronegócios do mundo. A Embrapa coordena um arranjo de pesquisa com 40 projetos voltados à prevenção e ao manejo de pragas quarentenárias, envolvendo 25 centros de pesquisa e parceiros internacionais, com foco em reduzir riscos de entrada e os impactos econômicos dessas ameaças.

  • Brasil perde quase 23% da safra de milho por ano por causa de uma única praga

    Brasil perde quase 23% da safra de milho por ano por causa de uma única praga

    Um inseto de menos de cinco milímetros custou ao Brasil US$ 25,8 bilhões em quatro anos. A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), vetor das doenças conhecidas como enfezamentos, retirou uma média de 22,7% da safra nacional de milho a cada ano entre 2020 e 2024, gerando um prejuízo anual estimado em US$ 6,5 bilhões. Os números são de um estudo inédito publicado na revista científica internacional Crop Protection, conduzido pela Embrapa Cerrados, pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    A cigarrinha-do-milho . Foto: Charles Oliveira/Embrapa

    Ao longo das quatro safras avaliadas, cerca de 2 bilhões de sacas de 60 quilos deixaram de chegar ao mercado. “Os resultados indicam que os enfezamentos do milho levaram a uma perda média de 31,8 milhões de toneladas por ano”, afirma Charles Oliveira, pesquisador da Embrapa Cerrados e autor principal do estudo.

    Radiografia dos prejuízos

    Os pesquisadores combinaram dados históricos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com séries de produtividade, produção e área plantada desde 1976, com informações de campo do projeto Campo Futuro, iniciativa da CNA e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Técnicos e produtores rurais de 34 municípios representativos das principais regiões produtoras do País participaram dos levantamentos e, por consenso técnico, estimaram as perdas associadas à praga em cada município e safra.

    A safra 2020/2021 registrou o impacto mais severo: queda de 28,9% na produção. Na safra 2023/2024, o índice recuou para 16,7%, mas outro indicador preocupa. O gasto com inseticidas para controle da cigarrinha subiu 19% no período, superando US$ 9 por hectare e elevando significativamente o custo de produção.

    Em cerca de 80% das localidades avaliadas, produtores e especialistas apontaram a cigarrinha ou os enfezamentos como fator central para a queda de produtividade. “Esse histórico permitiu gerar uma estimativa econômica consistente e com abrangência nacional”, destaca Larissa Mouro, coordenadora do Campo Futuro.

    A ameaça que cresceu nas últimas décadas

    O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais de milho e figura entre os principais exportadores globais. A estimativa da Conab para a safra 2025/2026 é de 138,4 milhões de toneladas, com valor de produção em torno de US$ 30 bilhões, tudo isso sob ameaça constante de uma praga sem tratamento preventivo disponível.

    Os dois tipos de enfezamentos transmitidos pela cigarrinha, o pálido (Spiroplasma kunkelii) e o vermelho (“Candidatus” Phytoplasma asteris), representam hoje o maior risco fitossanitário à produção brasileira do grão. O inseto ainda transmite os vírus do mosaico-estriado e da risca do milho. Em lavouras cultivadas com híbridos suscetíveis, a doença pode provocar perda total da produção.

    Embora os pesquisadores conheçam os patógenos desde os anos 1970, os surtos epidêmicos se tornaram frequentes apenas a partir de 2015. “Mudanças no sistema de produção ocorridas nas últimas décadas, como a expansão da safrinha e o cultivo de milho durante quase todo o ano, criaram um cenário favorável para a sobrevivência da cigarrinha e dos microrganismos”, explica Oliveira.

    Para Tiago Pereira, assessor técnico da CNA, a dimensão do problema mudou de patamar. “Estamos falando de perdas que impactam diretamente a renda do produtor, a estabilidade produtiva e a competitividade do País. O diferencial desse estudo é transformar essa percepção recorrente em números, com base científica.”

    Como a produção cresceu e o problema também

    A série histórica do milho brasileiro mostra uma trajetória de expansão expressiva. Entre 1976/1977 e 2011/2012, a área plantada oscilou entre 10 e 14 milhões de hectares, com produtividade frequentemente abaixo de três toneladas por hectare. A partir de 1999/2000, a adoção da segunda safra e de culturas geneticamente modificadas impulsionou uma virada: a produtividade ultrapassou cinco toneladas por hectare e a produção chegou a 84 milhões de toneladas até 2014/2015.

    O pico da área plantada, 22,3 milhões de hectares, aconteceu na safra 2022/2023. Mas esse mesmo modelo de produção contínua criou as condições ideais para a proliferação da cigarrinha. “Se, por um lado, a tecnologia impulsionou a produção, por outro, o surgimento dos surtos de enfezamentos a partir de 2014/2015 causou declínios severos na produtividade nacional”, resume Oliveira.

    O que os produtores podem fazer

    Diante da inexistência de tratamento preventivo, os pesquisadores recomendam um conjunto de práticas integradas de manejo:

    • Eliminar o milho tiguera (plantas voluntárias que brotam na entressafra): a medida quebra o ciclo de vida do vetor e do patógeno.
    • Sincronizar o plantio entre propriedades vizinhas reduz as janelas que favorecem a dispersão da cigarrinha.
    • Adotar cultivares resistentes ou tolerantes mantém a produtividade mesmo sob pressão das doenças.
    • Aplicar controle químico e biológico nos estádios iniciais da planta (até V8) previne infecções mais graves.
    • E monitorar de forma coordenada entre produtores vizinhos é indispensável para detectar surtos precocemente.

    O controle biológico com fungos entomopatogênicos ganha relevância crescente. Algumas populações de cigarrinha já apresentam resistência a certos grupos de inseticidas, tornando o manejo exclusivamente químico insuficiente.

    Impacto que vai além da porteira

    Os efeitos dos enfezamentos chegam à mesa do consumidor. Como o milho é matéria-prima essencial para a produção de proteína animal, aves, suínos e leite, e para biocombustíveis, quebras de safra pressionam preços e afetam a balança comercial brasileira.

    Para a pesquisadora da Epagri, Maria Cristina Canale, quantificar essas perdas é o primeiro passo para políticas mais efetivas. “Com informações sobre perdas agrícolas do milho causadas por doenças, é possível orientar a destinação de recursos financeiros, o setor de seguro agrícola, as janelas de plantio e as estratégias para mitigar danos, e ainda avaliar a eficácia das práticas adotadas pelo setor produtivo.”

  • Conheça o plano para combater o caruru-gigante

    Conheça o plano para combater o caruru-gigante

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo publicou, em 4 de março de 2026, a Portaria Defesa Agropecuária nº 06, que cria o Plano Operacional de combate ao Amaranthus palmeri, o caruru-gigante. O documento detalha os procedimentos técnicos para monitorar, conter e erradicar a planta invasora, considerada uma das maiores ameaças fitossanitárias às lavouras paulistas de grãos.

    A medida complementa a Resolução SAA nº 07, de 19 de fevereiro de 2026, que havia instituído o Plano Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação da espécie. Agora, com o plano operacional, a Diretoria de Defesa Agropecuária (Defesa) padroniza como as equipes devem agir em campo.

    “O plano é estratégico para proteger a produção de soja, milho e algodão no Estado, evitando perdas que podem chegar a até R$ 13 bilhões com a quebra de produtividade que essa erva daninha pode causar”, afirma Luiz Henrique Barrochelo, diretor da Defesa Agropecuária.

    Como o plano funciona na prática

    O Departamento de Defesa Sanitária Vegetal coordena as ações, com execução descentralizada pelos Departamentos Regionais de Defesa Agropecuária em todo o Estado. O fluxo operacional começa na identificação de suspeitas, passa pela confirmação laboratorial e chega à delimitação das áreas afetadas, com interdição quando necessária.

    Entre as medidas previstas, o plano define áreas técnicas de contenção ao redor dos focos, restringe o trânsito de máquinas e materiais com risco de disseminação, obriga a limpeza de equipamentos agrícolas e determina acompanhamento periódico das zonas monitoradas. O registro georreferenciado das ocorrências garante rastreabilidade e controle das ações em campo.

    “Vamos capacitar as equipes da Defesa Agropecuária em todo o Estado para que a operacionalização do plano comece de forma rápida e padronizada. Assim, garantindo resposta ágil e eficiente no combate ao caruru-gigante”, destaca Alexandre Paloschi, engenheiro agrônomo e diretor do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal.

    Quem deve comunicar a ocorrência

    A portaria reforça a obrigatoriedade de comunicação imediata à Defesa Agropecuária diante de qualquer suspeita ou identificação da planta. Produtores rurais, ocupantes de área e profissionais das Ciências Agrárias têm o dever de acionar as equipes técnicas. Que realizam vistoria e adotam as medidas necessárias.

    O caruru-gigante é uma espécie invasora com alta capacidade de competir com culturas agrícolas. Sem controle adequado, provoca perdas expressivas de produtividade. Por isso, o plano estadual prioriza o bloqueio das principais vias de disseminação: contaminação de sementes, trânsito de máquinas e implementos agrícolas e movimentação de solo ou cargas. A espécie tem status de praga quarentenária no Brasil, o que exige resposta obrigatória e coordenada do poder público sempre que detectada.

  • Mosca-dos-estábulos ataca no Brasil e mosca carnívora preocupa autoridades nos EUA

    Mosca-dos-estábulos ataca no Brasil e mosca carnívora preocupa autoridades nos EUA

    O verão brasileiro traz condições ideais para a multiplicação da mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans), uma praga hematófaga que compromete a produção pecuária nacional. O inseto, similar à mosca doméstica, se diferencia pelo comportamento agressivo e pelas picadas dolorosas que aplica nos animais para se alimentar de sangue.

    Gibrann Frederiko, médico veterinário, explica que o calor e a alta umidade da primavera e do verão aceleram o desenvolvimento das larvas em materiais orgânicos decompostos, como esterco e restos de alimentos.

    A mosca-dos-estábulos ataca principalmente bovinos, equinos e suínos, causando redução no desempenho produtivo, estresse nos animais e transmissão de agentes patogênicos como o Trypanosoma evansi. A praga também eleva os custos com tratamentos e manejo nas propriedades rurais.

    Sinais de infestação exigem atenção dos produtores

    Frederiko aponta comportamentos que indicam a presença da praga: os animais balançam a cauda constantemente, movimentam as patas de forma agitada, sacodem a cabeça ou se esfregam com frequência. A infestação também provoca diminuição no consumo de alimentos, perda de peso, lesões cutâneas nas áreas de picadas e, em casos graves, anemia e deterioração do estado geral.

    O impacto econômico atinge a produção de leite, o ganho de peso dos animais e a reprodução, especialmente em bovinos e equinos. Os custos aumentam com tratamentos, mão de obra adicional e controle químico.

    O especialista identifica erros comuns de manejo que favorecem a multiplicação das moscas: acúmulo de esterco ou restos de ração próximos aos animais, falta de limpeza adequada em estábulos e currais, e descarte incorreto de resíduos orgânicos como palha contaminada.

    Controle integrado substitui uso isolado de inseticidas nas propriedades

    O controle químico, embora comum, não resolve o problema de forma isolada. Frederiko destaca três desafios principais: a resistência dos insetos ao uso frequente e inadequado de produtos químicos, os impactos ambientais e riscos à saúde humana e animal, e a curta eficácia dos tratamentos diante da reprodução rápida dos insetos.

    “O manejo preventivo e contínuo representa o caminho mais eficaz para evitar prejuízos econômicos e garantir a saúde dos animais. Ações simples, aliadas às tecnologias disponíveis, criam um ambiente mais saudável e produtivo”, afirma o veterinário.

    O sistema integrado de controle combina medidas preventivas, químicas e biológicas. A rotina inclui limpeza diária de currais e remoção correta dos resíduos, uso de armadilhas e controle biológico com predadores e parasitoides de ovos e larvas, e aplicação racional de inseticidas com rodízio de princípios ativos para evitar resistência.

    Frederiko relaciona as soluções mais inovadoras disponíveis: inseticidas biológicos à base de bactérias como Bacillus thuringiensis, armadilhas inteligentes e dispositivos automáticos que liberam inseticidas em horários programados, e uso de drones e sensores para monitoramento de infestações.

    Mosca carnívora mobiliza cientistas nos EUA para evitar nova infestação

    Pesquisadores da University of California iniciaram uma estratégia preventiva para evitar o retorno da mosca-da-bicheira americana ao estado. A espécie já causou prejuízos devastadores ao gado no passado, e a campanha atual busca detectar o inseto antes de uma nova infestação se estabelecer.

    Foto: USDA

    A mosca-da-bicheira americana representa a forma larval de uma varejeira metálica chamada Cochliomyia hominivorax. A espécie se alimenta de carne viva e deposita ovos em feridas abertas de animais e humanos, um comportamento que exigiu ações de erradicação no século passado.

    “Nem todas as varejeiras são dessa espécie. Não precisamos ter medo de todas as moscas. Mas essa espécie em particular não é uma que queremos aqui”, afirma Amy Murillo, professora assistente de entomologia, segundo comunicado da UCR.

    Armadilhas inteligentes monitoram fronteira para evitar propagação

    O governo estadual investiu US$ 507 mil no projeto. O sistema utiliza armadilhas com atrativo desenvolvido pelo USDA que simula o cheiro de carne em decomposição. A equipe analisa os insetos capturados para identificar sinais da espécie invasora.

    “Ela ainda não foi encontrada na Califórnia, mas está a cerca de 70 milhas da fronteira do Texas”, alerta Murillo em nota da University of California, Riverside.

    A espécie deposita ovos em feridas e provoca infecções graves. A ameaça atinge principalmente animais de criação, pois ferimentos comuns em fazendas, como cortes de arame farpado, funcionam como portas de entrada para a infestação.

    “A maioria das pessoas pensa em citros ou abacates como nossos principais produtos, mas, na verdade, os laticínios lideram nossa economia agrícola”, destaca a nota da UCR.

    Campanha de conscientização prepara profissionais para reconhecer primeiros sinais

    A universidade também lançou uma campanha de informação direcionada a veterinários, pecuaristas e especialistas. A iniciativa busca garantir que os primeiros sinais sejam reconhecidos rapidamente.

    Murillo esclarece que nem todas as varejeiras representam ameaça. “Muitas são benéficas”, afirmam os pesquisadores no comunicado oficial. Embora a mosca possa atingir humanos, os especialistas apontam que a ameaça maior recai sobre o gado.

    “A espécie precisa de uma abertura na carne, e ela não precisa ser grande. O inseto não faz a ferida, mas a explora”, explica o comunicado da UCR. Murillo evita criar alarme desnecessário: “Você não precisa se preocupar que eles vão começar a comer sua carne”.

    O comunicado da University of California, Riverside reforça que o foco está em estimular a vigilância sem gerar pânico. A universidade destaca que a técnica do inseto estéril continua sendo o método mais eficaz caso ocorra um surto, estratégia que funcionou no passado e pode ser aplicada novamente.

  • Mais de 1 tonelada de cerejas será destruída após detecção de ameaça

    Mais de 1 tonelada de cerejas será destruída após detecção de ameaça

    Uma carga de cerejas chilenas escondia o Brevipalpus chilensis, um ácaro quarentenário que pode causar estragos monumentais na agricultura brasileira. Uma equipe do Vigiagro bloqueou a ameaça no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

    O alerta veio na segunda-feira (10), quando o Ministério da Agricultura e Pecuária divulgou o laudo laboratorial confirmando a presença da praga. Mais de 1.120 quilos de cerejas frescas vindas do Chile serão fumigadas nos próximos dias e depois destruídas. Não tem negociação quando o assunto é proteger os vinhedos, pomares de citros e outras culturas nacionais.

    Detecção aconteceu em inspeção rotineira

    No dia 6, fiscais do Vigiagro realizavam uma ação de rotina quando detectaram o invasor microscópico. As cerejas foram levadas pra sala de inspeção, onde amostras foram coletadas. A suspeita inicial logo se confirmou nos laboratórios da rede oficial do Mapa.

    Foto: Allan Zubiate/Mapa

    O falso ácaro vermelho chileno existe apenas no Chile e na província argentina de Rio Negro, ao norte da Patagônia. Mas seu apetite é voraz e democrático: ataca cerca de 40 espécies de plantas, desde frutíferas até ornamentais e florestais.

    Uvas, citros e kiwis na mira

    Entre os alvos preferidos do Brevipalpus chilensis estão culturas economicamente vitais pro Brasil. Uva, limão, laranja, kiwi e cherimoia (aquela fruta andina da família da fruta-do-conde) encabeçam a lista negra. Figo e caqui também não escapam.

    “A cultura da uva possui duas pragas quarentenárias ausentes consideradas prioritárias”, explica o Departamento de Sanidade Vegetal do Mapa em parceria com a Embrapa. O falso ácaro vermelho chileno é uma delas. A outra é a traça-da-uva (Lobesia botrana), conhecida como traça-europeia-dos-cachos-da-videira.

    Perdas de 30% nos parreirais chilenos

    Os números do Chile assustam. Nos meses mais quentes, o Brevipalpus chilensis causa perdas de até 30% nos parreirais. Portanto, um prejuízo que o Brasil não pode se dar ao luxo de importar junto com frutas frescas.

    A legislação brasileira é clara e a resposta, rápida. Fumigar e destruir a carga inteira pode parecer drástico, mas é a única forma de garantir que pragas ausentes não se estabeleçam no país. O risco fitossanitário é elevado demais pra qualquer tipo de gambiarra.

    O Vigiagro atua justamente pra isso: interceptar ameaças antes que atravessem a fronteira invisível entre cargas internacionais e o território nacional. Desta vez, funcionou. Mais de mil quilos de cerejas vão pro lixo, mas os vinhedos brasileiros continuam seguros.

    Por enquanto.

  • Descoberta de nova praga pode revolucionar controle em canaviais

    Descoberta de nova praga pode revolucionar controle em canaviais

    Uma descoberta científica promete explicar por que produtores de cana-de-açúcar enfrentavam dificuldades no controle de pragas mesmo com o uso de inseticidas eficazes. Pesquisadores brasileiros identificaram uma nova espécie de cigarrinha-da-cana, a Mahanarva diakantha, que especialistas confundiam com outras espécies desde a década de 1960.

    A identificação começou em 2015, quando o professor Gervásio Silva Carvalho, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), recebeu exemplares de cigarrinhas-da-cana de diferentes plantações do Sul e Sudeste. Os produtores relatavam que um inseticida amplamente utilizado não produzia os resultados esperados no combate à praga.

    Carvalho analisou as características físicas dos insetos enquanto, paralelamente, o professor Diogo Cavalcanti Cabral-de-Mello, do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp) em Rio Claro, recebia exemplares similares para análise genética. Nenhum dos pesquisadores sabia do trabalho do outro.

    “Especialista em citogenética e genômica, Cabral-de-Mello identificou diferenças que sugeriam uma nova espécie, mas precisava das evidências morfológicas para confirmar a descoberta”, explica Andressa Paladini, primeira autora do estudo e atualmente professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

    Parceria revela espécie escondida por décadas

    Quando os cientistas descobriram que trabalhavam no mesmo problema, uniram esforços e ampliaram a análise para exemplares de grande parte do Brasil. A FAPESP apoiou o estudo, que os pesquisadores publicaram no Bulletin of Entomological Research.

    A equipe isolou uma sequência específica do DNA mitocondrial, conhecida pela sigla COI (citocromo C oxidase), que varia entre espécies e permite diferenciá-las. No entanto, a diferença era mínima.

    “Não poderíamos descrever a nova espécie apenas com a evidência genética, pois a diferença era muito pequena. Precisávamos da confirmação morfológica”, afirma Cabral-de-Mello.

    Os pesquisadores descobriram que apenas os machos apresentam uma característica distintiva visível: a extremidade bifurcada de parte da genitália. Essa peculiaridade inspirou o nome científico M. diakantha, que significa “dois espinhos” em grego.

    Espécie críptica desafia identificação visual

    A nova espécie é impossível de diferenciar a olho nu da Mahanarva fimbriolata e da Mahanarva spectabilis, suas parentes mais próximas. As três espécies compartilham áreas de ocorrência no Sul e Sudeste do Brasil, o que complica ainda mais a identificação.

    Para eliminar dúvidas, os cientistas aplicaram um terceiro método de diferenciação: a morfometria geométrica. A técnica compara a forma das asas posteriores das três espécies e revelou diferenças estatísticas significativas entre elas.

    “Tudo indica que as espécies se diferenciaram recentemente. As análises genéticas e morfológicas evidenciam isso claramente”, destaca Cabral-de-Mello.

    A identificação da M. diakantha torna necessária a reavaliação de estudos científicos anteriores sobre cigarrinhas-da-cana. Ao examinarem coleções biológicas, os pesquisadores encontraram exemplares da nova espécie coletados há décadas, mas identificados erroneamente como outras espécies. Um deles data de 1961 e trazia a identificação de M. fimbriolata.

    “Esse gênero de cigarrinha-da-cana tem espécies muito parecidas entre si, que chamamos de crípticas. Após dissecar os insetos, vimos que alguns tinham a genitália do macho diferente, o que indicava uma nova espécie”, relata Paladini, que realizava pós-doutorado sob supervisão de Carvalho na PUC-RS quando iniciou a pesquisa.

    Próximos passos incluem mapeamento e estratégias de controle

    Os pesquisadores planejam aumentar a amostragem para verificar com mais precisão a distribuição da nova espécie no país e seu impacto nas lavouras. Outra prioridade é compreender melhor a diversidade genética da M. diakantha, conhecimento fundamental para desenvolver estratégias de manejo mais eficazes.

    A descoberta pode explicar por que alguns inseticidas não funcionavam conforme esperado: a nova espécie possivelmente apresenta maior resistência aos produtos mais utilizados. Além disso, ela pode ter um ciclo de vida diferente e outras interações com o ambiente e hospedeiros, informações essenciais para o controle adequado e para aumentar a produtividade da cana-de-açúcar.

    “Agora que descrevemos a nova espécie, abrimos uma gama de novas possibilidades de pesquisa e aplicação prática”, conclui Paladini.

    A FAPESP apoiou o estudo por meio de dois projetos coordenados por Cabral-de-Mello: “Investigando a evolução de DNAs satélites em cromossomos holocêntricos de insetos-praga” e “Estrutura e evolução de DNAs repetitivos em espécies de Lepidoptera e sua relação com diversificação cariotípica e dos cromossomos sexuais”.

  • Estado de São Paulo alerta para praga invasora que ameaça o agronegócio

    Estado de São Paulo alerta para praga invasora que ameaça o agronegócio

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo alerta produtores sobre a presença no Brasil do besouro invasor Rhynchophorus ferrugineus, conhecido como bicudo-vermelho-das-palmeiras. Originária da África, essa praga quarentenária afeta palmeiras ornamentais e produtivas, colocando em risco culturas importantes como coco, palmito e dendê.

    Em janeiro de 2022, o besouro foi detectado pela primeira vez em São Paulo, por uma equipe do Instituto Biológico liderada pelo pesquisador Dr. Francisco José Zorzenon. A confirmação da espécie aconteceu por meio de análises taxonômicas e moleculares. A praga provavelmente entrou no país pelo Rio Grande do Sul, vinda do Uruguai, junto a palmeiras trazidas clandestinamente. Desde então, casos surgiram no Rio Grande do Sul e Minas Gerais, indicando possível expansão territorial.

    Impactos e riscos para a agricultura

    As fêmeas do bicudo-vermelho perfuram as palmeiras para colocar ovos. As larvas se alimentam do palmito, comprometendo o crescimento das plantas e levando à morte. Experiências internacionais mostram que essa praga traz consequências graves. O Dr. Zorzenon destaca a importância de ações coordenadas e governamentais para controlar a ameaça.

    O Instituto Biológico atua como centro nacional de referência para monitorar o avanço da praga e mapear sua dispersão. Esse trabalho é fundamental para planejar estratégias eficazes de combate no futuro.

    Ampliação da vigilância fitossanitária

    Para reforçar a defesa, o Instituto Biológico e a Defesa Agropecuária preparam treinamento técnico para engenheiros agrônomos, técnicos e fiscais estaduais. O programa abordará:

    • Como identificar a praga em todas as fases (ovo, larva, pupa e adulto);
    • Reconhecimento dos sintomas da infestação em plantas;
    • Protocolos de monitoramento, como uso de armadilhas com feromônios, inspeções visuais e amostragem em campo.

    A Defesa Agropecuária mantém inspeções contínuas em viveiros e pontos de venda de mudas. O foco é detectar sinais da praga e verificar a documentação fitossanitária obrigatória, como o PTV, CFO e CFOC, prevenindo a disseminação.

    As ações paulistas seguem as diretrizes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para garantir resposta rápida e coordenada contra organismos quarentenários. Alexandre Paloschi, chefe do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal da Defesa Agropecuária, reforça que essa cooperação protege as cadeias produtivas e fortalece a competitividade da agricultura paulista e brasileira.

  • Praga devasta lavouras na Europa e pode chegar ao Brasil

    Praga devasta lavouras na Europa e pode chegar ao Brasil

    Uma pequena cigarrinha, com apenas alguns milímetros, está se tornando uma grande dor de cabeça para agricultores europeus. Conhecida como cigarrinha-dos-juncos (Pentastiridius leporinus), essa praga está se espalhando rapidamente e já causa prejuízos em plantações de beterraba açucareira, batata e até tomate.

    O inseto, que antes vivia apenas em áreas alagadas sem causar danos, sofreu uma mutação e agora ataca cultivos essenciais para a alimentação e a indústria. Além de sugar a seiva das plantas, ele transmite uma bactéria que provoca a síndrome “basses richesses” (SBR), reduzindo o açúcar nas beterrabas e afetando o crescimento das lavouras.

    Por que essa praga é tão perigosa?

    • Difícil detecção: o inseto danifica as plantações de dentro para fora, só sendo percebido quando o estrago já está feito.
    • Sobrevive ao inverno: antes restrito a climas mais quentes, agora se esconde nas raízes de cereais como o trigo, driblando a rotação de culturas.
    • Crise climática piora o cenário: com temperaturas mais altas na Europa, a praga se reproduz e se espalha mais rápido.

    Dr. Michael Rostás, entomologista da Universidade de Göttingen, alerta “A expansão dessa cigarrinha para outros países europeus é inevitável. Precisamos agir antes que ela cause uma crise maior na produção de alimentos.”

    O que está sendo feito para conter o avanço?

    A Alemanha já liberou pesticidas emergenciais, mas especialistas afirmam que a solução definitiva exige:

    • Técnicas genéticas como CRISPR para desenvolver plantas resistentes.
    • Monitoramento em tempo real entre agricultores.
    • Mudanças nas leis da UE para acelerar inovações no combate a pragas.

    Enquanto isso, o risco cresce. Se nada for feito, a cigarrinha-dos-juncos pode desestabilizar o abastecimento de alimentos em toda a Europa.

    Por que você deve se importar?

    Crise global de alimentos: se a praga chegar a outros continentes, cultivos como soja e milho podem ser afetados.

    Preços mais altos: menos produção significa aumento no custo de açúcar, batata e derivados.

    Sinal de alerta: mostra como mudanças climáticas estão acelerando pragas agrícolas.

    Países como França e Polônia já monitoram a possível chegada do inseto. O Brasil, maior produtor de cana e soja, também deve ficar em alerta.

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