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  • Exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025/26

    Exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025/26

    O Brasil exportou 38,462 milhões de sacas de café na safra 2025/26, volume 15,7% menor que o registrado no ciclo anterior. Apesar da queda nos embarques, a receita das exportações de café atingiu US$ 14,595 bilhões, o segundo maior resultado da série histórica. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    A redução ocorreu principalmente pela menor oferta de café, reflexo das adversidades climáticas na safra 2025. Além disso, gargalos logísticos nos portos brasileiros e a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos também limitaram os embarques.

    Em junho, o Brasil exportou 3,060 milhões de sacas de café, alta de 16,9% sobre o mesmo mês do ano anterior. No entanto, a receita cambial caiu 6%, para US$ 972,8 milhões.

    No acumulado do primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de café somaram 17,831 milhões de sacas, recuo de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025. A receita cambial alcançou US$ 6,534 bilhões, queda de 13,3%.

    Menor oferta reduz exportações de café

    Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o mercado já esperava uma redução nas exportações. Após os embarques recordes de 2024, os estoques brasileiros diminuíram significativamente. Além disso, problemas climáticos reduziram a produção da safra de café 2025 e limitaram a disponibilidade do produto.

    Ferreira também afirma que a infraestrutura portuária deficiente prejudicou as exportações. Segundo ele, atrasos frequentes nos principais portos impediram o embarque de centenas de milhares de sacas. Como consequência, exportadores registraram custos extras com armazenagem, pré-stacking e detentions.

    Tarifa dos EUA derruba embarques de café brasileiro

    Outro fator que pressionou as exportações de café do Brasil foi a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos durante cerca de quatro meses. Entre 6 de agosto e 21 de novembro, os embarques brasileiros para o mercado americano despencaram 54,9%. Nesse intervalo, as exportações caíram de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas.

    Após a retirada da tarifa para a maior parte dos cafés brasileiros, os negócios começaram a se recuperar. Entretanto, Ferreira afirma que o mercado ainda enfrenta incertezas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos.

    Produtores venderam café no melhor momento

    Segundo o Cecafé, muitos produtores permaneceram capitalizados após os preços elevados registrados nos últimos anos. Dessa forma, os cafeicultores comercializaram o café de maneira mais estratégica durante a entressafra. Como resultado, o ritmo das exportações permaneceu limitado.

    Mesmo com menor volume embarcado, o preço médio das exportações de café atingiu recorde histórico. A média chegou a US$ 379,48 por saca, valor 17,4% superior ao registrado na safra anterior.

    De acordo com Ferreira, as cotações internacionais permaneceram elevadas entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. Além disso, os investimentos em tecnologia, inovação e qualidade continuam agregando valor ao café brasileiro.

    Mercado acompanha colheita do café arábica

    O presidente do Cecafé afirma que o mercado monitora a evolução da colheita do café arábica. Segundo ele, o atraso da colheita e as incertezas climáticas reduziram as vendas antecipadas dos produtores.

    Além disso, a qualidade dos grãos ainda depende dos efeitos das chuvas registradas durante a colheita. Esses fatores devem influenciar o desempenho das exportações brasileiras de café ao longo da safra 2026/27.

    Alemanha supera Estados Unidos entre os maiores compradores

    A Alemanha assumiu a liderança entre os principais destinos do café brasileiro. O país importou 5,188 milhões de sacas, equivalente a 13,5% das exportações nacionais.

    Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 4,243 milhões de sacas, volume 43,2% inferior ao registrado na safra anterior. Na sequência aparecem Itália, Bélgica e Japão.

    Café arábica lidera exportações brasileiras

    O café arábica manteve a liderança nas exportações brasileiras. O país embarcou 29,499 milhões de sacas, volume equivalente a 76,7% do total exportado. Já os cafés canéforas (conilon e robusta) responderam por 5,031 milhões de sacas.

    O café solúvel somou 3,874 milhões de sacas, enquanto o café torrado e torrado e moído representou uma pequena parcela dos embarques.

    Cafés especiais ampliam participação nas exportações

    Os cafés diferenciados, que incluem cafés especiais e certificados, responderam por 19,2% das exportações brasileiras de café. O Brasil embarcou 7,388 milhões de sacas desse segmento. A receita alcançou US$ 3,160 bilhões, equivalente a 21,7% do faturamento total das exportações.

    A Alemanha liderou as compras, seguida por Estados Unidos, Bélgica, Holanda e Itália.

    Porto de Santos concentra exportações de café

    O Porto de Santos permaneceu como principal corredor das exportações brasileiras de café. O terminal embarcou 28,859 milhões de sacas, o equivalente a 75% do total exportado pelo país. Na sequência aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro e o Porto de Paranaguá.

  • Cecafé critica restrições da Antaq ao leilão do Tecon Santos 10

    Cecafé critica restrições da Antaq ao leilão do Tecon Santos 10

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) criticou a manifestação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) sobre o modelo de leilão do Tecon Santos 10, futuro terminal de contêineres do Porto de Santos. Segundo a entidade, as restrições propostas podem atrasar investimentos, aumentar a insegurança jurídica e reduzir a competitividade do agronegócio brasileiro.

    A Antaq encaminhou sua manifestação à Casa Civil em 2 de julho. No entanto, o posicionamento diverge da orientação apresentada pelo governo federal. A Casa Civil defendeu um modelo com ampla participação no certame, desde que o vencedor assumisse compromisso de desinvestimento caso já possuísse ativos portuários na região. Além disso, o governo sugeriu elevar o valor mínimo de outorga para R$ 1,044 bilhão.

    Cecafé questiona falta de embasamento técnico

    Na avaliação do Cecafé, a Antaq manteve a proposta de realizar o leilão em duas fases e restringiu, na etapa inicial, a participação de armadores que já operam terminais de contêineres no Porto de Santos. Para a entidade, a agência não apresentou estudos técnicos, indicadores ou análises econômicas que comprovem a necessidade dessa medida.

    O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, afirma que a decisão não traz evidências suficientes para justificar as restrições. Segundo ele, estudos produzidos pela própria Antaq e pela unidade técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam conclusões diferentes das adotadas pela agência reguladora. Dessa forma, o Cecafé considera que a medida carece de fundamentação técnica consistente.

    Entidade alerta para impactos no agronegócio

    O Cecafé afirma que as restrições podem agravar problemas já enfrentados pelas cargas conteinerizadas no Porto de Santos. Atualmente, exportadores e importadores convivem com limitações de capacidade, congestionamentos operacionais e altos custos logísticos. Como consequência, a competitividade das exportações brasileiras pode diminuir.

    Além disso, a entidade acredita que o modelo escolhido pela Antaq aumenta o risco de judicialização. Caso isso aconteça, novos processos judiciais podem atrasar um projeto considerado estratégico para ampliar a infraestrutura portuária do país.

    Segundo Eduardo Heron, esses atrasos afetam diretamente os usuários do porto e toda a cadeia produtiva. Por isso, ele afirma que o aumento dos custos logísticos tende a refletir tanto na competitividade das exportações quanto no preço final dos produtos consumidos pela população.

    Agência deve atuar com critérios técnicos, diz Cecafé

    Na avaliação do diretor técnico do Cecafé, a Antaq deve exercer seu papel regulador com base em critérios objetivos, evidências concretas e análises técnicas. Além disso, a agência precisa garantir segurança regulatória, previsibilidade e eficiência para o setor portuário.

    Heron defende que a Antaq não deve restringir previamente a participação de empresas sem apresentar justificativas robustas. Segundo ele, esse tipo de decisão amplia a insegurança jurídica e reduz a confiança dos investidores.

    O diretor também lembra que a missão institucional da Antaq consiste em regular, supervisionar e fiscalizar os serviços e a infraestrutura aquaviária. Portanto, ao adotar restrições sem demonstrar claramente seus fundamentos técnicos, a agência acaba entrando em um debate concorrencial que já conta com órgãos específicos para esse tipo de análise.

    Casa Civil adotou entendimento diferente

    O Cecafé destaca que a própria Casa Civil recomendou retirar as restrições à participação na primeira fase do leilão. Ao mesmo tempo, o governo sugeriu manter mecanismos de desinvestimento para tratar eventuais questões concorrenciais.

    Apesar dessa orientação, a Antaq decidiu preservar seu entendimento original após meses de análise. Assim, manteve o modelo de licitação dividido em duas etapas.

    Comparação com o terminal de Itajaí

    O Cecafé também compara o caso do Tecon Santos 10 com o processo de arrendamento definitivo do terminal ITJ01, em Itajaí (SC). Na avaliação da entidade, o modelo adotado naquele certame permitiu ampla participação dos interessados e limitou apenas determinadas composições societárias.

    Segundo Eduardo Heron, decisões diferentes para situações semelhantes aumentam a insegurança jurídica quando não apresentam justificativas técnicas claras. Além disso, esse cenário fortalece a percepção de tratamento desigual entre os agentes econômicos.

    Porto de Santos precisa ampliar sua capacidade

    Para o Cecafé, o Porto de Santos precisa avançar rapidamente em uma agenda de expansão logística. A entidade afirma que o Tecon Santos 10 representa apenas uma das iniciativas necessárias. Também considera fundamentais o aprofundamento do canal de navegação, a construção de novos acessos rodoviários e a ampliação das melhorias ferroviárias.

    Na avaliação do conselho, esses investimentos aumentarão a capacidade operacional do principal porto brasileiro. Consequentemente, o país poderá reduzir gargalos logísticos e fortalecer a competitividade do comércio exterior.

    Projeto acumula mais de 13 anos de espera

    O Cecafé lembra que o leilão do Tecon Santos 10 aguarda realização há mais de 13 anos e sofreu diversos adiamentos ao longo desse período.

    Para a entidade, insistir em um modelo que restringe participantes sem comprovação técnica favorece novas disputas judiciais. Como resultado, o cronograma de investimentos pode sofrer novos atrasos. Dessa maneira, exportadores, importadores e toda a cadeia produtiva continuarão enfrentando limitações provocadas pela atual infraestrutura portuária. Enquanto isso, o agronegócio brasileiro seguirá convivendo com custos elevados e perda de competitividade no mercado internacional.

  • XXV Seminário do Café reúne especialistas de 15 países em Santos

    XXV Seminário do Café reúne especialistas de 15 países em Santos

    O XXV Seminário Internacional do Café, que ocorrerá em Santos entre os dias 19 e 21 de maio, promete ser um marco para o setor ao reunir especialistas de 15 países. O evento, organizado pela Associação Comercial de Santos (ACS), projeta receber mais de mil participantes para debater o futuro da cafeicultura em um mundo marcado por rupturas tecnológicas e novas demandas de mercado.

    Com uma agenda ampliada em relação aos anos anteriores, o encontro será sediado no Santos Convention Center. A solenidade de abertura está marcada para a noite do dia 19, às 19h, reunindo lideranças da cadeia produtiva e autoridades. Durante os dias 20 e 21, o foco recai sobre painéis técnicos que exploram temas cruciais como geopolítica, infraestrutura, sustentabilidade e inovação digital.

    Disrupção e tecnologia no agronegócio

    Um dos momentos mais aguardados é a palestra de Pablo Spyer, no dia 20, que abordará os desafios disruptivos enfrentados pelo Brasil. No mesmo dia, Walter Longo discutirá os impactos da inteligência artificial nos modelos de negócios. Essa abordagem tecnológica visa preparar o produtor e o exportador para uma realidade onde a análise de dados e a automação se tornam diferenciais competitivos.

    O painel sobre infraestrutura e logística também ganha relevância no primeiro dia de debates. Executivos e especialistas do setor portuário discutirão os gargalos que afetam o escoamento da produção. O debate é essencial para otimizar o transporte do grão até os portos, garantindo eficiência no comércio exterior.

    Sustentabilidade e o novo cenário regulatório

    No encerramento, dia 21, as discussões se voltam para o ambiente regulatório internacional. Marcos Matos, do Cecafé, e Bill Murray, da National Coffee Association dos Estados Unidos, trazem as perspectivas das normas globais e as exigências do mercado americano. A sustentabilidade, pilar central do evento, será detalhada por Kevin Lardner, da Rainforest Alliance, focando em práticas de certificação.

    O economista Eduardo Giannetti também integra a programação, oferecendo uma análise profunda sobre o cenário geopolítico e seus reflexos diretos no comércio internacional. Complementando o viés técnico, especialistas como Claudio Delposte e Oscar Schaps debaterão o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado de commodities, fornecendo subsídios para estratégias financeiras de curto e longo prazo.

    Networking e protagonismo nacional no Porto de Santos

    Além das palestras, o seminário oferece experiências práticas, como a visita guiada ao Porto de Santos, principal porta de saída do café brasileiro para o mundo. O evento encerra-se com uma festa no Mercado Municipal de Santos, reforçando o networking entre os participantes.

    O Brasil detém cerca de 38% da produção mundial de café. Em 2025, as exportações superaram 40 milhões de sacas, gerando US$ 15,5 bilhões. O Porto de Santos é peça-chave nessa engrenagem, operando 78% desse volume. O tema “O setor de café do Brasil está pronto para um mundo disruptivo?”, escolhido para esta 25ª edição, resume a necessidade de evolução constante da cadeia produtiva frente às mudanças globais.

  • Exportações de café do Brasil caem 31% em janeiro de 2026: entenda os motivos

    Exportações de café do Brasil caem 31% em janeiro de 2026: entenda os motivos

    O Brasil exportou 2,78 milhões de sacas de café em janeiro de 2026, registrando queda de 30,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando foram embarcadas 4,016 milhões de sacas. Apesar da redução no volume, a receita cambial teve declínio menor, de 11,7%, totalizando US$ 1,175 bilhão, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    Segundo Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, diversos fatores contribuíram para a redução nos embarques. A queda de preços iniciada em janeiro e intensificada em fevereiro, aliada à valorização do real frente ao dólar, desaqueceu o mercado internacional de café.

    “Vivemos um cenário de produtores capitalizados em função dos bons preços nos últimos anos, estoques de arábica limitados no período de entressafra e os cafés conilon e robusta sendo utilizados para suprir, majoritariamente, o mercado interno”, explica Ferreira.

    A expectativa de boa recuperação na produção brasileira de café arábica na safra 2026/27 também influenciou o movimento de baixa nos preços internacionais.

    Café arábica lidera exportações mesmo com queda

    O café arábica manteve a liderança nas exportações brasileiras, com 2,347 milhões de sacas embarcadas em janeiro, representando 84,4% do total. No entanto, o volume registra queda de 29,1% em relação a janeiro de 2025.

    O café solúvel ficou em segundo lugar, com 249.148 sacas exportadas (9% do total), apesar da redução de 32 pontos percentuais na comparação anual. Os cafés canéforas (conilon e robusta) somaram 181.559 sacas, com participação de 6,5% e queda de 45,6%.

    Principais mercados compradores de café brasileiro

    A Alemanha se manteve como principal destino das exportações brasileiras de café, importando 391.704 sacas (14,1% do total), apesar da queda de 16,1% em relação a janeiro de 2025.

    Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 385.841 sacas importadas (13,9%), mas registrando significativa redução de 46,7%. Completam o top 5: Itália (285.580 sacas), Bélgica (180.812 sacas) e Japão (169.357 sacas).

    Cafés especiais representam 21% das exportações

    Os cafés diferenciados, que incluem grãos especiais e produtos certificados com práticas sustentáveis, responderam por 21,2% das exportações totais, com 588.259 sacas embarcadas. O volume representa queda de 41,9% em relação a janeiro de 2025.

    A receita com cafés especiais totalizou US$ 272,7 milhões, com preço médio de US$ 463,53 por saca, correspondendo a 23,2% da receita cambial total com café.

    Quando as exportações devem se recuperar?

    Márcio Ferreira projeta recuperação gradual dos embarques. Para o café conilon e robusta, a expectativa é de retomada a partir de maio, com a chegada da nova safra. Já para o café arábica, a recuperação está prevista para julho, com o início da safra 2026/27.

    “Até então, os volumes de exportação devem seguir apertados dada a falta de competitividade, principalmente dos arábicas, frente a outros países produtores concorrentes”, afirma o presidente do Cecafé.

    Balanço da safra 2025/26

    No acumulado de julho de 2025 a janeiro de 2026, o Brasil exportou 23,406 milhões de sacas de café, gerando receita de US$ 9,235 bilhões. Comparado ao mesmo período da safra anterior, o volume apresenta queda de 22,5%, mas a receita cambial cresceu 8,1%, reflexo dos preços mais elevados praticados no período.

    O Porto de Santos continua como principal porta de saída, responsável por 81% dos embarques (2,252 milhões de sacas). Seguido pelo complexo portuário do Rio de Janeiro (15,7%) e Porto de Paranaguá (1,1%).

  • Gargalos logísticos custam R$ 66 milhões ao setor de café em 2025

    Gargalos logísticos custam R$ 66 milhões ao setor de café em 2025

    Os exportadores brasileiros de café encerraram 2025 com um prejuízo logístico acumulado de R$ 66,1 milhões devido ao esgotamento da infraestrutura portuária do país. O levantamento, realizado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), revela que problemas crônicos nos principais portos brasileiros impediram o embarque mensal de 1.824 contêineres, equivalentes a 602 mil sacas de café.

    Apesar das exportações gerais recordes anunciadas pelas autoridades públicas, os principais portos brasileiros seguem enfrentando desafios estruturais que afetam especialmente as cargas conteinerizadas. Filas intermináveis de caminhões, pátios lotados, escassez de berços, rolagens de cargas e constantes alterações nas escalas dos navios geraram custos milionários com armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions.

    Somente em dezembro de 2025, as empresas exportadoras registraram prejuízo de R$ 4,631 milhões com o não embarque de 1.475 contêineres. Isso é o equivalente a 486 mil sacas de 60 kg de café.

    “Na média mensal, 55% dos navios tiveram atrasos ou alterações de escala. O Brasil deixou de receber US$ 2,640 bilhões em receita cambial ao longo de 2025”, afirma Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé.

    Problema afeta múltiplos setores do agronegócio

    A crise portuária não se limita ao café. Segundo o diretor técnico do Cecafé, outros setores que dependem de contêineres para exportação, como açúcar, algodão e produtos originários de árvores, enfrentam os mesmos entraves logísticos.

    Heron explica que os números recordes divulgados pelas autoridades sobre a movimentação portuária geral mascaram a realidade enfrentada pelos exportadores de cargas conteinerizadas. “É preciso que nossos governantes tenham ciência dessa realidade e dos prejuízos para que executem políticas públicas adequadas com celeridade”, destaca.

    Entre as soluções apontadas pelo setor estão a diversificação de modais de transporte, ampliação da capacidade de pátios e berços nos terminais portuários e o aprofundamento de calados para recebimento de grandes embarcações.

    Porto de Santos concentra maiores problemas

    O Porto de Santos, responsável por 78,7% dos embarques de café entre janeiro e dezembro de 2025, registrou índice de 65% de atrasos ou alterações nas escalas dos navios em dezembro. Do total de 162 porta-contêineres, 105 embarcações sofreram algum tipo de interrupção. O tempo mais longo de espera no porto santista chegou a 82 dias.

    No complexo portuário do Rio de Janeiro, segundo maior exportador de café do Brasil com 17,7% de participação, o índice de atrasos foi de 41% no último mês de 2025. Com 52 dos 127 navios apresentando alteração de escalas.

    Segundo dados do Boletim Detention Zero, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 52% dos navios (187 de 361 embarcações) tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos brasileiros em dezembro de 2025.

    Impacto direto na renda dos produtores

    O diretor técnico do Cecafé ressalta que os prejuízos não se limitam aos exportadores, afetando diretamente os cafeicultores brasileiros. O Brasil repassa em média mais de 90% do valor Free on Board (FOB) da exportação aos produtores. O que significa que os gargalos logísticos também representam menor receita para quem trabalha no campo.

    “Os cafeicultores se dedicam arduamente, enfrentando adversidades climáticas e custos de produção elevados. O não embarque devido aos gargalos logísticos representa menos receita para quem produz os melhores e mais diversos cafés sustentáveis do mundo”, afirma Heron.

    Crescimento do agro exige investimentos urgentes

    Entre 2016 e 2025, as exportações do agronegócio brasileiro cresceram 72%. Portanto, saltando de 158,9 milhões para 273,1 milhões de toneladas, segundo dados do AgroStat do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A taxa de crescimento médio anual foi de 6%.

    “Se mantido esse cenário de evolução do agro e os investimentos em infraestrutura seguirem de forma morosa e burocrática, o comércio exterior brasileiro continuará acumulando prejuízos e o país perderá competitividade e oportunidades”, alerta o diretor técnico do Cecafé.

    Expectativas para 2026 permanecem desafiadoras

    A perspectiva para o próximo ano não é animadora. Heron menciona a possibilidade de judicialização do leilão do Tecon Santos 10. O que pode atrasar ainda mais a oferta de capacidade de pátio e berço no porto santista. A recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) que restringiu a participação ampla de armadores no leilão é criticada pelo setor como “infundada e baseada em especulações hipotéticas”.

    Como alternativa, o Cecafé aposta na parceria entre Imetame Porto Aracruz e Hanseatic Global Terminals (HGT), subsidiária do armador holandês Hapag-Lloyd, para atrair cargas de café para o Espírito Santo e desafogar o Porto de Santos.

    “O Cecafé seguirá empenhando esforços para buscar diminuir os riscos e prejuízos ao comércio exportador de café do Brasil”, finaliza Eduardo Heron.

  • Porto de Santos fecha 2025 com recorde histórico

    Porto de Santos fecha 2025 com recorde histórico

    O Porto de Santos registrou um desempenho histórico em 2025, movimentando 186,4 milhões de toneladas de cargas e consolidando sua posição como o maior e mais importante complexo portuário do país. O resultado reflete o avanço da logística portuária brasileira, impulsionado por ganhos de eficiência, aumento de investimentos e crescimento no escoamento da produção nacional.

    Reconhecido como principal porta de entrada e saída do comércio exterior brasileiro, o porto paulista foi responsável por uma parcela expressiva da movimentação total do sistema portuário nacional, que superou 1,34 bilhão de toneladas em 2025. O crescimento reforça o papel estratégico de Santos na exportação de granéis sólidos, líquidos e cargas conteinerizadas, conectando o Brasil aos principais mercados globais.

    Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os resultados demonstram que o país retomou uma agenda sólida de investimentos em infraestrutura.

    “Os números do Porto de Santos mostram que o Brasil voltou a investir com planejamento, segurança jurídica e visão de longo prazo. O Tecon Santos 10 será um marco para a logística de contêineres, ampliando eficiência e competitividade”, afirmou o ministro.

    Novos projetos de expansão

    O bom desempenho operacional se soma aos novos projetos de expansão. O leilão do Tecon Santos 10, previsto pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), é considerado o principal passo para aumentar em 50% a capacidade de movimentação de contêineres do porto. A nova estrutura colocará o complexo em um nível superior de escala e produtividade, atraindo grandes rotas marítimas internacionais.

    O empreendimento integra o pacote de concessões do MPor, que prevê 18 leilões e quatro concessões de canais de acesso nos próximos ciclos. O programa busca garantir segurança jurídica, previsibilidade regulatória e atrair capital privado para o setor. No Porto de Santos, além do Tecon 10, estão programadas concessões do canal de acesso e novos projetos que reforçam a competitividade da logística brasileira e o papel estratégico do complexo santista no comércio global.

  • Porto de Santos recebe investimento bilionário

    Porto de Santos recebe investimento bilionário

    O Porto de Santos vai mudar de escala. Um novo investimento de R$ 1,6 bilhão, anunciado nesta quinta-feira (20) pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, promete transformar o maior complexo portuário do hemisfério sul. O anúncio aconteceu longe de casa: em Dubai, durante missão oficial aos Emirados Árabes.

    O dinheiro vem da DP World, gigante global de logística que opera um dos terminais mais modernos do Brasil. O plano, ambicioso, é elevar a capacidade de movimentação para 2,1 milhões de TEUs até 2028. O projeto inclui a ampliação do cais em 190 metros e novas áreas dedicadas à exportação de celulose e contêineres.

    Costa Filho saiu da reunião otimista. “Esses investimentos reforçam a confiança dos investidores e a modernização do setor portuário brasileiro”, afirmou o ministro, após o encontro com executivos da DP World. No mesmo dia, ele visitou o Porto de Jebel Ali, referência mundial em tecnologia e eficiência logística.

    A segunda fase do programa da DP World já está aprovada. Prevê novas estruturas, como um píer de atracação, ampliação da retroárea com laje sobre estacas e melhorias no gate de acesso, áreas de inspeção e sistemas para cargas refrigeradas.

    Tecnologia chegando

    No pacote, vem também uma leva de tecnologia: quatro novos portêineres, 15 guindastes RTG e 40 caminhões internos de alta performance. Todos adaptados a padrões de eficiência energética e sustentabilidade. Tudo dentro da política global da empresa de reduzir emissões e modernizar operações.

    O novo cais passará de 1.100 para 1.290 metros. Com isso, o terminal poderá receber navios de classe New Panamax, capazes de carregar até 150 mil toneladas. As obras devem terminar em agosto do próximo ano.

    A DP World reforça que os equipamentos trarão menor consumo e menos gases poluentes, alinhando-se à agenda de descarbonização do Governo Federal.

    Foto: Assessoria de comunicação DP World

    Costa Filho conhece bem o projeto. Em agosto, esteve em Santos para acompanhar o início das obras. Viu de perto as primeiras estacas sendo cravadas. Cumprimentou trabalhadores, ouviu histórias.

    A visita a Dubai trouxe outro tipo de inspiração. No Porto de Jebel Ali, o ministro observou sistemas de automação e o modelo Boxbay, que multiplica a capacidade de movimentação vertical dos contêineres. “É impressionante. São tecnologias que podem transformar a logística brasileira”, disse.

    O ministro quer mais do que ver. Quer aplicar. “Vim entender como essas inovações podem ampliar a capacidade do Brasil e atrair novos investimentos. O país pode, sim, se alinhar às melhores práticas do mundo.”

  • Exportações de café brasileiro caem 20% em outubro

    Exportações de café brasileiro caem 20% em outubro

    Exportações brasileiras de café registraram queda significativa de 20% em outubro de 2025, totalizando 4,141 milhões de sacas de 60 kg, em comparação com as 5,176 milhões de sacas embarcadas no mesmo período de 2024. Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) em seu relatório estatístico mensal.

    Apesar da redução no volume exportado, a receita cambial cresceu 12,6%, alcançando US$ 1,654 bilhão no mês. O desempenho financeiro positivo reflete as cotações mais elevadas do café no mercado internacional, compensando parcialmente a queda nos embarques.

    Acumulado de 2025 mantém tendência de queda nos volumes

    No acumulado de janeiro a outubro de 2025, o Brasil exportou 33,279 milhões de sacas de café, volume 20,3% inferior aos 41,769 milhões registrados nos primeiros 10 meses de 2024. Em contrapartida, a receita cambial avançou 27,6%, saltando de US$ 9,968 bilhões para US$ 12,715 bilhões.

    Segundo Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, diversos fatores explicam o desempenho: “O recuo das exportações era aguardado, principalmente por virmos de remessas recordes em 2024 e de uma safra com menor potencial produtivo”, afirmou.

    Tarifaço americano reduz embarques para os EUA em 51,5%

    A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre cafés brasileiros tornou-se um dos principais obstáculos para o setor. Entre agosto e outubro de 2025, período de vigência do tarifaço, os norte-americanos importaram apenas 983.970 sacas, queda drástica de 51,5% em relação aos 2,030 milhões do mesmo período de 2024.

    “O Brasil sempre foi o produtor mais competitivo e é o principal provedor ao mercado de café dos EUA, mas a taxação de 50% torna inviável o envio do produto para lá”, explicou Ferreira. “Esses embarques que temos observado são de contratos antigos.”

    Risco de perda permanente de mercado

    O presidente do Cecafé alertou para um problema estratégico de longo prazo: a mudança no paladar do consumidor americano. “Já é possível observar cafés com blends sem o café brasileiro no mercado americano. Se as tarifas demorarem mais a cair, pode ser difícil o Brasil recuperar sua fatia tradicional no mercado cafeeiro dos EUA, que é de aproximadamente um terço”, analisou.

    Negociações para isenção tarifária em andamento

    O Cecafé tem intermediado conversas entre torrefadores americanos e a embaixada brasileira em Washington para transferir o café da seção 3 para a seção 2 da ordem executiva do presidente Donald Trump, possibilitando importação com tarifa zero.

    Ferreira revelou que a indústria cafeeira norte-americana recebeu sinais positivos da Casa Branca: “Nossos pares informaram que o governo Trump deseja isentar o café do tarifaço e que isso pode ser negociado de forma isolada, sem considerar outros produtos. A bola está com o governo brasileiro.”

    Infraestrutura portuária defasada agrava cenário

    Além do tarifaço, a infraestrutura defasada nos portos brasileiros continua impossibilitando o embarque de centenas de milhares de sacas, segundo o Cecafé. O Porto de Santos mantém a liderança, responsável por 79% das exportações (26,297 milhões de sacas). Ele é seguido pelo complexo portuário do Rio de Janeiro (17,4%) e Porto de Paranaguá (1%).

    Mesmo com a queda de 28,1%, os Estados Unidos permanecem como principal importador, com 4,711 milhões de sacas (14,2% do total). O ranking dos cinco maiores destinos no acumulado de 2025 inclui:

    • Estados Unidos: 4,711 milhões de sacas (-28,1%)
    • Alemanha: 4,339 milhões de sacas (-35,4%)
    • Itália: 2,684 milhões de sacas (-19,7%)
    • Japão: 2,182 milhões de sacas (+18,5%)
    • Bélgica: 1,912 milhão de sacas (-47,5%)

    Café arábica domina exportações

    O café arábica representa 79,9% das exportações brasileiras, com 26,602 milhões de sacas embarcadas entre janeiro e outubro, apesar da queda de 12,5% em relação a 2024. A espécie canéfora (conilon + robusta) responde por 10,6% do total, seguida pelo café solúvel (9,4%).

    Os cafés certificados, especiais e de qualidade superior totalizaram 6,580 milhões de sacas (19,8% das exportações). Gerando receita de US$ 2,803 bilhões a um preço médio de US$ 426,04 por saca. Esse segmento registrou crescimento de 44,1% na receita cambial em comparação com 2024.

  • TCU classifica como ilegal restrições no leilão do Tecon Santos 10

    TCU classifica como ilegal restrições no leilão do Tecon Santos 10

    O leilão do novo terminal de contêineres no Porto de Santos (Tecon Santos 10) está no centro de uma disputa que pode custar bilhões ao Brasil. Entidades representativas de exportadores e importadores cobram a realização de um certame aberto e sem restrições, alertando que o formato proposto pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) é ilegal e pode resultar em judicialização do processo.

    Em relatório de 203 páginas, a Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Portuária e Ferroviária (AudPortoFerrovia) do Tribunal de Contas da União classificou como “ilegal” o modelo de leilão em duas fases proposto pela ANTAQ, que veta a participação de operadores já atuantes no Porto de Santos.

    A análise técnica do TCU rejeitou os argumentos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e da ANTAQ, considerando-os “poucos argumentos novos” e “incapazes de alterar o encaminhamento sugerido”. Segundo o relatório, a decisão da agência reguladora desrespeita princípios constitucionais da ampla concorrência e proporcionalidade, baseando-se em “riscos e premissas hipotéticas”.

    Setores produtivos alertam para prejuízos bilionários

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Associação Logística Brasil manifestaram publicamente apoio à instrução do TCU. As entidades representam diversos segmentos do agronegócio que dependem da logística portuária, incluindo exportadores de café, açúcar, algodão e celulose.

    “Esse é um tema de interesse de todos os exportadores brasileiros que precisam de logística eficiente e infraestrutura adequada para destravar o Porto de Santos”, afirma Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé. Ele destaca que o esgotamento da infraestrutura portuária já causa prejuízos acumulados aos embarcadores.

    Restrições podem reduzir arrecadação em R$ 1 bilhão

    André de Seixas, diretor-presidente da Associação Logística Brasil, questiona a lógica econômica das restrições propostas. “O que notamos é a sanha para se ter um leilão custando cerca de R$ 1 bilhão a menos, a partir do momento em que se excluiu empresas que têm apetite de competir”, critica.

    Para Seixas, o processo sofreu “diversos atropelos procedimentais” dentro da ANTAQ, com interferência política sobrepondo-se aos aspectos técnicos. “O que não se pode aceitar é a política interferir na parte técnica, criando um ambiente conflituoso”, alerta.

    Risco de judicialização e mais atrasos

    As entidades temem que a manutenção do formato restritivo leve à judicialização do leilão, postergando ainda mais a ampliação da capacidade portuária. O certame já deveria ter ocorrido, mas foi adiado devido a questionamentos sobre o modelo proposto.

    “Já vislumbramos atrasos e mais prejuízos aos usuários e à sociedade, a partir do iminente risco de judicialização deste leilão, algo totalmente desnecessário”, conclui Seixas.

    CADE já afastou premissas da ANTAQ

    O relatório do TCU reforça que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) já afastou, em inquéritos administrativos, muitas das premissas hipotéticas utilizadas pela ANTAQ para justificar as restrições. Segundo a auditoria, “a adoção de medidas restritivas deve estar ancorada em um juízo de razoável certeza sobre sua efetividade e não apenas em cenários hipotéticos ou especulativos”.

    Eduardo Heron, do Cecafé, contesta a narrativa de “defesa do interesse público” utilizada para justificar as restrições. “As transações comerciais geradas pelo comércio exterior brasileiro também são de interesse do país, pois geram riqueza, renda e emprego em todos os setores da economia”, argumenta.

    O executivo questiona: “Por que a autoridade pública se propõe a restringir a participação no leilão de empresas experientes e interessadas no certame, renunciando o grande potencial arrecadatório, quando se busca aumentar as arrecadações do país?”

    Investimentos da Autoridade Portuária são reconhecidos

    Apesar das críticas ao modelo de leilão, o Cecafé reconhece os esforços da Autoridade Portuária de Santos (APS) em outros projetos, como a contratação para aprofundamento do calado, a proposta de terceira via de descida da Rodovia dos Imigrantes e a implementação da segunda alça de acesso ao embarcadouro.

    As entidades defendem a realização do leilão do Tecon Santos 10 ainda em 2025, em formato irrestrito e em fase única, conforme recomendação da Unidade Técnica do TCU. A expectativa é que operadores portuários experientes, incluindo grandes empresas internacionais, possam participar livremente do certame, garantindo maior competitividade e investimentos robustos no Porto de Santos.

  • Exportadores de café perdem R$ 5,9 Milhões em um mês com gargalos logísticos

    Exportadores de café perdem R$ 5,9 Milhões em um mês com gargalos logísticos

    Os exportadores brasileiros de café enfrentam uma crise logística que resultou em prejuízos de R$ 5,9 milhões apenas no mês de agosto. A defasagem da infraestrutura portuária impediu o embarque de 624.766 sacas do produto. Isso é equivalente a 1.893 contêineres, gerando custos extras com armazenagem adicional, pré-stacking e detentions.

    Os dados foram levantados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) junto aos seus associados. E revelam um cenário alarmante para o setor cafeeiro nacional, que vê seu potencial de crescimento limitado por gargalos estruturais.

    Impacto cambial chega a R$ 1,2 bilhão

    Além dos prejuízos diretos com custos logísticos, o não embarque desse volume impediu que o Brasil recebesse US$ 221,28 milhões em receitas cambiais. Isso representa R$ 1,205 bilhão considerando a cotação média do dólar em agosto (R$ 5,4463) e o preço médio FOB de exportação de US$ 354,18 por saca de café verde.

    O problema se intensifica justamente no momento em que as exportações aumentam com a entrada do café arábica da nova safra no mercado. Evidenciando a incapacidade da infraestrutura atual de absorver a demanda crescente do agronegócio brasileiro.

    “Cenário tende a piorar”, alerta Cecafé

    Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, manifesta preocupação com a tendência de agravamento da situação nos próximos meses e anos. “É um cenário que se repete e, infelizmente, tende a piorar se não houver investimentos rápidos nos portos do Brasil para aumentar a oferta de capacidade de pátio e berço”, lamenta o executivo.

    Segundo Heron, o agronegócio brasileiro cresce a taxas expressivas, mas a infraestrutura portuária não acompanha essa evolução. Portanto, gerando prejuízos constantes especialmente aos exportadores que dependem de contêineres. “Sem investimentos, veremos cada vez mais portos lotados e atrasos constantes nas embarcações. A estrutura atual está esgotada”, alerta.

    Polêmica no leilão do Tecon Santos 10

    O diretor técnico do Cecafé critica especialmente o imbróglio no processo do leilão do Tecon Santos 10, causado pelas restrições propostas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), que limitam a participação de empresas no processo licitatório.

    “A morosidade e a restrição de empresas ao certame, deliberadas pelo colegiado da ANTAQ, incorrerão na judicialização do processo e atrasarão ainda mais a oferta de capacidade aos usuários do Porto de Santos, ampliando os prejuízos ao comércio exterior brasileiro”, afirma Heron.

    O executivo destaca que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) já se manifestou favorável à remoção de restrições no leilão durante painel promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), sugerindo “remédios” mais adequados para coibir eventuais concentrações de mercado.

    Mobilização por novo marco regulatório

    O Cecafé vem intensificando ações junto ao governo, parlamentares e entidades representativas para buscar melhorias na infraestrutura portuária. Em setembro, a entidade se reuniu com o deputado federal Arthur Maia, relator do Projeto de Lei 733/2025, que propõe um novo marco regulatório para o Sistema Portuário Brasileiro.

    Na ocasião, a entidade defendeu a manutenção da garantia de modicidade e publicidade das tarifas portuárias, previstas na Lei nº 12.815/2013. E ressaltou a importância de uma legislação moderna que aumente a competitividade do comércio exterior sem elevar custos aos usuários de carga.

    O Cecafé também propôs melhorias na governança e composição do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), incluindo participação dos usuários de carga para debater temas como poligonais, dragagem e integração entre diferentes modais de transporte.

    Audiência pública deve debater crise portuária

    Em contato com o deputado federal Evair de Melo, o Cecafé apresentou requerimento para realização de audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara Federal. O objetivo é debater os impactos do esgotamento da infraestrutura portuária e os entraves impostos pela ANTAQ, além da urgência do leilão do Tecon Santos 10.

    “O deputado Evair compreendeu a importância do tema e demonstrou interesse em apoiar os exportadores. Colocando-se à disposição para protocolar nosso pedido de audiência pública, que deverá ser agendada em breve”, relata Heron.

    O Cecafé também tem promovido reuniões com outras entidades vinculadas à exportação, apresentando dados do Boletim Detention Zero (DTZ) para buscar sinergia na apresentação de demandas às autoridades portuárias. A mais recente foi com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde se propôs união de esforços para agilizar o leilão do Tecon Santos 10.

    Números revelam caos nos principais portos

    O Boletim DTZ foi elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé. E revela que em agosto de 2025, metade dos navios (168 de 335 embarcações) tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos brasileiros.

    No Porto de Santos, responsável por 80,2% dos embarques de café de janeiro a agosto, o índice de atrasos ou alterações chegou a 67%, afetando 122 dos 182 porta-contêineres. O tempo mais longo de espera registrado foi de 47 dias.

    Apenas 4% dos procedimentos de embarque tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto no porto santista. Enquanto 59% ficaram entre três e quatro dias e 38% tiveram menos de dois dias.

    O complexo portuário do Rio de Janeiro é o segundo maior exportador de café brasileiro com 15,8% de participação. E registrou índice de atrasos de 38%, com o maior intervalo chegando a 36 dias. Neste porto, 44% dos procedimentos tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto, 37% entre três e quatro dias, e 19% menos de dois dias.

    Setor pede indicadores e planejamento

    O diretor técnico do Cecafé enfatiza a importância de a nova lei de portos contemplar a criação de indicadores logísticos para avaliar o desempenho portuário de forma transparente. “É necessário que os investimentos e a ampliação da capacidade em infraestrutura portuária antecipem a demanda, deixando de ser pautados apenas por narrativas”, defende.

    Segundo Heron, as autoridades públicas têm dificuldade para enxergar gargalos logísticos diante das consecutivas quebras de recordes do comércio exterior brasileiro. “O Cecafé e outras entidades entendem a necessidade de ampliar a infraestrutura portuária. E devido à complexidade da matéria, estamos unindo esforços para buscar medidas que possam mitigar os riscos dos desafios logísticos e portuários do país”, conclui.