Tag: piscicultura

  • Ibama inclui pirarucu em lista de espécies invasoras e preocupa setor produtivo

    Ibama inclui pirarucu em lista de espécies invasoras e preocupa setor produtivo

    O Ibama classificou o pirarucu (Arapaima gigas) como espécie exótica invasora fora de sua área natural, decisão que provocou forte reação do setor de piscicultura no país. A medida foi oficializada pela Instrução Normativa nº 7/2026, publicada recentemente. E levantou preocupações sobre insegurança jurídica, impactos nos investimentos e falta de diálogo com a cadeia produtiva.

    O novo enquadramento surpreendeu produtores e entidades representativas, já que o tema ainda estava em discussão na Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio). O setor questiona a falta de alinhamento institucional e o processo de decisão adotado pelo Ibama, que pode afetar diretamente o ambiente de negócios da piscicultura.

    Reconhecido como uma das espécies de maior potencial econômico da aquicultura nacional, o pirarucu já é cultivado em diversos estados. E impulsiona a geração de emprego e renda no interior do país. A nova classificação, entretanto, ameaça o planejamento produtivo, a expansão das atividades e a segurança jurídica dos empreendimentos do setor.

    O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, afirmou que a medida traz contradições e insegurança ao setor. “A decisão causa grande preocupação, principalmente pela ausência de diálogo sobre um tema tão sensível. O pirarucu é estratégico para a piscicultura brasileira e tem forte potencial para o desenvolvimento regional”, destacou.

    Políticas públicas

    Medeiros também apontou o paradoxo nas políticas públicas sobre o tema. “Há poucos anos, o governo incentivava a produção de pirarucu como alternativa sustentável para a aquicultura. Agora, a nova norma pode restringir sua utilização e criar um precedente perigoso”, reforçou.

    Diante da repercussão, a Peixe BR defende a revisão imediata da Instrução Normativa nº 7/2026. E pede maior articulação entre os órgãos públicos e o Ministério da Pesca e Aquicultura. Para a entidade, garantir previsibilidade e estabilidade regulatória é essencial para preservar os investimentos e o crescimento da piscicultura nacional.

  • Como a vacinação está revolucionando a criação de tilápia no Brasil

    Como a vacinação está revolucionando a criação de tilápia no Brasil

    A criação de tilápia no Brasil enfrenta um inimigo duplo: Iridovírus e bactérias do gênero Streptococcus podem dizimar até 70% de um lote em poucas semanas. A boa notícia é que a vacinação combinada contra os dois agentes já demonstra resultados concretos. E transforma a equação econômica do produtor.

    Dados apresentados pela MSD Saúde Animal revelam que lotes de tilápia (Oreochromis niloticus) imunizados simultaneamente contra Iridovírus e Estreptococose atingiram taxa de sobrevivência de 95,3%. Ante apenas 71,9% nos grupos vacinados apenas contra Streptococcus. Além disso, o uso de antibióticos caiu mais de 60%, reduzindo custos operacionais e adequando a produção às exigências dos principais mercados importadores.

    “Os programas de sanidade na aquicultura evoluíram do tratamento com antimicrobianos para a prevenção abrangente, na qual a vacinação desempenha um papel essencial”, afirma Talita Morgenstern, coordenadora técnica da unidade de Aquicultura da MSD Saúde Animal.

    O problema: dois patógenos que se potencializam

    A intensificação da piscicultura brasileira criou condições favoráveis à proliferação de doenças. Altas densidades de estocagem em tanques-redes, reservatórios compartilhados e variações frequentes de temperatura elevam o estresse fisiológico dos peixes. Abrindo caminho para infecções em cadeia.

    O Vírus Infeccioso do Baço e da Necrose Renal (ISKNV), principal Iridovírus que afeta tilápias, pode provocar mortalidades superiores a 70% em um único surto, causando necrose de órgãos, anemia e letargia. Já a Estreptococose, provocada por Streptococcus agalactiae e Streptococcus iniae, responde por perdas que variam entre 30% e 80% em águas quentes, sendo considerada uma das doenças bacterianas mais devastadoras da espécie.

    A combinação dos dois agentes é especialmente perigosa. “O vírus compromete a imunidade do peixe, favorecendo a proliferação bacteriana secundária. A infecção bacteriana, por sua vez, gera inflamação e estresse metabólico que aceleram a replicação viral”, explica Talita. O resultado são surtos mais rápidos e letais do que os causados por um único patógeno.

    Além da mortalidade: o custo invisível das doenças

    As perdas não se limitam aos peixes mortos. Surtos de doença impactam a taxa de crescimento do lote, aumentam o descarte no abate e comprometem a uniformidade de peso. Portanto, fatores que corroem diretamente a margem do produtor.

    “Durante surtos, também são observadas deformidades, queda na conversão alimentar e aumento do tempo de cultivo”, alerta a coordenadora técnica. Lotes vacinados com o protocolo combinado apresentaram menor variabilidade de peso e maior uniformidade no abate, segundo os dados da empresa.

    Vacinação como investimento, não como custo

    Do ponto de vista financeiro, a redução no uso de antibióticos tem impacto direto nos custos de produção e na viabilidade de exportação. Mercados como a União Europeia e os Estados Unidos impõem limites rígidos ao uso de antimicrobianos em produtos aquícolas> E a conformidade com essas regras é condição para acesso a compradores internacionais.

    “Nos mercados externos, essas práticas fortalecem a imagem de sustentabilidade da aquicultura latino-americana”, destaca Talita, que reforça a necessidade de tratar a vacinação como parte de uma estratégia mais ampla: “Integrar o controle viral e bacteriano a um programa de biossegurança e gestão da qualidade da água é a chave para o sucesso.”

    Para o produtor, a mensagem é direta: a imunização combinada não é um gasto adicional, mas um investimento com retorno mensurável em sobrevivência, uniformidade de lote, redução de insumos e abertura de mercado.

  • Empreendedorismo feminino transforma a agricultura familiar em Rondônia

    Empreendedorismo feminino transforma a agricultura familiar em Rondônia

    Cada vez mais mulheres ocupam espaço no campo e comandam empreendimentos rurais que impulsionam a economia de Rondônia. Com determinação e apoio de políticas públicas, produtoras vêm se destacando pela capacidade de transformar desafios em oportunidades e de gerar emprego e renda nas comunidades locais.

    A piscicultora Nara Regina de Souza Cruz, trabalha 10 anos no campo. Foto: Jéssica Ocampo/Secom Rondônia

    A piscicultora Nara Regina de Souza Cruz é um dos exemplos dessa força feminina. Há mais de dez anos, ela atua na produção de pescado e lidera uma agroindústria no Estado. “Temos uma agroindústria de pescado e contamos com o apoio da Emater, da Seagri e do governo estadual. Também fornecemos peixe para a merenda escolar”, conta Nara, que trabalha na chácara onde vive com a família.

    Filha de ribeirinho, Nara diz que a paixão pelo campo vem da própria história de vida. “Fui criada à beira do rio, vendo meu pai pescar. Senti falta dessa rotina quando morei na cidade e decidi voltar para mostrar aos meus filhos e netos o valor da terra. No início foi difícil, mas as lutas nos fazem crescer. Hoje incentivo outras mulheres a acreditarem que é possível prosperar no campo”, afirma.

    Na área de agroindústria de laticínios, a produtora Jéssica Félix também representa o protagonismo feminino na agricultura familiar. Ela iniciou sua trajetória há sete anos, motivada pelo amor à terra e pelo legado da família. “A paixão pelos queijos nasceu do desejo de transformar o leite em alimento com identidade. Participo de todas as etapas, da produção às vendas. Isso me conecta ao que faço”, destaca.

    Desafios

    Entre os desafios, Jéssica cita a busca por reconhecimento em um mercado competitivo. “Foi preciso conquistar respeito em um setor predominantemente masculino. Mesmo com as dificuldades, cada obstáculo fortalece. A mulher no campo é força, gestão e sensibilidade. Estamos na produção, nas vendas, e ainda cuidamos da família e dos colaboradores”, ressalta.

    Outra história de sucesso vem de Jaqueline Lugon Figueiredo, de Porto Velho. Ela atua com a criação e o abate de frangos em um frigorífico familiar que gera cerca de 25 empregos diretos. “Cuidamos das aves desde o nascimento até o abate, que ocorre com 41 dias. Nosso trabalho garante renda e fortalece a agricultura familiar”, explica.

    A trajetória de Jaqueline começou com a produção de polpa de frutas, fornecida por mais de uma década à merenda escolar. “Decidimos investir no frigorífico de frango e seguir no campo, como meus pais sempre fizeram. Eles são minha inspiração”, conta.

    O governador Marcos Rocha destaca a importância das políticas voltadas ao fortalecimento das mulheres rurais. “Elas têm papel essencial no desenvolvimento de Rondônia. Nosso governo continua investindo em ações que incentivem a participação feminina no agronegócio e na agricultura familiar”, afirmou.

    O secretário de Agricultura, Luiz Paulo, complementa que o crescimento do setor produtivo está diretamente ligado ao protagonismo das mulheres. “A contribuição feminina é fundamental para o fortalecimento das cadeias produtivas no Estado”, destacou.

  • Curso gratuito de piscicultura ornamental abre inscrições; vagas são limitadas

    Curso gratuito de piscicultura ornamental abre inscrições; vagas são limitadas

    Produtores rurais da Zona da Mata mineira têm uma oportunidade gratuita de qualificação profissional em piscicultura ornamental. Entre os dias 9 e 13 de março, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e o Sistema Faemg Senar Minas realizam um curso de formação profissional rural no Campo Experimental da Epamig em Leopoldina (CELP), com carga horária total de 40 horas.

    A capacitação é voltada a produtores locais e aborda temas fundamentais para quem atua ou deseja ingressar na atividade: procedimentos legais para regularização da piscicultura, sistemas de manejo, preparo de viveiros para recepção dos peixes, técnicas de povoamento e cuidados sanitários.

    Segundo Pedro Reis, gerente do CELP, o objetivo vai além da técnica. “O nosso objetivo é promover a profissionalização, a sustentabilidade ambiental, a maior eficiência produtiva e a rentabilidade na piscicultura, fortalecendo a atividade ornamental como mais uma possibilidade de geração de renda”, afirmou.

    Como se inscrever

    A participação exige inscrição prévia. Os interessados devem entrar em contato com a mobilizadora do Sistema Faemg Senar Minas, Tereza Garcia, pelo telefone (32) 9999-3937.

    O Campo Experimental de Leopoldina abriga o Centro de Referência em Piscicultura Ornamental de Água Doce. Uma estrutura dedicada à pesquisa, à manutenção de plantéis de peixes ornamentais e à transferência de tecnologia para produtores.

  • Produção de tilápia exige monitoramento sanitário mais intenso

    Produção de tilápia exige monitoramento sanitário mais intenso

    A cadeia da tilapicultura em São Paulo vive um ciclo de expansão e reforça medidas de vigilância sanitária para proteger a produção e garantir a sustentabilidade do setor. O aumento do monitoramento técnico e epidemiológico acompanha o crescimento da atividade, que consolidou o Estado como um dos principais polos produtores do país.

    Segundo dados preliminares do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), a produção paulista de tilápia atingiu 54,17 mil toneladas em 2025, crescimento de 4% em relação ao ano anterior. O faturamento chegou a R$ 494,11 milhões, sustentado por uma estrutura industrial robusta, com 21 frigoríficos responsáveis por 86% do abate total. Mais de 12 mil tanques-rede operam atualmente em reservatórios paulistas, respondendo pela maior parte do volume produzido.

    O avanço produtivo amplia a preocupação com o status sanitário da aquicultura, considerado essencial para a competitividade e a segurança alimentar. Especialistas do setor ressaltam que manter altos padrões de biossegurança é determinante para a estabilidade da cadeia e a proteção dos investimentos.

    “Preservar a sanidade da tilapicultura significa garantir crescimento sustentável, segurança alimentar e geração de empregos. As ações de pesquisa e defesa são fundamentais para a continuidade do setor”, afirma Geraldo Melo Filho, secretário da pasta agropecuária paulista.

    Riscos sanitários

    O monitoramento estadual avalia riscos sanitários relacionados ao comércio internacional de pescado e acompanha as análises conduzidas em nível federal. Em 2024, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) suspendeu temporariamente as importações de tilápia de alguns mercados e iniciou uma Análise de Risco de Importação (ARI) para determinar possíveis ameaças de agentes patogênicos exóticos no país.

    No Estado, instituições de pesquisa como o Instituto de Pesca (IP-APTA) e órgãos de defesa agropecuária intensificaram o acompanhamento técnico e epidemiológico. A coordenadora do Instituto de Pesca, Cristiane Neiva, destaca que a prevenção é um dos pilares da sustentabilidade do setor.

    “A introdução de enfermidades pode comprometer toda a estrutura industrial e os empregos ligados à aquicultura”, alerta.

    O trabalho da Defesa Agropecuária paulista inclui protocolos de biossegurança, rastreabilidade e avaliação contínua de riscos. “As ações preventivas visam manter a tilapicultura competitiva e segura, com benefícios diretos a produtores e consumidores”, explica João Gustavo Pereira Loureiro, coordenador do Centro de Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vegetal (CIPOAV).

    Tilapia Lake Virus

    Entre os principais pontos de atenção está o Tilapia Lake Virus (TiLV), agente infeccioso altamente letal, já registrado em países da Ásia, África e Oriente Médio. O vírus pode causar mortalidade de até 90% nos peixes e representa uma ameaça significativa à produção global de tilápia.

    Para o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, uma eventual introdução do TiLV no Brasil teria “efeitos expressivos” sobre a produção, em especial em regiões de alta densidade produtiva como São Paulo. Ele ressalta que os tanques-rede instalados em reservatórios favorecem a produtividade, mas exigem protocolos rigorosos de biossegurança.

    “O modelo brasileiro de produção demanda vigilância constante e medidas de controle robustas para evitar disseminação de doenças”, observa Medeiros.

    A tilápia passou, em 2025, a integrar o Valor da Produção Agropecuária (VPA) paulista, indicador usado para planejamento econômico e formulação de políticas agrícolas. A espécie mantém-se como a principal proteína de pescado consumida no Estado, com demanda crescente e boas perspectivas de expansão da produção e do processamento.

  • Piscicultura brasileira bate recorde de produção de peixe

    Piscicultura brasileira bate recorde de produção de peixe

    A piscicultura brasileira atingiu em 2025 um marco histórico: pela primeira vez, o país produziu mais de 1 milhão de toneladas de peixes cultivados em um único ano. O resultado, divulgado nesta terça-feira (24) durante o lançamento da 10ª edição do Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, da PEIXE BR, coroa uma década de expansão consistente que transformou o setor em um dos pilares do agronegócio nacional.

    Em dez anos, a piscicultura brasileira cresceu 58,6%, um desempenho que poucos setores do campo conseguiram sustentar com tanta regularidade. A tilápia, principal espécie cultivada no país, foi a grande protagonista desse avanço. A produção do peixe saltou impressionantes 148,2% no mesmo período, consolidando o Brasil entre os maiores produtores mundiais da espécie e o maior das Américas.

    Referência do setor, anuário chega à 10ª edição

    Principal publicação estatística da cadeia produtiva de peixes de cultivo no Brasil, o Anuário 2026 reúne dados inéditos e atualizados sobre produção nacional e por estado, consumo, mercado, tendências e perspectivas estratégicas. A edição comemorativa também analisa os principais acontecimentos de 2025 e o cenário competitivo para os próximos anos.

    “O resultado apresentado nesta 10ª edição demonstra a força e a maturidade da piscicultura brasileira. Mesmo diante de um ano desafiador, superamos a marca de 1 milhão de toneladas e consolidamos uma década de crescimento consistente. A piscicultura deixou de ser uma promessa para se tornar protagonista nas Américas, com ganhos expressivos em produtividade, tecnologia e competitividade”, afirmou Francisco Medeiros, presidente da PEIXE BR.

    Governo e setor produtivo unidos em Brasília

    O lançamento do anuário reuniu em Brasília representantes do setor público e privado. Participaram do evento Mauro Nakata, presidente do conselho de administração da PEIXE BR; Juliano Kubitza, vice-presidente da entidade. Felipe Bodens, diretor do Departamento de Águas da União e substituto do ministro de Estado da Pesca e Aquicultura. O deputado federal Luiz Nishimori, presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados; e Roberto Flores, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura.

    A presença de parlamentares e representantes do governo federal sinaliza o crescente reconhecimento institucional da aquicultura como estratégia de segurança alimentar e desenvolvimento econômico para o Brasil. O país reúne condições únicas para liderar o setor globalmente. Incluindo a maior rede de água doce do planeta e clima favorável ao cultivo durante o ano inteiro.

    Por que a piscicultura brasileira cresce tanto?

    Especialistas apontam uma combinação de fatores para explicar o avanço acelerado do setor. A adoção de tecnologias modernas de cultivo, como sistemas de bioflocos e tanques-rede de alta densidade, aumentou significativamente a produtividade por área. Ao mesmo tempo, o melhoramento genético de espécies como a tilápia e o tambaqui elevou a eficiência da conversão alimentar e reduziu o tempo de engorda.

    Do lado do consumo, a demanda interna por proteína de origem aquática também cresceu. O peixe cultivado ganhou espaço nas gôndolas de supermercados e na preferência de consumidores que buscam alimentos mais saudáveis e acessíveis. Tendência que deve se intensificar nos próximos anos com o avanço da classe média e a maior conscientização sobre nutrição.

    Com 1 milhão de toneladas produzidas e uma trajetória de crescimento sólida, a piscicultura brasileira encerra 2025 não apenas como recordista. Mas como setor maduro, competitivo e preparado para ocupar um papel ainda maior no abastecimento de proteína animal no Brasil e no mundo.

  • Produção sustentável de tilápias pode ganhar novas diretrizes no país

    Produção sustentável de tilápias pode ganhar novas diretrizes no país

    O Projeto de Lei 6463/25 estabelece diretrizes para a produção, o beneficiamento e a comercialização sustentável de tilápias no Brasil. A proposta busca aliar o crescimento da piscicultura à preservação ambiental e ao uso responsável dos recursos hídricos.

    O texto autoriza o governo federal a adotar uma série de medidas de incentivo. Como oferta de apoio técnico e extensão rural aos produtores, estímulo à formalização da cadeia produtiva, criação de linhas de crédito específicas e apoio à certificação sanitária, ambiental e de origem do pescado.

    As atividades contempladas deverão seguir práticas que garantam o monitoramento da qualidade da água, o manejo correto de resíduos e efluentes, a prevenção da dispersão de espécies em ambientes naturais e a proteção da biodiversidade aquática.

    Autor do projeto, o deputado Clodoaldo Magalhães (PV-PE) ressalta que as tilápias, espécie amplamente adaptada ao clima brasileiro, desempenham papel estratégico para a segurança alimentar e o desenvolvimento regional. Ele cita como exemplo o êxito do modelo adotado no município de Jatobá (PE).

    O autor da proposta, deputado Clodoaldo Magalhães (PV-PE). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    “A expansão da produção aquícola exige atenção constante aos aspectos ambientais. O uso responsável da água, o controle de resíduos e a adoção de boas práticas de manejo são fundamentais para garantir a sustentabilidade da atividade e preservar os ecossistemas aquáticos”, afirmou o parlamentar.

    O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

    Para se tornar lei, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Cápsulas de alho mostram eficácia no combate a parasitas do pirarucu

    Cápsulas de alho mostram eficácia no combate a parasitas do pirarucu

    Uma alternativa natural e acessível pode transformar o manejo sanitário na piscicultura brasileira. Pesquisadores da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) comprovaram que cápsulas de alho (Allium sativum), vendidas em farmácias, reduzem significativamente a infestação de parasitas em alevinos de pirarucu (Arapaima gigas), peixe símbolo da Amazônia e altamente valorizado no mercado.

    O estudo foi publicado na revista Veterinary Parasitology. E revelou que o tratamento diminuiu a presença de protozoários tricodinídeos e do verme das brânquias Dawestrema cycloancistrium, causadores de alta mortalidade em criadouros. A pesquisa indica que o uso das cápsulas pode complementar o tratamento com sal de cozinha, prática comum entre piscicultores.

    Resultados promissores e metodologia

    A equipe da Embrapa, liderada pela pesquisadora Patricia Oliveira Maciel Honda, conduziu os experimentos em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT) e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), com apoio do Sebrae.

    Os pesquisadores aplicaram diferentes concentrações do composto (2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg e 10 mg por litro) em banhos estáticos de quatro dias. As doses mais baixas já foram eficazes, sem causar toxicidade nos peixes. A concentração de 5 mg/L alcançou 77% de eficácia contra protozoários e até 42,9% de redução nas infestações por vermes das brânquias.

    Patrícia Maciel manejando pirarucu – Foto: Siglia Souza/Embrapa

    “Nossos resultados mostram que pequenas dosagens já controlam os parasitas de forma segura”, destacou Honda. “As cápsulas de alho podem se tornar uma alternativa fitoterápica prática e sustentável para a piscicultura.”

    Aplicação em campo e momento ideal

    O tratamento é mais indicado durante o treinamento alimentar dos alevinos, fase em que os peixes são colocados em tanques ou caixas d’água para se adaptarem à ração. Nesse período, os produtores podem identificar sintomas de infecção, como apatia, falta de apetite e o comportamento de “raspagem” nas paredes do tanque, sinais típicos de infestação por parasitas.

    Honda recomenda o uso do alho também durante a preparação para transporte dos alevinos, quando os peixes enfrentam maior estresse e redução da imunidade. “O tratamento profilático ajuda a prevenir surtos parasitários e reduz perdas econômicas”, orienta a pesquisadora.

    Complemento sustentável ao uso do sal

    Embora não haja estudo combinando alho e sal, a pesquisadora já havia conduzido pesquisas que demonstraram a eficácia do cloreto de sódio no controle de Dawestrema cycloancistrium. “O sal atingiu até 99% de eficiência em banhos longos, mas com maior mortalidade dos peixes. Já o alho oferece bons resultados com menor risco”, compara Honda.

    A Embrapa está aberta a parcerias com o setor privado para desenvolver fitoterápicos voltados à aquicultura, buscando novas soluções sustentáveis e economicamente viáveis. Empresas interessadas podem entrar em contato pelo e-mail [email protected].

    Outros estudos da Embrapa reforçam o potencial dos compostos naturais no controle de doenças em peixes. Uma pesquisa da Embrapa Amapá demonstrou que óleos essenciais de plantas amazônicas, como o Piper callosum e o Piper hispidum, reduzem a infestação de vermes das brânquias no tambaqui (Colossoma macropomum), ampliando as perspectivas para o uso de fitoterápicos no manejo sustentável da piscicultura brasileira.

  • Pesquisas reduzem riscos ambientais e fortalecem a produção de tilápia

    Pesquisas reduzem riscos ambientais e fortalecem a produção de tilápia

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) reforça a importância da pesquisa científica para garantir uma produção sustentável de tilápia no Brasil. As ações da instituição buscam equilibrar a expansão do cultivo com a preservação ambiental, por meio de avanços em controle reprodutivo, melhoramento genético e sistemas produtivos mais seguros.

    O debate sobre a presença da tilápia ganhou destaque após a inclusão temporária da espécie na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, elaborada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). A tramitação da lista foi suspensa para reavaliação técnica, após manifestações do setor produtivo e de órgãos ambientais.

    Segundo o pesquisador da EPAMIG Franklin Costa, é essencial diferenciar as definições técnicas: “A tilápia não é uma espécie invasora, mas introduzida no Brasil. Embora os impactos ambientais ainda sejam pouco estudados, a pesquisa precisa avançar para mitigar riscos e aprimorar o controle em sistemas de cultivo.”

    Controle reprodutivo e inovação tecnológica

    Entre as principais linhas de pesquisa estão o desenvolvimento e a aplicação de métodos seguros de controle reprodutivo. A instituição trabalha em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para aprimorar a masculinização e a inibição da reprodução, fundamentais para evitar a proliferação em tanques e em ambientes naturais.

    A equipe busca criar lotes 100% masculinos, reduzindo a margem de fêmeas férteis, ainda presente nos métodos convencionais. E também desenvolve novas técnicas de manipulação cromossômica e produção de tilápias estéreis.

    “O uso de lotes masculinos evita a reprodução indesejada e melhora o desempenho produtivo. Nosso objetivo é unir eficiência zootécnica e biossegurança”, afirma Costa.

    Sistemas produtivos seguros e melhoramento genético

    A EPAMIG também testa sistemas intensivos e controlados, como os de recirculação de água (RAS) e os de bioflocos (BFT), que mantêm o cultivo desconectado dos ambientes naturais. Essas tecnologias reduzem significativamente o risco de escapes e otimizam o crescimento dos peixes.

    Foto: Ascom Epamig

    No melhoramento genético, o foco está em desenvolver linhagens com alto desempenho em cativeiro e baixa sobrevivência fora dele. “Caso o peixe escape, sua chance de sobrevivência será mínima em comparação aos peixes de vida livre”, explica o pesquisador.

    Apesar do avanço dos sistemas tecnificados, Costa ressalta que o objetivo não é substituir os modelos tradicionais, como tanques-rede e viveiros escavados. Mas torná-los mais seguros em fases críticas do ciclo de produção.

    Resultados e impacto econômico

    Os resultados das pesquisas ganham amplitude por meio de capacitações, dias de campo e materiais de apoio técnico oferecidos aos piscicultores.

    A tilapicultura representa hoje um dos pilares da aquicultura brasileira. De acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR, 2025), o país produz mais de 600 mil toneladas por ano, movimentando cerca de R$ 7 bilhões e gerando milhares de empregos diretos e indiretos.

  • Universidade desenvolve linguiça de peixe com erva-mate

    Universidade desenvolve linguiça de peixe com erva-mate

    O Grupo de Pesquisa em Tecnologia do Pescado (GEPTPESCA) da Universidade Federal de Santa Maria conquistou aprovação no Programa Pesquisador Gaúcho e Fixação de Jovens Doutores da Fapergs. O projeto “Enriquecimento de linguiça ‘tipo frescal’ de jundiá (Rhamdia quelen) com erva-mate micronizada: um sabor típico do pampa” receberá até R$ 60 mil até dezembro de 2028.

    A equipe trabalha no desenvolvimento de uma linguiça à base de jundiá que utiliza erva-mate como ingrediente antioxidante. A professora Fernanda Ferrigolo, do Colégio Politécnico da UFSM, coordena a iniciativa e destaca o foco em produtos regionais.

    Jundiá se destaca na piscicultura do Sul

    O jundiá representa uma alternativa promissora para a piscicultura na região Sul do Brasil. A espécie nativa se adapta bem às baixas temperaturas do inverno, período que restringe o cultivo de outras espécies. O peixe oferece carne saborosa e filé sem espinhas intramusculares, características que conquistam o mercado consumidor.

    A indústria, porém, ainda explora pouco o potencial do pescado. As opções comerciais se limitam a produtos básicos, com poucas tecnologias de processamento disponíveis. A carne do peixe se deteriora rapidamente devido à sua composição, o que favorece mudanças sensoriais indesejadas e acelera a atividade microbiana.

    Erva-mate amplia vida útil do produto

    A erva-mate (Ilex paraguariensis) entra como solução tecnológica. A planta concentra compostos bioativos com expressiva atividade antioxidante, que prolongam a vida de prateleira do pescado.

    “O uso de tecnologias de processamento do pescado, aliado à aplicação de ingredientes naturais ricos em compostos bioativos, como a erva-mate, representa uma estratégia promissora”, explica Fernanda. A combinação resulta em produtos à base de peixe com maior estabilidade oxidativa, qualidade nutricional aprimorada e maior valor agregado.

    Os pesquisadores pretendem criar um alimento que combine três elementos tradicionais do Rio Grande do Sul: jundiá, linguiça e erva-mate. “Nossa intenção é desenvolver um produto inovador e que traga uma identidade do nosso estado, combinando elementos bastante aceitos pelo povo gaúcho”, salienta Fernanda.

    Após concluir as análises previstas no projeto, a equipe avaliará as possibilidades comerciais do produto.

    Piscicultura gaúcha tem potencial inexplorado

    O projeto também pode impulsionar a piscicultura estadual. O Rio Grande do Sul possui a maior área de viveiros do Brasil em hectares. A produção local, entretanto, não atende à demanda, o que força o estado a buscar peixes de outras regiões.

    “O potencial gaúcho para a piscicultura é significativo, mas seu pleno desenvolvimento depende de políticas públicas e programas de incentivo específicos para o setor”, relata a docente.

    Os experimentos utilizarão 10 kg de filé de jundiá adquiridos do comércio local. A pesquisa inicia em janeiro de 2026 no Colégio Politécnico da UFSM, em parceria com o Laboratório de Piscicultura do Departamento de Zootecnia/Centro de Ciências Rurais (CCR) e com o curso de Engenharia de Aquicultura da Unipampa.

    GEPTPESCA desenvolve receitas práticas com pescado

    Fernanda Ferrigolo criou o GEPTPESCA em 2022, quando atuava na Unipampa. A redistribuição para a UFSM trouxe a marca do grupo e manteve as atividades de ensino, pesquisa e extensão na área.

    O grupo nasceu da intenção de avançar nas pesquisas voltadas à Tecnologia do Pescado, área ainda pouco explorada no Brasil. Os pesquisadores desenvolvem produtos práticos com inclusão de carne de peixe para consumidores que buscam praticidade sem abrir mão de alimentação saudável, com atenção especial ao público infantil.

    Foto: Divulgação UFSM

    O grupo criou receitas como o “biscolápia”, biscoito amanteigado com adição de filé de tilápia. Segundo Fernanda, a receita faz sucesso entre quem prova. “A proposta dessas receitas é enriquecer nutricionalmente alimentos que são bem aceitos pelas crianças e possibilitar sua inserção na merenda escolar”, destaca.

    Outros estudos resultaram em fishburguer adicionado de erva-mate – quando os pesquisadores atestaram as propriedades antioxidantes deste produto – e bolo de chocolate com adição de filé de tilápia.

    Foto: Divulgação UFSM

    As atividades do GEPTPESCA envolvem os cursos técnicos em Zootecnia, Agropecuária, Alimentos e Farmácia do Colégio Politécnico da UFSM. Os alunos participam de aulas práticas de desenvolvimento de produtos à base de peixe para evidenciar o potencial dessa fonte de proteína e incentivar seu consumo.

    Projeto leva receitas para escolas de Santa Maria

    O grupo sairá dos laboratórios do Campus no primeiro semestre de 2026 para levar suas receitas com pescado às escolas de Santa Maria. A primeira será a EMEI Monte Bello, localizada no Bairro Camobi.

    “Estamos em busca de parcerias e já contamos com uma instituição interessada, com o início das ações previsto para o primeiro semestre”, afirma Fernanda. O objetivo dessas parcerias consiste em divulgar as receitas por meio de minicursos, incentivando desde cedo o consumo de peixe entre crianças e jovens.

    “Entendemos que criança pode atuar como um agente multiplicador, influenciando positivamente os hábitos alimentares de sua família”, conclui a coordenadora.