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  • Pesca esportiva: Mato Grosso domina ranking entre os melhores destinos do Brasil

    Pesca esportiva: Mato Grosso domina ranking entre os melhores destinos do Brasil

    Um fenômeno chama atenção no cenário nacional da pesca esportiva: Mato Grosso concentra dez das principais cidades brasileiras para a modalidade, segundo a 12ª edição do Boletim de Inteligência de Mercado do Turismo (BIMT), do Ministério do Turismo. Nenhum outro estado apresenta tamanha densidade de destinos reconhecidos oficialmente.

    A explicação está na geografia privilegiada. O estado abriga trechos de três das principais bacias hidrográficas brasileiras – Amazônica, Tocantins-Araguaia e Paraguai – criando um mosaico aquático único no país. Os municípios mapeados são Alta Floresta, Nova Canaã do Norte, Sinop, São Félix do Araguaia, Canarana, Barão de Melgaço, Poconé, Cáceres, Cuiabá e Pontes e Lacerda.

    Esta diversidade hidrográfica resulta em rios com características distintas: desde as águas cristalinas do Cristalino até os meandros do Paraguai no Pantanal, passando pelos caudalosos Araguaia, Teles Pires, Juruena, Cuiabá, São Lourenço, Culuene e Xingu.

    Variedade de espécies impressiona pescadores

    O que mais atrai os praticantes da pesca esportiva é a biodiversidade. Mato Grosso oferece desde espécies clássicas como tucunaré, dourado, pacu e pirarucu até peixes que proporcionam disputas intensas: pirarara, jaú, cachorra, bicuda e matrinchã.

    A temporada de pesca se estende de fevereiro a outubro, período que oferece as melhores condições para a atividade. Durante esses meses, pescadores de todo o Brasil e exterior convergem para o estado.

    Modelo sustentável ganha força

    Uma característica que diferencia Mato Grosso é a adoção da modalidade “pesque e solte”. A legislação estadual proíbe o transporte de peixes capturados, uma medida que preserva os estoques pesqueiros e mantém a sustentabilidade da atividade a longo prazo.

    Esta abordagem conservacionista tem atraído pescadores conscientes e operadoras turísticas especializadas, criando um nicho de mercado em expansão.

    Números expressivos movimentam economia

    A pesca esportiva representa um segmento econômico robusto. Segundo a Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe), a atividade movimenta cerca de R$ 3 bilhões anuais no Brasil, gerando aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos.

    Em Mato Grosso, o impacto se espalha por diversos setores: pousadas especializadas, barcos-hotéis, guias credenciados, restaurantes regionais e comunidades ribeirinhas encontram na atividade uma importante fonte de renda.

    Infraestrutura em desenvolvimento

    A concentração de destinos reconhecidos em Mato Grosso reflete também investimentos em infraestrutura turística. Pousadas especializadas, equipamentos adequados e serviços de guiamento têm se profissionalizado para atender a demanda crescente.

    Maria Letícia Costa, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, confirma que processos de capacitação estão em andamento, focando na qualificação de guias, condutores e gestores do setor.

    Projeção internacional

    Leonardo Perci, da Embratur, aponta que o objetivo é “consolidar o Brasil como destino internacional de pesca esportiva”. Para isso, destaca a importância de operações responsáveis que conectem turistas aos rios brasileiros através de experiências autênticas.

    Um dos principais desafios identificados pelos especialistas é a carência de dados sistematizados sobre o setor, informação fundamental para estratégias de promoção e presença em feiras nacionais e internacionais.

    Temporada 2025 promete movimentação intensa

    Com dez cidades oficialmente reconhecidas e infraestrutura em expansão, Mato Grosso se posiciona para receber um volume crescente de pescadores esportivos na próxima temporada. O estado oferece desde experiências em águas pantaneiras até aventuras em rios amazônicos, atendendo diferentes perfis de praticantes.

    O levantamento foi divulgado durante a Fishing Show Brazil, realizada em São Paulo entre 28 e 31 de agosto, principal vitrine do setor pesqueiro esportivo nacional.

  • Ibama autoriza manejo sustentável do pirarucu no Vale do Javari

    Ibama autoriza manejo sustentável do pirarucu no Vale do Javari

    O Ibama autorizou a captura e comercialização legal do pirarucu (Arapaima gigas) na Terra Indígena Vale do Javari, localizada no extremo oeste do Amazonas. A decisão beneficia diretamente comunidades indígenas que vivem em uma das regiões mais isoladas da Amazônia.

    Quatro entidades receberam autorização para realizar o manejo sustentável do peixe. São elas: Associação dos Produtores Rurais e Preservadores da Comunidade São Rafael; Associação Marubo do Médio Curuçá; Cooperativa de Preservação Etnoambiental Autônoma dos Kanamaris da Aldeia São Luiz; e Organização Geral dos Mayuruna. A prefeitura de Atalaia do Norte apoiou o processo.

    As autorizações contemplam vários territórios e aldeias da região. No Rio Itacoaí, no Complexo Lacustre de São Rafael, a captura está liberada para 154 unidades do pirarucu. No Médio Javari e Médio Curuçá, que inclui aldeias como São Sebastião e Nova Página, a cota é de 90 peixes. Para o Médio Javari – Kanamari, o limite autorizado é de 191 unidades. E no Rio Pardo, Baixo e Médio Rio Curuçá, e Médio Javari, as aldeias Nova Esperança, Bela Vista e outras podem capturar 216 pirarucus em 51 lagos.

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    Ao todo, o Ibama autorizou a captura de 649 pirarucus, com peso estimado em 51,9 toneladas. Esse manejo sustentável pode gerar até R$ 415 mil para as comunidades indígenas. Além da carne, as comunidades podem explorar comercialmente o couro, a carcaça e as vísceras do peixe.

    Essa atividade tem base legal sólida. O manejo do pirarucu obedece a normas como a Instrução Normativa nº 34/2004, que determina tamanho mínimo e período de defeso reprodutivo, e outras regulações estaduais e federais. O peixe está listado no Anexo II da Convenção CITES, o que limita o comércio internacional e reforça a proteção da espécie.

    A iniciativa fortalece a conservação da biodiversidade e oferece uma fonte sustentável de renda para as comunidades indígenas do Vale do Javari. Comprar pirarucu legal e manejado de forma sustentável ajuda a preservar a floresta e apoia diretamente quem vive e protege a Amazônia.

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  • Pirarucu: peixe gigante da Amazônia pode “morrer afogado”

    Pirarucu: peixe gigante da Amazônia pode “morrer afogado”

    O pirarucu (Arapaima gigas), conhecido como o maior peixe de água doce com escamas do mundo, pode atingir até 3 metros de comprimento e pesar 200 kg. Nativo da Bacia Amazônica, esse gigante habita lagos e rios de águas calmas e temperaturas entre 24°C e 37°C, evitando correntezas fortes e águas turvas.

    Pirarucu
    Foto – Simone Yokoyama/Embrapa

    Mas uma das características mais intrigantes do pirarucu é sua respiração peculiar: ele pode, literalmente, “morrer afogado” se for impedido de respirar ar atmosférico.

    Por que o pirarucu pode morrer afogado?

    De acordo com a pesquisadora Lucia Rapp, curadora da Coleção de Peixes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o pirarucu passa por uma mudança radical em seu sistema respiratório conforme cresce.

    Na fase larval, o peixe possui brânquias, como a maioria dos peixes. A partir de 1 a 2 kg de peso, suas brânquias se atrofiam, e a bexiga natatória (órgão que ajuda na flutuação) se transforma em uma estrutura semelhante a um pulmão primitivo.

    Essa adaptação permite que o pirarucu absorva oxigênio tanto da água quanto do ar, mas ele precisa subir à superfície a cada 15-20 minutos para respirar. Se impedido de acessar o ar, o pirarucu sufoca, mesmo estando dentro d’água.

    Uma espécie em risco e de grande importância ecológica

    O pirarucu é vital para o ecossistema amazônico e também para a economia local, sendo alvo de pesca sustentável em algumas regiões. No entanto, a sobrepesca e a destruição de habitats ameaçam sua população.

    Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) mostram que projetos de manejo comunitário têm ajudado a recuperar estoques em áreas como a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, onde a espécie voltou a prosperar.

    Curiosidades sobre o pirarucu

    • Seu nome vem do tupi “pira” (peixe) + “urucum” (vermelho), devido à cor de sua cauda.
    • É um dos únicos peixes pulmonados do mundo, junto com espécies africanas como o peixe-pulmonado.
    • Sua carne é muito valorizada, com baixo teor de gordura e alto valor proteico.

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  • Manejo sustentável: pescador captura pirarucu gigante

    Manejo sustentável: pescador captura pirarucu gigante

    Em uma cena que mistura força, tradição e conservação, o pescador Seu Luiz Ferreira viralizou nas redes sociais ao carregar um imponente pirarucu de 150 quilos para sua canoa. O vídeo, gravado em uma comunidade ribeirinha, mostra não apenas a grandiosidade do maior peixe de água doce escamado do mundo, mas também a eficácia do manejo sustentável, técnica que equilibra preservação e subsistência na região.

    O gigante das águas amazônicas

    O pirarucu (Arapaima gigas) é um símbolo da biodiversidade amazônica, podendo atingir 3 metros de comprimento e pesar até 250 kg. Sua respiração aérea — ele sobe à superfície a cada 20 minutos — o torna vulnerável à pesca predatória, que quase o levou à extinção nos anos 1990. Hoje, graças ao manejo comunitário, a espécie se recupera: em áreas como a Resex Médio Purus, a população saltou de 16.555 para 19.678 indivíduos entre 2021 e 2023.

    Como funciona o manejo sustentável

    A técnica segue regras rigorosas:

    Contagem científica: pescadores monitoram os pirarucus adultos que emergem para respirar, calculando estoques sem prejudicar a reprodução.

    Cotas controladas: apenas 30% dos adultos podem ser pescados anualmente, garantindo a renovação dos estoques.

    Vigilância comunitária: lagos são protegidos por moradores contra pesca ilegal, assegurando a sustentabilidade.

    Essa abordagem já beneficia mais de 40 áreas na Amazônia, como as bacias dos rios Juruá e Solimões, onde o manejo gera R$ 360 mil por temporada em feiras locais.

    Impacto além da conservação

    Além de salvar o pirarucu, o manejo transforma vidas:

    Geração de renda: na Feira de Tefé (AM), 42 pescadores venderam 6 toneladas de pirarucu em 2024, com ganhos médios de R$ 1.214 por família.

    Empoderamento comunitário: em Carauari (AM), a venda do peixe financiou placas solares para comunidades ribeirinhas.

    Turismo sustentável: em Pixuna do Tapará (PA), o manejo atrai visitantes para festivais gastronômicos, movimentando a economia local.

    Desafios e futuro

    Apesar do sucesso, secas severas — como as de 2024 — dificultam o acesso aos lagos, exigindo investimentos em infraestrutura. Projetos como o Programa Arapaima, lançado pelo Ibama em 2025, buscam ampliar parcerias com universidades e institutos de pesquisa para fortalecer a resiliência das comunidades.

    Para Seu Luiz e outros manejadores, o pirarucu não é só um peixe: “O manejo representa vida”, como define um líder da Associação de Carauari. A cena do pescador carregando seu gigante de 150 kg é, assim, um retrato de como tradição e ciência podem escrever um futuro mais verde.

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  • Manejo sustentável do pirarucu é destaque em evento no Amazonas

    Manejo sustentável do pirarucu é destaque em evento no Amazonas

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) participou da 13ª Reunião do Coletivo do Pirarucu, realizada de 21 a 23 de maio na Inspetoria Nossa Senhora da Amazônia, em Manaus (AM). O encontro reuniu 81 participantes, entre pescadores indígenas, ribeirinhos, representantes de instituições públicas e organizações não governamentais, com o objetivo de fortalecer o manejo sustentável do pirarucu (Arapaima gigas) na região amazônica.

    Recentemente, o Ibama instituiu o Programa Arapaima (Portaria nº 22/2025) para incentivar práticas comunitárias que protegem os ambientes aquáticos naturais do pirarucu. O programa também fomenta a organização coletiva dos pescadores envolvidos no manejo e apoia a geração de benefícios socioeconômicos para as comunidades que conservam os ecossistemas de várzea amazônica.

    O Programa Arapaima prevê a elaboração de um plano de ação para aprimorar e fortalecer as etapas do manejo sustentável da espécie. As comunidades locais vão desenvolver o planejamento em parceria com a Superintendência do Ibama no Amazonas.

    Expansão e institucionalização do manejo sustentável

    Cristina Buck, coordenadora do Uso Sustentável da Fauna e da Biodiversidade Aquática do Ibama, destaca que o manejo do pirarucu começou no trecho médio do rio Solimões e hoje ocorre em 32 áreas, incluindo Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Áreas de Acordo de Pesca. Essa prática é conduzida por comunidades ribeirinhas e povos tradicionais.

    “A criação do Programa Arapaima representa uma nova etapa para valorizar esse trabalho, integrando-o melhor dentro do Ibama com metas e objetivos claros”, afirma Cristina. Ela ressalta que a institucionalização do programa permitirá garantir maior orçamento e estabelecer parcerias com universidades e institutos de pesquisa, fortalecendo a estratégia comunitária de conservação da Amazônia.

    Pesca responsável garante sustentabilidade do pirarucu

    A pesca do pirarucu manejado segue critérios técnicos rigorosos. Apenas 30% dos indivíduos adultos contados podem ser capturados. E 70% permanecem preservados para garantir a manutenção e o aumento dos estoques ao longo do tempo. Além disso, as comunidades realizam vigilância constante dos locais de pesca para proteger os ambientes aquáticos onde os peixes se reproduzem, assegurando a sustentabilidade do recurso.

    Walmir Nogueira, agente ambiental do Ibama que acompanha o manejo desde o início, destaca a importância social do trabalho. “Essa ação promove a união das comunidades, valorizando o esforço coletivo”, afirma. Ele explica que onde há manejo e unidade de conservação, o território se mantém preservado, pois a comunidade assume a responsabilidade pela proteção ambiental.

    “Proteger o pirarucu significa cuidar de toda a biodiversidade local, incluindo recursos naturais, espécies aquáticas e elementos terrestres”, complementa Walmir.

    A conservação do pirarucu gera resultados concretos, pois os recursos naturais não só se mantêm, mas também se fortalecem e se desenvolvem. Cristina Buck ressalta que esse sucesso depende da participação ativa das comunidades locais. Elas desempenham papel fundamental na proteção e no cuidado com o meio ambiente.

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  • Ibama apreende 4 toneladas de pescado ilegal no Amazonas

    Ibama apreende 4 toneladas de pescado ilegal no Amazonas

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu mais de 4 toneladas de pescado ilegal durante a Operação Gaspar. As equipes realizaram a operação na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus, localizada a 223 quilômetros de Manaus (AM). A ação, que contou com apoio da Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas (SEMA/AM) e do Batalhão de Policiamento Ambiental, resultou na aplicação de R$ 464 mil em multas ambientais e reforça o combate à pesca predatória na região.

    Entre o pescado apreendido, três toneladas eram de pirarucu. A espécie é protegida e listada na Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites), o que evidencia a gravidade da infração ambiental. No total, os fiscais emitiram 15 autos de infração. Eles também doaram todo o pescado recolhido à comunidade local, com o objetivo de minimizar os impactos sociais e ambientais da atividade ilegal.

    RDS Piagaçu-Purus

    A RDS Piagaçu-Purus abrange cerca de 1 milhão de hectares nos municípios de Beruri, Anori, Tapauá e Coari.  Sendo considerada estratégica para a conservação de ecossistemas de várzea e terra firme na Amazônia. A operação fiscalizou embarcações, flutuantes e suspeitos de envolvimento com práticas ilegais, reforçando o compromisso das autoridades ambientais com a proteção da biodiversidade regional.

    A Operação Gaspar destaca a importância da atuação integrada entre órgãos ambientais e forças de segurança para coibir crimes ambientais e preservar espécies ameaçadas, como o pirarucu, além de promover o uso sustentável dos recursos naturais na Amazônia

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  • Piscicultura brasileira pode crescer e se tornar referência mundial

    Piscicultura brasileira pode crescer e se tornar referência mundial

    A piscicultura brasileira vive um momento de ascensão, impulsionada pelo aumento do consumo interno e pelas oportunidades de exportação. Com um dos maiores potenciais aquícolas do mundo, o Brasil reúne condições favoráveis para se consolidar como líder na produção e exportação de peixes de cultivo. No entanto, desafios como infraestrutura, logística e barreiras sanitárias ainda limitam a expansão do setor no mercado global.

    De acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a produção nacional atingiu 860 mil toneladas de peixes cultivados em 2023, um crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior. O tambaqui, o pintado e o pirarucu, espécies nativas e altamente valorizadas, têm ganhado destaque tanto no mercado interno quanto no exterior. O Brasil já exporta parte dessa produção, mas o volume ainda está distante do potencial real.

    Desafios para a internacionalização

    José Miguel Saud, especialista em piscicultura e criador de tambaquis, pintados e pirarucus, ressalta que um dos principais desafios da internacionalização é a adaptação aos padrões sanitários exigidos por mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia. “O Brasil tem um produto de excelente qualidade, mas ainda enfrenta dificuldades para atender aos protocolos exigidos por grandes importadores. Precisamos investir mais em certificações e rastreabilidade para garantir que nosso peixe seja aceito sem restrições no exterior”, explica.

    Infraestrutura logística: um entrave crítico

    A infraestrutura logística também é um entrave. A piscicultura depende de uma cadeia de frio eficiente para manter a qualidade dos peixes até o destino final. Saud aponta que a falta de estrutura adequada para armazenamento e transporte impacta diretamente a competitividade dos produtores brasileiros. “Hoje, exportamos principalmente filés congelados e peixes processados, mas há uma demanda crescente por peixe fresco. Para atender a esse mercado, é fundamental melhorar os sistemas de transporte e distribuição”, afirma.

    Oportunidades no cenário global

    Mesmo diante dos desafios, as oportunidades para a piscicultura brasileira no cenário global são promissoras. O mercado de pescado tem crescido consistentemente, impulsionado pela busca por proteínas mais saudáveis e sustentáveis. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o consumo global de peixe deve aumentar 15% até 2030, tornando a aquicultura uma das principais fontes de proteína animal no mundo.

    “O tambaqui, por exemplo, tem características nutricionais muito valorizadas no mercado internacional, como alta concentração de ômega-3 e sabor diferenciado. Já o pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do mundo e tem um grande apelo gastronômico, principalmente na culinária asiática. Se conseguirmos estruturar bem nossa cadeia produtiva, podemos transformar essas espécies em produtos de exportação altamente rentáveis”, analisa José Miguel Saud.

    Iniciativas para impulsionar as exportações

    Nos últimos anos, iniciativas para fomentar a exportação de peixes brasileiros têm avançado. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) tem firmado acordos para facilitar a entrada do pescado brasileiro em novos mercados, enquanto associações do setor promovem ações para aumentar a visibilidade dos produtos nacionais. Além disso, programas de financiamento específicos para piscicultores têm incentivado a modernização da produção.

    Para que o Brasil alcance uma posição de destaque na piscicultura global, especialistas defendem um planejamento estratégico que envolva inovação, qualificação técnica e políticas públicas eficientes. “O Brasil tem tudo para ser um grande exportador de pescado, mas precisa investir mais em pesquisa, capacitação de produtores e infraestrutura. É um trabalho conjunto entre governo, setor privado e instituições de fomento. Se seguirmos esse caminho, podemos nos tornar referência mundial na criação de peixes nativos”, conclui o piscicultor José Miguel Saud.

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  • Pirarucu gigante é avistado no Lago Paranoá

    Pirarucu gigante é avistado no Lago Paranoá

    Um pirarucu (Arapaima gigas) de aproximadamente 2 metros de comprimento foi avistado na manhã desta sexta-feira por um pescador no Lago Paranoá, um dos símbolos de Brasília. Embora a espécie seja nativa da Amazônia, sua presença em outros corpos d’água do Brasil tem sido registrada com frequência, como no interior de São Paulo.

    O pirarucu, conhecido cientificamente como Arapaima gigas, é um dos maiores peixes de água doce do mundo. Ele pode atingir até 3 metros de comprimento e pesar até 200 kg. Nativo da Bacia Amazônica, ele é uma espécie adaptável que pode ser encontrada em rios e lagos de águas claras, onde sobe à superfície para respirar ar atmosférico.

    Conhecido como “codorna da Amazônia” por sua carne saborosa e sem espinhas, ele respira ar atmosférico graças a um pulmão primitivo, subindo à superfície a cada 20 minutos. A espécie, quase extinta nos anos 2000 devido à pesca predatória, é hoje protegida por programas de manejo sustentável na região norte.

    O nome “pirarucu” vem do tupi pira (peixe) + urucum (vermelho), em referência à cor de sua cauda.

    Lago Paranoá: de área degradada a refúgio ecológico

    O Lago Paranoá, criado em 1959 para umedecer o clima seco de Brasília, já foi considerado biologicamente morto devido à poluição nas décadas de 1980 e 1990. Após investimentos em saneamento, tornou-se um exemplo de recuperação ambiental, abrigando hoje mais de 40 espécies de peixes, como tucunarés, tilápias e carpas.

    Embora não seja um habitat típico para o pirarucu, a presença de espécies exóticas em lagos artificiais não é rara, devido à introdução acidental ou intencional por humanos. Em 2021, um pirarucu de 1,5 metro foi encontrado morto no mesmo lago.

    A pesca do pirarucu é proibida no Lago Paranoá, mesmo que acidental. Quem avistar o animal deve acionar o Ibama (0800 061 8080).

    Para ambientalistas, a aparição reforça a resiliência do Lago Paranoá, que hoje atrai até mergulhadores em busca de sua vida subaquática revitalizada.

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  • Pesquisadores avançam na reprodução artificial do pirarucu

    Pesquisadores avançam na reprodução artificial do pirarucu

    A domesticação do pirarucu (Arapaima gigas) é um dos maiores desafios da aquicultura brasileira. Pesquisadores da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) conseguiram avançar significativamente nesse processo ao identificar, pela primeira vez, as células espermáticas da espécie e desenvolver métodos para a coleta de sêmen. O estudo, publicado na revista científica Fishes, representa um passo essencial para garantir a oferta de alevinos e atender à crescente demanda por reprodução artificial da espécie.

    O estudo faz parte do projeto internacional Aquavitae, um consórcio com 29 instituições de 16 países voltado para o desenvolvimento da aquicultura no Atlântico. “Esse é mais um marco em uma pesquisa que já dura nove anos e agora foca na criopreservacão de material genético para a conservação e reprodução artificial da espécie”, explica Lucas Torati, pesquisador que lidera o estudo.

    Diferentemente de espécies como a tilápia, cuja reprodução em cativeiro está plenamente consolidada, o pirarucu ainda se reproduz, em grande parte, de forma natural. Estima-se que, em um conjunto de 10 a 15 casais em uma propriedade, apenas três ou quatro se reproduzem anualmente.

    Para reverter esse cenário, os cientistas desenvolveram um método de sexagem baseado na canulação, que permite diferenciar machos e fêmeas e verificar a maturidade sexual dos animais. “Com essa técnica, um piscicultor parceiro conseguiu elevar a taxa de reprodução de duas para até sete por ano”, afirma Torati.

    Benefícios para a piscicultura

    Moisés Zorzeto Neto, dono da Piscicultura Raça, em Canabrava do Norte (MT), adotou a técnica de sexagem. Ele relata um aumento expressivo na produção de alevinos. “Antes, conseguíamos uma ou duas reproduções por casal por ano. Com a nova metodologia, esse número subiu para até sete”, destaca.

    pirarucu
    Pesquisadores da Embrapa, em Palmas (TO), desenvolveram métodos para identificar o sexo e coletar sêmen do peixe. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    A falta de tecnologias para a bíopsia ovariana foi outro desafio superado. Para realizar esse procedimento, a equipe adaptou um ureterorrenoscópio, equipamento médico utilizado para remover cálculos renais. “Depois de entender a anatomia do peixe, conseguimos desenvolver uma cânula especial que nos permitiu acessar a cavidade celomática e distinguir machos e fêmeas com uma precisão entre 80% e 100%”, explica Torati.

    O desafio da coleta de sêmen

    Outro avanço significativo foi o desenvolvimento de uma técnica para a coleta de sêmen sem contaminação por urina, fator essencial para a viabilidade dos espermatozoides. “Nas primeiras coletas, encontramos problemas de contaminação. Para coletar sêmen de qualquer espécie, é preciso evitar a presença de água ou urina, pois o espermatozoide é ativado ao entrar em contato com esses fluidos”, esclarece Luciana Ganeco-Kirschnik, pesquisadora da Embrapa e participante do projeto.

    A partir de testes, a equipe conseguiu descrever a estrutura do espermatozoide do pirarucu, que possui dois flagelos e é rico em mitocôndrias, além de determinar o tempo de motilidade e padronizar a técnica de coleta. “Esse foi o principal resultado do projeto Aquavitae. O próximo passo é acertar o timing da ovulação das fêmeas e viabilizar a fertilização artificial”, destaca Torati.

    A próxima etapa da pesquisa será a criopreservacão do sêmen do pirarucu, processo semelhante ao aplicado em outras espécies comerciais. “Com a criação de um banco genético, poderemos armazenar amostras de sêmen de exemplares selecionados para otimizar a reprodução da espécie. E reduzir a dependência da reprodução natural”, explica Ganeco-Kirschnik.

    O consórcio Aquavitae

    O projeto Aquavitae, orçado em oito milhões de euros, integra instituições da Europa, África e América para fortalecer a aquicultura global. “Esse consórcio é resultado de uma década de articulações entre o governo brasileiro e a Comunidade Europeia. Culminando no acordo Belém Statement”, afirma Eric Arthur Routledge, da Gerência Geral de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.

    No Brasil, o projeto contou com a participação de sete empresas do setor produtivo, como a Primar Aquacultura e a Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR). “A proximidade entre pesquisadores e produtores garantiu que as soluções fossem aplicáveis à realidade do setor”, finaliza Torati.

    Com esses avanços, a reprodução artificial do pirarucu se torna cada vez mais uma realidade. Trazendo benefícios tanto para a conservação da espécie quanto para a sustentabilidade da piscicultura brasileira.

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  • Tecnologia transforma criação de pirarucu no Brasil

    Tecnologia transforma criação de pirarucu no Brasil

    A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia lançou o ArapaimaPLUS, uma tecnologia inovadora que promete transformar a criação de pirarucu (Arapaima gigas) em cativeiro no Brasil. Parte da família AquaPLUS – que já oferece soluções genômicas para tilápia, tambaqui, camarão e truta, a ferramenta traz avanços significativos para a gestão, seleção e melhoramento genético de matrizes do pirarucu.

    Com enfoque na simplicidade, praticidade e baixo custo, a ferramenta oferece aos aquicultores um retorno elevado sobre o investimento, além de atender demandas como rastreabilidade e monitoramento genético de populações selvagens.

    O ArapaimaPLUS é um teste genômico que realiza análises precisas de parentesco, identificação individual e variabilidade genética. Essas funções são essenciais para o gerenciamento genealógico de plantéis de reprodutores, otimizando a formação de casais e minimizando acasalamentos consanguíneos.

    De acordo com Alexandre Caetano, pesquisador da Embrapa, a ferramenta agrega as funções básicas de outras soluções AquaPLUS, mas vai além ao permitir monitorar populações selvagens e integrar processos de rastreabilidade. “A tecnologia é um passo à frente na criação sustentável de pirarucu, alinhando produção e conservação”, afirma.

    Superando desafios da criação em cativeiro

    O pirarucu é conhecido por ser um dos maiores peixes de água doce do mundo, com alta valorização no mercado, mas sua criação em cativeiro enfrenta desafios técnicos e econômicos. Enquanto espécies como a tilápia se reproduzem facilmente em tanques, o pirarucu requer cuidados específicos.

    Comportamentos territoriais dos machos e a necessidade de tanques individuais aumentam os custos e a complexidade da produção. Além disso, a maturidade reprodutiva do pirarucu leva anos para ser alcançada, dificultando a reprodução controlada. A falta de protocolos para indução hormonal e manipulação de gametas agrava o cenário, obrigando os produtores a confiar em métodos naturais de acasalamento.

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    Outro desafio significativo está na instabilidade de preços. Em anos de pesca abundante, o custo de produção em cativeiro pode superar o preço de mercado, tornando a atividade menos competitiva.

    ArapaimaPLUS: inovação com benefícios tangíveis

    O ArapaimaPLUS surge como uma solução prática para esses desafios. A ferramenta auxilia na escolha de matrizes com maior potencial produtivo e na formação de casais geneticamente diversificados, otimizando a produção de alevinos. O resultado é um plantel mais eficiente, com menos perdas e maior retorno econômico.

    Pirarucu
    Nova ferramenta aprimora gestão, uso, seleção e melhoramento genético de matrizes dessa espécie de peixe, de forma simples e prática. Foto: Simone Yokoyama Oliveira/Embrapa

    Além disso, o teste genômico pode ser usado para rastrear populações selvagens e validar a origem de produtos processados, garantindo mais transparência na cadeia produtiva. Isso é especialmente relevante em mercados que valorizam práticas sustentáveis e produtos rastreáveis, como o de alta gastronomia.

    Pirarucu: potencial produtivo e nichos de mercado

    Apesar das dificuldades, o pirarucu possui características que o destacam como uma opção promissora para a piscicultura. Em condições ideais, o peixe pode atingir até 10 quilos no primeiro ano de vida, superando outras espécies em termos de crescimento.

    Produtores próximos a grandes mercados consumidores, como São Paulo, têm explorado o nicho de alta gastronomia, oferecendo carne de pirarucu fresca e de qualidade premium. Mesmo com as limitações de manejo, esses produtores conseguem se posicionar competitivamente, especialmente em regiões onde o mercado valoriza produtos diferenciados.

    Além de beneficiar os produtores, o ArapaimaPLUS também desempenha um papel crucial na conservação ambiental. A ferramenta permite monitorar o impacto da piscicultura na biodiversidade local, como o escape de peixes que podem alterar a genética de populações selvagens.

    “Já identificamos diferenças genéticas significativas entre populações de pirarucu de diferentes bacias hidrográficas. Essa variabilidade precisa ser preservada, e o ArapaimaPLUS oferece meios para isso”, explica Caetano. A tecnologia também é uma aliada de órgãos ambientais e organizações que monitoram a sustentabilidade da pesca e da criação em cativeiro.

    O futuro da piscicultura brasileira

    Com o ArapaimaPLUS, a Embrapa reafirma seu compromisso com a inovação e o desenvolvimento sustentável da aquicultura. A empresa já trabalha na validação de soluções genômicas para outras espécies, como pacu e pirapitinga, ampliando as oportunidades para produtores em todo o país.

    “O objetivo é disponibilizar tecnologias que atendam às necessidades de todas as espécies relevantes para a piscicultura nacional. Queremos garantir produtividade e competitividade, sem abrir mão da sustentabilidade”, conclui Caetano.

    Produtores interessados podem entrar em contato com a Embrapa pelo telefone +55 (61) 3448-4662 ou pelo e-mail [email protected].

    Com pesquisa e estudos, a piscicultura brasileira avança em direção a um futuro mais produtivo e sustentável, unindo ciência, tecnologia e inovação para transformar o mercado de pirarucu.

    O que é tecnologia genômica?

    A tecnologia genômica refere-se ao conjunto de ferramentas e métodos que permitem a análise, manipulação e interpretação do genoma de organismos. Essa área da biotecnologia tem avançado significativamente nas últimas décadas, possibilitando uma compreensão mais profunda da estrutura e função dos genes, bem como suas interações e impactos na saúde, agricultura e meio ambiente.

    Principais aspectos da tecnologia genômica

    • Sequenciamento de DNA: O sequenciamento de DNA é um dos pilares da tecnologia genômica. Ele permite determinar a ordem exata dos nucleotídeos (as “letras” do código genético) em um organismo. Técnicas como o sequenciamento de nova geração (NGS) possibilitam sequenciar grandes quantidades de DNA rapidamente e a um custo reduzido.
    • Edição Genética: Ferramentas como CRISPR-Cas9 revolucionaram a edição genética, permitindo que cientistas façam alterações específicas no DNA de organismos. Isso tem aplicações em pesquisa biomédica, desenvolvimento de culturas resistentes a pragas e doenças, e potencial tratamento de doenças genéticas.
    • Análise de Dados Genômicos: A interpretação dos dados gerados pelo sequenciamento requer o uso de bioinformática, que envolve algoritmos e software para analisar grandes volumes de dados genéticos. Isso ajuda na identificação de variantes genéticas associadas a doenças ou características desejáveis em plantas e animais.
    • Genômica Comparativa: Este campo estuda as semelhanças e diferenças entre os genomas de diferentes organismos para entender a evolução, a função gênica e as relações entre espécies.
    • Aplicações em Saúde: Na medicina, a tecnologia genômica é utilizada para identificar predisposições genéticas a doenças, personalizar tratamentos com base no perfil genético do paciente (medicina personalizada) e desenvolver terapias gênicas.
    • Agricultura: Na agricultura, a genômica é aplicada para melhorar características das culturas, como resistência a doenças, tolerância a estresses ambientais (como seca ou salinidade) e aumento da produtividade.

    A tecnologia genômica está transformando diversas áreas do conhecimento, oferecendo novas oportunidades para avanços científicos e aplicações práticas que podem melhorar a qualidade de vida, aumentar a segurança alimentar e contribuir para a conservação ambiental. Com o contínuo desenvolvimento dessas tecnologias, espera-se que seu impacto se expanda ainda mais nos próximos anos.