A escalada do conflito no Oriente Médio tem acendido um alerta no agronegócio brasileiro. Além das implicações geopolíticas, a instabilidade na região pode pressionar os preços de fertilizantes e combustíveis, dois insumos essenciais para a produção agrícola.
Fertilizantes
Um dos principais pontos de preocupação envolve o fornecimento de fertilizantes nitrogenados, como a ureia. O Brasil depende fortemente das importações desse insumo: em 2025, cerca de 100% da ureia utilizada no país foi adquirida no exterior. Desse total, aproximadamente 41% das cargas passaram pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica no Golfo Pérsico que concentra parte relevante do comércio global de fertilizantes.
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Com o aumento das tensões na região, analistas alertam para possíveis interrupções logísticas e redução da oferta. Caso o conflito se prolongue, a expectativa é de restrições no fornecimento e pressão de alta nos preços do produto no mercado internacional.
Importância do Oriente Médio
O Oriente Médio tem papel central no comércio global desses insumos. A região responde por cerca de 41% das exportações mundiais de ureia e por uma parcela significativa da produção de amônia, matérias-primas fundamentais para a fabricação de fertilizantes nitrogenados. Qualquer interrupção na produção ou no transporte desses produtos tende a afetar diretamente os fluxos comerciais e os preços globais.
O mercado já começa a perceber os efeitos. Levantamentos apontam elevação nas cotações internacionais dos fertilizantes nitrogenados e retirada de ofertas em alguns portos diante das incertezas sobre a disponibilidade do produto e as condições logísticas.
Combustíveis
Além dos fertilizantes, o conflito também pode impactar o custo dos combustíveis. A região é uma das principais produtoras de petróleo do mundo, e eventuais restrições na oferta ou no transporte da commodity tendem a pressionar os preços internacionais. Ou seja, a alta do petróleo afeta diretamente o valor do diesel e do frete, elevando os custos de produção e de transporte no agronegócio.
Diante desse cenário, especialistas avaliam que um conflito prolongado poderia gerar reflexos na próxima temporada agrícola brasileira, especialmente na safra 2026/27, que tem o plantio no segundo semestre. A combinação de fertilizantes mais caros e custos logísticos mais elevados tende a pressionar as margens do produtor rural e pode influenciar os preços dos alimentos ao longo da cadeia produtiva.





