Tag: petróleo

  • Petroleiros desafiam bloqueio iraniano e recorrem a rota arriscada

    Petroleiros desafiam bloqueio iraniano e recorrem a rota arriscada

    O transporte global de petróleo segue enfrentando desafios no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos do mundo. Diante do bloqueio imposto pelo Irã, diversos navios petroleiros passaram a utilizar uma rota alternativa próxima ao litoral de Omã, considerada mais arriscada por especialistas do setor marítimo.

    De acordo com informações divulgadas pelo jornal Financial Times, cerca de 15 embarcações utilizam diariamente esse trajeto, sendo a maioria composta por petroleiros. Além disso, duas fontes afirmaram que os navios contam com cobertura aérea das forças dos Estados Unidos durante a travessia.

    Empresas ligadas ao transporte de petróleo e ao monitoramento do tráfego marítimo alertam para os riscos desse percurso. Segundo essas companhias, a passagem é extremamente estreita e oferece pouca margem para manobras.

    Missão secreta dos EUA

    Enquanto isso, na quarta-feira (10/6), o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que está conduzindo uma “missão secreta” para garantir a circulação de petroleiros na região. Segundo o republicano, aproximadamente 100 milhões de barris de petróleo já atravessaram a rota marítima e devem chegar aos mercados internacionais.

    Além disso, Trump atribuiu a estabilidade dos preços internacionais do petróleo ao funcionamento desse corredor alternativo. Atualmente, o barril do Brent, principal referência global para o mercado, é negociado em torno de US$ 92. Antes do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o valor da commodity variava entre US$ 70 e US$ 72 por barril.

    Estreito de Ormuz, canal marítimo por onde passa 20% do petróleo mundial

    Irã reforça bloqueio no Estreito de Ormuz

    Por outro lado, o governo iraniano voltou a sustentar que mantém um bloqueio total no Estreito de Ormuz. O país havia criado a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PSGA) para supervisionar o tráfego marítimo na região, permitindo anteriormente a passagem controlada de algumas embarcações em coordenação com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).

    Entretanto, nesta quinta-feira (11), a agência Fars divulgou um comunicado oficial da PSGA informando que o estreito permanecerá fechado por tempo indeterminado. Dessa forma, embarcações que já haviam recebido autorização para cruzar a região deverão aguardar novas orientações das autoridades iranianas.

    No comunicado, a autoridade afirmou:

    “Em razão das tensões criadas pelas forças agressoras dos Estados Unidos na região e do comunicado emitido pelas Forças Armadas da República Islâmica do Irã na noite passada, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso. Os solicitantes que receberam autorização de passagem devem aguardar e seguir as orientações futuras da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA).”

    O cenário mantém elevada a atenção dos mercados de energia, da logística marítima internacional e das cadeias produtivas dependentes do abastecimento de petróleo, fator que pode influenciar custos de transporte, combustíveis e insumos em diversos setores da economia mundial.

  • Por que a gasolina está tão cara? Entenda o que influencia o preço dos combustíveis no Brasil

    Por que a gasolina está tão cara? Entenda o que influencia o preço dos combustíveis no Brasil

    O preço da gasolina e do diesel continua pesando no bolso dos brasileiros. No entanto, muita gente ainda acredita que o valor cobrado nos postos depende apenas da Petrobras ou dos donos de postos. Na prática, diversos fatores nacionais e internacionais influenciam diretamente o preço final dos combustíveis no Brasil.

    Atualmente, os custos de produção e importação representam cerca de 61% do valor final pago pelo consumidor. Já os tributos correspondem a 16%, enquanto os biocombustíveis somam 10%. Além disso, os custos de distribuição e revenda representam outros 13%, sendo aproximadamente 5% referentes à margem das distribuidoras.

    Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), o preço nas bombas resulta de uma cadeia complexa. Ou seja, nenhum setor sozinho é responsável pelas altas ou quedas observadas no mercado.

    O que influencia o preço da gasolina e do diesel?

    Diversos fatores ajudam a definir o valor final dos combustíveis no país. Entre os principais, estão:

    • Cotação internacional do barril de petróleo;
    • Variação do dólar;
    • Contexto geopolítico internacional;
    • Carga tributária federal e estadual;
    • Custos logísticos;
    • Mistura obrigatória de biocombustíveis.

    Além disso, o Brasil ainda depende da importação de parte do diesel consumido internamente. Atualmente, cerca de 30% do diesel utilizado no país é importado. Dessa forma, importadoras e distribuidoras assumem riscos relacionados ao câmbio, ao transporte e às oscilações do mercado internacional para garantir o abastecimento nacional.

    O setor de distribuição também exerce um papel importante no funcionamento da economia. Segundo dados do Sindicom, aproximadamente 200 mil veículos são abastecidos por hora em todos os municípios brasileiros.

    Preço dos combustíveis sofre influência de fatores como petróleo, dólar, impostos e cenário internacional — Foto: Reprodução/Unsplash

    Como o preço do combustível é formado?

    O valor pago pelo consumidor é composto por quatro etapas principais: refinaria, biocombustíveis, impostos e distribuição.

    Preço na refinaria

    A Petrobras vende o combustível às distribuidoras ainda na refinaria. Esse valor sofre influência direta de fatores internacionais, principalmente:

    • preço do barril de petróleo no mercado global;
    • cotação do dólar.

    Além disso, a estatal costuma seguir a chamada política de paridade internacional (PPI). Na prática, isso significa que os preços internos acompanham as oscilações do mercado externo.

    Mistura com biocombustíveis

    Antes de chegar aos postos, a gasolina e o diesel recebem a adição de biocombustíveis.

    A gasolina, por exemplo, é misturada ao etanol anidro. Já o diesel recebe biodiesel na composição. Os preços desses produtos variam conforme fatores agrícolas, demanda interna, subsídios e condições de safra.

    Tributos aumentam o valor nas bombas

    Os impostos representam uma parcela relevante do preço dos combustíveis no Brasil. Entre os principais tributos cobrados estão:

    • ICMS: imposto estadual sobre circulação de mercadorias e serviços;
    • CIDE: contribuição federal voltada para infraestrutura de transporte e projetos ligados ao petróleo e gás;

    PIS/Pasep e Cofins: tributos destinados ao financiamento de benefícios e programas sociais.

    Assim, qualquer alteração tributária pode gerar impacto imediato nos preços praticados nos postos.

    Gráfico da formação do preço da gasolina — Elaboração: Petrobrás/Dados: ANP e USP

    Distribuição e revenda também entram na conta

    Os postos compram o combustível já misturado das distribuidoras e definem o valor final ao consumidor. Nesse cálculo, entram despesas com transporte, operação, funcionários, logística e margem de lucro.

    Portanto, o preço exibido na bomba não reflete apenas o valor produzido pela refinaria.

    Estreito de Ormuz pode afetar os combustíveis no Brasil

    Mesmo distante do Oriente Médio, o Brasil também sente os reflexos das tensões internacionais. Um dos pontos mais estratégicos para o mercado mundial de petróleo é o Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã.

    Atualmente, cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região.

    Em 2025, por exemplo, os conflitos envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos elevaram o alerta global. O Parlamento iraniano chegou a sugerir o fechamento do estreito como resposta às tensões internacionais.

    Somente a possibilidade de interrupção no fluxo de petróleo já provocou preocupação no mercado internacional.

    Entre os possíveis impactos estão:

    • elevação do barril do petróleo Brent para até US$ 130;
    • aumento dos custos de transporte marítimo e seguros;
    • alta do risco geopolítico e maior pressão inflacionária.

    Mesmo sendo um importante produtor de petróleo, o Brasil ainda importa combustíveis refinados e segue referências internacionais de preços. Por isso, qualquer instabilidade externa pode provocar aumento no valor da gasolina, do diesel, do frete, dos alimentos e até das passagens de transporte público.

  • Análise: Guerra ameaça transformar 2026 no pior ano do agro brasileiro

    Análise: Guerra ameaça transformar 2026 no pior ano do agro brasileiro

    O agro brasileiro entrou em alerta máximo. E desta vez o problema não nasceu da seca, do dólar ou de uma quebra de safra.

    A nova tensão no Oriente Médio começou a espalhar incerteza pelos corredores do agronegócio mundial, elevando o preço do petróleo, pressionando fertilizantes e reacendendo o medo de uma crise global de alimentos.

    O reflexo já chegou ao Brasil.

    Produtores rurais, cooperativas e especialistas do setor passaram os últimos dias monitorando o avanço do conflito entre Irã e Israel e seus possíveis impactos sobre uma engrenagem delicada que conecta combustível, logística, fertilizantes e comida.

    Quando aquela região do planeta entra em ebulição, o agro sente primeiro o cheiro da fumaça. Depois vem a conta.

    Petróleo vira gatilho para aumento de custos

    O principal temor do setor envolve o petróleo.

    Em análise publicada pela agência Reuters, especialistas alertaram que qualquer bloqueio prolongado na região pode provocar “forte choque nos custos globais de energia e transporte”.

    Na prática, isso significa um efeito dominó imediato no agronegócio brasileiro.

    Com diesel mais caro, sobe:

    • o frete;
    • o custo da produção;
    • a armazenagem;
    • a exportação;
    • o preço final dos alimentos.

    E aí a inflação do campo atravessa a cidade e chega ao supermercado.

    Fertilizantes colocam o Brasil em posição vulnerável

    Mas o petróleo é apenas uma peça do quebra-cabeça.

    O maior temor do mercado hoje envolve os fertilizantes.

    O Brasil importa cerca de 85% dos insumos usados na agricultura. Uma parcela importante dessa cadeia depende justamente de regiões afetadas pela instabilidade no Oriente Médio.

    Em reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times, analistas afirmaram que a tensão na região já provoca “preocupação crescente sobre o fornecimento global de fertilizantes nitrogenados”.

    O jornal destacou que o mercado internacional teme dificuldades logísticas e novas altas de preços caso o conflito avance sobre rotas marítimas estratégicas.

    A preocupação faz sentido.

    Fertilizante caro significa produção mais cara. Produção mais cara significa alimento mais caro.

    E isso atinge praticamente tudo:

    • soja;
    • milho;
    • café;
    • carnes;
    • leite;
    • hortifrúti.

    É como se a guerra começasse a atravessar continentes escondida dentro de sacos de ureia e barris de combustível.

    Mercado internacional já fala em risco para alimentos

    O alerta deixou de ser local.

    Nas últimas 72 horas, veículos internacionais passaram a discutir o risco de uma nova onda global de inflação alimentar.

    O jornal espanhol Cinco Días afirmou que o mundo pode enfrentar uma “potencial grande crise alimentar” caso o conflito comprometa o fluxo internacional de fertilizantes e energia.

    A publicação destacou que países agrícolas do hemisfério sul, como o Brasil, estão entre os mais vulneráveis devido à dependência de importações de insumos.

    Já a revista britânica The Economist avaliou que os mercados agrícolas globais “voltaram a operar sob lógica de guerra”, especialmente diante do risco de disparada do petróleo.

    O impacto psicológico também pesa.

    Isso porque, quando o mercado começa a precificar medo, os contratos futuros sobem, o crédito encarece e, consequentemente, produtores passam a operar em modo defensivo.

    Além disso, em períodos de forte instabilidade internacional, investidores tendem a buscar proteção em ativos mais seguros, o que aumenta ainda mais a volatilidade das commodities agrícolas.

    Com isso, o ambiente de negócios no campo fica mais cauteloso. Aos poucos, decisões que antes pareciam naturais — como ampliar área plantada, investir em tecnologia ou antecipar compras de insumos — passam a ser revistas com mais prudência.

    E, nesse cenário, até o planejamento da próxima safra começa a carregar um peso maior de incerteza.

    Produtores começam a rever investimentos

    Nos bastidores do agronegócio brasileiro, o clima mudou rapidamente.

    Diante desse cenário, produtores começaram a revisar compras de máquinas, renegociar financiamentos e recalcular custos para a próxima safra.

    A preocupação, no entanto, é clara: uma escalada prolongada do conflito pode comprimir ainda mais as margens do setor justamente em um momento em que parte do agro ainda tenta recuperar fôlego financeiro após ciclos de juros elevados e oscilações climáticas.

    Em análise recente, a agência Bloomberg afirmou que o agro global enfrenta “um ambiente de volatilidade crescente impulsionado por riscos geopolíticos e energéticos”.

    O relatório destaca, por exemplo, que países exportadores, como o Brasil, podem sofrer pressão dupla:

    • aumento do custo de produção;
    • maior instabilidade nos preços internacionais.

    É uma conta difícil.

    Porque, ao mesmo tempo em que o dólar elevado favorece exportações, ele também encarece insumos importados.

    Por fim, parte do lucro evapora antes mesmo da colheita.

    Alimentos podem voltar ao centro da inflação

    O consumidor brasileiro talvez ainda não perceba o efeito imediato nas gôndolas. Mas o mercado já começou a ligar os sinais de alerta.

    Historicamente, crises envolvendo petróleo e fertilizantes acabam pressionando o preço dos alimentos alguns meses depois.

    E o Brasil conhece bem esse roteiro.

    O custo sobe silenciosamente no campo. Depois aparece no arroz, no óleo, no leite, na carne e até no cafezinho da manhã.

    Pouco a pouco, o orçamento doméstico vai sendo corroído sem fazer barulho.

    O problema é que agora o cenário mistura guerra, energia, logística global e insegurança internacional ao mesmo tempo.

    Uma combinação que costuma deixar os mercados nervosos — e o agro ainda mais exposto.

    Porque hoje uma explosão no Oriente Médio consegue ecoar no preço da soja em Mato Grosso, no frete do milho em Goiás e na carne servida no almoço de milhões de brasileiros.

    E, diante desse cenário, cresce dentro do setor uma preocupação que ninguém gosta de verbalizar em público: se o conflito continuar avançando, 2026 pode, por exemplo, se transformar em um dos anos mais difíceis para o agronegócio brasileiro na última década.

  • Soja recupera fôlego em Chicago: entenda por que o preço subiu hoje

    Soja recupera fôlego em Chicago: entenda por que o preço subiu hoje

    Hoje definitivamente não é um dia qualquer para o mercado de soja. Nesta sexta-feira, 1º de maio, as cotações da oleaginosa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) operaram no campo positivo e entregaram um respiro que o setor esperava há algum tempo. Por trás dessa recuperação, uma combinação de fatores que vai muito além das fronteiras do campo brasileiro: guerra, chuva, petróleo e câmbio se uniram para empurrar os preços para cima.

    Para quem acompanha o mercado de commodities, essa é exatamente a dinâmica que torna a soja tão fascinante e, ao mesmo tempo, tão imprevisível.

    Petróleo e tensão geopolítica deram o tom em Chicago

    Os contratos futuros da soja negociados na CBOT fecharam o pregão com preços mais altos para o grão e o óleo, enquanto o farelo recuou. O mercado buscou suporte na disparada do petróleo, sustentada pelas tensões que persistem no Oriente Médio.

    Esse elo entre energia e grãos não é coincidência. O óleo de soja acompanhou o movimento do petróleo por ser uma alternativa na produção de biocombustíveis, e a demanda consistente por esmagamento nos Estados Unidos também contribuiu para a alta.

    No entanto, há um componente geopolítico concreto por trás dessa pressão. O mercado repercutiu declarações do presidente Donald Trump sobre o Irã, aumentando a cautela dos investidores. Quando Washington faz ameaças ao regime iraniano, o petróleo sobe, o óleo de soja sobe junto, e os contratos futuros do grão ganham sustentação quase que automaticamente.

    Entre os contratos, o vencimento maio de 2026 subiu 9,25 centavos de dólar por bushel, fechando a US$ 11,82 1/4. Já o contrato julho de 2026 avançou 7,75 centavos, encerrando a US$ 11,97 por bushel. No farelo, houve queda de US$ 3,60, para US$ 323,80 por tonelada. O óleo de soja subiu 1,60 centavo, fechando a 74,12 centavos de dólar por libra-peso.

    Chuvas nos EUA atrasam plantio e sustentam preços

    Além do cenário energético, outro fator climático entrou na equação: atrasos no plantio provocados por excesso de chuvas no Meio-Oeste americano também influenciaram positivamente os preços.

    Quando o plantio atrasa, a oferta futura de grãos fica em xeque. E mercado que enxerga risco de oferta menor tende a precificar essa incerteza com alta nos contratos futuros. Nos Estados Unidos, o plantio de soja avançou para apenas 12% da área prevista, dobrando o ritmo da semana anterior, mas a previsão de chuvas intensas no Meio-Oeste pode interromper temporariamente os trabalhos de campo.

    Por outro lado, os ganhos mais expressivos não aconteceram. Ganhos mais expressivos ao grão foram limitados pela ampla oferta vinda da América do Sul. Brasil e Argentina seguem jogando o lado oposto dessa balança, com uma colheita robusta pressionando os preços de baixo para cima.

    Brasil sente a melhora: câmbio e portos aquecem negócios

    Do lado de cá do Atlântico, o efeito foi imediato. O mercado brasileiro de soja teve um dia mais aquecido, com avanço nas cotações e maior volume de negócios, especialmente nos portos.

    Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, a melhora veio principalmente da combinação entre câmbio e mercado internacional. A valorização em Chicago e o dólar mais firme trouxeram sustentação aos preços internos.

    O dólar comercial encerrou o dia com alta de 0,39%, cotado a R$ 5,0014 para venda, oscilando entre R$ 4,9793 e R$ 5,0138 ao longo da sessão. Essa proximidade do dólar à marca de R$ 5,00 foi um dos gatilhos para destravar negócios que estavam represados.

    No mercado físico, os preços subiram em várias praças. Passo Fundo (RS) subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00 por saca, e Santa Rosa (RS) avançou de R$ 125,00 para R$ 126,00.

    O que o produtor deve monitorar nas próximas semanas

    Apesar do alívio desta sexta, o cenário segue repleto de variáveis. Os investidores aguardavam os dados semanais de exportação norte-americana, com projeções entre 200 mil e 600 mil toneladas de soja em grão. Esses números, quando divulgados, têm capacidade de reforçar ou reverter os ganhos recentes.

    Além disso, na América do Sul, chuvas persistentes na Argentina, especialmente na província de Santa Fé, têm prejudicado o avanço da colheita, o que pode reduzir a oferta sul-americana no curto prazo e dar mais sustentação às cotações internacionais.

    Para o produtor brasileiro, o recado é claro: o momento exige atenção redobrada ao câmbio, ao preço do petróleo e ao clima no Meio-Oeste americano. São esses três termômetros, aparentemente distantes do campo, que definem o preço que chega à balança na colheita.

  • Poluição por petróleo altera machos de peixes raros no Rio Grande do Norte

    Poluição por petróleo altera machos de peixes raros no Rio Grande do Norte

    Pesquisadores identificaram indícios de que a contaminação por petróleo pode estar provocando alterações biológicas em espécies raras de peixes anuais no Rio Grande do Norte. Incluindo mudanças na coloração de machos que passaram a apresentar padrões associados às fêmeas.

    Pesquisadores observaram o fenômeno em espécies do gênero Hypsolebias lulai, peixes de pequeno porte que a ciência descreveu recentemente e que vivem em poças temporárias do semiárido potiguar, região também marcada por atividade petrolífera.

    Os resultados foram apresentados por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte no Encontro Brasileiro de Ictiologia (EBI). E apontam que a exposição a hidrocarbonetos do petróleo pode estar associada a alterações fenotípicas ligadas à desregulação endócrina, processo em que contaminantes interferem no sistema hormonal dos organismos.

    Segundo o estudo, alguns machos apresentaram coloração semelhante à das fêmeas, além de sinais classificados pelos autores como fenótipos intersexuais. O que pode indicar impactos sobre processos reprodutivos e sobrevivência dessas populações.

    Espécies raras e habitat vulnerável

    Os peixes anuais do gênero Hypsolebias vivem em ambientes temporários que se formam no período chuvoso e desaparecem na estiagem. Esse ciclo torna as espécies particularmente sensíveis a mudanças ambientais.

    Por ocorrerem em áreas restritas e frágeis, esses peixes já enfrentam pressões relacionadas à perda de habitat, secas e degradação ambiental. A possibilidade de impactos associados à atividade petrolífera amplia as preocupações sobre conservação.

    Pesquisadores brasileiros descreveram recentemente a espécie Hypsolebias lulai, considerada endêmica da região.

    Petróleo pode atuar como desregulador endócrino

    Segundo a literatura científica, compostos presentes no petróleo, como hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAHs), podem atuar como desreguladores endócrinos, afetando desenvolvimento, comportamento reprodutivo e características sexuais em organismos aquáticos.

    Esse tipo de alteração já foi documentado em estudos internacionais com peixes expostos a contaminantes industriais. Mas registros envolvendo espécies nativas raras do semiárido brasileiro ainda são pouco comuns.

    Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de ampliar investigações toxicológicas e monitoramentos em áreas da Bacia Potiguar, importante polo de exploração terrestre de petróleo do país.

    Conservação e monitoramento

    O caso também acende alerta para políticas de conservação. Órgãos como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis podem ter papel relevante em ações de monitoramento e proteção dessas populações.

    Além do impacto sobre indivíduos, especialistas alertam que alterações reprodutivas em espécies de distribuição limitada podem comprometer populações inteiras ao longo do tempo.

    Os pesquisadores defendem que novos estudos aprofundem se as mudanças observadas têm relação direta com contaminantes do petróleo e quais podem ser os efeitos para a sobrevivência dessas espécies.

  • Com queda de 30%, Tecnoshow Comigo expõe cautela no agro

    Com queda de 30%, Tecnoshow Comigo expõe cautela no agro

    A Tecnoshow Comigo 2026 fechou com queda de cerca de 30% no volume de negócios, refletindo o momento de maior cautela vivido pelo agronegócio brasileiro. Realizada em Rio Verde (GO), a feira reuniu aproximadamente 120 mil visitantes e evidenciou como juros elevados, dificuldade de acesso ao crédito e aumento nos custos de produção impactam diretamente as decisões no campo.

    O resultado ocorre em um contexto de pressão sobre as margens do produtor. A alta nos preços dos fertilizantes, somada ao encarecimento do petróleo, influenciado por conflitos no Oriente Médio, e à queda nas cotações de commodities exige mais planejamento e seletividade nos investimentos.

    Nesse cenário, produtores adotaram postura mais conservadora, principalmente na compra de máquinas e equipamentos. Por outro lado, mantiveram investimentos em insumos essenciais para garantir a continuidade da produção, o que explica a retração menor nesse segmento.

    “O agro passa por um momento difícil, com uma paridade de troca bem diferente de anos anteriores. Por isso, os expositores vieram com essa consciência, empenhados em oferecer as melhores condições possíveis dentro do que o mercado permite”, afirmou o coordenador-geral da feira, Claudio Teoro.

    A leitura predominante entre organizadores e participantes aponta para um ajuste conjuntural, e não uma crise estrutural. Nesse ambiente, eficiência e gestão ganham protagonismo, com foco em controle de custos e decisões mais estratégicas dentro da propriedade.

    Tecnologia ganha espaço no campo

    Mesmo com ritmo mais moderado nos negócios, o interesse por inovação permaneceu elevado. O evento consolidou seu papel como plataforma de difusão tecnológica, ao oferecer mais de 200 horas de conteúdo técnico e atrair público superior a 8,4 mil pessoas para palestras.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    A inteligência artificial ganhou espaço na gestão rural. Produtores já utilizam ferramentas de análise de dados para identificar gargalos operacionais e melhorar o desempenho financeiro.

    “A IA funciona como um consultor 24 horas que ajuda a identificar onde o produtor está perdendo dinheiro”, destacou o CEO da Bit Electronics, Igor Serafim. Segundo ele, organizar os dados da fazenda representa o primeiro passo para elevar a produtividade e o controle financeiro.

    A organização distribuiu 23 mil mudas de árvores nativas e coletou 46 toneladas de resíduos recicláveis. Além disso, iniciativas interativas estimularam a conexão entre visitantes e fortaleceram a integração no setor.

    Impacto econômico da Tecnoshow Comigo 2026

    Mesmo em um cenário mais restritivo, a feira manteve impacto relevante na economia local. A movimentação em Rio Verde alcançou cerca de R$ 90 milhões, com ocupação máxima da rede hoteleira e aumento na arrecadação municipal durante o período do evento.

    A estrutura também refletiu sua dimensão, ao reunir cerca de 710 expositores em uma área de 65 hectares, além de intensa movimentação logística ao longo dos cinco dias.

    Painéis indicaram crescimento da participação feminina no agronegócio, hoje próxima de 30% da força de trabalho, reforçando a presença cada vez maior das mulheres na atividade e na gestão das propriedades.

    Mesmo com a retração nos negócios, o produtor segue ativo, ainda que mais cauteloso. A feira reforça seu papel como ambiente de suporte, ao concentrar informação, tecnologia e oportunidades que ajudam na tomada de decisão ao longo da safra.

    A organização já confirmou a próxima edição, que ocorrerá entre os dias 5 e 9 de abril de 2027, novamente em Rio Verde (GO).

  • Querosene de aviação sobe 55%: o que a guerra no Irã tem a ver com o preço da sua passagem

    Querosene de aviação sobe 55%: o que a guerra no Irã tem a ver com o preço da sua passagem

    O conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã está deixando de ser apenas uma crise geopolítica distante. Gradualmente, ele se transforma em um problema concreto para quem precisa viajar, transportar carga ou produzir no Brasil. O barril de petróleo atingiu US$ 116 nesta semana. Isso representa uma alta de 50% desde o início das hostilidades. Diante disso, analistas de Wall Street já discutem a possibilidade de o preço chegar a US$ 200 caso a guerra se prolongue.

    A consequência mais imediata para os brasileiros é sentida pelo ar. A partir desta quarta-feira, 1º de abril, o querosene de aviação passou a custar 55% mais caro.

    O que travou o mercado global de petróleo

    O principal gatilho para a disparada foi o fechamento parcial do Estreito de Ormuz. Essa rota estratégica escoa grande parte do petróleo exportado do Golfo Pérsico. Com o bloqueio, o barril ultrapassou a marca de US$ 100 e, em seguida, continuou subindo.

    Somam-se a isso os ataques houthis contra Israel, a escalada militar americana contra o Irã e o impasse diplomático entre Washington e Teerã. Juntos, esses fatores criaram um ambiente de incerteza intensa. Historicamente, mercados de commodities reagem mal a esse tipo de combinação. Por isso, os preços dispararam. Caso o bloqueio do estreito se prolongue, analistas alertam que o fluxo global de petróleo pode cair de forma drástica. Nesse cenário, indústrias, transportes e a produção agrícola dependente de diesel e insumos do petróleo sentirão o impacto diretamente.

    55% mais caro: o que muda para quem voa

    A Petrobras reajustou o querosene de aviação em 55% a partir de 1º de abril. A medida é consequência direta da alta internacional do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Atualmente, esse combustível responde por até 36% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras.

    A Vibra Energia, distribuidora de QAV nos aeroportos do país, já confirmou o repasse do reajuste. Além dela, a Air BP e a Raízen também sinalizaram ajustes. No entanto, nenhuma das duas divulgou percentuais, devido à volatilidade diária dos preços.

    Para o consumidor final, a matemática é direta. Segundo executivos da holding Abra, que reúne Gol e Avianca, cada aumento de US$ 1 por galão no combustível exige um repasse de cerca de 10% nas tarifas para preservar a rentabilidade. Na prática, a Azul já elevou suas tarifas em mais de 20% em apenas três semanas. Além disso, a empresa reduziu capacidade operacional para conter custos.

    Os dados oficiais confirmam essa tendência. Segundo o IBGE, as passagens aéreas subiram 5,94% na primeira quinzena de março. Entre todos os itens medidos, esse foi o de maior impacto individual na inflação do período.

    O impacto no agronegócio

    Para o setor agropecuário, a crise do petróleo vai além do preço da passagem. O frete aéreo de produtos de alto valor também sofre pressão direta. Flores, frutas frescas e carnes exportadas estão entre os itens mais vulneráveis. Além disso, o aumento do petróleo empurra para cima o diesel, o gás e os fertilizantes nitrogenados. Todos esses insumos dependem, direta ou indiretamente, da cadeia do petróleo.

    Com o barril em patamares historicamente elevados, produtores que usam aviação para escoar produção perecível ou acessar regiões remotas precisam monitorar seus custos operacionais de perto. Por enquanto, o cenário aponta para meses de pressão sobre margens. Para quem não tem contratos de frete fixados, o risco é ainda maior.

    O que vem pela frente

    O presidente Donald Trump afirma que um acordo com o Irã pode estar próximo. Contudo, suas ações práticas apontam na direção oposta. Washington avalia operações militares de alto risco na região, incluindo ações que poderiam atingir diretamente a infraestrutura energética iraniana.

    Nesse contexto, o mercado aguarda com apreensão. Quando o querosene sobe de forma expressiva, as companhias aéreas dificilmente conseguem absorver o impacto sozinhas. Por isso, o repasse ao consumidor tende a ser inevitável. Assim sendo, quem planeja viajar nos próximos meses deve considerar antecipar a compra de passagens antes que novos reajustes cheguem.

    Para o agronegócio, a lição é mais ampla. Conflitos a milhares de quilômetros do Brasil conseguem afetar desde o custo do frete aéreo até o preço do fertilizante. Por isso, em um setor cada vez mais integrado ao mercado global, monitorar a geopolítica já faz parte da boa gestão rural.

  • Guerra no Irã pode encarecer alimentos no Brasil

    Guerra no Irã pode encarecer alimentos no Brasil

    A guerra envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel completa um mês neste sábado (28). Apesar de distante 12 mil quilômetros, o conflito já provoca efeitos concretos na economia brasileira.

    O primeiro impacto foi a alta de 20% no preço do diesel. Com isso, os custos de frete aumentaram. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chegou, inclusive, a cancelar contratos para o escoamento de 23,7 mil toneladas de milho fechados entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.

    Além disso, especialistas alertam que os efeitos podem chegar à mesa do consumidor. Combustíveis mais caros encarecem o transporte e a distribuição. Por sua vez, a alta nos fertilizantes pressiona o produtor rural. O resultado é um efeito cascata que atinge grãos, pão, carnes e hortaliças.

    O alerta dos especialistas

    Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro, avalia que o consumidor não deve sentir o impacto de imediato. No entanto, a tendência é de elevação nos preços, especialmente se o conflito se prolongar.

    Para ele, o maior risco não é a alta dos combustíveis em si, mas o desabastecimento. “Qual foi a última vez que vimos o Estreito de Ormuz fechado? Nunca. É um evento sem registro na história econômica mundial”, afirma, em entrevista à Globo Rural.

    O especialista reforça que o cenário afeta diretamente a logística nacional, que depende do transporte rodoviário. Segundo ele, importadores já sinalizaram que, com a defasagem atual de preços, não compensa trazer diesel para o Brasil.

    Quanto aos insumos agrícolas, Serigati pondera que o repasse ao consumidor não é automático. “O fato de o fertilizante estar mais caro não significa que o alimento também ficará. O repasse depende, principalmente, da produtividade”, explica, citando a Guerra da Ucrânia como exemplo de quando o setor absorveu custos sem repassá-los.

    Quais alimentos podem ficar mais caros?

    As commodities são as mais vulneráveis, pois têm preços definidos no mercado internacional. A consultoria Datagro identificou os produtos agropecuários brasileiros com maior risco diante do conflito:

    • Milho: risco de atrasos nos embarques pelo aumento dos custos logísticos
    • Açúcar: forte presença de exportações para o Oriente Médio
    • Carne de frango: dificuldades de entrega aos países do Golfo Pérsico, além de alta em fretes e seguros
    • Suco de laranja: o Brasil, líder global nas exportações, pode sentir o encarecimento logístico e a instabilidade na demanda

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também expressa preocupação com carne suína e ovos. Segundo a entidade, o conflito já elevou em até 30% o custo das embalagens plásticas feitas com matéria-prima importada da região. Diante disso, a ABPA não descarta repasses ao consumidor em breve.

  • Etanol mantém preços firmes na entressafra em SP

    Etanol mantém preços firmes na entressafra em SP

    Os preços do etanol seguem sustentados em São Paulo durante a entressafra, impulsionados pela oferta restrita. As usinas paulistas mantêm firmeza nas negociações, influenciadas pela menor disponibilidade do biocombustível no período. Além disso, a alta do petróleo, em meio a conflitos no Oriente Médio, reforça a sustentação dos preços.

    Segundo os pesquisadores do Cepea, a demanda por etanol permanece em nível considerado razoável. Por outro lado, distribuidoras adotam postura cautelosa diante das incertezas no cenário global e nos preços do petróleo.

    Esses agentes também aguardam definições sobre políticas da Petrobras. Assim, as compras ocorrem em volumes limitados, suficientes apenas para atender necessidades imediatas.

    Entre 9 e 13 de março, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado fechou em R$ 2,9439 por litro. O valor, líquido de ICMS e PIS/Cofins, representa alta de 0,30% frente ao período anterior. Já o etanol anidro registrou preço de R$ 3,2731 por litro no mesmo intervalo. O indicador, sem PIS/Cofins, aponta leve recuo de 0,02% na comparação semanal.

  • Guerra no Oriente Médio encarece diesel e coloca em risco a colheita no Brasil

    Guerra no Oriente Médio encarece diesel e coloca em risco a colheita no Brasil

    Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã elevaram os preços internacionais do petróleo e jogaram sobre o agronegócio brasileiro uma ameaça imediata: o encarecimento do diesel em plena colheita de soja e no início do plantio da segunda safra de milho , operações que não admitem atraso.

    O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. Isso expõe os produtores rurais diretamente às oscilações do mercado internacional de combustíveis. Representantes de grandes entidades do agronegócio confirmam que os preços internos já sobem no rastro da alta do petróleo, mesmo sem um anúncio formal de reajuste pela Petrobras.

    “No momento, a principal preocupação é o preço do diesel. Vimos o petróleo subir de cerca de US$ 80 para a faixa dos US$ 100 por barril, o que causou apreensão no campo”, afirmou Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    O barril do Brent chegou a ultrapassar US$ 119 na segunda-feira antes de recuar. No início da tarde, ainda subia mais de 7%, sendo negociado perto de US$ 100.

    Problema imediato, sem possibilidade de adiamento

    O conflito geopolítico atinge a agricultura brasileira num momento crítico. Produtores transportam soja para os mercados, concluem a colheita das últimas áreas e terminam o plantio do milho safrinha, cultura que responde pela maior parte do cereal produzido no país. Todas essas operações dependem de diesel, assim como a aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas.

    “Os produtores precisam de combustível agora para manter as operações no campo”, disse Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Ele lembra que diesel e lubrificantes costumam representar cerca de 5% dos custos operacionais das fazendas, uma fatia que pode crescer rapidamente com a alta dos preços.

    Lucchi relatou aumentos de aproximadamente R$ 1 por litro nas bombas das regiões Centro-Oeste e Sul, com alguns casos chegando a R$ 1,50. Além disso, distribuidores no Rio Grande do Sul teriam começado a restringir vendas diante da escalada dos custos.

    Fertilizantes e logística também sentem a pressão

    Cerca de 70% dos fertilizantes utilizados no Brasil chegam de fora do país e percorrem rodovias até o interior. Com o diesel mais caro, o custo logístico de distribuição pode subir entre R$ 80 e R$ 150 por tonelada no frete. Valor que tende a repassar para os preços finais dos insumos.

    Por ora, Lucchi avalia que os riscos associados às importações de fertilizantes nitrogenados do Irã, especialmente diante de eventuais bloqueios no Estreito de Ormuz, ainda são administráveis. Os produtores garantiram estoques para a safra atual e podem adiar novas compras. O diesel, no entanto, não espera.

    O cenário se agrava porque os produtores já operam com margens comprimidas. Projeções para a safra 2025/2026 indicam queda expressiva na rentabilidade: a margem bruta da soja deve recuar 36,7%, enquanto no milho a redução pode chegar a 92,2%. Custos elevados, preços internacionais estagnados e produtividade incerta formam um tripé desfavorável.

    Brasil no epicentro do mercado global de grãos

    O país lidera as exportações mundiais de soja e ocupa posição de destaque no fornecimento global de milho. Qualquer interrupção nas operações agrícolas brasileiras reverbera nos mercados internacionais de grãos. O que torna o impacto do conflito no Oriente Médio sobre o agronegócio nacional uma preocupação que vai além das fronteiras.

    A dependência do transporte rodoviário amplifica o problema. Cerca de 90% do fluxo de grãos no Brasil passa pelas estradas, o que faz do diesel um insumo estratégico para toda a cadeia produtiva. Quando o combustível encarece, o custo do frete até os portos sobe, a rentabilidade das lavouras cai e a competitividade das exportações se reduz.

    Biocombustíveis e bioinsumos como estratégias de mitigação

    O debate sobre biocombustíveis ganha força nesse contexto. A política energética brasileira prevê ampliar a mistura obrigatória de biodiesel para 15% em 2026, o que pode reduzir parte da dependência externa. Contudo, a medida gera efeitos colaterais: a maior demanda por óleo de soja para produção de biodiesel pressiona os preços da commodity no mercado interno. O milho enfrenta dinâmica semelhante, com usinas de etanol competindo pelo grão com a cadeia alimentar.

    Paralelamente, os bioinsumos avançam como alternativa para reduzir custos dentro da porteira. O mercado brasileiro do setor alcançou R$ 4,35 bilhões na safra 2024/2025, crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior. Nos últimos cinco anos, o segmento praticamente quadruplicou, impulsionado pela busca por eficiência e pela necessidade de diminuir a dependência de insumos químicos importados.

    “A agricultura brasileira vive uma transformação silenciosa, porém significativa, com a crescente adoção dos bioinsumos”, afirma Fellipe Parreira, da área de Portfólio e Acesso do Grupo GIROAgro. Segundo ele, produtos biológicos como bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas se consolidam como alternativas sustentáveis aos insumos sintéticos tradicionais.

    A área tratada com bioinsumos saltou de cerca de 22% para 46,7% nas principais culturas do país. Estados como Mato Grosso e Goiás já superam 50% de adoção. Embora não substituam o diesel nas máquinas e no transporte, esses produtos reduzem a pressão de custos ao diminuir o uso de fertilizantes sintéticos e defensivos químicos. Um alívio relevante num momento em que cada real conta.

    Douglas Vaz-Tostes, especialista da GIROAgro, reforça a visão sistêmica: “Nutrir corretamente a lavoura é mais do que aumentar a produtividade. A qualidade do grão impacta a eficiência da ração, o desempenho animal e a previsibilidade de custos. Um manejo bem feito gera retorno ao produtor e estabilidade à cadeia como um todo.”