Fritar um pirarucu inteiro pode parecer um desafio monumental, já que este peixe amazônico pode facilmente ultrapassar 80 kg e medir mais de dois metros de comprimento. Na culinária doméstica ou profissional tradicional, o animal é quase sempre preparado em postas ou filés devido à sua espessura.
No entanto, quando alguém se arrisca, o resultado é um evento viral. Esse é o caso do pescador Roniel Souza, que viralizou ao fritar um gigante pirarucu em óleo quente.
Para dar conta da missão, são necessários de 60 a 100 litros de óleo ou banha quente. O preparo costuma utilizar tambores de metal cortados (tonéis) ou grandes tachos aquecidos por fogareiros de alta pressão.
E é claro, os cortes também são parte fundamental do processo.
O peixe precisa receber cortes profundos em diagonal ao longo de todo o corpo. Sem isso, o óleo quente apenas torra a pele externa, deixando a carne grossa interna completamente crua e fria.
Gigante da Amazônia
O pirarucu (Arapaima gigas) é uma das espécies mais emblemáticas da Amazônia e figura entre os maiores peixes de água doce do planeta. Adaptado aos rios, lagos e áreas alagadas da região, ele possui uma característica incomum: além das brânquias, consegue respirar oxigênio diretamente do ar, precisando subir regularmente à superfície.
Além da importância ecológica, o pirarucu também tem grande relevância econômica. Sua carne é considerada nobre, possui poucas espinhas e apresenta alta aceitação no mercado brasileiro e internacional.
Pesquisadores registraram pela primeira vez na costa leste da Austrália, golfinhos usando grandes conchas como ferramenta para capturar peixes. O comportamento foi observado no Great Sandy Marine Park, em Queensland.
A técnica consiste em perseguir um peixe até que ele entre em uma concha vazia no fundo do mar. Em seguida, o golfinho leva o objeto até a superfície e o sacode para retirar a água. Com o movimento, o peixe desliza para dentro da boca do animal.
Os registros foram feitos entre julho e outubro de 2025 por pesquisadores da University of the Sunshine Coast. O estudo foi publicado na revista científica Marine Mammal Science em agosto de 2026.
O comportamento, conhecido como shelling, já havia sido observado em golfinhos da costa oeste da Austrália.
No novo registro, os pesquisadores identificaram a mesma estratégia na costa leste do país. O fato chama atenção porque indica que populações de golfinhos em regiões diferentes podem ter desenvolvido técnicas semelhantes de maneira independente.
A bióloga Alexis Levengood, especialista em comportamento animal e mamíferos marinhos da UniSC e autora principal do estudo, presenciou o primeiro caso durante uma saída de barco para pesquisa.
“Eu vi um golfinho levando um objeto grande para fora da água e percebi que se tratava de uma concha.”
Filhote pode ter aprendido a técnica com a mãe
O segundo registro foi considerado ainda mais relevante pelos pesquisadores.
Uma fêmea adulta foi observada emergindo da água com uma concha na boca. O peixe conseguiu escapar e o animal abandonou o objeto para continuar a perseguição.
Poucos minutos depois, o filhote pegou a mesma concha e a segurou de maneira semelhante à observada na mãe.
Para os pesquisadores, a cena representa uma possível evidência de aprendizagem social entre mãe e filhote
A observação, por si só, não permite afirmar que houve ensino deliberado. No entanto, o comportamento é interpretado como um possível caso de transmissão social porque o filhote teve contato direto com a ação realizada pela mãe.
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados promove nesta quarta-feira (12) uma audiência pública para discutir os impactos da moratória que proíbe a pesca e a comercialização da piracatinga na Região Amazônica. O debate começa às 16h, no plenário 6, e atende a um pedido do deputado Raimundo Costa (PSD-BA).
Raimundo Costa argumenta que a moratória, mantida há onze anos, provoca impactos econômicos e sociais sobre milhares de pescadores artesanais e suas famílias na Amazônia. Para o parlamentar, a extensão sucessiva de uma medida criada como temporária exige um debate público amplo, apoiado em evidências técnicas e na escuta de quem sente os efeitos da proibição diretamente.
“A manutenção indefinida de uma medida concebida como temporária exige amplo debate público, fundamentado em evidências técnicas e na escuta daqueles que vivenciam diretamente seus efeitos”, afirma o deputado.
A comissão também quer avaliar os efeitos da moratória sobre a pesca artesanal, a economia regional e a segurança alimentar das populações amazônicas.
Por que a pesca da piracatinga foi proibida
A piracatinga(Calophysus macropterus) é um bagre de médio porte, também conhecido como pintadinha, douradinha, piranambu ou urubu-d’água. O apelido vem de seu hábito necrófago: a espécie não é apreciada pelas comunidades ribeirinhas justamente por se alimentar de restos de animais mortos.
Esse hábito alimentar acabou colocando a espécie no centro de uma polêmica ambiental. Desde o fim dos anos 1990, pescadores passaram a usar carne de golfinhos-de-rio e de jacarés como isca para atrair o peixe, o que gerou um grave crime ambiental contra a fauna da região amazônica. A prática ganhou força quando a sobrepesca de outros bagres na Colômbia abriu uma grande demanda de mercado para a exportação da piracatinga brasileira.
Foto: Matthews Best / Flickr
Diante das denúncias, o Ministério Público Federal recomendou a investigação da matança de botos e jacarés usados como isca, o que levou à edição de uma instrução normativa interministerial que instituiu, em 2015, a moratória da pesca e da comercialização da espécie em todo o território nacional. Desde então, a proibição já foi renovada quatro vezes.
riscos para botos e jacarés
O impacto da pesca sobre os botos foi um dos principais argumentos para a criação da moratória. Estimativas do governo colombiano, divulgadas quando o país também proibiu a comercialização do peixe, indicam que até sete mil botos-cor-de-rosa morriam anualmente para servir de isca, número muito acima da taxa natural de mortalidade da espécie, estimada em 16 animais por ano.
A recuperação populacional dos botos é lenta por causa do próprio ciclo reprodutivo do animal. Uma fêmea leva até sete anos para atingir a maturidade sexual. Enquanto os machos demoram dez anos, e o intervalo entre nascimentos gira em torno de quatro a cinco anos. Por isso, especialistas alertam que o boto-cor-de-rosa pode ser extinto em poucas décadas caso a pesca da piracatinga seja liberada sem controle. A proteção também alcança jacarés como o jacaré-açu e o jacaretinga, igualmente usados como isca.
Além da ameaça a botos e jacarés, a própria piracatinga apresenta um risco à saúde humana. Por se alimentar de carcaças e restos orgânicos no fundo dos rios, o peixe acumula altas concentrações de mercúrio e outros metais tóxicos, motivo pelo qual seu consumo não é recomendado. Análises da Universidade de los Andes, na Colômbia, confirmaram os altos índices de mercúrio na espécie, apontando uma ameaça à saúde pública.
Um peixe sem mercado interno, mas com demanda externa
Um dos aspectos que tornam o debate mais complexo é que a piracatinga tem pouco valor comercial dentro do Brasil. A pressão pela pesca vem principalmente de fora: a demanda é proveniente sobretudo da Colômbia, onde, apesar de o consumo ser proibido, ele continua acontecendo. Mesmo com a proibição em vigor nos dois países, toneladas do bagre seguem sendo exportadas anualmente.
A regulamentação brasileira atual, baseada na Instrução Normativa Ibama nº 16/2015, veta pesca, retenção, desembarque, armazenamento, transporte, beneficiamento e comercialização da espécie, com multas que vão de R$ 700 a R$ 100 mil, além de apreensão de equipamentos e embarcações em caso de descumprimento.
O impasse que a Câmara discute agora
O governo federal já sinalizou que pretende manter a cautela. Ao prorrogar a moratória pela última vez, o Ministério da Agricultura e o Ministério do Meio Ambiente informaram que a proibição segue vigente até que existam dados científicos suficientes para autorizar uma pesca sustentável, aplicando o princípio da precaução quando as informações são insuficientes.
Portanto, é justamente esse equilíbrio entre a proteção de botos, jacarés e da saúde pública de um lado, e a subsistência de comunidades pesqueiras amazônicas do outro que a audiência pública desta quarta-feira busca discutir, ouvindo pescadores, especialistas e representantes do setor.
Um grupo de pescadores viveu uma experiência única, e quase inacreditável, ao capturar um jaú de 68 quilos durante uma pescaria esportiva no Rio Acre. As imagens do peixe gigante chamaram atenção pelo porte do animal, considerado um dos maiores peixes de água doce da América do Sul.
A pescaria reuniu Rose, Rojaiso, Márcio e Tiba. Para chegar ao local escolhido, eles percorreram aproximadamente quatro horas de canoa até uma praia às margens do Rio Acre, onde permaneceram por dois dias em busca de grandes exemplares.
Após retirar o peixe da água e registrar o momento em fotografias, os pescadores celebraram a conquista e destacaram a abundância de espécies encontrada na região.
“O Rio Acre é abençoado e temos fartura de peixes. Podemos dizer que não é história de pescador”, afirmou Tiba.
“Assim é a vida de quem vive da pesca e dos ribeirinhos deste rio, que possui muitas riquezas naturais” — (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Mesmo com o Rio Acre apresentando nível abaixo do normal em alguns trechos, o grupo afirmou que ainda existem pontos favoráveis para a prática da pesca esportiva.
O Rio Acre nasce no Peru, atravessa o estado do Acre e deságua no Rio Purus, um dos principais afluentes do Rio Amazonas.
Conheça o jaú
O jaú (Zungaro jahu) é uma das maiores espécies de peixes de água doce da América do Sul. Ele ocorre em importantes bacias hidrográficas, como as dos rios Amazonas, Paraná e Paraguai.
A espécie pode ultrapassar 1,5 metro de comprimento e alcançar mais de 100 quilos, sendo considerada um dos peixes mais cobiçados pelos praticantes da pesca esportiva devido ao tamanho e à força durante a captura.
Seu corpo robusto, a cabeça larga e a grande resistência fazem do jaú um verdadeiro símbolo dos grandes rios brasileiros.
Enquanto muitas seleções levaram apenas equipamentos esportivos para a Copa do Mundo, a Noruega chamou atenção ao incluir na bagagem cerca de 300 quilos de peixe, 116 quilos de queijo marrom e aproximadamente 6 mil laranjas.
A delegação está concentrada em Greensboro, na Carolina do Norte (EUA). E decidiu transportar alimentos já presentes na rotina dos jogadores para manter a alimentação durante toda a competição.
A estratégia ganha destaque justamente às vésperas do confronto contra o Brasil, marcado para este domingo (5), pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. A equipe norueguesa garantiu a classificação após vencer a Costa do Marfim por 2 a 1.
Por que a Noruega levou tanto peixe?
O pescado é um dos principais alimentos consumidos pelos atletas da seleção. Além disso, a Noruega é referência mundial na produção de salmão e uma das maiores exportadoras de frutos do mar do planeta.
Outro item levado para os Estados Unidos foi o brunost, tradicional queijo marrom norueguês produzido a partir do soro do leite, bastante consumido no café da manhã e nos lanches.
Brunost (queijo castanho) é um queijo norueguês produzido com soro de leite — Foto: Divulgação
As 6 mil laranjas também têm um destino definido: abastecer a produção diária de suco para jogadores e comissão técnica durante o período de concentração.
Alimentação faz parte da preparação
Segundo a comissão técnica, manter uma alimentação familiar ajuda a preservar o desempenho físico e o bem-estar dos atletas durante o torneio.
Para isso, três chefs acompanham a delegação e preparam quatro refeições diárias para mais de 60 pessoas. Com um cardápio que inclui peixe, frango, arroz, massas e batatas.
Agora, a estratégia nutricional será colocada à prova no duelo diante da Seleção Brasileira, que busca uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo.
Aos sete anos, Heloísa Maria Dantas de Souza voltou a entrar para a história da pesca esportiva brasileira ao superar o próprio recorde nacional na captura de dourados. A nova marca foi registrada durante uma pescaria em família no Rio Paraná.
A conquista aconteceu no Canal das Garças, nas proximidades de Porto Rico (PR), um dos destinos mais conhecidos do norte paranaense para a captura de dourados. Na ocasião, Heloísa fisgou um exemplar com 81 centímetros, ultrapassando sua marca anterior, de 74 centímetros.
Com o novo resultado, a pescadora conquistou mais uma homologação na categoria Absoluto Feminino Júnior da Brazilian Game Fish Association (BGFA), entidade responsável pelo registro oficial dos recordes de pesca esportiva no Brasil.
Pesca é herança de família
A história da família Dantas mostra como a pesca esportiva faz parte da rotina familiar. A atividade, que começou como lazer, acabou se tornando também uma profissão para os pais da menina. Desde os primeiros anos de vida, Heloísa acompanha as pescarias e aprende sobre os rios, as espécies de peixes e a importância da preservação ambiental.
A mãe da jovem, Layla Dantas, destaca que a convivência com a natureza sempre foi o principal objetivo das viagens em família.
“A nossa diversão sempre foi estar no rio. Nem sempre é sobre pescar, mas sobre viver aquele momento em contato com a natureza.”
Antes de Heloísa conquistar espaço entre os recordistas nacionais, o irmão dela também teve o nome registrado entre os destaques da pesca esportiva brasileira. Agora, ao superar a própria marca, a menina reforça sua posição como uma das principais promessas da modalidade.
Para que um recorde de pesca esportiva seja oficialmente reconhecido, a medição precisa cumprir critérios rigorosos. Todas as etapas devem ser registradas em vídeo, desde a retirada do peixe da água até a devolução ao rio. Além disso, a prática do pesque e solte é obrigatória, garantindo que o animal seja devolvido vivo ao seu habitat após a documentação.
Segundo Layla, a filha cresceu compreendendo que o verdadeiro valor da pesca está na experiência vivida e não na retirada dos peixes do ambiente natural.
Todo ano, o mês de junho reserva dois marcos que, à primeira vista, parecem distantes: os festejos juninos e o Dia do Pescador, celebrado em 29 de junho. A data homenageia São Pedro, o apóstolo pescador, e lembra que a pesca figura entre as atividades mais antigas da humanidade e permanece estratégica para a segurança alimentar do país.
Em 2026, o setor chega à data com números que animam e com questões que preocupam.
A Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR) divulgou recentemente um panorama deste primeiro semestre. O Anuário da entidade registra expansão do consumo interno de proteína de peixe – movimento que a Quaresma, entre março e abril, tradicionalmente impulsiona. No cenário externo, porém, persistem incertezas ligadas ao ambiente internacional e às disputas tarifárias, especialmente com os Estados Unidos.
Dois outros pontos concentram a atenção do setor. O primeiro envolve o tambaqui: a Portaria GM/MMA nº 1.667, publicada em abril, incluiu a espécie na categoria de risco, o que levanta dúvidas sobre os impactos produtivos e para a cadeia de comercialização. O segundo diz respeito à tilápia, alvo de discussões na Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) sobre sua eventual inclusão na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras – debate que ainda corre em Brasília sem desfecho definido.
A tilápia e sua trajetória de expansão
Nenhuma espécie domina a piscicultura brasileira como a tilápia. Segundo o Anuário da Peixe BR, ela responde por 70% de toda a produção nacional. Uma liderança construída ao longo de anos e sustentada por uma combinação singular: sabor, valor nutritivo, versatilidade na cozinha e facilidade de preparo.
Os números confirmam a preferência do consumidor brasileiro. Em 2015, o país consumiu 285 mil toneladas de tilápia. Em 2024, esse volume chegou a 662.230 toneladas – um crescimento de 132% em menos de uma década.
É justamente essa trajetória que torna o debate regulatório tão sensível. Qualquer restrição à criação ou à comercialização da espécie afetaria diretamente a maior fatia da produção aquícola do país.
Mais do que estatística
Os números e os desafios não apagam o que está nas celebrações do 29 de junho: a relação (sagrada) entre o trabalho, a água e o alimento que ela produz. No Dia do Pescador, vale lembrar que por trás de cada tonelada produzida existem comunidades e uma cultura econômica e alimentar que o Brasil construiu às margens dos seus rios, lagos e reservatórios.
Uma captura incomum movimentou a comunidade pesqueira de Mercedes, no Oeste do Paraná. O pescador mercedense Jango Silva fisgou um pintado com aproximadamente 18 quilos durante uma pescaria na região do Arroio Guaçu, área localizada às margens do Lago de Itaipu.
A ocorrência chamou a atenção de pescadores e moradores devido ao tamanho do exemplar. Além disso, o peixe é considerado um dos maiores da espécie registrados nos últimos anos no município.
O pintado está entre as espécies mais valorizadas na pesca esportiva e recreativa. Isso ocorre tanto pela resistência que oferece durante a captura quanto pelo porte expressivo que pode atingir em ambientes favoráveis.
Espécie está na lista nacional de espécies ameaçadas de extinção — Foto: GOV
Além da repercussão causada pelo feito, o episódio reforça a importância de Mercedes como referência para a atividade pesqueira na região. O município possui acesso privilegiado ao Lago de Itaipu e abriga uma ampla diversidade de espécies nativas.
No entanto, registros de peixes desse porte não são comuns, nem mesmo no berço da pescaria. Assim, a captura realizada por Jango Silva evidencia a riqueza pesqueira existente no reservatório.
O Lago de Itaipu, considerado um dos maiores lagos artificiais do mundo, desempenha papel estratégico para a pesca esportiva e para o turismo ligado ao setor no Oeste do Paraná.
A piscicultura brasileira alcançou um marco histórico ao superar, pela primeira vez, a produção de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo. O volume representa um crescimento de 60% em relação a dez anos atrás e consolida a atividade como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio nacional.
Além do avanço produtivo, o setor movimenta atualmente cerca de R$ 12,5 bilhões e gera aproximadamente 500 mil empregos diretos em todo o país. O crescimento foi impulsionado principalmente pela tilápia, espécie que respondeu por 707 mil toneladas produzidas no último ano, registrando expansão de 84%.
A evolução da atividade pode ser observada na trajetória do produtor Martinho Colpani Filho, de Mococa (SP). No fim dos anos 1980, sua família decidiu trocar culturas tradicionais pela criação de peixes, em uma época em que a atividade ainda era vista com desconfiança.
“Na cidade, a gente era motivo de piada por criar peixe. Diziam que nunca ia dar dinheiro porque tinha peixe de graça no rio”, recorda.
Com o passar dos anos, a piscicultura ganhou escala e profissionalização. Atualmente, além da tilápia, produtores investem em espécies como o panga, peixe originário do Vietnã que vem ampliando espaço no mercado brasileiro.
Tilápia lidera crescimento do setor
Segundo Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, a transformação da cadeia produtiva ocorreu em pouco mais de uma década.
“Há 12 anos, a tilápia não passava de 12% da produção de peixes. Hoje, 70% é tilápia, com tendência de chegar a 82% em 2030”, afirma.
A tilápia é a grande responsável pelo forte crescimento da piscicultura nacional — Foto: Aires Mariga/Epagri
O avanço foi impulsionado principalmente pelas cooperativas do Paraná, que adaptaram para a piscicultura o modelo de integração já consolidado na avicultura. Empresas como Copacol e C.Vale investiram em genética, produção de alevinos, fabricação de ração, assistência técnica e processamento industrial.
A Copacol, por exemplo, trabalha com cerca de 300 produtores integrados e possui duas unidades frigoríficas capazes de processar 210 mil peixes por dia. Já a C.Vale opera o maior frigorífico de tilápia do país, em Palotina (PR), com capacidade de abate de 240 mil quilos diariamente.
Exportações e desafios internacionais
Além da demanda interna crescente, as exportações têm contribuído para o avanço da piscicultura brasileira. Em 2024, a receita das vendas externas de pescado aumentou 138%, enquanto o volume exportado cresceu 102%.
No entanto, o setor enfrentou dificuldades após a imposição de uma tarifa adicional de 50% pelos Estados Unidos sobre a tilápia brasileira. Como consequência, empresas exportadoras perderam participação no mercado americano e passaram a disputar espaço com novos fornecedores.
Tecnologia abre caminho para nova expansão
Para sustentar o avanço da produção, o setor aposta em pesquisa, inovação e melhoramento genético. Em Santa Catarina, a Epagri desenvolve estudos para aumentar o desempenho produtivo da tilápia, especialmente em regiões sujeitas a baixas temperaturas durante o inverno.
Ao longo de 12 anos de pesquisas, a instituição desenvolveu cinco gerações da espécie. Como resultado, o peso médio dos peixes passou de 700 gramas para 973 gramas, um ganho de 39%. Além disso, os avanços contribuíram para reduzir riscos sanitários e melhorar a rentabilidade dos produtores sem a necessidade de grandes ampliações na estrutura das propriedades.
Dessa forma, especialistas avaliam que a piscicultura brasileira ainda possui amplo espaço para crescer, impulsionada pela tecnologia, pela profissionalização da cadeia e pelo aumento do consumo de pescado no mercado nacional e internacional.
Nas águas tranquilas dos igarapés da Amazônia, um predador desenvolveu uma estratégia impressionante para caçar sem ser percebido. O peixe-folha (Monocirrhus polyacanthus) utiliza uma camuflagem extremamente eficiente, assumindo a aparência de uma folha morta para se aproximar de suas presas.
Como ele se disfarça
O segredo está na anatomia. O corpo achatado apresenta formas, linhas e tonalidades que reproduzem com precisão a aparência de uma folha em decomposição caída na água.
Além disso, pequenas expansões na pele lembram o pecíolo das folhas, reforçando ainda mais o disfarce. A coloração marrom também varia conforme as características do ambiente, enquanto os movimentos lentos acompanham a correnteza, simulando o deslocamento natural da vegetação.
Peixe permanece praticamente invisível para outros organismos — Foto: Reprodução/Blog do Pescador
A principal tática do peixe-folha é a caça por emboscada. Na maior parte do tempo, ele permanece imóvel ou se movimenta lentamente, reproduzindo o comportamento de uma folha sendo carregada pela água.
Quando um pequeno peixe, camarão ou outro organismo se aproxima sem perceber o perigo, o predador entra em ação. Com movimentos discretos das nadadeiras, ele ajusta sua posição e aguarda o momento ideal para atacar.
Então ocorre o golpe final: sua mandíbula protrátil se expande rapidamente, criando um poderoso efeito de sucção capaz de engolir a presa inteira em apenas alguns milissegundos.
Camuflagem também ajuda na sobrevivência
O mimetismo não serve apenas para capturar alimento, mas também como mecanismo de defesa.
Ao se confundir com folhas acumuladas no fundo dos rios, o peixe-folha reduz significativamente as chances de ser identificado por possíveis predadores. Por isso, a adaptação garante vantagens tanto na obtenção de alimento quanto na própria sobrevivência.
Entre os principais benefícios dessa estratégia estão:
Economia de energia, já que não precisa perseguir suas presas;
Menor exposição a predadores presentes no ambiente;
Alta eficiência na captura de alimento graças ao fator surpresa.
Conservação dos igarapés é fundamental para a espécie
A sobrevivência do peixe-folha depende diretamente da preservação dos igarapés e da vegetação que abastece esses ambientes com folhas e matéria orgânica.
Alterações na cobertura vegetal podem reduzir a disponibilidade dos micro-habitats utilizados pela espécie, comprometendo sua capacidade de caça e proteção.