Tag: pecuária leiteira

  • Saiba por que o leite pode ficar mais caro nos próximos meses

    Saiba por que o leite pode ficar mais caro nos próximos meses

    O preço do leite pode enfrentar novas pressões nos próximos meses devido a um problema que começa longe das prateleiras dos supermercados. Um alerta emitido pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) aponta para o risco de escassez de fosfato bicálcico, matéria-prima essencial na fabricação de suplementos minerais utilizados na alimentação bovina.

    Embora pouco conhecido pelo consumidor, esse insumo desempenha papel fundamental na nutrição dos rebanhos.

    O que o sal mineral tem a ver com o preço do leite?

    A resposta está na produtividade das vacas. A maior parte das pastagens brasileiras apresenta deficiência natural de nutrientes importantes, como fósforo, cálcio, zinco, cobre e enxofre.

    Para compensar essa limitação, os produtores utilizam suplementos minerais que ajudam a manter o desempenho dos animais. Quando a suplementação é inadequada, podem ocorrer quedas na produção de leite, piora dos índices reprodutivos e aumento da vulnerabilidade a doenças.

    Além disso, a nutrição correta influencia diretamente a eficiência produtiva dos rebanhos leiteiros.

    Sal mineral no cocho durante as águas auxilia a bater as metas de produtividade — Foto: João Costa Jr

    Escassez e alta de preços preocupam o setor

    Segundo a Famato, o risco de desabastecimento está ligado à combinação de fatores como a baixa produção nacional, a forte dependência de importações e as restrições de oferta em mercados internacionais.

    Ao mesmo tempo, produtores já enfrentam aumentos nos preços dos suplementos minerais utilizados na alimentação animal. Caso a oferta continue pressionada, o mercado espera novos reajustes.

    Impacto pode chegar ao consumidor

    Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o problema não afeta apenas o produtor rural.

    “Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho. Quando esses produtos ficam caros ou, pior, começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural e pode chegar às prateleiras dos supermercados”, afirmou.

    Além do risco de aumento nos custos das fazendas, uma eventual redução na eficiência produtiva dos rebanhos pode pressionar a oferta de leite, contribuindo para novas altas ao consumidor.

    Dependência externa

    O episódio também evidencia a dependência brasileira de insumos estratégicos importados. Segundo a Famato, a escassez reforça a necessidade de ampliar a produção nacional de matérias-primas utilizadas na agricultura e na pecuária.

    Entre as medidas defendidas pela entidade estão a redução temporária das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre, além da agilização dos processos alfandegários e da busca por novos fornecedores internacionais.

    Embora ainda não exista confirmação de desabastecimento generalizado, o setor acompanha o cenário com atenção. Para especialistas, garantir o fornecimento de insumos essenciais à nutrição animal é uma condição indispensável para manter a competitividade da pecuária brasileira e evitar pressões adicionais sobre os preços do leite.

  • Fazenda paulista quebra tradição de 12 anos e lidera produção de leite no país

    Fazenda paulista quebra tradição de 12 anos e lidera produção de leite no país

    A pecuária leiteira brasileira vive um momento de transformação. Após permanecer por 12 anos consecutivos na liderança nacional, a Fazenda Colorado, localizada em Araras (SP), perdeu a primeira posição do principal ranking do setor. Agora, a liderança pertence à Fazenda São José, de Tapiratiba (SP), conforme aponta o Levantamento Top 100 2026, elaborado pela MilkPoint em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite).

    Por mais de uma década, a Fazenda Colorado se consolidou como maior produtora de leite do país

    Além da mudança no topo da lista, o levantamento registra um marco inédito para a atividade leiteira nacional. Pela primeira vez desde a criação do ranking, as duas propriedades mais bem colocadas ultrapassaram a média anual de 100 mil litros de leite comercializados por dia.

    Produção das maiores fazendas segue em expansão

    Os dados também demonstram que a produção continua avançando entre os principais produtores do país. Em 2025, as 100 maiores fazendas comercializaram 1,29 bilhão de litros de leite, resultado que representa crescimento de 8% em comparação ao levantamento anterior.

    Além disso, a produção média diária das propriedades alcançou 35.392 litros, registrando avanço de 8,7%. Dessa forma, o desempenho das maiores fazendas superou o ritmo observado na cadeia leiteira nacional.

    Segundo estimativas da equipe MilkPoint Mercado, a produção formal de leite apresentou crescimento de 107,4% no último ano. Já a produção total avançou aproximadamente 81,2% no mesmo período.

    Quando a análise considera a primeira edição do ranking, realizada em 2001, a evolução se torna ainda mais expressiva. Ao longo desses anos, a produção das propriedades integrantes do levantamento aumentou 444%.

    Minas Gerais mantém protagonismo nacional

    Mesmo com a troca de liderança entre as fazendas, Minas Gerais continua como o principal estado produtor entre os integrantes do ranking. Atualmente, o estado reúne 39 propriedades entre as 100 maiores do país.

    Na sequência aparecem o Paraná, com 23 fazendas, e São Paulo, com 12 propriedades.

    Por outro lado, o destaque paranaense é ainda mais evidente quando a análise ocorre em nível municipal. Carambeí voltou a liderar o ranking nacional de municípios, com oito propriedades entre as maiores produtoras do Brasil. Com isso, superou Castro, que aparece com sete fazendas na lista.

    Além disso, as propriedades localizadas em Carambeí responderam sozinhas por 9% de todo o volume produzido pelos participantes do Top 100.

    Regionalmente, o Sudeste permanece concentrando a maior parcela da produção, representando 53,3% do volume total registrado pelo levantamento. Entretanto, o Centro-Oeste foi a região que apresentou o maior crescimento, avançando 16% em relação ao ano anterior.

    Confinamento ganha espaço e produtividade cresce

    O levantamento também mostra mudanças importantes nos sistemas produtivos adotados pelas maiores fazendas leiteiras do país.

    Em 2025, 85 das 100 propriedades do ranking operavam em regime de confinamento total. Cinco anos antes, esse número era de 70 fazendas, evidenciando a crescente adoção desse modelo de produção.

    Além disso, a raça holandesa segue predominante no setor, estando presente em 82% das propriedades listadas. Em segundo lugar aparece o girolando, resultado do cruzamento entre as raças gir e holandesa, representando 14% das fazendas.

    Apesar da liderança do Sudeste em volume produzido, a maior produtividade por animal foi observada na região Sul. A média alcançou 40,47 litros por vaca ao dia, superando a média nacional do ranking, que ficou em 36,31 litros por vaca diariamente.

    Rentabilidade menor não reduz investimentos

    Os números mostram ainda que o custo médio de produção nas maiores fazendas brasileiras atingiu R$ 2,31 por litro de leite em 2025.

    Em contrapartida, essas propriedades receberam aproximadamente R$ 2,77 por litro comercializado, valor 23% superior ao obtido pelos produtores de menor escala.

    No entanto, nem todos os indicadores foram positivos. Cerca de 48% dos entrevistados relataram piora na rentabilidade em comparação com 2024.

    Ainda assim, o cenário não diminuiu o interesse pela expansão dos negócios. Entre os produtores consultados, 91% afirmaram que pretendem aumentar a produção nos próximos três anos. Além disso, dentro desse grupo, 19% projetam elevar o volume produzido em mais de 50%, demonstrando confiança no futuro da atividade leiteira brasileira.

  • Risco de falta de sal mineral preocupa pecuaristas brasileiros

    Risco de falta de sal mineral preocupa pecuaristas brasileiros

    A pecuária brasileira pode enfrentar um novo desafio nos próximos meses. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) alertou para o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico, matéria-prima essencial na fabricação de suplementos minerais utilizados na alimentação bovina.

    Segundo a entidade, a possível escassez pode comprometer a oferta de sal mineral, insumo indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário dos rebanhos. O alerta é especialmente relevante para Mato Grosso, estado que possui o maior rebanho bovino do país e é um dos principais polos de produção de carne do mundo.

    Insumo é fundamental para a produtividade

    A suplementação mineral desempenha papel estratégico na pecuária brasileira. Isso porque grande parte das pastagens apresenta deficiência natural de nutrientes como fósforo, cálcio, zinco, cobre e enxofre.

    A falta desses minerais pode provocar:

    • Redução do ganho de peso;
    • Queda nas taxas de prenhez;
    • Menor desenvolvimento dos bezerros;
    • Redução da produção de leite;
    • Perda de eficiência alimentar;
    • Maior vulnerabilidade a doenças.

    Por isso, especialistas consideram a suplementação um investimento essencial para a produtividade dos rebanhos.

    Dependência externa preocupa o setor

    De acordo com a Famato, o risco de escassez resulta da combinação de fatores como a produção nacional insuficiente, a dependência de importações, restrições na oferta internacional e impactos de conflitos geopolíticos sobre as cadeias de suprimento.

    A suplementação mineral é um dos pilares da pecuária moderna

    Além disso, alguns países fornecedores têm priorizado seus mercados internos, reduzindo a disponibilidade de insumos para exportação.

    O cenário reacende uma preocupação antiga do agronegócio brasileiro: a forte dependência externa para matérias-primas consideradas estratégicas para a agricultura e a pecuária.

    Alta dos preços já afeta produtores

    Mesmo antes de um eventual desabastecimento, pecuaristas já enfrentam aumento nos custos dos suplementos minerais e concentrados utilizados na alimentação animal.

    A expectativa do mercado é de novos reajustes caso a oferta continue pressionada. O impacto tende a ser maior em sistemas intensivos e semi-intensivos, além de propriedades leiteiras que dependem de suplementação constante para manter os índices produtivos.

    Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, a situação exige atenção imediata.

    “Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho. Quando esses produtos ficam caros ou, pior, começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural e pode chegar às prateleiras dos supermercados”, afirmou.

    Já o vice-presidente da entidade e coordenador da Comissão de Pecuária de Corte, Amarildo Merotti, destaca que a preocupação ocorre em um momento de múltiplas pressões sobre o setor.

    “O pecuarista está sendo pressionado pela alta dos insumos, pelo risco de falta de produto, pela preocupação com vacinas contra clostridioses e pela queda nos preços pagos pela indústria. Essa combinação preocupa muito”, ressaltou.

    Bezerros também podem consumir sal mineral – Foto: Nelore Kaka

    Medidas defendidas pelo setor

    Diante do cenário, a Famato defende ações emergenciais para ampliar a disponibilidade dos insumos e reduzir custos ao produtor.

    Entre as propostas estão:

    • Redução temporária das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre;
    • Diminuição da carga tributária sobre sal branco e ureia destinados à nutrição animal;
    • Agilização dos processos alfandegários;
    • Ampliação das relações comerciais com países fornecedores, como a Bolívia.

    Impactos podem chegar ao consumidor

    Caso o abastecimento seja comprometido, os reflexos podem atingir toda a cadeia pecuária.

    Entre os principais efeitos esperados estão o aumento dos custos de produção, menor eficiência dos sistemas pecuários, redução do ganho de peso dos animais e pressão sobre a rentabilidade dos produtores.

    Além disso, o setor avalia que a escassez pode gerar impactos nos preços da carne bovina e do leite ao consumidor.

    Para a Famato, o episódio reforça a necessidade de fortalecer a produção nacional de insumos estratégicos e acelerar iniciativas previstas no Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050, que busca reduzir a dependência externa e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro.

  • Tecnologia no campo impulsiona salto milionário na pecuária leiteira brasileira

    Tecnologia no campo impulsiona salto milionário na pecuária leiteira brasileira

    A Cowmed, empresa brasileira especializada em monitoramento animal e tecnologia para pecuária leiteira, projeta um crescimento de 65% no faturamento em 2026. O avanço deve ocorrer devido ao aumento da procura por soluções de inteligência artificial e ferramentas de gestão voltadas ao agronegócio.

    A expectativa da companhia é encerrar o próximo ano com receita próxima de R$ 30 milhões, valor superior aos cerca de R$ 18 milhões registrados anteriormente.

    Segundo a Cowmed, o crescimento acompanha a modernização das fazendas leiteiras e o avanço da tecnologia no campo. Além disso, a empresa acredita que ainda existe uma ampla margem para expansão no setor.

    Atualmente, cerca de 90% da expansão esperada deve vir do mercado brasileiro. Enquanto isso, os outros 10% devem ser impulsionados pelas operações internacionais já iniciadas em países como Paraguai, México e Uruguai.

    Tecnologia ganha espaço nas fazendas

    O setor leiteiro tem incorporado cada vez mais ferramentas de automação, análise de dados e monitoramento em tempo real. Antes restritas às grandes propriedades, essas soluções agora chegam também aos pequenos e médios produtores.

    Além disso, cooperativas e indústrias passaram a exigir mais controle de qualidade, rastreabilidade e eficiência produtiva. Por isso, o uso de tecnologia deixou de ser apenas diferencial e passou a ocupar um papel estratégico dentro das fazendas.

    A principal solução da Cowmed é uma coleira inteligente equipada com sensores. O dispositivo acompanha o comportamento das vacas em tempo real e envia as informações para um sistema baseado em inteligência artificial.

    Vacas leiteiras monitoradas com a coleira IA — (Foto: Divulgação/Cowmed)

    Segundo Thiago Martins, CEO da empresa, a tecnologia monitora alimentação, ruminação, repouso, atividade física, ofegância e sinais de estresse térmico.

    Além disso, o sistema identifica comportamentos ligados ao cio, um dos principais indicadores reprodutivos dos animais. Dessa forma, o produtor consegue melhorar a eficiência do rebanho e reduzir perdas operacionais.

    Após a coleta, os dados seguem para a nuvem e passam pelo processamento da plataforma de inteligência artificial chamada Vic, desenvolvida pela própria companhia.

    “A plataforma interpreta os dados e emite recomendações operacionais aos produtores, incluindo alertas de saúde, identificação de doenças, gestão de reprodução e otimização de manejo nutricional”, afirmou Martins.

    Atualmente, a Cowmed monitora cerca de 100 mil animais. No entanto, a meta da empresa é alcançar 1 milhão de vacas monitoradas nos próximos cinco anos.

    Modelo por assinatura impulsiona adesão

    Outro fator que favorece o crescimento da tecnologia no campo é o modelo de contratação mais acessível. Em vez de exigir altos investimentos iniciais, a Cowmed oferece o serviço por assinatura mensal.

    Hoje, o custo varia entre R$ 22 e R$ 23 por animal monitorado. Segundo a empresa, esse valor representa entre 1% e 1,5% da receita mensal do produtor.

    Por outro lado, os ganhos podem chegar a até 4% de aumento no faturamento ao longo do tempo. A melhora ocorre devido ao avanço da produtividade, à redução da mortalidade e ao aumento da eficiência reprodutiva.

    A IA interpreta individualmente o comportamento de cada vaca e envia notificações pelo celular sempre que identifica variações bruscas — (Foto: Divulgação/Cowmed)

    Além disso, o monitoramento contínuo ajuda os produtores a anteciparem problemas de saúde nos animais. Assim, o manejo se torna mais eficiente e as perdas diminuem.

    Expansão internacional mira o Paraguai

    A Cowmed também acelera seus planos fora do Brasil. A empresa pretende instalar 5 mil coleiras inteligentes em rebanhos leiteiros do Paraguai até o fim de 2026.

    A iniciativa faz parte de uma parceria com a Rural Makro, uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do país.

    Segundo dados da Associação Rural do Paraguai (ARP), o mercado paraguaio possui mais de 12 milhões de cabeças de gado. Dessa maneira, a companhia enxerga grande potencial para expandir suas soluções de inteligência artificial aplicadas ao agronegócio.

    A avaliação da empresa é que o Paraguai ainda apresenta baixa adoção de ferramentas de monitoramento contínuo no campo. Por isso, a expectativa é ampliar rapidamente a presença da tecnologia entre os produtores locais.

    Além disso, a companhia acredita que as soluções podem ajudar fazendeiros a anteciparem diagnósticos, reduzirem perdas e otimizarem ciclos reprodutivos.

    “O desafio não é só levar tecnologia, mas garantir que ela se pague no campo. Em mercados como o paraguaio, a adoção vem quando o produtor enxerga retorno claro, e isso exige consistência de dados e usabilidade”, destacou Martins.

  • Búfala Catarina se torna fenômeno nas redes sociais

    Búfala Catarina se torna fenômeno nas redes sociais

    Felipe Rezende enfrenta diariamente uma pergunta inusitada dos amigos: “búfalos são de outro planeta?” A dúvida, que pode parecer absurda para quem trabalha com bubalinocultura, revela o desconhecimento geral sobre esses animais. O produtor rural decidiu mudar esse cenário e transformou a Fazenda Cantão em um fenômeno digital.

    Foto: Arquivo Pessoal

    Com menos de 900 publicações no feed, o perfil @fazendacantao ultrapassou 200 mil seguidores no Instagram. O número cresce rapidamente – apenas algumas horas após comemorar a marca, a página ganhou outros 11 mil inscritos.

    Rezende dedica o conteúdo a mostrar o dia a dia da propriedade em Piumhi, interior de Minas Gerais. O criador foca especialmente na docilidade e no comportamento afetuoso dos búfalos, características que surpreendem quem nunca teve contato com a espécie.

    “Comecei a perceber que poderia mostrar às pessoas aquilo que vivi na prática. Gravei minhas rotinas na fazenda, principalmente com os búfalos. A receptividade foi crescendo, passei a dar nomes aos animais, e a galera começou a reagir e interagir. Isso tomou grandes proporções”, explica o produtor.

    Catarina: a búfala blogueira que rouba a cena

    A estrela absoluta dos perfis é Catarina, uma búfala que possui centenas de quilos e carisma de sobra. A “blogueirinha” ganhou perfil próprio no Instagram (@bufalacatarina) e encanta seguidores com poses diferentes em cada publicação.

    “No topo da lista está a Catarina, que desperta um amor realmente muito grande. Ela foi pioneira nessa história toda. Quando bezerra, ficou doente e quase morreu. Cuidei dela e desenvolvemos uma conexão muito forte. As pessoas percebem isso. A Catarina é uma búfala diferenciada”, conta Rezende.

    https://www.instagram.com/p/Cl9SGREptJQ/

    Cada postagem da “atriz” mostra a diversão e o respeito com que os animais vivem na propriedade. O conteúdo atrai especialmente pessoas que nunca entraram em uma fazenda onde o bem-estar animal é prioridade.

    Da pecuária tradicional à bubalinocultura leiteira

    Felipe Rezende e o pai decidiram abandonar a criação de vacas holandesas para investir na produção leiteira com búfalos. Hoje, o produtor integra a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) e reconhece sua influência na cadeia produtiva.

    “Acredito que influencio a cadeia leiteira, principalmente nas boas práticas de manejo e nos bons tratos aos animais”, pondera.

    O receio inicial do próprio Rezende quanto ao tamanho e à aparência dos búfalos motivou sua atuação digital. Ao perceber que outras pessoas compartilhavam os mesmos preconceitos, o criador viu a oportunidade de educar o público sobre a espécie.

    Conteúdo para todas as idades conquista internet

    Os perfis da Fazenda Cantão e da búfala Catarina oferecem conteúdo adequado para todas as idades. A descrição do perfil da propriedade traz um alerta bem-humorado: “Cuidado! Você vai se apaixonar por búfalos”.

    A estratégia de mostrar a realidade da bubalinocultura com leveza e autenticidade transforma seguidores em admiradores da espécie. O trabalho de Rezende prova que desmistificar preconceitos e promover boas práticas de manejo pode gerar engajamento genuíno nas redes sociais.

  • Custos da pecuária leiteira sobem 3% em 2025

    Custos da pecuária leiteira sobem 3% em 2025

    Os custos para produzir leite no Brasil tiveram uma alta de 3,0% em 2025, desempenho que ficou abaixo da inflação oficial medida pelo IPCA (4,3%). O Índice de Custo de Produção de Leite (ICPLeite), da Embrapa, apontou que a estabilidade nos preços da alimentação do rebanho (tanto a produzida na fazenda quanto a comprada) foi o principal fator para conter a inflação do setor.

    Por outro lado, os gastos com mão de obra, energia elétrica e combustíveis subiram três vezes mais que a média total do custo de produção ao longo do ano.

    No último mês do ano, o custo médio teve uma leve variação de 0,2%. Dois grupos puxaram essa alta: Alimentação Comprada (Concentrados), que subiu 1,6% influenciada pelo caroço de algodão e polpa cítrica, e Sanidade e Reprodução (remédios, sêmen), com alta de 0,6%.

    O cenário positivo ficou por conta de três grupos que registraram queda em dezembro. Energia e Combustível recuou 1,8%, mesmo percentual de baixa do grupo Volumosos. Qualidade do Leite também teve uma leve retração de 0,2%.

    Análise do ano: altas expressivas em itens específicos

    Ao analisar o acumulado de todo o ano de 2025, o ICPLeite/Embrapa destacou as altas mais significativas em componentes específicos do custo:

    • Minerais: +17,1%
    • Energia e Combustível: +7,2%
    • Qualidade do Leite: +7,0%
    • Mão de Obra: +6,3%
    • Sanidade e Reprodução: +4,3%
    Variação acumulada por grupos de custos de produção, de
    jan/25 a dez/25, em %

    Novamente, o grupo Concentrado (com alta de 2,9%) e, principalmente, os Volumosos (com uma queda de 4,2% no ano), atuaram como freios para a inflação total.

    A trajetória dos custos de produção de leite em 2025 se mostrou estável. A inflação anual iniciou o ano em 3,0% e oscilou dentro de uma faixa considerada controlada, entre 2,3% e 4,0%, em todos os meses. Isso indica que, na perspectiva dos custos, o ano não trouxe variações bruscas ou surpresas significativas para os produtores de leite.

    ICPLeite/Embrapa. Variação de custos de produção entre dez/24 e dez/25, em
    números-índices, dez/24=100
  • Tecnologia genética eleva produtividade da agricultura familiar em Mato Grosso

    Tecnologia genética eleva produtividade da agricultura familiar em Mato Grosso

    A aplicação de tecnologias de melhoramento genético vem modernizando a pecuária leiteira e impulsionando a agricultura familiar em Mato Grosso. O uso de sêmen de alta qualidade, transferência de embriões e acompanhamento técnico especializado tem permitido que pequenos produtores aumentem a produtividade dos rebanhos, reduzam custos e tornem a atividade mais sustentável.

    De 2020 a 2025, foram distribuídas 36.297 doses de sêmen, entre convencional e sexado, de raças como Holandês, Jersey, Girolando e Gir Leiteiro. As ações beneficiaram produtores de 60 municípios conectados a cooperativas e associações, promovendo o uso de genética superior e assistência continuada. O investimento total em sêmen, embriões e prenhes somou R$ 10,5 milhões, consolidando um salto de qualidade na cadeia leiteira familiar.

    Evolução técnica e mudança de mentalidade

    Segundo técnicos envolvidos no programa de melhoramento genético, os produtores passaram por uma importante mudança de mentalidade. O leite deixou de ser apenas uma fonte complementar de renda para se tornar uma atividade estruturada e competitiva, com potencial real de crescimento econômico e geração de oportunidades no campo.

    “Hoje, o produtor entende que investir em genética vale mais do que manter animais de baixa produção. As vacas conseguem produzir até quatro vezes mais leite, com melhor aproveitamento e menor custo por litro”, explica a médica-veterinária Vânia Ângela Kohl, coordenadora da iniciativa.

    Médica veterinária Vânia Ângela Kohl. Foto: Assessoria Seaf

    O Projeto de Melhoramento Genético por Transferência de Embriões, iniciado em 2020, registrou 4.378 prenhes sexadas de fêmeas em 34 municípios, beneficiando 925 produtores. O modelo de cooperação com associações e prefeituras prevê contrapartidas locais, que ampliam o alcance das ações e fortalecem o compromisso das comunidades rurais com a pecuária de precisão.

    Novilhas prenhes e biotecnologia consolidam nova fase da pecuária

    Outra frente de avanços foi o fornecimento de novilhas Girolando meio-sangue entre 2022 e 2024, com 324 animais entregues a 177 produtores em seis municípios, como Colniza, Terra Nova do Norte e Alta Floresta. Cada beneficiado recebeu duas novilhas e acompanhamento técnico obrigatório durante um ano, assegurando retorno produtivo e qualidade genética no plantel.

    A ampliação do programa segue garantindo o fornecimento de novilhas e suporte técnico nos próximos anos, reforçando a adoção de biotecnologia reprodutiva como ferramenta essencial para a sustentabilidade da cadeia leiteira.

    “O melhoramento genético é uma política estruturante que reduz custos, aumenta produtividade e garante a permanência das famílias no campo”, avalia Vânia Kohl.

    Casos que inspiram outras propriedades

    Os resultados no campo comprovam os avanços da pecuária familiar em Mato Grosso. Em Pontes e Lacerda, o produtor Marcus Aurélio, do Sítio Recanto, viu sua média de produção saltar de 3 para 16 litros de leite por vaca/dia após investir em inseminação com genética aprimorada.

    “Hoje consigo manter minha família no campo e viver do leite com rentabilidade”, relata o produtor.

    Já em Vera, o casal Sidnei e Luzia multiplicou a produtividade após aderir à transferência de embriões. Com a tecnologia, a fazenda Santa Helena passou a produzir 178 litros diários, ante uma média anterior de 20 litros.

    Foto: Assessoria Seaf

    “Uma vaca que produzia 31 litros agora chega a 35 litros por dia. O impacto é visível na fazenda e na renda da família”, conta Luzia.

    O sucesso dessas experiências demonstra que a modernização genética e o acesso à tecnologia estão redefinindo a pecuária leiteira. E transformando pequenas propriedades em empreendimentos sustentáveis e competitivos.

  • Como reduzir o consumo de água na produção de leite

    Como reduzir o consumo de água na produção de leite

    Quando você toma um copo de leite no café da manhã, provavelmente não imagina que aqueles 200ml carregam uma história bem mais complexa. Por trás de cada litro produzido, existe um consumo de água que pode variar de 299 a 1.058 litros. Uma diferença que assusta e, ao mesmo tempo, mostra o potencial de melhoria no setor.

    Pesquisadores brasileiros e alemães mergulharam fundo nessa questão. Eles analisaram 67 fazendas leiteiras em Lajeado Tacongava, no nordeste gaúcho, e fizeram algo impressionante: testaram 192 combinações diferentes de práticas e cenários climáticos para cada propriedade. O resultado? Um mapa detalhado que mostra exatamente onde os produtores podem economizar água.

    O que realmente consome água na produção leiteira

    A pegada hídrica na pecuária leiteira funciona como uma contabilidade invisível. Julio Palhares, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste que participou do estudo, explica que esse conceito vai muito além da água que o animal bebe. “Temos que considerar a água usada diretamente na fazenda e também aquela consumida indiretamente no cultivo dos alimentos para o gado”, destaca.

    Os cientistas dividiram essa conta em três categorias. A água verde — que vem da chuva e evapora durante o crescimento das plantas — representa impressionantes 98,8% do total em sistemas de pastagem. Depois vem a água azul, retirada de rios e poços, usada pelos animais e na limpeza. Por fim, a água cinza, que seria necessária para diluir os poluentes dos efluentes.

    Boas práticas que fazem diferença real

    As propriedades analisadas mostraram realidades bem distintas. Entre as 57 fazendas de pastagem, sete semi-confinadas e três confinadas, os números revelaram que o sistema de produção sozinho não define a eficiência. Uma fazenda a pasto pode ter pegada menor que uma confinada, dependendo de como é gerenciada.

    “Independentemente do modelo de produção, se gerenciado corretamente, ele pode ser ambientalmente amigável em relação à água”, afirma Palhares. Essa frase resume bem a descoberta central: não existe vilão, existe gestão ruim.

    As combinações mais eficientes envolveram aumentos de 25% na produtividade de milho e soja — os principais alimentos do rebanho. Reduzir o consumo de água na lavagem da sala de ordenha também trouxe resultados significativos. Um litro a mais de leite por vaca ao dia já impacta positivamente os números. E o tratamento adequado dos efluentes reduziu drasticamente a pegada cinza.

    O fantasma do aquecimento global

    Mas tem um problema crescendo no horizonte. O estudo publicado na Science of The Total Environment mostra que as mudanças climáticas estão jogando contra os produtores. Temperaturas 1,5°C a 2,5°C mais altas fazem as vacas beberem mais água e prejudicam a produtividade do milho.

    Foto: Gisele Rosso/Embrapa

    “A cada ano, fica mais limitado aumentar os rendimentos das culturas devido aos efeitos das mudanças climáticas”, alerta o pesquisador. É uma corrida contra o tempo onde os produtores precisam melhorar a eficiência enquanto o clima trabalha na direção oposta.

    A pegada hídrica azul deve aumentar entre 1% e 2% por causa do aquecimento global. Parece pouco, mas em uma atividade que já consome centenas de litros por quilo de leite, cada percentual conta.

    Soluções de curto prazo existem

    A boa notícia é que tem solução à vista. Aumentar os rendimentos de milho e soja seria a ação mais rápida para melhorar a eficiência hídrica. Como a água verde domina a conta (mais de 98% do total), qualquer ganho nas lavouras se reflete diretamente na pegada do leite.

    Outras medidas também ajudam: otimizar o tamanho do rebanho, selecionar animais com melhor conversão alimentar, usar água de forma inteligente na limpeza das instalações. São mudanças práticas que muitos produtores já podem implementar.

    O tratamento de efluentes merece atenção especial. “É crucial porque garante uma menor carga poluente, reduzindo a pegada hídrica cinza”, explica Palhares. Mesmo representando apenas 0,07% a 0,11% do total, essa fração pode crescer se mal gerenciada.

    Conexão com os objetivos globais

    Esse trabalho científico não acontece no vácuo. As medidas para reduzir a pegada hídrica nas fazendas conectam diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para 2030. O ODS 2 fala de práticas agropecuárias resilientes. O ODS 12 trata de consumo e produção responsáveis. E o ODS 13 busca combater as mudanças climáticas.

    São metas ambiciosas, mas os dados das 67 fazendas gaúchas mostram que o setor leiteiro pode contribuir significativamente. A variação de até 72% entre a menor e maior pegada hídrica (de 299 a 1.058 litros por quilo) demonstra o tamanho da oportunidade.

    O que vem pela frente

    O estudo seguiu as diretrizes do Manual de Avaliação da Pegada Hídrica e representa 81,7% das fazendas da bacia hidrográfica analisada — uma amostra robusta que permite extrapolar conclusões. Os pesquisadores geraram dados sobre eficiência hídrica que podem orientar políticas públicas e decisões de manejo.

    Para os produtores, a mensagem é clara: eficiência hídrica não é luxo, é necessidade. Com o clima mudando e a pressão por sustentabilidade aumentando, quem não se adaptar vai ficar para trás. As ferramentas existem, o conhecimento está disponível. Falta colocar em prática.

    A pegada hídrica média de 704 litros de água por quilo de leite pode parecer alta, mas os casos de sucesso mostram que dá para chegar nos 299 litros. É questão de combinar as práticas certas com gestão competente. E talvez, num futuro próximo, aquele copo de leite do café da manhã carregue uma história bem mais sustentável.

  • Conheça a maior fazenda produtora de leite do Brasil

    Conheça a maior fazenda produtora de leite do Brasil

    No coração do interior paulista, na cidade de Araras, está localizada a maior fazenda produtora de leite do Brasil. A Fazenda Colorado conquistou o primeiro lugar no Ranking TOP 100 2025 da MilkPoint, produzindo impressionantes 36,2 milhões de litros de leite por ano, com uma média diária de 98 mil litros.

    A propriedade, que conta com mais de 2 mil vacas holandesas, representa um marco na pecuária leiteira nacional. Segundo dados do levantamento, a produção atual é 61% superior ao volume registrado quando a fazenda alcançou a liderança pela primeira vez, demonstrando o crescimento exponencial do setor.

    Três estados dominam o top 10

    O estado de São Paulo abriga a maior fazenda leiteira do país, mas Minas tem mais cidades entre as 10, que é completada com três fazendas do Paraná.

    1º lugar: Fazenda Colorado – Araras, São Paulo (SP)

    Produção média diária: 98.921 litros

    2º lugar: Melkstad Agropecuária – Carambeí, Paraná (PR)

    Produção média diária: 94.782 litros

    3º lugar: Orostrato Olavo Silva Barbosa/Espólio – Itirapina, São Paulo (SP)

    Produção média diária: 92.722 litros

    4º lugar: Sekita Agronegócio – São Gotardo, Minas Gerais (MG)

    Produção média diária: 80.935 litros

    5º lugar: Júlio André Oliveira – Tiros, Minas Gerais (MG)

    Produção média diária: 71.148 litros

    6º lugar: Agrindus – Descalvado, São Paulo (SP)

    Produção média diária: 63.383 litros

    7º lugar: Albertus Frederick Wolters – Castro, Paraná (PR)

    Produção média diária: 62.649 litros

    Foto: Divulgação – Portal Gov.br

    8º lugar: José Henrique Pereira – Três Corações, Minas Gerais (MG)

    Produção média diária: 62.649 litros

     

    9º lugar: Fazenda Reunidas ACP, Filhos e Netos – Carmo do Rio Claro, Minas Gerais (MG)

    Produção média diária: 58.127 litros

    10º lugar: Marcos EPP – Agropecuária Régia – Palmeira, Paraná (PR)

    Produção média diária: 57.647 litros

    Crescimento e perspectivas do setor

    José de Carvalho, gerente de pecuária da Fazenda Colorado, destaca a importância dos últimos anos para o crescimento do setor. “Vejo como fundamental a construção de políticas e programas que incentivem a organização da cadeia produtiva como um todo, sempre em parceria com a Secretaria da Agricultura, órgãos públicos e entidades do setor”, afirma.

    A produção de leite no Brasil alcançou cerca de 25,38 bilhões de litros em 2024, representando um crescimento de 3,1% em relação ao ano anterior, de acordo com dados oficiais do IBGE e da MilkPoint. Esse volume faz de 2024 o segundo maior ano da série histórica da produção nacional formal de leite.

    Minas Gerais permanece como o maior estado produtor, seguido por Paraná e Santa Catarina, com a região Sul respondendo por 40,6% da captação do leite formal no país, enquanto o Sudeste responde por 36,2%. A atividade leiteira está presente em 98% dos municípios brasileiros, mostrando a importância econômica e social dessa cadeia produtiva.

    O Brasil se consolida como o terceiro maior produtor mundial de leite, com um mercado interno forte e crescente, sustentado por mais de 1 milhão de propriedades produtoras de leite que empregam aproximadamente 4 milhões de pessoas. A crescente adoção de tecnologia e melhorias na gestão são apontadas como fatores essenciais para a continuidade do crescimento sustentável do setor até 2030.

    Esses dados ressaltam a relevância do setor leiteiro para a economia brasileira e o papel crucial na geração de renda, empregos e na oferta de alimentos essenciais para a população.

     

  • Mulheres do agro inovam e transformam a cadeia do leite

    Mulheres do agro inovam e transformam a cadeia do leite

    Um passo firme no campo, outro na gestão moderna e um olhar atento ao futuro: assim caminha o protagonismo feminino na produção de leite no Brasil. Em um cenário de alta capilaridade – presente em 98% dos municípios do país – o setor lácteo ganha cada vez mais força com a atuação de mulheres que aliam tecnologia, sustentabilidade e impacto social em suas propriedades.

    Três exemplos dessa transformação são Alessandra Barth, Lisiane Rocha Czech e Maria Lúcia Bessa, premiadas no Prêmio Mulheres do Agro, iniciativa da Bayer em parceria com a ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio). Cada uma, em sua realidade, rompeu barreiras e tornou sua fazenda um modelo de equilíbrio entre produtividade e responsabilidade ambiental.

    Gestão, tecnologia e bem-estar animal

    Alessandra Barth, 3º lugar na categoria Pequena Propriedade do Prêmio Mulheres do Agro de 2023 – Foto: Arquivo Pessoal

    Ex-professora, Alessandra Barth assumiu o Sítio São Jorge, em Ipiranga (PR), em 2021. Terceira colocada na categoria pequena propriedade em 2023, ela implantou um modelo de gestão baseada em dados, com software zootécnico e financeiro, inseminação artificial e uso de colares inteligentes para monitoramento do rebanho. A fazenda também adota energia solar e reaproveitamento de dejetos como adubo, resultando em economia de até 90% nas contas de energia.

    Além da eficiência, o bem-estar animal é prioridade. “Uma vaca que não está bem e não está confortável, não produz”, resume Alessandra. O reconhecimento do prêmio, segundo ela, mostrou que o caminho da inovação e da sensibilidade pode – e deve – caminhar junto no campo.

    Lisiane Rocha Czech, 3º lugar na categoria grande propriedade do Prêmio Mulheres do Agro 2024, faz palestra para produtoras do Paraná e da Alemanha – Foto: Arquivo Pessoal

    Na categoria grande propriedade, quem brilhou foi Lisiane Rocha Czech, da Fazendinha Sofia, em Teixeira Soares (PR). Desde 1992 à frente do negócio, ela modernizou a propriedade de 182 hectares, que hoje abriga 402 animais de alto rendimento. A adoção de energia fotovoltaica, plantio direto, logística reversa e manejo sustentável consolidou sua posição como referência.

    Para Lisiane, o prêmio abriu novas possibilidades de troca de experiências. Em março, ela reuniu mais de 200 mulheres em um dia de campo, inclusive produtoras rurais vindas da Alemanha. “A atividade leiteira é intensa, cheia de detalhes. E é isso que me motiva: os desafios constantes”, afirma.

    Modelo de agricultura regenerativa no Centro-Oeste

    Maria Lúcia Bessa – 2º lugar na categoria média propriedade do Prêmio Mulheres do Agro 2024 – Foto: Arquivo Pessoal

    Na categoria média propriedade, a 2ª colocação foi para Maria Lúcia Bessa, da Fazenda São Tomaz, em Rio Verde (GO). Autodidata, ela transformou a fazenda em um laboratório vivo de agricultura regenerativa, com recuperação de nascentes, pastagem rotacionada e uso de energia solar. A propriedade alia produtividade com redução do impacto ambiental. “Equilibrar inovação com respeito ao meio ambiente é o que guia nosso trabalho”, afirma.

    Nestlé fortalece apoio às mulheres do agro

    Para 2025, o Prêmio Mulheres do Agro conta com uma nova apoiadora institucional: a Nestlé Brasil. A empresa já investe no protagonismo feminino com o programa Força da Moça, além de promover práticas sustentáveis no leite por meio do Nature por Ninho. A parceria com a premiação visa ampliar a participação de mulheres no setor e fortalecer pilares ESG (ambiental, social e de governança).

    “Acreditamos que fortalecer o papel da mulher no campo é essencial para o avanço do agronegócio”, afirma Bárbara Sollero, Head de Agricultura Regenerativa da Nestlé. Priscila Araújo, da Bayer, complementa: “Unimos forças por um futuro mais equitativo e sustentável”.

    As inscrições para a edição de 2025 estão abertas até 31 de julho, no site oficial do prêmio.

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