Tag: pecuária leiteira

  • Aquisição de leite cresce no Brasil e chega a 6,61 bilhões de litros

    Aquisição de leite cresce no Brasil e chega a 6,61 bilhões de litros

    A aquisição de leite cru por estabelecimentos que operam sob algum tipo de inspeção sanitária chegou a 6,61 bilhões de litros no segundo trimestre de 2026.

    O volume representa uma alta de 1% em relação ao mesmo período de 2025, segundo os primeiros resultados das Pesquisas Trimestrais da Produção Animal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A pesquisa considera estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária federal, estadual ou municipal.

    Apesar do crescimento na comparação anual, o resultado foi menor do que o observado nos três primeiros meses deste ano.

    Aquisição de leite recua frente ao primeiro trimestre

    Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, a aquisição de leite apresentou queda de 2,5%.

    Nos primeiros três meses do ano, o IBGE havia registrado aquisição de aproximadamente 6,78 bilhões de litros de leite cru por estabelecimentos inspecionados.

    A diferença entre as duas comparações é importante: enquanto o setor apresentou crescimento em relação ao segundo trimestre do ano passado, houve redução na passagem de um trimestre para o outro.

    Os números fazem parte das pesquisas do IBGE sobre abate de animais, leite, couro e produção de ovos de galinha, que acompanham trimestralmente alguns dos principais segmentos da produção pecuária brasileira.

    Produção de ovos chega a 1,25 bilhão de dúzias

    A produção de ovos de galinha também apresentou crescimento no segundo trimestre de 2026.

    Segundo o IBGE, foram produzidas 1,25 bilhão de dúzias de ovos no período. O resultado corresponde a uma alta de 0,3% em relação ao segundo trimestre de 2025.

    Na comparação com os três primeiros meses de 2026, o crescimento foi mais expressivo, de 2,6%.

    No primeiro trimestre, a produção havia alcançado cerca de 1,21 bilhão de dúzias, segundo os dados divulgados anteriormente pelo instituto.

    Os resultados são preliminares e integram o acompanhamento trimestral realizado pelo IBGE sobre a atividade pecuária brasileira.

  • Agroleite ganha cobertura 4G permanente em parque tecnológico

    Agroleite ganha cobertura 4G permanente em parque tecnológico

    Os visitantes da 26ª edição do Agroleite passaram a contar com cobertura 4G no Parque Tecnológico Agroleite, em Castro (PR). A nova torre de telefonia móvel entrou em operação antes da abertura da feira e permanecerá instalada de forma permanente. A estrutura beneficia produtores rurais, cooperados, expositores, moradores da região e o público que frequenta o espaço ao longo do ano.

    A implantação da infraestrutura atende uma demanda antiga do parque, que não dispunha de cobertura de telefonia móvel para os visitantes. Segundo os responsáveis pelo projeto, o sinal alcança aproximadamente 15 quilômetros. O relevo plano da região contribui para a área de cobertura e amplia o acesso aos serviços de comunicação e internet móvel.

    A iniciativa contou com apoio do programa de incentivo do Governo do Paraná, que permite a utilização de créditos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em investimentos estruturantes. A TIM foi a empresa responsável pela implantação da torre.

    Estrutura atenderá o parque durante todo o ano

    Além de melhorar a comunicação durante o Agroleite, a nova torre permanecerá em funcionamento após o encerramento da feira. Dessa forma, produtores, empresas instaladas no parque e comunidades vizinhas continuarão utilizando a estrutura.

    Segundo o gerente de Tecnologia e Informação da Castrolanda, Emerson Zanoti Rosa, o projeto surgiu para solucionar um problema antigo relacionado à conectividade.

    “Tínhamos o desafio de garantir conectividade para o Parque Tecnológico Agroleite e seus visitantes. Em conjunto com a UniTI, o Governo do Estado e a Prefeitura, conseguimos viabilizar um modelo que atenderá o parque durante todo o ano. Essa torre representa um ganho importante para o Agroleite, para os produtores, para a comunidade e para toda a região.”

    O diretor executivo da UniTI, Alfredo Kugeratski, afirmou que a iniciativa representa um avanço para a infraestrutura regional. Segundo ele, a Castrolanda foi a primeira cooperativa paranaense integrante da entidade a implantar uma torre pública de telefonia.

    Para o presidente da Castrolanda, Willem Berend Bouwman, o investimento amplia as possibilidades de comunicação para produtores rurais e moradores do entorno do parque.

    Já o gerente do Parque Tecnológico Agroleite, Gustavo Viganó, destacou que o espaço reúne empresas, instituições e iniciativas voltadas ao desenvolvimento do agronegócio. Segundo ele, a nova estrutura fortalece o parque como ambiente de inovação e geração de conhecimento.

    Feira segue até sexta-feira em Castro

    O Agroleite 2026 começou na segunda-feira (3) e segue até sexta-feira (7), em Castro, nos Campos Gerais do Paraná. Considerado um dos principais eventos da cadeia leiteira da América Latina, o encontro reúne produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores e profissionais do setor para apresentar tecnologias, equipamentos, pesquisas e soluções voltadas à produção de leite.

    Ao longo da programação, os participantes acompanham demonstrações de tecnologias, palestras técnicas, exposição de máquinas e equipamentos, além de atividades voltadas à inovação e ao desenvolvimento da pecuária leiteira.

    A edição deste ano reúne 125 empresas patrocinadoras. Além da exposição de produtos e serviços, o evento busca estimular a troca de conhecimento e a realização de negócios entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva.

    O Agroleite é promovido pela Cooperativa Castrolanda e tem entrada gratuita. A programação acontece no Parque Tecnológico Agroleite e no Parque Dario Macedo, em Castro (PR), até o dia 7 de agosto.

  • Agroleite 2026 espera movimentar R$ 500 milhões no Paraná

    Agroleite 2026 espera movimentar R$ 500 milhões no Paraná

    A Agroleite 2026 começa nesta segunda-feira (3), em Castro (PR), com expectativa de movimentar cerca de R$ 500 milhões em negócios ao longo dos cinco dias de programação. Promovida pela Cooperativa Castrolanda, a feira reúne empresas, produtores, pesquisadores e especialistas para apresentar tecnologias, inovações e tendências voltadas à pecuária leiteira.

    A previsão para esta edição é mais conservadora do que a registrada no ano passado. Em 2025, o evento alcançou um recorde histórico de R$ 969 milhões em negócios, resultado que praticamente dobrou a expectativa inicial da organização.

    Cenário econômico leva produtores a buscar mais conhecimento

    Segundo o presidente da Castrolanda, Willem Bouwman, o momento vivido pelo agronegócio e pela cadeia do leite exige cautela por parte dos produtores.

    De acordo com ele, a prioridade neste ano deve ser a busca por conhecimento, inovação e novas tecnologias, enquanto os investimentos nas propriedades tendem a ocorrer de forma mais moderada.

    “Acreditamos que o momento, para o produtor, é mais de busca de novos conhecimentos, informação e tecnologias do que de investimentos nas propriedades.”

    Entre os fatores que pressionam a atividade, Bouwman destaca a redução das margens do produtor, a entrada de leite em pó importado no mercado brasileiro, as elevadas taxas de juros e o aumento dos custos de produção, incluindo fertilizantes, sementes e óleo diesel.

    Segundo o dirigente, esses fatores tornam os investimentos mais desafiadores para a pecuária leiteira e para outras atividades agropecuárias.

    Feira espera receber 170 mil visitantes

    Mesmo diante do cenário econômico, a Agroleite deve registrar crescimento em sua estrutura.

    A organização prevê a participação de aproximadamente 400 empresas expositoras, cerca de 600 animais e um público estimado de 170 mil visitantes.

    Castrolanda investe R$ 11 milhões na expansão do parque tecnológico

    Para a edição deste ano, a Castrolanda investiu aproximadamente R$ 11 milhões na ampliação do Parque Tecnológico Agroleite.

    Os recursos foram destinados à construção de novos espaços para empresas parceiras, expansão da Arena Conexão, melhorias na infraestrutura e nos serviços oferecidos aos visitantes.

    As obras fazem parte de um projeto mais amplo, que prevê investimentos de cerca de R$ 100 milhões, realizados em parceria com instituições públicas e privadas. Entre os projetos estão a criação de um Centro de Excelência de Bovinocultura de Leite e de um Laboratório de Biotecnologia de Leite.

    A proposta é transformar o parque em um ambiente permanente de inovação, aproximando empresas, produtores, universidades e instituições ligadas à cadeia leiteira durante todo o ano.

    75 anos

    Em 2026, a Castrolanda comemora 75 anos de história com o tema “Movidos por um legado”.

    A cooperativa iniciou suas atividades na pecuária leiteira com animais puros de origem trazidos por imigrantes holandeses e, atualmente, atua nas cadeias de grãos, leite, carnes (suínos e ovinos) e batata.

    Com produção de aproximadamente 568,9 milhões de litros de leite em 2025, volume 6,1% superior ao registrado em 2024, a cooperativa reúne mais de 1.200 cooperados e possui unidades nos estados do Paraná, São Paulo e Tocantins.

    Serviço

    Agroleite 2026

    • Data: de 3 a 7 de agosto
    • Local: Parque Tecnológico Agroleite e Parque Dario Macedo, em Castro (PR)
    • Entrada: gratuita
    • Informações: agroleitecastrolanda.com.br
  • Preço do leite sobe 33% no primeiro semestre

    Preço do leite sobe 33% no primeiro semestre

    O preço do leite pago ao produtor voltou a subir em junho e acumulou alta de 33,1% no primeiro semestre de 2026. Levantamento do Cepea, da Esalq/USP, mostra que o valor médio chegou a R$ 2,7464 por litro na Média Brasil líquida.

    O preço avançou 3,02% em relação a maio. No entanto, ficou 0,86% abaixo do registrado em junho de 2025, considerando os valores corrigidos pelo IPCA de junho de 2026. Além disso, a média do primeiro semestre alcançou R$ 2,4659 por litro. Apesar da recuperação, esse valor permanece 14% inferior ao do mesmo período do ano passado.

    Segundo o Cepea, a valorização ocorreu porque o mercado de derivados permaneceu firme. Ao mesmo tempo, a captação de leite cresceu abaixo do esperado em algumas regiões. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) aumentou 2,76% entre maio e junho na Média Brasil. Entretanto, no acumulado de 2026, o indicador ainda registra queda de 11,4%.

    Custo Operacional Efetivo

    Enquanto isso, o Custo Operacional Efetivo (COE) permaneceu praticamente estável em junho. O índice avançou apenas 0,24% na Média Brasil. Esse resultado reflete a queda dos preços das matérias-primas usadas nas rações. Por outro lado, a maior demanda pelo produto contribuiu para limitar esse movimento. No acumulado do primeiro semestre, o COE registrou alta de 2,04%.

    Mercado de derivados

    No mercado de derivados, os preços da muçarela e do leite em pó ficaram praticamente estáveis em junho. Pesquisa do Cepea, com apoio da OCB, aponta altas de 0,08% e 0,38%, respectivamente. Com isso, a muçarela foi negociada, em média, a R$ 35,19 por quilo. Já o leite em pó atingiu R$ 31,89 por quilo.

    Por outro lado, o leite UHT registrou queda de 3,07% frente a maio. O preço médio ficou em R$ 4,53 por litro.

    Importações

    No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos recuaram 4,17% entre maio e junho. Segundo dados da Secex, o volume totalizou 216,76 milhões de litros em equivalente leite.

    Na comparação anual, porém, as compras externas cresceram 35,11%. Além disso, o volume importado no primeiro semestre ficou 14% acima do registrado no mesmo período de 2025.

    Para os próximos meses, o Cepea avalia que os estoques reduzidos e o avanço mais lento da captação mantêm elevada a concorrência pela matéria-prima. Por isso, a expectativa é de estabilidade com viés de alta nos preços. Ao mesmo tempo, o terceiro trimestre deve registrar aumento gradual da oferta de leite.

  • Vacas tokenizadas viram garantia para crédito rural na B3

    Vacas tokenizadas viram garantia para crédito rural na B3

    O agronegócio brasileiro deu um passo inédito ao transformar vacas leiteiras monitoradas em garantias digitais registradas oficialmente na B3, ampliando as possibilidades de acesso ao crédito rural. A primeira operação formal movimentou R$ 100 mil e foi estruturada pela fintech Target FIDC com tecnologia desenvolvida pela agtech brasileira Cowmed.

    Na prática, produtores podem utilizar animais monitorados como garantia em operações financeiras, reduzindo a necessidade de vistorias presenciais e aumentando a confiança das instituições de crédito.

    Como funciona a tokenização das vacas

    O sistema utiliza coleiras inteligentes e sensores instalados nos animais para coletar informações em tempo real sobre saúde, comportamento e localização do rebanho.

    Esses dados são convertidos em um código digital exclusivo para cada vaca, conhecido como token. Esse registro eletrônico acompanha o contrato de financiamento e é oficialmente registrado na B3, funcionando como uma garantia financeira do ativo biológico.

    Segundo Thiago Martins, CEO da Cowmed, a tecnologia permite que um bem físico seja integrado ao mercado financeiro de forma segura e compatível com as exigências de compliance das instituições.

    “Transformamos um ativo real em um ativo digital monitorado continuamente. Isso cria uma nova alternativa de garantia justamente em um momento de maior restrição ao crédito no agronegócio”, afirma.

    Tecnologia reduz riscos para bancos e instituições financeiras

    Um dos principais desafios para aceitar rebanhos como garantia sempre foi a dificuldade de acompanhar a localização e as condições dos animais.

    De acordo com Humberto Brenner, diretor da Target FIDC, essa falta de informações fazia com que bancos aplicassem grandes descontos sobre o valor do rebanho.

    Com o monitoramento em tempo real, o financiador consegue acompanhar a situação dos animais durante toda a vigência da operação, permitindo que a garantia seja avaliada mais próxima do seu valor de mercado.

    Segundo Brenner, uma vaca avaliada em R$ 20 mil poderia ser aceita anteriormente como garantia por apenas R$ 8 mil. Com a digitalização e o acompanhamento contínuo, essa diferença tende a diminuir.

    Produtor ganha maior acesso ao crédito rural

    A nova modalidade oferece vantagens diretas ao pecuarista, como maior valor de garantia usando o mesmo rebanho, acesso ao crédito facilitado, recursos com livre utilização e redução da burocracia nas operações financeiras.

    Dessa forma, os recursos podem ser utilizados para compra de máquinas, investimentos na fazenda, aquisição de insumos ou cobertura de despesas do ciclo produtivo.

    Sistema também reduz riscos de fraude

    Outro benefício apontado pelas empresas é a segurança jurídica da operação.

    Cada animal recebe um código digital exclusivo registrado na B3, impedindo que o mesmo rebanho seja utilizado simultaneamente como garantia em diferentes financiamentos.

    Além disso, caso algum animal morra durante o contrato, o produtor pode substituir rapidamente a garantia por outro integrante do rebanho.

    Segundo a Cowmed, as operações já são estruturadas com aproximadamente 20% de animais adicionais justamente para reduzir riscos biológicos e manter a segurança do financiamento.

    Mercado pode movimentar centenas de milhões de reais

    Atualmente, a Cowmed monitora cerca de 100 mil vacas leiteiras em mais de 1 mil propriedades rurais.

    O patrimônio estimado desses animais chega a aproximadamente R$ 2 bilhões.

    A expectativa da empresa é que cerca de 20% desse rebanho utilize a nova modalidade de crédito, o que representa um potencial de R$ 400 milhões em operações financeiras.

  • Novo software reduz consanguinidade e acelera ganho genético no Gir Leiteiro

    Novo software reduz consanguinidade e acelera ganho genético no Gir Leiteiro

    A pecuária leiteira brasileira ganhou um novo aliado tecnológico para equilibrar dois objetivos que, historicamente, competem entre si: acelerar o ganho genético e conter a consanguinidade dos rebanhos. A Embrapa Gado de Leite (MG) e a Associação Brasileira de Criadores de Gado Gir Leiteiro (ABCGIL) desenvolveram em parceria um sistema de simulação de acasalamentos que amplia a eficiência da seleção genética e monitora a endogamia na raça Gir Leiteiro.

    O pesquisador da Embrapa Gado de Leite João Cláudio Panetto descreve a ferramenta como um consultor digital para o produtor. O software cruza valores genéticos estimados e parentescos genômicos e indica, a partir desses dados, os acasalamentos mais produtivos e geneticamente seguros.

    Como a endogamia ameaça a produtividade do rebanho

    A endogamia surge como subproduto natural da seleção intensa, explica o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Marcos Barbosa da Silva. Quando o produtor utiliza repetidamente os touros líderes de sumários (catálogos técnicos que reúnem os resultados de avaliações genéticas de bovinos) para acelerar a produção de leite, a base genética da raça tende a estreitar. Esse processo abre espaço para a chamada depressão endogâmica, que produz o efeito inverso do desejado, segundo Silva.

    Foto: Rubens Neiva / Embrapa

    A depressão endogâmica reduz a fertilidade dos animais, diminui a persistência da lactação, encurta a longevidade das vacas e favorece o aparecimento de anomalias genéticas.

    O software identifica riscos antes da inseminação

    O novo sistema ataca esse problema na origem. Ao simular o acasalamento entre uma matriz e um touro do sumário, ou mesmo um touro que ainda não teve seus resultados publicados, o programa calcula instantaneamente o coeficiente de consanguinidade do futuro produto. Quando esse índice ultrapassa os limites biológicos recomendados, o sistema emite um alerta. E oferece ao produtor alternativas de reprodutores que mantêm o ganho genético sem comprometer a saúde do plantel.

    O Laboratório de Bioinformática e Genômica Animal (LBGA) da Embrapa Gado de Leite comanda o processamento dessa densa massa de dados. E transforma a ciência em recomendação prática para o campo. O avanço da genotipagem em larga escala multiplicou o volume de informações disponível por animal: de dezenas de dados de pedigree, os pesquisadores hoje analisam centenas de milhares de marcadores moleculares, os SNPs.

    O laboratório funciona como o motor analítico do programa. Ele processa algoritmos complexos que predizem valores genéticos no formato de PTA (Predicted Transmitting Ability, ou Habilidade Prevista de Transmissão). E calculam os parentescos genômicos entre todos os pares possíveis de touros e vacas, o que garante ao produtor um teto seguro para os acasalamentos.

    Quatro funções ampliam o controle sobre o rebanho

    A inteligência analítica estruturada pelo Laboratório de Bioinformática entrega soluções que vão além do controle de parentesco, segundo Panetto. O sistema reúne quatro funções principais:

    • Otimização pelo novo IPGL — o sistema calibra as sugestões com base no Índice de Produção do Gir Leiteiro (IPGL) reformulado, que equilibra volume de leite, sólidos (gordura e proteína) e precocidade sexual.
    • Filtro de doenças hereditárias — o programa testa todos os touros e libera apenas animais sem mutações recessivas para enfermidades fatais ou debilitantes, como DUMPS (Deficiência da Uridina Monofosfato Sintase), CVM (Doença do Complexo de Má Formação Vertebral) e BLAD (Deficiência de Adesão Leucocitária Bovina).
    • Segmentação para qualidade do leite — o produtor filtra reprodutores com base na genotipagem para as variantes de beta-caseína, que definem a produção de leite A2, e de kappa-caseína, ligada diretamente ao maior rendimento na fabricação de queijos.
    • Predição para Fertilização In Vitro (FIV) — o software incorpora estimativas genéticas voltadas para a eficiência reprodutiva das doadoras, na produção de óvulos, e atende assim a uma demanda central dos criadores que utilizam biotecnologias de reprodução assistida.

    A ferramenta consolida a transição para a bioeconomia digital

    O papel do Laboratório de Bioinformática e Genômica Animal reforça a transição da pesquisa agropecuária tradicional para a era da bioeconomia digital. Ao centralizar as análises no LBGA, a Embrapa garante que os modelos preditivos acompanhem a evolução demográfica da raça em tempo real.

    Foto: Rubens Neiva / Embrapa

    Para os criadores associados à ABCGIL, a tecnologia representa a democratização do melhoramento genético de precisão. O acesso rápido a relatórios de simulação reduz o erro na fazenda e diminui custos com descartes involuntários. Além de consolidar a competitividade do Gir Leiteiro nos mercados nacional e internacional.

    Consanguinidade descontrolada cobra um preço alto do produtor

    Silva alerta que a busca por acelerar o ganho genético pode criar uma armadilha invisível para o rebanho quando o produtor recorre repetidamente a poucos reprodutores de destaque. O acasalamento entre animais aparentados estreita a base genética e origina a depressão endogâmica, um fenômeno biológico que afeta diretamente o bolso do produtor.

    A consanguinidade sem controle produz quatro impactos principais:

    • Queda na produção e na persistência — níveis elevados de endogamia reduzem a produção total por lactação e a capacidade da vaca de manter o pico de produção por mais tempo.
    • Prejuízos reprodutivos — a taxa de abortos aumenta significativamente, cresce a incidência de natimortos, repetem-se as crias e atrasa a idade ao primeiro parto das novilhas.
    • Vulnerabilidade imunológica — animais com endogamia elevada tendem a apresentar um sistema imune mais frágil. Isso eleva a incidência de doenças comuns no manejo leiteiro, como a mastite.
    • Manifestação de defeitos genéticos — genes recessivos prejudiciais, que normalmente ficariam ocultos, passam a se encontrar. Esse cruzamento resulta no nascimento de bezerros com malformações ou síndromes metabólicas fatais.

    Os pesquisadores da Embrapa Gado de Leite recomendam manter o coeficiente de consanguinidade individual de cada animal abaixo de 6,25%. Acima desse patamar, as perdas zootécnicas e econômicas tendem a se tornar evidentes no dia a dia da propriedade.

    O modelo se expande para além do Gir Leiteiro

    O software gerido pela ABCGIL atende, por enquanto, exclusivamente o universo do Gir Leiteiro. Ainda assim, a inteligência científica desenvolvida pela Embrapa Gado de Leite já funciona como matriz tecnológica para toda a cadeia pecuária nacional, e o modelo de predição de endogamia e seleção molecular avança em duas frentes:

    1. Plataforma Genômica Multirracial — uma iniciativa inédita vai integrar os bancos de dados da ABCGIL (Gir Leiteiro), da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (ABCBRH). O produtor poderá simular e prever com precisão o resultado do cruzamento entre raças puras e sintéticas. E assim otimizar a formação do rebanho mestiço diretamente pelo sistema.
    2. Sistemas equivalentes no setor — o conceito de acasalamento dirigido por bioinformática já se replica nas principais entidades da pecuária. A Associação de Criadores da Raça Girolando mantém ferramentas dedicadas a monitorar a consanguinidade e fixar as frações de grau de sangue ideais (1/2, 3/4 e 5/8). A ABCBRH utiliza índices genômicos para gerenciar a diversidade genética de uma base com mais de 2 milhões de animais registrados. E a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) disponibiliza módulos de acasalamento que calculam a consanguinidade predita pelo pedigree, também para outras raças zebuínas de aptidão leiteira, como Guzerá e Sindi.

    A padronização dessas ferramentas de precisão pela Embrapa garante que, independentemente da raça escolhida, o produtor brasileiro tenha acesso a decisões baseadas em dados. E consiga mitigar prejuízos econômicos antes mesmo da inseminação ou da transferência de embrião.

  • Búfala Serena bate recorde mundial de produção de leite

    Búfala Serena bate recorde mundial de produção de leite

    A búfala Serena, criada em Piquete (SP), tornou-se a nova recordista mundial de produção de leite da espécie ao alcançar a marca de 40,250 quilos durante a Expass Agro 2026, realizada em Passos (MG).

    Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos (ABCB), o resultado supera o recorde anterior, registrado em 2024, e consolida o animal como referência na bubalinocultura brasileira.

    Recorde supera marca anterior

    Serena pertence ao criador Thiago Quirino Mansfeld e faz parte do plantel da Fazenda Búfalas da Mantiqueira.

    Curiosamente, o recorde anterior, de 39,820 quilos de leite, também era de uma búfala do mesmo criador, demonstrando a evolução genética do rebanho.

    Nascida em 27 de fevereiro de 2022, Serena foi selecionada para alcançar alto desempenho produtivo.

    Genética, nutrição e manejo fizeram a diferença

    De acordo com Thiago Quirino Mansfeld, o novo recorde é resultado da combinação entre genética, alimentação balanceada e manejo adequado.

    “Apostamos em um animal com potencial maior”, afirmou o criador, segundo informações divulgadas pela ABCB.

    Ele explica que outras búfalas participantes receberam alimentação semelhante e foram submetidas às mesmas condições de manejo, mas não alcançaram o mesmo desempenho produtivo.

    Melhoramento genético impulsiona produtividade

    Para o pecuarista, o resultado evidencia a importância do investimento contínuo em melhoramento genético aliado ao acompanhamento técnico da alimentação dos animais.

    “Temos um animal de alto potencial, uma dieta ajustada com acompanhamento dos zootecnistas e alimentos de primeira linha. A genética é a cereja do bolo”, destacou.

  • Preço do leite ao produtor fica estável em maio

    Preço do leite ao produtor fica estável em maio

    O preço do leite ao produtor ficou praticamente estável em maio de 2026. A pesquisa do Cepea, da Esalq/USP, apontou média de R$ 2,6617 por litro.

    O valor recuou 0,45% em relação a abril. Além disso, ficou 3,8% abaixo do registrado em maio de 2025, em termos reais. Os dados consideram valores deflacionados pelo IPCA de maio.

    Sudeste e Centro-Oeste sustentam preços do leite

    O mercado apresentou comportamentos distintos entre as principais regiões produtoras do país. No Sudeste e no Centro-Oeste, os preços seguiram em alta durante maio. Nessas regiões, a produção permaneceu limitada pela sazonalidade.

    Além disso, muitos produtores reduziram investimentos após as margens apertadas registradas em 2025. Como resultado, a oferta continuou restrita.

    Esse cenário manteve a concorrência entre os laticínios pela compra de leite cru. Assim, as negociações permaneceram aquecidas nessas bacias leiteiras. Por outro lado, o Sul registrou queda nos preços. O clima favorável, as boas pastagens de inverno e a rápida recuperação da produção aumentaram a oferta.

    O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) avançou 0,07% entre abril e maio na Média Brasil. No acumulado de 2026, porém, o indicador registra queda de 13,7%.

    Custo de produção recua pela primeira vez em 2026

    O Custo Operacional Efetivo (COE) apresentou, em maio, a primeira queda do ano. Segundo o Cepea, o indicador recuou 1,39% na Média Brasil frente ao mês anterior. Apesar da redução mensal, o custo ainda acumula alta de 1,80% em 2026. O aumento no ano reflete despesas maiores com nutrição, sanidade e operações mecanizadas.

    Derivados lácteos registram queda nos preços

    Levantamento do Cepea, com apoio da OCB, mostrou recuo nos preços do leite UHT em maio. O produto perdeu 7,56% de valor em comparação com abril. Enquanto isso, a muçarela e o leite em pó permaneceram praticamente estáveis.

    A muçarela avançou 0,12%. Já o leite em pó registrou alta de 0,13%. Na primeira quinzena de junho, o movimento de queda ganhou força entre os derivados lácteos.

    Importações de lácteos crescem em maio

    As importações brasileiras de lácteos aumentaram 3,58% em maio. O volume alcançou 226,21 milhões de litros equivalente-leite (EqL). Na comparação com maio de 2025, o crescimento foi de 28%.

    As exportações também avançaram no período. O volume embarcado cresceu 45,33% e totalizou 5,81 milhões de litros EqL. Mesmo assim, o resultado ficou 21,42% abaixo do registrado em maio do ano passado.

    Expectativa aponta diferenças entre regiões

    O Cepea projeta comportamentos distintos para o mercado do leite em junho. A expectativa indica continuidade da queda nos preços no Sul. Por outro lado, Sudeste e Centro-Oeste devem manter tendência de alta até alcançar maior estabilidade.

  • Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    A automação avança no campo e desperta cada vez mais interesse entre produtores de leite. De olho nesse movimento, o Sistema FAEP capacitou 16 instrutores do curso de Manejo e Ordenha para atuarem como multiplicadores de conhecimento sobre ordenha robotizada.

    O treinamento ocorreu nos municípios de Castro e Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, e reuniu atividades práticas e técnicas voltadas ao uso de robôs de ordenha nas propriedades rurais.

    Segundo a entidade, a iniciativa surgiu após o aumento da procura por informações sobre a adoção dessas tecnologias nas fazendas.

    “Os próprios produtores começaram a perguntar como funciona o robô, se seria possível implementar esse sistema na propriedade e o que precisariam entender para tomar essa decisão. Diante disso, atualizamos tecnicamente nosso quadro de instrutores para levar informação atualizada e baseada na realidade do campo”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.

    Como funciona a ordenha robotizada

    Nos sistemas automatizados, a vaca se dirige espontaneamente ao equipamento, atraída pela oferta de ração concentrada.

    O robô identifica o animal, realiza a higienização dos tetos, faz a ordenha e executa os procedimentos sanitários necessários.

    Após a operação, a vaca retorna normalmente para a alimentação ou para o descanso.

    Robôs de ordenha prometem revolucionar a pecuária leiteira — Foto: Embrapa

    Além da automação da ordenha, o sistema registra uma série de informações importantes para a gestão da propriedade.

    Entre os dados monitorados estão a produção individual do leite, frequência de ordenha, comportamento dos animais e indicadores de saúde do rebanho.

    Essas informações são disponibilizadas em tempo real para o produtor.

    Leia mais: Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Capacitação uniu teoria e prática

    Durante a formação, os instrutores visitaram centros de distribuição das empresas Lely e DeLaval para conhecer os diferentes modelos de robôs de ordenha disponíveis no mercado.

    O grupo também acompanhou o funcionamento da tecnologia em três propriedades rurais com diferentes níveis de produção.

    A proposta foi mostrar que a automação pode ser adotada em sistemas de diversos portes, desde fazendas menores até operações de maior escala.

    Tecnologia não substitui trabalhadores

    Um dos temas abordados durante a capacitação foi o impacto da automação sobre a mão de obra rural.

    Segundo Marta Liliane de Vasconcelos, técnica do Departamento de Desenvolvimento de Ofertas do Sistema FAEP, a tecnologia não elimina postos de trabalho, mas modifica a dinâmica das atividades dentro da propriedade.

    “O robô não vem para eliminar a mão de obra, mas para flexibilizar e qualificar o trabalho. O profissional que antes ficava exclusivamente na ordenha pode ser direcionado para outras atividades estratégicas dentro da propriedade, inclusive para acompanhamento dos dados gerados pelo sistema”, explica.

    Automação cresce na produção de leite

    O interesse pela ordenha robotizada tem aumentado à medida que os produtores buscam mais eficiência operacional, melhor gestão do rebanho e maior controle dos indicadores produtivos.

    Para Ricardo Biscaro, instrutor da regional de Pato Branco, a capacitação permitiu compreender na prática o funcionamento dos equipamentos e ampliar o conhecimento necessário para orientar os pecuaristas.

    Além dos ganhos de produtividade, a tecnologia também pode contribuir para melhorar a qualidade de vida no campo, oferecendo mais flexibilidade na rotina de trabalho das propriedades leiteiras.

  • Megaleite 2026 bate recordes de público, negócios e produtividade em Belo Horizonte

    Megaleite 2026 bate recordes de público, negócios e produtividade em Belo Horizonte

    A 21ª edição da Megaleite, Exposição Brasileira do Agronegócio do Leite, terminou com resultados históricos para a pecuária leiteira nacional. Realizado entre os dias 2 e 6 de junho, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG), o evento movimentou cerca de R$ 400 milhões, um crescimento de R$ 100 milhões em relação à edição anterior.

    Ao todo, aproximadamente 100 mil visitantes passaram pela feira, incluindo representantes de nove países: Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, França, México, Panamá e Portugal. A programação reuniu produtores, técnicos e investidores interessados em genética, inovação e gestão no setor leiteiro.

    Segundo Alexandre Lacerda, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, o desempenho da feira reflete o momento positivo da atividade. “A demanda por genética bovina leiteira está aquecida em 2026. Os leilões registraram crescimento e as empresas ampliaram negócios e prospecções. O produtor percebeu que investir em genética superior aumenta a rentabilidade”, afirmou.

    Acordos técnicos e inovação genética

    Entre os destaques institucionais, a Megaleite sediou a assinatura de um termo de cooperação técnica entre a Embrapa Gado de Leite e a Associação Girolando. O acordo marca o início de um projeto de edição gênica da raça, com foco em características como resistência ao calor, imunidade, longevidade e produtividade.

    Também foi firmado um acordo para o desenvolvimento de pesquisas com a raça Girolando na Fazenda Santa Mônica, da Embrapa. Outro lançamento relevante foi a nova edição do Sumário de Touros e Fêmeas Girolando, já disponível ao público.

    Recordes de produção e genética em destaque

    A edição de 2026 ficou marcada pela quebra de três recordes produtivos em torneios leiteiros oficiais. O principal destaque foi a vaca Jornada Montross FIV LPN (Girolando 1/2), que estabeleceu novo recorde mundial com produção total de 337,950 kg de leite e média de 112,650 kg/dia.

    Outro recorde foi registrado pela vaca Gemada FIV Feriado 1259 Mogiana (Girolando 1/4), com produção de 263,790 kg e média de 87,930 kg/dia. Já entre as vacas jovens 3/4, Singela Countdown 23072 Campos Lima atingiu 269,780 kg, com média de 89,927 kg/dia.

    Julgamentos e grandes campeãs

    A Megaleite também sediou a 35ª Exposição Nacional de Girolando, com transmissão online que alcançou público internacional. As grandes campeãs foram:

    • Girolando 1/4: 1172 Maravilha Iva da Querença
    • Girolando 1/2: Oricema FIV Crushabull 2817 RS do Rancho Alegre
    • Girolando 3/4: 5906 FIV Brass Ricanata
    • Girolando 5/8-PS: Kalola FIV Blaska Fazenda Campina Verde

    Projetos e capacitação no setor

    Durante o evento, foram lançados os programas Girolando Jovem e Girolando Mulher, com foco na sucessão familiar e no fortalecimento da participação feminina na pecuária leiteira.

    A programação incluiu ainda palestras, cursos técnicos e atividades voltadas à gestão, melhoramento genético, produção de derivados e bem-estar animal. Entre as atrações, o Festival do Queijo Artesanal de Minas reuniu produtores e promoveu a valorização dos produtos regionais.

    Ao final do evento, a organização anunciou que realizará a próxima edição da Megaleite entre 8 e 12 de junho de 2027, novamente em Belo Horizonte.