Tag: pecuária de corte

  • Sindi ganha espaço no Nordeste e impulsiona nova fase da pecuária no semiárido

    Sindi ganha espaço no Nordeste e impulsiona nova fase da pecuária no semiárido

    A pecuária nordestina vive uma transformação importante diante dos desafios climáticos da região. Em meio às longas estiagens e à escassez de pastagens, produtores passaram a investir em modelos mais eficientes e sustentáveis. Assim, a raça Sindi ganhou protagonismo e se consolidou como símbolo da nova pecuária do semiárido.

    Originária da região de Sindh, no atual Paquistão, a raça chegou ao Brasil no século passado e encontrou no Nordeste condições ideais para demonstrar sua rusticidade.

    Os primeiros exemplares da raça Sindi desembarcaram no Brasil há décadas e ajudaram a fortalecer a pecuária em regiões de clima mais seco — (Foto: Reprodução/ABF)

    Além disso, o avanço do Sindi acompanha a evolução técnica da pecuária regional. Com mais investimentos em genética, manejo nutricional e seleção de animais, produtores nordestinos passaram a conquistar maior valorização no mercado nacional.

    Rusticidade e eficiência elevam interesse pela raça

    Em tempos de mudanças climáticas e alta nos custos de produção, a rusticidade virou vantagem econômica. O Sindi se destaca justamente pela elevada tolerância ao calor, boa conversão alimentar e capacidade de aproveitar pastagens mais simples.

    Dessa forma, os produtores conseguem reduzir custos e manter a produtividade mesmo em ambientes mais severos. Outro diferencial importante é o porte moderado dos animais, que favorece a manutenção corporal durante períodos críticos de seca.

    Criadores apostam no Sindi para ampliar produtividade e sustentabilidade da pecuária — (Foto: Reprodução/ABF)

    Além disso, a raça apresenta boa fertilidade e precocidade sexual, fatores diretamente ligados à rentabilidade das fazendas. Não por acaso, especialistas consideram o Sindi uma das raças zebuínas mais promissoras para a pecuária tropical brasileira.

    Sindi fortalece pecuária moderna no semiárido

    Embora tenha forte presença na produção leiteira, o Sindi também vem ganhando espaço na pecuária de corte, principalmente em programas de cruzamento industrial e seleção genética.

    Ao mesmo tempo, o crescimento da raça acompanha uma mudança mais ampla no Nordeste, com produtores investindo cada vez mais em tecnologia, gestão e produtividade.

    Hoje, o Sindi representa muito mais do que resistência. A raça virou referência de eficiência produtiva no semiárido e deve ampliar ainda mais sua presença nos próximos anos, impulsionada pelo interesse crescente dos criadores e pelo fortalecimento dos programas de melhoramento genético.

  • Adeus picanha? Corte bovino mais barato conquista espaço entre brasileiros

    Adeus picanha? Corte bovino mais barato conquista espaço entre brasileiros

    O shoulder, corte bovino retirado da região da paleta, vem conquistando cada vez mais espaço no mercado de carnes nobres. Versátil, macio e com preço mais acessível, o corte passou a chamar atenção dos consumidores e já disputa preferência com a tradicional picanha nos churrascos brasileiros.

    Segundo Rossano Mendonça da Silva, proprietário da The Bife Boutique de Carnes Nobres, no Rio de Janeiro, o crescimento da procura está diretamente ligado ao custo-benefício e à qualidade da carne, dois fatores cada vez mais valorizados pelos clientes.

    Em entrevista ao Globo Rural, o empresário explicou que a diferença de preço pesa na decisão de compra. Atualmente, o quilo da picanha angus chega a custar R$ 179 no estabelecimento, enquanto o shoulder angus sai por cerca de R$ 104.

    “Nos últimos cinco anos, o shoulder se tornou uma das carnes mais procuradas justamente por ser um corte em alta. O consumidor consegue levar uma peça nobre pagando menos e ainda comprar maior quantidade. Além disso, o sabor chama muita atenção”, afirmou.

    Conhecido também como “raquete”, o shoulder pode ser encontrado tanto na versão sem capa de gordura, chamada de “red”, quanto com gordura preservada. A escolha costuma variar de acordo com a preferência de cada consumidor.

    Para Silva, o corte já ocupa parte do espaço antes dominado quase exclusivamente pela picanha. “São muitas qualidades reunidas em uma peça só. Por isso, ele vem ganhando destaque no churrasco”, destacou.

    Shoulder deixou de ser visto como “carne de segunda”

    O crescimento da popularidade do shoulder é relativamente recente e ganhou força após churrascarias e restaurantes começarem a incluir o corte nos cardápios.

    Durante muitos anos, o consumidor considerou essa carne um corte “de segunda”, assim como outras peças da parte dianteira do boi. Na época, as pessoas costumavam usar o corte principalmente em preparos de panela. Hoje, no entanto, o cenário mudou completamente, e o shoulder também ganhou espaço e valorização no churrasco.

    Rossano Mendonça defende que a antiga classificação entre carnes de primeira e de segunda perdeu sentido no mercado atual.

    “Se o animal é de qualidade, não faz sentido dizer que existe carne de segunda. O que muda são as características de cada corte. Alguns funcionam melhor para churrasco, outros para cozimento. E o shoulder mostrou que chegou para ficar”, explicou.

    O que influencia na maciez da carne?

    A maciez do shoulder depende de fatores como genética do animal e manejo adotado nas propriedades rurais.

    Segundo especialistas do setor, cortes de raças taurinas costumam apresentar gordura de maior qualidade e textura mais macia. Entre elas, o wagyu, de origem japonesa, aparece como um dos destaques devido ao alto nível de marmoreio.

    Já os animais zebuínos possuem características diferentes e, naturalmente, tendem a apresentar fibras menos macias quando comparados às raças taurinas.

  • Arroba do boi dispara e atinge maior valor desde 1997

    Arroba do boi dispara e atinge maior valor desde 1997

    O mercado pecuário brasileiro vive um momento decisivo. O preço do boi gordo atingiu o maior valor nominal da série histórica iniciada em 1997, segundo dados do Cepea, referência nacional em análises agropecuárias. Esse movimento, além de chamar a atenção dos produtores, também sinaliza mudanças importantes no ciclo da pecuária de corte.

    Recorde histórico e escalada recente dos preços

    O Indicador do boi gordo do Cepea superou patamares históricos ao longo de 2026. Em abril, a arroba já opera acima de R$ 360 em São Paulo, principal praça de referência do país.

    Além disso, os números mostram uma escalada consistente. No início de janeiro, a arroba estava próxima de R$ 318. Poucos meses depois, o valor avançou mais de R$ 40, evidenciando uma valorização expressiva no período.

    Esse movimento não ocorreu de forma isolada. Em fevereiro, o mercado já registrava forte alta mensal. Segundo dados recentes, a arroba chegou a R$ 325,80, com valorização de 7,92% apenas naquele mês.

    Virada do ciclo pecuário impulsiona valorização

    A alta do boi gordo está diretamente ligada à virada do ciclo pecuário. Após um período de maior abate de fêmeas, o mercado entra agora em uma fase de retenção de matrizes.

    Nesse sentido, a oferta de animais terminados diminui. Como resultado, os frigoríficos enfrentam dificuldade para compor escalas de abate, o que sustenta os preços em níveis elevados.

    Além disso, produtores mais capitalizados tendem a segurar os animais à espera de cotações melhores. Portanto, o mercado ganha ainda mais pressão de alta no curto prazo.

    Exportações aquecidas e demanda firme

    Ao mesmo tempo, a demanda internacional segue aquecida. A China continua como principal compradora da carne bovina brasileira, enquanto outros mercados ampliam participação.

    Assim, o cenário externo contribui diretamente para sustentar os preços domésticos. Mesmo quando há volatilidade cambial, o volume exportado ajuda a manter o equilíbrio entre oferta e demanda. Por outro lado, o consumo interno ainda enfrenta limitações devido ao poder de compra da população.

    Impactos diretos para o produtor rural

    Para o pecuarista, o cenário atual representa uma janela de rentabilidade relevante. Com preços mais altos, a margem tende a melhorar, principalmente para quem conseguiu reduzir custos ou travar insumos antecipadamente.

    Porém, nem todos os elos da cadeia se beneficiam igualmente. A reposição, especialmente de bezerros, também fica mais cara, o que pode pressionar sistemas de recria e engorda.

    Além disso, custos com nutrição, suplementação e confinamento seguem elevados. Dessa forma, a gestão eficiente continua sendo decisiva para capturar os ganhos desse ciclo.

    Reflexos na indústria e no consumidor

    Enquanto o produtor comemora, a indústria frigorífica enfrenta margens mais apertadas. O encarecimento da matéria-prima reduz a competitividade, sobretudo no mercado interno.

    Consequentemente, o preço da carne ao consumidor tende a subir. Esse movimento já aparece no atacado e pode ganhar força nos próximos meses.

    Ainda assim, o ritmo desse repasse depende do consumo doméstico. Se a demanda não reagir, parte da pressão pode ser absorvida pela indústria.

  • Você sabia? O Nelore está em quase todo o rebanho brasileiro

    Você sabia? O Nelore está em quase todo o rebanho brasileiro

    Quando se fala em pecuária no Brasil, um nome aparece com força absoluta: o Nelore.

    Responsável por cerca de 80% do rebanho de corte nacional, a raça não apenas domina o campo, como também se tornou um dos maiores símbolos do agronegócio brasileiro. Mas, afinal, o que explica esse protagonismo?

    Uma raça que veio de longe e conquistou o Brasil

    Apesar de parecer totalmente brasileira, o Nelore tem origem na Índia. Os primeiros animais chegaram ao país ainda no século XIX e, desde então, passaram por um intenso processo de adaptação.

    Ao longo das décadas, criadores investiram em seleção genética e manejo, o que permitiu que a raça se ajustasse perfeitamente às condições do Brasil. Hoje, portanto, o Nelore é considerado essencial para o crescimento da pecuária nacional.

    Resistência que faz a diferença no campo

    Um dos principais fatores por trás do sucesso do Nelore está na sua capacidade de adaptação. Em um país de clima predominantemente tropical, essa característica se torna decisiva.

    A raça apresenta alta resistência ao calor e, além disso, maior tolerância a parasitas. Ao mesmo tempo, consegue manter bom desempenho mesmo em pastagens mais simples. Por isso, o Nelore se destaca justamente em regiões onde outras raças enfrentariam mais dificuldades.

    Eficiência que se transforma em lucro

    Além de resistente, o Nelore também se mostra altamente produtivo. Como resultado, isso impacta diretamente no bolso do produtor.

    Com o avanço do melhoramento genético, os animais passaram a ganhar peso mais rapidamente e, ao mesmo tempo, apresentar melhor desempenho reprodutivo. Consequentemente, o ciclo até o abate se tornou mais curto.

    Na prática, isso significa maior eficiência dentro da fazenda e, portanto, mais rentabilidade ao longo do tempo.

    O domínio em números

    Os números ajudam a entender a dimensão dessa liderança. Atualmente, cerca de 80% do rebanho de corte brasileiro possui genética Nelore, enquanto o país soma mais de 200 milhões de cabeças de gado.

    Além disso, a raça está presente em praticamente todas as regiões. Por esse motivo, torna-se impossível falar de pecuária no Brasil sem mencionar o Nelore.

    Tecnologia que impulsionou a raça

    Outro ponto fundamental para o crescimento do Nelore foi o investimento em tecnologia. Nos últimos anos, a pecuária brasileira avançou significativamente nesse aspecto.

    Técnicas como inseminação artificial e fertilização in vitro passaram a ser amplamente utilizadas. Dessa forma, os produtores conseguiram melhorar o padrão dos animais com mais rapidez e precisão.

    Como consequência, a raça passou a unir resistência e produtividade em um nível ainda mais elevado, algo essencial para o agro moderno.

    Mais que uma raça, um símbolo do agro

    Com o passar do tempo, o Nelore deixou de ser apenas um tipo de gado. Na verdade, passou a representar o próprio avanço do agronegócio brasileiro.

    Atualmente, a raça marca presença em leilões milionários, fazendas de alto padrão e grandes eventos do setor. Além disso, costuma estar associada ao crescimento econômico no campo, o que reforça ainda mais sua importância.

    Por que o Nelore domina o Brasil?

    O domínio da raça não aconteceu por acaso. Pelo contrário, ele resulta de uma combinação de fatores que trabalham em conjunto.

    A adaptação ao clima tropical, por exemplo, garante eficiência em diferentes regiões. Ao mesmo tempo, o baixo custo de manejo facilita sua adoção em larga escala. Soma-se a isso a alta produtividade e o avanço constante da genética.

    Assim, ao longo dos anos, o Nelore se consolidou como a base da pecuária brasileira e um dos pilares do agronegócio nacional.

  • Mais produção, menos área: integração ganha espaço no campo

    Mais produção, menos área: integração ganha espaço no campo

    A Cargill Nutrição e Saúde Animal apresentou, nesta terça-feira (31), em Campinas (SP), cidade a aproximadamente 100 km da capital paulista, o Probeef ILP, nova formulação voltada a sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP). O produto chega ao mercado com a proposta de melhorar o desempenho nutricional de bovinos de corte em pastagens integradas, ampliando a eficiência produtiva por área e atendendo a uma demanda crescente por soluções sustentáveis no campo.

    O lançamento, exclusivo para imprensa especializada, ocorreu no Centro de Inovação da empresa e reuniu executivos e representantes do setor, em um momento que reforça o posicionamento estratégico da companhia no segmento de nutrição animal. Atualmente, essa área responde por cerca de 80% dos negócios da Cargill no Brasil, mercado considerado prioritário pela companhia devido ao potencial da pecuária nacional.

    Segundo o diretor de Negócios Probeef, Tiago Galafassi Zarpelon, o país reúne condições únicas para expansão da bovinocultura. “O Brasil está muito bem posicionado globalmente. A demanda por carne cresce, e temos capacidade de atender com eficiência e escala”, afirmou.

    Integração e tecnologia no centro da estratégia

    Desenvolvido especificamente para sistemas ILP, o Probeef ILP busca otimizar a absorção de nutrientes e o aproveitamento da fibra dos pastos, contribuindo para ganhos de produtividade tanto individuais quanto por área. A tecnologia também se insere em um contexto de expansão desses sistemas no país, que já ocupam milhões de hectares e permitem até três safras anuais na mesma área.

    De acordo com o gerente de Tecnologia para Gado de Corte, Felipe Bortolotto, a inovação parte de uma escuta ativa do campo. “Inovação é como um esporte coletivo, pautado no que o cliente precisa. Não existe uma solução única para a pecuária brasileira, que é diversa e desafiadora”, disse.

    Dados apresentados pela empresa indicam avanços significativos na eficiência da produção nas últimas décadas. Em cerca de 20 anos, o peso médio de abate aumentou em aproximadamente três arrobas, enquanto a idade dos animais caiu de forma relevante, refletindo ganhos em produtividade e manejo.

    Além do novo produto, a linha Probeef Pasto passa por ajustes nas formulações, com níveis otimizados de macro e microminerais, ampliando a cobertura para diferentes perfis de produtores, do pequeno ao altamente intensivo.

    Produtividade exige planejamento e gestão

    Para o pecuarista José Leandro Olivi Peres, da Fazenda Alegria, em Mato Grosso, a tecnologia só gera resultado quando alinhada a objetivos claros. “O produtor precisa saber onde quer chegar. Quando isso está definido, o técnico consegue entregar a solução certa, no momento certo”, afirmou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Ele destacou ainda que a busca por maior produtividade deve estar associada à sustentabilidade econômica da propriedade. “Eu queria aumentar a produção por área e agregar mais arrobas, desde que o negócio fosse sustentável”, disse.

    A empresa também aposta em ferramentas digitais para apoiar o produtor na tomada de decisão, incluindo softwares de gestão, monitoramento por imagens de satélite e tecnologias de ajuste nutricional. A proposta é integrar produtos, pessoas e plataformas, os chamados “três Ps”, como base da estratégia.

    Reorganização do portfólio e foco no mercado

    O lançamento do Probeef ILP faz parte de um movimento mais amplo de reorganização do portfólio da companhia. As marcas passam a ser segmentadas por cadeia produtiva, com foco em soluções completas para cada área.

    No segmento de bovinos de corte, a marca Probeef assume papel central, com a proposta de oferecer desde produtos até suporte técnico especializado. A estratégia também inclui a atualização da identidade visual, baseada no conceito de confiança, elemento considerado essencial na relação com o produtor.

    Segundo o diretor de Marketing e Tecnologia, Marcelo Dalmagro, o objetivo é contribuir para a evolução da pecuária brasileira. “Queremos ajudar o produtor a dar o próximo passo, independentemente do tamanho da operação”, afirmou.

    A expectativa da empresa é ampliar participação em um mercado ainda fragmentado, mas em crescimento contínuo, impulsionado pela demanda global por proteína animal. Nesse cenário, a integração entre lavoura e pecuária surge como caminho para aumentar a eficiência produtiva e atender às exigências ambientais e econômicas do setor.

  • Fábrica de ração própria: como um projeto bem dimensionado reduz custos e aumenta a produtividade na pecuária

    Fábrica de ração própria: como um projeto bem dimensionado reduz custos e aumenta a produtividade na pecuária

    Na criação de animais, grande parte das perdas operacionais não está na qualidade do manejo. Está na estrutura adotada. Em especial, a fábrica de ração é um dos pontos mais críticos dessa equação. Quando mal projetada, ela compromete a eficiência de toda a atividade e eleva o custo por tonelada produzida, muitas vezes sem que o produtor perceba.

    Por isso, conceber uma fábrica de ração como sistema integrado é o que diferencia uma operação eficiente de uma operação onerosa. Não basta somar equipamentos.

    Fábrica de ração própria: engenharia a serviço da produtividade

    Produzir a própria ração é uma decisão estratégica. No entanto, essa vantagem só se concretiza quando a planta é sustentada tecnicamente. Uma fábrica bem estruturada precisa contemplar taxa de moagem compatível com o volume diário, granulometria adequada à espécie e fase produtiva e sistema de dosagem preciso em macro e microingredientes. Além disso, o tempo de mistura deve ser suficiente para baixo coeficiente de variação, com fluxo contínuo entre moagem, mistura e expedição.

    Juntos, esses fatores garantem homogeneidade elevada. O impacto é direto na conversão alimentar, no ganho médio diário e na uniformidade de lote. Também é importante considerar picos sazonais e projeção de expansão. Fábricas que operam no limite reduzem a vida útil dos equipamentos e aumentam a manutenção corretiva.

    Por que investir em um projeto personalizado?

    Na produção pecuária intensiva, a ração é o maior centro de custo. Dessa forma, pequenas ineficiências estruturais viram perdas recorrentes ao longo dos ciclos. Plantas genéricas tendem a gerar moagem incompatível com a demanda real e mistura com variação acima do ideal. Além disso, criam fluxo operacional com retrabalho e operação constante no limite da capacidade.

    Em contrapartida, uma planta eficiente considera regime produtivo, estratégia nutricional, giro de matéria-prima e projeção de crescimento. O dimensionamento correto de silos, transportadores e sistemas de dosagem garante estabilidade operacional. Como resultado, reduz-se o consumo energético, o desgaste de equipamentos e a variação de formulação.

    Fábricas compactas: eficiência sem grandes estruturas

    O conceito de fábrica compacta ganhou espaço na pecuária brasileira. O modelo integra verticalmente os processos em estrutura otimizada, racionalizando espaço e reduzindo perdas. Com isso, os produtores alcançam eficiência de fluxo e melhor controle operacional, sem grandes complexos estruturais.

    Além disso, o mesmo cuidado se aplica aos sistemas de confinamento. Pequenas variações na oferta de ração geram impacto direto no desempenho do lote. Nesse contexto, sistemas automatizados permitem controle exato por lote, registro de consumo diário e ajustes nutricionais com base em desempenho real. O erro humano também diminui.

    Quando tudo é bem dimensionado, a operação gera dados confiáveis para decisões estratégicas. O resultado é menos inconsistência nutricional, mais previsibilidade zootécnica e uma fábrica de ração que funciona como centro de controle da margem operacional.

  • Senar MT transforma pecuária com inseminação artificial gratuita e já registra taxa de prenhez de 44%

    Senar MT transforma pecuária com inseminação artificial gratuita e já registra taxa de prenhez de 44%

    O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) avança na modernização da pecuária estadual por meio do projeto ATeG Inseminação, iniciativa gratuita que combina melhoramento genético, assistência técnica e gestão rural para elevar a produtividade nas propriedades. Desde o início da execução, em dezembro de 2024, o programa já atendeu 1.513 propriedades em 99 municípios de Mato Grosso.

    O projeto oferece suporte completo ao produtor, da aquisição do sêmen aos protocolos de inseminação e mão de obra especializada. Para a pecuária de corte, as raças disponíveis são Nelore, Nelore Mocho e Angus. Já para a cadeia leiteira, o programa contempla Girolando (3/4 e 5/8), Gir e Sindi. A iniciativa é realizada em parceria com os Sindicatos Rurais do estado.

    Como funciona na prática 

    A metodologia divide a atuação em duas frentes complementares. Primeiro, o técnico de campo realiza o diagnóstico da propriedade, o acompanhamento gerencial e o preparo das condições necessárias. Só então o médico-veterinário executa o protocolo de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), garantindo maior eficiência reprodutiva ao rebanho.

    “A inseminação é uma ferramenta importante, mas o resultado vem da soma das ações, com o técnico de campo atuando na organização, gestão e preparo da propriedade, e o técnico em reprodução na execução do protocolo”, explica a supervisora do projeto, Jéssica Gonçalves.

    Superação e resultados no campo

    Na Fazenda Água Boa, em Brasnorte, a produtora Claudete Grimm Denadai representa tanto o impacto da iniciativa quanto a força do produtor rural. Após perder o marido, ela assumiu sozinha a gestão da propriedade e, por isso, buscou apoio da ATeG para reorganizar o sistema produtivo. Com isso, adotou novas práticas de manejo, nutrição e planejamento e logo colheu resultados concretos.

    “De 63 animais, 38 deram positivo. Teve bastante animal jovem que também emprenhou. A diferença dos bezerros da inseminação para os de touro é muito grande: mais resistência, mais peso, carcaça melhor. A qualidade é outra”, relata Claudete.

    Além dos índices reprodutivos, o acompanhamento da técnica de campo Ingrid dos Santos Costa trouxe novas estratégias de comercialização. “Ela me orientou como engordar as fêmeas e vender os machos. Assim, isso virou uma alternativa para manter a fazenda viável o ano todo”, acrescenta a produtora.

    Tecnologia acessível e gestão integrada

    Para o técnico em reprodução Jeferson Polidoro Murussi, o diferencial do projeto está no acesso. “A inseminação não é novidade: ela já provou que funciona. Portanto, o que o projeto faz é facilitar o acesso, com material de qualidade e suporte técnico. Além disso, o produtor aumenta o valor de venda e ganha eficiência”, afirma.

    Da mesma forma, o gerente da ATeG, Bruno Faria, reforça o caráter estratégico da iniciativa. “Quando aliamos técnica, acompanhamento contínuo e gestão, o produtor passa a ter mais controle da atividade e evolui de forma consistente. Por isso, mais do que aumentar a produção, nosso objetivo é melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias no campo”, destaca.

    Números e reconhecimento nacional

    Até março de 2026, o ATeG Inseminação registrou 32.021 protocolos executados, 53.131 diagnósticos de gestação e taxa média de prenhez de 44,37%, índice que comprova a efetividade da técnica quando associada a um sistema produtivo organizado. Diante desses resultados, o projeto segue na terceira rodada de execução, com novas etapas previstas para ampliar ainda mais o alcance.

    Além do desempenho produtivo, os números trouxeram reconhecimento nacional: o Senar MT saltou da 26ª para a 6ª colocação no ranking do Prêmio Coordenador de Excelência 2026, anunciado durante o Encontro Nacional de Coordenadores da ATeG, realizado na sede da CNA, em Brasília, em março.

  • Gira Internacional Hereford promove intercâmbio no Mercosul

    Gira Internacional Hereford promove intercâmbio no Mercosul

    A Gira Internacional Hereford 2025 será realizada entre os dias 11 e 13 de junho. E vai reunir criadores, técnicos e profissionais da cadeia da carne de Brasil, Argentina e Uruguai. O evento, focado em genética bovina e produção de carne de qualidade, tem como objetivo fortalecer a raça Hereford no Mercosul. E promover a troca de experiências e a integração de práticas produtivas entre os três países.

    Durante a programação, os participantes visitarão propriedades selecionadas nos três países, conhecendo de perto sistemas de manejo, seleção genética e estratégias de produção de carne bovina. O roteiro começa na Argentina, no Estabelecimento Aguaceritos, na manhã do dia 11 de junho. Na mesma data, já no Brasil, haverá um jantar de confraternização para os convidados.

    No dia 12 de junho, a Gira Internacional Hereford 2025 segue em solo brasileiro. Está prevista visitas à Estância São Joaquim (às 8h), à Cabanha São Fernando (às 10h) e à Cabanha Touro Passo (às 14h30). O encerramento acontece no Uruguai, na sexta-feira, 13 de junho, com visitas à Santa María del Arapey, em Baltasar Brum (às 8h), e à propriedade Pingo Viejo (às 14h).

    Integração e evolução da raça Hereford no Mercosul

    Segundo Eduardo Soares, presidente da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), a Gira Internacional Hereford 2025 representa uma oportunidade única para o intercâmbio de conhecimento entre produtores e técnicos da região. “Brasil, Uruguai e Argentina estão juntos em três dias de intensa troca técnica. É uma oportunidade para identificar boas práticas e evoluir na consolidação da raça Hereford como base produtiva de carne de qualidade no Mercosul”, destaca Soares.

    A Gira Internacional Hereford integra o calendário técnico da raça e tem como foco principal o fortalecimento de sistemas de produção alinhados à adaptabilidade genética, rendimento e padronização racial, promovendo avanços na pecuária de corte do Mercosul.

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  • Raça Brahman terá programação intensa na 90ª ExpoZebu 2025

    Raça Brahman terá programação intensa na 90ª ExpoZebu 2025

    A 90ª edição da ExpoZebu, maior exposição de gado zebuíno do mundo começa hoje. O evento vai até 4 de maio no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG). E a raça Brahman será destaque com uma agenda repleta de atividades técnicas e comerciais. Estão inscritos 120 exemplares Brahman para as tradicionais competições Brahman a Campo e Julgamento de Pista. Além de leilões e assembleia geral da Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB).

    A programação da raça Brahman começa em 30 de abril, às 7h30, com o Brahman a Campo, no Recinto de Avaliações das Raças Zebuínas a Campo Ernani Torres Cordeiro, e segue no dia 1º de maio. O Julgamento de Pista inicia em 1º de maio, às 14h, no Recinto de Avaliações das Raças Zebuínas Torres Homem Rodrigues da Cunha, e se estende até 3 de maio. O jurado Carlos Alberto de Souza Celestino será responsável por avaliar os animais e definir os grandes campeões da raça.

    Leilões e negócios movimentam o setor

    Durante a ExpoZebu, a raça Brahman promoverá dois leilões de destaque. No dia 1º de maio, às 20h, ocorre o Leilão de Sêmen ACBB, na Casa do Brahman. O evento é promovido pela Associação dos Criadores de Brahman do Brasil. No dia 2 de maio, também às 20h, o 3º Leilão Portobello e Terra Verde reunirá oferta de fêmeas de elite e genética superior. O evento terá transmissão ao vivo pelo canal da Connect Leilões no YouTube e pelo aplicativo Connectplay.

    A ACBB também promove sua Assembleia Geral para associados no dia 30 de abril, às 19h, na Casa do Brahman, espaço dedicado à raça dentro do Parque Fernando Costa. O local serve como ponto de encontro para criadores, técnicos e interessados em genética Brahman. Além de apoiar eventos oficiais e oferecer estrutura completa para reuniões e networking.

    Importância da raça para a pecuária brasileira

    Reconhecida por sua rusticidade, adaptabilidade ao clima tropical e excelente desempenho produtivo, a raça Brahman é uma das principais opções para cruzamentos industriais e produção de carne de qualidade no Brasil. A ACBB desempenha papel fundamental na promoção, organização de eventos e apoio técnico aos criadores. Contribuindo para o avanço genético e a valorização da raça no cenário nacional.

    A ExpoZebu é organizada pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). E reúne milhares de visitantes, criadores, técnicos e investidores do Brasil e do exterior. O evento é referência em genética, negócios e inovação, promovendo o desenvolvimento da pecuária zebuína e fortalecendo o agronegócio brasileiro.

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  • Nova cultivar de ervilhaca impulsiona produtividade e sustentabilidade

    Nova cultivar de ervilhaca impulsiona produtividade e sustentabilidade

    Uma nova cultivar de ervilhaca, a URS BRS Presilha, promete aumentar a produtividade e a sustentabilidade da pecuária de corte no Brasil. Desenvolvida em colaboração entre a Embrapa, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Associação Sul-brasileira para o Fomento de Pesquisa em Forrageira (Sulpasto), essa cultivar forrageira tem um grande potencial para integrar sistemas de integração Lavoura-Pecuária (ILP), tanto para pastejo quanto para cobertura do solo.

    Destaque em sistemas de integração Lavoura-Pecuária

    A URS BRS Presilha se destaca por possuir as maiores sementes entre as leguminosas forrageiras de clima temperado no Sul do Brasil, facilitando a competição no estabelecimento da pastagem. Essa característica também contribui para uma implantação e distribuição mais eficientes das sementes, mesmo em áreas com pastagens perenes de verão e cultivares menores de panicum e braquiária.

    Daniel Montardo, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul e um dos responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar, explica que a ervilhaca se encaixa bem em áreas de integração Lavoura-Pecuária, onde produtores hesitam em investir em espécies perenes devido à rotação anual de pastagens com culturas agrícolas.

    A nova cultivar de ervilhaca será apresentada durante a Expodireto Cotrijal 2025, que ocorrerá de 10 a 14 de março, em Não-Me-Toque, RS. A Embrapa participa todos os anos desse evento. A feira atrai mais de 300 mil pessoas do Brasil e do exterior para conhecer as novas tecnologias do agronegócio mundial.

    Vantagens da URS BRS Presilha

    Além de ser estratégica para os sistemas ILP, a URS BRS Presilha se destaca por:

    • Alta produção de forragem
    • Boa sanidade
    • Tolerância ao pastejo
    • Boa capacidade de rebrote
    • Vigor inicial, garantindo competitividade e adaptação a diferentes condições ambientais
    • Bons teores de proteína
    • Capacidade de fixação de nitrogênio atmosférico no solo, em simbiose com bactérias do gênero Rhizobium
    • Adaptação a solos bem drenados
    • Utilização em consórcios com outras forrageiras de inverno, como aveia e azevém
    • Contribuição na incorporação de nitrogênio e estruturação do solo em sistemas de cobertura
    • Maior resistência à falta de água
    • Menor propensão a causar problemas de timpanismo nos animais, em comparação com outras leguminosas forrageiras

    Opinião de especialistas

    Claudio Lopes e Cesar Grinke, da Sulpasto, ressaltam a possibilidade de uso da cultivar na fruticultura, incorporando nitrogênio e protegendo o solo com sua palhada resistente. Lopes destaca que a parceria com a UFRGS e a Embrapa contribui para a aceitação da nova forrageira pelo setor produtivo. Grinke complementa que a Presilha é um material diferenciado, com espaço no mercado e garantia de mais qualidade e melhor desempenho no campo.

    Sustentabilidade dos sistemas agropecuários

    Miguel Dall’Agnol, professor da UFRGS e um dos desenvolvedores da cultivar, enfatiza que a URS BRS Presilha se encaixa em diferentes sistemas de produção, como cobertura verde no inverno, em áreas de rotação de culturas, e consorciada com pastagens cultivadas de inverno. A cultivar também pode ser introduzida no campo nativo para aumentar a produção durante o inverno e a primavera. Portanto, mostrando bom desempenho em sistemas produtivos baseados em pastagens de verão e de inverno.

    A nova cultivar contribui para atender uma necessidade real dos produtores da região Sul do Brasil, aumentando o uso de leguminosas e promovendo a sustentabilidade dos sistemas integrados de produção.

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