Tag: pecuária de corte

  • Leonardo ostenta império com fazenda de R$ 60 milhões e gado Nelore em Goiás

    Leonardo ostenta império com fazenda de R$ 60 milhões e gado Nelore em Goiás

    Fora dos palcos, o cantor Leonardo construiu uma forte trajetória ligada ao campo. Além da carreira na música sertaneja, o artista mantém negócios no agronegócio e tem na Fazenda Talismã, em Goiás, sua propriedade rural mais conhecida.

    Localizada em Jussara (GO), a fazenda é avaliada em cerca de R$ 60 milhões e tem mais de 1 mil hectares, segundo informações divulgadas por veículos que acompanharam a propriedade. A pecuária bovina é a principal atividade do local.

    Fazenda Talismã reúne mais de 5 mil cabeças de gado

    A propriedade abriga mais de 5 mil cabeças de gado. A atividade envolve criação e manejo de bovinos, com destaque para o gado Nelore, uma das principais raças utilizadas na pecuária de corte brasileira.

    Além da pecuária, a Fazenda Talismã conta com uma estrutura voltada ao lazer e à vida no campo. Entre os espaços já divulgados estão haras, lago, áreas de convivência e outras instalações.

    A propriedade também é associada à produção agrícola, com cultivo de soja e milho.

    O nome da propriedade está ligado à carreira musical do cantor. Talismã também foi o nome de uma música de sucesso gravada por Leandro & Leonardo.

    A fazenda fica em Jussara, no interior de Goiás, região com forte presença da atividade agropecuária.

    Da lavoura de tomates ao sucesso no sertanejo

    Antes de alcançar projeção nacional na música, Leonardo teve contato com o trabalho no campo. O cantor chegou a trabalhar em uma plantação de tomates durante a juventude.

    A carreira artística começou ao lado do irmão, Leandro, com quem formou uma das duplas mais conhecidas da música sertaneja brasileira. Depois da morte de Leandro, Leonardo seguiu carreira solo e consolidou seu nome no gênero.

  • Antes de morrer, Glória Menezes viveu em fazenda milionária com Tarcísio Meira

    Antes de morrer, Glória Menezes viveu em fazenda milionária com Tarcísio Meira

    A morte de Glória Menezes, aos 91 anos, nesta terça-feira (18), encerrou a trajetória de uma das grandes atrizes da televisão brasileira e também trouxe novamente à memória a história construída ao lado de Tarcísio Meira, seu marido por quase seis décadas.

    Fora das telas, Tarcísio construiu uma trajetória que pouca gente conhece: o ator também investiu no agronegócio e tornou-se proprietário de propiedades rurais pelo país.

    Após a morte do ator, em agosto de 2021, parte da administração dos negócios passou para o filho, Tarcísio Filho.

    Isolamento da COVID-19 foi no campo

    Antes da morte de Tarcísio, em 2021, ele e Glória Menezes viveram os últimos anos juntos em uma fazenda de gado, localizada no munícipio de Porto Feliz, no interior de São Paulo. A mudança aconteceu no início da pandemia de Covid, em março de 2020.

    O local funcionava como uma unidade produtiva moderna com foco em bem-estar animal, além de contar com biodigestores para tratar dejetos de gado — gerando biofertilizante e biogás para alimentar uma miniusina de energia limpa própria.

    Além disso, a propriedade também erviu de palco para momentos marcantes da família. Em 2021, a atriz levou a filha, Maria Amélia Brito, até o altar na cerimônia de casamento realizada nos jardins da fazenda.

    Glória Menezes acompanha filha até o altar em casamento na fazenda da família em Porto Feliz (Foto: Divulgação/Filó Cerimonial)

    A celebração cumpriu um desejo deixado por Tarcísio Meira antes de falecer e foi oficializada por uma das netas de Glória.

    Fazenda de Tarcísio Meira tem mais de 10 mil hectares

    Nio entanto, o principal empreendimento da família é a Fazenda São Marcos, com mais de 10 mil hectares em Aurora do Paraná, cuja gestão hoje é realizada por Tarcísio Filho.

    O interesse de Tarcísio Meira pela região começou ainda na década de 1970. Durante uma viagem profissional a Manaus, o ator tomou conhecimento de uma grande área disponível para compra e decidiu investir.

    Com o passar dos anos, a ligação com o Pará se fortaleceu, e o famoso chegou a dizer que havia se tornado “quase um paraense”.

    Tarcísio também investiu na comunidade

    A atuação do ator na propriedade não ficou restrita à produção agropecuária.

    Na Fazenda São Marcos, foram construídas moradias para funcionários e mantida uma escola gratuita que atendia filhos de trabalhadores, além de crianças de pequenos agricultores e colonos da região.

    Cerca de metade da extensão da propriedade também é mantida como área de preservação ambiental.

    Vizinho, o produtor Jeferson Castilhou afirmou que Meira também cultivava a harmonia e era simpático com todos ao redor.

    “A propriedade é vizinha nossa. Ele vinha comprar uva e era um senhor tranquilo, simples. Várias vezes encontrei com ele em supermercado, farmácia, padaria. Muito tranquilo, simpático.”

    Tarcísio Meira e Glória Menezes eram apreciadores da vida no campo (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

    “Não era só patrão, era amigo de todos do sítio, fazia de tudo por seus funcionários. Ele era acostumado a dar presente às crianças do sítio no Natal e sempre tirava fotos com todos. Por causa da pandemia, no final do ano passado ele fez depósito bancário para não ter contato com ninguém”, relembra também Regiane Domicianoma, ex-funcionária do local.

    Glória Menezes e Tarcísio ficaram juntos por quase 60 anos

    Glória Menezes e Tarcísio Meira se conheceram no início da década de 1960, quando ambos davam os primeiros passos de suas carreiras.

    Os dois se casaram em 1962 e construíram uma das uniões mais conhecidas da televisão brasileira. O casamento durou 59 anos, até a morte do ator.

    Além da vida pessoal, Glória e Tarcísio dividiram as telas inúmeras vezes e se tornaram um dos casais mais reconhecidos da dramaturgia nacional.

    Amor até o fim

    Tarcísio Meira morreu em agosto de 2021, aos 85 anos, em decorrência de complicações da Covid-19.

    Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro.

  • Conheça a fazenda milionária que Tarcísio Meira deixou de herança

    Conheça a fazenda milionária que Tarcísio Meira deixou de herança

    Conhecido como um dos maiores atores da televisão brasileira, Tarcísio Meira também construiu uma sólida trajetória no agronegócio. Além da carreira artística, o ator investiu em uma grande propriedade rural no Pará, dedicada principalmente à pecuária de corte. Após sua morte, em 2021, a administração dos negócios passou para o filho, Tarcísio Filho.

    A principal propriedade da família é a Fazenda São Marcos, localizada na zona rural de Aurora do Pará, no leste do estado. Com mais de 10 mil hectares, a fazenda continua sendo uma referência entre as propriedades rurais.

    Como o ator entrou no agronegócio

    O interesse de Tarcísio Meira pela região começou na década de 1970. Durante uma viagem profissional a Manaus, o ator conheceu uma grande área disponível para compra e decidiu investir no local.

    Segundo relatos da época, ele costumava dizer que havia se tornado “quase um paraense”, demonstrando a forte ligação que criou com a região ao longo dos anos.

    Fazenda é voltada à pecuária e à produção agrícola

    A Fazenda São Marcos tem como principal atividade a pecuária de corte. Além da criação de gado, a propriedade também cultiva milho e soja, utilizados principalmente na alimentação do rebanho.

    Além disso, cerca de metade da área da fazenda permanece preservada como reserva ambiental.

    Tarcísio Meira passou a quarentena com a esposa em sua fazenda, antes de vir a óbito — Foto: Divulgação

    Investimentos também beneficiaram a comunidade

    Além da produção rural, o famoso também realizou investimentos voltados ao bem-estar dos funcionários e da população local.

    Na propriedade foram construídas moradias para os colaboradores, além da manutenção de uma escola gratuita destinada aos filhos dos trabalhadores, pequenos agricultores e colonos da região.

    Herança de família

    Em agosto de 2021, Tarcísio Meira morreu aos 85 anos em decorrência de complicações provocadas pela Covid-19. Nos últimos meses de vida, permaneceu isolado ao lado da esposa, Glória Menezes, em uma das propriedades da família.

    Desde então, Tarcísio Filho assumiu a administração da Fazenda São Marcos e dos demais negócios rurais, passando a dedicar parte de sua rotina à gestão do patrimônio construído pelo pai.

  • Touros Angus passam por estudo para produção de carne mais macia

    Touros Angus passam por estudo para produção de carne mais macia

    A Associação Brasileira de Angus iniciará um estudo inédito para identificar quais touros da raça têm maior potencial para produzir animais cruzados de melhor qualidade com vacas zebuínas, principalmente Nelore.

    A iniciativa pretende aumentar a previsibilidade da qualidade da carne, elevar a eficiência da pecuária e ampliar o número de bovinos certificados pelo Programa Carne Angus.

    O projeto utilizará informações genéticas e dados de carcaça para entender como características desejáveis da raça Angus são transmitidas aos animais meio-sangue, hoje responsáveis pela maior parte dos abates certificados pelo programa.

    Pesquisa começa em julho

    A fase de campo terá início amanhã, 14 de julho, com a coleta de aproximadamente 6 mil amostras genéticas de fêmeas meio-sangue que passarão pela certificação.

    A expectativa da Associação Brasileira de Angus é divulgar uma primeira relação preliminar de touros melhoradores em 2027.

    Em uma etapa posterior, o projeto pretende ampliar as coletas para 10 mil animais e realizar análises físico-químicas em 3 mil amostras de carne.

    Segundo Carolina Silveira, assistente de fomento e coordenadora da Instituição Científica Tecnológica (ICT) da Associação Brasileira de Angus, o objetivo é entender como ocorre a transmissão das características da raça pura para os animais oriundos do cruzamento industrial.

    “Todas as informações de carcaça que temos hoje dentro da raça Angus foram desenvolvidas com base na raça pura. Queremos entender como essas características passam para os bezerros quando ocorre essa heterose.”

    Tecnologia inédita para coleta das amostras

    O estudo utilizará um protocolo desenvolvido a partir da tecnologia TSU, permitindo retirar amostras diretamente do tecido muscular das carcaças resfriadas.

    A metodologia adapta uma técnica antes utilizada apenas para coleta de cartilagem da orelha e conta com o apoio da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS).

    Novas ferramentas para o melhoramento genético

    A base de dados permitirá desenvolver novas Diferenças Esperadas de Progênie (DEPs), indicadores utilizados para estimar o desempenho genético dos descendentes.

    Entre os objetivos futuros está a criação de uma DEP voltada especificamente para a maciez da carne.

    De acordo com Carolina Silveira, a demanda do consumidor por carnes mais macias, suculentas e padronizadas reforça a importância desse tipo de pesquisa.

    Ela destaca que já existem excelentes animais meio-sangue, mas a iniciativa fornecerá informações mais precisas para orientar a escolha dos reprodutores.

    Segundo a pesquisadora, essa padronização aumenta as chances de certificação dos animais nos programas de qualidade, o que pode elevar a remuneração recebida pelos pecuaristas.

    Benefícios também para a sustentabilidade

    Além do ganho em qualidade, o projeto também pode contribuir para uma produção mais sustentável.

    Animais geneticamente mais eficientes tendem a atingir o peso de abate mais cedo, reduzindo o consumo de insumos, produção de dejetos e emissão de gases.

    Programa Carne Angus busca reduzir desclassificações

    Em 2024, o Programa Carne Angus registrou 612,2 mil abates certificados, crescimento de 20% em relação ao ano anterior.

    Apesar do avanço, cerca de um em cada quatro animais deixa de ser certificado por problemas relacionados ao acabamento de carcaça ou à idade.

    Segundo o gerente nacional do programa, Maychel Borges, identificar os touros com melhor desempenho no cruzamento com raças zebuínas permitirá aumentar tanto a qualidade quanto o número de animais certificados.

    “Com esses dados em mãos, nós conseguimos melhorar o jogo e trazer bons frutos ao produtor, que é o grande objetivo do programa”, resume Borges.

  • Pecuária de corte ganha plataforma com controle de rebanho e visão 360°

    Pecuária de corte ganha plataforma com controle de rebanho e visão 360°

    O Broto, ecossistema digital do Banco do Brasil e da BB Seguros, e a agtech iRancho lançaram o Broto Gestão Pecuária, um sistema voltado à pecuária de corte que integra rastreabilidade individual dos animais e visão 360° da produção. A solução busca aumentar a eficiência operacional, melhorar o controle do rebanho e apoiar a tomada de decisão com base em dados confiáveis.

    Segundo as empresas, produtores que já utilizam a ferramenta relatam redução de até 50% no tempo dedicado ao manejo e aumento de até duas vezes no giro de caixa, impulsionado pelo abate mais precoce. O sistema também pode dobrar o volume de lotes terminados no mesmo período, ampliando a produtividade da fazenda.

    Para Thiago Parente, CEO da iRancho, a proposta é enfrentar um dos principais gargalos da pecuária brasileira: a falta de gestão estruturada. Ele afirma que a ferramenta permite identificar perdas financeiras, compreender os custos reais da operação e tomar decisões orientadas por dados. “O produtor passa a enxergar onde perde dinheiro e como otimizar a produção. Isso representa uma mudança significativa na gestão da atividade”, destaca.

    Ecossistema de inovação no campo

    Alberto Martinhago, diretor de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, afirma que o lançamento fortalece o ecossistema de inovação no campo. Segundo ele, sistemas de gestão ajudam a reduzir riscos e elevam a eficiência da atividade rural. “A iniciativa reforça o compromisso do banco com a modernização do agro e com uma pecuária mais rentável e sustentável”, diz.

    José Evaldo Gonçalo, presidente do Broto, ressalta que a plataforma amplia o acesso dos pecuaristas à tecnologia de ponta. Ele destaca que a integração com a iRancho leva soluções antes restritas a grandes operações para propriedades de diferentes portes. “A profissionalização da gestão é decisiva para garantir a competitividade e a longevidade do negócio”, afirma.

    Gestão centralizada e uso offline

    O sistema centraliza informações que antes ficavam dispersas, permitindo uma gestão mais organizada da fazenda. O produtor pode registrar dados e realizar o manejo mesmo sem conexão à internet, já que a plataforma funciona 100% offline no campo. A interface simples facilita a adoção por equipes de diferentes tamanhos.

    O lançamento ocorre em um momento de transformação regulatória no setor. A rastreabilidade tende a se tornar obrigatória em mercados estratégicos e no acesso ao crédito rural.

    Em 2025, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) publicou diretrizes para impedir o financiamento de atividades ligadas ao desmatamento ilegal. Já a União Europeia passará a exigir, a partir de dezembro de 2026, que produtos importados não tenham origem em áreas desmatadas após 2020, conforme a Lei Antidesmatamento (EUDR).

    No Brasil, o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), do Ministério da Agricultura e Pecuária, estabelece a meta de identificar individualmente todo o rebanho nacional até 2032, o que reforça a necessidade de sistemas de gestão integrados e rastreáveis.

  • Charolês: conheça a raça francesa que conquistou a pecuária brasileira

    Charolês: conheça a raça francesa que conquistou a pecuária brasileira

    A cidade de Charolles, a cerca de 100 km a nordeste de Lyon, é a antiga capital da região de Charolais, que deu nome à raça. O Charolês originou-se no centro-oeste e sudeste da França, mais precisamente em Charolais e Brionais, no Departamento de Saône-et-Loire, e foi desenvolvido a partir do século 18. A origem do gado remonta à Idade Média, e a raça ficou conhecida por produzir cortes macios, marmorizados e saborosos.

    A raça ancestral provavelmente compartilhava características com o gado Simental, da Suíça. E os animais que deram origem à raça foram cruzados, em grau limitado, com exemplares brancos da raça Shorthorn por volta de 1863, um cruzamento que buscava velocidade de crescimento e qualidade de carne. O Charolês foi reconhecido oficialmente em 1770 como raça pura distinta na região de Charolles.

    Originalmente, o animal tinha tripla aptidão; carne, leite e trabalho. Mas apesar dessa vocação múltipla, se destacou como excelente fornecedor de carne e animal de tração, por ser musculoso e sem tendência a acumular gordura na superfície. A melhoria da qualidade permitiu que, a partir de 1920, o Charolês passasse a ser criado unicamente como gado de corte.

    A chegada ao Brasil e a formação do maior rebanho do mundo

    Os primeiros animais da raça desembarcaram no Brasil em 1879. Embora outras fontes registrem uma chegada mais expressiva ao Rio Grande do Sul em 1885, quando o governo imperial importou dois reprodutores da França. E os confiou aos estancieiros Heleodoro de Azevedo e Souza e Mancio de Oliveira, ambos de grande renome na época.

    O crescimento da raça no país ganhou força no início do século 20. Em 1911, um criador chamado Cypriano de Souza Mascarenhas importou dois touros da França. Foi  primeira importação de Charolês promovida por um particular no Brasil. E ao longo dos anos formou o que se tornaria o maior rebanho do mundo da raça, com 10 mil cabeças. Em 1927, foi aberto no Brasil o Herd Book da raça, com dois ventres importados da França. E o primeiro produto puro nascido e registrado no país foi a fêmea “Arara”, em maio de 1928.

     

    O Rio Grande do Sul foi o estado de entrada da raça. E seu crescimento e popularização foram tão expressivos que ali se encontra o maior rebanho de Charolês do mundo. A raça expandiu-se para todos os estados brasileiros, chegando ao Norte e Nordeste em 1962, quando foi introduzida na Bahia, via Vitória da Conquista, expandindo-se depois para Sergipe, Ceará, Maranhão e Pará. Hoje, os principais criadores da raça no Brasil estão concentrados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Embora o rebanho nacional esteja estimado em 100 mil animais puros por cruzamento (PC) e 50 mil puros de origem (PO).

    A linhagem brasileira, bastante utilizada no Centro-Oeste e no Nordeste para cruzamento industrial com o zebu, resulta da combinação de três padrões distintos: o francês, com animais de maior massa muscular; o inglês, com gado mais alto e comprido; e o argentino, intermediário entre os dois tipos.

    Características físicas: porte, musculatura e baixo acúmulo de gordura

    O Charolês é um bovino de origem francesa, cujo nome deriva da região de Charolais, cuja principal localidade é Charolles. A raça se caracteriza pela cor branca ou creme, grande peso, desenvolvimento muscular pronunciado e ausência de acúmulo de gordura. Além de precocidade e especialização para a produção de carne, com destaque para o alto rendimento de carcaça.

    Em termos de estrutura, é um bovino de porte médio a grande, com corpo largo e anca e garupa também largas, sendo considerado bastante corpulento. O peso varia entre 650 kg e 800 kg nas fêmeas adultas e entre 950 kg e 1.200 kg nos machos adultos. Isso embora outras referências apontem faixas um pouco menores, de 600 kg a 800 kg nas vacas e 800 kg a 1.100 kg nos touros.

    O animal apresenta musculatura excelente, com volumosa linha dorso-lombar e pernas fortes, ideais para sustentar cargas elevadas. Além de cabeça pequena e curta, com fronte larga, retilínea ou levemente côncava. Quanto à pelagem, o pelo pode ser curto no verão e crescer no inverno, com coloração que varia do branco ao branco-creme, sendo indesejáveis manchas escuras. Outras fontes também descrevem variações para fumaça, vermelho e preto. Existe ainda a variedade Polled Charolês, ou Charolês mocho, que costuma ter esqueleto mais fino que o tipo original com chifres. Criadores ingleses e franceses usaram a raça britânica Lincoln Red para introduzir esse fator mocho.

    Desempenho produtivo: o principal trunfo da raça

    O ponto forte do Charolês está justamente na relação entre volume de carne e qualidade de carcaça. A capacidade de produzir grande massa muscular com pequena capa de gordura é o principal diferencial da raça. Isso, associada à rusticidade e à adaptabilidade a diferentes climas, a torna bastante indicada para atender às exigências do mercado atual de carne.

    Em números, os novilhos comuns rendem de 58% a 62% no abate, com boa distribuição de gordura na carcaça, além de excelente ganho de peso em confinamento. Já na reprodução, as fêmeas costumam ter a primeira cria aos três anos de idade quando recebem manejo alimentar adequado. Com novilhos nascendo por volta de 45 kg e novilhas com cerca de 42 kg. E os partos gemelares são relativamente comuns na raça. Quanto à produção leiteira, embora não seja o foco da seleção atual, a vaca Charolês produz cerca de 3 mil litros de leite por lactação, volume suficiente para suprir as necessidades do bezerro.

    A versatilidade também é um diferencial citado com frequência pelo setor. A raça é extremamente adaptável em termos de manejo, cruzamentos com outras raças e alimentação. Quem acompanha o segmento destaca essas características. A capacidade de adaptação a qualquer ambiente de criação, inclusive, levou o Ministério da Agricultura e a Embrapa a escolherem o Charolês como raça formadora do Canchim, conhecido como o “precoce brasileiro”.

    Presença global e uso em cruzamentos industriais

    A relevância do Charolês não se limita ao Brasil. Atualmente, 68 países dos cinco continentes, sob os mais variados climas, criam a raça, considerada privilegiada nesse sentido. Nas Américas, Estados Unidos e Canadá mantêm plantéis ricos e selecionados, com destaque em exposições oficiais, enquanto a Argentina desenvolveu inclusive um padrão racial próprio e o Uruguai tem rebanho bastante desenvolvido, com influência direta na formação do plantel brasileiro.

    No Brasil, a linhagem nacional combina sangue francês,de animais com maior massa muscular, inglês, de animais mais altos e compridos, e argentino, resultando em um bovino de grande porte, boa musculatura e forte aptidão para cruzamentos industriais com raças zebuínas, como o nelore e o brahman. O resultado agrada em precocidade, adaptação, rendimento de carcaça e no paladar dentro e fora do país. E tem bons índices de marmoreio, maciez, suculência e sabor, características que atendem inclusive linhas de carnes premium no mercado brasileiro.

    O trabalho de melhoramento genético segue ativo no país. Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Charolês (ABCC), o Charolês brasileiro passa por rigoroso processo de seleção genética que busca qualificar a raça para os padrões da pecuária de corte moderna. Com participação no Promebo — Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne, conduzido pela Associação Nacional de Criadores Herd Book Collares em parceria com a Embrapa, que avalia 14 características distintas dos animais.

    Uma raça que resiste ao tempo

    Entre importações históricas, cruzamentos estratégicos e décadas de seleção genética, o Charolês consolidou um espaço próprio na pecuária brasileira. O de raça capaz de entregar volume de carne com qualidade de carcaça, sem abrir mão da rusticidade que permite sua criação em climas tão diferentes quanto os do Sul e do Nordeste do país.

    Rivalizando com raças como o Angus em protagonismo produtivo, o Charolês segue sendo peça central tanto na criação em puro sangue quanto nos cruzamentos industriais que abastecem o mercado de carne bovina brasileiro.

    Charolês premia grandes campeões e reforça avanço genético na Fenagen

    A raça Charolês encerrou a programação de julgamentos da 3ª Feira Nacional de Genética Promebo (Fenagen) na sexta-feira (3), no Parque da Associação Rural de Pelotas (RS). A avaliação ocorreu na pista Luiz Alberto Fries e destacou a evolução genética dos animais e o papel estratégico do Promebo na pecuária de corte.

    Entre os destaques da pista, a terneira FIV96 (Box 97), da Estância do Batovi, de São Gabriel (RS), conquistou o título de Grande Campeã Terneira, com Índice Fenagen de 88. Já o prêmio de Grande Campeã Fêmea Jovem ficou com a FIV111, da Cabanha Pelo Branco, de Herval D’Oeste (SC), que alcançou índice de 87,24.

    Na categoria machos, o terneiro 2516 (Box 106), da Cabanha Tarumã JHBD, de Camaquã (RS), garantiu o título de Grande Campeão Terneiro, com índice de 91. O título de Grande Campeão Touro Jovem foi para o exemplar FIV113 (Box 110), também da Estância do Batovi, com índice de 84,94.

    A jurada Luiza Ramos Ribeiro destacou o alto nível dos animais apresentados e reforçou que a avaliação considerou tanto características fenotípicas quanto o potencial genético. Segundo ela, o uso do Promebo tem papel decisivo na evolução da raça.

    “Além do fenótipo, avaliamos o genótipo, resultado de um trabalho desenvolvido a campo com apoio do Promebo, uma ferramenta essencial tanto para rebanhos de pedigree quanto comerciais”, afirmou.

    Luiza também ressaltou a relevância da raça Charolês para os mercados nacional e internacional. Ela elogiou o trabalho dos criadores e das equipes envolvidas no manejo dos animais. E destacou a consistência genética observada na pista.

    “Os animais refletem o trabalho e a dedicação dos criadores e profissionais que atuam diariamente no campo. Entregando genética de alto nível para a pecuária de corte”, concluiu.

  • Henrique e Juliano faturam com Nelore milionário e investem na pecuária

    Henrique e Juliano faturam com Nelore milionário e investem na pecuária

    A dupla sertaneja Henrique e Juliano transformou a paixão pelo campo em um negócio milionário. Proprietários da Fazenda Terra Prometida, em Porto Nacional (TO), os artistas investem na criação de gado Nelore de elite e já acumulam reconhecimento em exposições e leilões agropecuários.

    Além do sucesso na música, os irmãos apostam no melhoramento genético para ampliar a produtividade e a valorização do rebanho.

    “Nossa criação sempre foi muito pé no chão. Para que ter uma fazenda se ela não for produtiva? Foi pensando nisso que começamos a investir em genética para Nelore de elite. Tem que ter muita dedicação e buscar tecnologias para manter o padrão”, afirmou Henrique.

    Genética Nelore é um dos focos da dupla

    A principal estratégia dos cantores é investir em animais de alto valor genético, considerados referência para a pecuária nacional.

    O trabalho envolve seleção criteriosa de matrizes e reprodutores, além do uso de tecnologias voltadas ao melhoramento genético do rebanho.

    Entre os exemplares mais conhecidos está a vaca Ísis Valverde FIV da RS, uma das matrizes mais valorizadas da raça Nelore.

    Vaca ‘Ísis Valverde’ é descrita como dona de um “racial impecável, volume, feminilidade e consistência genética”e se destaca no mercado de genética bovina — Foto: Divulgação/Fazenda Terra Prometida

    Vaca avaliada em R$ 4 milhões chama atenção no mercado

    A Ísis Valverde FIV da RS ganhou notoriedade por conquistar importantes títulos em exposições agropecuárias pelo país.

    Entre seus principais destaques estão:

    Avaliação estimada em R$ 4 milhões;

    Títulos de Grande Campeã em pistas de julgamento;

    Reconhecimento como referência genética da raça Nelore;

    Participação em negociações milionárias no mercado pecuário.

    Parte da propriedade do animal foi negociada com os cantores César Menotti e Fabiano, reforçando o interesse do setor por exemplares de alto desempenho genético.

    Leia mais: Juliano investe R$ 80 milhões em jato de luxo; confira imagens

    Fazenda Terra Prometida abriga criação de elite

    Localizada em Porto Nacional, no Tocantins, a Fazenda Terra Prometida possui cerca de 1.306 hectares e se tornou uma das propriedades rurais mais conhecidas entre artistas ligados ao agronegócio.

    Além da criação de Nelore Puro de Origem (P.O.), a fazenda conta com infraestrutura de alto padrão.

    Entre os destaques da propriedade estão aeroporto próprio, piscina de borda infinita e alta estrutura tecnológica voltada à pecuária.

    Vista aérea da fazenda. À esquerda, as estruturas para o cuidado com os gados. No centro, as casas da família. À direita, a pista para pousos e decolagens — Foto: Reprodução/YouTube

    Nelore domina a pecuária brasileira

    A raça Nelore é responsável por grande parte do rebanho de corte do Brasil e se destaca pela adaptação ao clima tropical, resistência e desempenho produtivo.

    Por isso, animais com genética superior costumam atingir valores elevados em leilões, especialmente quando apresentam histórico de premiações e capacidade comprovada de transmissão genética.

    Leia mais: Quem é o dono da ‘Texas brasileira’ apontado como affair de Ana Castela

  • Feicorte destaca oportunidades e sabores da pecuária

    Feicorte destaca oportunidades e sabores da pecuária

    A Feicorte 2026 acontece entre 23 e 26 de junho em Presidente Prudente, no interior paulista. A feira reúne empresas, especialistas, produtores e consumidores ligados à pecuária de corte. O evento chega à 22ª edição e mantém foco exclusivo na cadeia produtiva da carne bovina. Além disso, promove debates sobre mercado, genética e produção animal.

    A feira nasceu na capital paulista e, durante anos, realizou exposições e julgamentos de animais. Contudo, a proibição do trânsito de rebanhos na cidade exigiu a mudança de local. Após quase uma década sem edições, a Feicorte retornou em 2024. Desde então, Presidente Prudente passou a sediar o evento. A escolha da cidade tem razões econômicas e históricas. A região concentra quase 20% do rebanho bovino paulista e oferece acesso facilitado para visitantes.

    Fórum debate redução dos rebanhos bovinos

    A redução dos rebanhos em diversos países será o tema central do Fórum Feicorte. O encontro também discutirá os impactos desse cenário para o mercado global.

    O tema “O Boi Brasileiro: Um Mundo de Oportunidades” mostrará caminhos para os pecuaristas aproveitarem o atual ciclo de valorização da atividade. Segundo os organizadores, a menor oferta mundial de animais favorece a alta dos preços e amplia oportunidades para o Brasil.

    Beef Hour apresenta carnes de diferentes raças

    A programação inclui o Beef Hour das Raças, espaço voltado à degustação de proteínas. Os visitantes poderão experimentar 16 variedades de carne. A arena reunirá cortes de 14 raças bovinas, incluindo exemplares europeus e zebuínos. Nesta edição, o espaço também contará com cordeiro Suffolk e carne de búfalo.

    Wagyu, cordeiro e búfalo ganham destaque

    A Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu participa com hambúrgueres produzidos a partir da raça conhecida pelo elevado marmoreio.
    Já a estação dedicada ao cordeiro Suffolk oferecerá cortes com sabor suave e textura delicada. Enquanto isso, a carne de búfalo será apresentada como opção magra e suculenta.

    Churrasco tradicional e defumação atraem visitantes

    A estação Bonanza destacará a tradicional costela bovina preparada no fogo de chão. O espaço também servirá sanduíches recheados com cupim casqueado.

    A Estação Feicorte apresentará o brisket, corte bovino defumado lentamente em pit smokers. O tradicional mac’n cheese acompanhará o prato. O local ainda contará com hambúrgueres da Stock Yards. A marca é especializada na produção de smash burgers.

    Culinária latina e sobremesas completam experiência

    A gastronomia latina também marcará presença no evento. O público poderá degustar choripan com linguiça artesanal e empanadas argentinas. Além disso, uma receita exclusiva será preparada especialmente para a feira.
    Nas sobremesas, a DaNega produzirá panquecas recheadas com doce de leite. Já a Santa Gula oferecerá sorvetes e açaí em diversos sabores.
    Segundo Carla Tuccilio, CEO da Verum, promotora da feira, o objetivo é aproximar o público do universo da produção pecuária. Ela afirma que o Espaço Beef Hour mostrará como genética, manejo e tecnologia influenciam diretamente a qualidade da carne consumida diariamente.

     

  • Touro mais caro do mundo é brasileiro e vale mais que mansão de luxo

    Touro mais caro do mundo é brasileiro e vale mais que mansão de luxo

    Quase R$ 10 milhões. Esse foi o valor alcançado pelo touro Nelore INDHU FIV HRO, que acaba de entrar para a história como o reprodutor mais valorizado da raça Nelore no Brasil e no mundo.

    O recorde foi registrado durante o HRO Experience 2026, realizado na Fazenda Tapijara, em Arandu (SP). Quando o martelo bateu, porém, não era apenas um touro mudando de mãos. Na prática, um novo capítulo estava sendo escrito na genética de corte nacional.

    Nascido em 27 de setembro de 2024, INDHU FIV HRO pesa 431 quilos e carrega uma linhagem que desperta atenção até entre os criadores mais experientes. O reprodutor é filho de Viatina 19, uma das matrizes mais premiadas e valorizadas da história da raça, e de Astutto FIV Brun, reconhecido por transmitir desempenho e qualidade produtiva.

    Foto de Viatina, a vaca nelore mais cara do mundo
    Viatina 19, mão do touro mais caro do mundo – Foto: Casa Branca

    Mas pedigree, sozinho, não explica um investimento desse tamanho.

    Em pista, INDHU FIV HRO já mostrou atributos que o colocam em outro patamar. Além disso, o animal reúne estrutura corporal imponente, equilíbrio racial, qualidade de carcaça e elevado potencial reprodutivo. Em outras palavras, concentra características que o mercado procura e está disposto a pagar caro para multiplicar.

    Um touro capaz de influenciar gerações

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    Na pecuária de elite, um grande reprodutor vale muito mais pelo que pode produzir do que pelo que pesa na balança. Afinal, um único touro pode gerar milhares de descendentes por meio de sêmen, embriões e programas de reprodução assistida.

    Cada filho carrega a possibilidade de ganhar mais peso, converter melhor os alimentos e produzir carcaças de maior qualidade. Por isso, a genética se transformou em um dos ativos mais estratégicos do agronegócio brasileiro.

    Infográfico com detalhes do touro mais caro do mundo.

     

    A valorização de INDHU FIV HRO também ajuda a explicar a transformação do mercado nas últimas décadas. Antes, os leilões de elite movimentavam milhares de reais. Hoje, alcançam cifras milionárias. Nesse cenário, a genética passou a ser vista como tecnologia aplicada ao campo e ferramenta para elevar a produtividade.

    Propriedade compartilhada

    A participação no touro está dividida entre alguns dos principais nomes da pecuária nacional. A Cabaña Santiago, a Casa Branca Agropastoril e a Agropecuária Paranã detêm, juntas, 75% do animal. Os outros 25% permanecem com a Nelore HRO, criadora original do reprodutor.

    Imagem de Asttuto FIV Brun
    Astutto FIV Brun, pai do touro mais caro do mundo – Foto: CRL Agropecuária

    O lote negociado incluiu ainda uma prenhez do touro Brutão ARF. Com isso, os investidores passam a ter acesso imediato a uma combinação genética considerada promissora para programas de seleção.

    Ou seja, em um país onde o Nelore responde por cerca de 80% do rebanho de corte, o recorde de INDHU FIV HRO vai além de uma cifra impressionante. Afinal, ele simboliza a aposta crescente da pecuária brasileira em conhecimento, tecnologia e melhoramento genético. No fim das contas, o touro de quase R$ 10 milhões representa uma ideia simples: no campo de hoje, o futuro também pode nascer dentro de um centro de genética.

  • Risco de falta de sal mineral preocupa pecuaristas brasileiros

    Risco de falta de sal mineral preocupa pecuaristas brasileiros

    A pecuária brasileira pode enfrentar um novo desafio nos próximos meses. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) alertou para o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico, matéria-prima essencial na fabricação de suplementos minerais utilizados na alimentação bovina.

    Segundo a entidade, a possível escassez pode comprometer a oferta de sal mineral, insumo indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário dos rebanhos. O alerta é especialmente relevante para Mato Grosso, estado que possui o maior rebanho bovino do país e é um dos principais polos de produção de carne do mundo.

    Insumo é fundamental para a produtividade

    A suplementação mineral desempenha papel estratégico na pecuária brasileira. Isso porque grande parte das pastagens apresenta deficiência natural de nutrientes como fósforo, cálcio, zinco, cobre e enxofre.

    A falta desses minerais pode provocar:

    • Redução do ganho de peso;
    • Queda nas taxas de prenhez;
    • Menor desenvolvimento dos bezerros;
    • Redução da produção de leite;
    • Perda de eficiência alimentar;
    • Maior vulnerabilidade a doenças.

    Por isso, especialistas consideram a suplementação um investimento essencial para a produtividade dos rebanhos.

    Dependência externa preocupa o setor

    De acordo com a Famato, o risco de escassez resulta da combinação de fatores como a produção nacional insuficiente, a dependência de importações, restrições na oferta internacional e impactos de conflitos geopolíticos sobre as cadeias de suprimento.

    A suplementação mineral é um dos pilares da pecuária moderna

    Além disso, alguns países fornecedores têm priorizado seus mercados internos, reduzindo a disponibilidade de insumos para exportação.

    O cenário reacende uma preocupação antiga do agronegócio brasileiro: a forte dependência externa para matérias-primas consideradas estratégicas para a agricultura e a pecuária.

    Alta dos preços já afeta produtores

    Mesmo antes de um eventual desabastecimento, pecuaristas já enfrentam aumento nos custos dos suplementos minerais e concentrados utilizados na alimentação animal.

    A expectativa do mercado é de novos reajustes caso a oferta continue pressionada. O impacto tende a ser maior em sistemas intensivos e semi-intensivos, além de propriedades leiteiras que dependem de suplementação constante para manter os índices produtivos.

    Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, a situação exige atenção imediata.

    “Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho. Quando esses produtos ficam caros ou, pior, começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural e pode chegar às prateleiras dos supermercados”, afirmou.

    Já o vice-presidente da entidade e coordenador da Comissão de Pecuária de Corte, Amarildo Merotti, destaca que a preocupação ocorre em um momento de múltiplas pressões sobre o setor.

    “O pecuarista está sendo pressionado pela alta dos insumos, pelo risco de falta de produto, pela preocupação com vacinas contra clostridioses e pela queda nos preços pagos pela indústria. Essa combinação preocupa muito”, ressaltou.

    Bezerros também podem consumir sal mineral – Foto: Nelore Kaka

    Medidas defendidas pelo setor

    Diante do cenário, a Famato defende ações emergenciais para ampliar a disponibilidade dos insumos e reduzir custos ao produtor.

    Entre as propostas estão:

    • Redução temporária das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre;
    • Diminuição da carga tributária sobre sal branco e ureia destinados à nutrição animal;
    • Agilização dos processos alfandegários;
    • Ampliação das relações comerciais com países fornecedores, como a Bolívia.

    Impactos podem chegar ao consumidor

    Caso o abastecimento seja comprometido, os reflexos podem atingir toda a cadeia pecuária.

    Entre os principais efeitos esperados estão o aumento dos custos de produção, menor eficiência dos sistemas pecuários, redução do ganho de peso dos animais e pressão sobre a rentabilidade dos produtores.

    Além disso, o setor avalia que a escassez pode gerar impactos nos preços da carne bovina e do leite ao consumidor.

    Para a Famato, o episódio reforça a necessidade de fortalecer a produção nacional de insumos estratégicos e acelerar iniciativas previstas no Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050, que busca reduzir a dependência externa e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro.