Tag: pargo

  • Ameaçado de extinção, pargo passa a ter cota de pesca no Brasil

    Ameaçado de extinção, pargo passa a ter cota de pesca no Brasil

    O governo federal impôs, pela primeira vez, um limite para a captura do pargo, peixe que o Brasil mais exporta entre os pescados e que a lista mais recente de espécies ameaçadas classifica como “Em Perigo” de extinção. A Portaria Interministerial MPA/MMA nº 66/2026 foi publicada nesta segunda-feira (27 de julho). E fixa o teto de 2.750 toneladas para a temporada de pesca de 2026, mesmo com a safra já aberta desde 1º de maio.

    O Ministério do Meio Ambiente (MMA) reclassificou o Lutjanus purpureus, nome científico do pargo vermelho, como “Em Perigo” em abril deste ano. Até a publicação da nova norma, porém, os pescadores continuavam capturando o peixe sem qualquer regramento de volume.

    O que muda com a nova portaria

    O MMA e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) assinaram e editaram juntos a portaria, que representa o resultado de sete anos de campanhas da ONG Oceana em defesa de medidas baseadas em ciência. O Brasil já aplica esse tipo de cota a outras espécies: a tainha desde 2018 e a lagosta desde 2024.

    “Limitar a extração de quaisquer recursos pesqueiros, como agora acontece com o pargo, é uma das principais medidas para assegurar a sustentabilidade da pesca em um futuro próximo”, afirma o diretor-geral da Oceana, Ademilson Zamboni. “Demorou bastante para acontecer, e ainda há muito a ser feito. O governo precisa garantir monitoramento e fiscalização decentes, e atualizações anuais das cotas a partir de avaliações de estoque confiáveis.”

    Pescaria do Pargo
    Foto: Christian Braga/Oceana

    Além do limite de captura, as novas regras estabelecem tamanho mínimo de 35 centímetros para os peixes capturados. Portanto, isso evita a retirada de indivíduos jovens que ainda não atingiram maturidade reprodutiva. A portaria também exige que os pescadores declarem o estoque e entreguem os mapas de bordo. Medidas que atualizam o Plano de Recuperação do Pargo conforme o grau de vulnerabilidade atual da espécie.

    Segundo o diretor científico da Oceana, Martin Dias, as novas regras fazem sentido tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. “Seus resultados serão evidentes, com recuperação do estoque ao longo desta década e, consequentemente, com aumento futuro da produção”, explica.

    Dias compara a medida a um ajuste financeiro doméstico: “É como um corte de gastos na casa da gente. Ninguém quer fazer isso, mas é melhor cortar algumas despesas agora do que se endividar e ter um problema muito mais grave depois. A mesma coisa acontece com o pargo: estamos reduzindo agora, mas projetando um futuro de retomada da produção, com peixes de melhor qualidade e uma população saudável.”

    Oito anos de alertas antes da primeira ação concreta

    O MMA já reconhecia o risco de extinção do pargo desde 2014, quando editou a Portaria nº 445/2014. A partir daí, o próprio ministério condicionou a continuidade da pescaria ao cumprimento de um Plano de Recuperação, elaborado em 2018 (Portarias nº 228/2018 e nº 42/2018). Esse plano já prometia um regime de cotas de captura anual como ação emergencial, com prazo de até três anos para implementação, prazo que os órgãos públicos descumpriram.

    Nos anos seguintes, portanto, diversos estudos reforçaram os alertas sobre a piora do quadro. Em 2022, o Projeto REPENSAPESCA apontou que a espécie operava cerca de 30% abaixo dos níveis ideais de estoque. A própria Oceana publicou dois levantamentos sobre o tema. “Limites de captura para a pescaria do pargo (Lutjanus purpureus) nas regiões Norte e Nordeste”, em 2020. E “Subsídios para a implantação de limites de captura para a pesca do pargo”, em 2023. Assim, ambos os estudos apontavam a criação de um limite de captura como a principal ação necessária para recompor a população da espécie.

    Foto: Divulgação/Ibama

    Em agosto de 2024, o Comitê Permanente de Gestão da Pesca e do Uso Sustentável dos Recursos Pesqueiros Demersais das Regiões Norte e Nordeste (CPG Demersais N/NE) chegou a um consenso técnico sobre a necessidade urgente de limites para evitar o colapso da espécie. Conflitos internos entre o MMA e o MPA, que dividem a autoridade pesqueira, no entanto, atrasaram a decisão final por quase dois anos.

    “Em face de todas as evidências de colapso, do não cumprimento do previamente acordado no Plano de Recuperação e das práticas de pesca ilegal, não fazer nada a respeito já não era mais uma alternativa. No entanto, só teremos motivos reais para comemorar quando a espécie estiver recuperada e for possível pescar com segurança”, pondera Zamboni.

    Por que o pargo pesa tanto na economia pesqueira brasileira

    O pargo se distribui do mar do Caribe até o sul da Bahia e sustenta pescarias importantes nas regiões Norte e Nordeste do país, com destaque para o Pará. Assim, a espécie ocupa a segunda posição no ranking brasileiro de exportação de pescados por valor agregado, atrás apenas da lagosta.

    Dados do sistema ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o Brasil exportou, entre 2018 e 2025, uma média de 4,4 mil toneladas de pargo por ano. Cerca de 90% desse volume teve como destino os Estados Unidos. No período, as exportações da espécie movimentaram US$ 278 milhões.

  • Fiscalização do Ibama flagra pesca predatória

    Fiscalização do Ibama flagra pesca predatória

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu quase 37 toneladas de pescado e aplicou mais de R$ 2,9 milhões em multas durante uma operação de combate à pesca ilegal de pargo (Lutjanus purpureus), realizada nesta sexta-feira (13) nos municípios de Bragança e Augusto Corrêa, na costa do Pará. A Operação Kalunga também resultou na apreensão de seis embarcações pesqueiras e na emissão de 25 autos de infração ambiental.

    De acordo com o Ibama, a fiscalização teve como objetivo garantir a exploração sustentável dos recursos pesqueiros e coibir práticas predatórias que ameaçam a biodiversidade aquática e os estoques comerciais destinados à exportação. As equipes vistoriaram duas empresas exportadoras de pescado, seis proprietários de frota pesqueira e uma empresa de comercialização de caranguejo.

    Durante as inspeções, os agentes identificaram diversas irregularidades, incluindo pesca em áreas e profundidades não autorizadas, falta de registro de lances de pesca nos mapas de bordo, rastreamento por satélite (PREPS) desligado, inclusive durante o período de defeso, e fraudes com alteração de identificação visual de embarcações.

    Além disso, foi constatada a comercialização ilegal de mero (Epinephelus itajara) em um estabelecimento local. A espécie, classificada como Criticamente Ameaçada de Extinção, teve 9 kg de pescado apreendidos. Sua captura e venda são totalmente proibidas pela legislação ambiental.

    Espécie sob pressão

    O pargo, espécie da família Lutjanidae, ocorre amplamente entre o Caribe e o sul da Bahia, com forte presença nas costas do Maranhão, Pará e Amapá. Diante das evidências de sobrepesca, o MMA incluiu o peixe na lista de espécies sobreexplotadas por meio da Instrução Normativa nº 05/2004 e, posteriormente, classificou a espécie como Vulnerável à extinção na Portaria nº 445/2014, atualizada pela Portaria nº 148/2022.

    Foto: Divulgação/Ibama

    Atualmente, as autoridades permitem a exploração da espécie apenas sob as regras rígidas estabelecidas pela Portaria Interministerial nº 42/2018, atualizada pela Portaria nº 08/2024. O regulamento define critérios como:

    • Pesca apenas em áreas autorizadas, a profundidades superiores a 50 metros, entre o litoral do Amapá e a divisa do Maranhão com o Piauí.
    • Rastreamento por satélite obrigatório (PREPS) para toda a frota.
    • Entrega regular dos mapas de bordo.
    • Período de defeso entre 15 de dezembro e 30 de abril.
    • Proibição de transporte e comercialização do pargo de 16 de fevereiro a 30 de abril.
    • Limite máximo de 150 embarcações autorizadas para a pesca da espécie.

    Segundo o Ibama, as equipes vão intensificar operações como essa durante o defeso para proteger espécies ameaçadas. E também garantir a sustentabilidade da pesca no litoral brasileiro.

  • Ibama apreende 1 tonelada de pargo ameaçado de extinção

    Ibama apreende 1 tonelada de pargo ameaçado de extinção

    Uma operação de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) resultou na apreensão de quase uma tonelada de pescado ilegal nesta quinta-feira (11/12). A ação faz parte da Operação Kalunga Grande, iniciativa contínua de combate à pesca irregular na Região Norte do Brasil.

    Durante o monitoramento na costa paraense, agentes do Ibama identificaram uma embarcação pesqueira operando sem autorização para captura de pargo (Lutjanus purpureus), espécie classificada como ameaçada de extinção. Quando o barco atracou no município de Bragança, a equipe de fiscalização constatou mais de 950 kg de pescado irregular a bordo.

    A situação se agravou pelo histórico da embarcação: o barco já havia sido autuado anteriormente e estava com permissão de pesca suspensa. Mesmo sob sanção administrativa, o proprietário continuou exercendo a atividade ilegal, configurando reincidência.

    Multas ultrapassam R$ 1 milhão

    Diante das irregularidades constatadas, o proprietário da embarcação recebeu dois autos de infração. O valor total das multas aplicadas supera R$ 1 milhão. Além das penalidades financeiras, a embarcação foi apreendida pelas autoridades ambientais.

    Todo o pescado recolhido durante a operação foi doado ao Hospital Municipal de Bragança, garantindo o aproveitamento adequado do produto e beneficiando a comunidade local.

    Proteção da biodiversidade marinha

    A Operação Kalunga Grande representa o esforço permanente do Ibama na proteção da biodiversidade marinha brasileira. A iniciativa visa fiscalizar a atividade pesqueira na região e combater a exploração ilegal de espécies ameaçadas, contribuindo para a preservação dos recursos naturais e a sustentabilidade dos ecossistemas costeiros.

    O pargo (Lutjanus purpureus) é uma das espécies mais visadas pela pesca predatória devido ao seu alto valor comercial. A fiscalização rigorosa busca garantir a recuperação dos estoques pesqueiros e evitar o colapso populacional dessa espécie importante para o equilíbrio marinho.

  • Ibama apreende 12,5 toneladas de pescado irregular no Ceará

    Ibama apreende 12,5 toneladas de pescado irregular no Ceará

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou duas operações simultâneas no Ceará. Elas resultaram na apreensão de 12,5 toneladas de pescado irregular de espécies ameaçadas de extinção. As ações ocorreram no município de Acaraú e no Aeroporto Internacional de Fortaleza, como parte da Operação Lusca, voltada ao combate da pesca ilegal e à proteção da biodiversidade marinha.

    Fiscais apreenderam 11.912,67 kg de pargo (Lutjanus purpureus) em Acaraú, no litoral do Ceará. A espécie enfrenta risco de extinção e está sob regras específicas dos planos de recuperação. A carga também incluía exemplares de ariacó (Lutjanus synagris) e pargo-piranga (Rhomboplites aurorubens), peixes que vivem nos mesmos recifes e costumam ser capturados juntos. A apreensão envolveu uma disputa judicial entre o Ibama e o infrator.

    No Aeroporto de Fortaleza, a fiscalização interceptou 637,77 kg de sirigado (Mycteroperca bonaci) in natura. A carga seguiria para os Estados Unidos de forma ilegal, sem a documentação exigida para comprovar sua origem legal e ambientalmente regular.

    Apreensão doada a projetos sociais no Ceará. Foto: Divulgação/Ibama

    Todo o pescado irregular foi doado a instituições sociais e militares cadastradas no Ibama. Entre eles o Programa Mesa Brasil, o Lar Amigos de Jesus e a Capitania dos Portos do Ceará (Marinha do Brasil). Essa medida visa evitar o desperdício e beneficiar populações em situação de vulnerabilidade.

    Espécies ameaçadas e fiscalização rigorosa

    Tanto o pargo quanto o sirigado estão listados como espécies ameaçadas de extinção no Brasil. Os pescadores só podem capturar essas espécies seguindo as regras definidas pelos planos de recuperação, que impõem restrições rigorosas para garantir a sustentabilidade das populações marinhas. A pesca irregular configura crime ambiental, sujeito a sanções administrativas e penais.

    Foto: Divulgação/Ibama

    O Ibama reforça a importância do cumprimento da legislação pesqueira e ambiental. E mantém atuação firme para coibir a exploração ilegal da biodiversidade marinha brasileira, protegendo os estoques pesqueiros e o equilíbrio dos ecossistemas.

    Esta ação integra o esforço contínuo do Ibama para combater a pesca predatória no Ceará, região que tem registrado apreensões significativas de pescado irregular em operações recentes, contribuindo para a conservação das espécies e o desenvolvimento sustentável do setor pesqueiro local.

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  • Ibama apreende embarcação por pesca ilegal de pargo

    Ibama apreende embarcação por pesca ilegal de pargo

    Na última semana, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu uma embarcação que realizava pesca ilegal de pargo no litoral do Ceará. A legislação proíbe a captura da espécie durante o período de defeso, fase em que o animal se reproduz, pois ela enfrenta risco de extinção.

    A operação faz parte de uma ação nacional para combater a pesca ilegal e irregular de espécies protegidas, com foco em toda a cadeia de comercialização. O Ibama informou que apreendeu a embarcação em janeiro de 2025. E desde então, descumpria os termos estabelecidos pelo órgão, retornando à atividade pesqueira de forma irregular.

    Durante a fiscalização, os agentes apreenderam cerca de mil quilos de pescado irregular. As autoridades autuaram o responsável pela embarcação por infringir normas ambientais e pesqueiras. Além de desrespeitar a legislação que protege o pargo durante o período de defeso. As multas aplicadas somam R$ 148.480,00.

    Todo o pescado apreendido foi destinado ao Programa Mesa Brasil. Essa é uma iniciativa que combate a fome e o desperdício de alimentos, distribuindo os produtos a entidades socioassistenciais.

    O Ibama reforça o compromisso com a proteção dos recursos pesqueiros e o cumprimento da legislação ambiental brasileira. E destaca que o combate à pesca predatória é fundamental para garantir a reprodução das espécies. Além da sustentabilidade dos estoques pesqueiros e o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

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