Tag: pantanal

  • Sertanejo dono de fazenda milionária no Pantanal surge em pescaria de luxo

    Sertanejo dono de fazenda milionária no Pantanal surge em pescaria de luxo

    O cantor Luan Santana compartilhou nas redes sociais os bastidores de uma pescaria no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Em vídeos publicados no perfil oficial, o sertanejo apareceu em momentos de lazer ao lado de amigos enquanto navegava pelos rios da região.

    “Sempre um prazer voltar, meu Pantanal”, escreveu o artista na legenda da publicação.

    Nas imagens, Luan mostrou detalhes da rotina durante a viagem, incluindo cenas da pescaria em barco, o preparo das refeições e até registros noturnos das embarcações que participaram da aventura.

    Durante dias de descanso no Pantanal, o músico exibiu momentos da pescaria — (Foto: Reprodução/Instagram)

    Fazenda milionária no coração do Pantanal

    Um dos refúgios preferidos do cantor no Mato Grosso do Sul é a Fazenda Meteoro, adquirida em 2024. Localizada em Aquidauana, no Pantanal sul-mato-grossense, a propriedade está avaliada em cerca de R$ 15 milhões e combina lazer, privacidade e investimento no agronegócio.

    Segundo informações divulgadas em entrevistas e nas redes sociais, a fazenda mantém foco na pecuária, com criação de gado e estrutura voltada à produção rural.

    Outro detalhe que chama atenção é a personalização do rebanho, marcado com as iniciais do artista, reforçando a identidade da propriedade. Além disso, a fazenda conta com parcerias no setor agrícola e utiliza maquinário moderno para otimizar a produção no campo.

  • Por que Mato Grosso do Sul é considerado um refúgio de cobras gigantes?

    Por que Mato Grosso do Sul é considerado um refúgio de cobras gigantes?

    As águas cristalinas de Bonito e as paisagens alagadas do Pantanal transformaram Mato Grosso do Sul em um dos principais refúgios de sucuris no Brasil. Nos últimos meses, vídeos publicados nas redes sociais mostraram serpentes gigantes nadando próximas de turistas, além de registros raros de acasalamento e caça na natureza.

    As imagens chamaram atenção pela proximidade dos animais com visitantes durante passeios em rios da região. Apesar do tamanho impressionante, especialistas afirmam que a espécie possui comportamento tranquilo e raramente representa perigo para humanos.

    Segundo biólogos, a fama negativa das sucuris surgiu ao longo dos anos por causa do porte avantajado das serpentes e do medo historicamente associado às cobras. Filmes, histórias exageradas e vídeos falsos publicados na internet também ajudaram a reforçar a ideia de que os animais seriam agressivos.

    Na prática, porém, as sucuris costumam evitar contato com pessoas e preferem permanecer afastadas.

    Sucuri flagrada por atletas durante canoagem no MS — (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

    Gigantes dos rios brasileiros

    Das quatro espécies de sucuris existentes no mundo, três vivem no Brasil. Mato Grosso do Sul abriga duas delas: a sucuri-verde e a sucuri-amarela.

    A sucuri-verde (Eunectes murinus) é considerada a maior e mais pesada serpente do planeta. A espécie pode ultrapassar os sete metros de comprimento e atingir cerca de 200 quilos. Já a sucuri-amarela (Eunectes notaeus), bastante comum no Pantanal, possui porte menor, mas também impressiona, com fêmeas chegando a quatro metros.

    Em rios como o Rio Sucuri, em Bonito, a transparência da água permite que turistas observem peixes, plantas aquáticas e até grandes serpentes durante atividades de flutuação e contemplação da natureza.

    A combinação entre ecoturismo, rios cristalinos e áreas preservadas ajuda a explicar a frequência dos encontros com sucuris no estado. Guias turísticos relatam que muitos visitantes chegam receosos, mas mudam de percepção ao observar o comportamento calmo dos animais.

    Na maioria das vezes, as serpentes permanecem imóveis ou apenas nadam lentamente, sem demonstrar qualquer reação aos humanos próximos.

  • Surpreendente: Brasileiros podem ter achado a maior sucuri do mundo em MG

    Surpreendente: Brasileiros podem ter achado a maior sucuri do mundo em MG

    Dois jovens, Matheus Araújo e Gabriel Camargos, gravaram um vídeo que está dando o que falar no Brasil. Os observadores estavam em uma fazenda na zona rural de Lagoa da Prata, no interior de Minas Gerais, às margens do Rio São Francisco, quando se depararam com dezenas de sucuris concentradas no mesmo ponto, atraídas pelos feromônios de uma fêmea gigante.

    Essa fêmea tem nome e se chama Cotoca. A gigante foi avistada pela primeira vez em 2022 e estava desaparecida há cerca de quatro anos. Agora, os dois acreditam ter a reencontrado.

    Relato impressionante

    “Nos últimos dias, a grande fêmea vem liberando feromônios, substância capaz de atrair parceiros a quilômetros de distância! A alta concentração de sucuris aqui não é normal. O que indica que este local pode estar prestes a se tornar palco de um dos eventos mais impressionantes da natureza: o acasalamento!”, escreveram na legenda da postagem.

    Matheus e Gabriel acreditam que a sucuri-verde gigante esteja atualmente com mais de 6 metros de comprimento. Para eles, o animal representa um fenômeno raro e simbólico dentro do ecossistema local.

    “Vocês pensando que sucuri era do Pantanal, da Amazônia… e a maior sucuri do mundo come pão de queijo. Esse é o registro mais épico envolvendo sucuris, envolvendo Minas Gerais, quem sabe envolvendo o Brasil”, disseram eles no registro.

     

  • Sucuri ou jacaré? Turistas confundem animal gigante em rio no Pantanal

    Sucuri ou jacaré? Turistas confundem animal gigante em rio no Pantanal

    Um grupo de turistas, que faziam um passeio por um rio no Pantanal sul-mato-grossense, foram surpreendidos ao se deparar com uma sucuri de grande porte a poucos metros da embarcação. A serpente, que havia ingerido recentemente uma presa, chegou a ser confundida com um jacaré devido ao seu tamanho.

    Visitantes encontram esses predadores o tempo todo nos rios do Pantanal, usados pra passeios e pesca. A sucuri, maior cobra do mundo, caça em silêncio e atinge até 9 metros, enquanto jacarés-açu dominam as corredeiras.

    Uma das turistas que estava no barco relatou a surpresa com o encontro: “Ganhei a viagem. Estou até tremendo. Tenho muito medo desse bicho, mas foi gratificante ver um animal desse tamanho, ainda mais se alimentando”, disse.

    Sucuri é confundida com jacaré por turistas no Pantanal (Foto: Reprodução/ Célio Araújo)

    Cena comum no Pantanal

    O guia Célio Araújo registrou o vídeo viral e explicou que o volume do animal resulta da ingestão recente de um cateto, o porco-do-mato que ele predou logo antes do encontro. Ele ainda afirmou que cenas assim não são incomuns no Pantanal.

    “Sempre estamos na expectativa de encontrar uma sucuri, e quando isso acontece é preciso ter muito cuidado. É um animal arisco, que teme o ser humano, mas não pode ser subestimado”, afirmou.

     

  • Fotógrafo faz registro único de um veado branco raro no Pantanal

    Fotógrafo faz registro único de um veado branco raro no Pantanal

    Uma imagem que está viralizando nas redes mostra algo que muitos pesquisadores nem esperavam: um veado‑campeiro completamente branco passeando pelo Pantanal. O registro, feito pelo fotógrafo e guia de safári Fábio Mitsuka Paschoal, virou “fantasma do Pantanal” nas redes, e expõe um lado pouco falado do albinismo animal: é bonito, raro… e, em muitos casos, muito mais perigoso do que parece.

    O que faz esse veado parecer um “fantasma”

    O animal fotografado é um veado‑campeiro (Ozotoceros bezoarticus), espécie típica de campos abertos e áreas de transição, normalmente reconhecida pela pelagem marrom‑avermelhada que a ajuda a se misturar à vegetação. Já o exemplar flagrado no Pantanal apresenta albinismo, uma mutação genética rara que impede a produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele, aos pelos e aos olhos.

    O veado branco como termômetro do Pantanal
    (Foto: Fábio Paschoal)

    Como resultado, o veado aparece com pelagem totalmente branca, olhos mais claros e contorno muito marcado contra o verde e o dourado do Pantanal, justamente o contrário do que seria ideal para passar despercebido. E o próprio Paschoal comentou que, depois de mais de 15 anos trabalhando como guia na região, foi a primeira vez que viu um animal como esse.

    Albinismo: raro, mas caro para a sobrevivência

    Especialistas explicam que o albinismo é uma condição hereditária, recessiva, que costuma aparecer quando dois pais portadores do gene se reproduzem. Em ambientes naturais, a ausência de pigmento pesa muito: o animal fica mais visível para predadores, além de enfrentar maior sensibilidade à luz solar e risco de doenças de pele e problemas de visão.

    No caso do veado‑campeiro, isso é um problema sério, porque a espécie já vive pressionada pela destruição de campos, caça ilegal e atropelamentos. A combinação de vulnerabilidade ecológica com coloração chamativa aumenta a chance de o animal ser atacado ou ser mais facilmente caçado.

    Quando a genética pesa mais que a camuflagem (Foto: Fábio Paschoal)

    Por que esse registro é um “em 1 milhão”

    Fábio Paschoal comparou o encontro a algo como “um em 1 milhão”. A chance de um animal nascer com albinismo na natureza é muito baixa. Em populações isoladas ou com endogamia, essa chance pode subir um pouco, mas ainda assim o albinismo continua sendo um evento raro.

    O mesmo filhote albino já foi visto várias vezes pelos guias de safári da região. Isso mostra que ele conseguiu, até agora, driblar parte dos riscos que sua genética traz. Pesquisadores veem nisso um sinal de que a área protegida e o cuidado dos safáris atuam como um escudo para esse animal tão singular.

    O veado‑campeiro albino virou um termômetro visual do que resta de naturalidade no Pantanal. Se um animal tão marcante consegue sobreviver em plena natureza, é sinal de que a proteção ambiental ainda funciona em parte.

     

  • Natureza bruta: sucuri ataca peixe com ferrões

    Natureza bruta: sucuri ataca peixe com ferrões

    Um flagrante raro da natureza chamou atenção nas redes sociais: o pescador, guia de pesca e influencer Rony Dronov registrou o momento em que uma sucuri esmagava um peixe armal às margens do rio Dourado, na região de Porto Vilma, município de Deodápolis, no Mato Grosso do Sul. As imagens mostram a serpente em plena ação de caça. E revelam um duelo que poucos esperariam ver: o maior predador aquático do Pantanal frente a frente com um peixe de defesas poderosas o suficiente para matar.

    https://www.instagram.com/p/DXdNOshkrg8/

    A sucuri pertence ao gênero Eunectes e figura entre as maiores serpentes do mundo em massa corporal. Sem peçonha, ela mata por constrição: prende a presa com os dentes, envolve o corpo ao redor dela e aumenta a pressão até causar parada cardíaca. A sucuri-verde, espécie mais comum e estudada, pode atingir até sete metros de comprimento e pesar mais de 130 quilos, embora animais com mais de cinco metros sejam raros de se encontrar.

    No cardápio habitual dessa serpente entram peixes grandes, aves aquáticas, capivaras e até jacarés jovens. A sucuri gigante ocupa o topo da cadeia alimentar nos rios, corixos e áreas alagadas do Pantanal, com estratégia de caça baseada na emboscada: o animal permanece quase totalmente submerso, ataca com rapidez e envolve a presa com o corpo.

    Mas o armal não é uma presa qualquer.

    O peixe pré-histórico blindado

    Conhecido cientificamente como Pterodoras granulosus, o armal, também chamado de abotoado, armado ou bacu-pedra, pertence à família dos Doradídeos e aparece em vários rios brasileiros. Nos rios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, habita poços fundos e pode atingir 70 cm de comprimento.

    Foto: Blog do Pescador

    O armal possui uma capa protetora na cabeça, dois ferrões laterais e um ferrão dorsal, características raras entre as espécies de peixes brasileiros. Os ferrões e o dorsal podem causar lesões graves em pessoas desavisadas ou que manuseiem o peixe de forma inadequada.

    Essas defesas físicas funcionam de maneira passiva. As placas endurecidas se projetam para fora do corpo e os ferrões são capazes de causar perfurações profundas, sem que o peixe precise reagir ativamente. O risco para predadores está justamente na possibilidade de cortes e perfurações internas ao engolir o animal.

    Em casos já documentados na região, essa armadura se mostrou fatal para a própria sucuri. Registros anteriores no rio Dourado mostram que sucuris morreram após engolir um armal inteiro, com o abdômen excessivamente inchado e os órgãos internos perfurados pelas placas e ferrões da presa. O episódio flagrado por Rony Dronov mostra exatamente esse risco: a serpente em ação contra um dos poucos peixes capazes de virar o jogo.

    O rio Dourado e a fauna do Pantanal sul-mato-grossense

    O rio Dourado, que corta a região de Deodápolis e Naviraí no sul de Mato Grosso do Sul, integra a bacia hidrográfica do Pantanal e concentra grande diversidade de fauna aquática e semiaquática. A área de Porto Vilma, onde Rony Dronov fez as imagens, é ponto frequentado por pescadores esportivos justamente pela riqueza de espécies.

    Avistamentos de sucuris de grande porte às margens do rio Dourado não são incomuns. Recentemente, outra sucuri chamou atenção de pescadores ao aparecer descansando na margem do rio, aparentemente em processo de digestão após se alimentar. A presença constante desses animais reforça a preservação do ecossistema na região.

    Preservar é essencial

    Especialistas reforçam que é um mito que sucuris atacam pessoas. Não há registros históricos comprovados de sucuris que tenham comido humanos no Brasil. E esses animais, apesar do tamanho, têm temperamento tranquilo e preferem fugir a atacar.

    Sucuris, como qualquer animal silvestre, não devem ser mortas. Ao preservar a fauna e a flora, é possível continuar a prática da pesca como a conhecemos. A Lei nº 9.605/1998 prevê detenção de 6 meses a 1 ano, além de multa, para quem matar, perseguir, caçar ou apanhar espécimes da fauna silvestre.

    O flagrante de Rony Dronov, além de render imagens impressionantes, serve como lembrete do que o Pantanal esconde: disputas silenciosas, predadores imponentes e presas que surpreendem. A natureza, como sempre, não precisa de roteiro.

  • Essa cena rara no Pantanal emocionou todos que estavam no barco

    Essa cena rara no Pantanal emocionou todos que estavam no barco

    Um encontro raro e emocionante marcou uma expedição no Pantanal. Após dias de observação, uma equipe conseguiu registrar uma cena incomum: uma mãe acompanhada não de um, mas de dois filhotes, em uma área remota da região.

    O momento surpreendeu todos a bordo. Além disso, reforçou a importância da paciência e do respeito ao ritmo da natureza, especialmente em ambientes selvagens e de difícil acesso.

    https://www.instagram.com/reel/DWbjO2lFUP7/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Dias de espera até o momento certo

    O registro só aconteceu após uma rotina intensa de observação. Segundo o guia local Seu Eduardo, que atua na região há mais de uma década, a cena não é comum.

    Ele percorreu diariamente o mesmo trajeto por cerca de sete dias até finalmente presenciar o momento.

    A experiência mostra que, no Pantanal, cada encontro com a fauna depende de tempo, silêncio e persistência. Diferente de outros destinos turísticos, ali a natureza dita as regras.

    Acesso difícil e natureza intacta

    A região onde o registro aconteceu fica no chamado Pantanal Norte, uma área marcada por extensas planícies alagadas e acesso predominantemente fluvial.

    Nesse cenário, os animais circulam livremente por grandes áreas de água e vegetação. Por isso, avistamentos exigem deslocamentos de barco e observação cuidadosa.

    Para quem vive a experiência, definir o Pantanal não é simples. A grandiosidade da paisagem, somada à biodiversidade, transforma cada expedição em algo imprevisível.

    Por isso, registros como esse ganham ainda mais valor. Eles não apenas emocionam, mas também aproximam o público da realidade de um dos ecossistemas mais importantes do planeta.

    Um símbolo de esperança

    A presença de dois filhotes ao lado da mãe representa mais do que uma cena bonita. Na prática, indica reprodução ativa e reforça a importância da preservação do bioma.

    Momentos como esse evidenciam a riqueza da fauna pantaneira e mostram como áreas preservadas são essenciais para a continuidade das espécies.

  • Pantanal abriga 190 espécies de aves migratórias

    Pantanal abriga 190 espécies de aves migratórias

    O Pantanal mato-grossense, maior área úmida contínua do planeta e um dos biomas mais preservados do Brasil, é ponto de parada obrigatório para 190 espécies de aves migratórias. Vindas do Canadá e dos Estados Unidos ou em sentido contrário, partindo da Patagônia, essas aves encontram no bioma alimento, descanso e segurança durante suas longas jornadas continentais.

    Foto: Saul Shramm / ASCOM

    É justamente essa relevância ecológica que levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a escolher Campo Grande para sediar a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15). O evento será realizado entre os dias 23 e 29 de março. O evento deve reunir entre 2 mil e 3 mil especialistas de aproximadamente 100 países. A chamada Zona Azul (Blue Zone) funcionará no Expo Bosque, no Shopping Bosque dos Ipês, com atividades paralelas em outros pontos da cidade.

    Rota pantaneira: uma parada no coração da América do Sul

    Pesquisadores da Embrapa Pantanal identificaram 27 espécies, a maioria maçaricos (família Scolopacidae). Elas cruzam Mato Grosso do Sul durante suas migrações entre o Hemisfério Norte e o extremo sul do continente. Essas aves chegam da Argentina, Chile, Uruguai e do Rio Grande do Sul. E fazem uma escala no Pantanal, que pode durar dias ou semanas e seguem rumo à Colômbia e à Venezuela.

    Segundo os pesquisadores Alessandro Pacheco Nunes e Walfrido Moraes Tomas, espécies ligadas a ambientes aquáticos representam 18% da comunidade de aves de Mato Grosso do Sul. E estão concentradas principalmente no bioma pantaneiro e na planície de inundação do alto rio Paraná. O Pantanal abriga, segundo os especialistas, as maiores populações de aves aquáticas continentais do Brasil.

    Além das aves, o bioma também é caminho para peixes migratórios como o pintado (Pseudoplatystoma corruscans) e o dourado (Salminus brasiliensis), que realizam a piracema, a migração sazonal para reprodução. E ainda é lar de uma das maiores populações de onça-pintada (Panthera onca) do mundo. A espécie depende da conectividade de habitats entre países para garantir sua sobrevivência genética.

    Foto: Saul Shramm / ASCOM

    COP15: cooperação internacional para proteger espécies em risco

    A Conferência das Partes debate medidas de proteção para espécies migratórias ameaçadas de extinção, unindo esforços de todos os países por onde elas transitam. Atualmente, 133 nações são signatárias do Tratado de Proteção às Espécies Migratórias. Um número ainda inferior às 198 partes da Convenção sobre Mudanças Climáticas, conforme destacou Rita Mesquita, secretária de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

    O secretário estadual Jaime Verruck, da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), ressalta que preservar habitats conectados é condição essencial para a sobrevivência das espécies em trânsito. “Ao proteger áreas úmidas do Pantanal, assim como remanescentes do Cerrado e da Mata Atlântica, Mato Grosso do Sul contribui diretamente para a segurança das rotas migratórias de aves, mamíferos e peixes que atravessam fronteiras em suas rotas de sobrevivência”, afirmou.

    Lei do Pantanal protege salinas, landizais e corredores ecológicos

    Com cerca de 150 mil quilômetros quadrados, a planície pantaneira é regulada pela Lei Estadual nº 6.160, de dezembro de 2023, a Lei do Pantanal. A legislação classifica as salinas como Área de Proteção Permanente (APP), incluindo o corpo d’água e uma faixa de 100 metros ao redor. Proprietários rurais são obrigados a manter ao menos 40% da vegetação nativa intacta. Enquanto os landizais, áreas inundáveis com densa cobertura vegetal, têm proteção total, tanto do curso d’água quanto de suas margens.

    A lei também prioriza a criação de corredores ecológicos, conectando reservas ambientais e áreas de proteção para favorecer o deslocamento da fauna. Entre as espécies beneficiadas está a onça-pintada, que a convenção da Organização das Nações Unidas passou a reconhecer formalmente como espécie migratória ameaçada de extinção durante a COP14 da Convenção sobre Espécies Migratórias, realizada em 2024.

    A bióloga Bruna Oliveira, da Semadesc, explica que, apesar de não realizar migrações sazonais de longa distância como aves ou baleias, a onça-pintada tem populações cujas áreas de vida atravessam fronteiras nacionais de forma regular. “Ela depende da conectividade internacional de habitats para garantir o fluxo gênico da espécie”, detalhou.

  • Do fruto à inovação: jatobá vira farinha, licor e pomada cicatrizante

    Do fruto à inovação: jatobá vira farinha, licor e pomada cicatrizante

    Pesquisadores brasileiros estão impulsionando o uso do jatobá, fruto nativo de casca dura presente em cinco biomas; Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. Tradicionalmente conhecido pelo uso de sua madeira, o jatobá começa a se firmar como uma planta alimentícia não convencional (PANC) de alto potencial econômico e sustentável.

    O Projeto Jatobá, conduzido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Tupã e coordenado pela geógrafa Izabel Castanha Gil, tem como principal meta organizar e valorizar a cadeia produtiva do fruto. “Mapeamos os pontos de coleta em cerca de 30 municípios paulistas e trabalhamos com grupos indígenas do Mato Grosso, que já utilizam o jatobá tradicionalmente. Também articulamos ações de reflorestamento com a espécie”, explica Izabel.

    A iniciativa reúne parcerias com universidades e instituições como o Sebrae, Fatec Marília, Embrapii e Cati-SP. O objetivo é unir pesquisa, inovação e capacitação para transformar o jatobá em fonte de renda e conservação ambiental.

    Entre os produtos desenvolvidos estão farinha de jatobá (já usada na merenda escolar), vinagres feitos da casca, creme com cacau e amendoim, mistura para bolo instantâneo, licor e xarope. Segundo Izabel, o próximo desafio é encontrar parceiros que garantam escala de produção.

    Na área de panificação, a Fatec Marília criou um fermento natural à base da seiva do jatobá, rico em cálcio, ferro, magnésio e fibras, e totalmente livre de glúten. No Oeste paulista, o município de Adamantina foi reconhecido em 2025 como Cadeia Produtiva Local (CPL) do jatobá, o que possibilita novos incentivos para produtores e empreendedores.

    Até queijo

    A inovação também chega aos laticínios. Uma queijaria local desenvolveu queijo trufado com creme de jatobá, cacau e amendoim. Além de queijo curado em licor de jatobá, resultado de parcerias com o projeto.

    Pesquisadores de Porto Alegre colaboram com o desenvolvimento de um larvicida natural contra o Aedes aegypti, feito a partir da resina do jatobá, atualmente em fase de testes de campo. A mesma resina é base para uma pomada cicatrizante que passa por estudos bioquímicos avançados. “A produção ainda é experimental, mas a demanda crescente já mobiliza comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul”, destaca Izabel.

    Ele também integra programas de reflorestamento e compensação ambiental, com potencial para gerar créditos de carbono. Mais de 20 mil mudas já foram plantadas em propriedades privadas e áreas públicas da região.

    Árvore de jatobá. Foto: Wilson Fortunato/Flickr

    A árvore leva de 10 a 12 anos para frutificar. Mas depois disso, pode produzir até 200 quilos de frutos a cada dois anos, mantendo a produtividade por mais de um século. Com tanto potencial, o jatobá se firma como símbolo de sustentabilidade, inovação e valorização da biodiversidade brasileira.

  • Tamanduá-bandeira enfrenta onça-pintada no Pantanal; veja o vídeo

    Tamanduá-bandeira enfrenta onça-pintada no Pantanal; veja o vídeo

    Um estudante de engenharia elétrica registrou, na madrugada da última sexta-feira (27/2), um confronto raro entre um tamanduá-bandeira e uma onça-pintada no Pantanal mato-grossense. Olavo Arruda capturou as imagens nas proximidades da rodovia Transpantaneira, em Poconé (MT). E o vídeo rapidamente surpreendeu internautas, principalmente pelo desfecho: o tamanduá saiu vencedor.

    https://www.instagram.com/p/DVUxwcmEuQc/

    Nas imagens, os dois animais se encaram antes de iniciarem o embate. O tamanduá avança e consegue afastar o felino, que recua e segue em direção à mata.

    O fotógrafo e gestor ambiental Ailton Lara divulgou o registro em seu perfil no Instagram e classificou o encontro como “raro”. Segundo ele, o resultado desse tipo de confronto depende menos de força bruta e mais de técnica.

    “A onça-pintada está no topo da cadeia alimentar, mas confrontos com tamanduás são raros. De um lado, a onça possui mordida extremamente forte; do outro, o tamanduá conta com garras enormes e afiadas. O vencedor depende muito mais de técnica e estratégia do que apenas força”, afirmou Ailton.

    O tamanduá-bandeira: o gigante sem dentes que não tem medo de nada

    O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é o maior das quatro espécies de tamanduás existentes. O animal mede entre 1,8 e 2,1 metros de comprimento e pode pesar até 41 kg. Apesar do porte imponente, um detalhe surpreende: o animal não possui dentes. Sua língua, porém, pode chegar a 1 metro de comprimento, com saliva viscosa e pegajosa. Isso é essencial para capturar os insetos de que se alimenta.

    O tamanduá consome cerca de 35 mil insetos por dia, principalmente formigas e cupins. Para capturá-los, consegue esticar e retrair a língua até 150 vezes por minuto. Ao se locomover, dobra as garras para dentro e pisa sobre o dorso das patas, evitando desgastá-las, pois são sua principal arma de defesa.

    E armas não faltam: quando se sentem ameaçados, os tamanduás sentam sobre as patas traseiras e atacam com suas imensas garras. A expressão “abraço de tamanduá” vem justamente dessa técnica de ataque, em que o animal encrava as garras nas costas do adversário.

    Os filhotes ficam nas costas da mãe durante os primeiros meses de vida, parecendo uma mochila. E o padrão de pelagem os camufla com o corpo da progenitora. A espécie é solitária, vista em duplas apenas no acasalamento e durante a amamentação.

    Apesar da aparência lenta e pacata, o tamanduá-bandeira consegue nadar e, com suas imensas garras, também sobe em árvores. Seu olfato é altamente desenvolvido, o que compensa a visão precária.

    Em termos de conservação, o cenário é preocupante. A população de tamanduás diminuiu cerca de 30% nos últimos 26 anos, com a perda de quase 50% do Cerrado, bioma que abriga a maior parte da espécie. Desmatamento, caça, atropelamentos em estradas e incêndios florestais figuram entre as principais ameaças.

    A onça-pintada: o maior felino das Américas e símbolo de poder

    Do outro lado do confronto estava um dos animais mais icônicos do Brasil. A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, ficando atrás apenas do tigre e do leão.

    Considerada predadora do topo da cadeia, a onça se alimenta de pequenos tatus e cutias a jacarés e antas, controlando populações de presas e sendo fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas. Sua mordida é a mais forte entre todos os felinos do planeta, força suficiente para perfurar o crânio de presas como os jacarés.

    Os animais têm hábitos predominantemente crepusculares e noturnos, com pico de atividade ao fim da tarde e início da noite. Isso explica o horário do confronto registrado na Transpantaneira.

    Cada onça-pintada tem um padrão único de manchas, funcionando como uma verdadeira “impressão digital”. São animais solitários e territorialistas, demarcando sua área com urina, excrementos e marcas de garras nas árvores.

    Cerca de 50% da população mundial de onças-pintadas vive no Brasil. O Pantanal concentra cerca de 20 mil indivíduos, a maior densidade da espécie no mundo. Mesmo assim, a espécie enfrenta sérias ameaças: a perda de habitat, a caça e a demanda crescente por partes do animal para uso na medicina tradicional chinesa colocam as onças em risco.

    Dois ícones ameaçados

    O confronto registrado em Poconé vai além do espetáculo visual. Reúne dois dos animais mais emblemáticos da fauna brasileira em um momento que especialistas classificam como excepcional. Ambas as espécies enfrentam pressão crescente pela destruição de habitats e, paradoxalmente, dividem o mesmo território cada vez mais reduzido.

    O vídeo serve como lembrete de que o Pantanal ainda guarda cenas que surpreendem até os mais experientes pesquisadores. E de que preservar esse bioma é essencial para que encontros como esse continuem acontecendo.