Tag: pantanal

  • Onça-pintada que interpretou Maria Marruá em ‘Pantanal’ espera filhotes em Goiás

    Onça-pintada que interpretou Maria Marruá em ‘Pantanal’ espera filhotes em Goiás

    Mati, a onça-pintada que ficou conhecida nacionalmente após participar do remake de Pantanal, está prenha. O animal vive atualmente sob os cuidados do Instituto NEX No Extinction, em Corumbá de Goiás (GO).

    A gestação foi anunciada pelo instituto em 21 de agosto. Segundo a equipe responsável por Mati, ela já estava com pouco mais de 80 dias de gestação.

    Como a gestação de uma onça-pintada dura aproximadamente 100 a 110 dias, a estimativa do NEX é que os filhotes nasçam em até 20 dias após o anúncio.

    https://www.instagram.com/reel/DcJ-kgcv4sb/?utm_source=ig_web_copy_link&igsi=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Gestação de Mati faz parte de trabalho de conservação

    A gravidez vai além da curiosidade em torno da antiga estrela da televisão. Mati integra um trabalho voltado à conservação da onça-pintada e à manutenção de uma população geneticamente saudável sob cuidados humanos.

    O Instituto NEX destacou que o animal tem origem ligada ao Cerrado, o que aumenta sua relevância para os esforços de conservação da espécie nesse bioma.

    Mati vive no criadouro conservacionista do instituto, localizado em Corumbá de Goiás, a cerca de 110 quilômetros de Goiânia.

    Esta é a segunda gestação da onça, segundo informações divulgadas pelo NEX. Durante esse período, ela é acompanhada pela equipe responsável, inclusive com atenção à alimentação.

    Estrela de Pantanal

    Mati ficou conhecida do grande público em 2022, quando participou do remake de Pantanal, exibido pela TV Globo.

    Na novela, a onça aparecia nas sequências que representavam as transformações de Maria Marruá e Juma Marruá, personagens interpretadas por Juliana Paes e Alanis Guillen, respectivamente.

    Matí é a onça-pintada que estrela ‘Pantanal’ (Foto: Divulgação/Instituto NEX)

    Daniela Gianni, coordenadora de Projetos e Atividades do instituto, revela que Mati nasceu em cativeiro e viveu durante toda a vida sob cuidados humanos. Antes de participar da produção, ela passou por um período de preparação.

    “Foram necessários oito meses de condicionamento intenso, todos os dias, para que ela pudesse executar as cenas sem gerar estresse para ela”, explicou Daniela.

    Segundo o NEX, a onça foi encontrada sozinha e resgatada em uma rodovia quando ainda era um filhote. Ela teria crescido cercada de humanos, o que impossibilitaria sua soltura na natureza. mas também tornou possível sua participação na novela.

    Além disso, a atriz Juliana Paes também deu mais detalhes de como foi contracenar com Matí para a novela.

    “A gravação com a onça foi diferente porque nós tivemos interação com a Matí. Foi cercada de protocolos e muito cuidado para não estressar o animal. A emoção com a onça foi a emoção de criar um contato íntimo com o bicho através do olhar.”

    A proximidade entre as duas na cena, porém, foi feita através de computação gráfica e efeitos visuais.

  • Ameaçada de extinção, arara-azul recebe proteção no Pantanal

    Ameaçada de extinção, arara-azul recebe proteção no Pantanal

    A arara-azul voltou à lista nacional de espécies ameaçadas de extinção em junho deste ano. O novo status reforça o alerta para a conservação da ave e, principalmente, para a recuperação das árvores das quais ela depende para se alimentar e se reproduzir no Pantanal.

    Entre os dias 24 e 28 de agosto, o fotógrafo e ambientalista Mario Barila, fundador do Projeto Água Vida, participa de uma nova etapa de plantio na região. A iniciativa dá continuidade ao trabalho iniciado com a criação do primeiro Bosque das Araras, em Bonito (MS), em outubro de 2025.

    Desta vez, voluntários irão plantar 50 mudas na Fazenda Caiman, em uma ação organizada pelo Instituto Arara Azul, com apoio do Projeto Água Vida e de outros parceiros. A entrega das mudas está prevista para 26 de agosto, a partir das 7h, com a participação de Barila.

    Foto: Mario Barila/Projeto Água Vida

    Entre as espécies escolhidas estão árvores frutíferas e silvestres importantes para a fauna pantaneira. Uma delas, porém, ocupa papel central na conservação da arara-azul: o manduvi, também conhecido como amendoim-de-bugre ou amendoim-de-arara.

    A árvore desenvolve cavidades naturais em seu tronco que são utilizadas pelas araras-azuis para construir seus ninhos. A redução da presença do manduvi no Pantanal, especialmente em áreas atingidas pelo fogo, ameaça diretamente a disponibilidade desses locais de reprodução.

    “O manduvi é fundamental para a preservação da ave. Porém, a quantidade de árvores dessa espécie vem diminuindo com as queimadas e é importante recuperar esse número”, afirma Mario Barila.

    Viveiro parceiro fornece mudas para plantio no Pantanal

    As 50 mudas serão doadas pelo Projeto Água Vida e fornecidas pela viveirista Élida Aivi, por meio da Chácara Boa Vida, parceira de longa data da iniciativa. O viveiro mantém uma área destinada à produção de espécies que oferecem alimento e abrigo para as araras, estruturada a partir de insumos anteriormente doados pelo projeto.

    O plantio será realizado próximo à Base de Pesquisas do Instituto Arara Azul, que mantém parceria com a Fazenda Caiman desde 1998. Ao longo das últimas décadas, a região se consolidou como um importante centro reprodutivo da arara-azul em ambiente natural.

    Esta será a terceira parceria entre Mario Barila e o Instituto Arara Azul.

    Os incêndios recorrentes no Pantanal e os efeitos das mudanças climáticas estão entre as ameaças enfrentadas pela espécie. Além de depender do manduvi para a reprodução, a arara-azul tem uma alimentação fortemente ligada aos frutos de palmeiras como acuri e bocaiuva.

    “Com os incêndios recorrentes no Pantanal e os impactos das mudanças climáticas, a arara-azul e seu habitat vêm enfrentando novos desafios. A espécie depende de poucas árvores para fazer seus ninhos, especialmente o manduvi. Também, por ter uma alimentação que depende especialmente de dois frutos, do Acuri e da Bocaiuva. A doação de mudas pelo Projeto Água Vida fortalece esse trabalho de recuperação do ambiente e a formação do Bosque das Araras”, afirma Eliza Mense, diretora-executiva do Instituto Arara Azul.

    Plantio também chegará ao território indígena Kadiwéu

    A iniciativa não ficará restrita à Fazenda Caiman. Nos dias 27 e 28 de agosto, durante a mesma viagem, Barila seguirá para a Aldeia Tomázia, localizada no território indígena do povo Kadiwéu, no Pantanal.

    Conhecidos historicamente como “índios cavaleiros do Pantanal”, os Kadiwéu mantêm uma forte relação cultural com os cavalos. Durante a visita, além do plantio de manduvis e árvores frutíferas pantaneiras, Barila realizará um ensaio fotográfico com indígenas e seus cavalos caracterizados com as tradicionais pinturas de festa.

    O plantio também pretende gerar benefícios diretos para a comunidade. As árvores frutíferas poderão fornecer alimentos, enquanto os manduvis contribuirão para a recuperação da vegetação utilizada pela fauna da região.

    As fotografias produzidas durante a passagem pela aldeia serão incorporadas ao acervo do Projeto Água Vida, que comercializa imagens para ajudar a financiar ações socioambientais em diferentes biomas brasileiros.

    Recuperação de árvores ajuda a proteger a arara-azul

    A criação de novos Bosques das Araras busca recuperar pontos importantes para alimentação, abrigo e reprodução da fauna. No caso da arara-azul, a disponibilidade de determinadas espécies vegetais é especialmente importante para sua sobrevivência.

    Por isso, o plantio de árvores como o manduvi, acuri e bocaiuva pode contribuir para reconstruir partes do habitat afetadas por incêndios e outras alterações ambientais no Pantanal.

    Para Barila, recuperar essas áreas vai além da proteção de uma única espécie e pode beneficiar todo o ecossistema pantaneiro.

    “Cada árvore plantada é também uma oportunidade de devolver à fauna um pouco do espaço que ela perdeu. Quando se trata da arara-azul, recuperar as árvores que oferecem alimento e locais para seus ninhos é ajudar a preservar todo um ecossistema”, afirma.

  • Vídeo de sucuri coberta de carrapatos no Pantanal viraliza; entenda

    Vídeo de sucuri coberta de carrapatos no Pantanal viraliza; entenda

    Um vídeo de uma sucuri-amarela coberta de carrapatos ganhou repercussão nas redes sociais e despertou a curiosidade de milhares de internautas. O guia de turismo e produtor de conteúdo do Pantanal Brazil, Zé Mineiro, registrou a serpente com diversos carrapatos concentrados na cauda, no Pantanal de Mato Grosso do Sul.

    https://www.instagram.com/p/DbS1_yaRvqa/

    Apesar da aparência incomum para quem desconhece o comportamento desses animais, especialistas garantem que a cena integra a dinâmica natural do ecossistema. Embora esses parasitas estejam normalmente associados aos mamíferos, diversas espécies também utilizam aves e répteis como hospedeiros, entre eles lagartos, jabutis, jacarés e outras espécies de serpentes

    Escamas finas favorecem a fixação dos carrapatos

    A anatomia da sucuri facilita a instalação dos parasitas. Os carrapatos costumam se fixar em regiões onde as escamas são mais finas ou onde a pele apresenta pequenas dobras, o que facilita a perfuração e a alimentação. Esses pontos específicos do corpo, como a região da cauda, oferecem menos resistência para a picada e permitem que o parasita permaneça grudado por mais tempo.

    A quantidade expressiva de carrapatos observada no vídeo levanta uma pista sobre o comportamento recente do animal. Pela quantidade de parasitas observada, a serpente provavelmente permaneceu fora da água por um período prolongado, o que favoreceu o acúmulo dos carrapatos. Como a sucuri-amarela tem hábitos semiaquáticos, quanto mais tempo ela passa em terra, maior a exposição a esses aracnídeos.

    Como a sucuri elimina os parasitas sozinha

    A própria fisiologia da serpente trabalha a favor do controle da infestação. Ao mergulhar e permanecer submersa por períodos longos, o animal consegue se livrar de parte dos carrapatos, mesmo eles sendo bastante resistentes. Ainda assim, as serpentes seguem sujeitas à ação desses parasitas.

    A troca de pele, processo chamado de ecdise, funciona como um segundo mecanismo de limpeza. Durante a renovação da pele, muitos carrapatos saem junto com a camada antiga. Embora alguns parasitas firmemente fixados possam permanecer no animal até completarem a alimentação ou se soltarem por conta própria.

    Mesmo com o impacto causado pelas imagens, pesquisadores da fauna silvestre não classificam o episódio como raridade. Apesar de a cena causar estranhamento no público leigo, é comum que sucuris sejam parasitadas por carrapatos. A sucuri-amarela (Eunectes notaeus), símbolo do Pantanal sul-mato-grossense, segue como uma das espécies mais suscetíveis a esse tipo de infestação sazonal, sem que isso indique risco à saúde do animal.

  • Urubu tenta comer jacaré e cena chama atenção no Pantanal

    Urubu tenta comer jacaré e cena chama atenção no Pantanal

    Um vídeo gravado no Pantanal chamou atenção nas redes sociais ao mostrar um urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) tentando se equilibrar sobre a carcaça de um jacaré que boiava no Rio Cuiabá. Enquanto tentava se alimentar, a ave girava junto com o réptil.

    O flagrante foi feito durante um passeio turístico conduzido pelo guia Mateus Filipe Rauber, de 33 anos.

    Segundo ele, o grupo procurava onças-pintadas quando se deparou com o comportamento incomum da ave.

    “O que me chamou a atenção foi o urubu não conseguir se equilibrar sobre o jacaré já inchado, criando uma cena curiosa e divertida”, relatou.

    Apesar do aspecto inusitado, especialistas explicam que a situação faz parte do ciclo natural do Pantanal.

    https://www.instagram.com/reel/DbBWHxxx_XM/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Por que a ave girava sobre o animal?

    De acordo com o ornitólogo Guilherme Brito, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, o animal registrado é um urubu-de-cabeça-preta, uma das aves necrófagas mais comuns do Brasil.

    Segundo o pesquisador, o movimento não foi provocado intencionalmente pelo animal. A instabilidade da carcaça fez com que o urubu girasse repetidamente enquanto tentava iniciar a alimentação.

    Urubus têm dificuldade para comer jacarés

    Embora sejam especialistas em localizar animais mortos, os urubus enfrentam um desafio quando encontram jacarés, já que couro espesso do réptil impede que a ave consiga romper a pele para alcançar a carne.

    Por isso, normalmente a alimentação começa por regiões mais vulneráveis, como olhos, narinas, boca ou região cloacal. Além disso, outra possibilidade é aguardar que a decomposição rompa naturalmente a pele da carcaça.

    Segundo Guilherme Brito, apenas o urubu-rei possui força suficiente para abrir carcaças mais resistentes.

    Fundamental para o equilíbrio ecológico

    Apesar da aparência que costuma causar estranhamento, os urubus desempenham uma função essencial nos ecossistemas.

    Ao consumir animais mortos, essas aves aceleram a decomposição da matéria orgânica, reduzem a disseminação de patógenos e ajudam na reciclagem de nutrientes da natureza.

    Segundo Guilherme Brito, a espécie desenvolveu adaptações ao longo da evolução para consumir carne em avançado estado de decomposição sem sofrer prejuízos à saúde.

    Essas aves possuem sistema imunológico altamente eficiente e secreções estomacais extremamente ácidas, capazes de eliminar diversos microrganismos presentes nas carcaças.

  • Nova filhote de jaguatirica vira atração no Zoológico de São Paulo

    Nova filhote de jaguatirica vira atração no Zoológico de São Paulo

    O Zoológico de São Paulo passou a exibir ao público uma filhote de jaguatirica nascida no fim de abril, resultado do programa de conservação da instituição. A cria é filha de dois animais que equipes especializadas resgataram em diferentes regiões do país após situações de risco ambiental.

    https://www.instagram.com/p/DarOTmbS_u7/

    A fêmea Jaci foi resgatada durante os incêndios no Pantanal mato-grossense, em 2024. Após avaliação técnica, especialistas constataram que ela não poderia retornar à natureza. Já o macho Rudá foi encontrado ainda filhote na Floresta Nacional de Tefé (AM), após perder a mãe. O Zoo SP recebeu ambos por meio do programa Avião Solidário, da Latam Airlines, e os integrou às ações de conservação da espécie.

    Nascimento e adaptação monitorada

    A filhote nasceu saudável e permaneceu em área técnica durante os primeiros dois meses de vida, sob monitoramento constante da equipe veterinária. Após exames preventivos e período de adaptação, o zoológico liberou mãe e filha para a área de visitação.

    Filhote de jaguatirica com sua mãe
    Filhote nasceu em abril e passou dois meses sob monitoramento antes de ir à área de visitação. Foto: Leandro Ferreira/ZOO SP

    Desde o nascimento, Jaci cuida integralmente da cria. Nas primeiras semanas, a alimentação ocorreu exclusivamente com leite materno. Após cerca de um mês, a mãe iniciou a introdução de pequenas presas, estimulando os comportamentos naturais da espécie e o desenvolvimento da filhote.

    Comportamento e desenvolvimento

    A jaguatirica apresenta hábitos solitários. A fêmea assume os cuidados com a cria por um longo período, enquanto o macho permanece em recinto separado. Ao atingir a fase adulta, a filhote tende a seguir de forma independente, sem manter vínculos permanentes com a mãe.

    A jaguatirica (Leopardus pardalis) é o maior felino de pequeno porte das Américas, com peso entre 11 kg e 16 kg e cerca de 50 cm de altura. Carnívora, ocupa posição intermediária na cadeia alimentar e se alimenta de roedores, aves e marsupiais, contribuindo para o controle dessas populações.

    Filhote de jaguatirica brincando
    Nascimento reforça ações de conservação da fauna brasileira no Zoo SP. Foto: Leandro Ferreira/ZOO SP

    A espécie ocorre desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina e está presente em todos os biomas brasileiros. Adaptável, vive em florestas tropicais, savanas e áreas de caatinga, com preferência por ambientes de vegetação densa. Apesar de não estar oficialmente ameaçada de extinção, estudos indicam redução gradual das populações em áreas naturais.

    Com hábitos predominantemente noturnos, a jaguatirica pode permanecer ativa por várias horas durante a noite e consumir até 800 gramas de carne nesse período.

    Zoo SP lança campanha com ingressos promocionais

    O Zoológico de São Paulo oferece ingressos com valores promocionais durante o período de férias. Confira:

    • Zoológico de São Paulo: R$ 69,90 (ingresso antecipado)
    • Jardim Botânico: R$ 19,90 (ingresso antecipado)
    • Simba Safari: R$ 69,90 (ingresso antecipado)
    • Combo com cinco atrações (Zoo SP, Jardim Botânico, Simba Safari, Mundo Dino e Acqua Zoo): de R$ 379,50 por R$ 149,90 na compra antecipada
  • Globo encontra no sertanejo e no agro nova fórmula de audiência

    Globo encontra no sertanejo e no agro nova fórmula de audiência

    A TV Globo apresentou nesta terça-feira (25), durante a Rio2C, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, os resultados da pesquisa “Cultura no Espelho: um retrato da relação do país com sua própria cultura”, realizada em parceria com a Quaest. O levantamento trouxe dados sobre os hábitos culturais dos brasileiros e reforçou o crescimento da influência da música sertaneja no país.

    Um dos pontos que mais chamou atenção foi justamente a preferência musical do público. Ao serem questionados sobre o gênero favorito, 26% dos entrevistados escolheram o sertanejo, colocando o estilo na liderança isolada.

    Na sequência aparecem a música gospel/religiosa cristã, com 16%, e os ritmos forró e piseiro, que somaram 10%. Já o tradicional samba/pagode ficou na quarta colocação, com 9%, seguido pela MPB, que registrou 8%.

    Os números mostram uma mudança importante no comportamento cultural do país. Durante décadas, o samba ocupou o posto de principal símbolo musical brasileiro. Agora, o avanço do sertanejo ajuda a explicar a crescente presença do universo agro e interiorano na programação da Globo.

    Novelas rurais e universo sertanejo

    Nos últimos anos, a emissora intensificou a produção de novelas ambientadas no interior do país e passou a investir novamente em histórias ligadas ao sertão, ao agronegócio e à cultura sertaneja.

    Um dos maiores exemplos dessa retomada foi Pantanal, considerada um marco dessa nova fase. A novela apostou em paisagens rurais, conflitos familiares envolvendo terras e personagens ligados à vida no campo, além de trazer forte discurso ambiental e estética cinematográfica.

    Alanis Guillen como Juma Marruá em ‘Pantanal’ — Foto: Globo

    Depois disso, a Globo lançou Mar do Sertão, que apresentou um sertão mais leve e fantasioso, misturando romance popular, humor e referências à literatura de cordel.

    Na sequência veio Terra e Paixão, trama que mergulhou em disputas de terra e poder ligadas ao agronegócio no interior do Mato Grosso do Sul. A novela reforçou o chamado “agrodrama”, gênero que vem ganhando espaço na televisão brasileira.

    Tony Ramos como Antônio La Selva em ‘Terra e Paixão’ — Foto: Globo

    Outra produção que chamou atenção foi Guerreiros do Sol, originalmente lançada no Globoplay e depois exibida na TV aberta. Inspirada no cangaço e em figuras históricas como Lampião e Maria Bonita, a obra mistura romance, violência e política no sertão nordestino.

    Programas reforçam conexão com o agro

    Além das novelas, programas da emissora passaram a explorar com mais frequência elementos ligados ao universo sertanejo e rural.

    O É de Casa, por exemplo, tem investido em especiais realizados em fazendas, festas de peão e eventos culturais do interior. Já o programa Viver Sertanejo, apresentado pelo cantor Daniel, é gravado na fazenda do artista e promove encontros entre gerações da música ao som de muita moda de viola.

    Daniel afirma que programa não é só sobre música, mas celebra toda cultura do campo — Foto: Globo

    Cantores sertanejos brilharam na TV

    A aproximação entre a emissora carioca e o universo sertanejo também ficou evidente na novela das sete Coração Acelerado, que reuniu diversos artistas do gênero em participações especiais;

    Entre os destaques estiveram Paula Fernandes, que interpretou Cecília na primeira fase da novela, além de Ana Castela, que fez uma participação especial.

    Ana Castela se apresenta no bar na trama — Foto: Globo

    A dupla Maiara & Maraisa também integrou a produção com músicas inéditas na trilha sonora e aparições em cenas de shows.

    Já o cantor Daniel apareceu interpretando a si mesmo no programa fictício Viver Sertanejo, enquanto Chitãozinho & Xororó marcaram presença nos capítulos finais da história.

    Chitãozinho e Xororó são recebidos pela família Amaral em ‘Coração Acelerado’ — Foto: Globo

  • Frente fria provoca morte de 83 bovinos em Mato Grosso do Sul

    Frente fria provoca morte de 83 bovinos em Mato Grosso do Sul

    A primeira frente fria de 2026 já trouxe prejuízos para produtores rurais de Mato Grosso do Sul. Segundo a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), cinco propriedades registraram mortes de bovinos por hipotermia, totalizando 83 animais mortos neste mês.

    De acordo com o diretor-presidente da instituição, Daniel Ingold, o problema ocorre quando há uma queda brusca de temperatura acompanhada de chuva, garoa e ventos fortes em poucas horas.

    “Em poucas horas, a temperatura pode cair de 32 °C para 5 °C. Nessas condições, os animais mais vulneráveis são aqueles que já estão debilitados, magros ou estressados, como bois que passaram por transporte recentemente”, explica.

    Segundo Ingold, esses animais ficam mais suscetíveis à hipotermia, principalmente em regiões abertas do Pantanal, onde há pouca vegetação para servir de abrigo contra o vento gelado.

    “Nessa região existem grandes áreas abertas, sem mata ou vegetação para servir de abrigo. Com isso, o animal fica totalmente exposto ao vento gelado, e a sensação térmica acaba sendo muito menor do que a temperatura registrada”, afirma.

    Mortes já ocorreram em outros anos

    O diretor-presidente da Iagro destaca que episódios semelhantes já foram registrados anteriormente no Estado. Em 2010, cerca de 5 mil bovinos morreram em decorrência do frio. Já em 2023, o número chegou a aproximadamente 3 mil animais.

    Neste ano, porém, as notificações somam 83 mortes até o momento.

    “Não dá para dizer que isso é normal, mas também não é algo inédito. O cenário de 2023, por exemplo, foi muito mais grave e chegou a configurar uma emergência sanitária”, diz Ingold.

    Segundo ele, um único produtor da região de Corumbá perdeu 386 cabeças de gado em 2023.

    Manejo adequado pode reduzir prejuízos

    Para minimizar as perdas, a Iagro recomenda reforçar o manejo do rebanho durante períodos de frio intenso. A orientação é manter os animais mais frágeis em áreas protegidas e evitar locais abertos ou próximos de rios e córregos, onde a sensação térmica costuma ser menor.

    Além disso, a suplementação alimentar também ajuda a fortalecer o gado, especialmente porque o frio reduz a qualidade das pastagens e aumenta o déficit nutricional dos animais.

    “Muitas vezes o animal simplesmente deita e morre”, alerta Ingold ao explicar que a hipotermia pode agir rapidamente e sem sinais clínicos evidentes.

    O diretor também afirma que a tecnologia permite prever a chegada das massas de ar frio, o que ajuda os produtores a se prepararem com antecedência.

    Iagro monitora casos para descartar doenças

    Sempre que ocorre uma mortalidade elevada, equipes da Iagro visitam as propriedades para confirmar se a causa das mortes foi realmente hipotermia ou alguma enfermidade.

    Segundo Ingold, o monitoramento é essencial porque Mato Grosso do Sul possui status sanitário de livre de febre aftosa sem vacinação, condição importante para o mercado internacional.

    Ele reforça ainda que os produtores devem comunicar imediatamente os casos à agência para facilitar o acompanhamento e a orientação técnica.

  • Pantanal tem cheia abaixo do esperado em 2026 após chuvas irregulares

    Pantanal tem cheia abaixo do esperado em 2026 após chuvas irregulares

    A cheia de 2026 no Pantanal ficou abaixo da média histórica e reforça o cenário de recuperação incompleta do sistema hidrológico da Bacia do Alto Paraguai (BAP). Dados da estação chuvosa 2025–2026 (outubro a março) mostram avanço nos níveis dos rios, mas ainda insuficiente para recompor o déficit acumulado desde 2019.

    Na régua fluviométrica de Ladário (MS), referência para o monitoramento da planície pantaneira, o nível do rio Paraguai atingiu 1,95 metro em 19 de abril de 2026. O valor ficou cerca de 1,2 metro abaixo da mediana histórica para a data, estimada em 3,18 metros, o que confirma o desvio em relação ao padrão sazonal.

    Levantamento da Embrapa Pantanal indica que o volume de chuvas na BAP, que abrange áreas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ficou entre 10% e 12% abaixo da média histórica entre outubro de 2025 e março de 2026. A análise considera a série de 1981 a 2026 com base em dados de satélite.

    Além do volume menor, a distribuição das chuvas ao longo da estação comprometeu a formação da cheia. Janeiro de 2026 registrou forte anomalia negativa, com pouca precipitação, enquanto fevereiro apresentou recuperação pontual. Esse comportamento irregular impediu a formação de um pulso de inundação contínuo e integrado em toda a bacia.

    De acordo com o pesquisador Carlos Padovani, da Embrapa Pantanal, o regime de cheias no bioma depende não apenas do volume total de chuva, mas da persistência e da sincronização das precipitações em áreas extensas do planalto. Sem essa regularidade, o sistema perde eficiência na geração e propagação das cheias.

    Memória hidrológica mantém impacto

    O histórico recente de seca também influencia diretamente o comportamento atual dos rios. Desde 2019, a Bacia do Alto Paraguai enfrenta déficits sucessivos de armazenamento hídrico, o que cria um efeito conhecido como “memória hidrológica”.

    pantanal
    Foto: Raquel Brunelli/Embrapa

    Nesse contexto, parte da água das chuvas é absorvida na recomposição de solos, aquíferos e canais, o que reduz o escoamento superficial e limita a intensidade das cheias. Como resultado, a resposta hidrológica ocorre de forma desigual na bacia.

    Regiões de montante apresentam elevação mais rápida dos níveis, enquanto a planície pantaneira registra maior dissipação do pulso de inundação. A baixa declividade e a alta capacidade de armazenamento lateral contribuem para esse amortecimento.

    Impactos na pecuária e pesca

    A cheia abaixo da média não deve comprometer a navegação no Pantanal nem atividades como transporte fluvial e turismo. Por outro lado, a pecuária tende a se beneficiar, especialmente nas áreas próximas ao rio Paraguai.

    rio barco pantanal
    Foto: Raquel Brunelli/Embrapa

    Nessas regiões, a combinação de solos férteis e maior disponibilidade de água favorece o crescimento das pastagens nativas, base da alimentação do rebanho bovino.

    Já a pesca enfrenta um cenário desfavorável. A produção de peixes no Pantanal depende diretamente da extensão e da duração das áreas inundadas. Cheias mais intensas e prolongadas ampliam a oferta de alimento e abrigo, fundamentais para o crescimento, a reprodução e a sobrevivência das espécies.

    Com uma cheia reduzida em 2026, a tendência é de menor produtividade pesqueira, já que o ambiente inundado, essencial para o ciclo de vida dos peixes, se torna mais limitado.

  • Cobra-coral rara impressiona biólogo com cores surreais no Pantanal

    Cobra-coral rara impressiona biólogo com cores surreais no Pantanal

    As cores vibrantes de uma cobra-coral verdadeira chamaram a atenção do biólogo e guia do projeto Onçafari, Maurício Abib, durante um encontro raro em Miranda, no Mato Grosso do Sul. O profissional compartilhou o registro nas redes sociais para marcar o encerramento da temporada de grande aparição de serpentes no Pantanal.

    Segundo Abib, o vídeo havia sido gravado há algum tempo, mas ele decidiu publicá-lo apenas agora. Na postagem, ele destacou o comportamento pacífico do animal, apesar da fama perigosa da espécie. “Uma das serpentes mais peçonhentas do mundo, e uma das mais dibouinhas também, só quer paz”, escreveu.

    O biólogo atua na base do Onçafari localizada no Refúgio Ecológico Caiman e revelou que já encontrou a espécie apenas duas vezes desde 2018. De acordo com ele, os avistamentos ocorreram em períodos anteriores à seca no Pantanal.

    “Esse padrão de cores é surreal, hipnotizante, e demonstra que o animal não quer ser importunado por ninguém. Comedora assídua de outras serpentes, tem papel importante no controle dos parentes distantes”, afirmou.

    https://www.instagram.com/reel/DYpCz0kS3Nm/?igsh=NHQ3aTdiM2drMTM=

    Espécie rara e extremamente venenosa

    Conforme informações do Instituto Butantan, a cobra-coral verdadeira costuma permanecer escondida sob folhas, troncos ou até enterrada. Por isso, os encontros com o animal são considerados incomuns. Em geral, ela sai do esconderijo principalmente para caçar ou durante o período reprodutivo.

    Apesar de não apresentar comportamento agressivo, a espécie é considerada uma das mais perigosas do país devido ao veneno potente. Uma picada pode provocar sintomas graves rapidamente, entre eles visão borrada, queda das pálpebras, paralisia muscular e até parada respiratória em casos extremos.

    Enrolar a ponta da cauda é um comportamento de defesa da coral-verdadeira — (Foto: Instituto Butantan)

    Ainda assim, especialistas reforçam que a serpente não costuma atacar seres humanos espontaneamente. Na maioria das situações, ela reage apenas quando é pisada, encurralada ou manipulada.

    Predadora silenciosa de outras cobras

    A alimentação da cobra-coral também chama atenção. O principal alvo da espécie são outras serpentes, incluindo falsas-corais e até exemplares menores da própria família. Além disso, ela também se alimenta de lagartos, anfíbios e pequenos roedores.

    Para capturar as presas, a serpente utiliza o olfato para rastrear os movimentos. Em seguida, ela morde e mantém o ataque até que o veneno faça efeito. Esse comportamento faz da cobra-coral uma importante aliada no equilíbrio ambiental e no controle populacional de outras espécies no Pantanal.

  • Vídeo: Ariranha é flagrada se alimentando em rio do Pantanal e cena impressiona

    Vídeo: Ariranha é flagrada se alimentando em rio do Pantanal e cena impressiona

    Um registro feito no Pantanal mato-grossense chamou atenção nas redes sociais nos últimos dias. Uma ariranha, conhecida popularmente como “onça-d’água”, foi flagrada enquanto se alimentava de um peixe às margens de um rio na região de Porto Jofre, em Mato Grosso.

    O vídeo foi publicado pelo guia turístico Caio Leonardo, que relatou ter passado horas procurando os animais pela região antes de conseguir o encontro. Segundo ele, a cena aconteceu após um longo período de observação em uma área de mata fechada próxima ao rio.

    Busca longa terminou em encontro raro

    De acordo com Caio, o grupo de ariranhas estava escondido em uma mata de galeria, vegetação densa que acompanha as margens dos rios e dificulta a visualização da fauna silvestre.

    Mesmo diante do calor intenso típico do Pantanal, o guia decidiu continuar esperando pela aparição dos animais. A persistência acabou sendo recompensada com uma cena que ele descreveu como uma das mais marcantes já vividas durante suas expedições na região.

    “Apesar do calor do dia, decidi esperar, e a espera foi recompensada com um dos encontros mais incríveis que já tive com esses animais tão brutais, mas ao mesmo tempo tão graciosos”, relatou.

    O flagrante mostra a habilidade da ariranha durante a alimentação, reforçando o comportamento predador da espécie nos rios pantaneiros.

    https://www.instagram.com/reel/DYkD-MmS2Li/?igsh=YWF2c3h1bDNxNmIx

    Conheça a ariranha, a famosa “onça-d’água”

    A ariranha é considerada um dos maiores predadores aquáticos da América do Sul. O animal pode ultrapassar 1,5 metro de comprimento e vive em grupos familiares organizados, comportamento que ajuda tanto na proteção quanto na caça.

    Excelente nadadora, a espécie se alimenta principalmente de peixes. No entanto, também pode capturar crustáceos, aves aquáticas e pequenos répteis presentes nos rios e áreas alagadas do Pantanal.

    Por causa da força, agilidade e comportamento territorial, a ariranha ganhou o apelido de “onça-d’água” entre moradores e visitantes da região pantaneira.