Tag: Oriente Médio

  • Brasil pode se tornar exportador de fruta típica do Oriente Médio

    Brasil pode se tornar exportador de fruta típica do Oriente Médio

    O governo da Bahia e os Emirados Árabes Unidos assinaram uma parceria de cooperação técnica para viabilizar um novo cultivo no semiárido baiano: o de tamareiras, palmeira que produz as tâmaras, fruta típica do Oriente Médio. O acordo prevê investimento estimado de US$ 4 milhões ao longo de cinco anos.

    O plano prevê o plantio inicial de cerca de 10 mil mudas de Phoenix dactylifera, espécie cultivada tradicionalmente no norte da África e no sudoeste da Ásia e que já avança na Bahia graças ao clima quente e seco da região. Municípios como Juazeiro, Uauá, Casa Nova e Riachão das Neves devem concentrar a produção, com ciclo médio de três anos até a primeira colheita.

    Os produtores vão importar as mudas diretamente dos Emirados Árabes. Cada palmeira madura pode gerar até 70 kg de tâmaras por ano.

    Quem está por trás do projeto

    A Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri) e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) assinaram o acordo em parceria com a Fundação Zayed, entidade que reúne organizações filantrópicas de sustentabilidade dos Emirados, e com a Al Foah Company, estatal de Abu Dhabi especializada na produção de tâmaras e considerada uma das maiores produtoras globais do setor.

    tamaras em um recipiente
    Foto de Amy Vann na Unsplash

    A cooperação técnica inclui a transferência de tecnologia, treinamento de agricultores e assistência contínua, com base na experiência acumulada pelos Emirados na produção da fruta. O objetivo imediato é estruturar uma cadeia produtiva capaz de abastecer o mercado nacional. E no médio prazo, a Bahia pretende transformar as tâmaras em produto de exportação.

    Clima semiárido favorece a adaptação da espécie

    Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que a tamareira se desenvolve melhor em regiões com temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar, alta incidência solar e irrigação controlada, condições que o oeste e o norte da Bahia reúnem. A palmeira exige bastante água durante o desenvolvimento dos frutos, mas seu sistema radicular profundo permite que ela resista a longos períodos de seca.

    Outras iniciativas semelhantes já avançam pelo Nordeste, com projetos e testes de adaptação também em estados como Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Todos com clima quente e seco favorável à cultura.

    Primeiras mudas chegam ao Brasil e passam por quarentena

    Em julho de 2026, o Brasil recebeu as primeiras 100 mudas importadas dos Emirados Árabes, com 12 variedades diferentes da espécie. A Embrapa enviou o material para quarentena no Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), em Brasília. Uma etapa que pode durar meses e que visa proteger os futuros plantios de pragas e doenças exóticas, seguindo protocolos rigorosos de manejo sanitário.

    Dados do Ministério da Agricultura mostram que as importações brasileiras de tâmaras saltaram de 776 toneladas para mais de 4,3 mil toneladas anuais na última década, alta superior a 450%. Hoje, países árabes como os próprios Emirados, a Tunísia, Israel, a Arábia Saudita e o Egito atendem praticamente toda a demanda nacional. O Egito, aliás, lidera a produção mundial da fruta, com cerca de 1,8 milhão de toneladas por ano.

    A tâmara reúne alta longevidade de cultivo e alto valor agregado, características que despertam o interesse do agronegócio brasileiro em internalizar essa produção.

    Conheça melhor a tamareira e a tâmara

    A tamareira (Phoenix dactylifera) pertence à família Arecaceae e tem origem no norte da África e no Oriente Médio, onde produtores cultivam a espécie há pelo menos 8 mil anos. A planta pode atingir até 20 ou 30 metros de altura na fase adulta e viver por mais de 60 anos, com folhas longas e pinadas de até 5 metros. Trata-se de uma espécie dióica, ou seja, existem plantas macho e fêmea separadas, e a polinização cruzada é necessária para a frutificação.

    Tâmaras na tamareira
    Foto de Alireza Dashtestani na Unsplash

    O fruto, a tâmara, concentra carboidratos na forma de açúcares naturais (glicose, frutose e sacarose). Além de fibras, vitaminas do complexo B e vitamina K, e minerais como potássio, magnésio, cobre e manganês. Compostos antioxidantes presentes na fruta também despertam interesse nutricional. Além do consumo in natura, a indústria utiliza a tâmara na produção de doces, barras energéticas e outros alimentos.

    Se os testes agronômicos confirmarem o bom desempenho das variedades introduzidas, a Bahia poderá inaugurar a primeira cadeia produtiva de tâmaras em escala comercial do Brasil. Um passo que pode reposicionar o país, hoje importador, como futuro fornecedor da fruta árabe também para outros mercados.

  • Disparada nos fertilizantes ameaça crescimento da agricultura no Brasil

    Disparada nos fertilizantes ameaça crescimento da agricultura no Brasil

    O avanço dos preços dos fertilizantes no mercado internacional começa a comprometer a competitividade do agronegócio brasileiro frente aos Estados Unidos, especialmente em um momento de margens apertadas e aumento dos custos de produção.

    Historicamente beneficiado por terras abundantes e mais baratas, o Brasil expandiu sua área agrícola em cerca de 50% nas últimas décadas, consolidando-se como uma potência global na produção de grãos. Esse crescimento permitiu ao país ganhar espaço em mercados estratégicos, como a China, principalmente após as disputas comerciais envolvendo os Estados Unidos durante os governos de Donald Trump.

    A guerra envolvendo EUA, Israel e Irã provocou um choque no mercado global de fertilizantes. Cerca de um terço do fluxo mundial desses insumos ficou comprometido no Estreito de Ormuz, pressionando os preços para cima.

    Dependente de importações, o Brasil sente o impacto de forma mais intensa. Diferentemente dos Estados Unidos, que produzem grande parte dos fertilizantes que consomem, produtores brasileiros já reduziram compras e enfrentam dificuldades para manter a produtividade.

    Pressão sobre custos e margens

    O aumento nos custos dos insumos chega em um momento delicado. Apesar da alta nos fertilizantes, os preços de commodities como soja e milho não acompanharam o mesmo ritmo, devido à formação de estoques globais elevados.

    A rentabilidade simplesmente não existe neste momento, pois os custos elevados já inviabilizam planos de expansão, mesmo diante de oportunidades de arrendamento.

    Especialistas alertam que o impacto pode ir além do curto prazo. A tendência é de desaceleração no crescimento da área agrícola, com produtores priorizando a redução de custos e o controle do endividamento.

    Solo, tecnologia e desvantagem estrutural

    Outro fator que amplia a vulnerabilidade brasileira é a qualidade do solo. Em muitas regiões, a produtividade depende fortemente do uso contínuo de fertilizantes, devido à degradação causada por anos de expansão sem manejo adequado.

    Nos Estados Unidos, parte dos produtores consegue manter níveis razoáveis de produtividade mesmo reduzindo a aplicação de insumos por uma safra. No Brasil, essa flexibilidade é limitada.

    Além disso, o calendário agrícola amplia a pressão. O plantio da safra de verão no Brasil começa em setembro, período em que os produtores ainda estarão expostos aos preços elevados. Já nos EUA, muitos agricultores haviam adquirido insumos antes da escalada recente. A sazonalidade coloca os produtores norte-americanos em uma posição mais confortável.

    Dependência externa preocupa

    O Brasil segue altamente dependente da importação de fertilizantes, especialmente de produtos como ureia e fosfato diamônico (DAP). Em resposta, a Petrobras iniciou a retomada de unidades de produção, com a meta de atender até 35% da demanda nacional de nitrogenados nos próximos anos. Ainda assim, o alívio deve ser limitado no curto prazo.

    Dados de mercado indicam que produtores brasileiros haviam adquirido apenas cerca de 50% dos fertilizantes necessários para a safra 2026/27 até o fim de maio, abaixo da média histórica superior a 60% para o período. Esse atraso nas compras pode impactar diretamente a produtividade.

    Endividamento e decisões no campo

    Com custos elevados e margens comprimidas, cresce o nível de endividamento entre produtores brasileiros. Analistas apontam que muitos já operam com alavancagem elevada, o que limita novos investimentos. Diante desse cenário, decisões estratégicas começam a mudar.

    Mesmo em caso de uma resolução rápida do conflito no Oriente Médio, a expectativa é que os preços dos fertilizantes permaneçam elevados por pelo menos seis meses, mantendo a pressão sobre o setor.

  • Análise: Guerra ameaça transformar 2026 no pior ano do agro brasileiro

    Análise: Guerra ameaça transformar 2026 no pior ano do agro brasileiro

    O agro brasileiro entrou em alerta máximo. E desta vez o problema não nasceu da seca, do dólar ou de uma quebra de safra.

    A nova tensão no Oriente Médio começou a espalhar incerteza pelos corredores do agronegócio mundial, elevando o preço do petróleo, pressionando fertilizantes e reacendendo o medo de uma crise global de alimentos.

    O reflexo já chegou ao Brasil.

    Produtores rurais, cooperativas e especialistas do setor passaram os últimos dias monitorando o avanço do conflito entre Irã e Israel e seus possíveis impactos sobre uma engrenagem delicada que conecta combustível, logística, fertilizantes e comida.

    Quando aquela região do planeta entra em ebulição, o agro sente primeiro o cheiro da fumaça. Depois vem a conta.

    Petróleo vira gatilho para aumento de custos

    O principal temor do setor envolve o petróleo.

    Em análise publicada pela agência Reuters, especialistas alertaram que qualquer bloqueio prolongado na região pode provocar “forte choque nos custos globais de energia e transporte”.

    Na prática, isso significa um efeito dominó imediato no agronegócio brasileiro.

    Com diesel mais caro, sobe:

    • o frete;
    • o custo da produção;
    • a armazenagem;
    • a exportação;
    • o preço final dos alimentos.

    E aí a inflação do campo atravessa a cidade e chega ao supermercado.

    Fertilizantes colocam o Brasil em posição vulnerável

    Mas o petróleo é apenas uma peça do quebra-cabeça.

    O maior temor do mercado hoje envolve os fertilizantes.

    O Brasil importa cerca de 85% dos insumos usados na agricultura. Uma parcela importante dessa cadeia depende justamente de regiões afetadas pela instabilidade no Oriente Médio.

    Em reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times, analistas afirmaram que a tensão na região já provoca “preocupação crescente sobre o fornecimento global de fertilizantes nitrogenados”.

    O jornal destacou que o mercado internacional teme dificuldades logísticas e novas altas de preços caso o conflito avance sobre rotas marítimas estratégicas.

    A preocupação faz sentido.

    Fertilizante caro significa produção mais cara. Produção mais cara significa alimento mais caro.

    E isso atinge praticamente tudo:

    • soja;
    • milho;
    • café;
    • carnes;
    • leite;
    • hortifrúti.

    É como se a guerra começasse a atravessar continentes escondida dentro de sacos de ureia e barris de combustível.

    Mercado internacional já fala em risco para alimentos

    O alerta deixou de ser local.

    Nas últimas 72 horas, veículos internacionais passaram a discutir o risco de uma nova onda global de inflação alimentar.

    O jornal espanhol Cinco Días afirmou que o mundo pode enfrentar uma “potencial grande crise alimentar” caso o conflito comprometa o fluxo internacional de fertilizantes e energia.

    A publicação destacou que países agrícolas do hemisfério sul, como o Brasil, estão entre os mais vulneráveis devido à dependência de importações de insumos.

    Já a revista britânica The Economist avaliou que os mercados agrícolas globais “voltaram a operar sob lógica de guerra”, especialmente diante do risco de disparada do petróleo.

    O impacto psicológico também pesa.

    Isso porque, quando o mercado começa a precificar medo, os contratos futuros sobem, o crédito encarece e, consequentemente, produtores passam a operar em modo defensivo.

    Além disso, em períodos de forte instabilidade internacional, investidores tendem a buscar proteção em ativos mais seguros, o que aumenta ainda mais a volatilidade das commodities agrícolas.

    Com isso, o ambiente de negócios no campo fica mais cauteloso. Aos poucos, decisões que antes pareciam naturais — como ampliar área plantada, investir em tecnologia ou antecipar compras de insumos — passam a ser revistas com mais prudência.

    E, nesse cenário, até o planejamento da próxima safra começa a carregar um peso maior de incerteza.

    Produtores começam a rever investimentos

    Nos bastidores do agronegócio brasileiro, o clima mudou rapidamente.

    Diante desse cenário, produtores começaram a revisar compras de máquinas, renegociar financiamentos e recalcular custos para a próxima safra.

    A preocupação, no entanto, é clara: uma escalada prolongada do conflito pode comprimir ainda mais as margens do setor justamente em um momento em que parte do agro ainda tenta recuperar fôlego financeiro após ciclos de juros elevados e oscilações climáticas.

    Em análise recente, a agência Bloomberg afirmou que o agro global enfrenta “um ambiente de volatilidade crescente impulsionado por riscos geopolíticos e energéticos”.

    O relatório destaca, por exemplo, que países exportadores, como o Brasil, podem sofrer pressão dupla:

    • aumento do custo de produção;
    • maior instabilidade nos preços internacionais.

    É uma conta difícil.

    Porque, ao mesmo tempo em que o dólar elevado favorece exportações, ele também encarece insumos importados.

    Por fim, parte do lucro evapora antes mesmo da colheita.

    Alimentos podem voltar ao centro da inflação

    O consumidor brasileiro talvez ainda não perceba o efeito imediato nas gôndolas. Mas o mercado já começou a ligar os sinais de alerta.

    Historicamente, crises envolvendo petróleo e fertilizantes acabam pressionando o preço dos alimentos alguns meses depois.

    E o Brasil conhece bem esse roteiro.

    O custo sobe silenciosamente no campo. Depois aparece no arroz, no óleo, no leite, na carne e até no cafezinho da manhã.

    Pouco a pouco, o orçamento doméstico vai sendo corroído sem fazer barulho.

    O problema é que agora o cenário mistura guerra, energia, logística global e insegurança internacional ao mesmo tempo.

    Uma combinação que costuma deixar os mercados nervosos — e o agro ainda mais exposto.

    Porque hoje uma explosão no Oriente Médio consegue ecoar no preço da soja em Mato Grosso, no frete do milho em Goiás e na carne servida no almoço de milhões de brasileiros.

    E, diante desse cenário, cresce dentro do setor uma preocupação que ninguém gosta de verbalizar em público: se o conflito continuar avançando, 2026 pode, por exemplo, se transformar em um dos anos mais difíceis para o agronegócio brasileiro na última década.

  • Guerra no Irã ameaça 10 bilhões de refeições por semana

    Guerra no Irã ameaça 10 bilhões de refeições por semana

    O conflito no Oriente Médio parou de ser apenas um problema geopolítico e já bate na porta do campo, nos estoques de insumos e no prato de bilhões de pessoas ao redor do mundo.

    A interrupção do fornecimento de fertilizantes causada pela guerra no Irã pode custar até 10 bilhões de refeições por semana em todo o mundo, segundo o CEO da Yara, uma das maiores produtoras de fertilizantes do planeta. O número impressiona, mas o mecanismo por trás dele é direto: sem fertilizante nitrogenado, a produção agrícola cai.

    O estrangulamento começa em Ormuz

    Tudo passa pelo Estreito de Ormuz: cerca de um terço dos fertilizantes do mundo, incluindo ureia, potássio, amônia e fosfatos, normalmente transita por essa via marítima. Com as hostilidades no Golfo bloqueando o tráfego, a cadeia de suprimentos global trava.

    Svein Tore Holsether, CEO da Yara, foi direto ao ponto em entrevista à BBC: “Até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado não estão sendo produzidas no mundo no momento devido à situação em que estamos. O que isso significa para a produção de alimentos? Eu estimaria até 10 bilhões de refeições que deixarão de ser produzidas a cada semana como resultado da falta de fertilizantes.”

    Mesmo que o estreito reabrisse amanhã, os preços elevados tendem a persistir, já que parte da produção e das matérias-primas já foi perdida.

    Queda de até 50% na produtividade das lavouras

    O impacto vai além dos números abstratos. Não aplicar fertilizante nitrogenado reduziria a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra. Isso significa menos grãos, menos colheita e menos comida chegando ao mercado, tudo ao mesmo tempo.

    Os principais destinos afetados seriam Ásia, Sudeste Asiático, África e América Latina, regiões onde o impacto imediato seria mais visível. Holsether ainda alertou que áreas da África subsaariana, onde já há subfertilização crônica, poderiam registrar “quedas significativas” na produção agrícola.

    Para o agronegócio brasileiro, o cenário exige atenção redobrada. O Brasil importou 43,3 milhões de toneladas de fertilizantes no ano passado, enquanto a produção nacional ficou em 7,2 milhões de toneladas, com a importação ainda responsável por 85% do abastecimento interno.

    O Ministério da Agricultura identificou o risco com urgência. Notas técnicas da secretaria-executiva apontam “alto risco real de um déficit de volume estimado entre 1 e 3 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados em 2026, suficiente para comprometer a produtividade das safras 2026/2027.”

    Os mais vulneráveis pagam a conta mais alta

    O CEO da Yara foi enfático ao alertar os países europeus sobre um detalhe que costuma passar despercebido nos debates sobre segurança alimentar: “Se há uma disputa por alimentos e uma que a Europa é robusta o suficiente para lidar, o que precisamos ter em mente é: nessa situação, de quem estamos tirando comida ao comprarmos? Essa é uma situação em que as pessoas mais vulneráveis pagam o preço mais alto, em nações em desenvolvimento que não podem se dar ao luxo de acompanhar.”

    O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que as consequências combinadas do conflito no Oriente Médio poderiam levar 45 milhões de pessoas a mais à fome aguda em 2026. Na Ásia e no Pacífico, a insegurança alimentar deve crescer 24%, o maior aumento relativo de qualquer região.

  • Soja recupera fôlego em Chicago: entenda por que o preço subiu hoje

    Soja recupera fôlego em Chicago: entenda por que o preço subiu hoje

    Hoje definitivamente não é um dia qualquer para o mercado de soja. Nesta sexta-feira, 1º de maio, as cotações da oleaginosa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) operaram no campo positivo e entregaram um respiro que o setor esperava há algum tempo. Por trás dessa recuperação, uma combinação de fatores que vai muito além das fronteiras do campo brasileiro: guerra, chuva, petróleo e câmbio se uniram para empurrar os preços para cima.

    Para quem acompanha o mercado de commodities, essa é exatamente a dinâmica que torna a soja tão fascinante e, ao mesmo tempo, tão imprevisível.

    Petróleo e tensão geopolítica deram o tom em Chicago

    Os contratos futuros da soja negociados na CBOT fecharam o pregão com preços mais altos para o grão e o óleo, enquanto o farelo recuou. O mercado buscou suporte na disparada do petróleo, sustentada pelas tensões que persistem no Oriente Médio.

    Esse elo entre energia e grãos não é coincidência. O óleo de soja acompanhou o movimento do petróleo por ser uma alternativa na produção de biocombustíveis, e a demanda consistente por esmagamento nos Estados Unidos também contribuiu para a alta.

    No entanto, há um componente geopolítico concreto por trás dessa pressão. O mercado repercutiu declarações do presidente Donald Trump sobre o Irã, aumentando a cautela dos investidores. Quando Washington faz ameaças ao regime iraniano, o petróleo sobe, o óleo de soja sobe junto, e os contratos futuros do grão ganham sustentação quase que automaticamente.

    Entre os contratos, o vencimento maio de 2026 subiu 9,25 centavos de dólar por bushel, fechando a US$ 11,82 1/4. Já o contrato julho de 2026 avançou 7,75 centavos, encerrando a US$ 11,97 por bushel. No farelo, houve queda de US$ 3,60, para US$ 323,80 por tonelada. O óleo de soja subiu 1,60 centavo, fechando a 74,12 centavos de dólar por libra-peso.

    Chuvas nos EUA atrasam plantio e sustentam preços

    Além do cenário energético, outro fator climático entrou na equação: atrasos no plantio provocados por excesso de chuvas no Meio-Oeste americano também influenciaram positivamente os preços.

    Quando o plantio atrasa, a oferta futura de grãos fica em xeque. E mercado que enxerga risco de oferta menor tende a precificar essa incerteza com alta nos contratos futuros. Nos Estados Unidos, o plantio de soja avançou para apenas 12% da área prevista, dobrando o ritmo da semana anterior, mas a previsão de chuvas intensas no Meio-Oeste pode interromper temporariamente os trabalhos de campo.

    Por outro lado, os ganhos mais expressivos não aconteceram. Ganhos mais expressivos ao grão foram limitados pela ampla oferta vinda da América do Sul. Brasil e Argentina seguem jogando o lado oposto dessa balança, com uma colheita robusta pressionando os preços de baixo para cima.

    Brasil sente a melhora: câmbio e portos aquecem negócios

    Do lado de cá do Atlântico, o efeito foi imediato. O mercado brasileiro de soja teve um dia mais aquecido, com avanço nas cotações e maior volume de negócios, especialmente nos portos.

    Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, a melhora veio principalmente da combinação entre câmbio e mercado internacional. A valorização em Chicago e o dólar mais firme trouxeram sustentação aos preços internos.

    O dólar comercial encerrou o dia com alta de 0,39%, cotado a R$ 5,0014 para venda, oscilando entre R$ 4,9793 e R$ 5,0138 ao longo da sessão. Essa proximidade do dólar à marca de R$ 5,00 foi um dos gatilhos para destravar negócios que estavam represados.

    No mercado físico, os preços subiram em várias praças. Passo Fundo (RS) subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00 por saca, e Santa Rosa (RS) avançou de R$ 125,00 para R$ 126,00.

    O que o produtor deve monitorar nas próximas semanas

    Apesar do alívio desta sexta, o cenário segue repleto de variáveis. Os investidores aguardavam os dados semanais de exportação norte-americana, com projeções entre 200 mil e 600 mil toneladas de soja em grão. Esses números, quando divulgados, têm capacidade de reforçar ou reverter os ganhos recentes.

    Além disso, na América do Sul, chuvas persistentes na Argentina, especialmente na província de Santa Fé, têm prejudicado o avanço da colheita, o que pode reduzir a oferta sul-americana no curto prazo e dar mais sustentação às cotações internacionais.

    Para o produtor brasileiro, o recado é claro: o momento exige atenção redobrada ao câmbio, ao preço do petróleo e ao clima no Meio-Oeste americano. São esses três termômetros, aparentemente distantes do campo, que definem o preço que chega à balança na colheita.

  • Exportação de frango cai e de milho cresce para o Oriente Médio

    Exportação de frango cai e de milho cresce para o Oriente Médio

    As exportações brasileiras de frango para o Oriente Médio caíram em março, enquanto os embarques de milho cresceram. O conflito na região impactou diretamente o fluxo comercial entre o Brasil e países do Oriente Médio.

    A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou os dados da balança comercial nesta terça-feira, 7 de abril. A reportagem compilou informações de embarques para 15 países do Oriente Médio. Entre eles, estão Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito.

    O volume de carnes de aves e miudezas exportado caiu 21% na comparação anual. Os embarques recuaram de 138 mil para 108 mil toneladas em março. O Brasil não exportou cortes de frango para o Irã em março deste ano. O mesmo cenário já havia ocorrido em março do ano passado.

    Milho

    Por outro lado, as exportações de milho para a região cresceram 24%. O volume embarcado atingiu 907 mil toneladas no mês. Os envios de milho para o Irã praticamente cessaram no período. O volume caiu de 304 mil para pouco mais de 1 mil toneladas. Em contrapartida, o Egito ampliou significativamente as compras do cereal brasileiro. Os embarques para o país cresceram 1.171,5% em relação ao ano anterior.

    Além disso, o Brasil exportou 26 mil toneladas de milho para o Iraque. No mesmo período do ano passado, não houve embarques para esse destino.

    Cenário Global

    No cenário global, as exportações brasileiras de carne de aves cresceram 6,9%. O volume total embarcado chegou a 468,7 mil toneladas. Já as exportações totais de milho avançaram 12,8% no período. O Brasil embarcou 983 mil toneladas do grão para o mercado internacional.

  • Guerra no Irã pode encarecer alimentos no Brasil

    Guerra no Irã pode encarecer alimentos no Brasil

    A guerra envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel completa um mês neste sábado (28). Apesar de distante 12 mil quilômetros, o conflito já provoca efeitos concretos na economia brasileira.

    O primeiro impacto foi a alta de 20% no preço do diesel. Com isso, os custos de frete aumentaram. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chegou, inclusive, a cancelar contratos para o escoamento de 23,7 mil toneladas de milho fechados entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.

    Além disso, especialistas alertam que os efeitos podem chegar à mesa do consumidor. Combustíveis mais caros encarecem o transporte e a distribuição. Por sua vez, a alta nos fertilizantes pressiona o produtor rural. O resultado é um efeito cascata que atinge grãos, pão, carnes e hortaliças.

    O alerta dos especialistas

    Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro, avalia que o consumidor não deve sentir o impacto de imediato. No entanto, a tendência é de elevação nos preços, especialmente se o conflito se prolongar.

    Para ele, o maior risco não é a alta dos combustíveis em si, mas o desabastecimento. “Qual foi a última vez que vimos o Estreito de Ormuz fechado? Nunca. É um evento sem registro na história econômica mundial”, afirma, em entrevista à Globo Rural.

    O especialista reforça que o cenário afeta diretamente a logística nacional, que depende do transporte rodoviário. Segundo ele, importadores já sinalizaram que, com a defasagem atual de preços, não compensa trazer diesel para o Brasil.

    Quanto aos insumos agrícolas, Serigati pondera que o repasse ao consumidor não é automático. “O fato de o fertilizante estar mais caro não significa que o alimento também ficará. O repasse depende, principalmente, da produtividade”, explica, citando a Guerra da Ucrânia como exemplo de quando o setor absorveu custos sem repassá-los.

    Quais alimentos podem ficar mais caros?

    As commodities são as mais vulneráveis, pois têm preços definidos no mercado internacional. A consultoria Datagro identificou os produtos agropecuários brasileiros com maior risco diante do conflito:

    • Milho: risco de atrasos nos embarques pelo aumento dos custos logísticos
    • Açúcar: forte presença de exportações para o Oriente Médio
    • Carne de frango: dificuldades de entrega aos países do Golfo Pérsico, além de alta em fretes e seguros
    • Suco de laranja: o Brasil, líder global nas exportações, pode sentir o encarecimento logístico e a instabilidade na demanda

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também expressa preocupação com carne suína e ovos. Segundo a entidade, o conflito já elevou em até 30% o custo das embalagens plásticas feitas com matéria-prima importada da região. Diante disso, a ABPA não descarta repasses ao consumidor em breve.

  • Conflito no Oriente Médio dispara preços de fertilizantes e ameaça custos da safra brasileira

    Conflito no Oriente Médio dispara preços de fertilizantes e ameaça custos da safra brasileira

    Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio começaram a se traduzir em alta expressiva nos preços dos fertilizantes nitrogenados em todo o mundo, com reflexos diretos no Brasil,país que importa cerca de 85% dos insumos agrícolas que consome. Nos portos brasileiros, a ureia registrou alta superior a 15% em uma semana, enquanto o nitrato de amônio avançou cerca de 28%, com valorização de mais de US$ 100 por tonelada no mesmo período, segundo dados da StoneX, empresa global de serviços financeiros.

    Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu nota oficial pedindo cautela ao mercado e orientando produtores rurais a evitar compras precipitadas. O ministro Carlos Fávaro foi direto: “É momento de cautela e de combate à especulação. A melhor forma de enfrentar a especulação é não comprar quando o preço está artificialmente elevado.”

    Por que os preços subiram tão rápido

    A volatilidade tem raízes tanto nas incertezas geopolíticas quanto em impactos concretos já verificados na cadeia global de fertilizantes. Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que, nos dias seguintes ao início do conflito, muitos fornecedores retiraram ofertas do mercado à espera de maior clareza sobre a formação de preços. Ao mesmo tempo, ataques no Catar resultaram em redução da produção de nitrogenados no país, diminuindo a disponibilidade global de mercadorias.

    Outro fator de pressão é a situação logística na região. A navegação no Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio global de insumos, foi prejudicada, comprometendo o escoamento de fertilizantes, gás natural e enxofre produzidos no Oriente Médio. A região responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia, segundo Pernías. “Qualquer interrupção prolongada pode gerar impactos significativos na oferta global, especialmente se o conflito se estender por semanas ou meses”, alerta o analista.

    A situação é agravada ainda pela interrupção temporária das exportações russas de nitrato de amônio, outro fator citado pelo próprio Mapa como elemento de instabilidade no mercado internacional.

    Brasil dependente e vulnerável

    A dependência brasileira de fertilizantes importados torna o país especialmente exposto a esse tipo de choque externo. Dados da Embrapa indicam que 85% dos fertilizantes usados no país vêm do exterior. E no caso específico da ureia, utilizada em culturas como milho, trigo, arroz, algodão e cana-de-açúcar, essa dependência chega a 90% do consumo nacional. Em 2025, o Brasil importou entre 7 e 8 milhões de toneladas do insumo, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior. Parte relevante dessas compras tem origem justamente em países do Oriente Médio.

    Para o advogado especialista em agronegócio Pedro Henrique Oliveira Santos, o cenário pode pressionar ainda mais os custos de produção agrícola. “O impacto esperado é o aumento do preço dos fertilizantes, podendo gerar uma elevação de 15% a 20% no valor desses insumos”, afirma.

    O efeito tende a chegar primeiro às regiões mais dependentes do transporte rodoviário. Municípios com grande produção de grãos como Sorriso, Rondonópolis e Lucas do Rio Verde (MT), Cascavel, Toledo e Londrina (PR), além de Dourados e Maracaju (MS), podem sentir mais rapidamente o impacto no custo de colheita e transporte da safra.

    Governo orienta: aguardar antes de comprar

    Com a safra de inverno já plantada ou em fase final de implantação, o Mapa avalia que não há necessidade imediata de aquisição de fertilizantes. A próxima grande demanda ocorrerá apenas com o início do plantio da safra de verão, tradicionalmente a partir de setembro. O que, na avaliação do ministério, abre uma janela para que o mercado se estabilize.

    “Quem precisava comprar fertilizante para a safra atual já o fez. Para a safra de verão ainda há tempo. Por isso, a orientação neste momento é aguardar o desenrolar do cenário internacional e evitar compras precipitadas”, afirmou o ministro Fávaro.

    O ministério também destacou que existem alternativas tecnológicas e estratégias de manejo capazes de otimizar o uso de nutrientes nas lavouras, reduzindo a exposição dos produtores às oscilações do mercado internacional.

    Incerteza permanece

    No curto prazo, os Estados Unidos tendem a sentir os efeitos da redução da oferta com mais rapidez, pois atravessam o período de preparação para a safra de primavera. Momento em que a demanda por fertilizantes costuma crescer de forma expressiva. Caso os preços internacionais mais elevados sejam repassados ao comprador norte-americano, existe risco de pressão sobre as margens dos agricultores em um momento sensível de planejamento.

    No Brasil, o impacto deve ser mais gradual. As compras de fertilizantes nitrogenados geralmente se intensificam apenas nos meses finais do ano, em antecipação ao plantio da safrinha de milho. Diante disso, muitos importadores podem adotar postura mais cautelosa no curto prazo.

    Ainda assim, Pernías alerta que o nível de incerteza é alto. “A falta de previsibilidade no cenário geopolítico torna o comportamento do mercado de fertilizantes especialmente difícil de antecipar neste momento”, conclui o analista. O Mapa informou que seguirá monitorando permanentemente a cadeia de suprimentos e dialogando com atores do setor para avaliar alternativas de logística, importação e abastecimento.

  • Guerra no Irã ameaça embarques de carne bovina e acende alerta no Brasil

    Guerra no Irã ameaça embarques de carne bovina e acende alerta no Brasil

    A escalada do conflito envolvendo o Irã acendeu um sinal de alerta para as exportações brasileiras de carne bovina. Principal fornecedor global do produto, o Brasil agora monitora com cautela os desdobramentos da guerra que ameaçam as vendas para uma de suas regiões mais estratégicas: o Oriente Médio.

    Os países do Oriente Médio absorveram cerca de 10% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil em 2025, o que representa um volume de 250 mil toneladas. O Irã, protagonista no atual cenário de tensão, figura entre os principais destinos desse comércio.

    Diante do aumento das incertezas, os exportadores brasileiros já enfrentam desafios logísticos. Rotas marítimas, custos com seguros de carga e a estabilidade financeira dos importadores entraram na mira das empresas, que começam a buscar mercados alternativos para redirecionar parte das mercadorias e evitar perdas.

    No mercado interno, analistas do setor acompanham a situação com cautela. Qualquer interrupção ou atraso nas compras por parte dos países importadores pode levar os frigoríficos a ajustarem temporariamente a demanda, o que tende a influenciar os preços do boi gordo.

    Especialista detalha cenário em evento

    Os efeitos da guerra, os impactos para as exportações e os possíveis desdobramentos para a pecuária brasileira serão alguns dos temas centrais do Simpósio Nutripura, que acontece até hoje, 21 de março, em Cuiabá. O economista Alexandre Mendonça de Barros participa do evento para detalhar como o cenário geopolítico pode influenciar o mercado da carne e apontar possíveis oportunidades para o setor.

    Mendonça de Barros integra um time de peso no evento. A programação conta com a presença do biólogo e comunicador Richard Rasmussen, do açougueiro e influenciador Marcelo Bolinha, que soma mais de 800 mil seguidores no Youtube, e do médico Dr. Alexandre Duarte, especialista em dieta carnívora e metabolismo humano.

    O Simpósio Nutripura também aposta em um eixo técnico-científico de peso. Os professores Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), trazem suas contribuições em áreas como nutrição, manejo e sistemas de produção animal.

    Completa a programação uma apresentação do professor José Luiz Tejon, especialista em marketing agro e comportamento do consumidor, ampliando o debate para temas como reputação, consumo e a imagem da carne brasileira no mundo.

    Nesta edição, o Simpósio espera reunir mais de 2 mil participantes, incluindo produtores rurais, técnicos, pesquisadores, executivos e empresas do agronegócio. A programação foca em inovação, sustentabilidade e as principais tendências dos mercados globais da carne brasileira.

  • Frango atinge menor preço desde julho de 2023

    Frango atinge menor preço desde julho de 2023

    Os preços da carne de frango seguem em queda nas regiões monitoradas pelo Cepea. A demanda doméstica fraca pressiona as cotações em todo o País.

    Além disso, o mercado reage às incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio. A região representa um destino relevante para as exportações brasileiras de frango.

    No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado registra média de R$ 6,73/kg em março.
    O valor considera dados parciais até o dia 18 deste mês. O preço recua 5,2% frente a fevereiro, segundo levantamento do Cepea. Além disso, o indicador atinge o menor patamar desde julho de 2023.

    Os pesquisadores consideram valores reais, com deflacionamento pelo IPCA de fevereiro de 2026. Diante desse cenário, a carne de frango ganha competitividade frente às proteínas concorrentes. O movimento ocorre principalmente em relação às carnes suína e bovina.

    No caso da carne suína, os preços também caem, mas em ritmo menos intenso. Assim, o frango amplia a vantagem no comparativo entre proteínas.

    Já em relação à carne bovina, o cenário favorece ainda mais o setor avícola. Isso ocorre porque os preços da proteína bovina seguem em alta no mercado interno.