A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2291/22, que estabelece prioridade para mulheres chefes de família no acesso a linhas de crédito e mecanismos de comercialização da agricultura familiar.
O texto determina que essas agricultoras terão acesso a financiamentos com taxas de juros menores em comparação aos demais produtores familiares. A proposta também prevê regulamentação futura para definir os critérios de enquadramento como mulher chefe de família dentro dos benefícios.
De autoria da ex-deputada Rejane Dias (PI), o projeto recebeu parecer favorável da relatora, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ). Segundo a parlamentar, a proposta tem caráter normativo e não gera impacto direto nas contas públicas.
Laura Carneiro destacou que a medida busca reduzir barreiras históricas enfrentadas por mulheres no campo, especialmente no acesso ao crédito rural, aos mercados e a políticas de apoio à produção.
“A proposta reconhece o papel estratégico das mulheres na agricultura familiar. Tanto na geração de renda quanto na segurança alimentar e na preservação de saberes tradicionais”, afirmou a relatora.
Entre os principais impactos esperados, estão o fortalecimento da agricultura familiar, o aumento da renda no meio rural, a ampliação da inclusão produtiva feminina e o estímulo às economias locais.
Critérios da agricultura familiar
A legislação atual define como agricultor familiar aquele que possui área de até quatro módulos fiscais, utiliza majoritariamente mão de obra da própria família e obtém renda das atividades desenvolvidas no estabelecimento rural.
Deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) em comissão da Câmara dos Deputados. Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
O projeto já passou pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e de Defesa dos Direitos da Mulher. Agora, segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), em caráter conclusivo.
Para se tornar lei, o texto ainda precisa de aprovação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
A Academia da Cerveja, escola de cultura e conhecimento cervejeiro da Ambev, abre nesta semana as inscrições para a 6ª edição do Cervejeira Sou Eu. E chega com um recorde: 6 mil bolsas de estudo gratuitas, o dobro do que o programa ofereceu no ano anterior. As inscrições vão até 22 de março, e as aulas ocorrem entre os dias 23 e 27 de março.
Considerado o maior programa do setor cervejeiro voltado exclusivamente ao público feminino, o Cervejeira Sou Eu mira mulheres que desejam iniciar ou aprofundar uma carreira no universo da cerveja. Seja na gastronomia, em estabelecimentos do setor ou em programas de mentoria. Ao concluir o curso, todas as participantes recebem certificado, o que amplia as chances de inserção profissional no mercado.
Curso traz cinco módulos e inclui temas como maternidade, segurança e consumo responsável
Nesta edição, o programa estrutura o conteúdo em cinco módulos. O percurso passa pela força cultural da cerveja no Brasil, pelos critérios de qualidade e ingredientes naturais, por debates sobre inclusão e maternidade, pela segurança no mercado cervejeiro. E por fim, por um módulo dedicado ao equilíbrio e ao consumo responsável em diferentes ocasiões.
Além disso, a grade também contempla um módulo voltado a profissionais de nutrição que queiram se aprofundar nos ingredientes, no processo de fabricação e nas questões nutricionais da bebida. Incluindo a leitura e interpretação de rótulos para esclarecer dúvidas de pacientes.
“A chegada da sexta edição do Cervejeira Sou Eu demonstra nossa consciência e compromisso com o fortalecimento da presença feminina no setor cervejeiro. Neste ano, os módulos foram planejados para abranger discussões importantes que envolvem o mercado e formar profissionais cada vez mais completas e preparadas para atuar nas diversas frentes que o setor oferece”, afirma Anna Paula Alves, Diretora de Conhecimento e Cultura Cervejeira da Ambev.
Serviço:
O que: Cervejeira Sou Eu Quando: de 23 a 27 de março Inscrições: até dia 22 de março Link para inscrição: Link Valor: gratuito
As mulheres representam 44% dos empreendedores no turismo sustentável brasileiro, número expressivamente superior à média nacional de 34% em todos os setores. Entre os viajantes, a presença feminina chega a 70%, segundo relatório de impacto da Vivalá Turismo Sustentável.
A busca por relações mais justas explica esse cenário. “No modelo tradicional, as mulheres ocupam funções operacionais, enquanto os cargos de decisão seguem majoritariamente masculinos”, explica Mariana Oliveira, coordenadora de operações da Vivalá. “Já o turismo responsável contribui para reduzir desigualdades de gênero e promove ambientes mais acolhedores para viajantes.”
O turismo de base comunitária, que combina geração de renda local com imersão cultural, tende a ampliar esses números. O setor avança no cumprimento da equidade de gênero, um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Liderança feminina na Amazônia inspira modelo de turismo comunitário
Às margens do Rio Negro, Horenilde da Silva Gomes, a Nilde, comanda a Caboclo’s House Ecolodge, hospedagem considerada top 1% das melhores do mundo pelo TripAdvisor. Filha de ribeirinhos, ela cresceu com 13 irmãos no Lago de Acajatuba, a 70 km de Manaus.
Nilde, CEO da Caboclo’s House Ecolodge. Foto: Divulgação Vivalá
“A floresta, o rio, a sabedoria popular e a vida comunitária moldaram quem sou”, conta Nilde. O turismo entrou em sua vida quando o pai recebia visitantes na Casa de Farinha e a mãe ensinava medicina natural com plantas.
Em 2005, após trabalhar em um hotel de selva, Nilde enxergou seu caminho. Com os pais, comprou um flutuante e abriu um restaurante. Depois, adquiriram um terreno e criaram a Caboclo’s House, projeto familiar ribeirinho liderado por mulheres.
“As dificuldades financeiras eram grandes, e ser mulher empreendendo na região não era simples”, lembra. Em 2017, uma viajante conectou Nilde a um grupo de interessados na experiência local. A parceria com a Vivalá ampliou horizontes.
Hoje, Nilde coleciona prêmios e reconhecimento. “Ver o hotel entre os melhores do mundo prova que um sonho improvável deu mais que certo”, afirma.
União feminina fortalece negócios na comunidade
Nilde incentiva outras mulheres a buscar seu espaço. Um exemplo é Sueula Teixeira Andrade, fundadora do Cheiro da Floresta, que produz cosméticos naturais amazônicos. “Incentivei Sueula a acreditar no talento dela. Hoje ela vende produtos e oferece oficinas para hóspedes”, conta Nilde.
Sueula participou de mentorias de empreendedorismo oferecidas pela Vivalá na região. “Aprendi a lidar com dinheiro e com meu negócio. As trocas me fizeram crescer e enxergar o potencial das minhas mãos”, diz.
Seus ancestrais ensinaram Sueula a cuidar da floresta e manusear ervas e óleos. Com as capacitações, ela transformou paixão em negócio rentável. “A matéria-prima está no meu quintal. A cosmética natural mudou minha vida.”
Sueula destaca a força feminina na comunidade. “A maioria dos empreendimentos de turismo sustentável tem mulheres na gestão. Nós nos fortalecemos juntas para mostrar que somos capazes, mesmo com os desafios.”
Mulheres em campo ampliam segurança das viajantes
Atualmente, 80% dos destinos da Vivalá contam com pelo menos uma mulher na equipe de campo. A organização fortalece a autonomia econômica feminina ao gerar oportunidades de renda justa no turismo comunitário.
Mônica Azevedo Rodrigues, guia especializada em ecoturismo na Chapada dos Veadeiros, explica sua diferença: “Sei exatamente onde estão as dores e receios de outras mulheres. Há algo singular em compartilhar vivências com outra mulher; o reconhecimento genuíno de um lugar de fala compartilhado.”
Foto: Divulgação Vivalá
Guiar mulheres exige atenção redobrada à segurança, principalmente ao lidar com prestadores de serviço homens. A presença de lideranças femininas durante as viagens funciona como ato de empoderamento e transmite confiança.
“Vejo mulheres tomando a frente nas próprias escolhas”, observa Mônica. “Querem incentivar outras a viajar sozinhas, a viver sem depender de companhia. A vida corre rápido demais para esperar o momento ideal.”
A viajante Rita Alves sentiu essa diferença na Amazônia. “Vivenciei uma experiência real em comunidade ribeirinha, conduzida por mulheres e homens fortes, afetuosos e respeitosos com a floresta. A equipe realizou reunião prévia para alinhar expectativas. Me senti segura, respeitada e bem acompanhada.”
A produtora rural Elisiane Soster acorda cedo em Belmonte, no Extremo Oeste de Santa Catarina. Junto com a mãe, Salete Pasini Soster, ela toca uma propriedade com 70 hectares de lavoura, 45 vacas em lactação e toda a rotina da cria e recria de bezerras. A dupla faz parte de um grupo ainda restrito no Brasil: mulheres que exercem a gestão de negócios rurais.
O último Censo Agropecuário do IBGE, realizado em 2017, contabilizou quase um milhão de mulheres na liderança de propriedades rurais, 18,7% do total. O número representa avanço em relação ao censo anterior, de 2006, quando a participação era de apenas 12,7%. Ainda assim, a sub-representação expõe um histórico de invisibilidade: as mulheres respondem por 45% da força de trabalho na agropecuária brasileira, mas raramente ocupam o posto de gestoras.
Para ampliar esse protagonismo, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, com foco na promoção de políticas públicas que fortaleçam o papel feminino no campo. Em Santa Catarina, a Epagri já caminha nessa direção há anos.
Entre 2019 e 2025, o programa Flor-E-Ser, da Epagri, formou mais de 1.300 mulheres do campo e da pesca em gestão, empreendedorismo e liderança. Nos últimos dois anos, o número de capacitadas dobrou. A procura é tão alta que as turmas já não dependem de divulgação: as próprias participantes recrutam novas alunas.
“Temos listas de espera enormes e nem precisamos mais divulgar as capacitações, porque as mulheres que participaram incentivam as demais a fazer”, afirma Cianarita Caron Figueiró, coordenadora do Programa Capital Humano e Social da Epagri.
Os relatos recolhidos pela empresa apontam um impacto que vai além do profissional. Muitas participantes descrevem o curso como um divisor de águas em suas vidas. “Muitas mulheres relatam que, após o curso, sentem-se verdadeiramente integradas ao planejamento da propriedade, assumindo funções estratégicas na gestão e posições de liderança na comunidade”, destaca Ciana. Para ela, o principal ganho das capacitações é o resgate da autoestima, o combustível que leva as mulheres a tomar iniciativas e impulsionar o crescimento do negócio rural.
Jovens mulheres e a sucessão familiar
Outra frente de atuação da Epagri é o programa Ação Jovem Rural e do Mar, voltado à sucessão familiar nas propriedades rurais. De 2021 a 2025, mais de 320 mulheres passaram pelo curso. Homens ainda representam cerca de 75% dos participantes, mas a Epagri aposta em ações estratégicas para mudar esse cenário.
No ano passado, a empresa assumiu a gestão compartilhada dos cinco Cedups Agrotécnicos com a Secretaria de Estado da Educação, integrando pesquisa, extensão rural e ensino técnico. Hoje, mulheres representam 30% dos estudantes das unidades. Uma das barreiras identificadas é estrutural: os Cedups oferecem alojamento apenas para homens. A construção de espaços femininos está prevista a médio prazo.
“Os agricultores já conhecem a Epagri e confiam na empresa, presente em todos os municípios. A sensibilização por parte dos extensionistas é muito importante nesse sentido”, afirma Andréia Meira, diretora de Ensino Agrotécnico da Epagri. Ela também vê na parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e a Cooperativa Aurora um estímulo extra: a partir de 2025, alunos poderão atuar como jovens aprendizes com bolsas de R$ 750.
“As mulheres têm um papel muito importante na sucessão familiar no campo, por isso a Epagri tem todo o interesse em estimular a profissionalização”, reforça Andréia.
“Gestão não tem gênero”
Elisiane Soster conhece esse caminho na prática. Quando o pai faleceu, há quatro anos, ela e a mãe assumiram integralmente a propriedade. Vieram com isso o ceticismo alheio e a determinação de provar o contrário.
“Logo após o falecimento do meu pai, algumas pessoas duvidaram se daríamos conta. Mas transformamos isso em combustível. Hoje mostramos, na prática, que gestão não tem gênero. Tem competência e responsabilidade”, diz ela.
Eliane Soster, acima ao lado da mãe Salete Pasini Soster. Foto: Arquivo pessoal
Técnica em Agropecuária, Elisiane participou do Ação Jovem Rural da Epagri em 2016, aos 21 anos. Hoje cursa Tecnologia em Gestão Financeira, presta consultoria a famílias rurais em processos sucessórios e realiza palestras em empresas, cooperativas e instituições. É também coautora do livro Rainhas Internacionais do Agro, que reúne relatos de mulheres agricultoras de vários países.
“Percebo que as mulheres estão buscando mais espaço e assumindo decisões estratégicas. Muitas fazem tudo, mas ainda não se reconhecem como gestoras. Acredito que estamos vivendo uma transição: a mulher sempre esteve no campo, mas agora ela está se posicionando como líder”, conclui Elisiane.
Assim as Etimologias de Santo Isidoro de Sevilha descreviam a origem da palavra mulher: “A mulher, mulier, deriva a sua denominação de mollities, moleza, como se disséssemos mollier“. Essa definição medieval não é gratuita: ajudou a consolidar, por séculos, uma percepção misógina acerca do feminino.
É o mesmo autor que, por outro lado, explorava a definição da palavra latina agricultura, originada em “ager”: o lugar do trabalho e do agir. As palavras nunca são vazias: elas escondem sentidos, intenções e visões de mundo.
Entretanto, nem sempre a realidade e a palavra concordam. Inúmeros exemplos cotidianos, ao gosto do leitor, desmentem sem dificuldade a definição das Etimologias.
O último Censo Agropecuário brasileiro, no distante ano de 2017 (o próximo deve ocorrer a partir de 2027) apontou alguns dados em relação ao número de estabelecimentos agropecuários por sexo do produtor: 19% eram comandados por mulheres. Quando se observa a distribuição por idade, os gráficos indicam a faixa etária feminina predominante: as produtoras tinham entre 45 e 54 anos.
Mais recentemente, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), no seu Boletim Mercado de Trabalho do agronegócio brasileiro, comparativo entre o segundo trimestre de 2024-2025, apontou dados e perspectivas.
O perfil da mão de obra no agronegócio mostra o crescimento da presença feminina de 1,9% (203.093) em comparação à masculina, 0,2% (41.554). O Boletim conclui que o crescimento da presença feminina no agronegócio é mais acelerado em comparação aos homens.
Mas e o futuro?
O futuro não apenas do trabalho em geral, mas também do agronegócio, está no desenvolvimento tecnológico. Esse quase lugar-comum implica que a mecanização e, em particular, a presença da IA fazem com que o mercado de trabalho esteja profundamente ligado à qualificação.
O Boletim do CEPEA observa as consequências desse panorama. De um lado, a migração da mão de obra para a agroindústria; de outro, o impulsionamento do profissionalismo e da formação tecnológica. Enfim, as próprias mudanças sociais colaboram com a perspectiva. O êxodo, especialmente dos jovens, para regiões urbanas altera a configuração do trabalho agrícola, sobretudo entre pequenos produtores.
Nesse cenário, a resposta à pergunta sobre o futuro do agronegócio passa pela ação de gestores e operadores cada vez mais qualificados, em um mundo que se afirma tão incerto quanto duramente competitivo. Os últimos dados nacionais indicam que a presença feminina deve ser parte essencial e transformadora desse processo.
A presença feminina avança de forma consistente na indústria de máquinas agrícolas, fortalecendo a inovação, a modernização de processos e novos modelos de liderança. Em um ambiente historicamente dominado por homens, a AGCO mostra que a transformação cultural está em curso.
Nos últimos cinco anos, a participação de mulheres no quadro total da companhia cresceu de 13% para 16%. O avanço é ainda mais expressivo entre os cargos de gestão, onde a liderança feminina passou de 11% para 18%. Na manufatura, as profissionais agora representam 13% do total, ante 8% em 2019. O equilíbrio também chega às novas gerações: as mulheres ocupam hoje 48% das vagas de estágio da empresa.
Expansão regional e novos talentos
As unidades fabris da AGCO no Brasil refletem esse movimento de expansão. A planta de Canoas (RS) concentra 19% de mulheres em seu quadro, seguida de Ibirubá (RS), com 15%, que registrou o maior crescimento da companhia. Um salto de 9% nos últimos cinco anos. Já as fábricas de Mogi das Cruzes (SP) e Santa Rosa (RS) mantêm 9% de participação feminina.
Embora as áreas corporativas continuem com a maior presença de mulheres, com 46% das profissionais, setores como Engenharia e Manufatura mostram avanços consistentes e sustentáveis.
Mulheres que transformam processos
A engenheira Marina Maletzke, da unidade de Ibirubá, atua na modernização dos processos produtivos e participou de projetos de automação industrial, como a produção robotizada da plantadeira Momentum. Mais de 60% dos conjuntos soldados da linha são realizados de forma automatizada. Para Marina, atuar em áreas técnicas exige postura firme e confiança para converter barreiras em oportunidades de diálogo e evolução.
Marina Maletzke é engenheira e atua em área estratégica da manufatura na fábrica da AGCO, em Ibirubá (RS). Foto: AGCO
Em Canoas, a engenheira de produção Mariana Peteffi, de 27 anos, iniciou a carreira como estagiária e hoje comanda uma equipe de 60 profissionais responsáveis pela usinagem na fabricação de tratores. Ela afirma que conquistar credibilidade como mulher jovem na gestão industrial é um desafio, mas também uma oportunidade de mostrar resultados e inspirar outras profissionais.
Diversidade como estratégia de inovação
Para estimular a pluralidade e consolidar uma cultura inclusiva, a AGCO criou em 2025 o Comitê de Diversidade e Inclusão. O grupo atua nos pilares de Talento, Cultura, Mercado e Comunidade, com o objetivo de promover respeito, equidade e ideias criativas dentro das operações da empresa.
Mariana Peteffi coordena iniciativas para ampliar a eficiência e qualidade dos processos de usinagem na fábrica da AGCO, em Canoas (RS). Foto: AGCO
Segundo Angélica Kanashiro, vice-presidente de Recursos Humanos da AGCO América Latina e Business Partner Global para Massey Ferguson, a diversidade impulsiona o desenvolvimento do negócio e fortalece a competitividade no mercado.
“A inclusão vai além de uma métrica de recursos humanos; ela é um elemento estratégico que potencializa a inovação e amplia a capacidade da indústria de atender às demandas dos agricultores em escala global”, destaca Kanashiro.
A 3M América Latina revelou as vencedoras da 6ª edição do programa “25 Mulheres na Ciência”. Com o tema “Mulheres na Manufatura”, a iniciativa reconhece projetos liderados por mulheres que aplicam ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) para transformar processos produtivos e impulsionar a inovação industrial na região. O Brasil se destaca com dez representantes entre as 25 escolhidas.
A edição de 2026 celebra cientistas, técnicas e pesquisadoras que desenvolvem soluções baseadas em STEM com aplicação direta no setor manufatureiro. Os projetos abordam temas como digitalização de processos, automação, sustentabilidade industrial, eficiência energética, segurança, uso de novos materiais e tecnologias para melhorar a produção e a gestão de recursos.
“O envolvimento das mulheres na manufatura desempenha um papel importante no impulso à inovação”. É p qie afirma Ana Sbaglia, gerente do local de Ribeirão Preto e líder do Grupo de Liderança Feminina da 3M Brasil. “A gama mais ampla de experiências profissionais das vencedoras apoia o desenvolvimento de soluções mais eficientes, seguras e sustentáveis. Fomentar a participação da mulher nesse campo fortalece a capacidade do setor de entregar melhorias contínuas.”
As brasileiras vencedoras representam todas as regiões do país. Norte (Amazonas), Nordeste (Ceará e Sergipe), Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul), Sudeste (São Paulo) e Sul (Rio Grande do Sul e Santa Catarina). A lista completa das 25 vencedoras, incluindo as representantes de outros países da América Latina, está disponível neste link.
Critérios de seleção e premiação
Um júri composto por especialistas da 3M e convidados externos avaliou os projetos com base em impacto social, inovação, viabilidade técnica e econômica, maturidade do projeto e trajetória da candidata.
A lista completa dos 25 vencedores, incluindo informações sobre representantes de outros países da América Latina, está publicada aqui
As premiadas receberão um troféu e reconhecimento oficial da 3M, além de visibilidade nos canais de mídia e na publicação digital “25 Mulheres na Ciência 2026”. A publicação trará uma ilustração inédita criada especialmente para cada cientista e seu projeto. O anúncio das vencedoras aconteceu em fevereiro de 2026, mês que celebra o Dia Internacional da Mulher e Meninas na Ciência.
Cenário da mulher na indústria brasileira
Dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) divulgados em 2025 mostram que as mulheres representam cerca de 24,2% da força de trabalho da indústria brasileira. Pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), baseadas no RAIS, indicam um crescimento consistente da participação feminina em cargos de liderança industrial. O índice subiu de 24% em 2008 para 31,8% em 2021.
A pesquisa global State of Science Insights 2025 (SOSI), realizada pela 3M, revela que 81% dos brasileiros concordam que as mulheres têm potencial inexplorado em carreiras STEM. Para 78% dos entrevistados, expandir a presença feminina na indústria é essencial para o avanço tecnológico e sustentável do país.
No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), o Espírito Santo registra avanços concretos na participação feminina no agronegócio e na pesca artesanal. Produtoras, gestoras, empreendedoras e lideranças comunitárias ocupam cada vez mais espaço nas cadeias produtivas do Estado.
A Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) coordena quatro iniciativas voltadas ao fortalecimento da atuação das mulheres no campo e no litoral capixaba: Elas no Campo e na Pesca, Mulheres do Café, Mulheres do Cacau e Marisqueiras em Rede. Os programas combinam qualificação técnica, incentivo ao empreendedorismo e apoio à organização produtiva.
“As mulheres estão cada vez mais à frente da produção, da gestão das propriedades e da inovação no meio rural”, afirmou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli. “O Governo do Estado tem trabalhado para ampliar oportunidades e garantir que essas mulheres tenham acesso à capacitação, tecnologia e mercados.”
Elas no Campo e na Pesca: capacitação e expansão até 2028
Lançado em 2019 em parceria com o Incaper, o programa Elas no Campo e na Pesca promove visibilidade, autonomia econômica e liderança entre agricultoras e pescadoras capixabas.
Em 2025, o programa realizou seis capacitações em parceria com o Sebrae, pelo projeto Delas. Atendendo 86 mulheres nos municípios de São José do Calçado, Mimoso do Sul, Vitória, Jerônimo Monteiro e Itapemirim. Os encontros abordaram vendas, marketing, empreendedorismo, marca pessoal, formação de preço e inteligência emocional.
O programa também levou produtoras a feiras como a Feira Sabores da Terra, a ESX, a FEAFES, a Coffees e o Festival Internacional do Café Conilon. Com representantes de diversas cadeias produtivas, incluindo mulheres da reforma agrária, indígenas e quilombolas.
Para o triênio 2026–2028, a Fapes aprovou um novo projeto pelo programa Inovagro, com investimento de R$ 599.498,00. Entre as ações previstas estão o mapeamento do perfil socioeconômico das participantes, ampliação da assistência técnica, inserção dos produtos no mercado formal e implantação de unidades demonstrativas para a produção de pimenta-do-reino no norte do Estado. O início das atividades está previsto para abril de 2026.
Mulheres do Café: mais de 1.600 atendidas em um ano
O projeto Mulheres do Café qualifica produtoras, estimula a troca de experiências e agrega valor à produção cafeeira capixaba.
Em 2025, as ações voltadas às mulheres do café, em conjunto com o programa Elas no Campo e na Pesca, encerraram o ano com 1.633 mulheres atendidas em 67 atividades, entre capacitações, feiras, Dias de Campo, palestras, excursões e podcast.
Mulheres do Cacau: associações como legado
O Mulheres do Cacau aproxima produtoras das tecnologias de cultivo e processamento, garante assistência técnica e estimula a organização coletiva na cadeia cacaueira.
Como resultado direto do projeto, quatro associações de mulheres do cacau já funcionam no Estado. E seguem recebendo apoio da Seag para capacitações e participação em espaços de comercialização.
Marisqueiras em Rede: sustentabilidade no litoral capixaba
Voltado às pescadoras artesanais, o Marisqueiras em Rede fortalece a organização produtiva e incentiva alternativas sustentáveis de renda no litoral capixaba.
A iniciativa, realizada em parceria com a Associação de Pescadores de Jacaraípe (ASPEJ), o Sebrae e a Petrobras, atua em dez municípios: Serra, Vitória, Cariacica, Vila Velha, Guarapari, Anchieta, Piúma, Itapemirim, Marataízes e Presidente Kennedy.
No Dia Internacional da Mulher, a floricultura revela um retrato estratégico do agronegócio brasileiro. Além de movimentar a economia, o setor se consolidou como um dos maiores empregadores de mulheres no campo. Ele conta com presença feminina em toda a cadeia produtiva, da estufa à comercialização. Estudos realizados por Cepea/Esalq-USP e Ibraflor mostram que as mulheres representam mais da metade da mão de obra da floricultura, chegando a índices próximos de 60% em algumas regiões. O que coloca o segmento entre os líderes em participação feminina no agro.
O Dia da Mulher também tem forte peso comercial para o setor de flores e plantas ornamentais. A data responde por cerca de 8% das vendas anuais e com expectativa de crescimento entre 5% e 6% em relação ao ano anterior. Mais do que um pico de consumo, a data evidencia o papel cotidiano das trabalhadoras que plantam, colhem, comercializam, gerem equipes e assumem funções estratégicas em propriedades rurais, cooperativas e empresas ligadas à floricultura.
Segundo o Ibraflor, o setor combina alta demanda por mão de obra com diversidade de funções ao longo da cadeia. O que favorece a inserção e a permanência feminina, tanto na operação diária quanto na gestão dos negócios. “Além de gerar empregos, o setor permite que muitas mulheres conquistem autonomia financeira, fortaleçam a permanência das famílias no campo e assumam papéis estratégicos dentro e fora da porteira”, destaca a produtora de flores e diretora de Mercado do Ibraflor, Raquel Steltenpool.
Raquel Steltenpool com o pai Joannes Adrianus Steltenpool. Foto: Arquivo Pessoal
Lideranças femininas fortalecem cooperativas de flores em São Paulo
Na Cooperativa Veiling Holambra (CVH), em Santo Antônio de Posse (SP), filhas, esposas, produtoras e cooperadas transformam o cooperativismo em flores e plantas ornamentais ao ampliar a participação feminina em espaços de decisão. O movimento ganhou força em dezembro de 2019, quando a cooperativa iniciou as discussões para criar um Comitê de Mulheres, com foco em formação, troca de experiências e construção de lideranças.
Oficializado em março de 2021, o Comitê de Mulheres da Veiling Holambra cresceu de forma consistente. E hoje reúne cerca de 140 cooperadas em encontros periódicos, capacitações, visitas técnicas e participação ativa em eventos nacionais do agro e do cooperativismo. O grupo incentiva o desenvolvimento pessoal e profissional e estimula o protagonismo feminino nas assembleias e nas decisões estratégicas. E também contribui para um processo contínuo de ocupação de espaços pelas mulheres dentro da cooperativa.
Raíssa Swalmen, coordenadora do Comitê de Mulheres. Foto: Arquivo Pessoal
“Mais do que um espaço de troca, o Comitê constrói bases sólidas para um processo natural de ocupação de espaços estratégicos pelas mulheres dentro da cooperativa. Ao incentivar conhecimento, integração e protagonismo, o grupo contribui diretamente para o crescimento sustentável da cooperativa. E do setor como um todo”, afirma a produtora e coordenadora do Comitê de Mulheres, Raíssa Swalmen.
Cooperflora: participação feminina vai da gestão às equipes de campo
Na Cooperflora, a presença feminina também se traduz em números e em decisões. Cerca de 45% dos cooperados são mulheres ou contam com mulheres à frente da gestão dos sítios. O que mostra o avanço da liderança feminina em propriedades especializadas em flores e plantas ornamentais. As produtoras atuam diretamente na administração, na tomada de decisão e na coordenação de equipes, consolidando um protagonismo que vai além da participação formal.
Na sede da cooperativa, quase metade do quadro de colaboradores é composto por mulheres, muitas delas em cargos estratégicos. Entre os exemplos de liderança estão a cooperada Mariela Grisotto, do Sítio Reijers Alegre, responsável por uma equipe majoritariamente feminina, e a sócia fundadora Dorian Reijers, do Sítio Flores da Terra, que segue ativa e simboliza a base histórica da atuação das mulheres na construção e no desenvolvimento da Cooperflora.
Empreendedorismo feminino em rosas e turismo rural no Ceará
No Ceará, a produtora de rosas Lucivanda Fernandes Siqueira, de Ubajara, na Serra da Ibiapaba, se tornou referência em inovação ao integrar floricultura, turismo rural e economia criativa. Gestora da Fazenda Santo Expedito, ela conquistou o 1º lugar na categoria “Pequena Propriedade” do 8º Prêmio Mulheres do Agro 2025, destaque que reconhece sua gestão sustentável, o foco em impacto social e o modelo de negócios que alia agricultura, educação e experiência turística.
Professora de formação e estudante de Gestão de Pessoas e Agronegócio, Lucivanda aplica conceitos de capacitação e valorização de equipes na rotina da fazenda. E inspira outras empreendedoras a fortalecerem o protagonismo feminino no campo. A propriedade se consolidou como um dos projetos mais inovadores do Nordeste ao integrar produção agrícola de alta tecnologia, responsabilidade ambiental, turismo de experiência e economia sensorial.
A Fazenda Santo Expedito passou por forte expansão. Hoje conta com 12 hectares de estufas, com projeto de ampliação para 16 hectares, três tanques de armazenamento e sistema de captação de água da chuva com pavimentação intertravada para reaproveitamento hídrico. As pétalas que não seguem para comercialização são desidratadas para experiências sensoriais. Ou incorporadas ao composto orgânico, reforçando um ciclo produtivo mais consciente.
Passeio turístico imersivo
Em 2019, a produtora lançou um passeio turístico imersivo pela propriedade, com cerca de 50 minutos de duração. O tour apresenta as estufas, as variedades de rosas, as técnicas de cultivo e as práticas sustentáveis. A experiência inclui vivências como a montagem de buquê simbólico e escalda-pés com pétalas reaproveitadas. Portanto, ampliando o valor percebido da flor na região, fortalecendo o turismo rural na Ibiapaba e impulsionando a geração de emprego e renda local.
A demanda dos visitantes por produtos que prolongassem a experiência na fazenda deu origem à marca Aromas da Fazenda. Ela é especializada em fragrâncias, aromaterapia e cosméticos artesanais. Embora as rosas cultivadas ainda não sejam matéria-prima direta dos cosméticos, a equipe estuda formas de ampliar o uso sustentável de espécies como a lavanda, que também contribui para a polinização da pitaya.
O restaurante da fazenda, inaugurado há cerca de três anos, valoriza ingredientes regionais e utiliza frutas locais na produção de geleias e licores. Portanto, agregando gastronomia ao roteiro de visitação. Hoje, a operação reúne aproximadamente 170 colaboradores na propriedade e 8 na unidade urbana, além de duas lojas físicas (uma na fazenda e outra no município de Ubajara) o que reforça o impacto da gestão feminina sobre a economia local.
Inovação genética e liderança feminina na produção de plantas tropicais
Em Rondônia, a trajetória de Tereza Alves Cordeiro de Campos, fundadora da Estância Vitória, mostra como o empreendedorismo feminino impulsiona inovação e desenvolvimento regional na floricultura tropical. Nascida no interior do Paraná, ela construiu uma trajetória marcada por trabalho e coragem. Até criar, há mais de duas décadas, um projeto próprio de produção de plantas ornamentais com identidade brasileira e variedades diferenciadas.
Localizada na zona rural de Urupá (RO), a cerca de 400 quilômetros da capital, a Estância Vitória se consolidou como referência na produção e desenvolvimento de plantas ornamentais tropicais no país. Mesmo sem formação acadêmica na área, Tereza definiu como objetivo criar plantas únicas, adaptadas ao clima e ao mercado nacional, com foco em qualidade, inovação e estética.
O pequeno projeto familiar se transformou em uma estrutura consolidada. Com cerca de 40 mil metros quadrados de estufas dedicadas à produção de Caladium, Aglaonema, Syngonium, Euphorbia e Dracena, entre outras espécies. A estância também mantém um trabalho autoral de melhoramento genético. Ele é realizado por meio de polinização manual, sem uso de laboratórios externos, baseado na observação prática, na experiência acumulada e na seleção rigorosa de plantas matrizes.
Novas variedades
Ao longo dos anos, inúmeras novas variedades foram desenvolvidas. E após um processo de seleção e testes em cultivo, parte delas entra em produção comercial com novas combinações de cores, maior vigor, rusticidade, melhor adaptação e resistência natural a pragas e doenças. O melhoramento mais recente é um Caladium da variedade Lança. Ela é mais resistente ao frio, de porte compacto e indicado para vasos, que já está em produção e terá lançamento oficial em setembro.
A Estância Vitória fornece mudas do seu portfólio para produtores de diferentes regiões do país. E comercializa produtos finais diretamente ao mercado, por meio de ponto de venda no Ceaflor, em Jaguariúna (SP). Dessa forma, o trabalho autoral de Tereza conecta a inovação desenvolvida em Rondônia às principais regiões consumidoras de plantas ornamentais do Brasil. Reforçando a presença feminina em toda a cadeia da floricultura.
No Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú (SC), o manejo de animais como tubarões, jacarés e até uma sucuri de 4 metros está nas mãos de mulheres altamente qualificadas. Elas atuam diariamente nos bastidores do maior aquário do sul do Brasil, garantindo o bem-estar e a segurança das espécies que encantam o público.
Foto: Oceanic Aquarium/Divulgação
A oceanógrafa Camila Moraes mergulha até três vezes por semana para alimentar tubarões e moreias e cuidar da limpeza dos tanques, tarefa essencial para manter o equilíbrio ambiental dos habitats. O trabalho exige técnica, atenção constante e profundo conhecimento sobre comportamento animal.
As biólogas Bruna Oliveira e Edilene Brandli também encaram desafios diários. Elas alimentam jacarés, monitoram o peso e avaliam a saúde dos répteis. Edilene ainda se dedica ao tratamento e condicionamento das lontras, reforçando o papel da equipe no cuidado integrado dos animais.
Entre as mais corajosas, está Julia Molina, responsável pelo manejo da sucuri Celeste, que vive com algumas raias de água doce. Julia realiza a alimentação e limpeza do recinto, um trabalho que exige calma, preparo físico e experiência.
Manutenção da vida em um áquario
Nos bastidores, o funcionamento de um aquário com mais de 350 mil litros de água depende da bióloga Bárbara Rodrigues, que opera o Sistema de Suporte à Vida (SSV). O conjunto de equipamentos garante a oxigenação, filtragem e temperatura ideais da água, simulando o ambiente natural dos habitats.
Julia Molina, bióloga responsável pela alimentação e limpeza do recinto da Celeste. Foto: Oceanic Aquarium/Divulgação
A equipe técnica do Oceanic Aquarium tem 18 especialistas, e 11 deles são mulheres. A veterinária Juliana Formágio, gerente de Operações Técnicas, lidera o grupo e reforça o compromisso com a igualdade de oportunidades:
“A igualdade está em ocupar os mesmos espaços. No Oceanic, cada profissional se destaca pelo talento, pelas competências e pelo amor ao que faz, não pelo gênero”, afirma.
Essas profissionais provam que trabalhar com grandes espécies não é questão de força, mas de preparo, responsabilidade e dedicação à conservação da vida marinha.