Tag: Minas Gerais

  • Produtores de alho em crise; cidade mineira decreta emergência

    Produtores de alho em crise; cidade mineira decreta emergência

    Um dos principais polos produtores de alho do Brasil, o município de São Gotardo (MG), decretou situação de emergência econômica no setor agropecuário diante do agravamento da crise que atinge os produtores rurais da região. Para a Associação Nacional dos Produtores de Alho (ANAPA), a medida confirma oficialmente um cenário que a entidade vem denunciando ao Governo Federal há meses, e a associação agora exige uma reação imediata das autoridades.

    O Decreto nº 263, publicado em 17 de agosto, reúne números que dimensionam a gravidade da crise na cadeia do alho. O custo de produção da cultura chegou a R$ 220 mil por hectare na safra de 2026, enquanto adversidades climáticas reduziram a produtividade média da safra precoce para 13,5 toneladas por hectare.

    Preço de venda não cobre o custo de produção

    Além dos problemas climáticos, o produtor enfrenta forte deterioração das condições de comercialização. Com base na Nota Técnica nº 01/2026 da ANAPA, o decreto registra que o alho mineiro tem sido vendido, em média, a R$ 11,00 o quilo na propriedade. Ou seja, abaixo do custo de produção, que soma R$ 13,30 o quilo. A conta resulta em um prejuízo líquido estimado em R$ 70 mil por hectare.

    O texto do decreto também aponta a pressão que as importações exercem sobre o mercado nacional. Entre os fatores que o município considerou estão as importações massivas e subcotadas provenientes da Argentina, com margem de dumping de 88,2%, além de questões relacionadas ao compromisso de preços aplicado ao alho chinês e decisões judiciais que permitem a entrada do produto estrangeiro sem o devido recolhimento do direito antidumping.

    ANAPA afirma ter enviado mais de 70 ofícios ao Governo

    O presidente da ANAPA, Rafael Cursino, afirma que a entidade vem apresentando sistematicamente ao Poder Executivo dados e propostas para evitar o agravamento da crise.

    “Somente neste ano, a ANAPA encaminhou mais de 70 ofícios ao Executivo alertando sobre o que estava acontecendo. Mostramos o impacto dos juros elevados, a dificuldade financeira dos produtores e a concorrência predatória que estamos enfrentando com o alho importado. As autoridades foram avisadas de que poderíamos chegar a uma situação como esta”, afirma.

    O próprio decreto municipal reconhece a gravidade das informações que a entidade apresentou. Entre os documentos que fundamentam tecnicamente a declaração de emergência estão o Ofício ANAPA nº 053/2026 e o respectivo Memorando Técnico sobre a cadeia produtiva do alho.

    Para Cursino, o decreto de São Gotardo representa um sinal concreto de que a crise já não atinge apenas as propriedades rurais e começa a produzir consequências sobre toda a economia das regiões produtoras.

    “Quando o produtor perde sua capacidade financeira, o impacto chega ao comércio, às revendas de fertilizantes e defensivos, às máquinas agrícolas, aos prestadores de serviços e aos trabalhadores. Existe todo um ecossistema econômico dependente da produção agrícola. É isso que estamos vendo ser colocado em risco”, alerta.

    O Decreto nº 263 reforça essa relação ao apontar que a economia urbana, o setor de serviços, o comércio varejista e parte das receitas municipais dependem diretamente do fluxo de renda e do poder de compra que a agropecuária regional gera.

    Associação cobra medidas de defesa comercial

    Uma das principais cobranças da ANAPA mira uma resposta mais rápida dos órgãos federais responsáveis pela defesa comercial brasileira. A entidade afirma ter apresentado ao Governo Federal levantamentos sobre a concorrência que o alho brasileiro enfrenta, incluindo as condições de entrada dos produtos vindos da Argentina e da China, e cobra a conclusão das análises e a adoção das medidas cabíveis.

    “Nós apresentamos os problemas e também apontamos caminhos para melhorar as condições do mercado e enfrentar a concorrência desleal. O setor produtivo fez a sua parte. Agora precisamos que os órgãos responsáveis analisem essas demandas e tomem as decisões necessárias com a urgência que a situação exige”, afirma Rafael Cursino.

    Além das medidas de defesa comercial, a associação considera indispensável avançar em instrumentos de renegociação e alongamento das dívidas rurais, além de mecanismos de crédito capazes de preservar a capacidade produtiva dos agricultores.

    O decreto de São Gotardo prevê articulação com a União, o Governo de Minas Gerais, instituições financeiras, cooperativas e entidades representativas. E estabelece como um de seus objetivos ampliar o acesso dos produtores a mecanismos de prorrogação, alongamento, renegociação e reestruturação de suas obrigações.

    Crise ameaça mais de 250 mil empregos no país

    A ANAPA alerta que a crise não deve ser tratada como um problema restrito a São Gotardo. A entidade acompanha dificuldades em outras regiões produtoras e teme que a deterioração econômica se espalhe pelos principais polos de produção de alho do país.

    Levantamentos do setor relacionam a cadeia do alho a mais de 250 mil empregos. Isso somando os postos de trabalho diretos e indiretos vinculados à produção e às atividades que dependem dela.

    “Estamos falando de uma cultura que gera muito emprego e renda e que foi construída ao longo de décadas no Brasil. Se não houver medidas urgentes, teremos produtores deixando a atividade, redução da produção brasileira e perda de empregos. O decreto de São Gotardo precisa ser entendido como um alerta para o país”, ressalta Cursino.

    Segundo a associação, o momento exige uma atuação coordenada dos ministérios e órgãos federais responsáveis pela agricultura, comércio exterior, defesa comercial e política econômica.

    “O produtor brasileiro não pede proteção contra a concorrência legítima. O que queremos é concorrência justa e condições para continuar produzindo no Brasil. Os estudos chegaram, os alertas foram emitidos e agora um município importante decreta emergência econômica. É hora de transformar os diagnósticos em medidas concretas”, conclui o presidente da ANAPA.

  • Café LGBT: Irmãos transformam herança familiar em negócio

    Café LGBT: Irmãos transformam herança familiar em negócio

    Quando passeia por Três Pontas, no sul de Minas Gerais, o advogado Filipe Campos Mendonça costuma ser cumprimentado com um ‘Nhaí’, saudação utilizada pela comunidade LGBTQIAP+. A expressão, que poderia soar como provocação em alguns contextos, acabou ganhando outro significado para a família.

    Nhaí também é o nome da marca de café criada por Filipe e pelo irmão, Tiago Campos Mendonça, que pertencem à terceira geração de uma família dedicada à cafeicultura na região.

    O negócio nasceu dentro da própria propriedade rural da família e passou a unir a produção de café à torrefação e à venda dos grãos.

    Café, amor e diversidade

    A ideia de criar um café LGBT partiu de Filipe depois que ele decidiu deixar o trabalho no mercado financeiro e voltar para a casa dos pais, em 2023.

    O objetivo inicial era descansar. No entanto, o contato com a propriedade rural acabou levando o advogado a aprender a operar o maquinário da fazenda e a participar do manejo do cafezal.

    “Começou como um descanso e acabou virando uma profissão”, brinca o cafeicultor.

    A aproximação com a atividade rural também foi possível depois de uma mudança importante na relação dos irmãos com a família. Dois anos antes, Filipe e Tiago haviam decidido assumir a própria sexualidade para os familiares.

    “Tivemos muito medo, inclusive de sermos expulsos de casa, mas quando vimos que teve essa aceitação, abriram-se os horizontes para estarmos mais perto e participarmos do negócio da família”, conta Tiago, diretor financeiro da Nhaí.

    Família passou a trabalhar unida

    O cafeicultor Gláucio Garcia Mendonça, pai dos irmãos, reconhece que o processo de aceitação não foi simples.

    “Da primeira vez você leva um baque, né? Mas minha esposa tem uma cabeça muito boa e com o tempo fui amadurecendo a ideia”, afirma.

    Segundo ele, a participação dos filhos na propriedade também foi uma surpresa. “No começo, eu achei que eles não gostavam de mexer com a fazenda”, relata.

    Hoje, Gláucio fornece cerca de 800 quilos de café a cada 15 dias para os filhos. Os grãos são destinados à torrefação e posteriormente comercializados.

    O produtor conta que já havia pensado em avançar para essa etapa do negócio, mas não tinha mão de obra suficiente para fazer tudo sozinho.

    “Eu já tinha esse plano, mas aí como na fazenda era tudo por minha conta, eu me questionava se compensava fazer isso sozinho”, explica.

    Com a entrada dos filhos, a divisão das atividades também mudou: Gláucio cuida das lavouras, Filipe atua na torra e a mãe dos irmãos participa da área financeira e das vendas.

    Boom nas vendas

    Além da estrutura familiar, a qualidade do produto passou a ser um dos diferenciais da marca.

    O café produzido pela família alcança mais de 84 pontos, classificação associada aos cafés especiais.

    A estratégia ajudou a impulsionar o negócio. Em apenas um ano, a Nhaí registrou crescimento superior a 400% nas vendas.

    Parte desse avanço veio depois que os irmãos fecharam contrato com uma grande rede varejista com 45 lojas em São Paulo. Além disso, a marca também comercializa os produtos em Minas Gerais e em cafeterias de Belo Horizonte.

    Representatividade dentro do agro

    Para Tiago, a criação da marca representa mais do que uma oportunidade comercial.

    A experiência dos irmãos também passou a ocupar um espaço de representatividade dentro de um setor no qual, segundo ele, produtores gays ainda enfrentam dificuldades para se posicionar.

    “A questão da representatividade foi o que mais deu forças para nos afirmarmos como produtores gays num ambiente tão difícil como o agro e para podermos trazer mais pessoas da nossa comunidade para essa luta”, afirma.

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  • Trabalhador rural viraliza dançando hits da web no campo

    Trabalhador rural viraliza dançando hits da web no campo

    Enquanto muitos produtores usam as redes sociais para mostrar a rotina da lavoura ou compartilhar técnicas de cultivo, um operador de máquinas de Minas Gerais encontrou um caminho diferente para chamar a atenção dos internautas.

    Nos momentos de descanso entre uma atividade e outra na Fazenda Palmira, em Pompéu (MG), Jorge Luiz Aparecido de Almeida, de 32 anos, deixa o trator estacionado por alguns minutos e transforma o galpão em uma pista de dança improvisada.

    As coreografias, gravadas de forma espontânea, renderam milhões de visualizações, milhares de seguidores e o apelido de Jorgim Agroboy, tornando o trabalhador rural um dos personagens mais conhecidos do agro nas redes sociais.

    Dança começou como uma brincadeira

    A ideia surgiu há cerca de cinco anos, quando Jorge passou a acompanhar vídeos de criadores de conteúdo que faziam coreografias na internet.

    Curioso, decidiu produzir seus próprios vídeos durante os intervalos de trabalho, mas quase ninguém assistia às publicações.

    Mesmo sem grandes resultados, ele continuou gravando e acabou explodindo na web.

    Vídeo foi compartilhado por Virgínia

    A grande virada aconteceu no fim de 2025, quando a influenciadora Virgínia Fonseca repostou uma coreografia do rapaz ao som de Alô, Virgínia.

    https://www.instagram.com/reel/DSHrVM9jRWL/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    O vídeo ultrapassou 14,5 milhões de visualizações, impulsionando o perfil de Jorge e atraindo milhares de novos seguidores.

    Objetivo é ajudar a família

    Apesar da repercussão nas redes sociais, Jorge continua trabalhando como operador de máquinas.

    Ele afirma que deseja transformar a visibilidade conquistada na internet em uma fonte de renda capaz de oferecer mais estabilidade para a família.

    Ao mesmo tempo, pretende ampliar a produção de conteúdo e realizar sonhos antigos, como participar de programas de grande audiência, como o Big Brother Brasil e o Rancho do Maia.

    “Quero conquistar o mundo com o que eu faço e, quem sabe, poder ajudar as pessoas que precisam”, afirma.

  • Conheça a maior feira de cachaça do mundo

    Conheça a maior feira de cachaça do mundo

    A cadeia produtiva da cachaça volta a ocupar o centro das atenções do agronegócio brasileiro entre os dias 6 e 8 de agosto, em Belo Horizonte (MG). A 35ª edição da Expocachaça promete reunir cerca de 250 expositores de 18 estados, aproximadamente 2 mil marcas e um público estimado em 25 mil visitantes. O evento consolida sua posição como a maior vitrine mundial do setor. E um dos principais ambientes de negócios para produtores, fornecedores, distribuidores, compradores e investidores.

    Foto: Antenados

    A organização estima que a feira movimente R$ 30 milhões durante e após sua realização. Esse resultado deve vir das negociações comerciais, do lançamento de produtos, da geração de novos mercados e do fortalecimento das relações entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

    Ao longo de quase três décadas, a Expocachaça deixou de ser apenas um evento de degustação. E se transformou em uma plataforma estratégica para o desenvolvimento da agroindústria da cachaça. A feira promove inovação, amplia o acesso a mercados, qualifica a produção e valoriza o destilado brasileiro.

    “A Expocachaça nasceu com o propósito de fortalecer toda a cadeia produtiva da cachaça de alambique. Hoje, ela reúne produtores rurais, fabricantes de equipamentos, fornecedores de insumos, distribuidores, compradores e especialistas em um ambiente voltado para negócios, conhecimento e geração de valor”, destaca José Lúcio Mendes, idealizador da feira.

    Minas Gerais lidera a produção nacional

    Minas Gerais mantém a liderança na produção brasileira de cachaça, e esse protagonismo explica a força do evento no estado. Segundo o Anuário da Cachaça 2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Brasil possui 1.266 estabelecimentos registrados,. Dos quais 501 estão em Minas Gerais, o equivalente a 39,6% de todas as cachaçarias do país. O estado também concentra 2.492 produtos registrados, ou 34,5% dos rótulos nacionais.

    Esses números reforçam a importância econômica da atividade, que movimenta milhares de produtores rurais, pequenas agroindústrias, cooperativas, fornecedores de equipamentos, fabricantes de barris, laboratórios, transportadores e distribuidores.

    ANPAQ lança o Selo Nacional da Cachaça de Alambique

    A Associação Nacional da Cachaça de Alambique (ANPAQ) lança durante o evento o Selo Nacional da Cachaça de Alambique, iniciativa que marca um avanço na valorização e na proteção da produção tradicional brasileira.

    O selo identifica a autêntica cachaça de alambique, produzida em alambique de cobre e conforme critérios técnicos estabelecidos pela entidade. Eoferece ao consumidor mais segurança quanto à origem, à qualidade e à procedência do produto. Cada certificação traz QR Code e código serial exclusivo, o que permite acessar informações sobre o produtor, o processo de produção e a autenticidade da bebida.

    Mais do que um elemento de identificação, o selo reforça o compromisso do setor com a preservação da tradição, a valorização dos produtores e a transparência para o consumidor. A iniciativa consolida a Expocachaça como palco dos principais avanços da cadeia produtiva da cachaça brasileira.

    Feira cria ambiente de negócios para o agro

    A programação da Expocachaça reúne rodadas de negócios, exposição de equipamentos para alambiques, fornecedores de embalagens, barris, tecnologia, insumos, serviços especializados e lançamentos voltados ao setor produtivo.

    Entre os temas que devem pautar as discussões desta edição estão a sucessão familiar nas propriedades rurais, a agregação de valor ao produto, a indicação geográfica, a rastreabilidade, a internacionalização, as certificações, a qualidade laboratorial, a sustentabilidade e os impactos da reforma tributária sobre o segmento.

    O crescimento das bebidas prontas para consumo (RTDs), novas estratégias de posicionamento de mercado e a ampliação do turismo rural associado aos alambiques também ganham espaço na programação. Uma tendência que vem diversificando a renda das propriedades produtoras.

    “A cadeia da cachaça evoluiu significativamente nas últimas décadas. Hoje falamos de um produto com elevado valor agregado, forte identidade territorial e crescente reconhecimento nacional e internacional. A Expocachaça acompanha essa evolução, promovendo conexões que fortalecem todo o setor”, afirma José Lúcio Mendes.

    Evento integra diferentes cadeias produtivas

    A Expocachaça acontece simultaneamente à 19ª Brasilbier e à 4ª Minas + Doce. Oque amplia o diálogo entre diferentes segmentos do agronegócio, da agroindústria e da gastronomia. Essa integração cria oportunidades para novos negócios, parcerias comerciais e valorização dos produtos de origem mineira.

    O Brasil tem 1.217 cachaçarias registradas em 2023, segundo o Anuário da Cachaça 2024, divulgado pelo Ministério da Agricultura.
    Foto: Divulgação – MAPA

    Ao reunir produtores, compradores, especialistas, pesquisadores e consumidores, a Expocachaça consolida Belo Horizonte como ponto de encontro de uma das cadeias produtivas mais tradicionais e representativas do agronegócio brasileiro.

    Serviço
    • 35ª Expocachaça, 19ª Brasil Bier e 4ª Minas + Doce
    • Data: 6 a 8 de agosto de 2026
    • Horário: das 12h às 00h
    • Local: CenterMinas Expo — Av. Pastor Anselmo Silvestre, 1495, União, Belo Horizonte, MG
    • Ingressos: disponíveis no site oficial da Expocachaça e na Sympla. Nos dias do evento, a bilheteria do CenterMinas Expo também vende ingressos.
    • Site: www.expocachaca.com.br
    • Instagram: @expocachaca
  • Geada é o novo desafio do morango brasileiro em ano de produção recorde

    Geada é o novo desafio do morango brasileiro em ano de produção recorde

    O Brasil ocupa a posição de maior produtor de morango da América Latina. E o avanço da cultura no país reacende a discussão sobre um dos principais riscos climáticos da atividade: as geadas de inverno. Levantamentos recentes do setor mostram trajetória de crescimento contínuo, puxada pela tecnificação das lavouras, pela chegada de novas cultivares nacionais e pelo ganho de produtividade nas regiões produtoras.

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística projeta que a produção brasileira de morango cresça 2,6% em 2026. Portanto, alcançando 200 mil toneladas, com destaque para Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Minas Gerais concentra a maior parte desse volume. O estado deve colher cerca de 190 mil toneladas na safra recente, distribuídas por 3,6 mil hectares, consolidando a liderança que mantém desde 2019.

    Paraná e Espírito Santo completam o mapa dos principais polos produtores. No caso capixaba, a agricultura familiar respondeu por uma colheita de 32.884 toneladas em 2024, segundo dados do Incaper, reforçando o papel da fruta como fonte de renda para pequenas propriedades rurais em diferentes regiões do país.

    Genética nacional reduz dependência de mudas importadas

    Parte do salto de produtividade tem relação direta com o trabalho de melhoramento genético conduzido pela Embrapa. A cultivar BRS DC25, batizada de Fênix e lançada pela Embrapa Clima Temperado em 2023, retomou um programa de pesquisa iniciado ainda nas décadas de 1960 e 1980. E hoje figura como a principal aposta do país para reduzir a dependência de material importado. O setor importa cerca de 98% das mudas plantadas no Brasil, vindas principalmente de Chile, Argentina e Espanha. Portanto, com custos cotados em dólar que encarecem toda a cadeia produtiva.

    Foto: Arquivo Agro em Campo

    A Fênix já reverte parte desse cenário. O número de viveiristas licenciados para reproduzir a cultivar dobrou em dois anos, somando pelo menos 54 produtores autorizados. E a produção de mudas ultrapassou 5 milhões de unidades até 2025. A expectativa é que esse volume avance ainda mais em 2026. Além da resistência a variações de temperatura, a cultivar entrega frutas de calibre elevado e sabor equilibrado: com manejo adequado, cada planta pode produzir até 1,2 quilo de morango em campo aberto, ou cerca de 900 gramas em sistema semi-hidropônico.

    O morango e sua sensibilidade ao frio

    O morangueiro é uma planta de clima temperado, adaptada a estações com dias mais curtos e temperaturas amenas. São características que favorecem a floração e o enchimento dos frutos. Justamente por isso, episódios de frio intenso, comuns durante o inverno nas regiões Sul e Sudeste, representam risco direto à produção. Geadas atingem primeiro as flores e os frutos em formação, que são as partes mais sensíveis da planta. E podem comprometer também o desenvolvimento vegetativo como um todo. Como cada ciclo produtivo demanda investimento contínuo em mudas, insumos, mão de obra e estrutura. E uma quebra de safra provocada pelo frio afeta diretamente a rentabilidade do produtor. Especialmente entre as famílias que dependem da cultura como principal fonte de renda.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    O desafio climático não se limita ao frio. Levantamentos recentes do setor também apontam calor atípico e irregularidades climáticas durante a janela de plantio, entre abril e maio, como fatores que podem reduzir o vigor das lavouras, além da pressão crescente do pulgão-da-raiz, praga que ataca o sistema radicular e pode transmitir o vírus do mosqueado-do-morangueiro. O cenário reforça que o manejo climático e fitossanitário caminha junto com o avanço tecnológico da cultura.

    Manejo preventivo reduz impacto das baixas temperaturas

    Diante da recorrência de geadas nas principais regiões produtoras, especialistas defendem que a melhor estratégia é agir antes da chegada do frio intenso, e não depois. Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, explica que o produtor não controla a geada, mas pode preparar a planta para enfrentá-la melhor. Segundo ele, quando o manejo nutricional acontece de forma preventiva, a cultura responde com mais equilíbrio fisiológico e ganha maior capacidade de suportar o estresse térmico.

    Entre as estratégias adotadas para essa preparação está a combinação de Lannoite PLUS com potássio. Isso fortalece as plantas e melhora a resposta ao estresse causado pelas baixas temperaturas, conforme aponta Carvalho. Para ele, esperar a geada ocorrer para só então agir significa lidar com um dano que já se instalou. O manejo preventivo, ao contrário, deixa a planta mais preparada para enfrentar essas condições e reduz os impactos sobre a produtividade e a qualidade dos frutos.

    Boas práticas sustentam a expansão da cultura

    Pesquisadores da Embrapa reforçam que a combinação entre genética adaptada, manejo técnico e acompanhamento constante é o que sustenta o crescimento da cultura no Brasil. Entre as recomendações práticas para o produtor estão o uso de mudas certificadas por viveiros licenciados e o plantio dentro da janela , geralmente entre o fim do verão e o início do outono. Também a  adequação correta do sistema de cultivo escolhido, seja no solo ou fora dele, e o acompanhamento técnico do plantio até a colheita, incluindo análise de solo e manejo preventivo de doenças.

    Com a produção brasileira em trajetória de crescimento e as geadas seguindo como um dos principais riscos do inverno nas regiões produtoras, o manejo preventivo ganha cada vez mais espaço entre os produtores. Mais do que proteger a lavoura pontualmente, a antecipação de boas práticas contribui para preservar a produtividade e garantir a sustentabilidade econômica de uma atividade que já consolidou o Brasil como referência na América Latina.

  • Luciano Huck revela fazenda de avocado na Serra da Mantiqueira

    Luciano Huck revela fazenda de avocado na Serra da Mantiqueira

    Luciano Huck, de 54 anos, consolida sua atuação no agronegócio brasileiro. Além de comandar um dos programas de maior audiência da TV Globo, o apresentador administra uma fazenda de avocado na Serra da Mantiqueira, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. Huck transformou a propriedade em uma plantação de frutas e acompanha de perto cada etapa do cultivo.

    Reprodução: Redes Sociais

    Nesta semana, o apresentador visitou a fazenda para verificar a evolução dos frutos, que já atingiram tamanho considerável e se aproximam da colheita. Huck registrou a visita nos stories do Instagram e mostrou a região montanhosa onde as árvores produtivas se distribuem pela propriedade.

    Fazenda Karacy aposta em fruticultura sustentável

    Huck batizou a propriedade de Fazenda Karacy. O empreendimento reúne uma equipe especializada que conduz a produção de avocado em sintonia com o ecossistema local. O projeto busca dois objetivos centrais: desenvolver a fruticultura na região e preservar o ambiente ao redor da plantação.

    A fazenda ocupa 25 hectares de área plantada, o equivalente a 35 campos de futebol. Huck iniciou o cultivo há cerca de três anos e agora se prepara para colher os primeiros avocados da variedade Hass.

    Huck explica motivação para investir no campo

    Em vídeo publicado nas redes sociais, Huck relatou o processo que o levou a investir na produção rural. Segundo o apresentador, ele buscou por anos uma relação mais próxima com o campo antes de decidir qual cultura produzir.

    Reprodução: Redes Sociais

    “Alguns anos atrás decidi que eu queria ter uma relação mais intensa com o campo. Queria produzir. Fiquei anos pensando, pesquisando, viajando o Brasil e pensando o que eu queria produzir. Resolvi produzir avocado, aquele abacate Hass. Há uns 3 anos, a gente vem plantando uma fazenda na Serra da Mantiqueira, divisa de São Paulo e Minas Gerais. Está ficando lindo!”, declarou Huck.

    De onde vem a fortuna de Luciano Huck

    O patrimônio de Huck ultrapassa os cachês recebidos na TV Globo. O apresentador atua também como investidor financeiro e no setor imobiliário, mantém participação em diversos empreendimentos pelo país e fatura como protagonista de campanhas publicitárias. Estimativas apontam um salário milionário na emissora carioca, mas a Globo nunca confirmou publicamente os valores.

    Luciano Huck segurando uma câmera
    Reprodução: Redes Sociais

    Huck nasceu em São Paulo, em uma família de intelectuais, e cursou Direito na USP antes de consolidar a carreira na televisão. No início da trajetória profissional, trabalhou como estagiário na revista Playboy e atuou como assistente do fotógrafo J.R. Duran.

    A projeção nacional veio nos anos 1990, quando Huck comandou o programa H, na Band, atração que se tornou fenômeno de audiência com as personagens Feiticeira e Tiazinha. Em 2000, o apresentador estreou na TV Globo e conduziu o Caldeirão do Huck ao topo da audiência. Anos depois, assumiu o comando dos domingos da emissora no lugar de Fausto Silva e garantiu a permanência à frente do Domingão com Huck até, pelo menos, 2030.

  • Quase 300kg: Javali gigante é abatido em MG

    Quase 300kg: Javali gigante é abatido em MG

    Um javali gigante conhecido como “Lendário” mobilizou moradores e caçadores do interior de Minas Gerais após quase uma década causando danos em propriedades rurais. Durante uma ação de manejo, caçadores abateram o animal, que ficou conhecido na região pelo porte incomum e pela dificuldade de captura.

    Segundo os relatos que acompanham a gravação, o javali destruía plantações, invadia propriedades e, em algumas situações, atacava cães utilizados em tentativas anteriores de controle.

    Lendário pesava quase 300kg

    O tamanho do javali também chamou atenção. De acordo com as informações compartilhadas nas redes sociais, o animal teria peso estimado em quase 300 quilos e apresentava uma camada de gordura com cerca de 10 centímetros de espessura.

    ‘Lendário’ ganhou fama pelo porte fora do comum — Foto: Reprodução/Redes Sociais

    Espécie invasora

    O Ibama classifica o javali como uma espécie exótica invasora e autorizou seu manejo no Brasil em 2013 por meio da Instrução Normativa nº 03/2013. Desde então, produtores rurais e órgãos ambientais buscam reduzir os impactos causados pelo crescimento da população desses animais em diferentes regiões do país.

     A espécie costuma revirar o solo em busca de alimento, destruir nascentes e danificar áreas de preservação permanente. Além disso, eles representam um risco sanitário para a pecuária e podem causar prejuízos significativos à produção agropecuária.

    Segundo o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali, a expansão da espécie ameaça a biodiversidade, compromete a flora e a fauna nativas e ainda afeta corpos d’água em diversas regiões brasileiras. Da mesma forma, produtores rurais frequentemente registram perdas em lavouras de grãos, pastagens e pequenas criações por causa da presença desses animais.

    A Embrapa também alerta para os impactos provocados por javalis e seus híbridos. De acordo com a instituição, esses animais invadem plantações com frequência, revolvem grandes áreas do solo durante a busca por alimento e provocam danos diretos à atividade agropecuária.

     

  • Chuvas atrasam colheita de café e preocupam produtores

    Chuvas atrasam colheita de café e preocupam produtores

    A colheita de café segue em ritmo mais lento nas principais regiões produtoras do Brasil. O motivo são as chuvas registradas no fim de junho. Em Minas Gerais, estado responsável por cerca de metade da produção nacional, apenas 30% da safra foi colhida. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), a média histórica para este período é de 40%.

    Além do atraso, o excesso de umidade preocupa produtores. Isso porque as condições climáticas podem reduzir a qualidade dos grãos e afetar a próxima safra.

    Chuvas dificultam a colheita

    As precipitações atingiram principalmente o Cerrado Mineiro e o Sul de Minas. Como resultado, o avanço das máquinas ficou mais lento. Além disso, aumentou a queda de frutos no chão.

    Segundo a Emater-MG, novas chuvas podem ocorrer nos próximos dias devido aos efeitos do El Niño. Caso isso aconteça, os cafezais podem florescer antes do período ideal. Durante a colheita, essas flores acabam sendo derrubadas. Dessa forma, o potencial produtivo da próxima safra pode diminuir.

    Apesar desse cenário, a expectativa ainda é positiva. A Emater-MG projeta uma produção de 31,8 milhões de sacas em Minas Gerais. O volume continua superior às 25,7 milhões de sacas registradas na temporada passada.

    Beneficiamento também avança lentamente

    O coordenador técnico da Emater-MG, Sérgio Regina, afirma que ainda é cedo para medir as perdas de qualidade. Segundo ele, apenas uma pequena parte do café beneficiado chegou ao mercado.

    Depois das chuvas, muitos produtores interromperam a colheita temporariamente. O objetivo foi recolher os grãos que caíram no solo e iniciar a secagem. No entanto, esse processo é mais caro e exige mais tempo. Por isso, toda a operação acaba sendo atrasada.

    Colheita nacional segue abaixo do ano passado

    De acordo com a Safras & Mercado, a colheita brasileira alcançou 52% da safra 2026/27 até 1º de julho. No mesmo período de 2025, o índice já era de 60%.

    Embora o ritmo tenha acelerado na última semana, a oferta do café ainda permanece limitada. Isso acontece porque grande parte da produção continua em fase de secagem e beneficiamento.

    Cooperativas também registram atraso

    A Cooxupé informou que a colheita atingiu 24,9% da área dos cooperados até o fim de junho. No mesmo período do ano passado, o índice era de 31,4%.

    Já a Expocacer informou que os trabalhos chegaram a 32% da produção estimada até o início de julho. Ainda assim, o desempenho permanece abaixo do registrado em 2025.

    Assim, os números mostram que o atraso ocorre nas principais regiões produtoras do país.

    Produtores relatam perdas e queda na qualidade

    No Sul de Minas e no Cerrado Mineiro, agricultores relatam aumento da queda de grãos. Além disso, enfrentam dificuldades para operar máquinas devido ao excesso de umidade.

    Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a qualidade do café. Muitos produtores afirmam que houve aumento de grãos fermentados. Como consequência, cresce a presença de cafés classificados como riado e rio, categorias que possuem menor valor comercial.

    Em algumas propriedades, parte dos grãos permaneceu no solo por mais tempo. Por isso, houve casos de mofo e deterioração. Nesses casos, o café torna-se impróprio para consumo.

    Indústria acompanha cenário com preocupação

    Para representantes da indústria cafeeira, o maior problema não é apenas o atraso da colheita. A principal preocupação é a qualidade dos primeiros lotes produzidos.

    Segundo o Sindicato da Indústria de Café de Minas Gerais (Sindicafé-MG), já existem registros de cafés com fermentação logo no início da safra. Esse cenário acende um alerta para produtores, cooperativas e exportadores.

    Se o clima úmido continuar nas próximas semanas, os impactos poderão ser maiores. Nesse caso, a rentabilidade tende a diminuir. Além disso, a oferta de cafés de maior qualidade destinados à exportação também poderá ser reduzida.

  • Azeites brasileiros brilham em concursos internacionais

    Azeites brasileiros brilham em concursos internacionais

    Dois azeites brasileiros, produzidos em regiões opostas do país, somaram medalhas em concursos internacionais de peso nas últimas semanas. Em Cristina, no Sul de Minas Gerais, a marca Alto da Serra conquistou o Ouro no Evo International Olive Oil Contest (Evo IOOC), na Itália.

    Olival do Azeite Alto da Serra
    Olival do Azeite Alto da Serra, no município de Cristina. Foto: Azeite Alto da Serra / Divulgação

    Em Gramado, na Serra Gaúcha, o Olivas de Gramado somou bronze em Mônaco e prata na Itália, além de um prêmio especial de qualidade. Juntos, os resultados reforçam a evolução da olivicultura nacional, ainda incipiente, mas cada vez mais competitiva no cenário mundial.

    Ouro para o azeite de Cristina, no Sul de Minas

    O Alto da Serra Blend, produzido no Campo Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em Maria da Fé, recebeu Medalha de Ouro na edição 2026 do Evo IOOC. A premiação aconteceu em 26 de junho, em Palmi, na região da Calábria, e reuniu diversos rótulos nacionais. O azeite mineiro também ficou entre os cinco melhores da América do Sul e disputou o prêmio Raúl C. Castellani.

    Alisson Moreira e família
    Alisson Moreira e família. Foto: Arquivo pessoal

    O produtor Alisson Moreira participa do concurso pela primeira vez e comemora o resultado. “O foco sempre foi a qualidade e a gente está buscando mais excelência. Estamos muito contentes”, afirma.

    O interesse pela olivicultura surgiu depois que Moreira conheceu a boa adaptação da oliveira à região. “Nosso sítio é em Cristina, município vizinho a Maria da Fé. Quando conheci a história da oliveira e soube que o azeite daqui era muito bom, passei a me aprofundar no assunto. Em 2016 fomos à Epamig buscar informações e, no final de 2017, iniciamos o plantio”, conta.

    Cultivo familiar

    O cultivo, de caráter familiar, ocupa 1,5 hectare a 1,5 mil metros de altitude e reúne 340 oliveiras. A primeira colheita, em 2022, rendeu cerca de 12 litros de azeite. A marca Alto da Serra nasceu em 2024 e hoje vende o produto na propriedade, em empórios parceiros e pelo Instagram. Em 2026, a produção já soma 304 litros.

    “Os especialistas da olivicultura nos chamaram atenção para a qualidade do nosso azeite. A partir daí veio a ideia de inscrever o produto no concurso. Sabia que era bom, mas minha percepção é de consumidor. Tenho vontade de fazer um curso de sommelier para conhecer melhor as características e a complexidade do azeite que produzimos aqui”, diz Moreira.

    O pesquisador da Epamig Luiz Fernando de Oliveira avalia que os resultados confirmam a qualidade dos azeites nacionais. “A produção é incipiente, desafiadora e, safra após safra, temos obtido produtos que se destacam por atributos de qualidade como frutado, amargor e picância. O que demonstra que estamos no caminho certo”, diz.

    Cinco azeites mineiros entre os finalistas do prêmio CNA

    Minas Gerais também colocou cinco azeites entre os dez finalistas do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 – Azeite de Oliva, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O concurso avalia produtos nacionais nas categorias monovarietal e blend, com critérios como amargor, picância, frutado, complexidade e equilíbrio.

    A avaliação técnica ocorreu em Brasília e contou com especialistas da Epamig, da Embrapa e da UFCSPA de Porto Alegre. Pela Epamig, o pesquisador Luiz Fernando de Oliveira atuou como jurado, enquanto Carolina Zambon conferiu laudos químicos, amostras e preparo. O concurso ainda prevê júri popular e uma etapa que avalia a história de produção, valorizando o terroir e o trabalho de campo.

    O júri popular, realizado em 27 de junho, reuniu os rótulos mineiros Mantikir Summit Premium e L’Az na categoria Blend, e Mantikir Grappolo, Alto das Oliveiras e Aiu na categoria monovarietal.

    Olivas de Gramado soma bronze em Mônaco e prata na Itália

    Na Serra Gaúcha, a safra 2026 do azeite extravirgem Terroir Serrano, do Olivas de Gramado, também rendeu reconhecimento internacional. O produto recebeu medalha de bronze na 10ª edição do Masters of Olive Oil International Contest (MOOOIC), em Monte Carlo, no Principado de Mônaco, um dos concursos mais concorridos do setor, que premia apenas azeites de excelência suprema. Além da medalha, o rótulo recebeu o Prêmio de Reconhecimento de Padrão de Qualidade Internacional, concedido a azeites com elevado nível técnico e sensorial.

    O Terroir Serrano também conquistou prata na categoria Blend no Evo IOOC Italy, um dos cinco concursos mais importantes do mundo no segmento. As duas premiações levaram em conta equilíbrio sensorial, pureza, complexidade, intensidade aromática e a qualidade dos processos de produção, do cultivo das oliveiras até a extração do azeite.

    Para conquistar o prêmio em Monte Carlo, o Terroir Serrano superou 78 pontos, resultado que colocou o Olivas de Gramado entre os melhores produtores de azeite do mundo. Um painel de 12 especialistas de quatro países conduziu o julgamento, entre eles os sommeliers Marco Gandolfi (Itália), Himeyo Nagatomo (Japão) e Carmen Sanchez Garcia (Espanha). O MOOOIC reuniu mais de 600 amostras de 18 países, incluindo Itália, Espanha, Grécia, Portugal, Tunísia, Croácia, Eslovênia e Suíça.

    Evo IOOC Ital

    Já o Evo IOOC Italy, realizado na Calábria, berço da cultura do azeite no país, avaliou a excelência, a rastreabilidade e a qualidade de azeites extravirgem e aromatizados conforme as diretrizes do International Olive Council (IOC). O painel internacional reuniu especialistas de países como Itália, Espanha, Grécia, Turquia, Japão, Croácia e Brasil, e analisou mais de 900 rótulos de 25 países.

    Azeitólogo e mestre lagareiro do Olivas de Gramado, André Bertolucci. Foto: DIvulgação

    “Esta safra de 2026 realmente foi sensacional para o Olivas de Gramado! Só neste ano, já são quatro importantes premiações internacionais nos maiores e mais importantes concursos do setor oleícola mundial”, destaca o mestre lagareiro e azeitólogo da marca, André Bertolucci.

    Um blend que traduz o terroir da Serra Gaúcha

    O Terroir Serrano combina três variedades de azeitona,Frantoio, Koroneiki e Picual, e resulta em um azeite extravirgem frutado verde, intenso e complexo, com aroma fresco e notas herbáceas e gramíneas. O amargor e a picância equilibrados, junto a notas de amêndoas verdes, banana, rúcula, maçã e alcachofra, marcam a identidade do terroir da Serra Gaúcha, segundo os especialistas.

    O clima da região, aliado a práticas agrícolas cuidadosas e à precisão da extração no lagar, preserva aromas, sabores e compostos naturais do fruto, incluindo antioxidantes e fitonutrientes. As conquistas em Mônaco e na Itália se somam a outras premiações do Olivas de Gramado neste ano, como ouro na Turquia e prata na Inglaterra, e reforçam a posição da marca entre os produtores brasileiros de maior destaque no exterior.

  • Filha abandona carreira para salvar legado de cachaça artesanal

    Filha abandona carreira para salvar legado de cachaça artesanal

    A tecnóloga em Gestão Ambiental Aline Alves Pereira trocou a profissão pela roça. E essa decisão garantiu a sobrevivência de um negócio familiar com mais de quatro décadas de história. Ela retornou ao Sítio João Durval, na zona rural de Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para reforçar a mão de obra da família e assumir a sucessão na produção artesanal de cachaça iniciada há 43 anos pelo pai.

    As irmãs Renata(esquerda) e Aline (direita) assumem a gestão com o pai, João Alves Pereira, e ampliam a comercialização da Durvalina. Foto: Renata Alves Pereira

    A história do alambique começa com uma aposta de João Alves Pereira, que decidiu investir na destilaria após enfrentar prejuízos com o cultivo de hortaliças. “Ele teve o apoio do meu avô Durval, que era degustador de cachaça. Os dois montaram o negócio e, como forma de homenagear o patriarca da família, a cachaça se chama Durvalina”, conta Aline.

    Aos 74 anos, João ainda acompanha todas as etapas da produção. E para a filha, trabalhar ao lado dele representa motivo de orgulho.

    Regularização e apoio técnico

    Um dos primeiros desafios que Aline enfrentou ao entrar no negócio foi a regularização do alambique junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A extensionista da Emater-MG Carolina Vilela Moreira explica que tanto o escritório local quanto a unidade central da empresa acompanharam o processo de reforma, a regularização do alambique e a emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).

    O suporte técnico da Emater-MG, combinado à dedicação da família, viabilizou as reformas e adaptações necessárias. “A regularização é a concretização de todo o esforço dedicado. Seria impossível sem a dedicação de todos. É um mix de emoções: alívio, alegria e sensação de dever cumprido”, afirma Aline.

    Gestão compartilhada e dois tipos de cachaça

    Hoje, Aline e a irmã Renata Alves Pereira respondem pela gestão administrativa do negócio. O pai, um primo e um funcionário cuidam do cultivo da cana-de-açúcar e da produção da bebida. O alambique produz dois tipos de cachaça: a branca, armazenada em barris de madeira de amendoim, e a amarela, envelhecida em barris de amburana. A comercialização alcança os municípios de Igarapé, São Joaquim de Bicas e Juatuba.

    Para a extensionista Carolina Vilela, a família representa um exemplo de integração entre gerações no campo. “O diálogo entre pai e filhas resultou em transformações no alambique, na organização do processo produtivo e na qualidade da cachaça. A participação das irmãs evidencia a crescente inserção das mulheres nas atividades produtivas do meio rural e traz novas perspectivas para o setor”, avalia.