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  • Alerta: parasita da alface que causa diarreia explosiva afeta milhares de pessoas

    Alerta: parasita da alface que causa diarreia explosiva afeta milhares de pessoas

    O número de infecções por ciclosporíase associadas ao consumo de alface contaminada ultrapassa 27 mil casos nos Estados Unidos, segundo estimativas de autoridades sanitárias americanas. A doença, causada pelo parasita microscópico Cyclospora cayetanensis, provoca sintomas gastrointestinais intensos, mas raramente evolui para óbito.

    “Você mal consegue chegar ao banheiro”, descreve o epidemiologista Alejandro Macías, da Universidade de Guanajuato, ao comentar os episódios de diarreia explosiva e vômitos que caracterizam o quadro clínico.

    O surto também ultrapassou as fronteiras americanas. A UKHSA (Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido) confirmou 67 casos entre viajantes britânicos que visitaram recentemente o território mexicano e retornaram ao país de origem já infectados, em 2026.

    Como o parasita contamina alimentos e provoca a infecção

    A contaminação humana acontece pela ingestão de água ou alimentos crus lavados de forma inadequada. Diferentemente de vírus e bactérias comuns, o Cyclospora cayetanensis precisa permanecer um período no ambiente depois de eliminado nas fezes antes de se tornar infeccioso. Essa característica torna a transmissão direta entre pessoas incomum, segundo especialistas.

    A ciclosporíase provoca diarreia intensa e aquosa, cólicas abdominais, náuseas, cansaço extremo e perda de peso. Em casos sem tratamento adequado, os sintomas podem persistir por semanas, com períodos de melhora seguidos de recaídas.

    A agência britânica orienta viajantes que visitam áreas de risco a consumir apenas água engarrafada e evitar vegetais crus ou frutas com casca. A recomendação vale especialmente para quem passa pelo México e por regiões dos EUA atingidas pelo surto, hoje concentrado sobretudo em Michigan e em estados vizinhos do Centro-Oeste americano.

    O Brasil corre risco de importar o surto?

    Segundo levantamento do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de São Paulo, o Brasil não importa vegetais frescos de consumo cru dos Estados Unidos nem do México. O que reduz significativamente a chance de o país “importar” diretamente o surto atual. A alface suspeita de originar o surto, fornecida pela empresa Taylor Farms e distribuída, entre outras redes, à Taco Bell, circula apenas no mercado americano.

    Mesmo assim, o país já enfrentou um episódio semelhante: em 2000, um surto de ciclosporíase atingiu cerca de 350 pessoas na cidade de General Salgado, no interior paulista, com o parasita confirmado em análises do Hospital das Clínicas da USP.

    Especialistas também apontam um problema à parte: a subnotificação. Exames de fezes de rotina, usados na maior parte dos postos de saúde brasileiros, frequentemente não detectam o Cyclospora. A identificação exige colorações especiais de laboratório ou testes moleculares (PCR de painel gastrointestinal), pouco disponíveis fora de centros de referência. O que sugere que casos isolados no Brasil podem passar despercebidos mesmo fora de um cenário de surto.

    Grupos de maior risco e cuidados de prevenção

    Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas apresentam maior risco de desidratação e complicações. A lavagem cuidadosa de frutas e verduras reduz o risco de contaminação, mas não elimina totalmente o parasita, resistente aos desinfetantes de uso doméstico mais comuns.

    Para viajantes que se dirigem a áreas afetadas, a recomendação médica soma-se à da UKHSA: preferir água engarrafada, evitar saladas prontas ou vegetais crus de origem duvidosa e descartar folhas externas de hortaliças antes do preparo.

  • Como a COVID-19 reviveu fazendas da era asteca no México

    Como a COVID-19 reviveu fazendas da era asteca no México

    Durante décadas, as antigas chinampas, sistemas agrícolas criados pelos povos pré-astecas há mais de mil anos, perderam espaço para a urbanização e para as cadeias modernas de abastecimento. No entanto, a pandemia da COVID-19 mudou esse cenário e ajudou a impulsionar a retomada dessas fazendas históricas nos arredores da Cidade do México.

    O que são as chinampas?

    As chinampas são ilhas artificiais criadas pelos povos astecas há mais de mil anos para ampliar áreas de cultivo em regiões alagadas. O nome vem da palavra nauatle “chinamitl”, que significa “cercado feito de juncos”.

    Construídas com madeira, sedimentos e matéria orgânica, essas estruturas permitiam o cultivo de alimentos em solos altamente férteis e são consideradas um dos sistemas agrícolas mais avançados da antiguidade.

    As chimampas são consideradas um modelo de agricultura sustentável

    Agricultura ancestral resiste ao avanço da urbanização

    Antes da chegada dos colonizadores espanhóis, as chinampas eram a base da segurança alimentar da antiga capital asteca. Com o crescimento da Cidade do México e a modernização do sistema agrícola, grande parte dessas áreas foi abandonada.

    A Central de Abastos da Cidade do México é o maior mercado de produtos do mundo, com cerca de 800 m de comprimento de cada lado abrigando cerca de 122 mil toneladas de comida — (Foto: César Rodriguez)

    Atualmente, existem cerca de 2 mil hectares de chinampas, mas apenas 2,5% da área ainda é utilizada na agricultura tradicional. A área é mais conhecida como uma atração turística popular.

    Mesmo assim, agricultores locais seguem preservando técnicas centenárias. Entre eles está Miguel de Valle, que cultiva hortaliças utilizando métodos praticamente inalterados ao longo das gerações.

    “Temos que proteger esse modo de agricultura”, afirma o produtor. “Meu objetivo é conservar o que as pessoas fazem aqui há centenas de anos.”

    A maioria dos chinamperos usa barcos ou canoas para ir e voltar de suas fazendas, já que os motores de popa raramente são permitidos nos canais — (Foto: César Rodriguez)

    Técnicas agrícolas que atravessaram séculos

    O diferencial das chinampas está no sistema produtivo. Os agricultores retiram sedimentos férteis dos canais para formar canteiros ricos em nutrientes. O cultivo ocorre manualmente, sem mecanização pesada, preservando a estrutura do solo.

    Além disso, os produtores utilizam métodos naturais de proteção das plantas, como cobertura vegetal para conservar a umidade e preparados à base de pimenta para auxiliar no controle de pragas.

    Segundo os agricultores, essas práticas permitem manter uma produção diversificada de alface, milho, abóboras, ervas e hortaliças, ao mesmo tempo em que preservam a biodiversidade local.

    “Essas técnicas já estão desaparecendo. Mas isso é muito eficaz”, destaca De Valle. “É a maneira mais local de alimentar as pessoas.”

    COVID-19 fortaleceu a agricultura local

    O renascimento das chinampas ganhou força durante a pandemia. Com as interrupções nas cadeias de suprimentos e as restrições de circulação, muitos moradores passaram a buscar alimentos produzidos mais perto de casa.

    Assim, agricultores de Xochimilco ampliaram a venda direta ao consumidor, utilizando aplicativos de mensagens, redes sociais e sistemas de entrega em domicílio.

    As vendas praticamente dobraram durante alguns meses da crise sanitária. Algumas propriedades ampliaram suas áreas cultivadas para atender ao aumento da demanda por alimentos frescos e locais.

    Equipe de De Valle colhe hortaliças que serão vendidas no dia seguinte no Mercado de las Cosas Verdes, e também entregues em cestos diretamente aos clientes — (Foto: César Rodriguez)

    Para especialistas, a pandemia evidenciou a importância da produção regional na construção de sistemas alimentares mais resilientes.

    “Temos uma tradição de cultivo de alimentos de centenas ou milhares de anos. Não há nada de alternativo sobre isso. É o legado histórico. Isso é o normal”, afirma David Monachon, pesquisador da Universidade Nacional Autônoma do México.

    Produção agrícola e conservação ambiental

    Além da produção de alimentos, as chinampas desempenham papel importante na preservação ambiental. A área abriga espécies nativas e ajuda a regular a temperatura da Cidade do México por meio de sua extensa rede de canais.

    Paisagem com chinampas e canais em Xochimilco — (Foto: Luis Antonio Rojas)

    O sistema também serve de refúgio para o axolote, anfíbio ameaçado de extinção e conhecido mundialmente por sua capacidade de regeneração.

    Axolote nadando em aquário no Laboratório de Restauração Ecológica da Universidade Nacional Autônoma do México — (Foto: Luis Antonio Rojas)

    Especialistas alertam que o abandono dessas áreas pode trazer impactos ambientais significativos, incluindo aumento das temperaturas locais e redução das chuvas.

    Jovens no campo

    Outro efeito positivo observado após a pandemia foi o retorno de jovens à atividade agrícola. Muitos enxergaram nas chinampas uma oportunidade de trabalho ligada à produção sustentável, ao turismo rural e à valorização dos alimentos locais.

    A renovação geracional tem ajudado a recuperar áreas antes abandonadas e a fortalecer iniciativas voltadas à agricultura de proximidade.

    Embora as chinampas não tenham capacidade para abastecer toda a metrópole como no passado, pesquisadores estimam que elas poderiam fornecer até 20% das hortaliças consumidas na Cidade do México em condições ideais.

    Mais do que produzir alimentos, o sistema representa um patrimônio agrícola vivo, que combina tradição, conservação ambiental e segurança alimentar em uma das maiores cidades do planeta.

     

    Com dados de National Geographic e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

  • Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    A piscicultura brasileira vive um momento de inflexão. Diante de novas barreiras comerciais e da concorrência internacional crescente, o setor intensifica a busca por mercados alternativos para a tilápia, hoje concentrada nos Estados Unidos, destino de cerca de 92% das exportações.

    O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, vê o cenário atual como um catalisador de mudanças. “Estamos entrando nos anos de ouro da tilapicultura nacional. Não é um caminho sem desafios, mas é um período com mais oportunidades para quem estiver preparado”, afirma.

    Apesar da forte dependência do mercado norte-americano, o desempenho recente surpreendeu. O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Xavier Pedroza Filho, destaca que as exportações cresceram cerca de 2% no último ano, mesmo com a adoção de novas tarifas a partir de agosto. Para ele, o dado comprova a resiliência do setor, mas não elimina o risco. “A dependência de um único mercado exige atenção”, alerta.

    América Latina entra no radar

    Com o cenário em transformação, países da América Latina ganham peso na estratégia de expansão. O México lidera as atenções: o país importa cerca de 92 mil toneladas de tilápia por ano, mais da metade do volume adquirido pelos Estados Unidos. Ainda assim, a presença brasileira no país segue tímida.

    “É um mercado que começou a ser explorado mais recentemente, ainda com volumes modestos, mas com grande potencial de crescimento”, avalia Pedroza.

    Colômbia e Peru também figuram como oportunidades concretas. Além do volume expressivo de importações, a proximidade geográfica pode dar ao Brasil vantagem logística frente a concorrentes asiáticos.

    Gargalo industrial trava avanço nos mercados de maior volume

    O principal entrave para avançar nesses mercados não está na produção, está no produto. O Brasil exporta majoritariamente filé fresco, item de maior valor agregado, mas de menor escala. No mercado global, quem domina o volume é o produto congelado, mais barato e amplamente controlado por China e Vietnã.

    “A indústria brasileira passa por um momento de reorganização. A expectativa é que novas regras ampliem a competitividade no filé congelado, o que pode mudar o posicionamento do país no mercado internacional”, explica Pedroza.

    A possível flexibilização de normas industriais aparece como ponto-chave nessa equação. Para Medeiros, o impacto pode ser rápido. “Ajustes industriais têm potencial de gerar resultados em curto prazo, ao contrário de avanços produtivos, que levam anos”, ressalta. Segundo ele, a vantagem dos concorrentes asiáticos está diretamente ligada à eficiência industrial. E é essa diferença que o Brasil precisa reduzir para disputar mercados de maior volume.

    O setor enfrenta ainda outro obstáculo relevante: o fechamento do mercado europeu para o pescado brasileiro desde 2017. Na avaliação de Medeiros, a reabertura depende de negociações diplomáticas e adequações sanitárias que fogem do alcance direto do setor produtivo. “Esse bloqueio reforça ainda mais a necessidade de diversificar mercados e reduzir riscos”, completa Pedroza.

    Coordenação e inteligência de mercado ganham protagonismo

    Com o ambiente mais competitivo, a articulação entre indústria, associações e pesquisa passa a ocupar papel central na estratégia do setor. A atuação conjunta entre PEIXE BR e Embrapa orienta a identificação de mercados e o direcionamento das empresas.

    Diego Vargas / Seapa MG

    “A associação organiza informações, aponta caminhos e antecipa tendências. A decisão é do empresário, mas é fundamental ter clareza sobre onde estão as oportunidades”, reforça Medeiros.

    A próxima fase da produção de tilápia brasileira aponta para maior inserção internacional e pressão crescente por competitividade. Além da tilápia, espécies nativas como o tambaqui despontam como vetor de crescimento. Principalmente no mercado interno e, no longo prazo, nas exportações.

    “A palavra-chave para 2026 é ampliação de mercado, dentro e fora do Brasil”, resume Pedroza.

  • México estabelece cotas para importação de carnes e afeta o Brasil

    México estabelece cotas para importação de carnes e afeta o Brasil

    O governo do México criou novas regras que limitam a quantidade de carnes bovina e suína que empresas mexicanas podem importar sem pagar impostos. As autoridades publicaram duas resoluções na segunda-feira (5) que estabelecem cotas de isenção tarifária e impõem taxas sobre volumes excedentes.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    A mudança deve afetar diretamente as exportações brasileiras. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que a carne bovina ocupou a segunda posição entre os produtos mais exportados pelo Brasil para o México de janeiro a novembro de 2025. A carne suína aparece na décima colocação.

    Como funcionam as novas cotas mexicanas

    O México vai permitir a importação de 70 mil toneladas de carne bovina com isenção de tarifas. Volumes que ultrapassarem esse limite pagarão taxa de 20%. Para a carne suína, o país estabeleceu cota de 51 mil toneladas livres de impostos, com taxa de 16% sobre o excedente.

    As regras valem até 31 de dezembro de 2026 e atingem países de fora da América do Norte sem acordos comerciais com o México. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Brasil, Chile e União Europeia devem utilizar principalmente essas cotas.

    A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) aguarda orientações do governo mexicano sobre a distribuição das cotas entre os países fornecedores.

    O governo mexicano adotou a isenção tarifária ilimitada em 2022 como estratégia para combater a inflação. A iniciativa abrangia diversos produtos da cesta básica, com a condição de que os importadores mantivessem os preços estáveis.

    A ABPA informou que o frango, principal produto brasileiro exportado para o México, continua com tarifa zerada.

    O México representa o sétimo maior destino das exportações brasileiras de carne suína, atrás de Filipinas, Japão, China, Chile, Hong Kong e Singapura. Em volume, o país ocupa a quinta posição entre os clientes desse setor, segundo dados do Agrostat do Ministério da Agricultura referentes ao período de janeiro a novembro de 2025.

    China também restringe importações

    A decisão mexicana acontece apenas seis dias após a China anunciar medidas semelhantes. O governo chinês estabeleceu cotas anuais para importação de carne bovina com o objetivo de proteger produtores locais.

    Atualmente, a China aplica taxa de 12% sobre importações de carne. Com as novas regras, volumes que excederem as cotas pagarão sobretaxa adicional de 55%. As medidas entraram em vigor no dia 1º de janeiro de 2026 e têm duração de três anos.

    O Ministério do Comércio da China fixou a cota total de importação para 2026 em 2,7 milhões de toneladas, com aumentos anuais previstos. O limite se aproxima do recorde de 2,87 milhões de toneladas compradas em 2024, mas fica abaixo do volume importado nos primeiros 11 meses de 2025.

    A China representa o maior comprador de carne bovina brasileira, e o Brasil atua como principal fornecedor do país asiático.

  • China dispara e compra 51% mais alimentos do Brasil enquanto EUA aplicam sobretaxa

    China dispara e compra 51% mais alimentos do Brasil enquanto EUA aplicam sobretaxa

    O Brasil exportou US$ 5,9 bilhões em alimentos industrializados durante agosto, registrando queda de 4,8% em relação a julho e de 1% comparado ao mesmo mês de 2024. O recuo interrompe a sequência de crescimento e reflete diretamente o impacto da tarifa adicional de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

    Os dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) mostram uma clara mudança no cenário exportador: enquanto os EUA reduziram drasticamente suas importações, a China consolidou sua posição de maior comprador, adquirindo US$ 1,32 bilhão em produtos brasileiros – alta de 51% em relação a agosto de 2024.

    EUA perdem protagonismo com nova política tarifária

    A sobretaxa americana atingiu em cheio os principais produtos da pauta exportadora brasileira. Os açúcares foram os mais afetados, com queda brutal de 82,3% comparado a agosto de 2024, praticamente zerando as vendas no período. As proteínas animais, segundo item mais relevante nas exportações para os EUA, despencaram 43,3% na mesma comparação.

    “O resultado das exportações para os EUA em agosto reforça a necessidade de diversificação de mercados”, analisa João Dornellas, presidente executivo da ABIA. A participação norte-americana no total exportado pelo setor caiu de 7,4% para 7%.

    A entidade estima que as vendas de alimentos atingidos pela tarifa para o mercado americano podem despencar até 80% entre agosto e dezembro, representando perda potencial de US$ 1,35 bilhão.

    China assume liderança absoluta no ranking de destinos

    Contrastando com o cenário americano, a China disparou nas compras de alimentos brasileiros. Com US$ 1,32 bilhão em agosto, o gigante asiático representa agora 22,4% de todas as exportações do setor, puxado principalmente por proteínas animais (US$ 909,7 milhões, +67%) e açúcares (US$ 326,7 milhões, +20,2%).

    O crescimento chinês demonstra a capacidade do mercado asiático de absorver a produção brasileira, oferecendo alternativa concreta às barreiras comerciais americanas.

    México emerge como surpresa positiva

    Uma das principais novidades do cenário exportador foi o salto das vendas para o México, que totalizaram US$ 221,15 milhões em agosto (3,8% do total exportado). O crescimento foi impulsionado especialmente por proteínas animais, com alta impressionante de 368,5% em relação a agosto de 2024.

    “O avanço do México coincide com a retração das vendas aos Estados Unidos, indicando possível redirecionamento de fluxos comerciais”, explica Dornellas.

    Setor mantém dinamismo interno apesar de pressões

    Mesmo enfrentando turbulências no mercado externo, a indústria alimentícia brasileira mantém performance sólida no mercado interno. Nos primeiros sete meses de 2025, o faturamento alcançou R$ 780 bilhões, representando crescimento nominal de 10,2% comparado ao mesmo período de 2024.

    As vendas reais cresceram 2,8%, enquanto a produção física avançou 2% – números que contrastam positivamente com a desaceleração da economia brasileira no segundo trimestre.

    O setor de alimentos registrou 2,114 milhões de postos de trabalho formais em julho, crescimento de 3,3% em relação a julho de 2024. Foram criadas 67,1 mil novas vagas no período, totalizando 226 mil empregos em toda a cadeia produtiva.

    Atualmente, a cadeia da indústria alimentícia emprega 10,5 milhões de pessoas, correspondendo a 10,3% da população ocupada no país.

    Pressão de custos desafia competitividade

    O setor enfrenta pressão crescente nos custos de produção. Insumos como milho, leite, cacau e café mantiveram preços elevados no primeiro semestre, enquanto embalagens subiram mais de 15% no comparativo anual.

    O custo industrial de produção de alimentos acumulou alta de 7,9%, ligeiramente superior à inflação de alimentos e bebidas do IPCA (7,27%) no período janeiro-agosto.

    A ABIA projeta que as exportações gerais do setor podem recuar 4,5% no pior cenário entre agosto e dezembro, com queda anual de 2%. O faturamento da indústria deve ter recuo de 0,6% no ano.

    “A relação comercial Brasil-Estados Unidos no setor de alimentos é sustentada por cadeias produtivas integradas. Preservá-la por meio de diálogo equilibrado é fundamental para garantir empregos e segurança alimentar em ambos os países”, destaca o dirigente da ABIA.

    Principais números de agosto 2025:

    • Exportações totais: US$ 5,9 bilhões (-4,8% vs julho)
    • China: US$ 1,32 bilhão (+51% vs agosto 2024)
    • EUA: US$ 332,7 milhões (-27,7% vs julho)
    • México: US$ 221,15 milhões (+368,5% em proteínas)
    • Empregos: 2,114 milhões de postos (+3,3% anual)
  • Ovos: exportações crescem 71,9% em agosto e faturamento salta 90,8%

    Ovos: exportações crescem 71,9% em agosto e faturamento salta 90,8%

    As exportações brasileiras de ovos registraram crescimento robusto em agosto de 2025, consolidando um desempenho excepcional ao longo do ano. De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o volume embarcado – incluindo ovos in natura e processados – atingiu 2,1 mil toneladas no mês, um aumento expressivo de 71,9% em comparação com as 1,2 mil toneladas exportadas em agosto de 2024.

    O desempenho financeiro foi ainda mais destacado. A receita gerada em agosto chegou a US$ 5,7 milhões, valor 90,8% superior aos US$ 3,0 milhões obtidos no mesmo mês do ano anterior.

    Acumulado do ano é destaque

    O resultado de agosto contribui para um cenário de crescimento explosivo nas exportações do setor em 2025. No acumulado de janeiro a agosto, as vendas externas totalizaram 32,3 mil toneladas, um salto de 192,2% frente às 11 mil toneladas do mesmo período em 2024.

    Em termos de faturamento, a alta é ainda mais significativa. A receita total do ano chegou a US$ 75,3 milhões, um incremento de 214,5% sobre os US$ 23,9 milhões registrados de janeiro a agosto de 2024.

    Japão e EUA lideram, mas mercados se diversificam

    A análise por destinos em agosto revela um mapa diversificado para os ovos brasileiros:

    • Japão: manteve a liderança, importando 578 toneladas (+328,5%).
    • Estados Unidos: ficou em segundo lugar, com 439 toneladas (+628,9%).
    • México: surgiu como um importador significativo, com 304 toneladas (sem dados de comparação de 2024).
    • Emirados Árabes Unidos: retomou as compras, adquirindo 182 toneladas (também sem embarques em 2024).
    • Chile: Registrou 172 toneladas, com uma queda de 79,6% na comparação anual.

    Presidente da ABPA comenta cenário

    Ricardo Santin, presidente da ABPA, analisou o cenário. Ele mencionou que os embarques para os EUA sentiram os efeitos de barreiras tarifárias, mas destacou a reconquista de mercados como os Emirados Árabes e a abertura de novos, como o México.

    Santin também tranquilizou o mercado interno: “De qualquer forma, não são esperados efeitos significativos à oferta interna de ovos, já que exportamos menos de 2% de nossa produção”, afirmou.

  • Brasil e México fecham parceria em biocombustíveis

    Brasil e México fecham parceria em biocombustíveis

    Brasil e México firmaram uma Declaração de Intenções para ampliar a cooperação na produção e no uso de biocombustíveis. Segundo o Ministério da Agricultura, a parceria busca impulsionar o crescimento regulado do setor mexicano, aproveitando a experiência brasileira no etanol de cana-de-açúcar.

    O Brasil lidera a produção e exportação mundial de cana e se destaca no uso de biocombustíveis, como a mistura de etanol à gasolina. O acordo também prevê avanço no desenvolvimento de combustíveis sustentáveis para a aviação, setor considerado estratégico para a transição energética.

    Assinatura da parceria

    A assinatura ocorreu durante missão liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. No mesmo evento, os países firmaram outro memorando de entendimento. Esse segundo pacto envolve a Secretaria da Economia do México e a ApexBrasil, agência responsável por promover exportações e atrair investimentos.
    De acordo com o governo brasileiro, a medida busca fortalecer relações econômicas e políticas e facilitar o intercâmbio de bens, serviços e investimentos. A iniciativa ainda pretende gerar novas oportunidades de negócios, reforçando a aproximação estratégica entre Brasil e México.

  • Brasil busca México como mercado estratégico para máquinas agrícolas

    Brasil busca México como mercado estratégico para máquinas agrícolas

    O Brasil direciona seus esforços para ampliar a presença no mercado mexicano, buscando compensar perdas nas exportações devido ao aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos. Empresários brasileiros, liderados pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, chegaram ao México nesta terça-feira (26) para reforçar o comércio entre os países.

    Foto: Divulgação – Mapa

    No ano passado, o México importou US$ 4,8 bilhões em móveis, mármore, máquinas agrícolas e equipamentos médico-odontológicos. Apesar disso, essas categorias ainda representam uma participação modesta das vendas brasileiras no país, com apenas 3%. Já para os EUA, o Brasil exportou US$ 455 milhões desses produtos, que agora enfrentam tarifas de até 50%.

    A Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) destaca que a capacidade de produção nacional, especialmente em máquinas agrícolas, permite aproveitar o interesse mexicano, que figura entre os 10 maiores importadores dos setores impactados pelo tarifaço norte-americano.

    A balança comercial Brasil-México alcançou US$ 13,6 bilhões, com o México como segundo maior destino das exportações brasileiras na América Latina, lideradas por veículos, soja, carne de aves e motores de pistão. A entrada da maquinaria agrícola e móveis pode ampliar significativamente este número.

    Fórum empresarial

    A comitiva brasileira participa de um fórum empresarial com 250 empresários dos dois países, no qual discutirão temas estratégicos como segurança alimentar, inflação e desenvolvimento de setores econômicos específicos, incluindo o agronegócio.

    Além disso, a agenda prevê visitas a centros de abastecimento de alimentos, polos industriais e laboratórios de pesquisa biotecnológica. Alckmin e a ministra Simone Tebet serão recebidos pela prefeita Claudia Sheinbaum na Cidade do México.

    A estratégia brasileira busca reduzir o impacto do tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Que cobra taxas adicionais de 25% sobre carros e até 50% sobre aço, alumínio e cobre exportados pelo México para os EUA. O Brasil quer, assim, consolidar o México como parceiro comercial prioritário para produtos essenciais do agro nacional, como máquinas agrícolas, além de ampliar a diversificação do mercado externo.

  • México se torna o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil

    México se torna o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil

    O México alcançou em 2025 uma posição histórica no comércio com o Brasil, tornando-se o segundo maior importador de carne bovina brasileira. O país esta atrás apenas da China. O crescimento foi impulsionado por um salto de 420% nas compras no primeiro semestre. Isso segundo dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Enquanto em janeiro o México adquiriu 3,1 mil toneladas, em junho esse volume chegou a 16,1 mil toneladas. Com isso, ultrapassando os Estados Unidos, que reduziram drasticamente suas importações devido a tarifas comerciais.

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    A mudança no ranking ocorreu após os EUA imporem uma tarifa extra de 50% sobre a carne brasileira em julho de 2025. Essa medida inviabilizou parte significativa das exportações. Com isso, cerca de 30 mil toneladas que seriam destinadas ao mercado norte-americano foram redirecionadas, beneficiando principalmente o México, que registrou um aumento de 187,1% nas compras acumuladas no semestre. Enquanto isso, a China, maior compradora, manteve sua demanda estável, adquirindo 134,4 mil toneladas apenas em junho, no valor de US$ 739,9 milhões.

    Crescimento nas vendas

    O valor total das exportações brasileiras de carne bovina atingiu US$ 1,3 bilhão em junho, com um volume de 241 mil toneladas. Portanto, contribuindo para um crescimento de 3% nas vendas externas do agronegócio. O México, que em janeiro havia comprado US$ 15,5 milhões em carne, fechou junho com US$ 89,3 milhões em importações, com preferência por cortes frescos, que chegam a valer 20% a mais que os congelados.

    Analistas destacam que, embora a China continue sendo o principal destino, a diversificação para mercados como México, Japão e Vietnã reduz a dependência de um único comprador e abre oportunidades para produtos de maior valor agregado. Dados preliminares de julho indicam que as exportações totais de carne bovina cresceram 56,5% em relação ao mesmo período de 2024. Reforçando a resiliência do setor mesmo em um cenário de mudanças nas relações comerciais globais.

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  • México limita restrições à carne de frango do Brasil

    México limita restrições à carne de frango do Brasil

    O México reduziu as restrições à carne de frango brasileira nesta terça-feira (10). A medida veio após a confirmação de um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em Montenegro, no Rio Grande do Sul.

    Agora, o bloqueio mexicano se restringe apenas aos produtos originados do estado gaúcho. Antes, a proibição afetava todo o território nacional. Por outro lado, a Mauritânia ampliou as restrições. O país suspendeu temporariamente as importações de carne de frango de todo o Brasil. Já Omã decidiu interromper apenas as compras vindas do Rio Grande do Sul. A atualização mais recente do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostra três níveis de restrições entre os países importadores.

    Exportações suspensas de todo o Brasil

    Atualmente, 21 países e blocos econômicos suspenderam completamente as compras de carne de frango brasileira. Entre eles estão China, União Europeia, Iraque, Coreia do Sul, Chile, Filipinas, África do Sul, Peru e Argentina.

    Suspensões restritas ao Rio Grande do Sul

    Outros 20 mercados impuseram restrições apenas ao estado do Rio Grande do Sul. A lista inclui Arábia Saudita, México, Reino Unido, Rússia, Omã, Turquia, Angola e Ucrânia.

    Suspensões limitadas a Montenegro (RS)

    Já Emirados Árabes Unidos, Japão, Catar e Jordânia optaram por restringir as compras apenas do município de Montenegro.

    Diante do cenário, o Mapa continua em articulação com autoridades sanitárias internacionais. O ministério presta informações técnicas com agilidade e transparência. As ações visam garantir a segurança sanitária dos produtos e restabelecer as exportações o quanto antes.

    Por fim, o Mapa reforça que o consumo de carne de aves e ovos segue seguro. A gripe aviária não oferece risco à saúde humana por meio da alimentação.

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