Tag: Melhoramento Genético

  • Tecnologia genética eleva produtividade da agricultura familiar em Mato Grosso

    Tecnologia genética eleva produtividade da agricultura familiar em Mato Grosso

    A aplicação de tecnologias de melhoramento genético vem modernizando a pecuária leiteira e impulsionando a agricultura familiar em Mato Grosso. O uso de sêmen de alta qualidade, transferência de embriões e acompanhamento técnico especializado tem permitido que pequenos produtores aumentem a produtividade dos rebanhos, reduzam custos e tornem a atividade mais sustentável.

    De 2020 a 2025, foram distribuídas 36.297 doses de sêmen, entre convencional e sexado, de raças como Holandês, Jersey, Girolando e Gir Leiteiro. As ações beneficiaram produtores de 60 municípios conectados a cooperativas e associações, promovendo o uso de genética superior e assistência continuada. O investimento total em sêmen, embriões e prenhes somou R$ 10,5 milhões, consolidando um salto de qualidade na cadeia leiteira familiar.

    Evolução técnica e mudança de mentalidade

    Segundo técnicos envolvidos no programa de melhoramento genético, os produtores passaram por uma importante mudança de mentalidade. O leite deixou de ser apenas uma fonte complementar de renda para se tornar uma atividade estruturada e competitiva, com potencial real de crescimento econômico e geração de oportunidades no campo.

    “Hoje, o produtor entende que investir em genética vale mais do que manter animais de baixa produção. As vacas conseguem produzir até quatro vezes mais leite, com melhor aproveitamento e menor custo por litro”, explica a médica-veterinária Vânia Ângela Kohl, coordenadora da iniciativa.

    Médica veterinária Vânia Ângela Kohl. Foto: Assessoria Seaf

    O Projeto de Melhoramento Genético por Transferência de Embriões, iniciado em 2020, registrou 4.378 prenhes sexadas de fêmeas em 34 municípios, beneficiando 925 produtores. O modelo de cooperação com associações e prefeituras prevê contrapartidas locais, que ampliam o alcance das ações e fortalecem o compromisso das comunidades rurais com a pecuária de precisão.

    Novilhas prenhes e biotecnologia consolidam nova fase da pecuária

    Outra frente de avanços foi o fornecimento de novilhas Girolando meio-sangue entre 2022 e 2024, com 324 animais entregues a 177 produtores em seis municípios, como Colniza, Terra Nova do Norte e Alta Floresta. Cada beneficiado recebeu duas novilhas e acompanhamento técnico obrigatório durante um ano, assegurando retorno produtivo e qualidade genética no plantel.

    A ampliação do programa segue garantindo o fornecimento de novilhas e suporte técnico nos próximos anos, reforçando a adoção de biotecnologia reprodutiva como ferramenta essencial para a sustentabilidade da cadeia leiteira.

    “O melhoramento genético é uma política estruturante que reduz custos, aumenta produtividade e garante a permanência das famílias no campo”, avalia Vânia Kohl.

    Casos que inspiram outras propriedades

    Os resultados no campo comprovam os avanços da pecuária familiar em Mato Grosso. Em Pontes e Lacerda, o produtor Marcus Aurélio, do Sítio Recanto, viu sua média de produção saltar de 3 para 16 litros de leite por vaca/dia após investir em inseminação com genética aprimorada.

    “Hoje consigo manter minha família no campo e viver do leite com rentabilidade”, relata o produtor.

    Já em Vera, o casal Sidnei e Luzia multiplicou a produtividade após aderir à transferência de embriões. Com a tecnologia, a fazenda Santa Helena passou a produzir 178 litros diários, ante uma média anterior de 20 litros.

    Foto: Assessoria Seaf

    “Uma vaca que produzia 31 litros agora chega a 35 litros por dia. O impacto é visível na fazenda e na renda da família”, conta Luzia.

    O sucesso dessas experiências demonstra que a modernização genética e o acesso à tecnologia estão redefinindo a pecuária leiteira. E transformando pequenas propriedades em empreendimentos sustentáveis e competitivos.

  • Nova cultivar promete dobrar produção de caju no Ceará

    Nova cultivar promete dobrar produção de caju no Ceará

    A Embrapa Agroindústria Tropical apresenta em dezembro de 2025 o clone de cajueiro BRS 805, uma cultivar que promete transformar a cajucultura cearense. A nova variedade oferece produtividade duas vezes superior à cultivar CCP 76, atualmente a mais plantada no país. O edital para aquisição dos propágulos será publicado em 12 de janeiro de 2026.

    O desenvolvimento do BRS 805 começou no início dos anos 1990, segundo Dheyne Melo, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical e coordenador do Programa de Melhoramento Genético do Cajueiro. Pesquisadores selecionaram uma planta em experimento realizado em fazenda no município de Pio IX, no Piauí.

    “As castanhas foram colhidas para produção de progênies. O experimento foi instalado no Campo Experimental de Pacajus, onde selecionamos uma das plantas filhas, identificada como PRO 805/4”, explica Melo. A equipe clonou essa planta para avaliação e comparação com outros materiais genéticos.

    Desde 2003, o clone passou por avaliações em condições de sequeiro na região litorânea cearense. Os testes ocorreram em Pacajus, Cruz (a partir de 2011) e Itapipoca (desde 2015). Os resultados demonstraram desempenho superior e consolidaram o BRS 805 como alternativa de alta rentabilidade.

    Produtividade alcança 1.800 kg de castanha por hectare

    O BRS 805 alcança produtividade média de 1.800 quilos de castanhas por hectare entre o quinto e o sétimo ano de idade. Esse resultado representa o dobro da média obtida pelo clone CCP 76 no mesmo período.

    Foto: Embrapa

    A produção anual de pedúnculo também impressiona: 23,8 toneladas por hectare, igualmente o dobro do clone testemunha. Para Melo, a alta produtividade se soma à maior segurança fitossanitária.

    “O clone demonstra resistência ao mofo-preto, antracnose e septoria, enfermidades que prejudicam a cultura”, destaca o pesquisador.

    Clone apresenta resistência superior a doenças comuns

    Marlon Valentim, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, observou que o BRS 805 tolera melhor o oídio quando comparado ao CCP 76. O oídio representa a pior doença da cajucultura brasileira.

    Essas características resultam em menor necessidade de fungicidas, o que reduz custos de produção e oferece maior segurança alimentar ao consumidor.

    Luiz Serrano, também pesquisador da Embrapa, recomenda maior espaçamento no cultivo. As plantas apresentam porte intermediário, atingindo entre 3 e 4 metros de altura e até 7 metros de envergadura.

    O formato da copa, tipo taça compacta, torna o clone excelente para áreas mecanizadas. Tratores circulam livremente sem quebrar ramos produtivos das plantas.

    Mercado receberá castanhas de alta qualidade industrial

    O BRS 805 oferece produto de excelente aceitação no mercado de processamento. As castanhas apresentam massa média de 10 gramas, semelhante às do clone BRS 226, bem cotadas no mercado.

    As amêndoas são classificadas como tipo LW ou W210 (entre 181 e 210 amêndoas por libra-peso), com rendimento industrial médio de 23,2%.

    Foto: Embrapa

    O pedúnculo exibe coloração vermelha intensa e formato cônico (piramidal) de bom tamanho. O teor de Vitamina C é cinco vezes superior ao da laranja: 270 miligramas por 100 gramas de polpa. O produto é recomendado principalmente para processamento industrial.

    Comercialização começa por edital público

    A Embrapa direcionará o BRS 805 aos viveiristas de mudas de cajueiro com registro ativo no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem). O processo inicial de comercialização ocorrerá por edital de oferta pública, no qual a empresa licenciará propágulos do clone para os viveiristas selecionados.

    “Sempre recomendamos que o produtor diversifique seu pomar. Caso novas doenças ou pragas cheguem, ele contará com clones mais resistentes ou tolerantes, evitando perda de produção”, afirma Melo.

    Cajucultura enfrenta momento decisivo

    José Roberto Vieira, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroindústria Tropical, aponta que a cajucultura passa por momento de inflexão.

    “Temos dois caminhos. O primeiro consiste em continuar no modelo semiextrativista, com baixa produtividade (menos de 500 quilos de castanha por ano), alta variabilidade genética, baixo rendimento de amêndoas e baixo aproveitamento de pedúnculo”, explica.

    O segundo caminho envolve adotar tecnologias para alcançar o modelo de alto rendimento. “Nesse modelo, preconizamos produtividade de castanha superior a 1.500 quilos por hectare/ano, uniformidade de castanha, alto rendimento de amêndoas e alto aproveitamento de pedúnculo (superior a 50%)”, detalha Vieira.

    Segundo o pesquisador, embora o investimento inicial seja maior, o valor se dilui com a produtividade por hectare. “O custo é menor por quilo de castanha produzida. Se incluirmos o pedúnculo nessa conta, em municípios como Severiano Melo e Apodi, no Rio Grande do Norte, o custo de produção cai ainda mais”, argumenta.

    Ceará lidera produção nacional com crescimento de 61% em 2024

    O Brasil produziu 161.014 toneladas de castanha de caju em 2024, o maior resultado desde 2018, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento em relação a 2023 foi de 38%.

    O Ceará, maior produtor nacional, aumentou sua produção em 61%, passando de 63.256 toneladas para 101.930 toneladas. O Piauí, segundo colocado, registrou crescimento de 25%, saltando de 20.992 toneladas para 26.172 toneladas. O Rio Grande do Norte, terceiro lugar, produziu cerca de 21 mil toneladas nos últimos dois anos.

    Foto: Embrapa

    O rendimento médio nacional, que calcula a produção de castanha em quilogramas por hectare, cresceu 30%. Em números absolutos, variou de 271 kg por hectare em 2023 para 358 kg por hectare em 2024.

    Bela Cruz lidera a produção cearense de castanha em 2024, seguido de Beberibe, Ocara, Cascavel e Aracati. Todos os municípios se localizam em áreas litorâneas, as mesmas onde a Embrapa avaliou o BRS 805.

    Programa de melhoramento oferece 14 clones para diferentes necessidades

    O BRS 805 é o décimo quarto clone do Programa de Melhoramento Genético da Embrapa lançado no mercado. Cada clone possui características e destinações diferentes, atendendo demandas de produtores e indústrias, além de especificidades de clima e solo.

    Os clones de cajueiro da Embrapa produzem com ou sem chuvas. Enquanto outras frutíferas necessitam de altas quantidades de água, o cajueiro produz com precipitação anual entre 600 e 800 milímetros. Em anos de elevados déficits hídricos, esses materiais genéticos se mantêm produtivos. O cajueiro também proporciona renda no período oposto ao da quadra invernosa, contribuindo para o desenvolvimento da classe média rural.

    O CCP 76, um dos primeiros clones da Embrapa, é o mais plantado no Nordeste e no Brasil. Devido ao sabor agradável e qualidade do pedúnculo, é o preferido para produção de caju de mesa, com produtividade de 9.600 quilos de pedúnculo por hectare. O desempenho na produção de castanhas varia entre 600 kg (sem tratos culturais) e 1.200 quilos (com tratos culturais) por hectare.

    Materiais genéticos selecionados em regiões extremamente secas do Semiárido suportam bem solos arenosos e ácidos. Entre esses clones destacam-se o BRS 226 e o Embrapa 51, que alcançam entre 1.200 e 2.000 quilos de castanhas por hectare em condições ideais de manejo.

    Tanto o BRS 226 quanto o Embrapa 51 comprovaram resistência hídrica durante a grande seca da última década. Em tempos de urgência climática, essa vantagem é estratégica para a agricultura no Semiárido.

  • Conheça a cultivar que dobra produção de mudas de morangueiro

    Conheça a cultivar que dobra produção de mudas de morangueiro

    Em apenas dois anos, a cultivar Fênix consolidou seu avanço no mercado nacional de morangos. Desenvolvida pela Embrapa Clima Temperado, a variedade dobrou a produção de mudas e reduziu a dependência de importações.

    Quando foi lançada, em 2023, apenas 18 viveiristas licenciados multiplicavam a Fênix. Em 2024, o número subiu para 22. Agora, em 2025, são 14 novos contratos formalizados, confirmando o interesse crescente pela tecnologia. A produção saltou de 2,5 milhões para mais de 5 milhões de mudas, e a expectativa é ultrapassar 10 milhões em 2026.
    Segundo o pesquisador Sandro Bonow, da Embrapa Clima Temperado, o crescimento se explica pela falta de cultivares nacionais acessíveis. “A Embrapa veio contribuir para mudar esse cenário, oferecendo uma cultivar com qualidade e preço justo. Hoje, o produtor tem acesso à muda certa, na época ideal para o plantio”, explica.

    Redução da dependência externa e custo mais competitivo

    Atualmente, cerca de 98% dos morangos produzidos no Brasil vêm de cultivares estrangeiras, principalmente dos Estados Unidos. As mudas, em grande parte, são importadas do Chile, Argentina e Espanha, com preços entre R$ 2,30 e R$ 3,60, cotados em dólar.
    Com a Fênix, esse cenário começa a mudar. O custo das mudas nacionais varia conforme o nível tecnológico do viveiro e o tipo de muda (fresca ou envasada), mas o valor é mais acessível e as entregas ocorrem no período ideal para o plantio em cada região.
    “A Fênix é precoce e permite ao produtor colher antes do pico da safra, aumentando os lucros”, afirma Bonow.

    Alta produtividade e aceitação no mercado

    A cultivar Fênix se destaca pela precocidade, produtividade e excelente conservação pós-colheita, o que garante maior durabilidade nas prateleiras. “Ela caiu no gosto do consumidor. É saborosa, tem bom calibre, equilíbrio entre açúcar e acidez, aroma marcante e cor intensa”, ressalta Bonow.
    O rendimento pode chegar a 1,6 kg por planta, em cultivo tradicional sob túnel baixo, e a 900 g em sistema semi-hidropônico. O plantio entre março e abril permite iniciar a colheita em maio, com safra que pode durar até sete meses.
    “O fato de a cultivar ser precoce e resistente permite ao produtor antecipar a colheita e aproveitar melhores preços”, explica o pesquisador Luís Eduardo Antunes. “A combinação entre qualidade, precocidade e resiliência faz da Fênix uma aliada para a soberania nacional na produção de mudas.”

    Expansão nacional e interesse internacional

    Apresentada ao público durante a Expointer 2023, a cultivar Fênix teve início com 20 mil matrizes, gerando 2,5 milhões de mudas. Em 2025, a produção supera 5 milhões de unidades por ano, concentradas no Sul e Sudeste, com destaque para Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.
    Antunes projeta alcançar 10 milhões de mudas em 2026, impulsionado pela adesão de novos produtores. “Um hectare comporta cerca de 50 mil mudas. Com 7 mil hectares de morango no país, o potencial é de 350 milhões de mudas por ano”, exemplifica.
    Atualmente, cerca de 70 milhões de mudas ainda são importadas anualmente, mas a Fênix vem ganhando espaço. “Empresários europeus já demonstraram interesse em levar a genética brasileira para países do Mediterrâneo, afetados pelas mudanças climáticas”, afirma Antunes.

    Programa de melhoramento genético retomado

    O programa de melhoramento do morangueiro da Embrapa foi retomado em 2010, após uma pausa nos anos 1990. O foco passou a ser o desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima brasileiro, resistentes a pragas e com qualidade superior.
    A equipe iniciou o trabalho com a formação de um banco genético e testes em diversas regiões do país. O resultado foi a BRS Fênix, primeira cultivar comercial dessa nova fase do programa.
    Inicialmente recomendada para o Sul e Sudeste, a Fênix recebeu em 2025 a aprovação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para cultivo também em Brazlândia (DF). Pesquisas em andamento avaliam sua adaptação a novas regiões, como a Chapada Diamantina (BA).

    Produtores confirmam desempenho no campo

    Foto: divulgação – Embrapa

    O casal Darceli e Ilóivia Chassot, de Cerro Largo (RS), participa do projeto da Embrapa desde o início. Eles cultivam 12 mil mudas de morangueiro na propriedade e afirmam que a Fênix superou expectativas.
    “Testamos a cultivar no sistema fora do solo e tivemos 100% de pegamento das mudas. O florescimento começou em 45 dias, e as frutas mantiveram tamanho e sabor estáveis durante toda a safra”, relatam.
    Com os bons resultados, o casal decidiu trabalhar apenas com a Fênix. “Mesmo com variações de temperatura, ela mantém o calibre, a firmeza e a qualidade dos morangos. É precoce e resistente”, destacam.

    Atibaia transforma a Fênix em símbolo local

    Em Atibaia (SP), a cultivar Fênix virou referência entre os produtores e ganhou apoio do poder público. A Prefeitura firmou parceria com a Embrapa, adquirindo matrizes para o Viveiro Municipal.
    “O município já produziu cerca de 400 mil mudas em 2025, distribuídas aos produtores locais”, explica o engenheiro agrônomo Marco Albertini. “Ampliamos o viveiro e despertamos o interesse de novos agricultores.”
    O produtor José Roque Doratioto, do Sítio Serrano, cultiva cinco alqueires de morango e destaca o desempenho da Fênix. “A produtividade é alta, o sabor é intenso e a durabilidade excelente. Só é preciso combater a pirataria de mudas”, alerta.
    Albertini reforça que a procura cresce a cada safra. “Mesmo fora do período de distribuição, os produtores já estão reservando mudas para 2026”, afirma.

    Fênix: símbolo da nova fase do morango nacional

    Com alta produtividade, sabor marcante e boa adaptação ao clima brasileiro, a cultivar Fênix representa uma nova era para o morangueiro nacional.
    A variedade reduz a dependência externa, estimula a produção local e impulsiona o desenvolvimento tecnológico no campo. Para os pesquisadores da Embrapa, a Fênix é mais que uma cultivar — é um passo firme rumo à autossuficiência brasileira na produção de mudas de morango.

     

  • Dieta de alta energia aumenta em 21% a produção de embriões bovinos

    Dieta de alta energia aumenta em 21% a produção de embriões bovinos

    A Embrapa Cerrados (DF) e a Universidade de Brasília (UnB) comprovam que planos alimentares de alta densidade energética aplicados em curto prazo aumentam em 21% a produção de embriões in vitro em novilhas pré-púberes.

    O estudo revela que a estratégia, embora mais cara, garante retorno financeiro até 2,8 vezes maior em relação à dieta convencional. Os pesquisadores também descobriram que a melatonina, hormônio natural com propriedades antioxidantes, potencializa os resultados ao melhorar a qualidade embrionária.

    Os testes com novilhas pré-púberes da raça Nelore submetidas ao regime nutricional diferenciado mostraram resultados expressivos. Os animais aumentaram a produção de ovócitos e embriões, apresentaram maior peso corporal e acumularam mais gordura na carcaça. Essas mudanças permitiram que as novilhas alcançassem mais precocemente o peso ideal para reprodução.

    “A melhoria da eficiência reprodutiva e a redução da idade do parto em fêmeas contribuem para a eficiência econômica dos sistemas de produção de bovinos de corte e de leite”, afirma Carlos Frederico Martins, pesquisador da Embrapa Cerrados. O especialista explica que a estratégia minimiza problemas de reprodução tardia em raças como a Nelore e acelera os programas de melhoramento genético ao reduzir o intervalo entre gerações.

    Prenhez precoce reduz custos de produção

    Martins destaca um dado crucial: “Quanto mais jovens as novilhas ficarem prenhas e deixarem descendentes, mais compensador é para o sistema financeiramente”. Estudos demonstram que quando a primeira prenhez ocorre aos 14 meses, em vez de aos 24 meses (idade adulta), os custos de produção diminuem significativamente, mesmo com um manejo preparatório diferenciado para as fêmeas.

    O pesquisador explica que novilhas pré-púberes disponibilizam um maior número de folículos ovarianos para aspiração e produção de embriões em laboratório. Contudo, as taxas de produção de embriões in vitro das fêmeas nessa faixa etária costumam ser inferiores às de vacas adultas. O peso e a gordura corporal figuram entre os principais fatores que influenciam a idade da puberdade e a precocidade sexual das fêmeas, refletindo diretamente o nível de alimentação durante o crescimento.

    Pesquisas anteriores mostram que novilhas entre quatro e nove meses de idade demonstram maior sensibilidade aos efeitos da antecipação da puberdade resultante do maior fornecimento de nutrientes. Nessa fase, a suplementação adequada pode aumentar significativamente a produção e a qualidade de ovócitos e embriões. A ingestão de energia constitui o principal fator nutricional que afeta a reprodução em bovinos, embora ainda existam poucos dados de pesquisa relacionando os reflexos de dietas mais energéticas em fêmeas jovens.

    “Nossa hipótese era de que o aumento na quantidade e na qualidade dos ovócitos em novilhas pré-púberes alimentadas com dietas de alta densidade energética está relacionado ao melhor desenvolvimento corporal e à deposição moderada de gordura promovida por essa suplementação alimentar”, observa Martins. O pesquisador salienta que essa estratégia gera maior disponibilidade de metabólitos e melhora o equilíbrio hormonal nos animais, reconhecendo a importância da gordura corporal para o início da puberdade e o alcance da maturidade sexual.

    Protocolo experimental simula condições reais de fazendas

    No experimento conduzido na Embrapa Cerrados, 34 novilhas da raça Nelore pré-púberes, pesando cerca de 160 kg em média, receberam suplementação durante um mês com farelo de soja, milho moído e minerais. Os animais também mamaram em suas mães e tiveram acesso a pastagem de Urochloa brizantha cultivar Marandu. Após o desmame, aos seis meses e meio de idade em média, os pesquisadores distribuíram as novilhas de forma homogênea quanto à idade, peso e mérito genético em dois grupos com planos nutricionais distintos: um convencional (PN1) e outro de alta energia (PN2).

    No tratamento com dieta convencional, as novilhas permaneceram na pastagem durante a estação seca, consumindo em média 1,4 quilos de concentrado (ração) por dia, equivalentes a 0,7% do peso vivo médio. Os nutricionistas formularam a dieta para um ganho de peso de 400 gramas diárias. No início da estação chuvosa, os animais permaneceram no mesmo pasto e consumiram em média 650 gramas de concentrado por dia, equivalente a 0,25% do peso corporal, numa dieta calculada para ganho de peso de 700 gramas diárias.

    No tratamento nutricional de alta densidade energética, os animais receberam dietas contendo 26% e 19% mais energia metabolizável que a utilizada no PN1 nas estações seca e chuvosa, respectivamente. Na estação seca, os pesquisadores mantiveram as novilhas confinadas após o desmame e as alimentaram com média diária de 11 kg de silagem de milho e 1 kg de concentrado, equivalente a 0,33% do peso vivo, para ganhos de 800 gramas diárias. No início da estação chuvosa, os animais receberam suplementação de 1,87 kg por dia (0,35% do peso vivo) de concentrado. Os nutricionistas calcularam a dieta para ganhos de 1 kg por dia.

    Protocolo reflete práticas comerciais

    O pesquisador Eduardo Eifert, responsável pela elaboração das dietas, revela que o experimento teve uma preocupação prática: avaliar os planos nutricionais sobre a produção e qualidade de ovócitos em novilhas, partindo como referência de um regime alimentar corriqueiramente utilizado para que as novilhas alcancem pesos mínimos adequados para a reprodução (de 280 a 300 kg) aos 12 a 14 meses de idade.

    “O PN1 utiliza suplementos energéticos proteicos na seca e nas chuvas com as novilhas a pasto. Produtores podem conseguir aumentos de energia na dieta com outra prática para essa categoria, como o sequestro dos animais quando os confinam durante a seca, permitindo o fornecimento de dietas mais calóricas e com maior desempenho”, pontua Eifert. Segundo ele, os tratamentos simulam o manejo alimentar de novilhas que entrarão em reprodução em idade jovem, práticas frequentemente observadas nos sistemas de produção de fazendas do bioma Cerrado.

    Resultados comprovam superioridade da dieta energética

    Ao completarem nove meses e meio de idade em média, os pesquisadores submeteram as novilhas a aspirações foliculares a cada 21 dias por três meses, para avaliar parâmetros de competência ovocitária e produção de embriões.

    Os animais que receberam a dieta PN2 apresentaram resultados superiores em todos os indicadores:

    • 49% mais ovócitos recuperados que os animais do PN1
    • 42% mais ovócitos viáveis
    • 21% superior na taxa de produção de embriões – a taxa de blastocistos em D7 (estágio de desenvolvimento do embrião sete dias após a fecundação) alcançou 29,7% para PN2 contra 24,4% para PN1
    • Maior peso médio aos 12 meses e meio: 321 kg contra 309 kg
    • Melhor acabamento de carcaça

    “Os maiores índices de crescimento animal e de aumento de percentuais de gordura nas novilhas do PN2 podem ter influenciado a puberdade precoce e o aumento do número de ovócitos viáveis”, comenta Martins. Segundo ele, isso permitiu que as novilhas apresentassem o mesmo potencial de desenvolvimento embrionário que os ovócitos de vacas adultas. O pesquisador acrescenta que o maior peso corporal e a deposição moderada de gordura possibilitaram que as novilhas atingissem o peso para reprodução sugerido aos 12 a 14 meses de idade.

    Análise financeira confirma viabilidade econômica

    A pesquisa também realizou análise financeira detalhada da produção de embriões a partir dos dois planos alimentares. Os pesquisadores estimaram os custos de alimentação com base no consumo real e nos valores comerciais (preços de julho de 2020) dos ingredientes para formulação das rações, da tonelada de milho para silagem e dos minerais. A equipe incluiu despesas operacionais (mão de obra, energia elétrica, serviços veterinários e laboratoriais, medicamentos, encargos, entre outros) e custos para pastagens, baseados nos valores de aluguel mensal de pasto por animal nas fases inicial e de recria.

    Os pesquisadores consideraram três biotécnicas de produção de embriões:

    • Embrião fresco produzido por fertilização in vitro (demanda receptoras previamente sincronizadas para receberem embriões após sete dias de cultivo): R$ 75 e R$ 90
    • Embrião vitrificado (requer congelamento e descongelamento em laboratório, mas confere maiores taxas de prenhez): R$ 140
    • Embrião criopreservado para transferência direta (TD) para a receptora (não necessita de laboratório): R$ 160

    Custos mais altos, mas margens significativamente maiores

    Para os três cenários, o custo da alimentação e da mão de obra na dieta PN2 superou o controle (PN1) tanto na estação seca (29%) como na chuvosa (36%). Em média, cada novilha submetida ao PN2 produziu 6,8 embriões, 3,2 a mais que os animais sob o PN1 (3,6), o que acarretou maiores custos de produção de embriões nas três biotécnicas.

    Entretanto, o maior rendimento na produção de embriões pelos animais que receberam a dieta PN2 resultou numa receita média 77% maior que a do grupo controle. A margem bruta no tratamento PN2 durante a recria multiplicou-se expressivamente:

    • 2,7 vezes maior para embriões TD
    • 2,6 vezes maior para embriões vitrificados
    • 2,1 vezes maior para embriões a fresco

    Já a margem líquida do plano alimentar PN2 superou o plano controle em:

    • 2,8 vezes (embriões TD)
    • 2,7 vezes (embriões vitrificados)
    • 2,2 vezes (embriões a fresco)

    Na comparação entre as técnicas de produção e processamento de embriões, as maiores margens vieram da produção de embriões a fresco.

    “O resultado da produção de embriões influenciou e foi determinante na obtenção de margens positivas para o plano alimentar de alta energia. Mesmo com maior custo operacional, esse plano alimentar obteve maiores receita, margem bruta e lucro operacional”, observa a pesquisadora Isabel Ferreira, responsável pela análise financeira.

    Ferreira pondera que ainda são necessários estudos que considerem diferentes cenários de preços e identifiquem o ponto de equilíbrio ou ótimo de concentração energética e proteica da dieta, bem como o nível de consumo que confira o maior resultado na produção de embriões por novilhas pré-púberes sem prejudicar o crescimento, a fisiologia animal e, consequentemente, a reprodução.

    Melatonina potencializa produção de embriões in vitro

    Além de comprovar os ganhos reprodutivos e financeiros com dietas de alta densidade energética para novilhas pré-púberes, a pesquisa buscou associar métodos laboratoriais para incrementar ainda mais a capacidade de produção de embriões in vitro. Nesse sentido, os pesquisadores testaram o uso da melatonina, um hormônio natural com propriedades antioxidantes e antiapoptóticas (evitam a morte celular), na maturação de ovócitos e no cultivo de embriões produzidos por animais submetidos a esse tipo de dieta alimentar.

    Num dos experimentos de outro estudo da Embrapa Cerrados, 11 bezerras sem seleção genética prévia de uma fazenda em Goiás receberam suplementação dos sete aos 13 meses de idade com uma dieta de alta densidade energética. Aos 10 meses de idade, oito delas passaram por aspiração folicular mensalmente, durante quatro meses.

    Para avaliar o benefício do uso da melatonina na competência ovocitária e na produção de embriões, os pesquisadores dividiram os ovócitos recuperados em três grupos:

    • Apenas ovócitos de novilhas pré-púberes maturados in vitro com melatonina
    • Ovócitos de novilhas pré-púberes maturados com melatonina e embriões cultivados com melatonina
    • Ovócitos de vacas adultas com histórico conhecido de produção de embriões in vitro, cultivados sem melatonina (controle)

    A equipe comparou as taxas de clivagem (percentual de ovócitos com divisões celulares após a fecundação) e de blastocistos em D7.

    Resultados surpreendentes com melatonina

    Os ovócitos e embriões provenientes de novilhas pré-púberes, quando cultivados com melatonina, apresentaram maior taxa de blastocistos (38%) em relação ao grupo com apenas ovócitos maturados com melatonina (25%), produzindo 13% mais embriões. Os resultados ficaram próximos aos dos ovócitos de vacas adultas sem a melatonina (taxa de blastocistos de 41%).

    Segundo Carlos Frederico Martins, esse é o primeiro relato do efeito positivo da melatonina na fecundação in vitro de ovócitos de novilhas pré-púberes em sistema de alta tensão de oxigênio, melhorando a quantidade e a qualidade embrionária. Ele acrescenta que os animais suplementados com a dieta de alta densidade energética alcançaram peso médio de 290,82 kg aos 13 meses de idade. O que permitiu a indução da puberdade, a inseminação artificial e o alcance de taxa de prenhez de 54,4%. Valor superior aos obtidos em estudos com animais de idades similares não suplementados com dietas de alta energia.

    “O uso da melatonina melhorou a competência ovocitária e aumentou as taxas de embriões em novilhas pré-púberes de forma similar à produção de embriões por vacas adultas. Isso indica uma associação benéfica entre uma abordagem de manejo nutricional e uma abordagem laboratorial com o uso da melatonina em ovócitos e embriões in vitro nessa categoria de animais”, conclui o pesquisador.

  • Programa Pró-Genética impulsiona pecuária capixaba

    Programa Pró-Genética impulsiona pecuária capixaba

    O Espírito Santo celebra um marco no setor pecuário: as feiras do Pró-Genética ultrapassaram a marca de 800 touros melhoradores vendidos desde 2009. Na última edição, realizada em Colatina, produtores locais adquiriram 22 animais de genética superior, consolidando o programa como política pública essencial para o desenvolvimento do agronegócio regional.

    Coordenado pelo Incaper, o projeto Bovinocultura Sustentável facilita o acesso a reprodutores de raças como Guzerá, Tabapuã e Nelore, todos com Registro Genealógico Definitivo (RGD) certificado pela ABCZ. Os preços acessíveis, entre 40 e 60 arrobas de boi gordo, permitem que pequenos e médios produtores invistam em melhoramento genético para rebanhos de corte e leite.

    Anderson Marim, extensionista do Incaper, destaca: “O produtor compra genética de ponta perto de casa, elevando o rendimento e a produção”. Roberto Winkler, da ABCZ, reforça a eficácia do modelo: “Desde 2009, levantamos a demanda local e organizamos feiras diretas, com impacto real na produtividade”.

    Parcerias e impacto socioeconômico

    A feira de Colatina, organizada pela prefeitura em parceria com Incaper, ABCZ e outras instituições, superou expectativas com maior público e vendas em relação ao ano anterior. Bernardo Lima, coordenador do Incaper, atribui o sucesso ao crescente interesse dos pecuaristas por tecnologia e sustentabilidade.

    Foto: SEAG/ES

    Estudos do Incaper comprovam que os touros melhoradores aumentam o valor comercial dos bezerros. “Antes, os machos leiteiros tinham baixo valor. Agora, os cruzamentos geram animais com melhor padrão racial e peso à desmama”, explica Roberto Sobreira, responsável pela pesquisa. O agricultor Rodrigo Manhani, que adquiriu um touro Guzerá em 2015, é um exemplo: “Os bezerros são de encher os olhos, e o retorno financeiro é imediato”.

    Com 45 feiras realizadas e 806 touros comercializados, o programa segue fortalecendo a cadeia produtiva capixaba. O modelo, que combina acesso à tecnologia, crédito e assistência técnica, já virou referência para outros estados.

    Para mais informações:

    Coordenação de Comunicação do Incaper

    (27) 98849-6999 | [email protected]

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  • Pecuaristas do Sul de Minas investem em  fertilização in vitro

    Pecuaristas do Sul de Minas investem em fertilização in vitro

    Pecuaristas de leite dos municípios de Santa Rita de Caldas, Caldas, Ipuiúna e Senador José Bento, no Sul de Minas Gerais, estão investindo em fertilização in vitro (FIV) para aprimorar geneticamente seus rebanhos. A iniciativa já beneficia mais de 30 produtores da região. E é resultado de uma parceria entre Emater-MG, Sebrae Minas e prefeituras locais, e tem impulsionado o aumento do rebanho e da produtividade leiteira.

    A fertilização in vitro é uma biotecnologia de reprodução que coleta óvulos de vacas selecionadas e os fecunda em laboratório com sêmen de touros de alta qualidade genética. Em seguida, técnicos transferem os embriões resultantes para vacas receptoras, o que acelera o melhoramento genético do rebanho.

    Segundo Rodrigo Beck Júnior, coordenador técnico regional de Pecuária da Emater-MG, a técnica é eficiente, mas exige alto investimento. Para facilitar o acesso dos pequenos produtores, o programa Sebraetec FIV, do Sebrae Minas, subsidia 70% do custo da transferência de embriões, enquanto o restante é pago pelo produtor. A Emater-MG atua na mobilização, orientação técnica e acompanhamento dos processos, desde a gestação até o nascimento dos bezerros.

    Resultados práticos: mais produtividade e sustentabilidade

    O produtor Eliton Ferreira Silva é um dos beneficiados pelo programa. Ele realizou o sonho de criar um rebanho girolando, predominantemente de animais meio-sangue, graças ao acesso facilitado à FIV. “O resultado foi excelente, aumentei muito a minha produção. Os animais são mais resistentes a doenças e mais férteis”, comemora. Atualmente, Eliton possui mais de 100 cabeças, sendo 57 provenientes da fertilização in vitro, e pretende continuar investindo na tecnologia para expandir sua produção de leite.

    Entre as vantagens do melhoramento genético via FIV estão o rápido avanço do padrão racial e a valorização financeira do rebanho. Além da maior eficiência produtiva e menor impacto ambiental. “É possível aumentar a produção com menos animais, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa, a necessidade de áreas para pastagem, o volume de dejetos e o consumo de água”, explica Rodrigo Beck.

    Expansão do programa e impacto regional

    De acordo com Ivan Figueiredo, analista técnico do Sebrae Minas, o programa Sebraetec FIV, iniciado em 2019, já atende tanto pecuaristas de leite quanto de corte. A expectativa é ampliar a iniciativa para outros municípios, como Jacutinga, São Pedro da União e Guaranésia. E assim, promover uma pecuária mais sustentável, competitiva e rentável em toda a região.

    Para participar do programa, o produtor precisa apresentar documentos pessoais, inscrição de produtor rural e ter ao menos 10 animais aptos ao protocolo reprodutivo. E cadastrar-se no escritório local da Emater-MG.

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  • Empresa brasileira bate recorde de exportação em 2024

    Empresa brasileira bate recorde de exportação em 2024

    A WTA – Watanabe Tecnologia Aplicada, referência global na produção de equipamentos para reprodução animal e Fertilização in vitro (FIV), atingiu um marco histórico em 2024: 900 mil produtos exportados para mais de 62 países, consolidando-se como a maior exportadora brasileira do setor. Com sede no Brasil e uma base de distribuição nos Estados Unidos (Texas), a empresa projeta crescimento contínuo, impulsionada pela competitividade de preços e pela ausência de barreiras tarifárias em grande parte dos mercados atendidos.

    Nos primeiros quatro meses de 2024, a WTA iniciou exportações para Paquistão e Marrocos, reforçando a demanda global por tecnologias de produção de embriões. “O crescimento das exportações deve se manter forte, especialmente com a entrada nesses novos mercados”, afirma Osnir Watanabe, fundador e CEO da empresa.

    Foto: divulgação

    Entre os produtos mais exportados estão:

    • Bainhas (evitam refluxo e perda de sêmen);
    • Incubadoras (controlam o ambiente para desenvolvimento embrionário);
    • Descongeladores (removem crioprotetores de embriões congelados).
    • Impacto no agronegócio e melhoramento genético

    Segundo a Embrapa, a Fertilização in vitro (FIV) é crucial para o melhoramento genético de rebanhos bovinos, elevando a produtividade de carne e leite. A técnica permite que uma única vaca gere até 36 bezerros por ano, além de viabilizar a reprodução de animais com alta qualidade genética, incluindo fêmeas jovens ou com limitações reprodutivas.

    Foto: divulgação

    Watanabe destaca que o sucesso da WTA vem da aposta em pesquisa e desenvolvimento (P&D), aliada a parcerias com universidades e centros de pesquisa. “Ampliamos nossa capacidade produtiva e continuamos investindo em tecnologia para manter a liderança”, afirma.

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  • Fazenda Espinilho abre Gira Técnica do Mundial Braford

    Fazenda Espinilho abre Gira Técnica do Mundial Braford

    A Fazenda Espinilho, do Grupo Pitangueira, em Maçambará (RS), foi palco da abertura da Gira Técnica do 9º Congresso Mundial da Raça Braford. Ele foi promovido pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB). O evento, que ocorre de 28 de abril a 4 de maio, reúne criadores, técnicos e especialistas do Brasil e do exterior para uma imersão nas práticas de produção e melhoramento genético da raça Braford, reconhecida por sua adaptabilidade e eficiência no Pampa Gaúcho.

    Durante o primeiro dia, os participantes conheceram de perto o trabalho de seleção do rebanho Braford do Grupo Pitangueira, referência nacional pela excelência genética. Com mais de 50 anos de tradição, a fazenda mantém aproximadamente 3,5 mil vacas de cria. Todas registradas e integradas ao programa de melhoramento genético da Conexão Delta G. A propriedade utiliza ferramentas avançadas como ultrassonografia de carcaça, avaliação da conversão alimentar e genômica. Isso permite decisões mais assertivas no manejo e seleção dos reprodutores, aumentando a produtividade e a sustentabilidade do sistema.

    Segundo Clarissa Lopes Peixoto, diretora do Grupo Pitangueira, o uso intensivo de tecnologia genética tem sido fundamental para consolidar o rebanho como referência na raça Braford. Entre as conquistas, destaca-se a produção do touro Big Brother, considerado um divisor de águas para a raça no Brasil.

    Programação técnica e troca de conhecimento

    A programação da Gira Técnica inclui visitas a propriedades de referência em genética Braford. Entre as visitadas estão a Estância do Sossego (Uruguaiana), Estância Bela Vista (Sant’Ana do Livramento) e Fazenda Santa Tereza (Arambaré. Totalizando um percurso de 980 quilômetros pelo Rio Grande do Sul. Em cada etapa, os participantes acompanham exposições de animais, palestras técnicas e demonstrações de manejo, promovendo a troca de experiências entre criadores e especialistas.

    Na Fazenda Espinilho, o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Flores Cardoso, ministrou palestra sobre o papel do melhoramento genético da raça Braford para uma pecuária mais sustentável. Cardoso ressaltou que o avanço das avaliações genéticas e o uso de ferramentas como a genômica são decisivos para aumentar a eficiência produtiva, a rentabilidade e a sustentabilidade das propriedades rurais.

    Brasil em destaque no cenário internacional

    O Congresso Mundial Braford e a Gira Técnica reforçam o protagonismo do Brasil na pecuária internacional. O evento antecede a 18ª Exposição Nacional da Raça Hereford. E conta com o apoio de instituições como a Capes e a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), que desenvolvem ações para formação técnica e humana de profissionais do setor.

    Com recorde de inscrições e participação de 600 animais – 400 da raça Braford e 200 Hereford -, o circuito técnico proporciona uma visão abrangente dos avanços em genética, manejo e produtividade. E consolida o Brasil como referência global na produção de carne de qualidade.

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  • Melhoramento genético transforma café de Minas

    Melhoramento genético transforma café de Minas

    Por trás de uma das bebidas mais valorizadas do mundo, há décadas de ciência. Em Minas Gerais, maior produtor de café do Brasil, responsável por 50% da área cultivada e 40% da produção nacional, o melhoramento genético tem sido a chave para saltos de produtividade, qualidade e adaptação às mudanças climáticas. Com mais de 20 cultivares registradas pela EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), o estado consolida seu protagonismo no agronegócio cafeeiro, garantindo futuro para milhares de famílias rurais.

    Da xícara ao campo: a ciência por trás do café premium

    “Quantas tecnologias há em uma xícara de café?” A pergunta, feita por entusiastas da bebida, tem uma resposta complexa: solo, clima e tradição se unem a pesquisas genéticas que desenvolvem plantas mais produtivas, resistentes e adaptadas a diferentes regiões.

    “Nosso objetivo é oferecer ao produtor cultivares que aumentem a produtividade e transformem seu sistema de produção”, explica Gladyston Carvalho, pesquisador da EPAMIG. Com 587 municípios mineiros cultivando café, a demanda por inovação é urgente.

    Destaque em números:

    • Produtividade saltou de 7 sacas/hectare (década de 1980) para 30 sacas/hectare atualmente;
    • Minas Gerais abriga 300 mil produtores dependentes da cafeicultura;
    • Cultivares como Topázio MG1190 e MGS Aranãs aumentaram em até 40% a resistência a pragas.

    Cultivares que revolucionam o campo

    No Sítio Refazenda, em Nepomuceno (Sul de Minas), o produtor Alexandre Vilela apostou em genética de ponta. “Materiais como Catiguá MG2 e MGS Paraíso 2 elevaram nossa produtividade e qualidade, garantindo competitividade”, relata.

    As cultivares desenvolvidas pela EPAMIG são fruto de 20 a 30 anos de pesquisa, desde a hibridação (cruzamento artificial de plantas com características desejadas) até testes em campos experimentais. “Só após 12 anos de estudos internos iniciamos a validação em diferentes ambientes”, detalha Gladyston.

    Principais cultivares mineiras:

    • MGS Ametista: Resistência à seca e alta produtividade;
    • MGS Aranãs: Adaptada a regiões de altitude média;
    • Topázio MG1190: Qualidade sensorial premium, voltada para cafés especiais.

    Projetos que conectam ciência e produtor

    Entre 2016 e 2022, a EPAMIG liderou um projeto no Cerrado Mineiro, em parceria com a Federação dos Cafeicultores da região, instalando unidades demonstrativas em propriedades rurais. Os resultados identificaram cultivares ideais para biomas específicos, base para o atual projeto “Validação de Cultivares e Transferência de Tecnologias”, que mapeia as melhores opções para cada microclima do estado.

    “Queremos manter o cafeicultor bem remunerado e atrair jovens para a sucessão familiar”, afirma Vinicius Andrade, pesquisador da EPAMIG. Com a renovação de lavouras, Minas espera consolidar sua liderança e ampliar a exportação de cafés gourmet.

    Futuro do café mineiro: sustentabilidade e reconhecimento global

    Além da produtividade, as novas cultivares priorizam:

    • Redução de agroquímicos: plantas mais resistentes diminuem o uso de defensivos;
    • Adaptação climática: variedades tolerantes a secas e temperaturas extremas;
    • Qualidade sensorial: grãos com notas complexas, valorizados no mercado internacional.

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  • Pesquisa deve impulsionar a produção do Ovino Pantaneiro

    Pesquisa deve impulsionar a produção do Ovino Pantaneiro

    Com a demanda por carne ovina em alta no Brasil, o Ovino Pantaneiro surge como uma alternativa promissora para o Pantanal. Pesquisas lideradas pela Embrapa Pantanal e Embrapa Caprinos e Ovinos indicam que essa raça, adaptada há séculos ao bioma, pode impulsionar a produção regional com sustentabilidade. O projeto “Estratégias para o desenvolvimento de soluções genéticas para sistemas de produção de carne de ovinos no Brasil” visa selecionar animais mais resistentes e produtivos, garantindo competitividade ao setor.

    Originário do ciclo das charqueadas no período colonial, o Ovino Pantaneiro descende de raças trazidas por portugueses e espanhóis. Por cinco séculos, sobreviveu a cheias, secas e geadas no Pantanal, desenvolvendo resistência a parasitas e eficiência nutricional. “São animais que dispensam suplementação intensiva e acumulam menos gordura, ideal para sistemas extensivos”, explica Adriana Mello, pesquisadora da Embrapa.

    Estudos iniciados em 2005 por uma rede de universidades e a Embrapa confirmaram seu potencial: a raça possui alta prolificidade, precocidade reprodutiva (criação ao longo de todo o ano) e adaptação a pastagens nativas, características que reduzem custos para pequenos produtores.

    Desafios da cadeia produtiva

    Apesar do potencial, a falta de abatedouros na região é um entrave. Corumbá, cidade com o maior rebanho de Mato Grosso do Sul, não tem infraestrutura para abate, obrigando produtores a depender de frigoríficos distantes. “Isso encarece o processo e limita a escala”, afirma Mello.

    Raça apresenta resistência a doenças e baixa exigência nutricional, o que reduz custos de produção da carne que é mais valorizada que a bovina. Foto: Raquel Brunelli /Embrapa

    Outro desafio é o manejo sanitário: vermifugações sem critérios técnicos geram resistência parasitária. Para resolver o problema, a Embrapa desenvolve protocolos específicos, incluindo alternativas naturais de controle.

    Carne premium e oportunidade de mercado

    A carne do Ovino Pantaneiro tem valor 30% superior à bovina, com custos de produção menores. “É uma oportunidade para agricultores familiares”, destaca João Pedro Rocha, produtor com 200 cabeças no Pantanal. O governo de MS já criou incentivos, como o Proape Ovinos, que viabiliza abates coletivos via Propriedades de Descanso de Ovinos para Abate (PDOA).

    Hoje, 50% da carne ovina consumida no Centro-Oeste é importada, segundo o produtor Carlos Henrique Evangelista. “Há espaço para substituir importações e consolidar a produção local”, reforça.

    A pesquisa também explora o conceito de “carne de terroir”, associando o sabor único do Ovino Pantaneiro às condições do bioma. “Chefs e consumidores premium buscam produtos rastreáveis e sustentáveis”, ressalta Adriana Mello. A estratégia pode agregar valor e abrir mercados internacionais.

    Características únicas da raça
    • Porte médio: adaptação à locomoção em áreas alagadas e vegetação densa.
    • Lã seletiva: concentrada no dorso, evitando umidade excessiva em pernas e pescoço.
    • Eficiência nutricional: menor exigência calórica e acúmulo de gordura.
    • Precocidade: cordeiros atingem 30 kg em 5 meses, aptos para abate.

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