Tag: Melhoramento Genético

  • “Isis Valverde”, a vaca de R$ 4 milhões

    “Isis Valverde”, a vaca de R$ 4 milhões

    Uma vaca que leva o nome de uma das atrizes mais conhecidas do Brasil acaba de chamar a atenção dentro e fora do agronegócio. A matriz Ísis Valverde FIV da RS, da raça Nelore, foi avaliada em cerca de R$ 3,9 milhões após a venda de metade de sua propriedade em um dos leilões mais concorridos da pecuária nacional.

    A negociação aconteceu durante a quinta edição do Leilão Fazenda Terra Prometida & Convidados Especiais, realizado em Porto Nacional (TO). Na ocasião, a dupla sertaneja César Menotti & Fabiano adquiriu 50% da vaca por R$ 1,98 milhão. Com isso, passou a dividir a propriedade do animal com Henrique & Juliano.

    Além disso, o negócio reforça um movimento que vem ganhando força nos últimos anos. Animais de genética superior deixaram de ser apenas campeões de pista para se transformar em ativos de alto valor dentro da pecuária brasileira. Hoje, eles representam investimentos capazes de gerar retorno durante muitos anos.

    O que faz a vaca valer milhões?

    infografico sobre a vaca Isis

    O preço de uma matriz como Ísis Valverde não está ligado apenas à aparência ou aos títulos conquistados. Na verdade, o maior patrimônio está na capacidade de transmitir características desejadas para as próximas gerações.

    Cada embrião produzido, cada prenhez comercializada e cada filho nascido carregam parte desse valor genético. Dessa forma, o retorno financeiro pode continuar por muitos anos, tornando o investimento altamente atrativo para criadores que buscam elevar o nível de seus rebanhos.

    Ísis Valverde reúne justamente esse conjunto de atributos. Até o momento, a Nelore conquistou oito títulos em exposições realizadas entre 2025 e 2026 e vem sendo apontada como uma das matrizes mais promissoras da raça. Ao mesmo tempo, seu padrão racial, equilíbrio morfológico, habilidade materna e potencial de transmissão genética explicam o interesse despertado entre grandes investidores.

    Genética movimenta cifras cada vez maiores

    A pecuária de elite vive um momento de expansão. Nos últimos anos, tornou-se comum a negociação de cotas de animais, em vez da venda integral, nos principais leilões do país.

    https://www.instagram.com/p/DYkV1FDx8My/

    Assim, diferentes criadores compartilham os direitos sobre matrizes e reprodutores de alto valor. Enquanto isso, o animal continua produzindo embriões e descendentes. Consequentemente, todos os sócios participam dos resultados econômicos gerados pela genética.

    Paralelamente, a tecnologia reprodutiva acelerou esse mercado. Técnicas como fertilização in vitro e transferência de embriões permitem multiplicar rapidamente os melhores indivíduos do rebanho. Com isso, o potencial de retorno sobre o investimento aumenta de forma significativa.

    Famosos ajudam a aproximar o público da pecuária

    A presença de artistas nesse segmento também ampliou a visibilidade da pecuária de elite. Henrique & Juliano estão entre os criadores que mais investem em genética Nelore. Agora, César Menotti & Fabiano passam a integrar esse mercado ao adquirir participação em uma das matrizes mais valorizadas do país.

    https://www.instagram.com/p/DYqpbUOOGSe/

    Como resultado, essa aproximação desperta a curiosidade de quem normalmente não acompanha os leilões rurais. Afinal, cifras milionárias, celebridades e animais campeões formam uma combinação que chama atenção até de quem está distante do campo. Além disso, esse movimento ajuda a aproximar o agronegócio de um público cada vez mais amplo.

    Mercado segue em crescimento

    A valorização da genética bovina acompanha uma demanda crescente por rebanhos mais produtivos, férteis e eficientes. Ao mesmo tempo, produtores buscam animais capazes de transmitir características superiores para as futuras gerações. Por isso, investir em genética deixou de ser apenas uma questão de prestígio e passou a integrar a estratégia econômica das principais fazendas do país.

    Nesse cenário, casos como o de Ísis Valverde tendem a se tornar cada vez mais frequentes. Em outras palavras, a Nelore representa muito mais do que uma campeã de exposições. Ela simboliza um modelo de negócio que reúne ciência, tecnologia, inovação e melhoramento genético para impulsionar a produtividade da pecuária brasileira.

  • Henrique e Juliano faturam com Nelore milionário e investem na pecuária

    Henrique e Juliano faturam com Nelore milionário e investem na pecuária

    A dupla sertaneja Henrique e Juliano transformou a paixão pelo campo em um negócio milionário. Proprietários da Fazenda Terra Prometida, em Porto Nacional (TO), os artistas investem na criação de gado Nelore de elite e já acumulam reconhecimento em exposições e leilões agropecuários.

    Além do sucesso na música, os irmãos apostam no melhoramento genético para ampliar a produtividade e a valorização do rebanho.

    “Nossa criação sempre foi muito pé no chão. Para que ter uma fazenda se ela não for produtiva? Foi pensando nisso que começamos a investir em genética para Nelore de elite. Tem que ter muita dedicação e buscar tecnologias para manter o padrão”, afirmou Henrique.

    Genética Nelore é um dos focos da dupla

    A principal estratégia dos cantores é investir em animais de alto valor genético, considerados referência para a pecuária nacional.

    O trabalho envolve seleção criteriosa de matrizes e reprodutores, além do uso de tecnologias voltadas ao melhoramento genético do rebanho.

    Entre os exemplares mais conhecidos está a vaca Ísis Valverde FIV da RS, uma das matrizes mais valorizadas da raça Nelore.

    Vaca ‘Ísis Valverde’ é descrita como dona de um “racial impecável, volume, feminilidade e consistência genética”e se destaca no mercado de genética bovina — Foto: Divulgação/Fazenda Terra Prometida

    Vaca avaliada em R$ 4 milhões chama atenção no mercado

    A Ísis Valverde FIV da RS ganhou notoriedade por conquistar importantes títulos em exposições agropecuárias pelo país.

    Entre seus principais destaques estão:

    Avaliação estimada em R$ 4 milhões;

    Títulos de Grande Campeã em pistas de julgamento;

    Reconhecimento como referência genética da raça Nelore;

    Participação em negociações milionárias no mercado pecuário.

    Parte da propriedade do animal foi negociada com os cantores César Menotti e Fabiano, reforçando o interesse do setor por exemplares de alto desempenho genético.

    Leia mais: Juliano investe R$ 80 milhões em jato de luxo; confira imagens

    Fazenda Terra Prometida abriga criação de elite

    Localizada em Porto Nacional, no Tocantins, a Fazenda Terra Prometida possui cerca de 1.306 hectares e se tornou uma das propriedades rurais mais conhecidas entre artistas ligados ao agronegócio.

    Além da criação de Nelore Puro de Origem (P.O.), a fazenda conta com infraestrutura de alto padrão.

    Entre os destaques da propriedade estão aeroporto próprio, piscina de borda infinita e alta estrutura tecnológica voltada à pecuária.

    Vista aérea da fazenda. À esquerda, as estruturas para o cuidado com os gados. No centro, as casas da família. À direita, a pista para pousos e decolagens — Foto: Reprodução/YouTube

    Nelore domina a pecuária brasileira

    A raça Nelore é responsável por grande parte do rebanho de corte do Brasil e se destaca pela adaptação ao clima tropical, resistência e desempenho produtivo.

    Por isso, animais com genética superior costumam atingir valores elevados em leilões, especialmente quando apresentam histórico de premiações e capacidade comprovada de transmissão genética.

    Leia mais: Quem é o dono da ‘Texas brasileira’ apontado como affair de Ana Castela

  • Touro mais caro do mundo é brasileiro e vale mais que mansão de luxo

    Touro mais caro do mundo é brasileiro e vale mais que mansão de luxo

    Quase R$ 10 milhões. Esse foi o valor alcançado pelo touro Nelore INDHU FIV HRO, que acaba de entrar para a história como o reprodutor mais valorizado da raça Nelore no Brasil e no mundo.

    O recorde foi registrado durante o HRO Experience 2026, realizado na Fazenda Tapijara, em Arandu (SP). Quando o martelo bateu, porém, não era apenas um touro mudando de mãos. Na prática, um novo capítulo estava sendo escrito na genética de corte nacional.

    Nascido em 27 de setembro de 2024, INDHU FIV HRO pesa 431 quilos e carrega uma linhagem que desperta atenção até entre os criadores mais experientes. O reprodutor é filho de Viatina 19, uma das matrizes mais premiadas e valorizadas da história da raça, e de Astutto FIV Brun, reconhecido por transmitir desempenho e qualidade produtiva.

    Foto de Viatina, a vaca nelore mais cara do mundo
    Viatina 19, mão do touro mais caro do mundo – Foto: Casa Branca

    Mas pedigree, sozinho, não explica um investimento desse tamanho.

    Em pista, INDHU FIV HRO já mostrou atributos que o colocam em outro patamar. Além disso, o animal reúne estrutura corporal imponente, equilíbrio racial, qualidade de carcaça e elevado potencial reprodutivo. Em outras palavras, concentra características que o mercado procura e está disposto a pagar caro para multiplicar.

    Um touro capaz de influenciar gerações

    https://www.instagram.com/reel/DZv_8Tds3lY/?igsh=MXNuYmxwdG5oNDFmYw==

    Na pecuária de elite, um grande reprodutor vale muito mais pelo que pode produzir do que pelo que pesa na balança. Afinal, um único touro pode gerar milhares de descendentes por meio de sêmen, embriões e programas de reprodução assistida.

    Cada filho carrega a possibilidade de ganhar mais peso, converter melhor os alimentos e produzir carcaças de maior qualidade. Por isso, a genética se transformou em um dos ativos mais estratégicos do agronegócio brasileiro.

    Infográfico com detalhes do touro mais caro do mundo.

     

    A valorização de INDHU FIV HRO também ajuda a explicar a transformação do mercado nas últimas décadas. Antes, os leilões de elite movimentavam milhares de reais. Hoje, alcançam cifras milionárias. Nesse cenário, a genética passou a ser vista como tecnologia aplicada ao campo e ferramenta para elevar a produtividade.

    Propriedade compartilhada

    A participação no touro está dividida entre alguns dos principais nomes da pecuária nacional. A Cabaña Santiago, a Casa Branca Agropastoril e a Agropecuária Paranã detêm, juntas, 75% do animal. Os outros 25% permanecem com a Nelore HRO, criadora original do reprodutor.

    Imagem de Asttuto FIV Brun
    Astutto FIV Brun, pai do touro mais caro do mundo – Foto: CRL Agropecuária

    O lote negociado incluiu ainda uma prenhez do touro Brutão ARF. Com isso, os investidores passam a ter acesso imediato a uma combinação genética considerada promissora para programas de seleção.

    Ou seja, em um país onde o Nelore responde por cerca de 80% do rebanho de corte, o recorde de INDHU FIV HRO vai além de uma cifra impressionante. Afinal, ele simboliza a aposta crescente da pecuária brasileira em conhecimento, tecnologia e melhoramento genético. No fim das contas, o touro de quase R$ 10 milhões representa uma ideia simples: no campo de hoje, o futuro também pode nascer dentro de um centro de genética.

  • Semente de abóbora sem casca chegará ao mercado

    Semente de abóbora sem casca chegará ao mercado

    Um trabalho desenvolvido no Laboratório de Melhoramento Genético da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) resultou na criação de uma variedade inédita de semente de abóbora sem casca. Cultivadas na fazenda-escola da instituição, as sementes apresentam elevado potencial produtivo e comercial e já se encontram na etapa final de pesquisas antes da entrada no mercado.

    Ao destacar os resultados obtidos, o professor José Raulindo Gardingo, coordenador do estudo, afirma que a diferença entre a nova variedade e as sementes convencionais é facilmente percebida.

    “A nossa semente é inteiramente sem casca, não precisa tirar a casca com o dente ou com a unha, e já vem pronta para ser usada na indústria alimentícia”, explica.

     

    Pesquisadores da UEPG exibem sementes de abóbora desenvolvidas por melhoramento genético — Foto: Jessica Natal/UEPG

    Além da praticidade, a inovação também oferece vantagens funcionais. Segundo o pesquisador, as sementes possuem maior concentração de cucurbitacina, composto reconhecido por sua ação vermífuga.

    “Essa semente tem uma quantidade maior de uma substância chamada cucurbitacina, que funciona como vermífugo, e você pode extrair o óleo ou consumir a semente in natura”, destaca.

    Além disso, um estudo divulgado pela Embrapa em 2019 já indicava a ação vermífuga das sementes de abóbora, especialmente quando consumidas sem casca. Dessa forma, a nova variedade desenvolvida pela UEPG elimina a necessidade do descascamento, facilitando o aproveitamento do produto.

    Raulindo ressalta que a literatura científica também aponta potencial de utilização das sementes em pesquisas relacionadas ao combate a tumores.

    Foto: Jessica Natal/UEPG

    Parceria internacional

    A característica da variedade brasileira surgiu a partir de uma parceria de mais de duas décadas entre pesquisadores da UEPG e cientistas da Áustria. No país europeu, sementes assim já eram produzidas desde o século passado.

    “Recebi algumas sementes e já comecei os cruzamentos por aqui, com o objetivo de produzir um genótipo de abóbora brasileira que conseguisse produzir essa semente”, relata o professor.

    Quando uma abóbora apresenta naturalmente sementes sem casca, a ciência considera o fenômeno uma mutação genética. A partir dessa característica, os pesquisadores realizam sucessivos cruzamentos para estabilizar o traço desejado nas novas populações.

    “Depois de 20 anos, chegamos em um resultado mais satisfatório, com sementes que nascem todas sem casca, dentro de diferentes populações e tipos de abóbora”, comemora Raulindo.

    Pequenos produtores e mercado agroindustrial

    Outro aspecto importante observado pelos pesquisadores é a capacidade de germinação das sementes. Segundo o professor Rodrigo Mattielo, integrante da pesquisa, todas as sementes desenvolvidas apresentam germinação normal no solo.

    Agora, a equipe trabalha na conclusão dos testes laboratoriais. Em seguida, o material será submetido ao processo de registro junto ao Ministério da Agricultura. Após essa etapa, ocorrerá a avaliação oficial da viabilidade comercial da cultivar.

    Mercado promissor

    De acordo com Raulindo, a nova variedade também se diferencia pelo sabor mais agradável em comparação a sementes tradicionais comercializadas atualmente.

    “Vemos muitas sementes com cascas mais escuras, que têm um sabor até mais amargo, e a nossa tem um sabor muito agradável. Estamos num caminho positivo para disponibilizar as sementes para dentro e fora do Brasil e até para extração do óleo”, afirma.

    O pesquisador elogia as sementes e avalia seu potencial — Foto: Jessica Natal/UEPG

    Nos testes realizados em laboratório, os resultados confirmaram as expectativas da equipe. Ao abrirem os frutos, os pesquisadores verificaram que todas as sementes apresentavam a característica desejada.

  • Agora: MAPA reconhece nova raça ovina no Brasil

    Agora: MAPA reconhece nova raça ovina no Brasil

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) oficializou nesta sexta-feira (22) o reconhecimento da raça ovina Berganês no Brasil. A medida foi publicada por meio da Portaria nº 1.630, divulgada pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA).

    Além do reconhecimento da raça, o governo também autorizou a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) a realizar o serviço de registro genealógico dos animais. A entidade fica sediada em Bagé (RS) e está registrada no Mapa sob o nº 007.

    Com a decisão, a Berganês passa a integrar oficialmente a lista de raças ovinas reconhecidas pelo ministério.

    Nova raça é fruto do cruzamento das raças Bergamácia e Santa Inês — (Foto: Reprodução/Internet)

    O registro genealógico é responsável pela identificação e acompanhamento zootécnico dos animais. Além disso, o sistema contribui para o controle dos rebanhos, a preservação das características raciais e o melhoramento genético da espécie.

    Conheça a raça Berganês

    A raça Berganês vem ganhando espaço entre criadores de ovinos por suas características produtivas e adaptabilidade.

    Os animais são utilizados principalmente na pecuária de corte e despertam interesse pelo potencial genético dos rebanhos. Eles apresentam, em média, 4,5 kg de peso ao nascer e podem alcançar até 12 kg no primeiro mês de vida.

    Com o reconhecimento oficial do Mapa, a tendência é que a raça tenha maior organização na criação, além de incentivo ao desenvolvimento e expansão no setor ovino brasileiro.

  • Escolher bem não basta: curso expõe falhas na seleção de gado no Brasil

    Escolher bem não basta: curso expõe falhas na seleção de gado no Brasil

    A Exposição Nacional Hereford e Braford 2026 começou em Esteio com um recado direto ao setor. Não basta escolher bem na pista. É no campo que a decisão mostra se fez sentido.

    A Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) abriu a programação com o Curso de Julgamento Dr. Jacob Momm Filho, retomando uma agenda que havia sido interrompida nos últimos anos. A proposta vai além da estética e tenta corrigir um desvio comum entre criadores: selecionar animais com base em preferência visual, e não em desempenho produtivo.

    Logo na abertura, o presidente da entidade, Eduardo Soares, deixou claro o tom da capacitação. “Quando se fala em curso de julgamento, não se trata apenas de avaliar animais em pista. Todos nós somos jurados das nossas próprias convicções e precisamos estar preparados para julgar nossos animais em qualquer situação”, afirmou.

    A fala aponta para um problema recorrente no campo. A decisão genética ainda carrega subjetividade demais, e isso impacta diretamente o bolso do produtor.

    Capacitação promovida pela ABHB reúne técnicos, estudantes e criadores em atividades teórica e prática voltadas à seleção genética e produção de carne de qualidade. (Foto: Nestor Júnior)

    Menos gosto pessoal, mais critério técnico

    A tentativa do curso é justamente reduzir esse ruído. A seleção de machos e fêmeas, quando mal conduzida, compromete produtividade, eficiência alimentar e, no fim da cadeia, a qualidade da carne.

    Segundo Soares, definir critérios objetivos deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade básica. A capacitação foi estruturada para conectar teoria e prática, abordando desde regras institucionais até pontos técnicos da pecuária moderna.

    Essa mudança de abordagem também aparece na fala do professor Júlio Barcellos, da UFRGS. Ele alerta que decisões baseadas apenas em preferência pessoal ainda são mais comuns do que deveriam. “A habilidade de escolher um animal vai além de gostos individuais e deve considerar fatores fundamentais ligados à produção de carne, atividade que sustenta toda a cadeia produtiva”, disse.

    E foi além. “É preciso ultrapassar paixões e entender que a atividade-fim é a que paga a conta”.

    Genética equilibrada ganha espaço no debate

    Outro ponto que ganha força é o abandono da ideia de animal ideal. Em sistemas cada vez mais complexos, essa busca tende a gerar frustração e decisões equivocadas.

    Barcellos foi direto ao classificar essa expectativa como irreal. “Essa busca é uma ilusão”, afirmou, defendendo uma genética mais equilibrada e adaptável a diferentes ambientes.

    Esse raciocínio acompanha a própria evolução da ABHB. Fundada em 1958, a entidade ampliou sua atuação ao incorporar cruzamentos com raças zebuínas e consolidar o Braford. A mudança aumentou a adaptação dos animais e abriu novas possibilidades produtivas.

    Hoje, a associação atua em todo o país, com programas que já avaliaram cerca de 1 milhão de animais, em parceria com iniciativas como Pampaplus, Promebo e Conexão Delta G.

    Da exposição ao prato do consumidor

    Embora o curso aconteça dentro de uma exposição, o impacto vai além da pista. A qualidade da carne começa na escolha genética, passa pelo manejo e termina no consumidor.

    Programas como o Carne Certificada Hereford reforçam essa conexão, ao exigir critérios rigorosos de genética, idade e acabamento de carcaça desde 1998.

    Na prática, o que está em jogo é a consistência do produto final. E isso depende de decisões tomadas muito antes do abate. Ao recolocar a capacitação técnica no centro da agenda, a ABHB tenta reduzir erros que ainda passam despercebidos. Erros que não aparecem de imediato, mas que, ao longo do tempo, comprometem eficiência, competitividade e resultado dentro da porteira.

    A programação segue com atividades práticas, onde teoria e campo finalmente se encontram.

  • Senar MT transforma pecuária com inseminação artificial gratuita e já registra taxa de prenhez de 44%

    Senar MT transforma pecuária com inseminação artificial gratuita e já registra taxa de prenhez de 44%

    O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) avança na modernização da pecuária estadual por meio do projeto ATeG Inseminação, iniciativa gratuita que combina melhoramento genético, assistência técnica e gestão rural para elevar a produtividade nas propriedades. Desde o início da execução, em dezembro de 2024, o programa já atendeu 1.513 propriedades em 99 municípios de Mato Grosso.

    O projeto oferece suporte completo ao produtor, da aquisição do sêmen aos protocolos de inseminação e mão de obra especializada. Para a pecuária de corte, as raças disponíveis são Nelore, Nelore Mocho e Angus. Já para a cadeia leiteira, o programa contempla Girolando (3/4 e 5/8), Gir e Sindi. A iniciativa é realizada em parceria com os Sindicatos Rurais do estado.

    Como funciona na prática 

    A metodologia divide a atuação em duas frentes complementares. Primeiro, o técnico de campo realiza o diagnóstico da propriedade, o acompanhamento gerencial e o preparo das condições necessárias. Só então o médico-veterinário executa o protocolo de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), garantindo maior eficiência reprodutiva ao rebanho.

    “A inseminação é uma ferramenta importante, mas o resultado vem da soma das ações, com o técnico de campo atuando na organização, gestão e preparo da propriedade, e o técnico em reprodução na execução do protocolo”, explica a supervisora do projeto, Jéssica Gonçalves.

    Superação e resultados no campo

    Na Fazenda Água Boa, em Brasnorte, a produtora Claudete Grimm Denadai representa tanto o impacto da iniciativa quanto a força do produtor rural. Após perder o marido, ela assumiu sozinha a gestão da propriedade e, por isso, buscou apoio da ATeG para reorganizar o sistema produtivo. Com isso, adotou novas práticas de manejo, nutrição e planejamento e logo colheu resultados concretos.

    “De 63 animais, 38 deram positivo. Teve bastante animal jovem que também emprenhou. A diferença dos bezerros da inseminação para os de touro é muito grande: mais resistência, mais peso, carcaça melhor. A qualidade é outra”, relata Claudete.

    Além dos índices reprodutivos, o acompanhamento da técnica de campo Ingrid dos Santos Costa trouxe novas estratégias de comercialização. “Ela me orientou como engordar as fêmeas e vender os machos. Assim, isso virou uma alternativa para manter a fazenda viável o ano todo”, acrescenta a produtora.

    Tecnologia acessível e gestão integrada

    Para o técnico em reprodução Jeferson Polidoro Murussi, o diferencial do projeto está no acesso. “A inseminação não é novidade: ela já provou que funciona. Portanto, o que o projeto faz é facilitar o acesso, com material de qualidade e suporte técnico. Além disso, o produtor aumenta o valor de venda e ganha eficiência”, afirma.

    Da mesma forma, o gerente da ATeG, Bruno Faria, reforça o caráter estratégico da iniciativa. “Quando aliamos técnica, acompanhamento contínuo e gestão, o produtor passa a ter mais controle da atividade e evolui de forma consistente. Por isso, mais do que aumentar a produção, nosso objetivo é melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias no campo”, destaca.

    Números e reconhecimento nacional

    Até março de 2026, o ATeG Inseminação registrou 32.021 protocolos executados, 53.131 diagnósticos de gestação e taxa média de prenhez de 44,37%, índice que comprova a efetividade da técnica quando associada a um sistema produtivo organizado. Diante desses resultados, o projeto segue na terceira rodada de execução, com novas etapas previstas para ampliar ainda mais o alcance.

    Além do desempenho produtivo, os números trouxeram reconhecimento nacional: o Senar MT saltou da 26ª para a 6ª colocação no ranking do Prêmio Coordenador de Excelência 2026, anunciado durante o Encontro Nacional de Coordenadores da ATeG, realizado na sede da CNA, em Brasília, em março.

  • Gigante da genética bovina fecha acordo com Nelore Cometa

    Gigante da genética bovina fecha acordo com Nelore Cometa

    A Select Sires, uma das maiores centrais de inseminação artificial do mundo, incorporou o touro Dinamite da Nelore Cometa ao seu portfólio de Nelore PO. A contratação marca o início da parceria entre a empresa norte-americana e o criatório brasileiro, ampliando as opções de genética melhoradora disponíveis para pecuaristas.

    Com a chegada do novo reprodutor, a Nelore Cometa fortalece sua estratégia de difusão genética por meio de centrais de coleta. A marca busca oferecer alternativas para rebanhos comerciais em diferentes regiões do Brasil, contribuindo para o avanço da produtividade no campo.

    Genética de ponta como ferramenta de produtividade

    O melhoramento genético representa uma das principais alavancas para aumentar a eficiência da pecuária brasileira. O país ainda pode avançar significativamente no uso de biotecnologias reprodutivas, segundo o presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), Luiz Adriano Teixeira. “O nível de adoção ainda está abaixo do potencial”, destaca.

    A Nelore Cometa investe em parcerias com centrais justamente para ampliar o alcance de seu material genético. “Contar com genética do nosso gado disponível no maior número de centrais implica em mais opções para o pecuarista”, afirma Francis Maris Cruz, titular da Nelore Cometa. “Essa nova contratação pela Select Sires cumpre a nossa missão de contribuir para a melhoria do rebanho nacional.”

    Início de uma trajetória de longo prazo

    A escolha do touro Dinamite representa o primeiro passo de uma relação que tende a se estender. A Select Sires buscou a Nelore Cometa devido ao consistente trabalho de seleção realizado ao longo dos anos. “Com o objetivo de fortalecer nossa atuação no Nelore PO, buscamos a Nelore Cometa pelo trabalho de seleção realizado ao longo dos anos. Esse deve ser o início de uma parceria de longo prazo”, explica Darlisson Rodrigues, coordenador técnico comercial da Select Sires.

    Atualmente, a Nelore Cometa soma mais de 20 touros contratados por centrais de inseminação. O material genético da marca atende pecuaristas em diversas regiões do Brasil e também abastece mercados na América Latina. A cada safra, novos reprodutores ingressam nos programas de coleta de sêmen, garantindo a presença da genética Cometa em diferentes sistemas de produção.

  • Criado pela ciência paulista, feijão carioca completa 60 anos

    Criado pela ciência paulista, feijão carioca completa 60 anos

    O feijão carioca, presença diária no prato de milhões de brasileiros, completa em 2026 seis décadas desde o início de seu desenvolvimento científico pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. O grão nasceu de uma observação casual em campo, evoluiu nas mãos da ciência pública e transformou definitivamente a cultura do feijão no Brasil.

    engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa da Agricultura da CATI. Foto: Arquivo Cati

    A história começa no início dos anos 1960, em Ibirarema, no Oeste Paulista. O engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa da Agricultura da CATI, identificou plantas com grãos diferentes em uma lavoura de feijão chumbinho, variedade tradicional à época. Os grãos apresentavam padrão rajado, com manchas marrons e pretas sobre fundo claro.

    Antunes separou o material e iniciou uma seleção, apostando tratar-se de uma mutação genética natural. O desempenho das plantas surpreendeu os técnicos. Elas demonstravam maior vigor, produtividade elevada, menor suscetibilidade a doenças e excelente qualidade culinária, com cozimento rápido, caldo consistente e sabor marcante.

    1966: quando 30 quilos de sementes chegaram ao IAC

    O marco histórico que completa 60 anos aconteceu oficialmente em 1º de agosto de 1966. Nesta data, a CATI enviou ao Instituto Agronômico (IAC), em Campinas, um lote de 30 quilos de sementes. O pesquisador Shiro Miyasaka recebeu o material e o catalogou como I-38700, incorporando-o à coleção de germoplasma do Instituto.

    A partir deste momento, a curiosidade de campo ganhou status de objeto científico. Os pesquisadores Luiz D’Artagnan de Almeida, Shiro Miyasaka e Hermógenes Freitas Leitão Filho conduziram as avaliações agronômicas que fundamentariam o futuro lançamento da cultivar.

    Os primeiros resultados confirmaram o potencial excepcional do novo feijão. Ensaios regionais realizados entre 1967 e 1969 registraram produtividade média de 1.670 quilos por hectare, superando variedades tradicionais como bico-de-ouro e rosinha, que produziam cerca de 1.280 quilos por hectare. O grão também apresentava resistência às principais doenças, boa adaptação aos solos paulistas e alta aceitação após o preparo.

    O apelido que veio dos porcos

    O Instituto lançou oficialmente o feijão em 1969 com o nome “carioca”, denominação que gerou confusão por décadas. Ao contrário do que muitos imaginam, o nome não tem relação com o estado ou a cidade do Rio de Janeiro.

    A origem é simples e rural: um trabalhador da fazenda de Antunes comparou o padrão rajado dos grãos à pelagem de porcos crioulos conhecidos como “cariocas”, termo usado à época para animais manchados. A CATI registrou oficialmente a origem do nome apenas no ano 2000, em publicação comemorativa.

    Campanha de divulgação venceu a resistência inicial

    Os consumidores não aceitaram o feijão carioca imediatamente. Acostumados a grãos de coloração uniforme, viam com desconfiança o aspecto “manchadinho” do novo produto. Pesquisadores do IAC e técnicos da CATI protagonizaram então uma das campanhas de difusão científica e tecnológica mais bem-sucedidas da agricultura brasileira.

    Campanhas de esclarecimento, palestras técnicas, distribuição de sementes, campos de demonstração, materiais educativos e receitas culinárias ajudaram a romper o preconceito estético. A estratégia conquistou produtores e consumidores em poucos anos.

    O feijão carioca espalhou-se pelas lavouras paulistas e, na década seguinte, alcançou praticamente todo o território nacional. Em 1976, menos de uma década após seu lançamento, já era a variedade mais cultivada e comercializada no Estado de São Paulo, tornando-se referência nacional e base para a modernização da cultura do feijão.

    O legado de Luiz D’Artagnan de Almeida

    Luiz D’Artagnan de Almeida, considerado o “pai do carioquinha” e falecido no início de 2026, deixou um legado que ultrapassa a criação de uma cultivar. Seu trabalho estruturou o programa de melhoramento genético do feijão no Brasil, inaugurando uma nova fase da cultura, com ganhos contínuos de produtividade, qualidade e adaptação aos sistemas modernos de produção.

    Engenheiro-agrônomo Luiz D’Artagnan de Almeida. Foto: Arquivo Cati

    Ao longo das últimas seis décadas, o feijão carioca evoluiu continuamente. O Brasil já desenvolveu mais de uma dezena de gerações do material original, com melhorias em porte, precocidade, resistência a doenças, tolerância ao escurecimento dos grãos e qualidade culinária. Mais de 60 variedades do tipo carioca surgiram a partir do material original, tanto no Brasil quanto no exterior, inclusive em programas internacionais de melhoramento.

    IAC mantém programa permanente de pesquisa

    Sessenta anos após o início do desenvolvimento do feijão carioca, São Paulo mantém em operação um programa permanente de melhoramento genético do feijoeiro, conduzido pelo Instituto Agronômico (IAC), referência nacional desde 1932.

    O programa cria cultivares produtivas, resistentes a doenças como a antracnose, com grãos claros, rápido cozimento e menor dependência de agroquímicos. As cultivares apresentam maior teor de proteína e ciclos mais precoces, o que representa menor tempo no campo – aspecto que favorece o plantio frente ao estresse climático e biológico.

    Atualmente, cultivares de feijão desenvolvidas pelo IAC estão presentes em mais de 13 estados brasileiros. Estudos do Instituto indicam que os materiais do IAC ocupam cerca de 60% das lavouras de feijão do país, com destaque para o tipo carioca, que responde pela maior parte das áreas multiplicadas e licenciadas. O carioca representa aproximadamente 66% das sementes autorizadas, refletindo o padrão de consumo nacional. O feijão preto responde por outros 14%.

    Ciência pública alimenta milhões de brasileiros

    Embora não predomine em todas as regiões – o feijão preto lidera no Sul e o mulatinho no Nordeste -, o carioca tornou-se o principal feijão do mercado interno brasileiro, desempenhando papel central na segurança alimentar do país.

    Rico em proteínas, fibras e minerais, serve como base da alimentação cotidiana, matéria-prima da indústria e aliado das dietas contemporâneas, incluindo vegetarianas e veganas. Mais do que um alimento, representa uma cadeia produtiva estratégica, geradora de renda, emprego e desenvolvimento tecnológico.

    Queda no consumo preocupa pesquisadores

    Segundo a Embrapa, o consumo per capita de feijão no Brasil atingiu seu pico entre 1961 e 1970, com média de quase 23 kg por pessoa ao ano. O índice caiu continuamente até atingir em 2024 o menor registro da série histórica.

    Mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida da população explicam a queda, com famílias menores, rotina urbana mais acelerada e redução do hábito de cozinhar em casa.

    “A redução no consumo do feijão carioca é preocupante porque toda a produção precisa ser absorvida internamente. Com mais tecnologia e área irrigada, a oferta cresce, e isso pode pressionar os preços pagos ao agricultor”, afirma o pesquisador Alisson Fernando Chiorato, do IAC.

    Diversificação e sustentabilidade como resposta

    Diante desse contexto, o programa passou a atuar também na diversificação de tipos de feijão. “Nosso foco é gerar diversidade, com feijões vermelhos, brancos, rajados e materiais voltados ao mercado externo, permitindo alternativas de comercialização e reduzindo a dependência exclusiva do carioca”, explica Chiorato.

    Além da diversificação, os pesquisadores investem em características que dialogam com o consumidor moderno. “Os feijões atuais cozinham em menos tempo, consomem menos água no campo, têm ciclos mais curtos e exigem menos insumos, resultando em um alimento mais saudável e sustentável”, destaca o pesquisador Sérgio Augusto Morais Carbonell, do IAC.

    Segundo Carbonell, a pesquisa também busca reforçar o papel nutricional do grão. “O feijão é uma das proteínas vegetais mais completas e acessíveis. Mostrar sua qualidade, segurança e versatilidade é fundamental para estimular o consumo e enfrentar um problema que já se reflete em saúde pública”, ressalta.

    Sessenta anos após o início de seu desenvolvimento científico, o feijão carioca segue como prova concreta de que o investimento contínuo em pesquisa pública transforma a realidade do campo e da mesa. O grão que acompanha o arroz de milhões de brasileiros nasceu da observação, da persistência e da ciência paulista – um legado que atravessa gerações.

  • Programa de melhoramento genético do Guzerá chega aos produtores paulistas

    Programa de melhoramento genético do Guzerá chega aos produtores paulistas

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA) lançou um programa de melhoramento genético para bovinos da raça Guzerá. A iniciativa disponibiliza animais de genética superior aos criadores paulistas e já integra os primeiros exemplares à Fazenda Ataliba Leonel, unidade da CATI Sementes e Mudas localizada em Manduri.

    Foto: Divulgação

    O secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, destaca que a raça Guzerá comprova sua qualidade por meio de números. “O Guzerá apresenta desempenho destacado em provas de ganho de peso, eficiência produtiva e consistência genética, mesmo com um efetivo menor que outras raças zebuínas. A SAA transforma resultados técnicos em política pública e viabiliza que os produtores paulistas conquistem mais uma opção consistente para o melhoramento genético de seus rebanhos”, afirma Melo Filho.

    Parceria com criadores orienta foco em características de corte

    A CATI Sementes e Mudas recebeu os primeiros bovinos da raça no final de 2025, em parceria com a Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil (ACGB). Braz Costa de Oliveira Junior, chefe da Divisão de Produção Ataliba Leonel, explica que criadores demandaram o programa, assim como aconteceu com o Nelore Mocho.

    “Nosso foco será as características morfológicas e de rendimento para corte, sem perder a essência no leite, por ser uma raça com boa habilidade materna. O produtor merece um animal de qualidade”, ressalta Oliveira Junior.

    Programa democratiza acesso à genética de qualidade

    O diretor da CATI, Ricardo Pereira, enfatiza a importância estratégica do Guzerá para a pecuária estadual. “Optamos pelo Nelore e pelo Guzerá por serem zebuínos com presença expressiva no território paulista. Nosso objetivo é melhorar esse rebanho como um todo, democratizando e popularizando o uso de touros puros de origem”, declara.

    Pereira reforça que pequenos e médios produtores terão acesso à mesma excelência genética dos grandes criadores. Toda a rede da CATI oferece orientação técnica. “Os produtores interessados podem procurar as Casas da Agricultura e nossos técnicos regionais para saber como escolher a melhor genética e acessar esses materiais”, informa o diretor.

    O Programa Guzerá SP também prioriza a pecuária sustentável. “Nosso propósito é levar esse animal para ambientes com pastagens recuperadas e em sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP)”, complementa Oliveira Junior.

    Atualmente, o programa está em fase de arrebanhamento para ampliar o pool genético e formar uma base sólida de matrizes e reprodutores antes de iniciar a seleção.

    História e características da raça Guzerá no Brasil

    O Guzerá foi um dos primeiros zebuínos a entrar no Brasil. Seu nome deriva do porto indiano de Guzerat, localizado na região oeste da Índia, de onde originalmente embarcavam os animais.

    Na Índia, o Guzerá recebe o nome de Kankrej e serve para produção de leite e tração, já que a cultura hindu veda o consumo de carne bovina. No Brasil, a raça seguiu um caminho diferente e os criadores a desenvolvem principalmente com finalidade de corte.