Tag: Manejo Sustentável

  • Como o controle biológico está transformando o cultivo de pitaia

    Como o controle biológico está transformando o cultivo de pitaia

    A aposta na pitaia como alternativa para diversificar a produção agrícola em Santa Catarina já apresenta resultados expressivos. Com uma projeção de colheita de 7,6 mil toneladas para 2026, a fruta rústica de origem centro-americana encontrou no litoral catarinense o ambiente ideal para prosperar. Esse crescimento, no entanto, trouxe novos desafios: o surgimento de pragas com a comercialização da cultura.

    Os pesquisadores Marcelo (à esquerda) e Alessandro (centro) trabalham juntos para aperfeiçoar a produção de pitaia no Estado. Foto: Divulgação/Epagri

    Para enfrentar o problema, pesquisadores da Epagri em Itajaí desenvolvem, desde 2016, um conjunto de conhecimentos pioneiros focado no controle biológico e manejo sustentável. Como o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) praticamente não possui defensivos registrados para a pitaia, a solução reside na manipulação do ambiente e no equilíbrio ecológico.

    Identificação de pragas e soluções criativas

    O entomologista Marcelo Mendes de Haro identificou 19 potenciais pragas nos pomares, incluindo percevejos, caracóis, besouros e formigas. Os percevejos, atraídos por lavouras de grãos vizinhas, são os principais vilões, pois sugam a seiva e prejudicam a aparência comercial dos frutos.

    Para proteger a produção, os pesquisadores recomendam técnicas que evitam o uso de produtos químicos:

    • Ensacamento de frutos: o uso de sacos de TNT reduz as lesões causadas por insetos em até 65%.
    • Cobertura do solo: o plantio de amendoim-forrageiro no verão e um mix de sementes no inverno mantém o ecossistema equilibrado.
    • Quebra-ventos biológicos: plantas como hibiscos, manacás e até bananeiras atraem pragas para longe da pitaia ou abrigam predadores naturais.

      A formiga cortadeira é uma das pragas que mais causam danos às frutas

    A pesquisa também destaca a importância da preservação da abelha-irapuá. Por ser uma espécie polinizadora protegida por lei, o manejo dispensa inseticidas ou a retirada de ninhos.

    O futuro da pitaia catarinense

    Além do manejo de pragas, a Epagri investe no melhoramento genético. O pesquisador Alessandro Borini Lone lidera um projeto que avalia 80 híbridos de pitaia. O objetivo é selecionar, até 2027, variedades adaptadas ao clima e solo do estado que ofereçam frutos com maior dulçor, tamanho e cor atraente. Atualmente, oito materiais promissores já estão em fase de teste.

    Imagem gerada por IA

    Para que a informação chegue ao campo, a Epagri lançou diversas publicações técnicas desde 2020. Materiais como o boletim “Cultivo de Pitaia” e livros especializados orientam produtores sobre adubação, polinização e sistemas de plantio direto.

    Extensionistas e pesquisadores realizam visitas técnicas e “Dias de Campo” constantemente. Assim, capacitando agricultores em todo o estado para garantir que a pitaia se consolide como uma fonte de renda sustentável e lucrativa para as famílias rurais de Santa Catarina.

  • Como o manejo do pirarucu virou fonte de renda e esperança na Amazônia

    Como o manejo do pirarucu virou fonte de renda e esperança na Amazônia

    Comunidades indígenas, pescadores artesanais e povos tradicionais da Amazônia poderão receber pagamento do governo federal pelo trabalho de conservação do pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo e símbolo da biodiversidade amazônica. O programa Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu) abriu nesta semana sua primeira chamada pública, com até R$ 15 milhões em recursos disponíveis para organizações comunitárias do Amazonas.

    O lançamento ocorreu durante a “Oficina PSA Pirarucu: Valorização do Manejo Comunitário na Amazônia”, realizada em Manaus e organizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio do Projeto Floresta+ Amazônia. O evento reuniu cerca de 150 pessoas, entre beneficiários, representantes de associações, cooperativas e organizações parceiras. E contou com o apoio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Ibama.

    O que é o PSA Pirarucu e quem pode receber

    O programa reconhece e remunera financeiramente atividades que já são realizadas pelas comunidades, mas que até então não eram compensadas pelo poder público. São considerados serviços ambientais o zoneamento de lagos, a vigilância territorial, a contagem e manutenção dos estoques, a pesca controlada e a gestão territorial comunitária.

    Podem se inscrever associações, cooperativas e colônias de pescadores vinculadas a unidades de manejo autorizadas pelo Ibama. Desde que tenham CNPJ ativo, estatuto social registrado, ata de eleição da diretoria vigente e tenham entregado os relatórios anuais de manejo. O cadastramento deve ser feito em duas etapas: no Portal Gov.br e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais (Sican), da Conab.

    Uma política construída junto com as comunidades

    Para a diretora de Política Agrícola e Informações da Conab, Naiara Bittencourt, que participou do evento, o lançamento representa um marco histórico. “É a primeira chamada pública do programa, tendo o pirarucu como primeiro produto, um alimento fundamental para a segurança alimentar de quem maneja e de quem consome. É uma política pública inovadora, construída junto com as comunidades. E que fomenta a geração de renda e reconhece o trabalho socioambiental na preservação da natureza”, afirmou.

    A diretora do Departamento de Políticas de Estímulo à Bioeconomia do MMA, Bruna De Vita, reforçou que o PSA complementa um trabalho de conservação construído ao longo de 26 anos de manejo do pirarucu. “A gente espera que, ao final do projeto, as organizações estejam ainda mais preparadas para acessar outras políticas públicas da agricultura familiar, como o Programa de Aquisição de Alimentos e o Sociobio Mais”, disse.

    Números que mostram a dimensão do manejo comunitário

    O impacto do manejo sustentável do pirarucu na Amazônia é expressivo. Atualmente, a atividade envolve cerca de 5.500 pessoas e 60 organizações, distribuídas em 41 áreas protegidas que somam mais de 20 milhões de hectares. Todos os anos, o programa mobiliza aproximadamente 2.500 ambientes aquáticos e permite o monitoramento de cerca de 1,2 milhão de peixes por meio de contagens participativas realizadas pelas próprias comunidades.

    Para a cacica do Povo Apurinã, Maria Dione, o programa chega como uma resposta concreta a décadas de esforço coletivo. “É mais uma renda para todos nós, manejadores, que estamos lutando para preservar o nosso rio, o nosso peixe e a nossa floresta. Antes, o peixe estava acabando e pensávamos nos nossos filhos e netos, que talvez não vissem mais pirarucu. Hoje, conseguimos tirar nossa cota e sobreviver bem do manejo”, relatou a liderança indígena.

    De onde vêm os recursos

    Os R$ 15 milhões destinados ao programa são provenientes de resultados de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) alcançados pelo Brasil na Amazônia em 2014 e 2015, oriundos do Fundo Verde para o Clima.

    A iniciativa integra ainda a Missão 2 do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). E prevê salvaguardas socioambientais, com incentivo à participação das mulheres no manejo. A meta do governo é alcançar 300 mil beneficiários com pagamentos por serviços ambientais até 2036.

  • Cacau renasce com agricultura regenerativa na Amazônia

    Cacau renasce com agricultura regenerativa na Amazônia

    A agricultura regenerativa começa a reescrever a história da pecuária familiar na Amazônia. Com práticas cada vez mais sustentáveis de manejo, o projeto RestaurAmazônia demonstra que é possível produzir com lucro, preservar o meio ambiente e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade de vida no campo.

    Desde 2021, a iniciativa, criada pelo Fundo JBS pela Amazônia em parceria com a Fundação Solidaridad, já aplicou R$ 21 milhões em assistência técnica, inovação e capacitação. Graças a esse investimento, mais de 1.400 famílias na região da Transamazônica, no Pará, viram suas propriedades se transformar em modelos de produção sustentável.

    Atualmente, o projeto ocupa 21 mil hectares. Em vez das antigas pastagens degradadas, surgiram sistemas agroflorestais que unem gado, árvores e lavouras de cacau premium. Assim, a floresta se regenera, a renda dos produtores aumenta e o solo, antes exausto, volta a respirar.

    Do pasto degradado ao cacau de valor agregado

    O segredo do sucesso está na diversificação produtiva. O modelo combina o manejo sustentável da pecuária com a implantação de lavouras de cacau de alta qualidade, voltadas ao mercado bean-to-bar, que valoriza o chocolate artesanal e o cultivo responsável.

    Com isso, o produtor familiar não depende apenas do gado. Ele também participa de uma cadeia global que paga até quatro vezes mais pela amêndoa bem manejada. Essa mudança de lógica, aliás, tem impulsionado a economia rural e reduzido a pressão sobre novas áreas de floresta.

    O aumento de 64% na produtividade reflete um manejo mais inteligente. A taxa de lotação, que mede quantos animais a terra pode sustentar sem se esgotar, subiu sem provocar degradação ou elevar as emissões de gases de efeito estufa. “Os números mostram para o Brasil e para o mundo que a produção na Amazônia pode ser rentável e regenerativa”, afirma Lucas Scarascia, gerente executivo do Fundo JBS pela Amazônia. “O produtor familiar é protagonista da agenda climática global, gerando riqueza com a floresta em pé”.

    Técnica, proximidade e resultados

    A assistência técnica contínua é o alicerce da transformação. A Fundação Solidaridad mantém equipes locais que acompanham cada propriedade, ajustam o manejo e garantem que as famílias consigam aplicar o conhecimento no dia a dia.

    Além disso, os técnicos ajudam os produtores a acessar créditos verdes e programas de incentivo de baixo carbono, ampliando o impacto econômico. “A chave para essa transformação está na qualidade da nossa Assistência Técnica”, explica Rodrigo Castro, diretor de País da Solidaridad. “Garantimos que as famílias não apenas adotem práticas de baixo carbono, mas também atinjam um novo patamar de qualidade, maximizando sua renda e estabilidade econômica”.

    Um modelo que inspira a Amazônia e o mundo

    Os resultados são expressivos:

    • 1.218 hectares já foram restaurados com sistemas agroflorestais de cacau;

    • 17.308 hectares de pastagens estão sob manejo sustentável;

    • 2.154 hectares foram convertidos em lavouras produtivas de cacau.

    Esses números representam mais do que estatísticas. Eles simbolizam uma mudança de paradigma, na qual o campo se torna parte da solução climática e não do problema.

    Com o avanço da COP30, que será sediada em Belém (PA), o RestaurAmazônia se consolida como referência de intensificação sustentável e agricultura de baixo carbono. Afinal, o projeto prova que a Amazônia pode gerar riqueza com a floresta viva, sem abrir novas áreas e sem comprometer o futuro.

    Em última análise, o programa mostra que o futuro do campo amazônico é regenerativo: mais árvores, mais renda, menos emissões e uma nova lógica de prosperidade enraizada na terra.

  • Laser detecta aumento de carbono em solos agrícolas

    Laser detecta aumento de carbono em solos agrícolas

    Um estudo inédito da Embrapa Instrumentação, em parceria com a Bayer, revelou ganhos expressivos de carbono em solos agrícolas brasileiros. Os pesquisadores usaram técnicas a laser para medir o carbono no solo em fazendas do Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.

    No Cerrado, os solos com manejo sustentável, como o plantio direto, armazenaram até 50% mais carbono que áreas nativas. A pesquisa tem impacto direto no combate às mudanças climáticas e fortalece o mercado de créditos de carbono no Brasil.

    Estudo em fazendas comerciais

    Foto: divulgação – Embrapa / Vitor Freitas

    O trabalho seguiu o modelo on-farm, realizado durante a produção de soja, milho e algodão. Foram avaliadas 11 fazendas comerciais nos últimos cinco anos. Em geral, o objetivo foi produzir dados confiáveis em solos tropicais e subtropicais, incentivando sistemas conservacionistas. As ações se alinham ao Plano ABC+ e ao programa PRO Carbono da Bayer.

    Cerrado mostra maior potencial

    O químico Vitor da Silveira Freitas, sob orientação de Ladislau Martin Neto, destacou o ganho de até 250 toneladas por hectare. A média supera os 155 toneladas registradas em vegetação nativa do Cerrado.

    Na Mata Atlântica, a mudança de uso da terra reduziu o carbono. Já no Pampa, os estoques se mantiveram estáveis. Martin Neto afirmou que práticas como plantio direto aumentam a fertilidade, sequestram carbono e trazem retorno econômico ao produtor.

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    Técnicas rápidas e eficazes

    Os cientistas usaram duas técnicas fotônicas. A espectroscopia de plasma induzido por laser (LIBS) quantificou o carbono. Já a fluorescência induzida por laser (LIFS) identificou a origem do material orgânico. Segundo a pesquisadora Débora Milori, a técnica LIBS substitui o método internacional CHN com menor custo e mais rapidez.

    A empresa Agrorobótica, spin-off da Embrapa, já oferece a tecnologia no mercado. A certificadora Verra reconhece o método no mercado voluntário de carbono.

    Impacto no agro brasileiro

    Adriano Anselmi, líder técnico da Bayer, afirmou que mensurar o carbono com métricas confiáveis apoia a mitigação dos gases de efeito estufa. Ele ressaltou a importância do monitoramento, relato e verificação (MRV) com ferramentas digitais como Connecta Procarbono e Climate Fieldview.

    Martin Neto explicou que a matéria orgânica do solo (MOS) é sensível ao uso da terra. Sua redução pode comprometer a saúde e a produtividade do solo. Por outro lado, a restauração da MOS melhora a fertilidade, aumenta a retenção de água e amplia a produtividade agrícola.

    Futuro do agro sustentável

    Os pesquisadores concluíram que o uso combinado de técnicas fotônicas traz rapidez, precisão e custo menor para medir carbono. Para Martin Neto, manter e ampliar a MOS é essencial.
    Mais de 90% da produção agropecuária brasileira depende da chuva, o que torna urgente a adoção de práticas regenerativas.

     

  • Ibama autoriza manejo sustentável do pirarucu no Vale do Javari

    Ibama autoriza manejo sustentável do pirarucu no Vale do Javari

    O Ibama autorizou a captura e comercialização legal do pirarucu (Arapaima gigas) na Terra Indígena Vale do Javari, localizada no extremo oeste do Amazonas. A decisão beneficia diretamente comunidades indígenas que vivem em uma das regiões mais isoladas da Amazônia.

    Quatro entidades receberam autorização para realizar o manejo sustentável do peixe. São elas: Associação dos Produtores Rurais e Preservadores da Comunidade São Rafael; Associação Marubo do Médio Curuçá; Cooperativa de Preservação Etnoambiental Autônoma dos Kanamaris da Aldeia São Luiz; e Organização Geral dos Mayuruna. A prefeitura de Atalaia do Norte apoiou o processo.

    As autorizações contemplam vários territórios e aldeias da região. No Rio Itacoaí, no Complexo Lacustre de São Rafael, a captura está liberada para 154 unidades do pirarucu. No Médio Javari e Médio Curuçá, que inclui aldeias como São Sebastião e Nova Página, a cota é de 90 peixes. Para o Médio Javari – Kanamari, o limite autorizado é de 191 unidades. E no Rio Pardo, Baixo e Médio Rio Curuçá, e Médio Javari, as aldeias Nova Esperança, Bela Vista e outras podem capturar 216 pirarucus em 51 lagos.

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    Ao todo, o Ibama autorizou a captura de 649 pirarucus, com peso estimado em 51,9 toneladas. Esse manejo sustentável pode gerar até R$ 415 mil para as comunidades indígenas. Além da carne, as comunidades podem explorar comercialmente o couro, a carcaça e as vísceras do peixe.

    Essa atividade tem base legal sólida. O manejo do pirarucu obedece a normas como a Instrução Normativa nº 34/2004, que determina tamanho mínimo e período de defeso reprodutivo, e outras regulações estaduais e federais. O peixe está listado no Anexo II da Convenção CITES, o que limita o comércio internacional e reforça a proteção da espécie.

    A iniciativa fortalece a conservação da biodiversidade e oferece uma fonte sustentável de renda para as comunidades indígenas do Vale do Javari. Comprar pirarucu legal e manejado de forma sustentável ajuda a preservar a floresta e apoia diretamente quem vive e protege a Amazônia.

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  • Carrapato-do-boi: desafio de R$ 15 bilhões para a pecuária brasileira

    Carrapato-do-boi: desafio de R$ 15 bilhões para a pecuária brasileira

    O carrapato-do-boi, Rhipicephalus (Boophilus) microplus, representa um dos maiores desafios da pecuária brasileira, causando prejuízos que ultrapassam R$ 15 bilhões por ano. As infestações podem levar à perda de até 1,7 milhão de toneladas de carne bovina anualmente, o que equivale a cerca de 15% da produção nacional. Cada carrapato reduz até 1 grama do peso do animal e, na pecuária leiteira, diminui a produção em até 9 ml de leite por dia. Além disso, o parasita compromete a qualidade do couro e a saúde dos animais, por ser vetor da Tristeza Parasitária Bovina.

    Embora o controle do carrapato seja comum nas fazendas, estudos indicam que cerca de 80% da população do parasita está nas pastagens, e não nos animais. Essa situação evidencia uma lacuna importante nos métodos tradicionais, que geralmente focam apenas no tratamento direto do rebanho, sem eliminar o foco ativo na vegetação. O carrapato passa cerca de 95% do seu ciclo de vida fora do animal, nas pastagens.

    A fêmea fecundada se desprende do boi e deposita até 3.000 ovos no solo. As larvas emergem e sobem nos animais para reiniciar o ciclo, que pode se completar em apenas 21 dias. Esse tempo é suficiente para causar lesões e transmitir doenças. Segundo dados da Embrapa Gado de Corte, um animal da raça Nelore abriga, em média, de 10 a 15 carrapatos por dia, enquanto a raça Angus, mais sensível, pode acumular até 600 parasitas diariamente.

    Estratégia sustentável para o controle ambiental

    “Diante desse cenário, o controle ambiental de carrapatos deve ser uma estratégia nas fazendas, tornando essencial a adoção de alternativas eficazes e sustentáveis”, destaca o engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, Gustavo Corsini.

    Em infestações moderadas a severas, um lote de 100 animais pode perder até 20 kg por animal, totalizando 2.000 kg de peso perdido por infestação. Isso representa um prejuízo superior a R$ 33 mil por ciclo de engorda, considerando o preço médio da arroba em R$ 250,00.

    Segundo Corsini, “ao focar no controle ambiental do parasita, com soluções especificas, contribuímos para a produtividade da pecuária nacional. Além de ajudar o produtor a enfrentar um problema antigo com inovação e eficiência. Portanto, menos carrapato significa mais peso, mais leite, menos doenças e menor gasto com medicamentos”

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  • Conheça a Cumaru, a baunilha do Brasil

    Conheça a Cumaru, a baunilha do Brasil

    A Cumaru, também conhecida como baunilha do Brasil, é uma árvore nativa da Amazônia que vem ganhando destaque devido ao potencial econômico de suas sementes. A Cumaru (Dipteryx odorata), pertencente à família Fabaceae, cresce em diversos países da América do Sul, incluindo Brasil, Guiana, Suriname e Venezuela.

    As sementes da Cumaru, popularmente chamadas de fava-de-cumaru, são ricas em cumarina, um composto aromático utilizado na indústria de fragrâncias, cosméticos e alimentos. Porém, devido à sua semelhança com a baunilha, a fava-de-cumaru é conhecida como a “baunilha do Brasil”. O óleo essencial extraído das sementes é altamente valorizado no mercado internacional, podendo alcançar preços elevados.

    Entretanto, a Cumaru é uma árvore de crescimento lento, podendo levar de 15 a 20 anos para atingir a maturidade e iniciar a produção de sementes. Isso torna o cultivo da espécie um investimento de longo prazo, exigindo paciência e planejamento por parte dos produtores.

    Utilidades na Indústria

    As sementes da Cumaru têm diversas aplicações na indústria:

    • Fragrâncias: O óleo essencial da Cumaru é utilizado na fabricação de perfumes, sabonetes e outros produtos de higiene pessoal.
    • Cosméticos: As propriedades antioxidantes e de hidratação da pele da cumarina das sementes levam à sua utilização em cremes, loções e maquiagens.
    • Alimentos: A fava-de-cumaru é usada como aromatizante natural em bebidas, doces, sorvetes e outros alimentos, conferindo um aroma e sabor semelhantes à baunilha.
    • Medicina tradicional: Na medicina popular, as pessoas utilizam as sementes da Cumaru para tratar diversos problemas de saúde, incluindo dores musculares, inflamações e problemas respiratórios.

    Apesar do longo tempo de crescimento, a Cumaru apresenta um grande potencial econômico para os produtores rurais da Amazônia. Além disso, o cultivo sustentável dessa espécie nativa pode gerar renda e promover o desenvolvimento da região, além de contribuir para a conservação da floresta amazônica.

    Risco de extinção

    A árvore Cumaru (Dipteryx odorata), nativa da Amazônia, enfrenta risco de extinção devido à exploração desenfreada e à destruição de seu habitat. Conhecida por sua madeira durável e pelas sementes aromáticas usadas na perfumaria e culinária, o Cumaru tem grande valor econômico, o que intensifica a sua exploração. A derrubada indiscriminada e a conversão de florestas em áreas agrícolas são as principais ameaças. A perda dessa espécie não só afetaria a biodiversidade, mas também as comunidades que dependem dela para subsistência.

    Reprodução: Embrapa

    A durabilidade e resistência da madeira de Cumaru a tornam altamente valorizada, sendo utilizada na construção civil e fabricação de móveis. As sementes, conhecidas como “favas tonka”, oferecem um aroma doce e agradável, popular na perfumaria e culinária.

    Para mitigar o risco de extinção, é essencial implementar políticas de manejo sustentável, promover a regeneração natural e fortalecer a fiscalização contra a exploração ilegal. Iniciativas de reflorestamento e conservação do habitat também são cruciais para garantir a sobrevivência da árvore Cumaru.

    Contexto Econômico e Ecológico

    O Cumaru tem grande importância tanto econômica quanto ecológica. Enquanto economicamente, sustenta diversas indústrias e comunidades, ecologicamente, faz parte do complexo ecossistema amazônico, contribuindo para a biodiversidade e estabilidade ambiental. Sua preservação é vital para manter o equilíbrio ecológico da Amazônia e o bem-estar das populações que dela dependem.

    A proteção da espécie exige um esforço conjunto entre governos, organizações ambientais e comunidades locais. Porém, somente com a adoção de práticas sustentáveis e políticas eficazes de conservação será possível garantir a sobrevivência dessa valiosa espécie.

  • Brasil é referência em exportação de madeira sustentável

    Brasil é referência em exportação de madeira sustentável

    O aumento da demanda global por produtos florestais impulsionou a expansão do setor no Brasil, colocando o país como o sétimo maior produtor mundial.

    A geração de empregos no setor é significativa. Segundo o Perfil Setorial da Indústria (CNI), a indústria de madeira sustentável emprega atualmente 160 mil pessoas em mais de 11 mil indústrias, com 36% desses empregos concentrados em pequenas empresas.

    Referencia em manejo florestal

    Segundo o Fórum Nacional da Base Florestal (FNBF), o estado do Mato Grosso atualmente administra mais de 5 milhões de hectares de florestas manejadas. Assim, essa prática inclui rigoroso monitoramento por satélite, adoção de técnicas avançadas de rastreabilidade e limitação do número de árvores abatidas por hectare. Isso evidencia o compromisso com a sustentabilidade ambiental.

    Por exemplo, Cuiabá, a capital do estado, ganha destaque ao ser escolhida como uma das sedes da próxima reunião do G20 em setembro de 2024. Este evento proporcionará uma plataforma global para compartilhar as práticas inovadoras e o papel de Mato Grosso na mitigação das mudanças climáticas. Desta forma, segundo estudos da Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), o manejo florestal sustentável na região já contribuiu para uma redução estimada de 16% nas emissões de gases de efeito estufa.

    Portanto, com metas ambiciosas, espera-se que até 2030 o estado alcance a marca de 6 milhões de hectares de florestas sob manejo sustentável. Esta iniciativa não apenas preserva recursos naturais preciosos, mas também posiciona Mato Grosso como líder nacional em práticas de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável.

    Impacto econômico

    Entre os dias 17 e 20 de julho, 12 compradores internacionais estarão em Alta Floresta, MT, para participação na rodadas de negócios com empresas especializadas em madeira processada sustentável. O evento, promovido pelo programa Exporta Mais Brasil, da ApexBrasil  busca impulsionar as exportações e destacar as técnicas de manejo florestal sustentável do país.

    Durante o evento, os compradores realizarão visitas técnicas às indústrias locais, conhecendo de perto os métodos de produção e práticas sustentáveis adotadas pelas empresas brasileiras.

    A diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, enfatiza a importância das visitas técnicas. “Quando os compradores conhecem o processo produtivo e as práticas sustentáveis, a relação com o negócio se fortalece. Isso melhora a percepção dos produtos e favorece a compra internacional”, afirma Repezza.

    Os compradores vêm de países como África do Sul, Alemanha, Bélgica, França, México, Polônia e Uruguai. Eles estão em busca de fornecedores brasileiros de madeira beneficiada para seus mercados. Essa interação direta permite que compreendam a sustentabilidade da cadeia produtiva e o potencial do mercado local.

    Participante dessa rodada de negócios, como o empresário Siderlei Luiz, veem com otimismo a iniciativa. “Esperamos atender os compradores de forma sustentável, apresentando a nossos potenciais clientes nossos melhores produtos e práticas de produção”, comenta Siderlei, cuja empresa é pioneira no manejo florestal sustentável e certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council).

    Promovendo o Brasil Internacionalmente

    A ApexBrasil tem trabalhado para posicionar o país como referência mundial em práticas de manejo florestal sustentável. O presidente da agência, Jorge Viana, destaca a importância de aproximar o empresariado amazônico dos mercados internacionais e promover produtos de alto valor agregado compatíveis com a floresta.

    Essas iniciativa refletem o compromisso do Brasil em compartilhar suas práticas sustentáveis com o mundo, reforçando a importância da sustentabilidade na produção de madeira processada e abrindo novas oportunidades no comércio exterior.

    Programa Exporta Mais Brasil

    O Exporta Mais Brasil foi lançado pela ApexBrasil com o objetivo de impulsionar as exportações nacionais através de uma abordagem dinâmica com diversos setores econômicos de todas as regiões do Brasil.

    Em 2023, com um investimento de R$5 milhões, o programa realizou diversas rodadas de negócios alcançando um total impressionante de R$275 milhões em negócios e facilitando milhares de reuniões entre nossos empresários e centenas de compradores internacionais.

    Entretanto para 2024, o programa expandirá sua cobertura. Essa iniciativa fortalece as relações comerciais internacionais e promove o crescimento econômico regional e nacional, proporcionando novas oportunidades para o comércio exterior brasileiro.

    Manejo florestal sustentável

    O manejo sustentável, permite a colheita de no máximo 8 árvores por hectare, assegurando que elas estejam maduras e tenham completado sua fase reprodutiva antes do corte. Além disso, essa técnica protege plantas jovens, “porta sementes” e espécies importantes como a castanheira e a seringueira.

    O manejo florestal sustentável é uma estratégia crucial para reduzir queimadas e combater o desmatamento ilegal. Ao garantir que móveis e outros objetos de madeira sejam produzidos legalmente e de forma sustentável, o manejo florestal contribui para a conservação ambiental e promove práticas responsáveis na cadeia produtiva da madeira.

    Perspectivas

    Assim sendo, a realização das rodadas de negócios é uma oportunidade valiosa para mostrar ao mundo que é possível combinar lucratividade com preservação ambiental. Com iniciativas como essa, o Brasil se destaca no cenário internacional, demonstrando o potencial e a importância do manejo florestal sustentável.