Tag: Laranja

  • Safra menor pode reduzir estoques de suco de laranja

    Safra menor pode reduzir estoques de suco de laranja

    A safra 2026/27 de laranja deve somar 255,2 milhões de caixas no cinturão citrícola paulista e mineiro. O volume representa queda de 13% frente à temporada anterior, segundo estimativa divulgada pelo Fundecitrus neste mês. A projeção considera a produção de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro, principais regiões citrícolas do Brasil.

    Segundo pesquisadores do Cepea, a menor oferta brasileira pode reduzir a pressão sobre os estoques globais de suco. Além disso, o cenário pode limitar os excedentes acumulados durante a safra 2025/26. Os analistas destacam, porém, que a recuperação dos preços internacionais dependerá da retomada da demanda global.

    De acordo com o Cepea, o ajuste produtivo sozinho não garante alta das cotações no mercado internacional. Os pesquisadores afirmam que os principais mercados consumidores seguem mais cautelosos nesta temporada.

    O setor também enfrenta um cenário diferente daquele registrado durante a escassez de 2024. Naquele período, a forte restrição de oferta elevou rapidamente os preços internacionais do suco de laranja. Além disso, os estoques globais estavam em níveis extremamente baixos naquele momento.

    Agora, o mercado opera com maior disponibilidade relativa de produto e recomposição parcial dos estoques mundiais. Esse contexto reduz a sensibilidade dos preços internacionais às oscilações da oferta brasileira. Com isso, o mercado tende a reagir de forma mais moderada às perdas produtivas da safra 2026/27.

  • Safra de laranja será quase 13% menor com avanço do greening

    Safra de laranja será quase 13% menor com avanço do greening

    A safra de laranja 2026/27 deve recuar no cinturão citrícola paulista e mineiro. O avanço do greening preocupa os produtores. O Fundo de Defesa da Citricultura, Fundecitrus, estima produção de 255,2 milhões de caixas de 40,8 quilos.

    A projeção integra a primeira Pesquisa de Estimativa de Safra divulgada nesta sexta-feira (8). O volume representa queda de 12,9% frente à safra anterior. Em 2025/26, produtores colheram 292,94 milhões de caixas.

    Queda de frutos no pomar

    Segundo o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, o número de frutos diminuiu nos pomares. De acordo com Ayres, as árvores apresentam 17% menos frutos. Esse fator explica a maior parte da redução produtiva.

    Além disso, o greening segue como principal ameaça da citricultura brasileira. O levantamento aponta que 52% dos pomares adultos apresentam contaminação pela doença. Com isso, o greening reduz o peso das frutas e compromete a produtividade anual.

    Entre as 12 regiões citrícolas analisadas, apenas quatro mantêm o número de frutos. Nessas áreas, os frutos tendem a ser maiores.

    Por outro lado, Porto Ferreira, no interior paulista, deve registrar queda de 26% no total de frutos. Segundo Ayres, os efeitos do greening explicam o forte recuo na região. Além das doenças, o clima também pode alterar a produção final da safra.

    Na temporada passada, a colheita ficou 7% abaixo da estimativa inicial. Ayres afirmou que o clima seco e as altas temperaturas prejudicaram o pós-florecimento dos pomares.

    Árvores produtivas e não produtivas

    O levantamento também identificou crescimento no número de árvores produtivas. Em 2026, o cinturão citrícola soma 184,3 milhões de árvores produtivas. O total cresceu 0,91% frente a 2025.

    Já o número de árvores não produtivas aumentou 6,17%. O volume passou de 26,3 milhões para 28 milhões.

    Segundo Ayres, áreas fora do cinturão citrícola possuem 13 milhões de árvores com menos de três anos. Essas plantas devem entrar no censo do Fundecitrus a partir de 2028. Ele afirmou ainda que a citricultura brasileira expandiu produção além das regiões tradicionais.

  • Dia Mundial do Suco de Laranja: por que o Brasil domina o mercado global do cítrico

    Dia Mundial do Suco de Laranja: por que o Brasil domina o mercado global do cítrico

    No Dia Mundial do Suco de Laranja, celebrado em 4 de maio, o Brasil confirma sua posição de maior produtor e exportador do produto no planeta. O país responde por cerca de 75% do comércio global da bebida, o que significa que três em cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo saem daqui.

    A magnitude desse número vai além das prateleiras dos supermercados. A cadeia citrícola brasileira gera aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos. E movimenta uma rede logística que conecta pomares do interior paulista a consumidores em mais de 100 países.

    O Brasil no topo: uma liderança construída no campo

    O Brasil ocupa o primeiro lugar na produção mundial de laranja há décadas. O estado de São Paulo concentra cerca de 80% da produção nacional, liderado pela região conhecida como Cinturão Citrícola, que vai do sul da capital até o norte do Paraná. Em segundo lugar na produção global aparecem os Estados Unidos, especialmente a Flórida, seguidos por países como México, China e Espanha.

    Internamente, os maiores produtores brasileiros operam integrados a grandes grupos agroindustriais que controlam desde o cultivo até o processamento e a exportação. Entre as empresas de maior destaque no setor está a Citrosuco, com sede em Brasil e operações nas Américas, Europa, Ásia e Oceania, posicionada como uma das maiores produtoras de suco e ingredientes cítricos do planeta.

    Inovação, mercados emergentes e o novo perfil do consumidor

    Além dos mercados tradicionais da Europa e dos Estados Unidos, a demanda por suco de laranja cresce em países emergentes. Esse movimento impulsiona investimentos em inovação, tecnologia e logística por parte das empresas do setor.

    A Citrosuco exemplifica essa tendência. O portfólio da empresa vai muito além do suco convencional e inclui NFC (not from concentrate), óleos essenciais, d-limoneno, fibras e ingredientes de alto valor agregado desenvolvidos pela Evera, braço de inovação da companhia. O processo industrial garante o aproveitamento integral de cada laranja, da casca à polpa.

    Sustentabilidade como diferencial competitivo

    A data também coloca em evidência o compromisso do setor com a produção responsável. A Citrosuco estabeleceu metas socioambientais ambiciosas, avança em agricultura regenerativa e lidera iniciativas de eficiência energética. A empresa foi a primeira do agronegócio a gerar, emitir e comercializar soluções climáticas, um marco no setor.

    Esse movimento reflete uma transformação mais ampla na citricultura brasileira, que busca equilibrar escala produtiva com critérios rigorosos de saúde, segurança e impacto ambiental.

    Com projeção global consolidada e demanda crescente em novos mercados, a citricultura brasileira entra no Dia Mundial do Suco de Laranja com perspectivas positivas. O desafio agora está em manter a liderança por meio de práticas cada vez mais sustentáveis, eficientes e alinhadas ao que o consumidor global busca: alimentos naturais, rastreáveis e produzidos com responsabilidade.

  • Safra de laranja 2026/27 avança com incertezas

    Safra de laranja 2026/27 avança com incertezas

    A safra brasileira de laranja 2026/27 se aproxima com dúvidas sobre contratos e preços. A produção ocorre no cinturão de São Paulo e no Triângulo Mineiro.

    Segundo o Cepea, o mercado ainda não sinaliza contratos exclusivos para a nova temporada. Além disso, o setor mantém cautela diante das indefinições sobre volumes e valores negociados.

    A exemplo do ciclo anterior, a safra deve apresentar perfil mais tardio. Nesse cenário, a produção pode se concentrar na segunda florada. Os pesquisadores indicam que o mercado deve definir preços e volumes apenas em 8 de maio. A data coincide com a divulgação do levantamento do Fundecitrus.

    Em termos gerais, o Cepea projeta uma safra ligeiramente menor que a anterior. Ainda assim, o volume total deve permanecer elevado. Por outro lado, o cenário preocupa agentes do setor. O mercado enfrenta dificuldades no escoamento de suco e nos embarques brasileiros.

    Além disso, a safra 2025/26 pode terminar com estoques elevados e suco de boa qualidade. Com isso, a indústria pode limitar a absorção da nova produção. O setor inicia o novo ciclo sem clareza sobre preços e demanda externa. A Europa ainda não comprou os volumes tradicionais até o momento.

  • Exportações de suco de laranja têm queda de quase 30% na receita

    Exportações de suco de laranja têm queda de quase 30% na receita

    A receita das exportações brasileiras de suco de laranja caiu 27,1% na safra 2025/26. O volume embarcado permaneceu estável entre julho de 2025 e março de 2026. Esse desempenho reflete a queda dos preços internacionais nesta temporada, segundo dados da Secex.

    Além disso, o cenário externo mais pressionado limita o faturamento do setor citrícola brasileiro. Por outro lado, os embarques para os Estados Unidos sustentam a estabilidade no volume exportado. Ainda assim, esse avanço não compensa a queda na receita total das exportações.

    Mesmo com maior volume enviado aos norte-americanos, o faturamento caiu 16,4% na safra. Esse resultado reforça a pressão dos preços internacionais sobre o suco de laranja brasileiro.

    Enquanto isso, os embarques para a União Europeia seguem como preocupação para o setor. Em março, o Brasil exportou 36,9 mil toneladas ao bloco europeu. O volume avançou 49,3% frente a fevereiro, quando somou 24,89 mil toneladas.

    No entanto, esse ritmo ainda não garante o mesmo escoamento da safra anterior.Assim, o total exportado pode ficar abaixo do registrado em 2024/25.

    Por outro lado, pesquisadores do Cepea apontam fatores positivos para o mercado. Os estoques atuais têm melhor qualidade em relação à temporada passada. Além disso, os preços mais baixos podem estimular novas compras internacionais.

    Ao mesmo tempo, os estoques europeus parecem mais limitados neste momento. Com isso, o setor espera uma retomada das importações da União Europeia nos próximos meses.

  • O país que domina o suco de laranja enfrenta um problema silencioso

    O país que domina o suco de laranja enfrenta um problema silencioso

    O Brasil consolidou sua posição como o maior produtor de laranja do mundo e líder absoluto na exportação de suco da fruta. Atualmente, o país responde por cerca de 34% a 35% da produção global e concentra até 80% do comércio internacional de suco de laranja.

    Esse protagonismo transforma a citricultura em um dos pilares do agronegócio nacional. Ao todo, o setor movimenta aproximadamente US$ 14 bilhões por ano e gera cerca de US$ 2 bilhões em exportações.

    Além disso, a produção brasileira abastece mercados estratégicos, como Estados Unidos e União Europeia, que concentram a maior parte da demanda internacional.

    Cinturão citrícola concentra força produtiva

    A produção de laranja no Brasil se concentra principalmente no chamado cinturão citrícola, que abrange o estado de São Paulo e o Triângulo Mineiro.

    São Paulo, sozinho, responde por cerca de 74,6% da produção nacional. A região reúne condições climáticas favoráveis, tecnologia avançada e alta produtividade.

    Na safra 2025/26, a produtividade média estimada chega a 808 caixas por hectare, com destaque para regiões como o sudoeste paulista, onde os índices são ainda mais elevados.

    Exportações impulsionam o setor

    Grande parte da produção brasileira não vai diretamente para o consumo in natura.

    Mais de 90% das laranjas colhidas no país são destinadas à indústria de suco. Esse produto segue principalmente para o mercado externo, consolidando o Brasil como peça-chave no abastecimento global.

    Em 2026, por exemplo, a demanda da União Europeia voltou a crescer, com alta expressiva nas importações. Esse movimento ajudou a sustentar o desempenho do setor mesmo diante de desafios internos.

    Greening avança e acende alerta no campo

    Apesar da liderança global, o setor enfrenta uma ameaça crescente: o avanço do greening, considerada a doença mais destrutiva da citricultura mundial.

    Sem cura conhecida, a praga já atinge cerca de 48% dos pomares no cinturão citrícola. Esse cenário compromete a produtividade e eleva os custos de produção.

    Outro fator que desafia o setor é o clima. Eventos como secas prolongadas e ondas de calor têm impactado diretamente a produção. A safra 2024/25, por exemplo, foi uma das menores das últimas décadas, refletindo condições climáticas adversas.

    Embora haja recuperação prevista para 2025/26, o cenário ainda exige atenção. A irregularidade das chuvas continua sendo um dos principais riscos para a produtividade.

    Custos sobem, mas Brasil segue competitivo

    Mesmo com aumento nos custos, especialmente com mão de obra e manejo, o Brasil mantém vantagem competitiva no mercado global.

    A produtividade nacional ainda supera a de concorrentes importantes, como os Estados Unidos. Isso garante ao país uma posição estratégica no comércio internacional.

    Além disso, o setor segue investindo em tecnologia para manter eficiência e reduzir perdas.

    Um gigante sob pressão

    O Brasil segue como potência global da laranja. No entanto, o cenário atual mostra que essa liderança não está garantida sem desafios.

    Entre oportunidades e ameaças, o setor vive um momento decisivo. A capacidade de adaptação será determinante para manter o país no topo da citricultura mundial.

  • Milho, soja e café devem impulsionar safra 2025/26 em São Paulo

    Milho, soja e café devem impulsionar safra 2025/26 em São Paulo

    O otimismo marca a abertura da safra 2025/26 no Estado de São Paulo. Segundo o novo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), divulgado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, as principais culturas de grãos e o café devem puxar o crescimento da produção paulista, enquanto a laranja e a cana-de-açúcar ainda enfrentam retração de área e produtividade limitada.

    O milho de primeira safra desponta como o principal destaque. A produção esperada é de 2,01 milhões de toneladas, alta de 38% em relação ao ciclo anterior. O avanço reflete tanto a expansão de 23,1% da área plantada quanto o aumento de 12,2% na produtividade, que deve alcançar 7.469 kg/ha. Cinco regiões estratégicas concentram 58,6% do total produzido no estado.

    A soja segue o mesmo ritmo positivo. A estimativa aponta para 4,57 milhões de toneladas, crescimento de 11% frente à safra passada. A produtividade média deve atingir 3.663 kg/ha, considerada recorde. A região de Itapeva lidera a produção, com quase 19% do total estadual, seguida por Assis e Ourinhos. Juntas, essas três regiões respondem por 39,7% do volume produzido em São Paulo.

    Café mantém protagonismo e aumenta produtividade

    O levantamento também projeta avanço no setor cafeeiro, com colheita estimada em 4,7 milhões de sacas de 60 kg. Apesar da redução de 0,9% na área cultivada, a produtividade deve subir 5,7%. A regional de Franca mantém a liderança e deve responder por mais de 57% da produção estadual, com cerca de 2 milhões de sacas.

    Em seguida aparecem São João da Boa Vista, com 1,1 milhão de sacas (23,6%), e Ourinhos, que supera Marília pela primeira vez e assume a terceira posição no ranking paulista.

    Laranja e cana recuam na safra 2024/25

    Os números consolidados da safra 2024/25 mostram dificuldades para a citricultura e a cana-de-açúcar. A produção de laranja fechou em 268,7 milhões de caixas, alta de 2,8% na produtividade (30.965 kg/ha), mas com redução de 9,5% da área cultivada. O recuo está ligado ao avanço do greening, doença que ameaça pomares em todo o mundo, e às variações climáticas registradas durante o ciclo.

    Já a cana-de-açúcar destinada à indústria fechou o período com 390,9 milhões de toneladas, queda de 4,6% ante a safra anterior. A área total recuou 4,8%, para 5,5 milhões de hectares, enquanto a produtividade, de 78.057 kg/ha, cresceu levemente 0,5%. As regionais de São José do Rio Preto (8,2%), Barretos (7,2%) e Ribeirão Preto (6,8%) concentram 22,2% da produção estadual.

    Como o levantamento foi realizado

    O levantamento do IEA-APTA contou com a participação das Casas de Agricultura dos 645 municípios paulistas, entre novembro e dezembro de 2025. O estudo reúne as culturas de maior relevância econômica e avalia o comportamento da área plantada, produtividade e volume produzido. O instituto divulga cinco relatórios anuais com previsões e estimativas sobre a agricultura paulista.

  • Safra de laranja 2025/26 entra na fase final

    Safra de laranja 2025/26 entra na fase final

    A safra de laranja 2025/26 avança para a fase final no cinturão citrícola paulista e no Triângulo Mineiro. Os produtores concentram as atividades nas variedades tardias, mas enfrentam volume reduzido no campo. Além disso, agentes consultados pelo Cepea relatam ritmo mais lento na colheita.

    Com menor oferta, muitas indústrias passaram a operar de forma gradual ao longo de fevereiro. Por outro lado, entre as unidades ainda ativas, apenas uma recebe os últimos contratos. Essa indústria também processa os volumes próprios de laranja que restam nesta temporada.

    O último levantamento do Fundecitrus indicou apenas 13% do volume estimado ainda no campo.
    O dado considera o total projetado para a safra 2025/26. No entanto, o relatório foi divulgado no fim de janeiro.

    Diante do avanço da colheita, o índice deve cair para menos de 5% neste fim de fevereiro. Assim, o encerramento da moagem ocorre de forma escalonada nas indústrias do cinturão citrícola. A retomada do processamento deve acontecer entre abril e maio. Nesse período, as indústrias receberão frutas temporãs e iniciarão o processamento das variedades precoces da safra 2026/27.

     

  • Além dos grãos: maiores fazendas de frutas do mundo estão no Brasil

    Além dos grãos: maiores fazendas de frutas do mundo estão no Brasil

    O mercado conhece o Brasil como potência em grãos, carne e commodities tradicionais. Poucos sabem que o país lidera outro segmento com números ainda mais impressionantes: a fruticultura. O território brasileiro concentra as maiores fazendas de frutas do planeta, operações que colhem milhões de unidades mensalmente e abastecem os cinco continentes.

    Levantamentos setoriais do agronegócio e dados de empresas líderes comprovam: o Brasil não apenas produz em grande escala – define padrões globais de eficiência, tecnologia e logística agrícola.

    Citrosuco domina 25% do suco de laranja consumido no mundo

    A citricultura brasileira não tem rival. O país abriga a maior operação de laranja do mundo, um sistema integrado que une produção agrícola, processamento industrial e distribuição internacional. A Citrosuco comanda esse domínio: a empresa responde por 25% de todo o suco de laranja consumido globalmente e detém quase 50% da produção nacional.

    A companhia opera 25 fazendas de laranja em São Paulo e Minas Gerais. Essas propriedades somam mais de 80 mil hectares de pomares, número que cresce quando a empresa contabiliza os produtores parceiros que abastecem suas três grandes unidades industriais.

    A logística impressiona tanto quanto os números de produção. A Citrosuco mantém terminais portuários próprios no Brasil, Estados Unidos, Bélgica, Japão e Austrália. A empresa também opera uma frota exclusiva de seis navios desenvolvidos especificamente para transportar suco de laranja a granel.

    Cada laranjeira nas fazendas possui identificador individual. Drones, sensores e sistemas digitais monitoram pragas, nutrição e produtividade planta a planta. Esse controle transformou a empresa na primeira operação de citricultura totalmente digital do mundo. Inteligência artificial auxilia decisões de manejo, reduz custos e mitiga impactos ambientais – agricultura de escala global com precisão cirúrgica.

    Só Coco colhe 1 milhão de cocos por dia na maior fazenda do mundo

    Do litoral à Amazônia, o Brasil também lidera a produção de coco. A Só Coco, fundada no fim dos anos 1970 em Moju (PA), a 100 quilômetros de Belém, administra a maior fazenda de coco do planeta.

    Foto: Divulgação – Mapa

    A empresa gerencia aproximadamente 20 mil hectares. Desse total, 6 mil hectares abrigam coqueiros, mais de 15,5 milhões de árvores em produção. Outros 14 mil hectares destinam-se exclusivamente à preservação ambiental, um dos maiores exemplos brasileiros de equilíbrio entre produção em larga escala e conservação.

    Em períodos de pico, a colheita ultrapassa 1 milhão de cocos diários. A empresa utiliza variedades híbridas, que cruzam coqueiros gigantes e anões. Enquanto um coqueiro tradicional produz entre 40 e 120 frutos anuais, os híbridos da Só Coco alcançam até 220 frutos por planta. Essas variedades também entram em produção mais cedo e atendem tanto ao mercado de água de coco quanto ao de coco seco.

    O modelo se espalhou nacionalmente. Atualmente, cerca de 70% da área cultivada com coco no Brasil utiliza variedades híbridas semelhantes às adotadas pela Só Coco. Um novo padrão produtivo nacional.

    Shutz Agroambiental implanta maior fazenda de açaí do mundo no Amapá

    O açaí representa outro capítulo dessa liderança. Tradicionalmente consumido por povos indígenas, o fruto amazônico conquistou mercados na Europa, América do Norte e Ásia. Empresas como a Açaí Amazonas cultivam açaizais irrigados em áreas antes degradadas, recuperam solos improdutivos e os transformam em sistemas agrícolas eficientes e exportadores.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O projeto mais ambicioso do setor pertence à Shutz Agroambiental. A empresa implanta no Amapá o que promete ser a maior fazenda de açaí do mundo. O empreendimento ocupa milhares de hectares em região com índices pluviométricos superiores a 4.000 mm anuais, o que permite cultivo sem irrigação artificial.

    Atualmente, a fazenda conta com mais de 2 milhões de palmeiras de açaí plantadas em aproximadamente 2.730 hectares. O modelo consolida produção sustentável, de baixo impacto e altamente competitiva no mercado internacional.

    Fazenda Jabuticabal reúne 42 mil pés da fruta símbolo do Brasil

    A jabuticaba, fruta-símbolo brasileira, também brilha nos recordes mundiais. A maior plantação de jabuticaba do planeta fica em Goiás, a poucos quilômetros de Goiânia. A história da Fazenda Jabuticabal começou em 1947, quando Antônio Batista da Silva, então pedreiro e feirante, plantou as primeiras mudas ao observar o crescimento urbano da capital goiana.

    Foto: Jabuticaba – Embrapa/Neide Makiko Furukawa

    Décadas depois, a iniciativa familiar tornou-se gigante agrícola. Hoje, a fazenda abriga mais de 42 mil pés de jabuticaba distribuídos em 130 hectares. Muitas árvores descendem diretamente das plantadas nos anos 1940. Durante a safra, entre setembro e outubro, o local vira polo de turismo rural e recebe visitantes que colhem e consomem a fruta diretamente do pé.

    Com o aumento da produção, a família passou a industrializar o excedente. Atualmente, a fazenda produz geleias, doces, sorvetes, cachaças, cappuccinos e até molhos para churrasco – todos derivados da jabuticaba. A diversificação agrega valor e amplia a cadeia econômica da fruta.

    Brasil se consolida como maior laboratório de fruticultura global

    Laranja, coco, açaí e jabuticaba demonstram: o Brasil não é apenas grande produtor agrícola, é o maior laboratório de fruticultura em escala global. A combinação de áreas gigantescas, tecnologia digital, logística internacional e modelos sustentáveis coloca o país no centro da produção mundial de frutas.

    Mais do que números impressionantes, essas fazendas revelam um agronegócio que une tradição, inovação e responsabilidade ambiental. Uma questão permanece: o Brasil já reconhece o tamanho do poder estratégico que detém ao dominar a maior produção de frutas do planeta?

  • Colheita de laranja 2025/26 entra na reta final

    Colheita de laranja 2025/26 entra na reta final

    A colheita de laranja da safra 2025/26 avança e se aproxima do encerramento. O Fundecitrus divulgou nova estimativa nesta semana e manteve projeção próxima à anterior, publicada em dezembro de 2025.

    O cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro deve colher 292,6 milhões de caixas. Cada caixa pesa 40,8 quilos, conforme dados do levantamento oficial. A nova projeção aponta leve recuo de 0,7% frente ao relatório anterior.  Por outro lado, o volume estimado supera em 26,7% a safra 2024/25.

    O ajuste negativo reflete mudanças nas estimativas das variedades tardias. Entre elas, destacam-se valência, folha murcha e natal. Enquanto a safra 2025/26 entra na fase final, o mercado já observa a próxima temporada.

    Os agentes consultados pelo Cepea voltam a atenção ao desenvolvimento da safra 2026/27.
    O clima recente pode favorecer as lavouras neste momento do ciclo. Dezembro registrou temperaturas mais elevadas em boa parte das regiões produtoras. Em seguida, janeiro teve aumento das chuvas após a metade do mês. Além disso, fevereiro apresentou alto índice pluviométrico em diversas áreas. Mesmo assim, produtores e analistas ainda enfrentam incertezas sobre o potencial produtivo.

    As regiões exibem grande variação nas condições de carga e no desenvolvimento das plantas. Por fim, meteorologistas preveem meses mais quentes adiante. Caso o calor se intensifique, ele poderá prejudicar novamente as condições das árvores.