Tag: Laranja

  • Greening avança e acende alerta para resistência do psilídeo nos citros

    Greening avança e acende alerta para resistência do psilídeo nos citros

    A expansão do greening nos pomares brasileiros reforça a necessidade de aprimorar o controle do psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão das bactérias associadas à doença. Ao mesmo tempo, pesquisas identificam redução da suscetibilidade do vetor a diferentes grupos de inseticidas, o que limita as alternativas disponíveis aos citricultores.

    Divulgação: Ihara

    Levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) mostra que a incidência de laranjeiras com sintomas de greening no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais subiu de 44,35%, em 2024, para 47,63%, em 2025. O avanço representa alta de 7,4% e corresponde a quase 100 milhões de árvores afetadas na principal região produtora de citros do país.

    Sem tratamento curativo, o greening reduz a produtividade, encurta a vida útil das plantas e compromete a qualidade dos frutos. Como consequência, a doença aumenta os custos de produção e pressiona a rentabilidade dos citricultores.

    Rotação de inseticidas é essencial

    Diante desse cenário, o manejo da resistência passou a ocupar posição central nos programas fitossanitários. As recomendações do Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC) indicam a rotação entre diferentes modos de ação como uma das principais estratégias para preservar a eficiência dos produtos e reduzir a pressão de seleção sobre as populações do psilídeo.

    O uso repetido de inseticidas com o mesmo mecanismo de ação favorece a sobrevivência e a multiplicação de indivíduos resistentes. Por isso, os especialistas recomendam evitar aplicações sequenciais de produtos pertencentes ao mesmo grupo químico.

    Pesquisas do Fundecitrus em parceria com o Laboratório de Resistência de Artrópodes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) já identificaram resistência do psilídeo a piretroides e neonicotinoides em algumas microrregiões do cinturão citrícola. Estudos posteriores também confirmaram o início da resistência à malationa, ingrediente ativo do grupo dos organofosforados.

    Segundo as orientações técnicas divulgadas pelo Fundecitrus, o produtor deve reavaliar o uso desses grupos quando observar falhas de controle e adotar alternativas dentro de um programa de rotação. A recomendação inclui trabalhar com diferentes grupos químicos e evitar a repetição de mecanismos de ação em aplicações consecutivas.

    Manejo integrado reduz riscos

    A rotação de inseticidas, no entanto, não deve ocorrer de forma isolada. O IRAC recomenda combinar o Manejo Integrado de Pragas (MIP) com o Manejo de Resistência a Inseticidas (MRI).

    Entre as principais medidas estão:

    • Utilizar mudas certificadas e produzidas em viveiros protegidos.
    • Monitorar regularmente a presença de psilídeos nos pomares.
    • Aplicar inseticidas conforme a necessidade e as orientações técnicas.
    • Eliminar plantas hospedeiras e reduzir fontes de inóculo próximas à propriedade.
    • Controlar as populações adultas do inseto, principalmente em períodos estratégicos.
    • Alternar aplicações no solo com pulverizações foliares de diferentes modos de ação.
    • Preservar agentes de controle biológico e reduzir o risco de surtos de pragas secundárias.

    A adoção conjunta dessas práticas ajuda a reduzir a população do vetor, diminui a disseminação do greening e prolonga a vida útil das tecnologias disponíveis.

    Novas tecnologias ampliam alternativas

    A evolução da resistência torna necessária a diversificação dos programas de controle. Produtos com diferentes mecanismos de ação permitem ao citricultor estruturar estratégias mais flexíveis e reduzir a dependência de um único grupo de inseticidas.

    “O manejo da resistência deixou de ser uma preocupação futura e passou a ser uma necessidade imediata para a sustentabilidade da citricultura. A incorporação de novas tecnologias registradas para o controle do psilídeo aos programas fitossanitários amplia as alternativas disponíveis aos citricultores ao longo das safras”, afirma o engenheiro agrônomo de Desenvolvimento de Mercado da IHARA, Silvio Marcussi.

    Para o especialista, a integração entre as ferramentas disponíveis será decisiva para enfrentar o avanço da doença.

    “Fortalecer o controle do psilídeo, tendo a rotação entre diferentes modos de ação como um dos pilares, contribui para retardar a evolução da resistência aos inseticidas e preservar a vida útil das moléculas disponíveis”, finaliza Marcussi.

  • Exportações de suco de laranja têm melhor julho em três anos

    Exportações de suco de laranja têm melhor julho em três anos

    As exportações brasileiras de suco de laranja cresceram em julho e alcançaram o melhor resultado para o mês desde 2023. O desempenho ganha relevância porque a demanda global continua enfraquecida, segundo análise do Cepea.

    No primeiro mês da temporada 2026/27, o Brasil exportou 75,2 mil toneladas de suco de laranja. O volume considera o equivalente concentrado e representa alta de 7,3% sobre julho de 2025. Segundo dados da Secex analisados pelo Cepea, o resultado reforça o desempenho do setor exportador brasileiro.

    Maior disponibilidade de frutas favorece embarques

    Em julho de 2025, a safra 2025/26 ainda estava no início e tinha pouca fruta disponível. Além disso, a colheita mais tardia reduziu a oferta de matéria-prima para processamento naquele período. Agora, o cenário mudou com a recomposição dos estoques de suco.

    A indústria também conta com maior disponibilidade de frutas de boa qualidade para processamento. Com isso, as empresas conseguem ampliar os embarques, mesmo diante da demanda internacional enfraquecida. O resultado, portanto, representa um início positivo para as exportações brasileiras na temporada 2026/27.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão 

  • Preços da laranja caem; tahiti sobe na entressafra

    Preços da laranja caem; tahiti sobe na entressafra

    O aumento da oferta de laranja de mesa pressiona os preços no mercado paulista. Ao mesmo tempo, a menor disponibilidade da lima ácida tahiti sustenta a alta das cotações. As informações são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

    A diferença na oferta entre as regiões produtoras de São Paulo explica os movimentos opostos nos preços das frutas cítricas. Enquanto a laranja registra queda nas cotações, a tahiti avança devido à oferta restrita.

    Agentes consultados pelo Cepea afirmam que a qualidade das laranjas de mesa, principalmente as de meia estação, segue boa. Além disso, essas frutas se aproximam do período de safra. No entanto, o avanço da maturação em algumas regiões reduz o poder de negociação dos produtores neste início de temporada. Por isso, os preços da fruta seguem pressionados.

    Tahiti

    Já a lima ácida tahiti apresenta qualidade elevada, mas enfrenta menor oferta por causa da entressafra. Dessa forma, a disponibilidade limitada mantém as cotações em alta. Além disso, pesquisadores do Cepea projetam uma produção menor na próxima safra, que começa após setembro.

    A expectativa envolve, principalmente, as regiões centro-oeste e norte de São Paulo. Essa previsão considera as induções realizadas no início do ano. Na ocasião, o clima chuvoso dificultou o processo e comprometeu o florescimento esperado, mesmo após a desfolha química.

  • Por que o Brasil exporta suco de laranja, mas quase não vende a fruta?

    Por que o Brasil exporta suco de laranja, mas quase não vende a fruta?

    O Brasil é líder mundial na produção e exportação de suco de laranja. Ainda assim, praticamente deixou de vender laranja de mesa para o exterior e, atualmente, chega a importar a fruta, principalmente do Egito.

    À primeira vista, a situação parece contraditória. No entanto, ela é resultado de decisões tomadas pelo setor citrícola ao longo de décadas e das mudanças no comportamento dos consumidores ao redor do mundo.

    O Brasil apostou no suco de laranja

    Durante muitos anos, a citricultura brasileira direcionou seus investimentos para abastecer a indústria de suco, segmento em que o país se tornou referência mundial.

    Hoje, aproximadamente 70% da produção nacional de laranja é destinada ao processamento industrial, enquanto apenas 30% abastece o mercado de fruta fresca.

    Essa estratégia trouxe resultados econômicos importantes, mas deixou o Brasil em segundo plano em um mercado que cresceu nos últimos anos: o da laranja de mesa.

    Segundo o presidente da CitrusBR, Ibiapaba Netto, o comércio internacional de frutas frescas movimenta cerca de 300 milhões de caixas por ano e continua em expansão.

    O problema não é falta de demanda. O mercado mudou, mas o Brasil permaneceu focado na indústria do suco”, resume.

    O mercado passou a preferir frutas frescas

    Enquanto o Brasil consolidava sua liderança no suco, consumidores de diversos países começaram a buscar frutas prontas para consumo.

    Ganharam espaço variedades que apresentam características como:

    • sabor mais doce;
    • ausência de sementes;
    • facilidade para descascar;
    • aparência mais uniforme;
    • maior valor agregado.

    Além das laranjas premium, mandarinas e tangerinas sem sementes passaram a ocupar um espaço cada vez maior nas prateleiras internacionais.

    Segundo a Associação Brasileira de Citros de Mesa (ABCM), diversos países investiram em novas variedades protegidas por royalties e desenvolvidas especificamente para esse mercado.

    O Brasil, por outro lado, continuou concentrado em cultivares voltadas para a indústria e para o consumo interno.

    Como o Egito virou um dos maiores exportadores de laranja

    O principal concorrente brasileiro nesse segmento é o Egito.

    Há cerca de duas décadas, o país tinha participação limitada nas exportações de laranja fresca. Hoje figura entre os maiores exportadores mundiais graças à combinação de fatores como:

    • clima favorável;
    • menor custo de produção;
    • incentivos governamentais;
    • abertura de novos mercados;
    • acordos fitossanitários.

    Enquanto isso, o Brasil enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, logística, infraestrutura portuária e crédito, fatores que reduzem sua competitividade na exportação da fruta in natura.

    Brasil passou de exportador a importador

    Os números mostram claramente essa mudança.

    Segundo a ABCM:

    • em 2010, o Brasil exportou cerca de 835 mil caixas de laranja de mesa;
    • para 2026, a previsão é de apenas 140 mil caixas exportadas;
    • no mesmo período, as importações devem atingir aproximadamente 1,3 milhão de caixas, principalmente vindas do Egito.

    Os dados mostram que o país perdeu espaço justamente em um mercado que continua crescendo no comércio internacional.

    Greening cria oportunidades, mas ainda não resolve o problema

    Outro fator que influencia a citricultura é o avanço do greening, considerada a principal doença dos citros no mundo.

    Por causa dela, regiões como Petrolina, no Vale do São Francisco, passaram a atrair novos investimentos por estarem fora da área mais afetada pela doença.

    Mesmo assim, especialistas afirmam que isso não garante competitividade internacional.

    Em áreas mais quentes, por exemplo, a casca da laranja tende a permanecer mais verde, enquanto compradores europeus preferem frutos com coloração alaranjada intensa.

    O desafio da citricultura brasileira

    O Brasil continua sendo uma potência mundial no mercado de suco de laranja. No entanto, recuperar espaço na exportação de fruta fresca exigirá investimentos em novas variedades, acordos comerciais, melhorias logísticas e estratégias voltadas às preferências do consumidor internacional.

    Sem essas mudanças, países como o Egito devem continuar ampliando sua participação em um mercado que cresce ano após ano.

  • Exportações de suco crescem, mas receita recua na safra

    Exportações de suco crescem, mas receita recua na safra

    As exportações brasileiras de suco de laranja cresceram na safra 2025/26. No entanto, a receita obtida com as vendas externas diminuiu.

    Segundo dados da Secex, o Brasil embarcou 806,7 mil toneladas de suco de laranja. O volume considera os produtos concentrado e fresco. Além disso, o total exportado ficou 4% acima do registrado na safra anterior, entre julho de 2025 e junho de 2026.

    Por outro lado, a receita das exportações caiu 27,3% no mesmo período. O faturamento recuou de US$ 3,48 bilhões para US$ 2,53 bilhões. De acordo com pesquisadores do Cepea, a queda ocorreu, principalmente, pela acomodação dos preços internacionais. Os valores haviam atingido níveis elevados na safra anterior.

    Mercado internacional opera com preços mais baixos

    Ainda segundo o Cepea, o encerramento da temporada mostra um cenário diferente dos últimos dois anos. O aumento das exportações para os Estados Unidos e a União Europeia indica maior demanda por NFC.

    Ao mesmo tempo, a forte redução da receita confirma um mercado internacional com preços mais baixos. Segundo os pesquisadores, esse movimento reflete a gradual normalização da oferta global de suco de laranja.

  • Dia Mundial da Fruta: conheça as mais consumidas no Brasil

    Dia Mundial da Fruta: conheça as mais consumidas no Brasil

    Celebrado em 1º de julho, o Dia Mundial da Fruta chama a atenção para a importância do consumo desses alimentos na promoção da saúde e da qualidade de vida. A data foi criada em 2007, na Alemanha, em parceria com instituições de saúde, com o objetivo de incentivar hábitos alimentares mais saudáveis e ampliar o consumo diário de frutas.

    Além de fazer parte de uma alimentação equilibrada, as frutas ocupam um papel estratégico na agricultura brasileira. O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de frutas tropicais do mundo, com destaque para culturas como manga, banana, mamão, melão e uva.

    Frutas são aliadas da saúde

    Ricas em água, fibras, vitaminas e minerais, as frutas contribuem para o bom funcionamento do organismo e ajudam na prevenção de diversas doenças.

    Entre os principais benefícios estão o fortalecimento do sistema imunológico, melhora da digestão, auxílio na hidratação do organismo e redução do risco de doenças cardiovasculares.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é consumir pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais por dia, quantidade equivalente a aproximadamente cinco porções.

    As frutas mais consumidas no Brasil

    A banana lidera o ranking mundial de consumo e também figura entre as preferidas dos brasileiros.

    O sucesso da fruta está relacionado à praticidade, ao alto valor energético, ao preço acessível e à disponibilidade durante praticamente todo o ano.

    Na sequência aparecem as frutas cítricas, especialmente laranja e limão, seguidas por maçãs e uvas.

    Essas frutas conquistaram espaço no mercado mundial por aliarem valor nutricional, facilidade de transporte e longa conservação após a colheita.

    Por que essas frutas lideram o consumo?

    Cada uma delas reúne características que favorecem sua produção e comercialização em larga escala.

    Banana

    • Rica em potássio e carboidratos;
    • Fonte rápida de energia;
    • Cultivada em mais de 130 países;
    • Disponível durante praticamente todo o ano.

    Laranja e limão

    • Fontes importantes de vitamina C;
    • Muito utilizados na produção de sucos;
    • Casca resistente facilita o transporte e armazenamento.

    Maçãs e uvas

    • Possuem excelente vida útil pós-colheita;
    • São consumidas frescas e também processadas;
    • Dão origem a produtos como vinhos, geleias, doces e passas.

    Brasil tem papel de destaque na fruticultura

    Além de abastecer o mercado interno, o Brasil é um dos principais produtores de frutas tropicais do planeta.

    A manga está entre os produtos agrícolas brasileiros de maior destaque nas exportações, chegando a diversos mercados internacionais graças à qualidade da produção nacional.

    O clima favorável e a diversidade de regiões produtoras permitem que o país cultive uma ampla variedade de frutas ao longo do ano, fortalecendo o agronegócio e gerando empregos em diferentes estados.

  • Indústria prioriza qualidade na compra de laranja

    Indústria prioriza qualidade na compra de laranja

    As negociações da safra 2026/27 de laranja para a indústria avançam de forma gradual. No entanto, o ritmo de contratação segue lento. Segundo o Cepea, muitas indústrias ainda priorizam o processamento de frutas próprias. Além disso, algumas empresas já recebem frutas de terceiros por contratos renegociados.

    O Centro de Pesquisas informa que a qualidade e o rendimento industrial condicionam o avanço das negociações. Por isso, as compras ainda ocorrem de forma seletiva. Como grande parte dos pomares não atingiu a maturação ideal, as indústrias concentram aquisições em frutas de meia estação. Essas frutas vêm, principalmente, das regiões mais adiantadas do norte de São Paulo e do Triângulo Mineiro.

    Preferências das processadoras

    Enquanto isso, o percentual de variedades precoces aumenta no campo. Mesmo assim, agentes consultados pelo Cepea relatam preferência das processadoras por frutas de meia estação. As indústrias buscam pomares com estágio mais avançado de desenvolvimento. Dessa forma, tentam garantir melhor qualidade para o processamento.

    Fontes do setor também apontam qualidade abaixo do esperado em áreas fora do cinturão citrícola paulista e do Triângulo Mineiro. O cenário aparece com maior intensidade no Paraná. Como resultado, o potencial de valorização das frutas produzidas no estado paranaense pode ficar limitado neste início de temporada.

    Por outro lado, o Cepea destaca uma retomada gradual das atividades industriais. Com isso, a expectativa é de aumento do número de unidades em operação durante julho.

  • Tecnologia sustenta produtividade da citricultura diante do clima

    Tecnologia sustenta produtividade da citricultura diante do clima

    A busca por maior produtividade e qualidade tem levado os citricultores a ampliar o uso de tecnologias nutricionais nos pomares. Além disso, a necessidade de enfrentar períodos de estiagem, altas temperaturas e outros eventos climáticos extremos reforça a adoção de ferramentas que aumentam a eficiência do manejo e a resistência das plantas.

    O tema ganha relevância em um momento de desafios para a produção agrícola. Por isso, soluções como fertirrigação, bioinsumos e programas de nutrição balanceada passaram a ocupar espaço estratégico na citricultura brasileira.

    Segundo Bruno Dittrich, especialista agronômico da Yara Brasil, a produtividade dos pomares depende diretamente do fornecimento adequado de nutrientes ao longo de todo o ciclo produtivo.

    “Para obter maior produtividade e qualidade das frutas cítricas é preciso investir em uma combinação equilibrada de nutrientes. O produtor precisa trabalhar com soluções específicas para cada etapa de desenvolvimento da planta, desde o manejo do solo e desenvolvimento radicular até o enchimento final dos frutos”, afirma.

    De acordo com a empresa, programas nutricionais voltados especificamente para a cultura dos citros apresentam resultados expressivos quando o produtor adota um manejo técnico e integrado. Em áreas acompanhadas pela companhia, técnicos registraram ganhos médios de até 110 caixas por hectare.

    Brasil mantém liderança mundial

    O Brasil ocupa posição de destaque no mercado internacional de citros. Atualmente, o país responde por cerca de 30% da produção mundial de laranjas. Além disso, lidera as exportações globais de suco de laranja, concentrando aproximadamente 85% do comércio mundial do produto.

    Esse protagonismo resulta de décadas de investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Ao mesmo tempo, a integração entre produtores, empresas e instituições de pesquisa fortalece a competitividade do setor.

    Para especialistas, a manutenção dessa liderança depende da adoção contínua de tecnologias capazes de elevar a produtividade e melhorar a qualidade dos frutos. Dessa forma, a cadeia produtiva consegue atender às exigências dos mercados nacional e internacional.

    Clima exige manejo mais eficiente

    As mudanças climáticas também influenciam as decisões dentro das propriedades rurais. Ondas de calor, estiagens prolongadas e oscilações nas condições climáticas afetam diretamente o desenvolvimento dos pomares.

    Por isso, produtores têm buscado soluções que aumentem a tolerância das plantas aos chamados estresses abióticos. Entre elas estão tecnologias que combinam nutrição mineral, bioinsumos e ferramentas de monitoramento.

    “Hoje, a nutrição precisa ser tratada como um componente estratégico do manejo. As soluções integradas ajudam os citricultores a mitigar os efeitos da seca e das altas temperaturas, além de contribuir para a saúde e longevidade dos pomares”, explica Dittrich.

    Além disso, o fortalecimento do sistema radicular permite que as plantas aproveitem melhor a água e os nutrientes disponíveis no solo. Como resultado, os pomares conseguem manter o desenvolvimento mesmo durante períodos de maior estresse hídrico.

    Fertirrigação amplia eficiência no campo

    A fertirrigação também avança na citricultura brasileira. A técnica permite aplicar água e nutrientes ao mesmo tempo, de forma precisa e alinhada às necessidades da planta em cada fase do desenvolvimento.

    Dessa maneira, o produtor reduz perdas, melhora o aproveitamento dos fertilizantes e aumenta o controle sobre o manejo nutricional. Além disso, a tecnologia diminui a dependência da regularidade das chuvas, fator cada vez mais importante diante das alterações climáticas.

    Um estudo realizado pela Yara em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) identificou ganhos relevantes com o uso da fertirrigação em pomares cítricos. Segundo a empresa, a técnica elevou a produtividade em aproximadamente um terço e reduziu em cerca de 30% a incidência de podridão floral.

    Os pesquisadores também verificaram aumento da estrutura reprodutiva das plantas. Consequentemente, os pomares apresentaram maior potencial produtivo e melhor uniformidade dos frutos.

    Bioinsumos ganham espaço nos pomares

    Os bioinsumos também conquistam espaço na citricultura. Esses produtos contribuem para a fertilidade do solo e aumentam a eficiência no aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.

    Além disso, a tecnologia fortalece o desenvolvimento vegetal e auxilia o produtor na busca por sistemas mais sustentáveis. Por esse motivo, especialistas apontam crescimento contínuo da utilização desses insumos nos próximos anos.

    A combinação entre nutrição equilibrada, fertirrigação, bioinsumos e agricultura de precisão deve ganhar ainda mais relevância. Assim, os produtores poderão enfrentar os desafios climáticos com maior eficiência, preservar a produtividade e manter a competitividade da citricultura brasileira.

  • Demanda por suco desafia setor citrícola em 2026/27

    Demanda por suco desafia setor citrícola em 2026/27

    A safra brasileira de laranja 2025/26 caminha para o encerramento. No entanto, o setor já volta as atenções para os desafios de 2026/27. Os pesquisadores do Cepea afirmam que a principal preocupação deixa de ser a oferta de fruta. Agora, o foco está na recuperação da demanda global por suco de laranja.

    Mesmo com a expectativa de menor produção brasileira na próxima temporada, as exportações seguem em ritmo limitado. Além disso, a demanda europeia ainda apresenta recuperação lenta. Entre julho de 2025 e maio de 2026, o Brasil exportou 749,1 mil toneladas de suco de laranja em equivalente concentrado. O volume ficou apenas 2,8% acima do registrado na safra anterior.

    Os dados da ComexStat mostram crescimento modesto nos embarques. Porém, a receita cambial recuou 27,6% no período. Segundo o Cepea, a queda ocorreu devido à forte desvalorização dos preços internacionais. Ao longo da safra, as cotações externas caíram quase 30%.

    Enquanto isso, os Estados Unidos ampliaram sua relevância para o setor citrícola brasileiro. O país consolidou sua posição como principal suporte das exportações nacionais. A participação norte-americana na receita das vendas externas subiu de 39% para 44%. Já a fatia da União Europeia recuou de 51% para 47%.

    De acordo com os pesquisadores, esse movimento evidencia as dificuldades da recuperação do consumo europeu. Historicamente, o bloco representa o principal destino do suco brasileiro.

    De olho nas tarifas norte-americanas

    Além da demanda internacional, o mercado monitora as discussões tarifárias nos Estados Unidos. O tema ganhou importância ao longo da atual temporada.

    Para a safra 2026/27, o desempenho do mercado dependerá de vários fatores. Entre eles estão a retomada do consumo na Europa e nos Estados Unidos. Além disso, o setor aguarda definições sobre o ambiente regulatório e tarifário norte-americano. Esse cenário deve influenciar diretamente as exportações brasileiras de suco de laranja.

  • RS abre oficialmente safra de citros

    RS abre oficialmente safra de citros

    A cidade de Montenegro recebe, nesta sexta-feira (29), a 26ª edição da abertura oficial da safra estadual de citros. O evento acontece na localidade de Fortaleza, no interior do município, e deve reunir agricultores, técnicos, lideranças do agronegócio e representantes do governo estadual.

    A programação está marcada para começar às 14h, na propriedade da família Kehl, tradicional produtora da região. Entre as autoridades confirmadas está o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena.

    A cerimônia marca oficialmente o início da colheita de frutas cítricas no Estado, especialmente de bergamotas, laranjas e limões, culturas que possuem forte peso econômico no Vale do Caí.

    RS projeta nova safra robusta de citros

    A expectativa do setor é manter os bons resultados registrados nas últimas colheitas. Em 2025, a projeção para o Rio Grande do Sul foi de cerca de 450 mil toneladas de citros, envolvendo mais de 10 mil famílias produtoras e aproximadamente 25 mil hectares plantados.

    Os citros estão entre as frutas mais produzidas no RS — Foto: MAPA

    O município de Montenegro segue como um dos principais polos da citricultura gaúcha, especialmente na produção de bergamota. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a cidade tem expectativa anual de colher cerca de 54 mil toneladas de bergamotas; 5,5 mil toneladas de laranjas e 400 toneladas de limões.

    Além disso, a região do Vale do Caí concentra uma das maiores produções cítricas do Estado e se destaca pela qualidade das frutas, favorecida pelo clima mais frio do Rio Grande do Sul.

    Setor também monitora avanço do greening

    Outro tema que deve ganhar destaque durante a abertura da safra é a preocupação com o greening, doença considerada uma das maiores ameaças à citricultura mundial.

    Nos últimos anos, produtores e órgãos públicos intensificaram ações de prevenção no Vale do Caí. Em Montenegro, a prefeitura mantém programas de monitoramento e controle para evitar a disseminação da doença nos pomares da região.

    O greening afeta diretamente a produtividade das plantas e pode levar à morte dos pomares, causando prejuízos significativos para os produtores.