Tag: Irã

  • Guerra no Oriente Médio ameaça pistache no mundo

    Guerra no Oriente Médio ameaça pistache no mundo

    Quando se fala em conflito entre Estados Unidos e Irã, o primeiro pensamento é quase sempre o petróleo. Mas há outro produto que merece atenção de quem acompanha mercados agrícolas globais: o pistache.

    Na manhã do último sábado (1º de março), EUA e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã. Os bombardeios mataram o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país por quase quatro décadas, mergulhando a nação em instabilidade e acendendo um alerta em mercados que vão muito além do petróleo.

    Em resposta ao conflito, o governo iraniano anunciou a proibição das exportações de todos os produtos alimentícios e agrícolas “até novo aviso”, priorizando o abastecimento interno, segundo a agência de notícias semi-oficial Tasnim. A medida bloqueia embarques de “todos os alimentos e produtos agrícolas”, de acordo com comunicado governamental.

    Por que o pistache importa nessa equação

    O Irã não é um fornecedor qualquer de pistache. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país responde por cerca de 18% da produção global da oleaginosa. Na safra 2025/2026, a produção iraniana deve atingir 200 mil toneladas.

    O Irã é um dos três países que dominam a produção mundial de pistache, ao lado de EUA e Turquia. Nos últimos anos, os EUA, liderados quase inteiramente pela Califórnia, se distanciaram dos concorrentes em volume e respondem hoje por aproximadamente metade de toda a oferta global.

    O conflito chega em um momento já delicado para o mercado. Desde pelo menos janeiro de 2026, exportadores iranianos já enfrentavam restrições ligadas à instabilidade interna e bloqueios de internet e comunicações que dificultavam o contato com compradores internacionais, afetando a atividade exportadora antes mesmo da escalada militar.

    Há ainda um fator de ciclo agrícola que complica o quadro: a produção de pistache segue um padrão bienal de alternância. Em 2026, a expectativa é que tanto EUA quanto Irã entrem em ano de baixa produção, o que já tornaria a oferta global mais apertada independentemente do conflito.

    Cadeia global em alerta

    O pistache iraniano abastece alguns dos maiores mercados consumidores do mundo. Entre setembro de 2024 e março de 2025, o Irã exportou 64% de seu estoque total, sendo 26% destinados a mercados de reexportação como Emirados Árabes Unidos e Turquia, outros 26% ao Leste Asiático, 19% ao Sul da Ásia e 10% ao restante do Oriente Médio.

    O impacto já começa a aparecer nos preços. Um atacadista de frutas secas e castanhas no estado indiano de Madhya Pradesh relatou à imprensa local que os preços do pistache subiram quase 26% na semana seguinte ao início das hostilidades.

    Especialistas apontam que o maior risco não está nas lavouras em si, mas na logística. Segundo Louise Ferguson, professora do Departamento de Ciências Vegetais da Universidade da Califórnia em Davis, a cadeia de abastecimento do pistache é mais vulnerável a interrupções causadas pelo conflito, especialmente no Estreito de Ormuz, do que a produção propriamente dita.

    A exportação do pistache movimenta cerca de US$ 1,5 bilhão por ano para o Irã e gera 350 mil empregos diretos no país. Entre 70% e 80% da produção é destinada ao mercado externo, tornando o produto uma das principais fontes de receita não ligada ao petróleo.

    Uma rivalidade com raízes históricas

    A disputa entre Irã e EUA no mercado de pistache não é nova. Toda a produção americana de pistache descende de uma única semente iraniana. Na década de 1970, consumidores norte-americanos consumiam cerca de 9 mil toneladas anuais de pistaches importados do Irã. A crise dos reféns em 1979 e o embargo comercial subsequente abriram espaço para que os produtores californianos ocupassem o mercado, e nunca mais saíssem.

    Foto: Forças de Defesa de Israel/Reprodução

    Juntos, EUA e Irã respondem por mais de 70% das exportações globais de pistache. Os principais campos de batalha comercial entre os dois países são a Europa Ocidental e a China, onde a demanda é forte e crescente.

    O Brasil no meio da crise

    O Brasil não produz pistache, pois as condições climáticas do país inviabilizam o cultivo. Mas o consumo tem crescido de forma expressiva nos últimos anos. Em 2022, as importações foram de 352 toneladas; saltaram para 601 toneladas em 2023 e atingiram 1.100 toneladas em 2024, segundo o governo federal.

    Os Estados Unidos são o principal fornecedor do país, seguidos pelo Irã. Nos primeiros meses de 2026, o Brasil importou 49 toneladas de pistache iraniano, volume superior às 35,5 toneladas adquiridas dos americanos no mesmo período, segundo o sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    Em 2025, o país também importou cerca de 1.400 toneladas de uva-passa iraniana, além de nozes, amendoins e tâmaras. Contudo, nenhum desses produtos representa insumo essencial da cadeia alimentar brasileira, o que limita o impacto imediato da crise sobre o abastecimento doméstico.

    O risco para o consumidor brasileiro é de outra natureza: pressão de preços. Com a oferta iraniana bloqueada e o ciclo agrícola desfavorável nos EUA em 2026, o mercado global pode enfrentar um aperto de oferta que se reflete nas prateleiras, do snack saudável ao sorvete gourmet de pistache.

  • Irã proíbe exportação de alimentos após ataques dos EUA

    Irã proíbe exportação de alimentos após ataques dos EUA

    O governo do Irã proibiu a exportação de alimentos e produtos agrícolas nesta terça-feira (3). A medida ocorre após o conflito com Israel e Estados Unidos. Segundo a agência Tasnim, o governo confirmou a decisão em comunicado oficial.

    Além disso, o texto determina a suspensão das exportações até segunda ordem. O governo iraniano informou que prioriza o abastecimento interno. Assim, o país concentra esforços no fornecimento de bens essenciais à população.

    O Irã acionou um plano de emergência no sábado. No mesmo dia, Estados Unidos e Israel lançaram um ataque contra a República Islâmica. O ataque resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei. Além disso, a ofensiva matou oficiais militares de alta patente.

    Importação brasileira

    O Brasil não importa alimentos essenciais do Irã. No entanto, o país compra pistache e uva passa do mercado iraniano. Dados do Ministério da Agricultura apontam esses produtos como as principais aquisições agrícolas brasileiras.

    Com a proibição, o governo iraniano busca garantir segurança alimentar durante o conflito. Enquanto isso, o mercado internacional monitora possíveis impactos no comércio agrícola.

     

  • Comida mais cara: conflito no Oriente Médio pressiona preços de fertilizantes

    Comida mais cara: conflito no Oriente Médio pressiona preços de fertilizantes

    A escalada da tensão no Oriente Médio acendeu um alerta vermelho no mercado global de fertilizantes. De acordo com uma análise da StoneX, empresa de serviços financeiros, a região concentra uma fatia expressiva da oferta mundial, e qualquer interrupção pode reconfigurar os preços internacionais.

    Dados de 2024 mostram o peso da área no comércio global: o Oriente Médio responde por 41% das exportações mundiais de ureia, 28% das de amônia e 29% das vendas internacionais de DAP, um dos principais fertilizantes fosfatados. Diante desses números, a instabilidade geopolítica já provoca os primeiros reflexos: a incerteza leva fornecedores locais a retirarem suas ofertas do mercado, reduzindo temporariamente a disponibilidade do produto.

    Retirada de ofertas e risco logístico já afetam o mercado

    O mercado opera com cautela. Enquanto investidores aguardam desdobramentos para precificar os riscos, a primeira consequência prática é a contração da oferta. A logística agrava o cenário. Navios evitam trafegar pelo Estreito de Hormuz, rota vital para o escoamento de fertilizantes. Essa interrupção nos fluxos pode atrasar entregas e elevar os custos com frete, afetando importadores ao redor do globo.

    A valorização do petróleo, outro efeito colateral da crise, também pressiona o setor. O aumento dos custos de combustíveis impacta diretamente os fretes internacionais, tornando os insumos mais caros para países que dependem de importações, como o Brasil.

    Irã, no centro do conflito, é peça-chave para as exportações

    O epicentro da crise, o Irã, ocupa uma posição estratégica. Em 2024, o país foi responsável por 11% das exportações mundiais de ureia e 5% das de amônia. Dados não oficiais apontam que o Brasil importou cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia iraniana no ano passado, o que representa aproximadamente 16% de todas as suas compras externas do produto.

    Um eventual bloqueio ou redução da capacidade de exportação iraniana teria, portanto, um impacto significativo sobre os compradores globais. Com efeito particularmente relevante para o Brasil, altamente dependente desses nitrogenados.

    Calendário agrícola brasileiro ameniza impacto imediato, mas cenário exige atenção

    Apesar do risco, o momento do calendário agrícola mundial oferece um certo alívio ao Brasil. O país está fora da janela de alta temporada para compras de nitrogenados. No curto prazo, nações como Estados Unidos, Austrália e parte da Europa, que estão em períodos de maior demanda, devem sentir os impactos de forma mais direta.

    Ainda assim, o mercado já trata o conflito como um fator de alta. A relevância do Oriente Médio e do Irã na produção global de fertilizantes coloca o setor em estado de atenção. A principal dúvida que paira sobre o futuro dos preços é a duração do conflito, a extensão dos danos à infraestrutura e o número de países que podem ser arrastados para a crise. Essas variáveis determinarão se o impacto será um solavanco passageiro ou uma mudança duradoura no custo da produção agrícola mundial.

  • Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Na madrugada deste sábado, EUA e Israel deflagraram ataques aéreos simultâneos contra Teerã, Qom, Isfahan, Tabriz e Kermanshah. O Irã respondeu com mísseis em bases americanas no Golfo e em Tel Aviv. O conflito não é apenas uma crise diplomática. Para o Brasil, representa uma ameaça concreta à cadeia produtiva do agronegócio, ao preço do combustível e à estabilidade do câmbio.

    O canal mais imediato entre a guerra e o bolso do brasileiro passa pelo barril de petróleo. Com o Estreito de Ormuz, por onde circula entre 20% e 30% de todo o petróleo do mundo, sob ameaça, analistas projetam que o preço pode saltar dos atuais US$ 71 para uma faixa entre US$ 120 e US$ 150. Cenários extremos, que envolvem o fechamento total do estreito, chegam a projetar valores acima de US$ 300.

    O Brasil depende fortemente do transporte rodoviário para escoar a produção do campo. Qualquer alta no diesel chega ao produtor rural antes mesmo de chegar ao consumidor final, e chega rápido. A inflação que começa no frete termina na prateleira do supermercado.

    Há um ângulo positivo, mas limitado: a Petrobras e os exportadores brasileiros de petróleo bruto ganham com a alta do barril. O risco, porém, é a pressão política por reajuste nos preços domésticos da gasolina, o que retroalimenta o ciclo inflacionário.

    Agronegócio: dois golpes em sequência

    O setor que mais sente o choque é o agronegócio, e por dois caminhos distintos. O primeiro é a dependência de fertilizantes importados. O Brasil compra do exterior cerca de 80% dos insumos que usa no campo. E o Irã figura entre os principais fornecedores de ureia, essencial para as safras de soja e milho. Um bloqueio nas rotas marítimas ou sanções ao comércio iraniano encarece esses insumos, aumenta o custo de produção e, no médio prazo, pressiona os preços dos alimentos.

    O segundo golpe vem do lado das exportações. O Irã foi, em 2025, o segundo maior destino do agronegócio brasileiro em volume, com US$ 2,9 bilhões em compras. O milho sozinho respondeu por US$ 1,9 bilhão, quase 68% do total. E a soja contribuiu com outros 19,3%. Um conflito prolongado fecha esse mercado de maneira abrupta, sem substituto imediato no horizonte.

    Câmbio e juros: o impacto macroeconômico

    Crises geopolíticas globais favorecem o dólar em detrimento de moedas emergentes. O real tende a se desvalorizar, o que encarece as importações, entre elas, os fertilizantes. E obriga o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

    O cenário mais preocupante é aquele em que o conflito se prolong. Nesse caso, o Fed americano deve manter os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% por mais tempo, reduzindo o fluxo de capital para países emergentes. O PIB brasileiro, que já enfrenta projeção de crescimento de apenas 1,8% em 2026, ficaria ainda mais pressionado.

    Há algum lado positivo?

    Sim, mas circunscrito. Uma mudança de regime no Irã poderia, no médio prazo, ampliar a oferta global de petróleo e derrubar os preços. O que favoreceria a competitividade do agronegócio brasileiro. Por ora, porém, a incerteza domina o cenário e os riscos superam as oportunidades.

    O impacto mais imediato e certo já chegou: o preço do petróleo sobe e o diesel encarece. O risco mais grave, ainda incerto, é a combinação entre a perda do mercado iraniano para milho e soja e o encarecimento dos fertilizantes. Tudo depende de quanto tempo o conflito durar e se o Estreito de Ormuz de fato fechar. O Brasil torce para que seja uma crise curta. O agronegócio, mais do que qualquer outro setor, sabe o que está em jogo.

  • Fertilizantes dos BRICS podem ter registro acelerado no Brasil

    Fertilizantes dos BRICS podem ter registro acelerado no Brasil

    Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados pode agilizar a entrada de fertilizantes e outros insumos agrícolas no Brasil. A proposta estabelece registro automático para produtos que já possuem certificação válida das autoridades dos países membros do BRICS.

    Deputado Max Lemos (PDT-RJ). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    O PL 823/25, de autoria do deputado Max Lemos (PDT-RJ), altera a lei que regula o setor de fertilizantes. O objetivo central é reduzir os custos de produção no campo. Com insumos mais baratos, a expectativa é que o preço final dos alimentos no prato do consumidor também caia.

    “O barateamento dos insumos rurais geraria benefício direto para a população com a redução do preço do arroz, do feijão, do milho e de outros produtos”, defendeu Lemos na justificativa do projeto.

    Como funcionaria o registro automático

    Pelo texto, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) terá um prazo máximo de 15 dias para conceder o registro, contados a partir do pedido da empresa. Se o ministério não emitir o documento nesse período, a empresa poderá comercializar o produto normalmente, sem risco de multas.

    A medida também simplifica a atuação de distribuidoras e representantes de fabricantes estrangeiras. Elas não precisarão mais abrir uma empresa específica no Brasil (pessoa jurídica), bastando manter uma representação legal regularizada no país.

    Próximas etapas e tramitação

    O bloco do BRICS reúne atualmente 11 nações: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. A certificação por parte desses países servirá como aval para o processo rápido no Brasil.

    O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões da Câmara. Isso significa que não precisa passar pelo plenário, a menos que haja recurso. As comissões responsáveis pela análise são a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e a de Constituição e Justiça e de Cidadania.

    Após a Câmara, a proposta ainda precisará de aprovação do Senado Federal e, posteriormente, sanção presidencial para se tornar lei.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Área de pistache cresce 500% na Argentina enquanto Brasil prepara primeiro cultivo

    Área de pistache cresce 500% na Argentina enquanto Brasil prepara primeiro cultivo

    A Argentina registra expansão acelerada no cultivo de pistache, transformando o agronegócio da região oeste do país. A área plantada multiplicou por cinco nos últimos cinco anos, impulsionada por condições climáticas favoráveis, demanda global crescente e uma revolução no perfil produtivo local.

    A província de San Juan, encravada na Cordilheira dos Andes, comanda essa transformação. A região reúne elementos essenciais para o desenvolvimento da oleaginosa: terra disponível, água e um clima marcado por verões quentes e secos alternados com invernos frios.

    Estados Unidos e Irã dominam mercado de US$ 4,7 bilhões

    O mercado mundial de pistache concentra-se fortemente em três países: Estados Unidos lidera com 676 mil toneladas anuais (52% da produção global), seguido por Irã com 308 mil toneladas (24%) e Turquia com 176 mil toneladas (14%). A produção total mundial superou 1,3 milhão de toneladas em 2023.

    O mercado global de pistache movimenta US$ 4,7 bilhões em 2024 e projeta crescimento para US$ 5,85 bilhões até 2029, segundo análises setoriais. A Califórnia, nos Estados Unidos, desenvolveu tecnologias agrícolas que permitiram produção em larga escala mesmo sem invernos rigorosos.

    A China emerge como maior consumidora mundial, absorvendo 80 mil toneladas anuais, enquanto os Estados Unidos consomem 450 mil toneladas da própria produção. A Turquia completa o top 3 de consumidores, com 130 mil toneladas anuais.

    Brasil importa 100% do pistache e prepara primeiro cultivo

    O Brasil importou 970 toneladas de pistache em 2024, totalizando R$ 13,9 milhões — oito vezes mais que em 2020. Todo o pistache consumido no país vem de importação, principalmente dos Estados Unidos (85% do total).

    As importações brasileiras mais que dobraram em 2023, saltando de uma média de 340 toneladas anuais nos cinco anos anteriores para 601 toneladas. O crescimento continuou em 2024, alcançando quase mil toneladas.

    Ceará lidera projeto pioneiro da Embrapa

    A Embrapa planeja implantar projeto piloto de cultivo de pistache na Serra da Ibiapaba, região entre Ceará e Piauí, até 2027. O local foi escolhido por suas noites frescas e altitude elevada, características essenciais para o desenvolvimento da planta.

    A iniciativa começou em 2022, após visita de agricultores cearenses às plantações da Califórnia. A Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará articula com a Embrapa a importação do material genético necessário.

    O desafio técnico é significativo. A árvore do pistache pode conter nematoides, vermes com potencial de se tornarem pragas para outras plantas. O processo de importação e quarentena pode levar até 18 meses.

    As primeiras safras comerciais brasileiras estão previstas entre 2035 e 2040. A planta leva aproximadamente dez anos desde o plantio até atingir ciclo produtivo completo.

    Pesquisadores avaliam outras regiões promissoras. O polo Petrolina/Juazeiro, no Nordeste, apresenta tradição no cultivo de frutas, infraestrutura de irrigação e disponibilidade hídrica. As regiões mais frias do Sudeste e Sul também aparecem como possibilidades.

    Argentina substitui vinhedos por pistache

    Os produtores argentinos iniciaram substituição estratégica de vinhedos por pistache, amêndoas e nozes. A mudança responde à queda global no consumo de vinhos e busca culturas mais rentáveis alinhadas à demanda internacional.

    San Juan e Mendoza concentram o potencial produtivo. Estimativas do setor apontam possibilidade de expansão para 60 mil a 100 mil hectares cultivados nas duas províncias, mediante condições adequadas de investimento.

    A transformação enfrenta obstáculos financeiros e políticos. O cultivo exige investimentos elevados com retorno de longo prazo — a planta leva cerca de sete anos desde a semeadura até gerar produção significativa. Crédito acessível e estabilidade econômica tornam-se essenciais para novos projetos.

    TikTok e chocolates de Dubai impulsionam consumo mundial

    Uma tendência viral no TikTok envolvendo doces recheados conhecidos como chocolate de Dubai ajudou a impulsionar o consumo mundial da oleaginosa. O pistache deixou de ser produto de nicho e passou a ocupar espaço central na indústria alimentícia.

    Em 2024, as importações brasileiras do produto aumentaram, marcando recorde histórico de 80% em relação ao ano anterior. Grandes redes de sorveterias, padarias e docerias adaptaram-se à demanda crescente, oferecendo variedade ampliada de produtos com pistache.

    A popularização ocorre especialmente em confeitaria e panificação. Produtos como panetones e doces natalinos recheados com pistache ganham destaque em datas comemorativas. Sorvetes, chocolates, alfajores e cafés especiais incorporam a oleaginosa.

    Pioneiro iraniano enfrentou ceticismo na Argentina

    Um imigrante iraniano iniciou a primeira plantação comercial de pistache na Argentina ainda na década de 1980, em San Juan. O projeto enfrentou forte descrença inicial. “Diziam que eu era louco”, relatou o produtor. A persistência transformou o ceticismo em crescimento acelerado de sua empresa.

    A produção de mudas tornou-se peça-chave da expansão. Desde 2023, a produção anual de porta-enxertos mais que dobrou. A expectativa aponta 400 mil plantas até o fim de 2025, garantindo fornecimento para novos agricultores e reduzindo dependência externa.

    Empresas argentinas passaram a incorporar pistache em produtos industrializados. Doces, chocolates e até alfajores tradicionais começaram a usar a oleaginosa. Essa diversificação agrega valor, gera emprego e amplia o mercado interno, fortalecendo a estratégia de longo prazo.

    O objetivo declarado dos produtores argentinos é claro: transformar o país em grande exportador e rivalizar com os atuais líderes mundiais. A confiança baseia-se na combinação de clima favorável, mudança no perfil agrícola e demanda global aquecida.

    Benefícios nutricionais impulsionam popularidade

    O pistache destaca-se pelo alto valor nutricional. A oleaginosa oferece proteínas completas, fibras alimentares, antioxidantes, vitamina E, potássio e magnésio. Entre todas as nozes, apresenta os níveis mais altos de potássio.

    Marketing focado em saúde impulsiona consumo. A American Pistachio Growers, associação que representa mais de 800 produtores nos Estados Unidos, promove o produto globalmente enfatizando benefícios como proteção ocular contra luz azul de telas e redução de riscos de problemas de visão relacionados à idade.

    Desafios para expansão na América Latina

    O sucesso da expansão argentina depende de destrava de crédito, atração de investimentos e manutenção de estabilidade econômica. O setor identifica o principal gargalo como financeiro e político, não técnico.

    A experiência californiana serve de modelo. Os Estados Unidos adaptaram o cultivo mesmo sem temperaturas rigorosamente baixas, utilizando hormônios vegetais que simulam condições de frio para a planta.

    Se conseguir superar as barreiras financeiras, a Argentina pode deixar de ser produtor emergente e se tornar protagonista global em poucos anos. O Brasil, por sua vez, dá os primeiros passos para reduzir dependência de importações e construir cadeia produtiva local até 2035.

  • Cessar-fogo entre Israel e Irã traz alívio ao mercado de fertilizantes

    Cessar-fogo entre Israel e Irã traz alívio ao mercado de fertilizantes

    O recente cessar-fogo entre Israel e Irã trouxe alívio ao mercado internacional de fertilizantes, refletindo-se em queda nos contratos futuros de ureia CFR Brasil. Segundo relatório da StoneX, empresa global de serviços financeiros, a diminuição das tensões no Oriente Médio reduziu a pressão sobre os preços, especialmente após semanas de volatilidade causada pelo conflito.

    Apesar do cenário mais calmo, produtores brasileiros ainda enfrentam desafios. Antes mesmo do início do conflito, a safra 2025/26 já apresentava dificuldades. O início da guerra levou Egito e Irã a suspenderem a produção de fertilizantes nitrogenados, o que agravou a preocupação com a oferta global. Com isso, os preços da ureia, SAM e NAM subiram, e as relações de troca entre milho e ureia ficaram menos vantajosas para o agricultor.

    A retomada gradual da produção no Irã e Egito ainda não garante estabilidade. O relatório da StoneX aponta que esses países devem priorizar a demanda interna e contratos já firmados, o que mantém incertezas sobre o comportamento dos preços dos nitrogenados nas próximas semanas.

    Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado
    StoneX. Foto: Divulgação

    O analista Tomás Pernías, da StoneX, destaca que o mercado físico brasileiro registrou cotações mais altas nos últimos dias. Portanto, reforçando a preocupação dos produtores diante da volatilidade dos preços e das relações de troca menos favoráveis.

    “A Índia estava realizando uma licitação para a importação de ureia enquanto o conflito entre Israel e Irã ainda estava em andamento. Entretanto, como os preços da ureia aumentaram rapidamente durante o conflito, a Índia não conseguiu adquirir o volume pretendido nesse evento. Assim, o país anunciou uma nova licitação para a importação de ureia — e esse é outro fator de alta que pode manter os investidores do segmento com uma postura cautelosa”, informa o analista.

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  • Conflito entre Irã e Israel ameaça fertilizantes no Brasil

    Conflito entre Irã e Israel ameaça fertilizantes no Brasil

    A escalada de tensões entre Irã e Israel acendeu o alerta no setor de fertilizantes no Brasil. O conflito no Oriente Médio traz riscos diretos aos custos de produção agrícola.

    Ureia

    O motivo da preocupação está na ureia. O Brasil importa 17% desse fertilizante diretamente do Irã, um dos maiores exportadores da região.

    O Irã produz cerca de 9 milhões de toneladas de ureia por ano. Desse total, entre 4,5 e 5,5 milhões de toneladas são exportadas anualmente.

    Fertilizantes importados

    A dependência brasileira de fertilizantes importados é alta. Atualmente, mais de 80% do consumo nacional vem do mercado internacional. No caso da ureia, a dependência é total. Em geral, em 2024, o Brasil importou 100% da ureia utilizada na agricultura.

    Momento de alerta

    Neste período, os produtores estão atentos à compra de insumos. Ou seja, muitos já iniciaram as aquisições para a safra de verão, que começa em setembro. Além disso, alguns agricultores também antecipam a compra de adubos, sementes e defensivos para a safrinha de 2026.

    O cenário fica mais desafiador com o aumento nos preços internacionais dos fertilizantes. As commodities agrícolas, por outro lado, não acompanham essa valorização. Portanto, essa defasagem pressiona ainda mais as margens dos produtores rurais brasileiros. O setor teme novos aumentos nos custos com a continuidade do conflito.

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  • Conflito entre Israel e Irã pode pressionar preços no Brasil

    Conflito entre Israel e Irã pode pressionar preços no Brasil

    A escalada da guerra entre Israel e Irã já provoca impactos econômicos. O Brasil, como parte do mercado global, sente os efeitos. Ou seja, o risco de um confronto direto entre um país com armas nucleares, como Israel, e outro em busca delas, como o Irã, cresce a cada dia. Contudo, os efeitos vão além da esfera militar. A tensão no Oriente Médio gera incerteza nos mercados e pressiona os preços.

    Estreito de Ormuz pode ser fechado

    O Irã ocupa uma posição estratégica no Golfo Pérsico. O país controla o Estreito de Ormuz, fundamental para o comércio global. Em resumo, por essa rota passam combustíveis fósseis e produtos importados pela Arábia Saudita. O país mantém relação próxima com os Estados Unidos, mas rivaliza com o Irã.

    Exportadores brasileiros também dependem da região. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes são grandes compradores de carne bovina do Brasil. Além disso, cerca de 25% do petróleo mundial cruza o Estreito de Ormuz. Isso inclui petróleo do Irã e de países como Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e Emirados.

    Após ataques israelenses, o governo iraniano ameaçou fechar o estreito. A agência IRA Novosti divulgou a informação nesta sexta-feira (14). Apenas a possibilidade já trouxe impactos. A Frontline, uma das maiores petroleiras do mundo, anunciou que vai evitar a rota de Ormuz.

    Petróleo dispara e pressiona economia

    Mesmo sem bloqueio total, a crise já afeta os preços. O petróleo subiu 7,26% apenas na sexta-feira (13). Desde 10 de junho, quando surgiram os primeiros rumores de ataque, a alta acumulada chegou a 12,3%. A tendência é de novas elevações.

    Israel atacou quatro alvos estratégicos no Irã. Foram bombardeadas refinarias em Shahran, South Pars e Fajr Jam, além de um porto de gás natural.

    Devido a sanções do Ocidente, o Irã vende petróleo principalmente à China. Por isso, o impacto direto sobre o Ocidente é limitado. Entretanto, como o petróleo é uma commodity, a oferta menor eleva os preços. A China buscará novos fornecedores, aumentando a disputa global.

    O Irã possui a quarta maior reserva mundial de petróleo. Portanto, fica atrás apenas de Venezuela, Arábia Saudita e Canadá.

    Preços devem subir no Brasil

    Com o petróleo mais caro, os reflexos chegam rápido. O impacto direto será sentido nos postos de combustíveis. Além disso, produtos importados ou fabricados com peças externas também vão encarecer. O transporte rodoviário, essencial para abastecer os supermercados, também deve ficar mais caro. Isso pressionará os preços ao consumidor.

    Dólar sobe em meio à instabilidade

    O avanço da guerra aumenta a volatilidade no mercado internacional. O temor de uma escalada envolvendo potências como os EUA preocupa investidores. Nesses momentos, o mercado busca segurança no dólar. A moeda americana tende a se valorizar, pressionando o real. Ao mesmo tempo, com o dólar mais caro, as importações ficam mais pesadas. Commodities e seus derivados também sobem de preço no Brasil.

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  • Indonésia será membro pleno do Brics em 2025

    Indonésia será membro pleno do Brics em 2025

    O governo brasileiro anunciou nesta segunda-feira (6) a entrada da Indonésia como membro pleno do Brics em 2025. O país asiático, com mais de 284 milhões de habitantes, é a quarta nação mais populosa do mundo e ocupa a 10ª posição na economia global em paridade de poder de compra, segundo o Banco Mundial.

    O Ministério das Relações Exteriores (MRE) destacou que a Indonésia, maior economia do Sudeste Asiático, compartilha com o bloco a defesa da reforma das instituições de governança global. Além disso, o país contribui para fortalecer a cooperação entre nações do Sul Global, uma prioridade durante a presidência brasileira do Brics.

    Brics deve crescer

    Em 2025, nove novos países devem ingressar formalmente no grupo, incluindo Cuba, Bolívia, Malásia e Tailândia, seja como membros plenos ou parceiros. O Brasil assumiu a presidência rotativa do bloco em 1º de janeiro, com mandato até 31 de dezembro deste ano.

    A cúpula de Joanesburgo, na África do Sul, em agosto de 2023 aprovou a candidatura da Indonésia. No entanto, o país oficializou seu interesse apenas após as eleições presidenciais de 2024.

    “Os países do Brics aprovaram por consenso a entrada da Indonésia, respeitando os princípios, critérios e procedimentos definidos para expansão do bloco”, informou o Itamaraty.

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    No total, 13 países foram convidados a integrar o Brics. Entre eles, Nigéria, Turquia, Argélia e Vietnã ainda aguardam confirmação.

    Em 2024, o bloco já havia ampliado sua composição com cinco novos membros: Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia e Arábia Saudita. Apesar de não ter formalizado sua adesão, a Arábia Saudita segue participando ativamente das reuniões do Brics.

    Em resumo, a expansão reflete a crescente importância do bloco na economia global e seu papel estratégico na geopolítica internacional.