Tag: Irã

  • Petroleiros desafiam bloqueio iraniano e recorrem a rota arriscada

    Petroleiros desafiam bloqueio iraniano e recorrem a rota arriscada

    O transporte global de petróleo segue enfrentando desafios no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos do mundo. Diante do bloqueio imposto pelo Irã, diversos navios petroleiros passaram a utilizar uma rota alternativa próxima ao litoral de Omã, considerada mais arriscada por especialistas do setor marítimo.

    De acordo com informações divulgadas pelo jornal Financial Times, cerca de 15 embarcações utilizam diariamente esse trajeto, sendo a maioria composta por petroleiros. Além disso, duas fontes afirmaram que os navios contam com cobertura aérea das forças dos Estados Unidos durante a travessia.

    Empresas ligadas ao transporte de petróleo e ao monitoramento do tráfego marítimo alertam para os riscos desse percurso. Segundo essas companhias, a passagem é extremamente estreita e oferece pouca margem para manobras.

    Missão secreta dos EUA

    Enquanto isso, na quarta-feira (10/6), o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que está conduzindo uma “missão secreta” para garantir a circulação de petroleiros na região. Segundo o republicano, aproximadamente 100 milhões de barris de petróleo já atravessaram a rota marítima e devem chegar aos mercados internacionais.

    Além disso, Trump atribuiu a estabilidade dos preços internacionais do petróleo ao funcionamento desse corredor alternativo. Atualmente, o barril do Brent, principal referência global para o mercado, é negociado em torno de US$ 92. Antes do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o valor da commodity variava entre US$ 70 e US$ 72 por barril.

    Estreito de Ormuz, canal marítimo por onde passa 20% do petróleo mundial

    Irã reforça bloqueio no Estreito de Ormuz

    Por outro lado, o governo iraniano voltou a sustentar que mantém um bloqueio total no Estreito de Ormuz. O país havia criado a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PSGA) para supervisionar o tráfego marítimo na região, permitindo anteriormente a passagem controlada de algumas embarcações em coordenação com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).

    Entretanto, nesta quinta-feira (11), a agência Fars divulgou um comunicado oficial da PSGA informando que o estreito permanecerá fechado por tempo indeterminado. Dessa forma, embarcações que já haviam recebido autorização para cruzar a região deverão aguardar novas orientações das autoridades iranianas.

    No comunicado, a autoridade afirmou:

    “Em razão das tensões criadas pelas forças agressoras dos Estados Unidos na região e do comunicado emitido pelas Forças Armadas da República Islâmica do Irã na noite passada, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso. Os solicitantes que receberam autorização de passagem devem aguardar e seguir as orientações futuras da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA).”

    O cenário mantém elevada a atenção dos mercados de energia, da logística marítima internacional e das cadeias produtivas dependentes do abastecimento de petróleo, fator que pode influenciar custos de transporte, combustíveis e insumos em diversos setores da economia mundial.

  • Guerra contra o Irã coloca em risco a produção agrícola global

    Guerra contra o Irã coloca em risco a produção agrícola global

    O bloqueio das rotas marítimas pelo estreito de Ormuz, provocado pelo conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, pode retirar até 10 bilhões de refeições semanais da mesa de pessoas ao redor do mundo. O alerta vem de Svein Tore Holsether, presidente-executivo da Yara, um dos maiores produtores de fertilizantes do planeta.

    “Até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado não estão sendo produzidas no mundo no momento”, afirmou Holsether em entrevista à BBC. “O que isso significa para a produção de alimentos? Estimaria até 10 bilhões de refeições que deixarão de ser produzidas a cada semana como resultado.”

    Segundo as Nações Unidas, cerca de um terço dos fertilizantes globais, incluindo ureia, potássio, amônia e fosfatos, passam normalmente pelo estreito de Ormuz. Com o bloqueio, o preço dos fertilizantes já subiu 80% desde o início das hostilidades. A queda na aplicação de fertilizante nitrogenado pode reduzir a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra.

    Os mais vulneráveis na linha de frente

    O impacto não será distribuído de forma igualitária. África subsaariana, Ásia, Sudeste Asiático e América Latina concentram os maiores riscos imediatos. Regiões que já operam com subfertilização, como partes da África, podem enfrentar quedas ainda mais acentuadas na produção agrícola.

    “Essa é uma situação em que as pessoas mais vulneráveis pagam o preço mais alto”, disse Holsether. “Nações em desenvolvimento não podem se dar ao luxo de acompanhar” uma disputa por alimentos com os países mais ricos.

    O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que as consequências combinadas do conflito no Oriente Médio podem levar 45 milhões de pessoas a mais à fome aguda em 2026. Na Ásia e no Pacífico, a insegurança alimentar deve crescer 24%, o maior aumento relativo entre todas as regiões.

    Efeito nos preços chega com atraso

    As épocas de plantio variam conforme a região. O Reino Unido atravessa a alta temporada de plantio, enquanto agricultores asiáticos estão apenas começando o ciclo. Por isso, os efeitos da escassez de fertilizantes nos preços dos alimentos na Ásia só devem aparecer no fim do ano, quando colheitas menores chegarem ao mercado, ou simplesmente não chegarem.

    “Se a crise se prolongar por mais tempo, veremos um impacto em culturas como o arroz nos próximos meses”, afirmou Paul Teng, pesquisador sênior em segurança alimentar em Cingapura.

    No Reino Unido, a Federação de Alimentos e Bebidas projeta inflação alimentar de até 10% em dezembro. O Banco da Inglaterra prevê alta de 4,6% nos preços de alimentos até setembro, com pressão maior no final do ano.

    Agricultores já sentem o aperto

    Além dos fertilizantes, produtores rurais enfrentam uma combinação de pressões simultâneas: alta no preço do diesel, aumento de outros insumos e custos de energia mais elevados. O problema é que os preços das safras ainda não subiram na mesma proporção.

    “Eles enfrentam custos de energia mais altos, o diesel para trator está aumentando, outros insumos estão aumentando, o custo do fertilizante está aumentando, mas os preços das safras ainda não acompanharam”, disse Holsether.

    O executivo pediu aos países europeus, portanto, que avaliem com cuidado o impacto de uma guerra de preços por alimentos sobre as populações mais frágeis em outras partes do mundo. “De quem estamos tirando comida ao comprarmos, nessa situação?”, questionou.

  • Agro redireciona rotas e usa Mar Vermelho após bloqueio no Estreito de Ormuz

    Agro redireciona rotas e usa Mar Vermelho após bloqueio no Estreito de Ormuz

    O agronegócio brasileiro mergulha em um verdadeiro pesadelo logístico. O Estreito de Ormuz, essa artéria vital do comércio global, fechou no fim de fevereiro de 2026 em meio às tensões entre Irã, EUA e Israel. Remessas de frango, grãos e soja agora desviam para o Mar Vermelho, um caminho que dobra custos de frete e acende temores de atrasos que pesam direto no seu bolso.

    Rotas redirecionadas

    Enquanto os exportadores correm para manter os produtos rolando, grandes transportadoras redirecionam navios carregados com os 95 mil contêineres de frango brasileiro do ano passado, rumo ao Oriente Médio. Ricardo Santin, do comando da ABPA, diz que nenhum rompimento grande aconteceu ainda; navios em trânsito tentam passagem, enquanto o Ministério da Agricultura ajusta papéis para novos portos. Ainda assim, fretes de contêineres refrigerados quase dobraram da noite pro dia, corroendo lucros em cada etapa.

    Mudança de rotas após bloqueio pressiona fretes, atrasa cargas e afeta insumos agrícolas

    O desvio pelo Mar Vermelho salva alguns negócios, mas armazéns lotam com cargas congeladas que não esperam pra sempre. Negociantes miram portos turcos como rota alternativa esperta pra Ásia Central, burlando o bloqueio do Golfo por completo.

    Escassez de fertilizantes já é um problema

    O Brasil importa 85% dos fertilizantes, e 20-30% do suprimento mundial passa por Ormuz. Preços da ureia saltaram 36% em dias, enquanto o enxofre pros fosfatos atrasa, encarecendo soja, milho e algodão em todo o Cerrado.

    Daniel Kümmel, da Abitrigo, alerta pro baque imediato. “Esse fechamento do Estreito de Ormuz já impacta diretamente nossos negócios, porque fretes marítimos vão mudar, a questão dos seguros e a questão também do petróleo em si.” Estoques de trigo aguentam três meses, mas pães podem subir de preço no país todo se o rolo se arrastar. Um dólar mais forte engorda a receita de exportação em reais, mas agrotóxicos e máquinas importadas mordem de volta.

    Produtor rural vive momento de tensão

    O agro fica de olho em cada faísca do conflito. Problemas logísticos dominam sobre proibições totais, somando-se aos engasgos globais de navios. Especialistas da UFG apontam a falta de ureia e enxofre como as verdadeiras assassinas de produtividade na próxima safra.

    Produtores se viram onde dá, mas o tabuleiro segue instável. Uma guerra prolongada pode forçar cortes no plantio ou margens de navalha. Todo mundo acompanha os fios diplomáticos, torcendo por um alívio antes do próximo ciclo de cultivo decolar.

  • Agro sob ataque: Selic alta e custos não dão trégua no campo

    Agro sob ataque: Selic alta e custos não dão trégua no campo

    A desaceleração no ritmo de queda da taxa básica de juros no Brasil, combinada à pressão internacional sobre insumos e ao ambiente fiscal doméstico mais sensível, já impacta o planejamento do agronegócio para 2026. A avaliação é de Wolney Arruda, administrador de empresas e presidente da Plantae Agrocrédito, com atuação no mercado de crédito rural há mais de duas décadas.

    Em entrevista ao Agro em Campo ele aponta para um cenário de crédito mais caro, custos elevados e maior incerteza para o produtor rural.

    Segundo o especialista, a combinação entre tensões geopolíticas, sobretudo envolvendo o Irã, e a limitação fiscal do governo brasileiro tende a manter o custo do dinheiro elevado por mais tempo. Isso afeta diretamente o acesso ao crédito rural e amplia os desafios para a próxima safra.

    Juros, cenário macro e crédito

    A redução menor da Selic muda o cenário para o agro em 2026?

    Muda bastante. O mercado esperava cortes mais agressivos, o que ajudaria a aliviar o custo do crédito. Com um ritmo mais lento, o produtor precisa se preparar para juros elevados por mais tempo.

    O que pesa mais hoje: risco fiscal ou cenário externo?

    Os dois fatores são relevantes, mas o fiscal tem um peso estrutural. Ele influencia diretamente a percepção de risco do país e limita a atuação do Banco Central.

    Existe risco de interrupção no ciclo de queda dos juros?

    Existe, principalmente se houver nova pressão inflacionária vinda de energia ou insumos agrícolas.

    Como esse cenário impacta o custo do dinheiro no campo?

    Ele encarece todas as linhas, tanto subsidiadas quanto livres, e reduz o acesso ao crédito em condições favoráveis.

    Geopolítica e custo dos insumos

    Como o conflito envolvendo o Irã impacta os fertilizantes?

    O Irã é um player relevante na produção de nitrogenados. Qualquer restrição de oferta pressiona os preços globais.

    O Brasil está muito dependente de insumos externos?

    Sim, especialmente em fertilizantes. Isso torna o país vulnerável a choques internacionais.

    Há alternativa no curto prazo?

    No curto prazo, não. A dependência é estrutural e exige tempo e investimento para ser reduzida.

    O risco no Estreito de Ormuz já afeta o diesel?

    Ainda de forma indireta, mas o mercado já precifica essa possibilidade, o que sustenta a volatilidade.

    Wolney Arruda, presidente da Plantae Agrocrédito

    Custos, produção e margens

    Qual é hoje o principal fator de pressão de custos?

    É um conjunto: fertilizantes, diesel e crédito. Todos estão pressionados ao mesmo tempo.

    Esse cenário pode mudar decisões do produtor?

    Sem dúvida. Pode levar à redução de área ou à escolha de culturas menos intensivas em insumos.

    Quais culturas são mais sensíveis?

    Milho e trigo, por exemplo, dependem mais de fertilizantes nitrogenados.

    O produtor está preparado para margens menores?

    Os mais capitalizados sim, mas uma parcela relevante ainda opera com pouca margem de segurança.

    Crédito rural e financiamento

    Como a Selic mais alta afeta o Plano Safra?

    Aumenta o custo de equalização para o governo, o que pode limitar a oferta de crédito subsidiado.

    A migração para crédito livre deve crescer?

    Sim, é uma tendência, principalmente entre produtores de maior porte.

    Quais os riscos dessa migração?

    Maior exposição à volatilidade dos juros e menor previsibilidade no custo financeiro.

    Pequenos e médios produtores serão mais impactados?

    Devem ser os mais afetados, porque têm menos acesso a alternativas de financiamento.

    Estratégia e perspectivas

    Como o produtor deve se posicionar agora?

    Com mais cautela, planejamento financeiro rigoroso e atenção ao custo de produção.

    Ferramentas de proteção ganham mais importância?

    Sim, hedge e gestão de risco passam a ser essenciais nesse ambiente.

    O agro brasileiro perde competitividade?

    Não necessariamente, mas enfrenta um ambiente mais desafiador.

    Esse cenário é conjuntural ou estrutural?

    Tem elementos dos dois. A geopolítica pode se ajustar, mas a questão fiscal tende a ser mais persistente.

    O que esperar para 2026 no campo?

    Um ano de decisões mais complexas, margens apertadas e maior necessidade de gestão profissional.

  • Crise global eleva custos e ameaça cadeia do trigo no Brasil, alerta Abitrigo

    Crise global eleva custos e ameaça cadeia do trigo no Brasil, alerta Abitrigo

    A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) alertou para os efeitos da atual crise global sobre a cadeia do trigo no Brasil, que já enfrenta forte alta de custos e riscos de impacto nos preços da farinha e de derivados como pão, massas e biscoitos.

    Segundo a entidade, o agravamento das condições econômicas internacionais, impulsionado pelas consequências do conflito no Irã, vem elevando despesas em toda a cadeia de produção. A alta do petróleo impulsiona o preço do diesel e dos fretes, enquanto as cotações do trigo sobem no Brasil e no exterior. Somam-se a isso o encarecimento de insumos, embalagens e seguros internacionais, criando um cenário de forte pressão sobre a indústria moageira.

    Além do contexto externo, o setor enfrenta fatores internos que agravam o cenário. A aplicação de alíquotas de PIS e COFINS sobre o trigo importado, com redução de benefícios fiscais, aumentou a carga tributária de produtos básicos, como a farinha de trigo. Essa mudança limita a capacidade da indústria de absorver custos e aumenta o risco de repasse parcial ao consumidor.

    Medidas pra evitar o pior cenário

    Mesmo diante desse quadro desafiador, a Abitrigo destaca que as empresas do setor têm buscado medidas de mitigação. Entre as ações estão a diversificação de origens de trigo e fornecedores, a otimização de estoques, o replanejamento logístico e o uso de instrumentos de gestão de risco de preços. A entidade também mantém diálogo constante com autoridades e formuladores de políticas públicas. Para também defender medidas que assegurem a competitividade do setor e a estabilidade do abastecimento.

    “Nosso compromisso é garantir o fornecimento estável da farinha de trigo. Que é essencial na mesa dos brasileiros, mesmo em um ambiente de instabilidade global”, afirmou o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa.

  • Guerra no Irã ameaça embarques de carne bovina e acende alerta no Brasil

    Guerra no Irã ameaça embarques de carne bovina e acende alerta no Brasil

    A escalada do conflito envolvendo o Irã acendeu um sinal de alerta para as exportações brasileiras de carne bovina. Principal fornecedor global do produto, o Brasil agora monitora com cautela os desdobramentos da guerra que ameaçam as vendas para uma de suas regiões mais estratégicas: o Oriente Médio.

    Os países do Oriente Médio absorveram cerca de 10% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil em 2025, o que representa um volume de 250 mil toneladas. O Irã, protagonista no atual cenário de tensão, figura entre os principais destinos desse comércio.

    Diante do aumento das incertezas, os exportadores brasileiros já enfrentam desafios logísticos. Rotas marítimas, custos com seguros de carga e a estabilidade financeira dos importadores entraram na mira das empresas, que começam a buscar mercados alternativos para redirecionar parte das mercadorias e evitar perdas.

    No mercado interno, analistas do setor acompanham a situação com cautela. Qualquer interrupção ou atraso nas compras por parte dos países importadores pode levar os frigoríficos a ajustarem temporariamente a demanda, o que tende a influenciar os preços do boi gordo.

    Especialista detalha cenário em evento

    Os efeitos da guerra, os impactos para as exportações e os possíveis desdobramentos para a pecuária brasileira serão alguns dos temas centrais do Simpósio Nutripura, que acontece até hoje, 21 de março, em Cuiabá. O economista Alexandre Mendonça de Barros participa do evento para detalhar como o cenário geopolítico pode influenciar o mercado da carne e apontar possíveis oportunidades para o setor.

    Mendonça de Barros integra um time de peso no evento. A programação conta com a presença do biólogo e comunicador Richard Rasmussen, do açougueiro e influenciador Marcelo Bolinha, que soma mais de 800 mil seguidores no Youtube, e do médico Dr. Alexandre Duarte, especialista em dieta carnívora e metabolismo humano.

    O Simpósio Nutripura também aposta em um eixo técnico-científico de peso. Os professores Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), trazem suas contribuições em áreas como nutrição, manejo e sistemas de produção animal.

    Completa a programação uma apresentação do professor José Luiz Tejon, especialista em marketing agro e comportamento do consumidor, ampliando o debate para temas como reputação, consumo e a imagem da carne brasileira no mundo.

    Nesta edição, o Simpósio espera reunir mais de 2 mil participantes, incluindo produtores rurais, técnicos, pesquisadores, executivos e empresas do agronegócio. A programação foca em inovação, sustentabilidade e as principais tendências dos mercados globais da carne brasileira.

  • Conflito no Oriente Médio eleva preços do café

    Conflito no Oriente Médio eleva preços do café

    Os preços do café voltaram a subir em março após quedas registradas em fevereiro. O avanço ocorre após impactos do conflito no Oriente Médio. Os dados do Cepea mostram recuperação de parte das perdas registradas no mês anterior.

    Em fevereiro, as cotações caíram no Brasil e no exterior. O mercado reagiu à expectativa de safra recorde em 2026/27. No entanto, o cenário geopolítico mudou esse movimento. O conflito no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado global.

    Conflito e câmbio impulsionam cotações

    Além das tensões geopolíticas, o dólar ganhou força frente ao real. Esse movimento também influenciou os preços internos. Outro fator importante envolve riscos logísticos no Estreito de Ormuz. A rota concentra parte relevante do transporte marítimo mundial.

    As preocupações com possíveis bloqueios elevaram as cotações do arábica na bolsa internacional.
    O café arábica negociado na ICE Futures registrou valorização. Como resultado, os preços também subiram no Brasil.

    Dificuldades logísticas podem afetar oferta

    Pesquisadores do Cepea alertam para impactos nas rotas comerciais globais. Com custos maiores e logística comprometida, produtores asiáticos podem enfrentar dificuldades para abastecer mercados ocidentais. Ou seja, esse cenário pode reduzir a oferta disponível em alguns destinos consumidores.

    Negócios avançam no mercado spot

    A recente valorização estimulou negócios no mercado físico brasileiro. Ainda assim, os pesquisadores relatam negociações com volumes reduzidos. Em geral, os produtores seguem cautelosos diante das incertezas no cenário internacional e nas cotações futuras.

  • Guerra no Oriente Médio encarece diesel e coloca em risco a colheita no Brasil

    Guerra no Oriente Médio encarece diesel e coloca em risco a colheita no Brasil

    Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã elevaram os preços internacionais do petróleo e jogaram sobre o agronegócio brasileiro uma ameaça imediata: o encarecimento do diesel em plena colheita de soja e no início do plantio da segunda safra de milho , operações que não admitem atraso.

    O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. Isso expõe os produtores rurais diretamente às oscilações do mercado internacional de combustíveis. Representantes de grandes entidades do agronegócio confirmam que os preços internos já sobem no rastro da alta do petróleo, mesmo sem um anúncio formal de reajuste pela Petrobras.

    “No momento, a principal preocupação é o preço do diesel. Vimos o petróleo subir de cerca de US$ 80 para a faixa dos US$ 100 por barril, o que causou apreensão no campo”, afirmou Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    O barril do Brent chegou a ultrapassar US$ 119 na segunda-feira antes de recuar. No início da tarde, ainda subia mais de 7%, sendo negociado perto de US$ 100.

    Problema imediato, sem possibilidade de adiamento

    O conflito geopolítico atinge a agricultura brasileira num momento crítico. Produtores transportam soja para os mercados, concluem a colheita das últimas áreas e terminam o plantio do milho safrinha, cultura que responde pela maior parte do cereal produzido no país. Todas essas operações dependem de diesel, assim como a aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas.

    “Os produtores precisam de combustível agora para manter as operações no campo”, disse Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Ele lembra que diesel e lubrificantes costumam representar cerca de 5% dos custos operacionais das fazendas, uma fatia que pode crescer rapidamente com a alta dos preços.

    Lucchi relatou aumentos de aproximadamente R$ 1 por litro nas bombas das regiões Centro-Oeste e Sul, com alguns casos chegando a R$ 1,50. Além disso, distribuidores no Rio Grande do Sul teriam começado a restringir vendas diante da escalada dos custos.

    Fertilizantes e logística também sentem a pressão

    Cerca de 70% dos fertilizantes utilizados no Brasil chegam de fora do país e percorrem rodovias até o interior. Com o diesel mais caro, o custo logístico de distribuição pode subir entre R$ 80 e R$ 150 por tonelada no frete. Valor que tende a repassar para os preços finais dos insumos.

    Por ora, Lucchi avalia que os riscos associados às importações de fertilizantes nitrogenados do Irã, especialmente diante de eventuais bloqueios no Estreito de Ormuz, ainda são administráveis. Os produtores garantiram estoques para a safra atual e podem adiar novas compras. O diesel, no entanto, não espera.

    O cenário se agrava porque os produtores já operam com margens comprimidas. Projeções para a safra 2025/2026 indicam queda expressiva na rentabilidade: a margem bruta da soja deve recuar 36,7%, enquanto no milho a redução pode chegar a 92,2%. Custos elevados, preços internacionais estagnados e produtividade incerta formam um tripé desfavorável.

    Brasil no epicentro do mercado global de grãos

    O país lidera as exportações mundiais de soja e ocupa posição de destaque no fornecimento global de milho. Qualquer interrupção nas operações agrícolas brasileiras reverbera nos mercados internacionais de grãos. O que torna o impacto do conflito no Oriente Médio sobre o agronegócio nacional uma preocupação que vai além das fronteiras.

    A dependência do transporte rodoviário amplifica o problema. Cerca de 90% do fluxo de grãos no Brasil passa pelas estradas, o que faz do diesel um insumo estratégico para toda a cadeia produtiva. Quando o combustível encarece, o custo do frete até os portos sobe, a rentabilidade das lavouras cai e a competitividade das exportações se reduz.

    Biocombustíveis e bioinsumos como estratégias de mitigação

    O debate sobre biocombustíveis ganha força nesse contexto. A política energética brasileira prevê ampliar a mistura obrigatória de biodiesel para 15% em 2026, o que pode reduzir parte da dependência externa. Contudo, a medida gera efeitos colaterais: a maior demanda por óleo de soja para produção de biodiesel pressiona os preços da commodity no mercado interno. O milho enfrenta dinâmica semelhante, com usinas de etanol competindo pelo grão com a cadeia alimentar.

    Paralelamente, os bioinsumos avançam como alternativa para reduzir custos dentro da porteira. O mercado brasileiro do setor alcançou R$ 4,35 bilhões na safra 2024/2025, crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior. Nos últimos cinco anos, o segmento praticamente quadruplicou, impulsionado pela busca por eficiência e pela necessidade de diminuir a dependência de insumos químicos importados.

    “A agricultura brasileira vive uma transformação silenciosa, porém significativa, com a crescente adoção dos bioinsumos”, afirma Fellipe Parreira, da área de Portfólio e Acesso do Grupo GIROAgro. Segundo ele, produtos biológicos como bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas se consolidam como alternativas sustentáveis aos insumos sintéticos tradicionais.

    A área tratada com bioinsumos saltou de cerca de 22% para 46,7% nas principais culturas do país. Estados como Mato Grosso e Goiás já superam 50% de adoção. Embora não substituam o diesel nas máquinas e no transporte, esses produtos reduzem a pressão de custos ao diminuir o uso de fertilizantes sintéticos e defensivos químicos. Um alívio relevante num momento em que cada real conta.

    Douglas Vaz-Tostes, especialista da GIROAgro, reforça a visão sistêmica: “Nutrir corretamente a lavoura é mais do que aumentar a produtividade. A qualidade do grão impacta a eficiência da ração, o desempenho animal e a previsibilidade de custos. Um manejo bem feito gera retorno ao produtor e estabilidade à cadeia como um todo.”

  • Guerra no Oriente Médio pode encarecer fertilizantes e combustíveis

    Guerra no Oriente Médio pode encarecer fertilizantes e combustíveis

    A escalada do conflito no Oriente Médio tem acendido um alerta no agronegócio brasileiro. Além das implicações geopolíticas, a instabilidade na região pode pressionar os preços de fertilizantes e combustíveis, dois insumos essenciais para a produção agrícola.

    Fertilizantes

    Um dos principais pontos de preocupação envolve o fornecimento de fertilizantes nitrogenados, como a ureia. O Brasil depende fortemente das importações desse insumo: em 2025, cerca de 100% da ureia utilizada no país foi adquirida no exterior. Desse total, aproximadamente 41% das cargas passaram pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica no Golfo Pérsico que concentra parte relevante do comércio global de fertilizantes.

    Com o aumento das tensões na região, analistas alertam para possíveis interrupções logísticas e redução da oferta. Caso o conflito se prolongue, a expectativa é de restrições no fornecimento e pressão de alta nos preços do produto no mercado internacional.

    Importância do Oriente Médio

    O Oriente Médio tem papel central no comércio global desses insumos. A região responde por cerca de 41% das exportações mundiais de ureia e por uma parcela significativa da produção de amônia, matérias-primas fundamentais para a fabricação de fertilizantes nitrogenados. Qualquer interrupção na produção ou no transporte desses produtos tende a afetar diretamente os fluxos comerciais e os preços globais.

    O mercado já começa a perceber os efeitos. Levantamentos apontam elevação nas cotações internacionais dos fertilizantes nitrogenados e retirada de ofertas em alguns portos diante das incertezas sobre a disponibilidade do produto e as condições logísticas.

    Combustíveis

    Além dos fertilizantes, o conflito também pode impactar o custo dos combustíveis. A região é uma das principais produtoras de petróleo do mundo, e eventuais restrições na oferta ou no transporte da commodity tendem a pressionar os preços internacionais. Ou seja, a alta do petróleo afeta diretamente o valor do diesel e do frete, elevando os custos de produção e de transporte no agronegócio.

    Diante desse cenário, especialistas avaliam que um conflito prolongado poderia gerar reflexos na próxima temporada agrícola brasileira, especialmente na safra 2026/27, que tem o plantio no segundo semestre. A combinação de fertilizantes mais caros e custos logísticos mais elevados tende a pressionar as margens do produtor rural e pode influenciar os preços dos alimentos ao longo da cadeia produtiva.

     

  • Tensões no Irã agravam restrições históricas contra mulheres, alerta especialista

    Tensões no Irã agravam restrições históricas contra mulheres, alerta especialista

    No Dia Internacional da Mulher, a situação das mulheres no Irã acende um alerta global. Segundo o advogado Daniel Toledo, especialista em Direito Internacional, a combinação de restrições estruturais com o aumento das tensões militares na região cria um cenário particularmente perigoso, onde violações históricas se intensificam e fundamentam pedidos de proteção internacional.

    Daniel Toledo, especialista em Direito Internacional. Foto: Divulgação

    “Falar sobre mulheres em zonas de tensão como o Irã é lembrar que autonomia, liberdade de expressão e participação social não podem ser relativizadas”, afirma Toledo. Para ele, a iminência de um conflito torna essas garantias ainda mais frágeis. “Em tempos de guerra, essas garantias ficam ainda mais frágeis, o que reforça a importância de mecanismos internacionais de proteção.”

    Protestos e repressão: O símbolo do hijab e o caso Mahsa Amini

    O sistema jurídico iraniano, baseado na lei islâmica, impõe limitações severas às mulheres, sendo o uso obrigatório do hijab o símbolo mais visível desse controle. A morte de Mahsa Amini em 2022, detida pela polícia da moral por supostamente violar as regras de vestimenta, gerou protestos em larga escala. Organizações de direitos humanos documentaram centenas de mortos e milhares de prisões durante a repressão às manifestações.

    Os dados oficiais do governo iraniano mostram uma contradição: as mulheres representam mais da metade dos estudantes universitários. No entanto, sua participação em cargos políticos de alto escalão segue restrita. A legislação local também impõe desigualdades profundas em áreas como direito de família, herança e guarda dos filhos.

    Efeito da guerra: Conflito armado como catalisador de violações

    Para Toledo, o agravamento das tensões militares é um fator determinante na análise jurídica internacional. “Quando um país já apresenta restrições severas à liberdade feminina, qualquer cenário de conflito armado amplia o risco de violações. A mulher passa a enfrentar não apenas limitações institucionais, mas também ameaça direta à sua integridade física”, explica.

    Relatórios da ONU corroboram essa visão, indicando que mulheres e meninas estão entre os grupos mais afetados em guerras no Oriente Médio, sofrendo com deslocamentos forçados, violência sexual e interrupção de serviços essenciais. Dados do Alto Comissariado da ONU para Refugiados mostram que elas representam cerca de 50% das mais de 110 milhões de pessoas deslocadas à força no mundo.

    Direito de fuga: Quando a perseguição de gênero justifica o asilo internacional

    Sob a ótica do direito internacional, esse contexto abre precedentes importantes. “Se uma mulher sofre repressão por participar de protestos, por descumprir normas impostas ou por manifestar posicionamentos políticos, isso pode caracterizar perseguição”, ressalta Toledo. Ele lembra que países signatários da Convenção de 1951 sobre o Estatuto dos Refugiados têm a obrigação de analisar esses casos com base no princípio do non-refoulement, que proíbe o retorno de uma pessoa a uma área onde sua vida ou liberdade esteja em risco.

    O especialista conclui que a discussão sobre o Irã, especialmente em um momento de tensão geopolítica, exige que a comunidade internacional trate a proteção feminina como prioridade jurídica. “A guerra não cria desigualdade, mas a aprofunda. E é justamente nesses momentos que os mecanismos internacionais de proteção precisam funcionar de forma mais rigorosa.”