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  • Projeto Pecuária ConSCiente Carbono Zero monitora emissões de gases

    Projeto Pecuária ConSCiente Carbono Zero monitora emissões de gases

    A Epagri está liderando um estudo inovador para medir a pegada de carbono da pecuária catarinense, e os primeiros resultados desafiam estimativas globais. Dados preliminares do projeto Pecuária ConSCiente Carbono Zero, iniciado em 2022, indicam que o setor emite até 30% menos gases de efeito estufa do que aponta o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão vinculado à ONU. A iniciativa visa criar um selo de certificação para produtores que adotam práticas sustentáveis, consolidando SC como referência em pecuária de baixo carbono.

    Metodologia inovadora: câmaras estáticas e colaboração científica

    O estudo, coordenado pelo engenheiro-agrônomo Cassiano Eduardo Pinto, da Epagri de Lages, utiliza câmaras estáticas que simulam ambientes de pastagem. Nelas, são analisadas amostras de solo, urina e esterco bovino para medir a emissão de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso – principais responsáveis pelo aquecimento global.

    Câmaras estáticas simulam ambientes fechados. Foto: Divulgação / Epagri

    As coletas de ar, feitas com seringas durante 90 dias, são enviadas à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), enquanto as amostras de solo são analisadas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O projeto conta com a colaboração de 18 pesquisadores da Epagri, Embrapa Pecuária Sul, Udesc e UFSC.

    “Queremos entender como a relação solo-planta influencia as emissões e, assim, propor soluções para mitigar o impacto climático sem prejudicar a produção”, explica Pinto.

    Dados preliminares surpreendentes: SC emite 0,3% contra 2% do IPCC

    Enquanto o IPCC estima que fezes e urina de bovinos respondem por 2% das emissões globais, os experimentos da Epagri revelam índices entre 0,3% e 0,4% em Santa Catarina. A diferença está no manejo sustentável das pastagens, que capturam carbono via fotossíntese e o armazenam no solo.

    “Produtores que adotam boas práticas agropecuárias não só reduzem emissões, mas sequestram carbono. Isso prova que é possível produzir e conservar”, destaca o pesquisador.

    Caminho para o selo de sustentabilidade: qualidade e responsabilidade

    O objetivo final do projeto Pecuária ConSCiente é lançar um selo de certificação que ateste o compromisso dos pecuaristas catarinenses com a sustentabilidade. A iniciativa valorizará produtos locais no mercado nacional e internacional, onde consumidores exigem transparência ambiental.

    “O selo associará qualidade à responsabilidade, agregando valor a uma cadeia já reconhecida por excelência”, afirma Pinto.

    Santa Catarina é um dos maiores polos pecuários do Brasil, com rebanho bovino de 4,3 milhões de cabeças (IBGE, 2023). O setor avícola também se destaca. O estado é o maior exportador de carne de frango do país, com receita de US$ 4 bilhões em 2024.

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  • Mudanças climáticas podem acabar com café no Brasil

    Mudanças climáticas podem acabar com café no Brasil

    Os produtores de café têm enfrentado várias dificuldades com a colheita este ano, especialmente devido ao impacto do aquecimento global.

    Algumas dessas dificuldades incluem:

    • Declínio da produtividade em consequência do aquecimento global, que está afetando a produtividade das plantações de café, levando a uma redução nos rendimentos e qualidade dos grãos.
    • Mudanças climáticas, como alterações nas temperaturas e nos padrões de chuva, estão afetando a distribuição e a qualidade das plantações de café. Isso pode levar a uma redução na qualidade e na produtividade dos grãos.
    • O aquecimento global pode beneficiar a disseminação de pragas e doenças que afetam as plantações de café, o que pode reduzir a produtividade e a qualidade dos grãos.
    • O aquecimento global também está afetando a disponibilidade de áreas adequadas para a produção de café. Isso pode levar a uma redução na produtividade e na qualidade dos grãos em regiões que anteriormente eram produtivas, ocasionando a perda de áreas produtivas.

    Essas dificuldades podem ter impactos significativos nos produtores de café e na cadeia de suprimento global, impactando de forma direta o Brasil, principalmente a produção de café arábica.

    Estudos indicam perdas

    De acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e dos institutos federais do Mato Grosso do Sul e do Sul de Minas, o país poderá perder mais de 50% das áreas propícias ao cultivo do grão até 2080, mesmo nos cenários mais otimistas.

    Utilizando cinco cenários climáticos projetados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o estudo simulou alterações no regime de chuvas e na temperatura atmosférica para as próximas décadas. Nos cenários menos adversos, por exemplo, a área adequada para a cafeicultura sem irrigação poderá diminuir em mais de 50% até 2060. O cenário mais pessimista prevê um aumento contínuo das emissões de gases de efeito estufa. Isso pode resultar em um aumento de 4°C na temperatura média global até o final do século.

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    Atualmente, 8,72% do território brasileiro são aptos para o cultivo de café arábica. Contudo, projeções indicam que essa área poderá ser drasticamente reduzida. No cenário mais otimista, a área adequada cairia para 3,7% entre 2041 e 2060, e para 5,4% entre 2061 e 2080. No cenário mais pessimista, a área cultivável poderia ser reduzida a zero até 2080.

    Estados mais afetados

    Os estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, que são os maiores produtores de café do Brasil. E estão entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas. Em São Paulo, por exemplo, metade das lavouras de café foi perdida nas últimas três décadas. Em 2024, a região Sudeste enfrentou quatro ondas de calor, afetando a produção e a qualidade do grão.

    A produção de café No Brasil representa 33% da produção mundial e 26% das exportações do país

    O engenheiro agrônomo Glauco de Souza Rolim, da Unesp, destacou para o  Jornal da Unesp a importância de estratégias de adaptação para preservar a produção de café no Brasil. “O café é muito suscetível ao clima e pode apresentar produtividades altas ou baixas dependendo da temperatura do ar e das chuvas durante seu ciclo de produção”, afirmou Rolim. Ele enfatizou a necessidade de desenvolver métodos de irrigação e outras tecnologias para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

    A produção de café é vital para a economia brasileira, representando 33% da produção mundial e 26% das exportações. A cadeia produtiva gera mais de 8 milhões de empregos e sustenta aproximadamente 287 mil cafeicultores, a maioria pequenos produtores. A redução das áreas cultiváveis terá sérios impactos econômicos e sociais, exigindo ações urgentes para garantir a sustentabilidade do setor.