A transformação digital do agronegócio brasileiro ganha ritmo acelerado com a adoção de soluções baseadas em inteligência artificial (IA), apontando para ganhos expressivos de produtividade e sustentabilidade no campo. Segundo levantamento da Embrapa, o uso de IA pode elevar a produtividade agrícola em até 20%. Além de reduzir perdas causadas por pragas e eventos climáticos em até 30%.
Em 2024, o agronegócio representou 23,2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, movimentando R$ 2,72 trilhões, de acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O cenário reforça a importância estratégica da inovação tecnológica para manter a competitividade e a sustentabilidade do setor.
Vinicius Gallafrio – CEO da MadeinWeb. Foto: Divulgação
Para Vinicius Gallafrio, CEO da MadeinWeb, a inteligência artificial já se tornou indispensável no segmento. “A ferramenta permite que produtores acessem insights antes inimagináveis, antecipem problemas e ajustem estratégias em tempo real. Ao unir tecnologia e capacitação humana, é possível aumentar a eficiência, reduzir perdas e promover a sustentabilidade nas lavouras”, afirma o executivo.
Integração tecnológica
A aplicação da IA no campo abrange desde sensores e imagens aéreas para monitoramento do solo e das plantas, até algoritmos avançados que analisam dados climáticos, históricos de produção e tendências de mercado. Essa integração tecnológica permite previsões mais precisas de safra, otimização da irrigação, detecção precoce de doenças e ajustes logísticos alinhados ao consumo.
O potencial de crescimento é evidenciado pelas projeções globais: investimentos em IA para o agronegócio devem alcançar US$ 4,7 bilhões até 2028, segundo a consultoria Markets and Markets.
Apesar do avanço, desafios estruturais persistem. A baixa conectividade em áreas rurais e a escassez de profissionais qualificados para operar e interpretar ferramentas digitais ainda limitam a adoção plena da IA. Pesquisa da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) revela que apenas 32% das empresas do setor superaram o déficit de habilidades técnicas necessárias para operar soluções avançadas.
Gallafrio destaca que o futuro do agronegócio nacional depende da sinergia entre tecnologia, políticas públicas eficazes e investimento em capital humano. “A inteligência artificial no agronegócio é a chave para transformar desafios históricos em oportunidades. O futuro do setor passa pela capacidade de integrar tecnologia com conhecimento humano, gerando eficiência, sustentabilidade e competitividade para o Brasil no cenário global”, conclui.
A Inteligência Artificial (IA) se consolida como uma aliada estratégica do agronegócio, trazendo inovações que transformam a forma como o setor enfrenta desafios diários e as incertezas climáticas. Segundo levantamento da Statista, plataforma global de dados e inteligência de negócios, o mercado de IA no agronegócio deve movimentar cerca de US$ 4,7 bilhões por ano até 2028.
No Brasil, a pesquisa ‘A Reinvenção do Agronegócio Brasileiro’, realizada pela PwC Brasil e divulgada em abril de 2025, aponta que 78% dos CEOs do setor planejam investir na integração de IA com plataformas tecnológicas nos próximos 12 meses. Esse índice supera a média nacional de outros setores, que é de 69%.
Henrique Galvani, CEO da Arara Seed, primeira plataforma de crowdfunding em startups do agronegócio, destaca: “Esse dado mostra que o agronegócio brasileiro está mais atento às novas tecnologias, especialmente diante das mudanças climáticas e da necessidade constante de adaptação. A IA oferece soluções que ajudam produtores a enfrentar os extremos climáticos, aumentando a resiliência e a sustentabilidade da produção.”
IA como ferramenta para produtividade e sustentabilidade no campo
Henrique Galvani ressalta que a aplicação da IA vai muito além da automação. Ela inaugura uma nova era de inteligência no uso dos recursos naturais. Promovendo a redução de insumos químicos, economia de água, minimização de perdas na colheita e melhorias na logística e armazenagem.
Hoje, já existem diversas soluções acessíveis, como:
Monitoramento por drones com análise preditiva
Recomendação automatizada de fertilizantes baseada na análise do solo
Previsão ideal de colheita com dados climáticos e fenológicos
Com IA, produtores conseguem gerir recursos naturais com maior precisão, controlando em tempo real o clima, a irrigação e o desenvolvimento das plantas.
IA e climate intelligence: antecipando riscos e otimizando decisões
A IA também ganha espaço nas plataformas de climate intelligence, que ajudam produtores e cooperativas a antecipar riscos climáticos e tomar decisões baseadas em dados concretos. Além disso, a IA generativa auxilia na modelagem de cenários de produção, precificação de commodities e planejamento logístico. Além da aceleração do desenvolvimento de novas sementes e bioinsumos.
Com o crescimento acelerado do mercado de IA e a adesão crescente dos líderes do setor, o agronegócio brasileiro demonstra que a inovação tecnológica deixou de ser opção para se tornar um diferencial competitivo essencial. Henrique Galvani conclui:
“A Inteligência Artificial não é mais uma tendência distante. Ela já transforma o agro e prepara o setor para os desafios de um mundo em constante mudança.”
Em uma iniciativa inovadora que une música, tecnologia e agricultura, a Syngenta acaba de lançar Bio & Lógico, a primeira dupla sertaneja desenvolvida por Inteligência Artificial (IA). Os personagens, Willian e Newton, são irmãos gêmeos virtuais criados para popularizar o uso de soluções biológicas no campo, combinando entretenimento e educação em uma campanha pioneira no setor.
Desenvolvidos pela agência Pixit com modelagem 3D e análise de dados agrícolas, os artistas digitais farão parte de uma estratégia multiplataforma, incluindo videoclipes, webséries, parcerias com influenciadores e participação em eventos do agro. A proposta é desmistificar os bioinsumos e mostrar, de forma lúdica, como eles podem aumentar a produtividade e a sustentabilidade nas lavouras.
“Queremos falar a língua do produtor rural, criando empatia por meio da música e do entretenimento. Essa campanha une tradição e inovação para mostrar que os biológicos são aliados poderosos no campo”, explica Jéssica Oikawa, Gerente de Marketing da Syngenta.
A campanha terá nove videoclipes em que a dupla transforma as soluções da Syngenta Biologicals em hits sertanejos. A apresentação dos produtos da empresa destacará de forma criativa os benefícios no controle de pragas, na promoção da saúde do solo e no aumento da resistência a estresses ambientais.
Além disso, uma websérie de oito episódios trará depoimentos de produtores rurais e especialistas, com a dupla convertendo suas experiências em versos musicais. A estratégia também inclui a série “Especialista Com Prova”, gravada no Centro de Pesquisa da Syngenta na Itália, onde experts testemunham a eficácia dos bioinsumos.
Gamificação e interação: Plataforma digital engaja produtores
Para ampliar o alcance da campanha, a Syngenta lançará “A Estância”, um site interativo que funcionará como hub da dupla Bio & Lógico. Nele, os usuários poderão:
Acessar informações sobre bioinsumos;
Jogar “BioDefender”, um game onde o objetivo é proteger lavouras usando biológicos;
Participar de cursos via app “No Alvo”;
Acumular pontos no programa Acessa Agro e trocá-los por brindes.
Ainda como parte da ação, influenciadores do agro produzirão conteúdos exclusivos com a dupla, reforçando a mensagem de forma descontraída. E em eventos do setor, o público poderá conferir flash mobs com as músicas de Bio & Lógico.
O uso de inteligência artificial (IA) está revolucionando o manejo de plantas daninhas em lavouras de cana-de-açúcar no Brasil. E trazendo mais precisão e eficiência para um dos maiores desafios do agronegócio nacional. Com a expectativa de que a safra 2025/26 alcance 671 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país reforça sua liderança global na produção de cana e açúcar. Para manter esse protagonismo, o setor aposta em tecnologia de ponta para combater espécies invasoras como mamona, corda-de-viola e mucuna-preta, que ameaçam a produtividade e a qualidade das lavouras.
IA no campo: precisão e economia no manejo
Ferramentas baseadas em inteligência artificial, como as oferecidas pela Taranis do Brasil, têm se destacado como aliadas estratégicas no campo. Segundo Fábio Franco, gerente-geral da empresa, a tecnologia proporciona “maior precisão na definição do manejo mais adequado para controlar espécies invasoras, contribuindo para a manutenção da produtividade e da competitividade das lavouras”.
A presença de plantas daninhas como mamona, corda-de-viola e mucuna-preta é um dos principais entraves para o desenvolvimento saudável da cana-de-açúcar. “Essas plantas competem com a cana por recursos como luz, água e nutrientes. O que leva a uma diminuição no desenvolvimento da cultura principal, resultando em menores rendimentos”, explica Franco.
A mamona, por exemplo, pode reduzir a produtividade da cana em até 80%. Além de se transformar em arbusto e dificultar o trabalho das colhedoras, causando paralisações e aumentando os custos operacionais. “A presença dessa planta invasora na lavoura, em forma de sementes ou outros materiais, reduz a qualidade da matéria-prima e pode gerar problemas na indústria, impactando a produção de açúcar e álcool”, detalha o gerente.
A corda-de-viola, ao cobrir a cana, bloqueia a luz solar e reduz a capacidade da planta de realizar a fotossíntese, prejudicando a produção de sacarose. Além disso, pode se enrolar nas máquinas colhedoras, entupindo-as e dificultando o processo de colheita, o que reduz a eficiência e aumenta os custos. Já a mucuna-preta, ao crescer sobre a lavoura, diminui a fotossíntese, dificulta a colheita e serve de hospedeira para pragas e doenças, podendo reduzir a produtividade em até 50%.
Mapeamento digital e relatórios inteligentes
Para enfrentar esses desafios, a Taranis do Brasil utiliza monitoramento aéreo com drones e câmeras de alta resolução, capazes de capturar imagens com menos de 1 mm por pixel. Essas imagens são analisadas por sistemas de IA alimentados por um banco de mais de 500 milhões de fotos e algoritmos avançados. “A identificação precisa, reforçada pelo uso de inteligência artificial, também desempenha um papel essencial nesse processo”, destaca Franco.
Após a identificação das plantas daninhas, a plataforma gera relatórios de diagnóstico detalhados sobre a distribuição e a área de cobertura da infestação. “Com essas informações em mãos, o produtor pode elaborar sua estratégia para eliminação dessas pragas já sabendo exatamente onde elas precisam ser atacadas. O uso da IA proporciona economia tanto de mão de obra quanto de recursos para o combate a essas plantas daninhas”, afirma o gerente-geral da Taranis.
Os relatórios podem ser acessados online, com filtros interativos, ou baixados em PDF ou Exce. E permite ao produtor acompanhar a evolução da lavoura ao longo dos anos e monitorar o surgimento de novas ameaças.
Manejo integrado e sustentabilidade
Além do uso de herbicidas, o manejo das plantas invasoras pode envolver práticas culturais, como rotação de culturas e cobertura morta. A combinação dessas estratégias com a identificação digital potencializa o controle, reduzindo perdas e custos.
“Fazer uso dessa tecnologia hoje é um investimento, uma vez que os dados ficam arquivados, e assim o produtor pode acompanhar ano a ano a evolução da sua cultura e monitorar com mais clareza o surgimento de possíveis ameaças à lavoura”, reforça Franco.
Com a adoção crescente de inteligência artificial no campo, o setor sucroenergético brasileiro ganha em produtividade, sustentabilidade e competitividade. E consolida sua posição de liderança mundial e mostrando que inovação e tradição podem caminhar juntas no agronegócio.
A Wine South America 2025, maior feira de vinhos da América Latina, acontece entre os dias 6 e 8 de maio, em Bento Gonçalves (RS), reunindo mais de 430 marcas nacionais e internacionais. A 5ª edição do evento se firma como palco de lançamentos, negócios e experiências, destacando desde vinhos elaborados com inteligência artificial até a estreia da primeira vinícola urbana do Brasil.
Com expectativa de gerar mais de R$ 100 milhões em negociações, a feira promoverá cerca de 2 mil rodadas de negócios nacionais e internacionais, reforçando o papel estratégico do evento no crescimento e modernização do setor vitivinícola brasileiro.
Primeiros vinhos brasileiros com inteligência artificial
Entre os destaques da programação está o IA Corte I, primeiro vinho brasileiro desenvolvido com apoio de inteligência artificial. Criado pela Casa Tertúlia, localizada no Alto Uruguai gaúcho, o corte é resultado da análise físico-química dos lotes e de dados internacionais, processados por algoritmos para otimizar a qualidade final do produto.
O engenheiro Gabriel Hilgert, responsável pela tecnologia, explica que o sistema não substitui o trabalho do enólogo, mas amplia suas possibilidades criativas. “A IA atua no momento do corte, sugerindo combinações ideais. A elaboração segue métodos tradicionais, com enólogos conduzindo todas as etapas”, afirma.
Estreia da primeira vinícola urbana do país
Outro marco do evento é a participação da Vinícola Ruiz Gastaldo, com sede em Porto Alegre (RS), considerada a primeira vinícola urbana do Brasil. Produzindo cerca de 4 mil garrafas por ano, a empresa aposta em rótulos autorais e na conexão direta com consumidores em centros urbanos.
“Nos EUA e na Europa, vinícolas urbanas são tendência. Elas aproximam o público da produção e democratizam o acesso ao vinho de qualidade”, destaca o proprietário Eduardo Gastaldo. Durante a feira, a marca apresentará espumantes, vinhos brancos e tintos.
Rótulos premiados e tradição centenária
A Casa Valduga, referência na vitivinicultura nacional, também marca presença na Wine South America com o lançamento de dois rótulos exclusivos: o Maria Valduga Nature, eleito melhor espumante do Brasil pelo Guia Descorchados 2025, e o tinto Praeteritum, elaborado com as uvas Merlot e Marselan. Ambos estarão disponíveis para degustação durante o evento, com valores entre R$ 569 e R$ 749.
O grupo ainda lança o documentário “A voz de quem faz”, que celebra os 150 anos da imigração italiana da Famiglia Valduga e sua trajetória no setor.
Feira une inovação, história e negócios
Combinando tecnologia, tradição e sustentabilidade, a Wine South America 2025 mostra como o vinho brasileiro está se posicionando diante das principais tendências globais. O evento é uma oportunidade única para produtores, especialistas e apreciadores explorarem os novos caminhos do setor. Além de ampliarem suas conexões em um ambiente cada vez mais competitivo e inovador.
A Solinftec reuniu a imprensa na terça-feira (29), durante a 30ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto, para apresentar os avanços de suas tecnologias, resultados de 2024 e projeções ambiciosas para 2025. A coletiva contou com a participação de Denis Arroyo, vice-presidente global; Emerson Crepaldi, COO Brasil e América Latina; e Bruno Pavão de Assis, CRO. A empresa celebrou 18 anos de atuação com o anúncio de metas ousadas, reforçando seu protagonismo em inteligência artificial, robótica e gestão agrícola de precisão.
Foco em inovação e expansão global
Denis Arroyo destacou o pioneirismo da Solinftec, única do setor a oferecer mais de 20 soluções tecnológicas multimercados, com liderança em inteligência artificial e robótica aplicada à agricultura em escala. Em 2025, a empresa atingiu o marco de maior AgTech do agronegócio brasileiro em área, receita e abrangência de mercado.
Com mais de R$ 1,3 bilhão investidos em inovação e um time de mais de 800 colaboradores – metade deles dedicados ao desenvolvimento de soluções – a Solinftec projeta alcançar R$ 450 milhões em receita recorrente no próximo ano, superando os R$ 70 milhões registrados em 2024, que já representaram crescimento 20% acima do esperado. A meta é crescer 50% em 2025 e dobrar esse volume em 2026.
“Tudo o que fazemos é vinculado às pessoas. Nossos clientes estão no centro do propósito: impactar positivamente a agricultura mundial”, afirmou Arroyo.
Plataforma Alice e integração com IA generativa
Emerson Crepaldi explicou a estratégia da empresa baseada em inteligência artificial na lavoura, com foco em gestão agrícola além das máquinas. “O produtor quer investir menos e produzir mais, e é isso que nossas soluções oferecem”, disse.
Dennis, Emerson e Bruno durante coletiva na 30ª Agrishow Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
A Plataforma Alice teve sua capacidade de entrega inteligente ampliada. As novidades incluem recomendações agronômicas, análise operacional e de condições climáticas, além de insights sobre o uso de máquinas. A integração com IA generativa, como o ChatGPT, promete ainda mais agilidade nas tomadas de decisão.
Crepaldi também destacou a isonomia das informações – automáticas, sem intervenção humana – e apresentou o novo sistema de Benchmark de máquinas, o maior banco de dados do mundo, com mais de 70 mil máquinas e 250 mil operadores monitorados. Em até 60 dias, a plataforma permitirá comparações entre marcas e modelos, auxiliando na escolha mais eficiente de equipamentos.
Entre os lançamentos, estão o certificado digital de matéria-prima, a fila única de transbordo (FUT), telemetria para otimização de insumos e a alocação inteligente de caminhões com rotas seguras e eficientes no campo e nas rodovias. A empresa também projeta o avanço da robótica até 2050, com mais inteligência, qualidade e sustentabilidade.
A Refill Station, sistema que possibilita operações autônomas de recarga do robô Solix, também foi detalhada: com câmeras para navegação, atuadores de conexão automática e IA para operações sem risco humano, é um passo definitivo na automação de campo.
Resultados concretos com o robô Solix
Bruno Pavão compartilhou os impactos do uso do robô Solix na safra 2024/2025 em culturas como soja, milho, cana, algodão e também na pecuária. Entre os destaques, estão a redução no uso de herbicidas, maior economia de água e aumento da eficiência produtiva.
Protótipo de robô da Solinfitec Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
Na pecuária, o sistema Solix foi aplicado no controle de plantas daninhas em pastagens, permitindo a separação entre o capim e plantas de folha larga, com consequente redução de herbicidas, aumento da sanidade do pasto e incremento de unidades animais por hectare.
Em termos biológicos, a empresa registrou aumento de 40% em fungos e bactérias que ajudam no estresse climático, 48% nas que favorecem a produção e 12% em microrganismos que contribuem com a degradação de moléculas químicas e orgânicas.
Com expectativa de cerca de 700 robôs no campo até 2026, a Solinftec reafirma sua missão de transformar a agricultura mundial com inteligência, sustentabilidade e eficiência.
A Inteligência Artificial (IA) já é realidade no campo e avança rapidamente sobre todas as etapas da produção agropecuária. Hoje, ela assume papel estratégico na coleta e análise de dados que impactam diretamente a produtividade e a rentabilidade das propriedades rurais.
A tecnologia identifica padrões, antecipa cenários e fornece recomendações com base em dados confiáveis. Com isso, produtores conseguem tomar decisões mais precisas, reduzir perdas e aumentar o desempenho no campo.
Com o tema “O Futuro de A a Z”, a 30ª Agrishow destaca a importância das inovações digitais no agronegócio. A maior feira de tecnologia agro da América Latina reúne soluções voltadas a produtores de todos os portes e perfis.
Segundo João Marchesan, presidente da Agrishow, o uso de tecnologia é fundamental para o setor seguir competitivo. “Já vemos resultados concretos dessa transformação, mas ainda há muito a avançar”, afirma. Para ele, a tecnologia garante uma produção mais moderna e resiliente.
Embrapa aposta na análise de solos com IA
A Embrapa apresenta na feira uma solução inovadora baseada em Inteligência Artificial. A tecnologia utiliza o equipamento AGLIBS para análise de solos com coleta digital, georreferenciamento e interpretação em nuvem ou servidor local.
A plataforma permite análises detalhadas com base em aprendizado de máquina. Ela gera mapas da variabilidade espacial dos nutrientes, interpretações agronômicas e recomendações com base em textura, pH, alumínio, macro e micronutrientes, além de carbono.
No caso do carbono, a tecnologia, em parceria com uma empresa cotitular, atende aos padrões da certificação internacional Verra. Isso permite validar projetos de crédito de carbono e monetizar as análises, com rastreabilidade e segurança dos dados.
IA e autonomia no campo
A Solinftec também marca presença na Agrishow com soluções em autonomia agrícola. A empresa apresenta o Refill Station, tecnologia que abastece o robô Solix Ag Robotics sem necessidade de contato humano. O sistema, movido a energia solar, utiliza IA para identificar o melhor momento de abastecimento.
Já a sueca Hexagon mostra que a automação no campo é realidade. Um dos destaques da marca é o display Ti10, que reúne todos os recursos de agricultura de precisão e monitoramento de máquinas. A tela de 10 polegadas possui alta capacidade de processamento e facilita o controle das operações agrícolas.
Dados precisos e decisões em tempo real
O uso de IA também garante ao produtor acesso a informações em tempo real sobre solo, clima, pragas e desenvolvimento das culturas. Antes, a produção dependia exclusivamente da observação humana. Hoje, sensores, drones, imagens de satélite e softwares avançados oferecem dados precisos e decisivos.
A xFarm Technologies / Checkplant apresenta na feira sensores com IoT (Internet das Coisas) e Inteligência Artificial para diferentes aplicações. Os sistemas envolvem irrigação automatizada, armadilhas inteligentes para pragas, monitoramento climático e análise do solo com alta eficiência.
O uso de inteligência artificial (IA) e drones vem revolucionando os inventários florestais na Amazônia. Em um sobrevoo de pouco mais de duas horas, a metodologia Netflora, desenvolvida pela Embrapa Acre, identificou 604 castanheiras-da-amazônia (Bertholletia excelsa) e mais de 14 mil outras árvores em uma área de 1.150 hectares na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, no Amazonas.
Essa inovação representa um salto de eficiência em comparação aos métodos tradicionais, que exigem 73 dias de trabalho e uma equipe de cinco profissionais para cobrir a mesma área.
O projeto, conduzido em fevereiro de 2025, integra o Projeto Geoflora, uma parceria da Embrapa Amazônia Ocidental com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema/AM), financiada pelo Fundo JBS pela Amazônia.
Segundo o pesquisador Evandro Orfanó, da Embrapa Acre, o uso de IA no inventário florestal permite uma gestão mais sustentável dos castanhais nativos e de outras espécies, conectando o conhecimento científico aos sistemas tradicionais de uso da terra.
Aplicativo facilita coleta e monitoramento de castanhais
Os moradores da RDS do Uatumã terão acesso a um inventário digital por meio de um aplicativo de celular. A ferramenta disponibiliza planilhas, mapas dinâmicos e localização precisa das árvores, otimizando o trabalho dos extrativistas.
“Será possível navegar na floresta como fazemos em cidades usando aplicativos de mapas, cada árvore mapeada terá um endereço único, representado por coordenadas geográficas”, explica Orfanó.
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Além de melhorar a coleta, o sistema de georreferenciamento diminui o esforço físico, reduzindo as longas caminhadas dos extrativistas e contribuindo para a preservação dos recursos naturais.
Netflora já mapeou mais de 70 mil hectares na Amazônia
Tradicionalmente, uma equipe precisa de um dia inteiro para mapear cerca de 20 hectares. Com a metodologia Netflora, é possível mapear até 3.500 hectares por dia, produzindo informações detalhadas sobre a floresta a uma velocidade de 2 hectares por segundo.
De acordo com Orfanó, essa inovação já mapeou mais de 70 mil hectares e permitiu a construção de um amplo banco de dados de imagens de espécies florestais, captadas por drones com câmeras RGB. Além disso, a tecnologia reduz em cerca de 90% os custos operacionais.
Castanha-da-amazônia e a valorização do extrativismo sustentável
A coleta da castanha-da-amazônia é fundamental para a economia das comunidades locais, integrando práticas de bioeconomia e sustentabilidade.
A pesquisadora Kátia Emídio da Silva, chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Amazônia Ocidental, coordena o projeto Otimização da Coleta Extrativista da Castanha-do-Brasil no Amazonas, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
A inovação reduz cerca de 90% dos custos em relação a inventários florestais tradicionais. Ao mesmo tempo em que aumenta a precisão e a eficiência do monitoramento ambiental. Foto: Caio Alexandre Santos/Embrapa
O projeto visa instalar cabos aéreos (semelhantes a tirolesas) para transportar castanhas em áreas de difícil acesso. Assim, diminuindo o esforço físico e prevenindo problemas de saúde entre os extrativistas.
“Com o apoio do Netflora, conseguimos mapear as castanheiras e planejar melhor a instalação dos cabos. Ampliando as áreas de coleta e tornando a atividade menos exaustiva”, afirma Silva.
Jovens e novas oportunidades para o extrativismo
A introdução de novas tecnologias, como o Netflora e os cabos aéreos, também busca atrair jovens para o extrativismo, atividade que muitos evitam devido ao esforço físico exigido.
Além da castanha, a varredura do Netflora identificou outras espécies de interesse comercial, como breu, baru e copaíba. Que agora também poderão ser manejadas de forma sustentável na RDS do Uatumã.
Cerca de um ano após o seu lançamento, Netflora já mapeou mais de 70 mil hectares de florestas na Amazônia. Imagem: Evandro Orfano
A ampliação do banco de dados do Netflora tem sido fundamental para o reconhecimento automático de espécies. Atualmente, os algoritmos processam dados de diversas regiões, conseguindo identificar padrões regionais e espécies semelhantes, mesmo em áreas nunca antes analisadas.
“Já conseguimos reconhecer a copa de uma palmeira da região Nordeste em áreas distintas, o que demonstra a capacidade de generalização dos algoritmos”, destaca Orfanó.
O cruzamento de imagens captadas pelos drones com dados existentes também possibilitou a identificação de clareiras, árvores mortas e novas espécies. Ampliando significativamente o conhecimento sobre a diversidade da floresta amazônica.
Como acessar e utilizar o Netflora
O Netflora está disponível gratuitamente no repositório do GitHub. E pode ser utilizado por meio de um Notebook Colab, plataforma colaborativa hospedada na nuvem do Google.
Não é necessário ter conhecimento avançado para utilizar a ferramenta. Um curso gratuito, “Detecção de espécies florestais com uso do Netflora”, está disponível na plataforma e-Campo da Embrapa, oferecendo um passo a passo para sua implementação.
Uma nova metodologia desenvolvida pela Embrapa e parceiros está revolucionando o mapeamento de viveiros escavados no Brasil. Utilizando imagens de satélite de alta resolução, algoritmos de machine learning e a plataforma Google Earth Engine, a técnica automatizada alcançou 90% de precisão na identificação de tanques de aquicultura no Paraná, maior produtor e exportador de peixes do país. Os detalhes foram publicados na revista Remote Sensing Applications: Society and Environment e estão disponíveis aqui.
O sistema combina:
Imagens do programa NICFI (Noruega), com resolução de 1,5 metro por pixel.
Algoritmo Random Forest para classificação de dados com base em 1,2 mil amostras.
Filtros geométricos para diferenciar viveiros de outros corpos d’água.
“Reduzimos 90% do esforço humano no mapeamento, mas a validação por especialistas ainda é essencial”, explica Marta Ummus, geógrafa da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO).
Paraná em destaque: 42 mil viveiros mapeados
O estudo revelou:
11.515 hectares de lâmina d’água dedicados à aquicultura no estado.
40% dos tanques concentrados nas regiões Oeste e Metropolitana de Curitiba.
Municípios líderes: Nova Aurora, Palotina, Toledo e Assis Chateaubriand (Oeste) respondem por 24% da produção.
“Esses dados são vitais para gestão ambiental e investimentos”, destaca Bruno Silva, pesquisador do Biopark Educação, parceiro no projeto.
Expansão para outros estados
A metodologia já está sendo testada em Rondônia, RJ, MG e TO. Para ampliação, a Embrapa busca parcerias com instituições locais:
“O conhecimento regional é crucial para refinar o algoritmo”, afirma Ummus.
Dados atualizados ajudam a monitorar impactos ambientais e direcionar políticas públicas.
O sistema de viveiros escavados é o mais utilizado na produção de peixes no Brasil. Na foto acima, um exemplo de viveiro escavado no estado do Tocantins. Foto: Clenio Araújo /Embrapa
Paraná: potência nacional na aquicultura
194,1 mil toneladas de peixes produzidas em 2023 (22,5% do total nacional).
1/3 da tilápia do Brasil vem do estado, com receita de R$ 1 bi em 2022.
Top 6 municípios produtores: Maripá, Terra Roxa, Nova Santa Rosa, Cafelândia, Marechal Cândido Rondon e Tupãssi.
O projeto, renovado recentemente com apoio da Fundação Araucária e Universidade Estadual do Oeste do Paraná, promete:
Mapear novas regiões em tempo recorde.
Oferecer dados estratégicos para cooperativas, indústrias e órgãos ambientais.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão finalizando uma solução inovadora para reduzir perdas causadas por contaminações microbianas na produção de etanol. Combinando espectrometria de massas e inteligência artificial (IA), o método promete identificar bactérias prejudiciais ao processo de fermentação em tempo recorde, otimizando o uso de antimicrobianos e aumentando a eficiência industrial. A tecnologia, desenvolvida no âmbito do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), tem potencial para ser aplicada também em setores como alimentos, cervejas e carnes.
Tecnologia adaptada da saúde para a indústria
O projeto, financiado pela Shell Brasil via cláusula de P&D da ANP, utiliza o equipamento MALDI-TOF (Matrix-Assisted Laser Desorption/Ionization Time-of-Flight), comum em diagnósticos hospitalares. Segundo Carlos Alberto Labate, coordenador do estudo e professor da ESALQ-USP, a técnica está sendo adaptada para o ambiente industrial: “Assim como o MALDI-TOF identifica microrganismos em hospitais, estamos desenvolvendo métodos para detectar contaminantes em usinas com a mesma rapidez e precisão”.
Atualmente, a identificação de bactérias leva dias, mas a nova metodologia reduzirá o processo para horas. Isso permitirá às usinas agir rapidamente. E reduzir perdas que chegam a 2% da produção nacional de etanol – equivalente a R$ 1,5 bilhão anuais, segundo dados do setor.
A inovação inclui a integração de modelos de IA capazes de identificar múltiplos microrganismos em uma única análise, simplificando etapas e reduzindo custos. Labate destaca que o sistema pode evoluir para soluções automatizadas: “No futuro, a IA não só detectará o contaminante. Mas sugerirá medidas corretivas, aumentando ainda mais a eficiência”.
Aplicação além do etanol
A tecnologia também beneficiará indústrias que dependem de processos fermentativos, como produção de cerveja e laticínios. “O controle preciso de contaminações é essencial para segurança e produtividade em diversos setores”, explica Labate.
O projeto, que conta com parceria da Raízen, tem conclusão prevista para maio de 2025.