Tag: inovação no campo

  • Cooperativas de café e leite buscam superar barreiras tecnológicas

    Cooperativas de café e leite buscam superar barreiras tecnológicas

    Em uma pesquisa da Fundação Dom Cabral, foram identificadas 22 barreiras à transformação digital em cooperativas de café e leite de Minas Gerais. O estudo foi desenvolvido em um mestrado profissional em Administração, a partir de entrevistas com lideranças cooperativistas do estado.

    Embora exista interesse entre os cooperados em digitalizar a gestão, a adoção das ferramentas ainda é dificultada por fatores que vão além da falta de recursos financeiros.

    Entre os principais obstáculos, são apontadas a dificuldade dos pequenos produtores para utilizar tecnologias, a resistência a novas soluções e a baixa conectividade nas áreas rurais. Além disso, limitações para investimentos em sistemas e equipamentos são enfrentadas tanto pelas cooperativas quanto pelos produtores.

    Digitalização avança no agro

    O cenário observado em Minas Gerais acompanha uma transformação que vem sendo registrada em todo o agronegócio brasileiro. Segundo o Cepea e a CNA, o setor respondeu por 25,13% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025.

    Ao mesmo tempo, diferentes níveis de maturidade tecnológica são observados entre as cooperativas. Enquanto algumas ferramentas digitais já são utilizadas na gestão e na produção, problemas de infraestrutura e capacitação ainda são enfrentados por outras organizações.

    Nesse contexto, sete tendências tecnológicas foram identificadas em um levantamento do Sistema OCB/InovaCoop. De acordo com o estudo, essas soluções poderão influenciar a competitividade das cooperativas agropecuárias nos próximos anos.

    Entre as tendências apontadas, a rastreabilidade aparece como uma das principais demandas. Isso ocorre, sobretudo, porque mais informações sobre a origem dos produtos e as etapas da cadeia produtiva passaram a ser exigidas pelos consumidores.

    Campinas concentra inovação

    Enquanto barreiras estruturais e culturais ainda são enfrentadas pelas cooperativas mineiras, a região de Campinas, no interior de São Paulo, foi consolidada como um polo de inovação para o agronegócio.

    Na região, estão instalados o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Essa proximidade entre centros de pesquisa e empresas é apontada como um dos fatores que atraíram startups do setor, conhecidas como agtechs.

    Como consequência, soluções de inteligência artificial, sensores e sistemas de gestão passaram a ser desenvolvidas e testadas próximas às empresas do agronegócio.

    Por outro lado, dificuldades básicas ainda são enfrentadas por muitas cooperativas. Entre elas estão o acesso limitado à internet e a falta de capacitação dos cooperados.

    Assim, permanece um descompasso entre a oferta de tecnologias avançadas e a capacidade de adoção dessas soluções no campo.

    Confiança influencia adoção

    Para Luis Carlos Crema, advogado, contador e empresário, uma posição específica é ocupada pelo produtor dentro da cooperativa. Ele atua, simultaneamente, como dono, fornecedor e cliente da organização.

    Com 33 anos de atuação na prestação de serviços jurídicos e contábeis a cooperativas de todo o Brasil, Crema assumiu recentemente a posição de CEO do ST7 COOP, sistema de gestão voltado ao setor.

    “O produtor vive uma realidade muito particular dentro de uma cooperativa: ele é, ao mesmo tempo, dono, fornecedor e cliente do próprio negócio. Quando a tecnologia chega sem entender essa tripla função, ela acaba sendo vista como algo estranho à rotina dele, difícil de confiar”, afirma Crema.

    Além disso, parte da resistência identificada pela Fundação Dom Cabral é atribuída pelo executivo à forma como a contabilidade cooperativista costuma ser tratada pelos sistemas de tecnologia.

    “Não é a mesma contabilidade de uma empresa comum. Ela precisa ser feita de duas formas, uma convencional, outra cooperativista, levando em conta o que chamamos de ato cooperativo. Quando o sistema não nasce entendendo essa diferença, o produtor sente que está lidando com uma ferramenta que fala outra língua”, explica.

    Inteligência artificial ganha espaço

    A expansão do ecossistema de inovação também é revelada pelos indicadores do setor. No Radar Agtech Brasil 2025, foram registradas 2.075 startups voltadas ao agronegócio em operação no país.

    Em relação ao ano anterior, foi registrado crescimento de 5%. Dessa forma, o levantamento reforça a ampliação do mercado de empresas de tecnologia voltadas ao campo.

    Além disso, pesquisas do setor de tecnologia apontam que ferramentas de inteligência artificial já são utilizadas por cerca de 40% das empresas brasileiras em alguma etapa das operações.

    Nesse cenário, a IA deixou de ser tratada apenas como uma experiência. A tecnologia passou a ser associada à competitividade, embora sua adoção pelas cooperativas ainda seja condicionada à infraestrutura, à qualificação e à segurança no uso dos dados.

    Pesquisa recomenda medidas

    Para que as barreiras sejam reduzidas, o estudo da Fundação Dom Cabral recomenda a adoção de medidas permanentes:

    • criação de programas contínuos de capacitação digital para produtores;

    • ampliação do acesso à internet nas áreas rurais;

    • desenvolvimento de plataformas simples e adaptadas à rotina do campo;

    • estímulo à intercooperação para ampliar a escala e reduzir custos;

    • fortalecimento da governança sobre o uso de dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

    Além da infraestrutura, a proteção das informações é considerada essencial. Para Crema, a confiança precisa ser estabelecida antes da adoção de novas funcionalidades.

    “Antes de qualquer funcionalidade, o produtor precisa sentir que a informação dele está protegida e que vai ser usada para ajudá-lo a vender melhor o que produziu. Sem essa confiança, nenhuma tecnologia avança no campo”, diz.

    Sistema reúne 27 módulos

    O ST7 COOP é um sistema de gestão empresarial desenvolvido pela SOLTERRA SOLUÇÕES INTELIGENTES S.A., empresa com sede em Campinas (SP) e escritório em Minas Gerais.

    Segundo a companhia, 27 módulos integrados são reunidos pela plataforma. Entre eles estão:

    • contabilidade cooperativa;

    • automação fiscal;

    • CRM cooperativista;

    • gestão de estoque;

    • logística;

    • comércio exterior;

    • análise de crédito;

    • inteligência artificial.

    A empresa afirma que o sistema foi estruturado com base no ato cooperativo, mecanismo pelo qual é registrada a participação de cada associado nos resultados da cooperativa.

    A plataforma pode ser implantada em servidores próprios ou utilizada em nuvem. Além disso, diferentes bancos de dados são compatíveis com o sistema.

    Por fim, a inteligência artificial nativa, denominada IA-ST7, permite interação por voz, automação de compras e suporte ao planejamento estratégico, conforme informações da SOLTERRA.

  • Milho supera 340 sacas por hectare em concurso nacional

    Milho supera 340 sacas por hectare em concurso nacional

    Os resultados alcançados por produtores no Concurso Nacional de Produtividade de Milho 2026, promovido pelo Grupo Tático de Aumento de Produtividade (Getap), colocaram em evidência o desempenho de híbridos de milho da Bayer em diferentes regiões e sistemas de cultivo. Entre os destaques, produtores alcançaram produtividades superiores a 340 sacas por hectare, enquanto a companhia ampliou para nove o número de lançamentos de híbridos apresentados neste ano.

    A estratégia combina a renovação do portfólio com a oferta de materiais adaptados a diferentes ambientes produtivos. Atualmente, a Bayer reúne mais de 50 híbridos de milho distribuídos no Brasil pelas marcas Agroeste, Dekalb e Sementes Agroceres.

    No concurso, os híbridos da empresa conquistaram o pódio completo na categoria centro irrigado, além de posições de destaque em outras disputas nacionais e estaduais. Os resultados foram registrados em regiões de cultivo irrigado e de sequeiro, incluindo áreas de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    Produtividade supera 340 sacas por hectare

    Um dos principais resultados foi registrado na categoria verão sul sequeiro. O Grupo Reinhofer, de Guarapuava (PR), alcançou produtividade de 343,1 sacas por hectare com o híbrido DKB235PRO3, garantindo a sétima colocação no ranking nacional.

    Ainda na mesma categoria, Ralf Karly, de Candói (PR), ficou em nono lugar ao utilizar o DKB242PRO4. A produtividade registrada foi de 339,2 sacas por hectare. Em Santa Catarina, a Agro Mallon, de Canoinhas, garantiu a terceira colocação estadual com o AS1955PRO4, ao atingir 330 sacas por hectare.

    Já na categoria verão sul irrigado, o melhor resultado nacional da Bayer foi obtido por Hugo Mariane Filho, de Chapada (RS). Com o DKB242PRO4, o produtor registrou 308,8 sacas por hectare e alcançou a sétima posição. Ao todo, seis inscrições com híbridos da companhia ficaram entre as 20 primeiras colocações nacionais.

    No Rio Grande do Sul, Carlos Eduardo Sperotto, de Santo Augusto, teve duas participações entre os 20 melhores resultados. O produtor ficou em 11º lugar, com 299,5 sacas por hectare e o AS1955PRO4, além da 15ª posição, com 293,1 sacas por hectare e o DKB242PRO4.

    Também aparecem entre os destaques Paulo Dilly, de Ibirubá, com 294,8 sacas por hectare e a 14ª colocação; Décio Ladir Neuls, de Santa Bárbara do Sul, que ficou em 19º lugar com 286,4 sacas por hectare; e Maurício De Bortoli, de Cruz Alta, com 284,1 sacas por hectare e o DKB242PRO4.

    Minas Gerais concentra resultados de destaque

    Na categoria centro irrigado, Minas Gerais teve o pódio completo formado por produtores que utilizaram o híbrido AS1955PRO4, da Agroeste. O primeiro lugar ficou com a Fazenda Nacional AgroFarm, de São Gonçalo do Sapucaí, que alcançou 289,6 sacas por hectare.

    Olindo César Corso, de Bambuí, registrou 287,6 sacas por hectare e terminou na segunda posição. Alexandre Avelar, de Três Corações, completou o pódio, com produtividade de 280,9 sacas por hectare.

    O desempenho também apareceu na categoria centro sequeiro. Em Goiás, Francisco Godoy Netto, de Catalão, conquistou o título estadual com o AS1868PRO4, ao atingir 251,2 sacas por hectare. Paulo Roberto Shwengber, de Leopoldo de Bulhões, ficou com o vice-campeonato estadual, com 247,3 sacas por hectare e o AG8701PRO4. Eldo Marconi Pereira, de Gameleira de Goiás, completou o pódio com o AG8909PRO4 e 240,9 sacas por hectare.

    Em Minas Gerais, cinco híbridos da companhia apareceram entre as dez primeiras posições do ranking da categoria. Diego Vettori, de Campanha, ficou em segundo lugar, com 299,1 sacas por hectare e o AS1955PRO4. Marcus Veiga, de São João del-Rei, foi o terceiro colocado, com 282,7 sacas por hectare e o mesmo híbrido.

    Carlos Fábio Nogueira Rivelli, também de São João del-Rei, ficou em quarto lugar com o DKB242PRO4, ao alcançar 281,8 sacas por hectare. O produtor ainda apareceu na nona posição com o AS1955PRO4, com 267,1 sacas por hectare. Vander de Sousa Andrade, de Luminárias, foi o sexto colocado, com 278,8 sacas por hectare utilizando o AS1955PRO4.

    Nove lançamentos ampliam opções para produtores

    Os resultados apresentados no Getap ocorrem em um momento de expansão do portfólio de sementes de milho da Bayer. Em 2026, a companhia destacou nove lançamentos de híbridos, volume três vezes maior que o registrado em anos anteriores.

    A estratégia busca ampliar as alternativas disponíveis aos agricultores de acordo com características como região, janela de plantio, ambiente produtivo e sistema de cultivo. Segundo a empresa, entre os materiais de destaque no concurso estão híbridos com a biotecnologia VTPRO4®, voltada à proteção contra as principais pragas da cultura do milho.

    “Os desempenhos alcançados pelos produtores no Getap evidenciam o potencial da combinação entre genética, biotecnologia e manejo adaptado à realidade de cada região. Nosso compromisso é oferecer aos agricultores um portfólio amplo e diversificado, desenvolvido para responder às demandas do campo em diferentes ambientes de produção do País”, afirma Diogo Monteiro, diretor de estratégia para o negócio de milho.

    Além das sementes, a Bayer também registrou presença entre as soluções de proteção de cultivos utilizadas pelos participantes do concurso. Em herbicidas, Roundup® e Soberan® aparecem entre os produtos mais utilizados, enquanto o pré-emergente Adengo® foi apresentado como alternativa para o manejo de plantas daninhas.

    No segmento de fungicidas, Nativo® e Fox Xpro® também ficaram entre os principais produtos utilizados pelos agricultores participantes do Getap.

    Tecnologia apoia escolha de híbridos

    A empresa relaciona os resultados alcançados no concurso aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, melhoramento genético e tecnologias voltadas ao suporte à tomada de decisão no campo.

    Entre essas iniciativas está o Bayer VAlora Milho, programa de agricultura digital que reúne mais de 1.900 produtores participantes no Brasil. Segundo a companhia, a iniciativa é resultado de mais de dez anos de pesquisa e contribui para orientar a escolha de híbridos e estratégias de manejo conforme as características de cada região.

    Para Diogo Monteiro, os resultados obtidos em áreas de sequeiro e irrigadas reforçam a necessidade de selecionar materiais adequados às condições de cada propriedade.

    “Do sequeiro ao irrigado, os resultados obtidos no Getap reforçam a importância de o agricultor contar com híbridos adequados a cada ambiente produtivo. É com essa visão que seguimos investindo para apoiar os produtores na busca por produtividade e rentabilidade”, conclui.

     

  • Hortitec traz novidades contra pragas e viroses do tomate

    Hortitec traz novidades contra pragas e viroses do tomate

    A BASF Soluções para Agricultura aproveitou a Hortitec 2026, realizada entre os dias 17 e 19 de junho, em Holambra (SP), para apresentar novas tecnologias voltadas ao cultivo de tomate. As soluções reúnem sementes, proteção de cultivos, biológicos, agricultura digital e ferramentas financeiras. O objetivo é ajudar os produtores a aumentar a produtividade e melhorar a rentabilidade das lavouras.

    O sistema produtivo de hortifrúti está entre as prioridades da empresa no Brasil. Além disso, a companhia mantém investimentos em culturas como soja, milho, algodão e arroz. Globalmente, a BASF investe cerca de 1 bilhão de euros por ano em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, estão previstos aproximadamente 30 lançamentos até 2035, incluindo novas moléculas, formulações, traits, sementes e ferramentas digitais.

    Entre as novidades apresentadas na feira, o destaque foi a ampliação do uso do inseticida Efficon para a cultura do tomate.O produto atua desde o início do ciclo da planta. Além disso, conta com o chamado “Efeito Freeze”, tecnologia que paralisa imediatamente os insetos. Dessa forma, interrompe o desenvolvimento das pragas e reduz a transmissão de doenças.

    Por sua vez, outra solução apresentada foi o Vinquo. O inseticida é desenvolvido a partir da molécula Inscalis e indicado para o controle de insetos sugadores. Entre eles estão a mosca-branca no tomate e o pulgão-verde na batata. Já o fungicida Mibelya utiliza a molécula Revysol. O produto auxilia no controle de doenças como o oídio e a septoriose no tomate. Também é indicado para o manejo da pinta-preta na batata.

    Genética e resistência no campo

    Além das soluções para proteção de cultivos, a marca Nunhems, divisão de sementes de frutas e hortaliças da BASF, também apresentou novidades durante a Hortitec. O portfólio é voltado ao aumento da produtividade e ao fortalecimento da resistência das plantas diante dos principais desafios fitossanitários.

    Nesse contexto, entre os destaques está o híbrido de tomate Strongton. A variedade combina alta produtividade com resistência a viroses transmitidas pela mosca-branca e pelos tripes. Além disso, oferece resistência ao vírus rugoso do tomate (ToBRFV).

    Já entre as soluções para enxertia, a empresa apresentou o porta-enxerto Enholder. A solução contribui para aumentar o vigor das plantas e melhorar a estabilidade produtiva. Da mesma forma, favorece o desempenho das lavouras em áreas com pressão de doenças de solo, nematoides e estresse hídrico.

    Segundo Golmar Beppler Neto, gerente de Vendas da BASF Brasil para a Nunhems, a feira representa uma oportunidade importante de aproximação com os produtores.

    “A Hortitec é um momento único para nós. É a maior feira da América Latina e a oportunidade de conectar as nossas soluções com os produtores, mostrando os benefícios que conseguimos trazer para toda a cadeia. Neste ano, trouxemos soluções voltadas ao tomate como principal mote do evento, com destaque para o Strongton, um híbrido que oferece mais segurança ao produtor”, afirmou.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Inovação para enfrentar os desafios da produção

    Por outro lado, para Katty Caroline Corrente, líder do sistema produtivo de hortifrúti, cana-de-açúcar e café da BASF Soluções para Agricultura, a Hortitec também é um momento estratégico para ouvir os agricultores.

    “A Hortitec é a feira mais importante da América Latina para o setor de horticultura. É um momento muito importante para reunir os horticultores, apresentar lançamentos, conversar com clientes e entender um pouco mais as dores que eles sentem no campo”, destacou.

    Além disso, de acordo com a executiva, este é o terceiro ano consecutivo em que a empresa leva inovações para a feira.

    “Estamos trazendo mais uma inovação, que é o Efficon para o manejo de pragas sugadoras. As inovações vêm justamente para ajudar o produtor a enfrentar os desafios do campo”, explicou.

    Por fim, Katty comentou o cenário econômico enfrentado pelos produtores de tomate e batata. Segundo ela, os preços das duas culturas passaram por um período de forte pressão ao longo deste ano. No entanto, o mercado já apresenta sinais de recuperação. Ainda assim, os produtores seguem atentos aos custos de produção.

    “Vivemos um momento muito difícil em termos de preço, com valores mais baixos para tomate e batata. Agora observamos uma ligeira recuperação. O produtor não pode deixar de investir em inovação, mas precisa ter resultados. Por isso, a BASF trabalha com soluções integradas que melhoram a produtividade e oferecem custo-benefício, permitindo que ele enxergue valor no manejo mesmo em períodos de baixa”, concluiu.

  • Inteligência artificial substitui análise humana na classificação de flores

    Inteligência artificial substitui análise humana na classificação de flores

    A avaliação da qualidade das flores, tradicionalmente realizada por profissionais, ganhou um novo aliado tecnológico.

    Características como coloração das pétalas, integridade do caule e proporção das hastes, que sempre dependeram da análise humana, agora podem ser identificadas por meio de inteligência artificial.

    Análise em tempo real

    A empresa chinesa Focusight Technology, especializada em visão computacional aplicada ao agronegócio, desenvolveu uma máquina classificadora inteligente capaz de analisar flores em tempo real e separá-las automaticamente conforme padrões de qualidade previamente definidos.

    O processo inicia-se com a alimentação de um banco de dados contendo até 200 imagens da variedade de flor que será trabalhada. Dessa forma, a inteligência artificial aprende os padrões visuais da espécie e passa a reconhecer características como tamanho das hastes, quantidade de folhas e demais atributos relevantes para a classificação.

    Após essa etapa, apenas quatro funcionários são necessários para abastecer o equipamento. Em seguida, a máquina realiza tanto a análise quanto o empacotamento das flores, alcançando uma capacidade de processamento de até 10 mil hastes por hora.

    O sistema opera por meio de uma linha de processamento onde os operadores posicionam as flores em suportes específicos. Ao longo da esteira, as hastes passam por um conjunto de câmeras de alta resolução e sensores ópticos, que capturam imagens sob diferentes ângulos.

    Máquina de classificação de rosas — Foto: Divulgação/Focusight

    Algoritmos treinados para reconhecer padrões visuais processam instantaneamente as informações coletadas, e assim a máquina direciona automaticamente cada flor para sua categoria correspondente.

    Tendência no mercado de flores

    Segundo Maurício Torres, representante da Focusight Technology no Brasil, a inovação já desperta atenção em importantes regiões produtoras ao redor do mundo.

    “Essa tecnologia já desperta interesse em diferentes polos produtores ao redor do mundo. Existe uma tendência crescente de automação na floricultura comercial, especialmente em um cenário marcado pela busca por mais eficiência, escassez de mão de obra e exigências cada vez maiores dos compradores”, afirma.

    Atualmente, a Focusight Technology já comercializa o equipamento em mercados consolidados da floricultura mundial, como Holanda, Colômbia, Equador e Quênia.

    De acordo com Torres, a utilização da inteligência artificial reduz a subjetividade presente nos processos tradicionais de classificação.

    O executivo acrescenta ainda que a tecnologia pode transformar a forma como o produto chega ao consumidor final.

    “Em um mercado em que aparência e uniformidade determinam o valor do produto, a tecnologia pode redefinir o modo como as flores chegam aos consumidores, com uma operação guiada por algoritmos e precisão visual”, completa.

    A adoção de soluções automatizadas também pode contribuir para solucionar um dos principais desafios da cadeia produtiva nacional. Segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Floricultura (IBraflor), a floricultura brasileira faturou R$ 21,2 bilhões em 2024, demonstrando avanços para o setor.

     

  • Inteligência artificial e novas cultivares marcam a Hortitec

    Inteligência artificial e novas cultivares marcam a Hortitec

    A Hortitec 2026 reunirá lançamentos e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade e da sustentabilidade no campo. A feira acontece entre 17 e 19 de junho, em Holambra (SP), e deve receber 32 mil visitantes.

    Ao todo, 520 empresas do Brasil e do exterior participarão da 31ª edição da Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas. A expectativa é movimentar R$ 750 milhões em negócios durante e após o evento.

    As novidades refletem as principais demandas da hortifruticultura brasileira. Automação, rastreabilidade, sustentabilidade, produtividade e saudabilidade lideram os investimentos do setor.

    O mercado também acompanha a mudança no comportamento do consumidor. A busca por alimentos saudáveis e práticos impulsiona a expansão de produtos frescos e higienizados.

    Embrapa amplia portfólio de alimentos nutritivos

    Entre os destaques da feira, a Embrapa apresenta novas cultivares de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs). Em parceria com a Isla Sementes, a instituição lança as variedades Bertalha BRS Tereverde e Caruru Verde BRS Ilekalu. As cultivares oferecem alta densidade nutricional, apelo visual e praticidade ao consumidor.

    Além disso, a Embrapa Clima Temperado apresenta a batata-doce BRS BC179 Prenda. A cultivar biofortificada possui elevado teor de carotenoides e alta produtividade.

    Inteligência artificial chega à floricultura

    A tecnologia também ganha espaço na produção de flores. A Focusight Technology Co. apresenta a Classificadora Inteligente de Flores no estande da Green House. O equipamento utiliza visão artificial e inteligência artificial para automatizar etapas do processo produtivo.

    A solução realiza classificação, corte de hastes, amarração e empacotamento. Com isso, aumenta a eficiência e reduz a dependência de mão de obra.

    Novas flores apostam em qualidade e rentabilidade

    A Bio Plugs leva ao evento uma nova versão da tradicional Gérbera. A variedade apresenta flores duplas e gigantes, com cerca de 12 centímetros de diâmetro. Além disso, possui hastes mais robustas e maior constância de corte.

    Já o girassol sem pólen surge como alternativa inovadora para produtores e consumidores. O híbrido oferece produção precoce, maior durabilidade e reduz riscos de alergias respiratórias.

    Alfaces chegam ao mercado de processamento

    As empresas também apostam em hortaliças voltadas ao segmento de alimentos processados.

    A Enza Zaden lança a alface Harumi, variedade americana adaptada ao cultivo de primavera e verão. A cultivar apresenta alta uniformidade e excelente rendimento para processamento.

    Por sua vez, a Sakata apresenta a alface Bella Folha. Segundo a empresa, trata-se da primeira alface crespa desenvolvida especificamente para o mercado de processamento.

    Biotecnologia reforça sustentabilidade

    O setor de fertilizantes e defensivos também traz inovações sustentáveis. Entre elas está o RadiSanPro, da Futureco Bioscience. O produto estimula o desenvolvimento radicular e ativa mecanismos naturais de defesa das plantas.

    Além disso, a tecnologia fortalece a resistência contra fungos e nematoides, contribuindo para uma produção mais eficiente e sustentável.

  • Vinho brasileiro fica entre melhores do mundo; conheça o rótulo

    Vinho brasileiro fica entre melhores do mundo; conheça o rótulo

    A vitivinicultura brasileira ganhou destaque internacional com a conquista de uma importante premiação em um dos concursos mais tradicionais do setor. Nesta segunda-feira (8), o Aurora Desalcoolizado Cabernet Sauvignon Não Adoçado, da Vinícola Aurora, recebeu medalha de bronze no International Wine & Spirit Competition (IWSC) 2026, realizado em Londres, na Inglaterra.

    O rótulo garantiu a terceira colocação após passar por avaliações às cegas que reuniram bebidas sem álcool de diversos países. Além disso, foi o único vinho desalcoolizado brasileiro a conquistar premiação na competição.

    Sem alcóol?

    Responsável pelo projeto de bebidas desalcoolizadas da cooperativa, o enólogo Christian Bernardi destacou que os vinhos dessa categoria seguem o mesmo processo de elaboração dos vinhos tradicionais.

    Segundo ele, diferentemente das bebidas classificadas como “zero álcool”, produzidas a partir de suco de uva, os vinhos desalcoolizados passam por todas as etapas da vinificação antes da retirada do álcool.

    No entanto, Bernardi explica que o maior desafio está justamente na fase final do processo. Isso porque é necessário remover o álcool sem comprometer os aromas, sabores e demais características sensoriais desenvolvidas durante a produção.

    “A tecnologia foi desenvolvida dentro da Aurora, utilizando equipamentos que permitem a extração completa do álcool com rigoroso controle de temperatura e pressão. A premiação valida esse esforço de inovação”, afirmou Bernardi, em nota.

    Bebida mantém teor alcoólico inferior a 0,5% — Foto: Vinícola Aurora

    Uvas selecionadas

    De acordo com as especificações técnicas da vinícola, o produto é elaborado com uvas Cabernet Sauvignon da safra 2025 e passa por um breve período de maturação em barris de carvalho. Além disso, apresenta perfil seco e, segundo a empresa, não possui dulçor, característica que reforça sua proposta de oferecer uma experiência mais próxima dos vinhos tradicionais.

    O reconhecimento internacional reforça o avanço da inovação na cadeia vitivinícola brasileira e evidencia o potencial dos produtos nacionais em um mercado global cada vez mais atento às alternativas sem álcool.

  • Rabo de Jaraqui: inovação está transformando a bananicultura na Amazônia

    Rabo de Jaraqui: inovação está transformando a bananicultura na Amazônia

    A união entre o saber popular e a pesquisa científica deu origem a uma ferramenta que promete revolucionar o manejo da banana na região amazônica: o “Rabo de Jaraqui”. O nome curioso é uma homenagem ao peixe típico da bacia amazônica (Semaprochilodus taeniurus e Semaprochilodus insignis), cuja cauda se assemelha ao formato do equipamento.

    agricultor Raimundo Miguel Barbosa de Lima, mais conhecido como Barbosa Batiferro. Foto: Embrapa

    Idealizado pelo produtor rural Raimundo Miguel Barbosa de Lima, conhecido como “Barbosa Batiferro”, em Itacoatiara (AM), o removedor artesanal de folhas foi desenvolvido a partir de materiais reciclados encontrados na própria propriedade. A inovação ganhou escala após a parceria com o pesquisador Luadir Gasparotto, da Embrapa Amazônia Ocidental, que realizou a validação científica e sistematizou o conhecimento no Comunicado Técnico 181.

    Eficiência no controle de pragas

    O “Rabo de Jaraqui” resolve um dos principais gargalos da bananicultura: a desfolha. Segundo especialistas, uma bananeira produz entre 40 e 50 folhas em seu ciclo. E a remoção de folhas velhas ou doentes é vital para o controle fitossanitário. O processo facilita a entrada de luz solar e a circulação de ar, reduzindo a umidade e, consequentemente, os focos de pragas como o moleque-da-bananeira e doenças fúngicas.

    Pesquisador Luadir Gasparotto. Foto: Embrapa

    Além do ganho agronômico, a ferramenta destaca-se pelo baixo custo e pelo viés ambiental. Entre os principais benefícios citados nas fontes, destacam-se:

    • Reciclagem: pode ser confeccionada com sucatas de serralheria, lâminas de foices, enxadas ou discos de arado.
    • Adubação natural: as folhas cortadas se decompõem no solo, aumentando a matéria orgânica e melhorando a retenção de água.
    • Segurança: reduz o abrigo para animais peçonhentos e melhora a ergonomia do trabalhador.

    Dicas de manejo e higiene

    Para garantir a eficácia, Barbosa Batiferro ressalta que a lâmina deve estar sempre amolada para um corte limpo, feito de baixo para cima para não danificar o pseudocaule da planta. Outro ponto crucial é a esterilização. O inventor recomenda mergulhar a ferramenta em uma mistura de água e água sanitária ao trocar de lote ou variedade de banana, evitando a transmissão de doenças entre as plantas.

    Com a divulgação oficial pela Embrapa, a expectativa é que o “Rabo de Jaraqui” se torne um padrão em outras propriedades da região. Assim, consolidando-se como um exemplo de como a inovação sustentável pode nascer da observação prática no campo.

  • Citricultura ganha foco em inovação na Expocitros 2026

    Citricultura ganha foco em inovação na Expocitros 2026

    A 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura terão início oficial na manhã do dia 26 de maio de 2026, no Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, em Cordeirópolis (SP). Neste ano, a organização antecipou a cerimônia de abertura para o período da manhã, das 9h às 11h. Assim, autoridades, pesquisadores, produtores e representantes do agronegócio participarão do encontro que marca um dos principais eventos da citricultura mundial.

    A programação seguirá até o dia 29 de maio com debates voltados à inovação, sustentabilidade, sanidade vegetal e mercado internacional. Além disso, a organização pretende ampliar a presença de startups, empresas de tecnologia agrícola e soluções ligadas à gestão no campo.

    Durante a solenidade de abertura, o evento entregará homenagens e premiações tradicionais da cadeia citrícola. Entre os destaques aparecem o Prêmio Centro de Citricultura e o Prêmio GCONCI Hall da Fama da Citricultura Brasileira, que homenageará Walter dos Santos Soares Filho. O setor também reconhecerá Hamilton Humberto Ramos como Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura. Já a homenagem ao Dia do Citricultor terá como representante José de Alencar Matta.

    A edição de 2026 ocorre em um cenário de transformação da cadeia produtiva. Atualmente, produtores enfrentam desafios ligados ao avanço do greening (HLB), da leprose e do aumento dos custos de produção. Ao mesmo tempo, o setor acelera investimentos em inteligência artificial, rastreabilidade, automação e agricultura de precisão para aumentar eficiência e competitividade.

    Programação técnica prioriza sanidade e eficiência

    No primeiro dia, os painéis abordarão sustentabilidade, pesquisa e inovação aplicada ao campo. Em seguida, na quarta-feira, 27 de maio, especialistas discutirão tecnologias voltadas à implantação de pomares e ao manejo fitossanitário. Os debates incluirão temas como pinta preta, leprose, podridão penduncular, resistência a fungicidas e controle de pragas.

    Na quinta-feira, 28, a programação concentrará discussões sobre eficiência produtiva. Fertilidade do solo, irrigação, fertilizantes e mudanças climáticas estarão entre os temas centrais do encontro. Já no período da tarde, o HLB ganhará destaque em análises sobre controle, prevenção e expansão da doença nos pomares brasileiros.

    Por outro lado, o encerramento do evento, na sexta-feira, 29, terá foco econômico e estratégico. Pesquisadores e representantes do mercado analisarão preços, exportações e os impactos do acordo Mercosul-União Europeia para a cadeia citrícola. Além disso, especialistas debaterão o papel do suco de laranja na alimentação e na saúde.

    Segundo o diretor do Centro de Citricultura, Dirceu Mattos Jr., a programação reflete o atual momento vivido pela cadeia produtiva. “A edição de 2026 deve aprofundar debates sobre greening, inovação tecnológica, bioinsumos, sustentabilidade e gestão, refletindo exatamente o momento vivido pela citricultura brasileira”, afirma.

    Evento amplia espaço para jovens e tecnologia

    A Expocitros chega à 51ª edição consolidada como um ambiente estratégico de conexão entre ciência, negócios e planejamento. Em 2025, o encontro reuniu mais de 12 mil visitantes e cerca de 90 empresas expositoras. Agora, a expectativa da organização é ampliar a participação de jovens produtores, cooperativas, indústrias e empresas de tecnologia agrícola.

    A safra brasileira de laranja 2025/2026 encerrou com 293 milhões de caixas produzidas. No mercado internacional, o Brasil mantém liderança e responde por aproximadamente 70% a 75% das exportações globais de suco de laranja.

    Diante desse cenário, sustentabilidade, energia renovável e conservação de recursos naturais seguirão entre os principais temas do evento. Dessa forma, a Expocitros 2026 pretende fortalecer discussões sobre competitividade, inovação e futuro da citricultura brasileira.

  • FAESP amplia atuação na Agrishow e reforça apoio ao produtor

    FAESP amplia atuação na Agrishow e reforça apoio ao produtor

    A 31ª Agrishow 2026, realizada em Ribeirão Preto (SP), encerrou a edição com R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios e público de 197 mil visitantes. Nesse contexto, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) ampliou sua atuação na feira. A entidade priorizou o produtor rural e promoveu capacitação, articulação institucional e iniciativas voltadas ao desenvolvimento do setor.

    Segundo o presidente da FAESP, Tirso Meirelles, a feira manteve sua relevância. Além disso, consolidou-se como vitrine tecnológica e espaço de conexão no agronegócio. “A Agrishow é uma feira estratégica para o setor. Nela, inovação e tecnologia se encontram com o produtor rural. É também um ambiente essencial para apresentar iniciativas que contribuam para a evolução do agro paulista”, afirmou.

    Durante os cinco dias de evento, a entidade mobilizou mais de 10 mil produtores rurais paulistas. Eles participaram por meio de 160 caravanas organizadas. Ao mesmo tempo, a FAESP integrou agendas institucionais relevantes. Entre elas, esteve a assinatura de protocolos com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e com a Embrapa. Assim, as parcerias reforçam ações voltadas à produção sustentável, à capacitação e ao desenvolvimento rural.

    Tirso Meirelles, presidente da FAESP – Foto: Divulgação/ FAESP

    Saúde e protagonismo feminino ganham espaço

    Nesta edição, uma das novidades foi a estreia do espaço “Agrishow pra Elas”. A iniciativa foi conduzida pela Comissão Semeadoras do Agro, presidida por Juliana Farah. Dessa forma, a estrutura levou atendimento voltado à saúde das mulheres do campo.

    Ao longo da feira, foram realizados mais de quatro mil atendimentos. Entre os serviços, estavam testes de glicemia, aferição de pressão arterial e exames de bioimpedância. As ações ocorreram por meio do programa “Semear é Cuidar”. Além disso, cerca de mil mulheres participaram das atividades no espaço exclusivo. Elas também estiveram presentes no 4º Mulheres em Ação. O evento reuniu produtoras rurais e lideranças. O objetivo foi discutir capacitação e protagonismo feminino no agro.

    Nos últimos quatro anos, a Comissão Semeadoras do Agro ampliou sua atuação. O número de eventos passou de 29, em 2022, para 140, em 2025. Da mesma forma, a presença territorial cresceu. Os municípios atendidos avançaram de 22 para 109. Consequentemente, o público também aumentou. O total de participantes saltou de 2.500 para 12 mil pessoas.

    Foto: Divulgação/ FAESP

    Formação de jovens e estímulo ao empreendedorismo

    Outro destaque da participação da FAESP foi o Programa Jovem Empreendedor do Agro, desenvolvido pelo SENAR. A iniciativa reuniu cerca de mil jovens. Eles vieram de mais de 30 sindicatos rurais. O programa foca na formação de lideranças. Além disso, promove capacitação em gestão, inovação e planejamento de negócios.

    No campo do empreendedorismo, a parceria entre FAESP/SENAR e Sebrae também teve relevância. Mais de 50 empreendedores e pequenos produtores participaram de um estande dedicado. Nesse espaço, eles expuseram produtos próprios ao público. Com isso, ampliaram oportunidades de mercado. Também fortaleceram suas marcas e acessaram novos canais de comercialização.

    Cultura e conexão com o público

    Além das atividades técnicas, o estande da FAESP contou com atrações culturais. Influenciadores digitais ligados ao agro participaram da programação. O cantor e ator Lucas Lucco também marcou presença. Ao mesmo tempo, o violeiro Altieris Santana realizou apresentações diárias. Ele atua como instrutor do SENAR no interior paulista.

    Assim, a combinação entre conteúdo técnico, serviços e entretenimento ampliou o alcance da entidade. A participação na Agrishow reforçou o papel da FAESP. A atuação integrou produtores, instituições e mercado. Além disso, evidenciou a busca por soluções práticas e estímulo à inovação no campo.

  • Trator que fala com operador eleva padrão de conectividade

    Trator que fala com operador eleva padrão de conectividade

    A Valtra colocou a conectividade no centro da estratégia ao apresentar, na Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), um trator com interface interativa capaz de “conversar” com o operador e entregar dados em tempo real sobre a operação. A novidade foi acompanhada pelo lançamento da nova geração da plantadeira Momentum, com modelos de 30 e 40 linhas, focada em ampliar a eficiência e reduzir o tempo de plantio. As informações foram detalhadas por Marcelo Traldi, vice-presidente Valtra e Fendt e gerente geral da AGCO América Latina, e Claudio Esteves, diretor comercial da marca.

    A combinação entre automação, monitoramento contínuo e redução de intervenções manuais posiciona a fabricante na disputa por produtividade em larga escala. Em um cenário de expansão da área cultivada e pressão por margens, a proposta é clara: fazer mais em menos tempo, com maior precisão.

    Plantadeira reduz paradas e amplia janela de plantio

    A nova geração da Momentum chega ao mercado com ajustes diretos no rendimento operacional. A eliminação de pontos de lubrificação reduz paradas para manutenção, enquanto a estrutura de transporte otimizada permite ganho de até uma hora diária na operação, variável crítica durante a janela de plantio.

    Outro avanço está nas três seções de corte de fertilizante, que diminuem a sobreposição nas cabeceiras, aumentam a uniformidade da aplicação e reduzem desperdícios. A medida impacta diretamente o custo por hectare, ponto sensível para o produtor.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    O tanque de fertilizante também foi redesenhado. A substituição do inox por polietileno elevou a capacidade em 15%, ao mesmo tempo em que reduziu o peso da máquina e simplificou a manutenção, combinação que melhora a eficiência sem comprometer a robustez.

    No controle de plantio, o sistema atua linha a linha e em tempo real. O monitor 20|20 Seed Sense oferece leitura completa da operação, enquanto o dosador vSet2 garante precisão na deposição das sementes. Já o vDrive ajusta automaticamente a dosagem, assegurando independência e uniformidade entre as linhas.

    Trator interativo reforça digitalização no campo

    O conceito do trator que “fala com o produtor” sintetiza o avanço da conectividade nas máquinas agrícolas. A tecnologia permite comunicação direta com o operador, geração de alertas operacionais e acompanhamento contínuo do desempenho.

    Na prática, o equipamento deixa de ser apenas executador e passa a atuar como ferramenta de gestão, apoiando decisões em tempo real e reduzindo falhas durante a operação. A tendência acompanha o movimento mais amplo de digitalização do campo, com integração crescente entre máquinas, dados e planejamento agrícola.

    Safra positiva pressiona por eficiência

    Os lançamentos ocorrem em um ambiente de expectativa positiva para o agronegócio. Mesmo com impactos climáticos recentes, a produção brasileira deve alcançar 353,4 milhões de toneladas, segundo a Conab — alta de 0,3% frente ao ciclo anterior.

    Foto: PH Lopes/Agro em Campo

    O cenário reforça a necessidade de ganho operacional dentro da porteira. Com custos elevados e margens pressionadas, a adoção de tecnologias que aumentem precisão, reduzam desperdícios e ampliem a capacidade de trabalho tende a se intensificar.

    Ao concentrar os anúncios na Agrishow, a Valtra reforça o posicionamento em inovação aplicada ao campo e sinaliza uma disputa cada vez mais centrada em eficiência operacional e inteligência embarcada.