Tag: Hortaliças

  • Domingo de frio intenso, geada e temperatura de -5°C

    Domingo de frio intenso, geada e temperatura de -5°C

    O sul do Brasil enfrenta um intenso frio neste domingo (30/06), com temperaturas que podem chegar a -5°C em algumas regiões. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê que os próximos dias reservam ainda mais frio, com possibilidade de geada intensa.

    Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná estão entre estados mais afetados pela intensa massa de ar polar. Nas regiões de campanha e na serras gaúcha e catarinense, os termômetros vão registrar temperaturas negativas.

    Foto: Divulgação – Alberto Farber Junior

    A mudança de direção e a intensificação dos ventos, vai causar baixa sensação térmica e acentuar o frio em todas as áreas do Sul do País. Esses fatores, combinados com ventos predominantes da faixa leste do estado gaúcho,  devem a ajudar a represar a água no lago Guaíba nesse gelado domingo.

    Reprodução: Inmet – Temperaturas negativas entre 0°C e -5°C
    Reprodução: Inmet – geadas intensas na região Sul

    Riscos na agricultura

    Para os agricultores, os riscos são evidentes. Hortaliças, incluindo as folhosas, necessitam de cuidado especial, com recomendação para manter os aspersores ligados até o amanhecer, criando uma camada de vapor que protege as plantas do congelamento. Já para os produtores de morango, é crucial cobrir as plantas com plástico branco leitoso, formando túneis que preservem as frágeis flores contra o frio severo.

    Foto: Divulgação – Epagri/Elenice de Almeida

    A preocupação se estende também aos produtores de mandioca e aipim, que devem proteger as ramas em locais apropriados para evitar danos às futuras safras. No caso das mudas, é essencial mantê-las abrigadas em viveiros, com umidade controlada para evitar choques térmicos prejudiciais.

    Cuidados na pecuária

    Na pecuária, o impacto do frio intenso é igualmente severo. Com o gado de corte, a principal preocupação é com o crestamento das pastagens, que é a queima da parte vegetativa em decorrência de geadas muito fortes.

    Na região do Planalto Sul, onde se pratica a integração lavoura-pecuária em larga escala, esse mesmo dano pode ocorrer também em pastagens cultivadas. Portanto, a recomendação é usar o máximo da pastagem para alimentar o gado ainda antes do frio intenso, principalmente nos casos onde se cultiva aveias, que são mais sensíveis a frios intensos.

    Foto: Divulgação – Epagri

    Em relação ao gado de leite, a atenção principal são os animais parindo e as crias que devem ser abrigados em locais secos e sem vento. Para proteger os rebanhos adultos do frio, a recomendação é leva-los para locais com árvores, tanto nativas como sistemas silvipastoris, que vão funcionar como quebra-vento.  Entretanto, na alimentação, em caso de danos nas pastagens cultivadas, especialmente aveia, recomenda-se a utilização de outras fontes de alimento, como silagem e feno.

    Abelhas sofrem com frio intenso

    Até as abelhas sofrem com o inverno rigoroso, com risco de resfriamento dos ninhos e morte das larvas. Os apicultores devem evitar abrir as colmeias desnecessariamente, pois isso pode resultar em perda de calor e comprometer a sobrevivência das colônias.

    Criação de peixes pode ter prejuízo

    Na criação de peixes, o cenário não é diferente. Temperaturas abaixo de 13°C podem levar a estresses e doenças, afetando espécies como as tilápias. Ou seja, recomenda-se suspender manejo, alimentação e fertilização durante o período de frio para minimizar o impacto negativo.

    Assim, diante das baixas temperaturas previstas para este domingo, é fundamental que os agricultores, pecuaristas e apicultores estejam preparados para proteger suas produções e animais, mitigando os danos causados pelo rigoroso frio desse domingo.

  • Alívio no bolso: frutas e hortaliças mais baratas

    Alívio no bolso: frutas e hortaliças mais baratas

    Os preços das frutas e hortaliças nos principais mercados atacadistas do Brasil registraram queda acentuada em maio, conforme apontado no 6º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A redução foi superior a 10% para banana, laranja e mamão.

    Banana

    A banana teve uma queda significativa, com uma redução média ponderada de 24,27%. O maior recuo foi observado na Central de Abastecimento (Ceasa) de Rio Branco, onde o preço caiu 42,35% de abril para maio. Este declínio nos preços é atribuído ao aumento da oferta, especialmente da variedade nanica do Vale do Ribeira (SP), norte de Minas Gerais e Santa Catarina. A banana prata também registrou queda devido à concorrência com a nanica e a preferência dos consumidores pela mexerica poncã. Em junho, espera-se que a variedade prata continue pressionando os preços para baixo, com uma produção crescente.

    Mamão

     

    No caso do mamão, a oferta aumentou nas zonas produtoras do Espírito Santo e Bahia, levando a uma redução média ponderada de 15,81% nos preços, principalmente nos primeiros vinte dias de maio. Mesmo com uma possível queda na oferta em junho, os preços não devem subir devido ao grande volume de frutas no mercado e às baixas temperaturas, que desestimulam o consumo.

    Laranja

    Para a laranja, a Conab registrou uma queda de 13,33% nos preços médios ponderados. No entanto, essa tendência não deve continuar em junho, já que os preços começaram a subir no final de maio devido à baixa nos estoques de suco e ao controle da safra para abastecer tanto o mercado interno quanto externo.

    Entre as hortaliças, a alface, cebola e tomate também registraram redução nos preços. A alface teve uma queda devido à menor demanda e condições favoráveis à produção com temperaturas mais amenas. A cebola, após um longo período de alta, viu seus preços caírem 9,11% em maio, mas ainda mantém cotações elevadas. Já o tomate, com uma oferta menor em maio, teve preços reduzidos e deve continuar em queda com o avanço da safra de inverno.

    Preço mais salgado

     

    Por outro lado, batata, cenoura, melancia e maçã apresentaram aumento nos preços. A batata teve a maior alta, com uma elevação de 39,94%, influenciada pela transição entre as safras e chuvas intensas no Rio Grande do Sul, que afetaram a produção e o transporte. A cenoura também viu uma nova alta devido à menor oferta de Minas Gerais, mas a tendência é de reversão com o aumento da oferta no início de junho. A maçã e a melancia tiveram aumentos de preços devido ao controle da oferta e finalização das safras paulista e baiana, respectivamente.

    Exportações

    Nos cinco primeiros meses de 2024, o volume total exportado foi de 393 mil toneladas. Ou seja, uma queda de 6,52% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Em termos de valor, o faturamento alcançou US$ 481 milhões. O que significa um aumento de 4,17% em relação aos cinco primeiros meses de 2023 e de 22,9% em relação ao mesmo período de 2022.

    Oferta x procura

    Essas oscilações nos preços refletem a dinâmica de oferta e demanda no mercado hortigranjeiro brasileiro, influenciadas por fatores sazonais e climáticos. O acompanhamento regular desses dados é essencial para produtores, comerciantes e consumidores, permitindo uma melhor tomada de decisões e planejamento. O Agro em Campo segue atento ao mercado.

  • Pesquisa identifica nematoide nocivo ao cultivo de tomate industrial

    Pesquisa identifica nematoide nocivo ao cultivo de tomate industrial

    Áreas de cultivo de tomateiro para processamento industrial do estado de Goiás vêm sendo afetadas por uma espécie de nematoide que afeta o crescimento da planta, efeito conhecido como “tomate travado”. A praga ainda prejudica as raízes ao provocar atrofia radicular e resultando em redução da produtividade em até 80%. Especialistas estimam que 554 hectares já foram afetados pelo patógeno.

    As ocorrências foram registradas nos primeiros meses de 2024, quando os cultivos de tomate industrial nos municípios goianos Silvânia (122 ha), Vianópolis (104 ha), Luziânia (178 ha), Hidrolândia (60 ha) e Bela Vista de Goiás (90 ha) apresentaram problemas semelhantes nas áreas produtoras. Alertada por produtores, a Embrapa Hortaliças (DF) identificou a origem. “Por meio de análise preliminar, com base nos sintomas apresentados, considerou-se a possibilidade de os fitonematoides serem a causa do problema”, explica o pesquisador Jadir Pinheiro, responsável pelo laboratório de Nematologia da Embrapa Hortaliças.

    Divulgação – Embrapa/Paulo Lanzetta

    Recomendações

    O pesquisador ressalta a importância do controle preventivo como principal ferramenta para lidar com esse problema. Ele recomenda uma série de ações para impedir a infestação do patógeno como: plantar mudas sadias, produzidas preferencialmente em bandejas e com substratos esterilizados; evitar terrenos infestados, buscando conhecimento prévio do histórico da área de plantio; lavar os pneus de trator e os implementos com jatos de água, para retirar partículas de solo aderidas, deixando-os secar bem antes de entrar em nova área; desinfestar máquinas e implementos agrícolas usados em áreas suspeitas de infestação e que venham a transitar em área a ser cultivada; e limpar poços e canais de irrigação após o período chuvoso para manter a água limpa e evitar a dispersão de nematoides.

    É importante também incorporar matéria orgânica ao solo, que proporciona aumento populacional de microrganismos antagônicos aos nematoides, além de enriquecer a área e tornar as plantas mais tolerantes à infecção.

    Fazer o manejo adequado da irrigação, colabora para desfavorecer o aumento da população e o movimento de nematoides, além de retardar a infecção de plantas e a infestação do solo.

    O especialista ainda recomenda retirar restos de outras culturas contaminados da lavoura e destruí-los e nunca os incorporar ao solo na área de cultivo e fazer rotação de culturas com plantas não hospedeiras, principalmente crotalárias, em especial Crotalaria spectabilis, que não multiplica o nematoide-das-lesões radiculares. Pinheiro informa que as crotalárias são ótimos adubos verdes e funcionam como bons condicionadores do solo.

    Como foi feito o diagnóstico

    Conforme o pesquisador, o diagnóstico foi dado após uma série de ações integradas como coletas de solos em regiões com e sem o problema, avaliações comparativas de ocorrência (patógenos) de solo, histórico de utilização das áreas e uma análise histológica (estruturas e processos biológicos) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB).

    A partir dessas iniciativas, foi possível descobrir que o ataque às plantas era causado pelo nematoide-das-lesões-radiculares (Pratylenchus brachyurus), mais um novo agente causador de prejuízos para a cadeia produtiva do tomateiro industrial.

    Pinheiro explica que com a intensificação da agricultura no País e a expansão de novas áreas de plantio, o Pratylenchus brachyurus – que até então era considerado um patógeno de importância secundária para a cultura do tomateiro do segmento indústria – vem causando danos severos nos plantios comerciais de importantes polos de produção na região Central do Brasil.

    Rotação pode agravar o problema

    Durante a fase de prospecção constatou-se que as áreas de produção no município goiano de Silvânia foram as mais comprometidas pela presença desse patógeno.

    Isso levou os pesquisadores a descobrir um agravante do problema. “Na maioria das áreas avaliadas, verifica-se que a rotação de culturas realizada com soja, milho e arroz fazem com que o problema se agrave ainda mais, pois essas culturas utilizadas na alternância com o tomate são eficientes multiplicadores de P. brachyurus, principalmente a da soja, que vem apresentando prejuízos bastante expressivos nos últimos anos”, ressalta Pinheiro