Tag: guerra

  • Disparada nos fertilizantes ameaça crescimento da agricultura no Brasil

    Disparada nos fertilizantes ameaça crescimento da agricultura no Brasil

    O avanço dos preços dos fertilizantes no mercado internacional começa a comprometer a competitividade do agronegócio brasileiro frente aos Estados Unidos, especialmente em um momento de margens apertadas e aumento dos custos de produção.

    Historicamente beneficiado por terras abundantes e mais baratas, o Brasil expandiu sua área agrícola em cerca de 50% nas últimas décadas, consolidando-se como uma potência global na produção de grãos. Esse crescimento permitiu ao país ganhar espaço em mercados estratégicos, como a China, principalmente após as disputas comerciais envolvendo os Estados Unidos durante os governos de Donald Trump.

    A guerra envolvendo EUA, Israel e Irã provocou um choque no mercado global de fertilizantes. Cerca de um terço do fluxo mundial desses insumos ficou comprometido no Estreito de Ormuz, pressionando os preços para cima.

    Dependente de importações, o Brasil sente o impacto de forma mais intensa. Diferentemente dos Estados Unidos, que produzem grande parte dos fertilizantes que consomem, produtores brasileiros já reduziram compras e enfrentam dificuldades para manter a produtividade.

    Pressão sobre custos e margens

    O aumento nos custos dos insumos chega em um momento delicado. Apesar da alta nos fertilizantes, os preços de commodities como soja e milho não acompanharam o mesmo ritmo, devido à formação de estoques globais elevados.

    A rentabilidade simplesmente não existe neste momento, pois os custos elevados já inviabilizam planos de expansão, mesmo diante de oportunidades de arrendamento.

    Especialistas alertam que o impacto pode ir além do curto prazo. A tendência é de desaceleração no crescimento da área agrícola, com produtores priorizando a redução de custos e o controle do endividamento.

    Solo, tecnologia e desvantagem estrutural

    Outro fator que amplia a vulnerabilidade brasileira é a qualidade do solo. Em muitas regiões, a produtividade depende fortemente do uso contínuo de fertilizantes, devido à degradação causada por anos de expansão sem manejo adequado.

    Nos Estados Unidos, parte dos produtores consegue manter níveis razoáveis de produtividade mesmo reduzindo a aplicação de insumos por uma safra. No Brasil, essa flexibilidade é limitada.

    Além disso, o calendário agrícola amplia a pressão. O plantio da safra de verão no Brasil começa em setembro, período em que os produtores ainda estarão expostos aos preços elevados. Já nos EUA, muitos agricultores haviam adquirido insumos antes da escalada recente. A sazonalidade coloca os produtores norte-americanos em uma posição mais confortável.

    Dependência externa preocupa

    O Brasil segue altamente dependente da importação de fertilizantes, especialmente de produtos como ureia e fosfato diamônico (DAP). Em resposta, a Petrobras iniciou a retomada de unidades de produção, com a meta de atender até 35% da demanda nacional de nitrogenados nos próximos anos. Ainda assim, o alívio deve ser limitado no curto prazo.

    Dados de mercado indicam que produtores brasileiros haviam adquirido apenas cerca de 50% dos fertilizantes necessários para a safra 2026/27 até o fim de maio, abaixo da média histórica superior a 60% para o período. Esse atraso nas compras pode impactar diretamente a produtividade.

    Endividamento e decisões no campo

    Com custos elevados e margens comprimidas, cresce o nível de endividamento entre produtores brasileiros. Analistas apontam que muitos já operam com alavancagem elevada, o que limita novos investimentos. Diante desse cenário, decisões estratégicas começam a mudar.

    Mesmo em caso de uma resolução rápida do conflito no Oriente Médio, a expectativa é que os preços dos fertilizantes permaneçam elevados por pelo menos seis meses, mantendo a pressão sobre o setor.

  • Análise: Guerra ameaça transformar 2026 no pior ano do agro brasileiro

    Análise: Guerra ameaça transformar 2026 no pior ano do agro brasileiro

    O agro brasileiro entrou em alerta máximo. E desta vez o problema não nasceu da seca, do dólar ou de uma quebra de safra.

    A nova tensão no Oriente Médio começou a espalhar incerteza pelos corredores do agronegócio mundial, elevando o preço do petróleo, pressionando fertilizantes e reacendendo o medo de uma crise global de alimentos.

    O reflexo já chegou ao Brasil.

    Produtores rurais, cooperativas e especialistas do setor passaram os últimos dias monitorando o avanço do conflito entre Irã e Israel e seus possíveis impactos sobre uma engrenagem delicada que conecta combustível, logística, fertilizantes e comida.

    Quando aquela região do planeta entra em ebulição, o agro sente primeiro o cheiro da fumaça. Depois vem a conta.

    Petróleo vira gatilho para aumento de custos

    O principal temor do setor envolve o petróleo.

    Em análise publicada pela agência Reuters, especialistas alertaram que qualquer bloqueio prolongado na região pode provocar “forte choque nos custos globais de energia e transporte”.

    Na prática, isso significa um efeito dominó imediato no agronegócio brasileiro.

    Com diesel mais caro, sobe:

    • o frete;
    • o custo da produção;
    • a armazenagem;
    • a exportação;
    • o preço final dos alimentos.

    E aí a inflação do campo atravessa a cidade e chega ao supermercado.

    Fertilizantes colocam o Brasil em posição vulnerável

    Mas o petróleo é apenas uma peça do quebra-cabeça.

    O maior temor do mercado hoje envolve os fertilizantes.

    O Brasil importa cerca de 85% dos insumos usados na agricultura. Uma parcela importante dessa cadeia depende justamente de regiões afetadas pela instabilidade no Oriente Médio.

    Em reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times, analistas afirmaram que a tensão na região já provoca “preocupação crescente sobre o fornecimento global de fertilizantes nitrogenados”.

    O jornal destacou que o mercado internacional teme dificuldades logísticas e novas altas de preços caso o conflito avance sobre rotas marítimas estratégicas.

    A preocupação faz sentido.

    Fertilizante caro significa produção mais cara. Produção mais cara significa alimento mais caro.

    E isso atinge praticamente tudo:

    • soja;
    • milho;
    • café;
    • carnes;
    • leite;
    • hortifrúti.

    É como se a guerra começasse a atravessar continentes escondida dentro de sacos de ureia e barris de combustível.

    Mercado internacional já fala em risco para alimentos

    O alerta deixou de ser local.

    Nas últimas 72 horas, veículos internacionais passaram a discutir o risco de uma nova onda global de inflação alimentar.

    O jornal espanhol Cinco Días afirmou que o mundo pode enfrentar uma “potencial grande crise alimentar” caso o conflito comprometa o fluxo internacional de fertilizantes e energia.

    A publicação destacou que países agrícolas do hemisfério sul, como o Brasil, estão entre os mais vulneráveis devido à dependência de importações de insumos.

    Já a revista britânica The Economist avaliou que os mercados agrícolas globais “voltaram a operar sob lógica de guerra”, especialmente diante do risco de disparada do petróleo.

    O impacto psicológico também pesa.

    Isso porque, quando o mercado começa a precificar medo, os contratos futuros sobem, o crédito encarece e, consequentemente, produtores passam a operar em modo defensivo.

    Além disso, em períodos de forte instabilidade internacional, investidores tendem a buscar proteção em ativos mais seguros, o que aumenta ainda mais a volatilidade das commodities agrícolas.

    Com isso, o ambiente de negócios no campo fica mais cauteloso. Aos poucos, decisões que antes pareciam naturais — como ampliar área plantada, investir em tecnologia ou antecipar compras de insumos — passam a ser revistas com mais prudência.

    E, nesse cenário, até o planejamento da próxima safra começa a carregar um peso maior de incerteza.

    Produtores começam a rever investimentos

    Nos bastidores do agronegócio brasileiro, o clima mudou rapidamente.

    Diante desse cenário, produtores começaram a revisar compras de máquinas, renegociar financiamentos e recalcular custos para a próxima safra.

    A preocupação, no entanto, é clara: uma escalada prolongada do conflito pode comprimir ainda mais as margens do setor justamente em um momento em que parte do agro ainda tenta recuperar fôlego financeiro após ciclos de juros elevados e oscilações climáticas.

    Em análise recente, a agência Bloomberg afirmou que o agro global enfrenta “um ambiente de volatilidade crescente impulsionado por riscos geopolíticos e energéticos”.

    O relatório destaca, por exemplo, que países exportadores, como o Brasil, podem sofrer pressão dupla:

    • aumento do custo de produção;
    • maior instabilidade nos preços internacionais.

    É uma conta difícil.

    Porque, ao mesmo tempo em que o dólar elevado favorece exportações, ele também encarece insumos importados.

    Por fim, parte do lucro evapora antes mesmo da colheita.

    Alimentos podem voltar ao centro da inflação

    O consumidor brasileiro talvez ainda não perceba o efeito imediato nas gôndolas. Mas o mercado já começou a ligar os sinais de alerta.

    Historicamente, crises envolvendo petróleo e fertilizantes acabam pressionando o preço dos alimentos alguns meses depois.

    E o Brasil conhece bem esse roteiro.

    O custo sobe silenciosamente no campo. Depois aparece no arroz, no óleo, no leite, na carne e até no cafezinho da manhã.

    Pouco a pouco, o orçamento doméstico vai sendo corroído sem fazer barulho.

    O problema é que agora o cenário mistura guerra, energia, logística global e insegurança internacional ao mesmo tempo.

    Uma combinação que costuma deixar os mercados nervosos — e o agro ainda mais exposto.

    Porque hoje uma explosão no Oriente Médio consegue ecoar no preço da soja em Mato Grosso, no frete do milho em Goiás e na carne servida no almoço de milhões de brasileiros.

    E, diante desse cenário, cresce dentro do setor uma preocupação que ninguém gosta de verbalizar em público: se o conflito continuar avançando, 2026 pode, por exemplo, se transformar em um dos anos mais difíceis para o agronegócio brasileiro na última década.

  • Guerra contra o Irã coloca em risco a produção agrícola global

    Guerra contra o Irã coloca em risco a produção agrícola global

    O bloqueio das rotas marítimas pelo estreito de Ormuz, provocado pelo conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, pode retirar até 10 bilhões de refeições semanais da mesa de pessoas ao redor do mundo. O alerta vem de Svein Tore Holsether, presidente-executivo da Yara, um dos maiores produtores de fertilizantes do planeta.

    “Até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado não estão sendo produzidas no mundo no momento”, afirmou Holsether em entrevista à BBC. “O que isso significa para a produção de alimentos? Estimaria até 10 bilhões de refeições que deixarão de ser produzidas a cada semana como resultado.”

    Segundo as Nações Unidas, cerca de um terço dos fertilizantes globais, incluindo ureia, potássio, amônia e fosfatos, passam normalmente pelo estreito de Ormuz. Com o bloqueio, o preço dos fertilizantes já subiu 80% desde o início das hostilidades. A queda na aplicação de fertilizante nitrogenado pode reduzir a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra.

    Os mais vulneráveis na linha de frente

    O impacto não será distribuído de forma igualitária. África subsaariana, Ásia, Sudeste Asiático e América Latina concentram os maiores riscos imediatos. Regiões que já operam com subfertilização, como partes da África, podem enfrentar quedas ainda mais acentuadas na produção agrícola.

    “Essa é uma situação em que as pessoas mais vulneráveis pagam o preço mais alto”, disse Holsether. “Nações em desenvolvimento não podem se dar ao luxo de acompanhar” uma disputa por alimentos com os países mais ricos.

    O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que as consequências combinadas do conflito no Oriente Médio podem levar 45 milhões de pessoas a mais à fome aguda em 2026. Na Ásia e no Pacífico, a insegurança alimentar deve crescer 24%, o maior aumento relativo entre todas as regiões.

    Efeito nos preços chega com atraso

    As épocas de plantio variam conforme a região. O Reino Unido atravessa a alta temporada de plantio, enquanto agricultores asiáticos estão apenas começando o ciclo. Por isso, os efeitos da escassez de fertilizantes nos preços dos alimentos na Ásia só devem aparecer no fim do ano, quando colheitas menores chegarem ao mercado, ou simplesmente não chegarem.

    “Se a crise se prolongar por mais tempo, veremos um impacto em culturas como o arroz nos próximos meses”, afirmou Paul Teng, pesquisador sênior em segurança alimentar em Cingapura.

    No Reino Unido, a Federação de Alimentos e Bebidas projeta inflação alimentar de até 10% em dezembro. O Banco da Inglaterra prevê alta de 4,6% nos preços de alimentos até setembro, com pressão maior no final do ano.

    Agricultores já sentem o aperto

    Além dos fertilizantes, produtores rurais enfrentam uma combinação de pressões simultâneas: alta no preço do diesel, aumento de outros insumos e custos de energia mais elevados. O problema é que os preços das safras ainda não subiram na mesma proporção.

    “Eles enfrentam custos de energia mais altos, o diesel para trator está aumentando, outros insumos estão aumentando, o custo do fertilizante está aumentando, mas os preços das safras ainda não acompanharam”, disse Holsether.

    O executivo pediu aos países europeus, portanto, que avaliem com cuidado o impacto de uma guerra de preços por alimentos sobre as populações mais frágeis em outras partes do mundo. “De quem estamos tirando comida ao comprarmos, nessa situação?”, questionou.

  • Agro redireciona rotas e usa Mar Vermelho após bloqueio no Estreito de Ormuz

    Agro redireciona rotas e usa Mar Vermelho após bloqueio no Estreito de Ormuz

    O agronegócio brasileiro mergulha em um verdadeiro pesadelo logístico. O Estreito de Ormuz, essa artéria vital do comércio global, fechou no fim de fevereiro de 2026 em meio às tensões entre Irã, EUA e Israel. Remessas de frango, grãos e soja agora desviam para o Mar Vermelho, um caminho que dobra custos de frete e acende temores de atrasos que pesam direto no seu bolso.

    Rotas redirecionadas

    Enquanto os exportadores correm para manter os produtos rolando, grandes transportadoras redirecionam navios carregados com os 95 mil contêineres de frango brasileiro do ano passado, rumo ao Oriente Médio. Ricardo Santin, do comando da ABPA, diz que nenhum rompimento grande aconteceu ainda; navios em trânsito tentam passagem, enquanto o Ministério da Agricultura ajusta papéis para novos portos. Ainda assim, fretes de contêineres refrigerados quase dobraram da noite pro dia, corroendo lucros em cada etapa.

    Mudança de rotas após bloqueio pressiona fretes, atrasa cargas e afeta insumos agrícolas

    O desvio pelo Mar Vermelho salva alguns negócios, mas armazéns lotam com cargas congeladas que não esperam pra sempre. Negociantes miram portos turcos como rota alternativa esperta pra Ásia Central, burlando o bloqueio do Golfo por completo.

    Escassez de fertilizantes já é um problema

    O Brasil importa 85% dos fertilizantes, e 20-30% do suprimento mundial passa por Ormuz. Preços da ureia saltaram 36% em dias, enquanto o enxofre pros fosfatos atrasa, encarecendo soja, milho e algodão em todo o Cerrado.

    Daniel Kümmel, da Abitrigo, alerta pro baque imediato. “Esse fechamento do Estreito de Ormuz já impacta diretamente nossos negócios, porque fretes marítimos vão mudar, a questão dos seguros e a questão também do petróleo em si.” Estoques de trigo aguentam três meses, mas pães podem subir de preço no país todo se o rolo se arrastar. Um dólar mais forte engorda a receita de exportação em reais, mas agrotóxicos e máquinas importadas mordem de volta.

    Produtor rural vive momento de tensão

    O agro fica de olho em cada faísca do conflito. Problemas logísticos dominam sobre proibições totais, somando-se aos engasgos globais de navios. Especialistas da UFG apontam a falta de ureia e enxofre como as verdadeiras assassinas de produtividade na próxima safra.

    Produtores se viram onde dá, mas o tabuleiro segue instável. Uma guerra prolongada pode forçar cortes no plantio ou margens de navalha. Todo mundo acompanha os fios diplomáticos, torcendo por um alívio antes do próximo ciclo de cultivo decolar.

  • Exportação de frango cai e de milho cresce para o Oriente Médio

    Exportação de frango cai e de milho cresce para o Oriente Médio

    As exportações brasileiras de frango para o Oriente Médio caíram em março, enquanto os embarques de milho cresceram. O conflito na região impactou diretamente o fluxo comercial entre o Brasil e países do Oriente Médio.

    A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou os dados da balança comercial nesta terça-feira, 7 de abril. A reportagem compilou informações de embarques para 15 países do Oriente Médio. Entre eles, estão Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito.

    O volume de carnes de aves e miudezas exportado caiu 21% na comparação anual. Os embarques recuaram de 138 mil para 108 mil toneladas em março. O Brasil não exportou cortes de frango para o Irã em março deste ano. O mesmo cenário já havia ocorrido em março do ano passado.

    Milho

    Por outro lado, as exportações de milho para a região cresceram 24%. O volume embarcado atingiu 907 mil toneladas no mês. Os envios de milho para o Irã praticamente cessaram no período. O volume caiu de 304 mil para pouco mais de 1 mil toneladas. Em contrapartida, o Egito ampliou significativamente as compras do cereal brasileiro. Os embarques para o país cresceram 1.171,5% em relação ao ano anterior.

    Além disso, o Brasil exportou 26 mil toneladas de milho para o Iraque. No mesmo período do ano passado, não houve embarques para esse destino.

    Cenário Global

    No cenário global, as exportações brasileiras de carne de aves cresceram 6,9%. O volume total embarcado chegou a 468,7 mil toneladas. Já as exportações totais de milho avançaram 12,8% no período. O Brasil embarcou 983 mil toneladas do grão para o mercado internacional.

  • Peso no bolso: preço do etanol sobe na safra 2025/26

    Peso no bolso: preço do etanol sobe na safra 2025/26

    Os preços médios do etanol subiram na safra 2025/26 em São Paulo e superaram a temporada anterior. No acumulado de abril de 2025 a março de 2026, os valores ficaram acima do ciclo 2024/25. O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado atingiu média de R$ 2,7805 por litro. Esse valor representa alta real de 6,52% frente à safra anterior, com dados corrigidos pelo IGP-M.

    Além disso, o Indicador do etanol anidro registrou média de R$ 3,1291 por litro. O avanço foi de 6,21% na mesma base de comparação anual. Por outro lado, o volume vendido pelas usinas paulistas de etanol hidratado caiu 28% na safra 2025/26.

    Segundo o Cepea, maio de 2025 concentrou o maior volume negociado no período. Em contrapartida, julho de 2025 registrou a menor quantidade comercializada no estado. Ao longo da safra, a relação entre o preço do etanol hidratado e da gasolina C ficou abaixo de 70%. Esse patamar manteve o biocombustível competitivo nas bombas em São Paulo.

    O que vem pela frente?

    Para a safra 2026/27, iniciada em 1º de abril, o mercado indica maior cautela. Pesquisadores do Cepea destacam a volatilidade dos preços do petróleo como fator de atenção. Além disso, a possível alta na oferta de etanol, sobretudo de milho, pode pressionar o mercado.

    Nesse contexto, o conflito no Oriente Médio influencia diretamente o preço do petróleo. Assim, esse cenário tende a impactar as estratégias das usinas brasileiras. As projeções iniciais indicam moagem entre 625 e 630 milhões de toneladas no Centro-Sul. Esse volume representa crescimento de 3% a 4% na safra 2026/27.

  • Conflitos elevam custos e preocupam citricultores

    Conflitos elevam custos e preocupam citricultores

    Os citricultores brasileiros monitoram a alta dos custos de produção em março, pressionados por insumos ligados ao petróleo. O aumento atinge derivados como adubos nitrogenados e óleo diesel, impulsionado pelos conflitos entre Estados Unidos e Irã. Além disso, a tensão geopolítica reduz a oferta de petróleo, limita o transporte global e encarece o frete marítimo.

    Segundo pesquisadores do Cepea, fertilizantes à base de fósforo também registram valorização no período. Esses insumos são amplamente utilizados nas adubações de base e impactam diretamente o custo das lavouras. Por outro lado, os preços de produtos à base de potássio seguem estáveis até o momento.

    No caso do diesel, dados da ANP apontam alta de 15,4% até meados de março. Atualmente, produtores realizam a pulverização, o que amplia o impacto da elevação do combustível. Com isso, o custo da safra pode subir cerca de 5,8% apenas com essa operação. Além desse efeito, outros gastos operacionais e o frete também tendem a aumentar.

    Diante desse cenário, produtores demonstram preocupação com a rentabilidade da próxima safra de laranja. As margens devem ficar mais apertadas, o que exige maior cautela no planejamento agrícola.

    Fertilizantes

    Em relação aos fertilizantes, o Cepea indica um momento de atenção, mesmo fora do período de compra. Ainda assim, recentes reajustes elevam o alerta entre produtores, principalmente nos adubos nitrogenados. As listas de preços já mostram aumentos relevantes, com destaque para a ureia.

    Por fim, os desdobramentos geopolíticos das próximas semanas mantêm os agricultores em alerta. Segundo o Cepea, esse cenário pode limitar investimentos e afetar o desenvolvimento das lavouras.

  • Conflito no Oriente Médio eleva preços do café

    Conflito no Oriente Médio eleva preços do café

    Os preços do café voltaram a subir em março após quedas registradas em fevereiro. O avanço ocorre após impactos do conflito no Oriente Médio. Os dados do Cepea mostram recuperação de parte das perdas registradas no mês anterior.

    Em fevereiro, as cotações caíram no Brasil e no exterior. O mercado reagiu à expectativa de safra recorde em 2026/27. No entanto, o cenário geopolítico mudou esse movimento. O conflito no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado global.

    Conflito e câmbio impulsionam cotações

    Além das tensões geopolíticas, o dólar ganhou força frente ao real. Esse movimento também influenciou os preços internos. Outro fator importante envolve riscos logísticos no Estreito de Ormuz. A rota concentra parte relevante do transporte marítimo mundial.

    As preocupações com possíveis bloqueios elevaram as cotações do arábica na bolsa internacional.
    O café arábica negociado na ICE Futures registrou valorização. Como resultado, os preços também subiram no Brasil.

    Dificuldades logísticas podem afetar oferta

    Pesquisadores do Cepea alertam para impactos nas rotas comerciais globais. Com custos maiores e logística comprometida, produtores asiáticos podem enfrentar dificuldades para abastecer mercados ocidentais. Ou seja, esse cenário pode reduzir a oferta disponível em alguns destinos consumidores.

    Negócios avançam no mercado spot

    A recente valorização estimulou negócios no mercado físico brasileiro. Ainda assim, os pesquisadores relatam negociações com volumes reduzidos. Em geral, os produtores seguem cautelosos diante das incertezas no cenário internacional e nas cotações futuras.

  • Conflito no Oriente Médio pode ampliar demanda por soja brasileira

    Conflito no Oriente Médio pode ampliar demanda por soja brasileira

    As negociações do complexo soja começam a ganhar ritmo no mercado brasileiro. Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada observam avanço nas transações neste início de safra. Segundo o Cepea, o movimento é comum para o período. Contudo, o mercado mostra novas relações comerciais. Os países que antes registravam menor demanda passaram a ampliar compras de soja brasileira.

    Conflito pode redirecionar compras globais

    O Brasil já concentra grande parte da demanda global durante a entrada da safra. Além disso, o conflito no Oriente Médio pode redirecionar compradores ao país. Ou seja, esse movimento pode intensificar ainda mais as exportações brasileiras de soja. De acordo com o United States Department of Agriculture (USDA), o Brasil deve atender 61% da demanda mundial.

    Possível alta do petróleo preocupa logística

    Pesquisadores também monitoram impactos logísticos ligados ao cenário internacional. O possível fechamento do Estreito de Ormuz preocupa o mercado global. A rota marítima concentra grande parte do transporte mundial de petróleo. Assim, o bloqueio pode elevar o preço do combustível e pressionar o frete rodoviário. No Brasil, o fluxo de caminhões já aumenta neste período de colheita. Além disso, o frete sobe devido à demanda logística para embarques de soja.

    Produtores aceleram vendas no mercado spot

    O aumento do frete tende a reduzir o valor recebido pelos produtores. Diante desse cenário, muitos agentes intensificam as vendas da oleaginosa. Segundo o Cepea, esse movimento eleva a liquidez no mercado spot nacional. Além disso, produtores buscam cumprir compromissos financeiros próximos do vencimento. A recente recuperação cambial também estimulou novas negociações.

  • Guerra no Oriente Médio pode encarecer fertilizantes e combustíveis

    Guerra no Oriente Médio pode encarecer fertilizantes e combustíveis

    A escalada do conflito no Oriente Médio tem acendido um alerta no agronegócio brasileiro. Além das implicações geopolíticas, a instabilidade na região pode pressionar os preços de fertilizantes e combustíveis, dois insumos essenciais para a produção agrícola.

    Fertilizantes

    Um dos principais pontos de preocupação envolve o fornecimento de fertilizantes nitrogenados, como a ureia. O Brasil depende fortemente das importações desse insumo: em 2025, cerca de 100% da ureia utilizada no país foi adquirida no exterior. Desse total, aproximadamente 41% das cargas passaram pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica no Golfo Pérsico que concentra parte relevante do comércio global de fertilizantes.

    Com o aumento das tensões na região, analistas alertam para possíveis interrupções logísticas e redução da oferta. Caso o conflito se prolongue, a expectativa é de restrições no fornecimento e pressão de alta nos preços do produto no mercado internacional.

    Importância do Oriente Médio

    O Oriente Médio tem papel central no comércio global desses insumos. A região responde por cerca de 41% das exportações mundiais de ureia e por uma parcela significativa da produção de amônia, matérias-primas fundamentais para a fabricação de fertilizantes nitrogenados. Qualquer interrupção na produção ou no transporte desses produtos tende a afetar diretamente os fluxos comerciais e os preços globais.

    O mercado já começa a perceber os efeitos. Levantamentos apontam elevação nas cotações internacionais dos fertilizantes nitrogenados e retirada de ofertas em alguns portos diante das incertezas sobre a disponibilidade do produto e as condições logísticas.

    Combustíveis

    Além dos fertilizantes, o conflito também pode impactar o custo dos combustíveis. A região é uma das principais produtoras de petróleo do mundo, e eventuais restrições na oferta ou no transporte da commodity tendem a pressionar os preços internacionais. Ou seja, a alta do petróleo afeta diretamente o valor do diesel e do frete, elevando os custos de produção e de transporte no agronegócio.

    Diante desse cenário, especialistas avaliam que um conflito prolongado poderia gerar reflexos na próxima temporada agrícola brasileira, especialmente na safra 2026/27, que tem o plantio no segundo semestre. A combinação de fertilizantes mais caros e custos logísticos mais elevados tende a pressionar as margens do produtor rural e pode influenciar os preços dos alimentos ao longo da cadeia produtiva.