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  • Além de Kate Perry: Embrapa e Blue Origin levam batata-doce e grão-de-bico para o espaço

    Além de Kate Perry: Embrapa e Blue Origin levam batata-doce e grão-de-bico para o espaço

    A bordo do voo suborbital da Blue Origin, lançado em 14 de abril, além da histórica tripulação composta exclusivamente por mulheres, viajaram plantas de batata-doce e sementes de grão-de-bico desenvolvidas pela Embrapa. O experimento integra as pesquisas da Rede Space Farming Brazil, parceria entre a Embrapa e a Agência Espacial Brasileira (AEB), que busca soluções para produção de alimentos em ambientes extremos, como espaço, Lua e Marte.

    Por que batata-doce e grão-de-bico?

    As culturas foram escolhidas por sua resiliência, rápido crescimento e alto valor nutricional – fatores críticos para cultivo em condições de radiação elevada e gravidade reduzida. A batata-doce das cultivares Beauregard e Covington (esta última registrada no Brasil pela Embrapa) é rica em betacaroteno, precursor da vitamina A, enquanto o grão-de-bico BRS Aleppo destaca-se pelo alto teor proteico.

    Sarita Meireles e Larissa Vendrame, da Embrapa, analisam mudas da batata-doce BRS Anembé, próximo material a ser analisado no espaço, após o grão-de-bico BRS Aleppo. Foto: Paula Rodrigues

    “Essas espécies são adaptáveis, exigem menos insumos e oferecem compostos bioativos essenciais para astronautas, como antioxidantes que combatem os efeitos da radiação”, explica Larissa Vendrame, pesquisadora da Embrapa Hortaliças.

    Como funciona o experimento?

    As amostras ficaram expostas por cinco minutos à microgravidade durante o voo. Agora, cientistas analisarão mudanças genéticas e fisiológicas nas plantas, com foco em:

    • Desenvolver cultivares mais resistentes a secas e radiação.
    • Otimizar sistemas de cultivo sem solo (usando regolito lunar/marciano).
    • Acelerar o melhoramento genético para enfrentar mudanças climáticas na Terra.
    • Tecnologias Espaciais a Serviço da Agricultura Global

    A pesquisa espacial pode gerar spin-offs (tecnologias derivadas) aplicáveis ao cotidiano. “Assim como a NASA trouxe inovações como alimentos desidratados e termômetros infravermelho, esperamos avanços em inteligência artificial para irrigação e cultivos indoor”, destaca Alessandra Fávero, coordenadora da Rede Space Farming Brazil.

    Parcerias Internacionais

    A inclusão das sementes brasileiras na missão foi viabilizada pela Winston-Salem State University (EUA), com participação da ex-cientista da NASA Aisha Bowe, responsável por conduzir os experimentos. A iniciativa reforça o papel do Brasil no Programa Artemis, da NASA, que visa estabelecer presença humana sustentável no espaço.

    Grão-de-bico BRS Aleppo é a primeira cultivar brasileira a participar de experimento espacial. Foto: Rogério Monteiro

    Além de contribuir para missões espaciais de longa duração, os resultados devem impulsionar a agricultura terrestre, com:

    • Cultivares mais nutritivas e tolerantes a extremos climáticos.
    • Técnicas inovadoras de manejo com menos recursos.
    • Novos mercados para produtos adaptáveis a condições adversas.

    A Embrapa e a AEB planejam expandir a rede de pesquisas, integrando universidades e empresas de tecnologia. “Estamos construindo um legado que une segurança alimentar no espaço e soluções para os desafios do agro na Terra”, conclui Fávero.

    Momento histórico

    A missão histórica da Blue Origin marcou um avanço na exploração espacial ao levar a primeira tripulação 100% feminina ao espaço. Além da cantora Katy Perry, a bordo do foguete New Shepard estavam outras cinco mulheres, entre elas a jornalista Lauren Sánchez (noiva de Jeff Bezos, fundador da empresa) e a ex-cientista da NASA Aisha Bowe. Elas experimentaram cerca de 10 minutos de voo suborbital, ultrapassando a Linha de Kármán (100 km de altitude) e flutuando em microgravidade por aproximadamente três minutos. Katy Perry, emocionada, destacou a importância simbólica da jornada. “É sobre abrir espaço para mulheres no futuro”, disse, revelando ainda que cantou “What a Wonderful World” durante a experiência e celebrou o retorno beijando o chão.

     

    O voo, além de seu caráter histórico (o primeiro exclusivamente feminino desde Valentina Tereshkova, em 1963), reacendeu debates sobre o turismo espacial — com passagens estimadas em US$ 1,25 milhão — e seus impactos ambientais, já que emissões de foguetes contribuem para o aquecimento global, mesmo com combustíveis mais limpos, como hidrogênio líquido. A missão também simbolizou um passo na representatividade feminina em setores tradicionalmente dominados por homens. E uniu celebridades, cientistas e ativistas em um marco de inovação e inclusão.

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  • Alimentos sem glúten; Embrapa lança linha de produtos

    Alimentos sem glúten; Embrapa lança linha de produtos

    A Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) desenvolveu uma nova linha de alimentos sem glúten, unindo cereais integrais, como arroz e milheto, com pulses, como grão-de-bico e feijão-carioca.

    Entre as novidades estão snacks aerados, farinhas pré-cozidas, massas alimentícias e pão pita (árabe ou sírio). Para colocar os produtos no mercado, a instituição busca parceiros para codesenvolvimento, validação e licenciamento.

    Os novos alimentos foram desenvolvidos por meio da extrusão termoplástica, tecnologia que permite o cozimento rápido e preserva os nutrientes dos grãos.

    De acordo com Carlos Piler, pesquisador da Embrapa, o processo permite utilizar o grão inteiro, evitando o refinamento. “Com isso, as enzimas que causam rancificação são inativadas, prolongando a vida útil do produto”, explica Piler.

    Além disso, os snacks possuem 12,8% de proteína e 9% de fibras, enquanto o pão pita contém 10,5% de proteínas e 10% de fibras. Ambos alcançaram índice de aceitação sensorial de 70%, indicando boa receptividade pelo público.

    Seleção das matérias-primas e massa rica em proteínas e fibras

    A escolha dos ingredientes se baseou na disponibilidade no mercado e em características nutricionais. Além disso, Piler aponta o arroz e o feijão-carioca como grãos amplamente cultivados no Brasil, justificando sua escolha.

    Ele menciona também o grão-de-bico, elogiando seu sabor neutro. Entretanto, quanto ao milheto pérola, Piler ressalta suas qualidades nutricionais e compostos bioativos.: “Esse cereal contém compostos fenólicos de destaque e é amplamente cultivado no Brasil, garantindo segurança alimentar”.

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    Outro destaque é a massa alimentícia em formato fusilli, desenvolvida a partir de milheto pérola e grão-de-bico, ambos integrais.

    A pesquisadora Melicia Galdeano explica que o uso de farinha pré-cozida e a extrusão a frio proporcionaram um produto com 13% de proteínas e 11% de fibras. “Essa combinação melhora as propriedades tecnológicas do produto e oferece uma alternativa saudável para pessoas com intolerâncias ao glúten e ao trigo”, ressalta Galdeano.

    Parcerias para comercialização

    A Embrapa está em busca de parcerias para validar e licenciar os alimentos sem glúten, tendo portanto, objetivo de ajustar formulações e promover a exploração comercial.

    “Nosso foco é atender ao nicho de saudabilidade, diversificando as opções de alimentos sem glúten no mercado”, conclui José Ascheri, pesquisador da instituição.

  • Conheça dois novos concentrados ricos em proteínas apresentados pela Embrapa

    Conheça dois novos concentrados ricos em proteínas apresentados pela Embrapa

    Para quem gosta de proteínas, a Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) apresenta dois novos concentrados proteicos de lentilha e grão-de-bico, projetados para diversificar e aumentar a disponibilidade de ingredientes em alimentos plant-based. Essas inovações se somam ao concentrado proteico de feijão, criado em 2023, e são semelhantes aos concentrados de soja e ervilha disponíveis no mercado.

    O concentrado de lentilha possui 80% de proteína (80 gramas por 100 gramas), enquanto o de grão-de-bico tem 73% de proteína (73 gramas por 100 gramas). Esses ingredientes aumentam o teor proteico de produtos vegetais, como hambúrgueres, empanados, salsichas, linguiças, bebidas vegetais e iogurtes, além de serem úteis na panificação e suplementos alimentares.

    A pesquisadora Janice Lima destaca que as matérias-primas usadas, como pulses, são ideais devido ao seu teor proteico natural de 20% a 30%. “Entre as pulses, o concentrado proteico de ervilha é conhecido, mas outras leguminosas são menos estudadas. O grão-de-bico e a lentilha estão ganhando força no Brasil pela versatilidade de produção”, afirma Lima. Esses concentrados podem substituir ingredientes derivados de soja e melhorar características tecnológicas dos alimentos.

    A pesquisadora Caroline Mellinger explica que ambos os concentrados têm altos teores de proteínas e aminoácidos essenciais, conforme recomendações da Anvisa e FAO. “As proteínas foram testadas em simulações de digestão humana, garantindo sua absorção pelo intestino e contribuição ao aporte proteico necessário”, diz Mellinger.

    As proteínas de grão-de-bico e lentilha são boas formadoras de espuma e emulsão, apesar de serem pouco solúveis em pHs neutros. “Os resultados demonstraram que nossos ingredientes são similares a outros do mercado, confirmando seu potencial para produtos alimentícios e suplementos”, informa a pesquisadora.

    Sustentabilidade e aproveitamento de resíduos

    A pesquisadora Melicia Galdeano destaca que estudaram os resíduos da extração das proteínas, resultando em amidos de lentilha e grão-de-bico com 92% de pureza, além de ingredientes ricos em fibras e carboidratos. “Essa abordagem otimiza o uso do material seguindo práticas de economia circular, com menor impacto ambiental”, ressalta Galdeano.

    Esses ingredientes têm aplicações em diversos produtos processados, contribuindo para o enriquecimento de fibras e melhoria da textura. A pesquisa e desenvolvimento contínuos da Embrapa visam oferecer soluções inovadoras e sustentáveis para a indústria de alimentos.

    Mercado Plant-based, o que é?

    O mercado de alimentos plant-based tem sido um dos mais dinâmicos nos últimos anos, com uma crescente demanda por produtos que sejam saudáveis, sustentáveis e com melhor sabor e textura. Segundo dados recentes, as vendas de alimentos plant-based nos EUA caíram 12% em 2023, enquanto as vendas de leite plant-based aumentaram 1%. No entanto, a tendência é que os preços sejam um fator crucial para o crescimento do mercado.  Muitos consumidores ainda se sentem desencorajados pelas altas taxas de inflação.

    Ainda assim, a indústria de alimentos plant-based tem se adaptado às mudanças no mercado, oferecendo uma variedade crescente de opções para os consumidores. Os produtos mais populares incluem leite plant-based, que alcançou um valor de US$ 2,1 bilhão em vendas em 2021, e produtos de carne plant-based, como burgers e nuggets, que cresceram 12% em 2021.

    A expectativa é que a indústria continue a se expandir, com a introdução de novos produtos e formatos que atendam às necessidades dos consumidores. Além disso, a sustentabilidade e a biodiversidade também são fatores importantes que atrairão consumidores para os alimentos plant-based.

    Em resumo, o mercado de alimentos plant-based é um setor em crescimento, com uma crescente demanda por produtos saudáveis e sustentáveis. Embora haja desafios, como preços elevados, a indústria tem demonstrado sua capacidade de se adaptar e oferecer uma variedade crescente de opções para os consumidores