Tag: gado

  • Drones e inteligência artificial ajudam a definir o momento ideal de abate do gado

    Drones e inteligência artificial ajudam a definir o momento ideal de abate do gado

    Pesquisadores brasileiros desenvolveram um sistema que usa drones e inteligência artificial para monitorar o crescimento de bovinos em confinamento e indicar o momento mais eficiente para venda ou abate. A tecnologia pode reduzir custos, melhorar o bem-estar animal e aumentar a rentabilidade da pecuária.

    O estudo, publicado na revista científica Computers and Electronics in Agriculture, integra o projeto Semear Digital, sediado na Embrapa Agricultura Digital, em Campinas (SP). A iniciativa faz parte dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) da Fapesp.

    Segundo os pesquisadores, métodos tradicionais de pesagem exigem manejo frequente e causam estresse nos animais, o que prejudica o ganho de peso. Além disso, o uso de balanças pode gerar custos com manutenção e falhas operacionais.

    “Queríamos reduzir o estresse e, ao mesmo tempo, identificar o momento exato em que o animal atinge o melhor desempenho produtivo”, explica Everton Tetila, pesquisador do projeto e professor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

    Monitoramento com drones e IA

    A equipe testou o sistema em um confinamento no Mato Grosso do Sul, onde acompanhou um lote de bovinos por 112 dias. Durante o período, drones sobrevoaram a área regularmente, a cerca de 15 metros de altura, para capturar imagens dos animais.

    Com base nessas imagens, modelos de inteligência artificial identificaram os bovinos, segmentaram automaticamente seus corpos e extraíram medidas como comprimento e largura. Esses dados permitiram acompanhar o crescimento dos animais ao longo do ciclo produtivo.

    “Modelamos a relação entre medidas corporais e ganho de peso, considerando variações ao longo do tempo”, afirma Tetila.

    Ponto de inflexão define melhor momento

    Os pesquisadores identificaram um padrão claro de crescimento: após uma fase inicial de adaptação, os animais entram em um período de ganho acelerado de peso, seguido por desaceleração.

    O chamado “ponto de inflexão” marca o momento em que o ganho de peso atinge o pico e começa a cair. Esse ponto indica o período mais vantajoso para o abate ou venda.

    “Após esse estágio, o animal passa a converter alimento em peso de forma menos eficiente, o que eleva os custos de produção”, destaca o pesquisador.

    Segundo o estudo, identificar esse momento com precisão pode gerar ganhos expressivos, especialmente em grandes rebanhos. Em sistemas intensivos, a diferença de um único dia pode impactar diretamente os custos com alimentação e a eficiência produtiva.

    Novas aplicações na pecuária de precisão

    A tecnologia também abre caminho para outras aplicações no campo. A mesma base de dados já permite desenvolver modelos capazes de analisar o comportamento dos animais e detectar anomalias, como estresse ou interações inadequadas no confinamento.

    Os pesquisadores agora trabalham na adaptação do sistema para outras raças, como Angus e Brahman, além de avançar na validação em escala comercial.

    A expectativa é que a solução fortaleça a chamada pecuária de precisão, ao permitir decisões mais assertivas e redução de custos. “Com o momento ideal de abate bem definido, o produtor melhora sua eficiência e pode até contribuir para reduzir o preço final da carne”, afirma Tetila.

    Apesar dos avanços, a tecnologia ainda não chegou ao mercado. A equipe já desenvolveu um protótipo funcional e busca parceiros para viabilizar a comercialização.

  • Aditivo alimentar reduz emissões de metano em 50% em gado Nelore

    Aditivo alimentar reduz emissões de metano em 50% em gado Nelore

    A Minerva Foods e a startup australiana Rumin8 divulgaram os resultados de um estudo inédito que comprova redução de 50,4% nas emissões de metano entérico em gado Nelore confinado. Conduzida em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), a pesquisa de 120 dias também registrou melhora estatisticamente significativa de 5% na eficiência de conversão alimentar dos animais que consumiram o aditivo desenvolvido pela Rumin8.

    O experimento avaliou o impacto do aditivo em condições que simulam operações comerciais de confinamento brasileiras. Animais que receberam o produto misturado à ração total (TMR) emitiram 39,6 g de metano por quilo de ganho de peso , contra 77,2 g/kg no grupo controle, que consumiu a mesma dieta sem o suplemento.

    No total, o teste gerou uma redução estimada de 29,8 toneladas de CO₂ equivalente em emissões de gases de efeito estufa, além de proporcionar ganhos de produtividade e menor consumo de ração. Empresas especializadas em certificação de carbono agrícola, entre elas a Athian e a FoodChain ID, realizam a verificação independente desses resultados.

    Como o estudo foi conduzido

    O experimento envolveu dois grupos de bovinos Nelore machos. O primeiro reuniu 80 animais em baias individuais, o que permitiu medir com precisão o consumo de ração e as emissões de metano, metade no grupo controle, metade recebendo o aditivo. O segundo grupo incluiu 200 bovinos em baias coletivas, para simular condições de escala comercial.

    A dieta adotada seguiu o padrão típico de terminação em confinamento no Brasil: 12% de volumoso e 88% de concentrado, com milho moído como ingrediente principal. Pesquisadores monitoraram o consumo de ração diariamente e avaliaram o desempenho produtivo por meio de pesagens periódicas.

    O que dizem os envolvidos

    Para o CEO da Rumin8, David Messina, os resultados abrem caminho para escalar a tecnologia no maior mercado de gado do mundo. “A Minerva e a Rumin8 estão comprometidas em reduzir as emissões de metano do setor. E foi excelente ter este trabalho validado por uma das instituições acadêmicas mais respeitadas do Brasil”, afirmou. Segundo ele, os dados farão parte do pacote regulatório para a comercialização do produto no país.

    Marta Giannichi, Diretora Global de Sustentabilidade da Minerva Foods, destacou o caráter estratégico da iniciativa. “A redução das emissões de metano é uma prioridade para o avanço de uma cadeia mais sustentável. Iniciativas como esta ajudam a acelerar soluções que combinam produtividade e responsabilidade ambiental”, disse.

    Pesquisadores da ESALQ/USP classificaram o aditivo testado entre as estratégias mais promissoras de mitigação de metano já avaliadas pela instituição. Com potencial para reduzir a pegada ambiental da produção de carne bovina sem comprometer a eficiência produtiva.

  • Passando o legado: Leonardo surpreende neta com presente de 15 anos inusitado

    Passando o legado: Leonardo surpreende neta com presente de 15 anos inusitado

    O sertanejo Leonardo chocou a neta Maria Sophia com um presente fora da curva pros 15 anos dela. O “vô do ano” mandou cinco bezerros de alta linhagem, daqueles que demandam cuidado diário na fazenda. A menina abriu a caixa de surpresas e leu a carta do avô, ficando de queixo caído com a herança.

    Desde o nascimento dela, o cantor planejava isso pra ensinar o valor do agro. “Desde quando você nasceu, eu queria te presentear com cinco bezerros pra você cuidar e entender do mundo que estou construindo pra vocês”, escreveu o cantor na carta. Maria Sophia reagiu na hora: “Eu quero logo ver meus bezerros, mas você vai me ajudar a cuidar, porque não tenho ideia de como faz isso”, brincou ela.

    Dinheiro extra e viagem dos sonhos

    Além dos animais, veio uma bolada em dólares pra bancar a viagem dela pra Disney, valor que o avô manteve em segredo. No entanto, ele deu uma dica: o suficiente pra “trazer até o Mickey pro Brasil”. O vídeo viralizou como parte da série dela, “15 anos, 15 dias, 15 presentes”, e destacou o 12º mimo da lista.

    Família da roça

    Maria Sophia, filha de Pedro Leonardo e Thaís Gebelein, representa a nova geração conectada ao campo pela família famosa. “Como avô vai ser especial passar esse legado”, disse Leonardo em sua carta, revelando o quão simbólicos são esses laços.

    Leonardo surpreende neta Maria Sophia com presentões — (Foto: Reprodução/Instagram)
  • Escolher bem não basta: curso expõe falhas na seleção de gado no Brasil

    Escolher bem não basta: curso expõe falhas na seleção de gado no Brasil

    A Exposição Nacional Hereford e Braford 2026 começou em Esteio com um recado direto ao setor. Não basta escolher bem na pista. É no campo que a decisão mostra se fez sentido.

    A Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) abriu a programação com o Curso de Julgamento Dr. Jacob Momm Filho, retomando uma agenda que havia sido interrompida nos últimos anos. A proposta vai além da estética e tenta corrigir um desvio comum entre criadores: selecionar animais com base em preferência visual, e não em desempenho produtivo.

    Logo na abertura, o presidente da entidade, Eduardo Soares, deixou claro o tom da capacitação. “Quando se fala em curso de julgamento, não se trata apenas de avaliar animais em pista. Todos nós somos jurados das nossas próprias convicções e precisamos estar preparados para julgar nossos animais em qualquer situação”, afirmou.

    A fala aponta para um problema recorrente no campo. A decisão genética ainda carrega subjetividade demais, e isso impacta diretamente o bolso do produtor.

    Capacitação promovida pela ABHB reúne técnicos, estudantes e criadores em atividades teórica e prática voltadas à seleção genética e produção de carne de qualidade. (Foto: Nestor Júnior)

    Menos gosto pessoal, mais critério técnico

    A tentativa do curso é justamente reduzir esse ruído. A seleção de machos e fêmeas, quando mal conduzida, compromete produtividade, eficiência alimentar e, no fim da cadeia, a qualidade da carne.

    Segundo Soares, definir critérios objetivos deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade básica. A capacitação foi estruturada para conectar teoria e prática, abordando desde regras institucionais até pontos técnicos da pecuária moderna.

    Essa mudança de abordagem também aparece na fala do professor Júlio Barcellos, da UFRGS. Ele alerta que decisões baseadas apenas em preferência pessoal ainda são mais comuns do que deveriam. “A habilidade de escolher um animal vai além de gostos individuais e deve considerar fatores fundamentais ligados à produção de carne, atividade que sustenta toda a cadeia produtiva”, disse.

    E foi além. “É preciso ultrapassar paixões e entender que a atividade-fim é a que paga a conta”.

    Genética equilibrada ganha espaço no debate

    Outro ponto que ganha força é o abandono da ideia de animal ideal. Em sistemas cada vez mais complexos, essa busca tende a gerar frustração e decisões equivocadas.

    Barcellos foi direto ao classificar essa expectativa como irreal. “Essa busca é uma ilusão”, afirmou, defendendo uma genética mais equilibrada e adaptável a diferentes ambientes.

    Esse raciocínio acompanha a própria evolução da ABHB. Fundada em 1958, a entidade ampliou sua atuação ao incorporar cruzamentos com raças zebuínas e consolidar o Braford. A mudança aumentou a adaptação dos animais e abriu novas possibilidades produtivas.

    Hoje, a associação atua em todo o país, com programas que já avaliaram cerca de 1 milhão de animais, em parceria com iniciativas como Pampaplus, Promebo e Conexão Delta G.

    Da exposição ao prato do consumidor

    Embora o curso aconteça dentro de uma exposição, o impacto vai além da pista. A qualidade da carne começa na escolha genética, passa pelo manejo e termina no consumidor.

    Programas como o Carne Certificada Hereford reforçam essa conexão, ao exigir critérios rigorosos de genética, idade e acabamento de carcaça desde 1998.

    Na prática, o que está em jogo é a consistência do produto final. E isso depende de decisões tomadas muito antes do abate. Ao recolocar a capacitação técnica no centro da agenda, a ABHB tenta reduzir erros que ainda passam despercebidos. Erros que não aparecem de imediato, mas que, ao longo do tempo, comprometem eficiência, competitividade e resultado dentro da porteira.

    A programação segue com atividades práticas, onde teoria e campo finalmente se encontram.

  • Você guiaria seu gado pelo celular? Essa tecnologia já faz isso

    Você guiaria seu gado pelo celular? Essa tecnologia já faz isso

    Antes do amanhecer, ainda sem botas, um pecuarista neozelandês pega o celular e move o rebanho para um novo pasto. Nenhuma cerca foi erguida. Nenhum motor foi ligado. É assim que a Halter opera hoje, e é exatamente esse modelo que a empresa quer trazer para o Brasil. Com US$ 220 milhões captados em março de 2026 e avaliação de US$ 2 bilhões, a startup entrou de vez no radar do agronegócio global.

    O que é a Halter e como o sistema funciona

    O sistema combina uma coleira solar, uma rede de torres de baixa frequência e um aplicativo de smartphone para que pecuaristas criem cercas virtuais, monitorem cada animal em tempo real e movam seus rebanhos sem sair da sede da fazenda. A proposta elimina dois dos maiores custos fixos da pecuária extensiva: a infraestrutura física de cercamento e a mão de obra para manejo presencial.

    No centro da plataforma está o Cowgorithm, o motor de inteligência artificial da empresa. Ele treina automaticamente o gado para responder a sinais sonoros direcionais emitidos pelo colar digital, permitindo guiar e conter o rebanho sem cercas físicas. O animal aprende a reagir a estímulos de áudio e vibração em cerca de dez dias. Um pulso leve, menos intenso que uma cerca elétrica, serve apenas como último recurso, mantendo o bem-estar animal como prioridade.

    A Halter atende mais de 2.000 pecuaristas em Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos e já vendeu 1 milhão de coleiras solares com GPS. Desde a entrada nos EUA em 2024, pecuaristas americanos criaram mais de 60.000 milhas de cercamento virtual, algo próximo de 96 mil quilômetros de cerca digital. O modelo funciona por assinatura mensal. Os valores ficam em torno de US$ 5 a US$ 8 por animal por mês, incluindo acesso ao aplicativo.

    O impacto direto no manejo e na produtividade

    Ao dar controle preciso sobre onde o rebanho pasta, a Halter pode elevar a produtividade da terra em até 20%, não apenas economizando mão de obra, mas garantindo que o gado paste de forma mais eficiente. O ganho não vem só da redução de custo. Ele vem do melhor aproveitamento de cada hectare.

    Craig Piggott foi direto ao descrever os resultados. “Em alguns casos, vemos clientes literalmente dobrando a produção de suas terras. O teto de retorno é muito, muito alto.”

    Antony Yousefian, parceiro da The First Thirty Ventures, foi além: “Uma vaca leiteira pode gerar US$ 15.000 ou mais em receita bruta ao longo da vida. Identificar um problema de saúde dois dias mais cedo, ajustar um intervalo de parição, melhorar a qualidade da produção, isso expande o valor de cada animal, não apenas reduz custos com cercamento.”

    O sistema transforma o colar em uma fonte contínua de dados que alimenta decisões sanitárias, reprodutivas e de manejo. O rebanho, nesse modelo, deixa de ser um grupo de animais no pasto e passa a ser uma rede monitorada em tempo real.

    Por que o Brasil está na mira da Halter

    O plano de crescimento inclui mercados como Reino Unido, Irlanda, Argentina e Brasil, países com forte presença pecuária e grande potencial de adoção da tecnologia. A empresa foi ainda mais direta em entrevistas. O COO da Halter explicou a atração pela América do Sul com clareza:

    “Brasil tem mais vacas do que qualquer outro lugar. Argentina e Uruguai também.”

    O posicionamento faz sentido produtivo. O Brasil concentra o maior rebanho bovino comercial do mundo, com mais de 230 milhões de cabeças. O país também enfrenta desafios que a Halter se propõe a resolver: custo elevado de cercamento em propriedades de grande escala, escassez crescente de mão de obra rural e pressão por intensificação sem expansão de área. A convergência entre o problema e a solução é direta.

    Vale lembrar que a Halter ainda não opera comercialmente no Brasil. O sistema exige conectividade na propriedade. A empresa mantém equipes de campo que trabalham junto às operações dos clientes, um modelo intensivo que precisará escalar eficientemente à medida que a presença cresce em novos países. Produtores em regiões com conectividade muito precária precisarão avaliar a compatibilidade antes da adoção.

    A pecuária de precisão entrou de vez no jogo

    A revolução digital no campo ganhou um novo capítulo, e desta vez ele vem direto do pescoço das vacas. A Halter representa algo maior do que uma empresa de coleiras. Ela sinaliza uma mudança estrutural na forma como a pecuária vai operar nas próximas décadas. A agrotecnologia deve movimentar US$ 62 bilhões até 2030, e a pecuária é vista como uma das áreas com maior espaço para ganhos de eficiência por meio da digitalização.

    Com menos de 1% de penetração no rebanho bovino global de 1,5 bilhão de cabeças, o mercado ainda está no começo. Menos arame, mais algoritmo. Menos deslocamento físico, mais gestão pelo celular. Se depender do tamanho do rebanho brasileiro e da relevância do país no cenário pecuário global, o próximo grande salto dessa tecnologia pode acontecer aqui.

  • Brasil inicia 2026 como líder global na carne bovina

    Brasil inicia 2026 como líder global na carne bovina

    O Brasil inicia 2026 consolidado como o maior exportador e fornecedor de carne bovina do mundo. Após um 2025 de recordes históricos de abate e exportação, o país se firma como pilar estratégico em um cenário global de oferta limitada e concentrada. Segundo Larissa Barboza Alvarez, analista de mercado da StoneX, começam a surgir sinais de mudança no ciclo pecuário, o que pode afetar a disponibilidade de gado nos próximos anos.

    Essas tendências estão detalhadas no relatório “Perspectivas para Commodities 2026”, publicado pela StoneX em 27 de janeiro. O documento traz projeções para os principais mercados agropecuários e destaca a carne bovina como ativo central para o Brasil em 2026.

    Oferta de gado e virada do ciclo

    O ponto de maior incerteza neste início de ano está na oferta de animais para abate. Em 2025, a pecuária nacional registrou volume recorde de abates, impulsionado sobretudo pelo descarte expressivo de fêmeas. Movimento que tende a se limitar naturalmente, já que essas matrizes garantem a reposição do rebanho.

    “Nos últimos meses, a queda no abate de fêmeas indica que os produtores podem estar iniciando um novo ciclo de retenção”, afirmou Larissa. Como o ciclo pecuário costuma durar de 18 a 30 meses, ajustes realizados agora devem influenciar a oferta até 2027. Se a virada realmente se confirmar, a produção pode se tornar mais ajustada justamente em um momento de demanda aquecida nos mercados interno e externo, favorecendo a valorização da carne bovina ao longo do ano.

    Consumo interno em expansão

    O bom momento da economia brasileira, com crescimento e baixo desemprego, sustenta o avanço do consumo doméstico. “A melhora da renda tende a estimular a compra de carne bovina, que tem papel central na dieta do brasileiro”, explicou a analista.

    Ainda assim, ela alerta para fatores de moderação, como o aumento da inadimplência e a maior cautela das famílias em um ano eleitoral. Eventos sanitários também seguem no radar — o impacto da gripe aviária em 2025 mostrou como choques pontuais de oferta podem alterar a competitividade entre proteínas e influenciar preços.

    Dependência global do Brasil

    No cenário externo, o Brasil mantém posição dominante no comércio internacional. A China segue como principal destino das exportações brasileiras e ainda apresenta necessidade de importação superior à capacidade total de embarque do país. Outros mercados relevantes, como Japão, Coreia do Sul, Egito, Emirados Árabes, Chile e Estados Unidos, continuam com demanda estável.

    Em 2025, a rápida reação da China à redução das compras norte-americanas  após o aumento de tarifas reforçou a competitividade brasileira e a confiança na capacidade de resposta do setor exportador.

    “O Brasil entra em 2026 com protagonismo ampliado e o desafio de equilibrar consumo interno firme com uma possível redução na oferta de gado”, destacou Larissa Barboza Alvarez. O desfecho desse equilíbrio deve orientar preços, margens e a dinâmica da pecuária nacional ao longo do novo ciclo.

  • Brasil registra 77,8 milhões de raios por ano

    Brasil registra 77,8 milhões de raios por ano

    O Brasil registra cerca de 77,8 milhões de descargas elétricas para o solo a cada ano Inpe, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A posição geográfica do país e o clima tropical explicam a liderança mundial no fenômeno. A República Democrática do Congo aparece em segundo lugar, com 43,2 milhões de raios anuais, seguida pelos Estados Unidos, com 35 milhões.

    Tocantins lidera o ranking estadual com maior densidade de raios, registrando 19,8 descargas por quilômetro quadrado ao ano. Amazonas, Acre, Maranhão e Pará completam as posições seguintes. As regiões Norte e Centro-Oeste concentram os maiores índices devido às condições climáticas favoráveis à formação de tempestades.

    Bovinos entre as principais vítimas das descargas atmosféricas

    Levantamento do INPE aponta que entre 2010 e 2019 morreram 2.973 cabeças de gado atingidas por raios no Brasil. O número representa perdas 3,3 vezes maiores que as mortes humanas pelo mesmo fenômeno no período analisado.

    Diferentemente dos casos envolvendo pessoas, onde geralmente morre uma vítima por evento, no caso dos animais a média é de 18 cabeças de gado por ocorrência. A perda estimada pelas mortes dos animais no período alcança cerca de R$ 15 milhões, com prejuízo médio de R$ 5 mil por animal aos criadores.

    Mato Grosso lidera o ranking dos dez estados com maior número de mortes de animais, registrando 437 óbitos, seguido por São Paulo (361) e Mato Grosso do Sul (358). Tocantins, Rondônia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Paraná completam a lista, totalizando 86% das mortes no país.

    Comportamento animal aumenta vulnerabilidade aos raios

    Os bovinos buscam proteção da chuva embaixo de árvores isoladas nos pastos, que também funcionam como pontos de atração para as descargas elétricas. Quando o raio atinge a árvore, a corrente elétrica percorre o solo e eletrocuta os animais que estão ao redor.

    Foto: divulgação – Embrapa / Vanderley Porfírio

    O maior número de animais mortos por um único raio foi de 103 bovinos, em 16 de março de 2018, em Cacoal (RO). Os animais tentavam se abrigar embaixo de uma árvore durante a tempestade quando foram atingidos.

    As estações de primavera e verão concentram a maior parte das mortes (67%), períodos mais quentes do ano com maior número de tempestades e raios. Estas também são as épocas de maior disponibilidade de pastagens para alimentação animal.

    Seguro pecuário oferece proteção contra prejuízos

    O seguro pecuário mitiga riscos com a cobertura “Eletrocussão, Incêndio, Insolação e Raio”, que considera qualquer ocorrência de raios e contato do animal com fios de alta tensão.

    O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) permite subvencionar até 40% do prêmio do seguro pecuário, limitado ao valor máximo de R$ 24 mil ao ano por CPF cadastrado. O subsídio governamental torna a contratação mais acessível aos produtores rurais.

    Segundo o INPE, 26% das fatalidades com raios acontecem em áreas rurais. A exposição constante dos trabalhadores e animais a céu aberto aumenta a vulnerabilidade.

    Instalações elétricas adequadas reduzem riscos

    Especialistas recomendam aterramentos corretos a cada 200 metros de cerca, com instalação adequada de para-raios. Profissionais estimam que 90% das cercas rurais estão mal instaladas, com reaproveitamento de metal oxidado e aterramentos inadequados.

    Projeções do INPE indicam que entre 2081 e 2100 o Brasil deve aumentar de 70 para 100 milhões a ocorrência de raios ao ano. A Região Norte deve liderar o crescimento, com aumento de 50% na incidência de descargas elétricas.

  • RJ inicia em novembro a atualização dos dados cadastrais do rebanho

    RJ inicia em novembro a atualização dos dados cadastrais do rebanho

    A Secretaria de Estado de Agricultura do Rio de Janeiro inicia, em novembro, a campanha obrigatória de atualização cadastral do rebanho. Todos os produtores rurais fluminenses, desde grandes criadores até quem tem produção para subsistência, devem regularizar sua situação perante a Defesa Agropecuária estadual. A medida é uma das bases para a vigilância sanitária e a manutenção do status sanitário conquistado pelo estado.

    Em maio de 2024, o Rio de Janeiro recebeu o reconhecimento internacional de zona livre de febre aftosa sem vacinação, um avanço histórico para o agronegócio local. No entanto, esse título exige comprometimento contínuo.

    “O reconhecimento como zona livre sem vacinação é uma conquista que exige o comprometimento de todos. A atualização cadastral é uma das principais ferramentas para mantermos o controle sanitário. A participação de todos é imprescindível”, destacou o secretário de Agricultura, Dr. Flávio.

    Quem deve declarar e como fazer?

    A declaração é obrigatória para todos os produtores que criam:

    • Bovinos, bubalinos, suínos, ovinos, caprinos, equinos, asininos e muares.
    • Aves, animais aquáticos e abelhas.

    A atualização pode ser feita de duas formas:

    • Presencialmente: nos escritórios locais da Defesa Agropecuária ou em postos municipais conveniados.
    • Online: pelo sistema SiapecRJ, de forma prática e rápida.

    Riscos da não regularização

    Produtores que não cumprirem a obrigação dentro do prazo estarão sujeitos a penalidades. A principal delas é o bloqueio da propriedade para o trânsito de animais, impedindo a comercialização. Outras sanções previstas em lei também podem ser aplicadas.

    Paulo Henrique Moraes, superintendente de Defesa Agropecuária, explica a importância estratégica do cadastro: “Manter os dados do produtor e da propriedade atualizados é essencial para que a Defesa Agropecuária possa agir com rapidez e precisão diante de qualquer suspeita de enfermidade. Essas informações permitem que as ações de vigilância sejam mais assertivas e que o produtor tenha segurança sanitária em sua propriedade”.

    A campanha de atualização ocorre duas vezes por ano, sempre nos meses de maio e novembro. A iniciativa reforça o compromisso do estado com a sanidade dos rebanhos e com o fortalecimento da produção rural fluminense.

  • RJ impulsiona exportação de gado vivo com projeto pioneiro no Porto do Açu

    RJ impulsiona exportação de gado vivo com projeto pioneiro no Porto do Açu

    O Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, deu um passo decisivo para se tornar um corredor de exportação de gado vivo para o Rio de Janeiro. Em uma visita técnica realizada nesta semana, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPPA) apresentou a produtores rurais e entidades do setor os detalhes do projeto que iniciará suas operações em escala experimental pelo Terminal Multicargas do porto.

    A iniciativa, considerada estratégica para o agronegócio fluminense, tem o objetivo de ampliar os mercados internacionais para a pecuária do estado, aumentando sua competitividade e rentabilidade. O encontro reuniu representantes do Sindicato Rural, da Federação de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro (FAERJ), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), além de técnicos da Pesagro-Rio e da Superintendência de Defesa Agropecuária.

    De acordo com o secretário de Agricultura, Dr. Flávio, a medida é um marco para o setor. “Estamos criando condições para que os nossos produtores tenham acesso a novos mercados e possam competir com igualdade com outros estados exportadores. O Porto do Açu tem potencial para se tornar um grande corredor de exportação do nosso agro”, destacou.

    A primeira fase do projeto será crucial para o seu sucesso a longo prazo. Nesta etapa experimental, o foco será ajustar todos os protocolos operacionais, com ênfase no bem-estar animal e no rigoroso cumprimento das exigências sanitárias internacionais. O sucesso nessa fase é visto como fundamental para consolidar a confiança dos mercados importadores e garantir a sustentabilidade da operação.

    Parceria estratégica com o agro

    Para o CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo, a iniciativa fortalece a parceria com o setor agropecuário. “A proposta é possibilitar que os produtores utilizem o Porto do Açu para o escoamento de suas produções. O porto possui uma estrutura moderna e preparada. Nosso objetivo é ampliar a eficiência e a competitividade do setor, garantindo que os produtores tenham acesso a mercados internacionais, melhores preços e maior rentabilidade”, ressaltou Figueiredo.

    Foto: Divulgação

    A expectativa é que, uma vez consolidado, o novo corredor de exportação posicione o Rio de Janeiro não apenas como um player nacional no agronegócio. Mas também como uma referência emergente na exportação pecuária, trazendo novos investimentos e fortalecendo a economia local.

     

  • Forrageiras de inverno garantem alimentação para rebanho gaúcho

    Forrageiras de inverno garantem alimentação para rebanho gaúcho

    O tempo seco e ensolarado favoreceu o crescimento das forrageiras anuais de inverno em diversas regiões do Rio Grande do Sul. Portanto, com o solo menos encharcado, os produtores conseguiram aplicar adubação nitrogenada e retomar o pastejo nas áreas cultivadas. Mesmo assim, a umidade remanescente exigiu suplementação alimentar dos rebanhos, segundo a Emater/RS-Ascar.

    Impacto do clima

    O clima afetou a produção e a qualidade dos campos nativos em quase todas as regiões gaúchas. Na região de Bagé, a qualidade das pastagens é satisfatória, apesar das geadas e excesso de umidade. A aveia e o azevém tiveram crescimento comprometido, assim como o campo nativo, com menor oferta de alimento.

    Em Erechim, as geadas reduziram a massa verde disponível nas áreas com forragem nativa e cultivada de verão. Nos pastos sobressemeados, a condição para pastejo continua adequada.

    Em Passo Fundo, a redução da umidade do solo permitiu o retorno dos pastoreios nas áreas com mais forragem. As áreas com trigo de duplo propósito, cevada e triticale estão em germinação e crescimento inicial. No campo nativo, as geadas e as baixas temperaturas reduziram a oferta de forragem.

    Em Santa Rosa, as pastagens se recuperaram com o tempo seco e estão em boas condições para pastejo. No entanto, o atraso no plantio e na germinação prejudicou a disponibilidade de forragem em várias localidades.

    Bovinocultura de corte 

    Mesmo com o pastejo liberado, as forrageiras não atingiram o potencial produtivo, exigindo suplementação para preservar o escore corporal. O tempo seco permitiu ações sanitárias, como vacinação contra clostridioses e desvermifugação do rebanho. Além disso, as geadas ajudaram a reduzir as populações de parasitas nos campos.

    Em algumas regiões, o mercado pecuário segue aquecido, com remates, feiras presenciais e exportações de terneiros. Por exemplo, em Santa Maria, produtores realizam diagnósticos de gestação, desmame e comercialização dos terneiros. As geadas intensas afetaram o ganho de peso dos animais, prejudicando o pastejo.

    Em Santa Rosa, os rebanhos apresentam bom escore corporal e sanidade. O aumento da oferta de forrageiras cultivadas favoreceu o ganho de peso dos animais. Porém, os produtores ainda têm dificuldade para repor lotes para terminação devido ao alto peso dos terneiros.

    Em Soledade, o período de parição começou, com terneiros apresentando excelente condição corporal. Nos últimos dias, o rebanho ganhou peso, indicando recuperação do desempenho.

    Bovinocultura de leite 

    O clima seco melhorou o conforto animal, o manejo nas áreas de ordenha e a condição do piso nas propriedades. Mesmo assim, a falta de forragem prejudica o desempenho em sistemas extensivos de produção leiteira. Em geral, os produtores seguem vacinando contra clostridioses e brucelose, mas registram casos pontuais de mastite. A umidade remanescente, o barro e a queda de imunidade favoreceram os casos da doença.

    Em Erechim, os rebanhos mantêm bom estado nutricional, com suplementação contínua de concentrados. As chuvas dificultaram o manejo, mas a condição sanitária não foi gravemente comprometida.

    Em Santa Maria, o frio intenso afetou o bem-estar dos animais, especialmente dos bovinos taurinos. O vento forte e as baixas temperaturas agravaram a situação, exigindo suplementação com silagem e feno. Zebuínos, embora pouco comuns na região, sentiram os efeitos com maior intensidade. O solo continua encharcado em muitas propriedades, prejudicando a higiene e podendo afetar a qualidade do leite.

    Trigo 

    Com o solo mais seco, os produtores avançaram no plantio do trigo, que já alcança 82% da área prevista. Em resumo, a melhora do tempo ajudou a recuperar parte do atraso causado pelas fortes chuvas de junho. As lavouras estão em fase vegetativa e apresentam sinais de recuperação em áreas afetadas pelo excesso de umidade. As geadas prejudicaram lavouras em áreas mais baixas, mas o impacto geral no Estado deve ser limitado. 

    A semeadura deve terminar dentro do prazo do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A área plantada estimada pela Emater/RS-Ascar é de 1,19 milhão de hectares, com produtividade de 2.997 kg/ha.

    Aveia-branca 

    A semeadura da aveia-branca avançou com o clima seco, alcançando 92% da área prevista. A maioria das lavouras está em fase vegetativa, com menor parcela em floração e enchimento de grãos. As geadas causaram danos em folhas e estruturas reprodutivas, especialmente nas áreas mais adiantadas. O impacto deve reduzir o potencial produtivo nessas áreas, embora o estado fitossanitário geral seja satisfatório. A área cultivada projetada é de 401 mil hectares, com produtividade de 2.254 kg/ha.

    Canola

    A semeadura da canola já alcança 98% da área prevista, mas ainda depende da decisão dos produtores. A janela ideal de plantio já foi ultrapassada, o que aumenta o risco de perdas na produtividade. As condições climáticas favorecem o desenvolvimento da cultura, mas geadas recentes podem ter afetado 15% das lavouras. Ainda não é possível mensurar totalmente os danos; técnicos continuam monitorando a situação. A área cultivada estimada é de 203 mil hectares, com produtividade projetada em 1.737 kg/ha.

    Cevada 

    A semeadura da cevada está na fase final, impulsionada pelo clima estável nas últimas semanas. No Extremo Norte do Estado, os trabalhos já foram concluídos. As lavouras apresentam bom estande, vigor e desenvolvimento, mantendo o potencial produtivo inicial. 

    Na região de Ijuí, o estabelecimento das lavouras foi uniforme e com excelente sanidade. Não há registros significativos de pragas ou doenças. A Emater/RS-Ascar projeta 27.337 hectares cultivados, com produtividade de 3.198 kg/ha para a safra 2025.

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