Tag: gado

  • Nova regra do MPF aperta controle sobre origem do gado na Amazônia

    Nova regra do MPF aperta controle sobre origem do gado na Amazônia

    O Ministério Público Federal (MPF) adiou para janeiro de 2027 o início de uma nova etapa de controle da origem do gado comercializado por frigoríficos na Amazônia.

    A medida amplia o alcance do TAC da Carne Legal para os chamados fornecedores indiretos, propriedades que vendem bovinos a fazendas que, posteriormente, fornecem os animais aos frigoríficos.

    A mudança busca aumentar a rastreabilidade da cadeia bovina e identificar gado proveniente de propriedades com irregularidades socioambientais, como desmatamento ilegal, embargos ambientais ou sobreposição com áreas protegidas.

    O cronograma inicialmente divulgado pelo MPF previa o início da contabilização dessas operações em julho de 2026. A implementação, porém, foi prorrogada em seis meses para ampliar o período de adaptação dos produtores e frigoríficos.

    O que são fornecedores indiretos de gado?

    O foco inicial será nos chamados fornecedores indiretos de primeiro nível.

    São propriedades rurais que movimentaram bovinos ou bubalinos para um fornecedor direto nos 24 meses anteriores à aquisição do lote pelo frigorífico.

    Na prática, o fornecedor direto é a fazenda que vende os animais ao frigorífico. Já o indireto aparece em uma etapa anterior da cadeia, fornecendo animais para essa propriedade.

    Esse elo é considerado um dos principais desafios para a rastreabilidade da pecuária porque um bovino pode passar por diferentes propriedades entre as fases de cria, recria e engorda antes de chegar ao abate.

    Como será feito o controle?

    O sistema deverá cruzar informações relacionadas à movimentação e à situação socioambiental das propriedades rurais.

    Entre as bases utilizadas no controle estão informações das Guias de Trânsito Animal (GTAs), do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de outras bases públicas.

    O desenvolvimento técnico da solução conta com participação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de outras instituições que apoiam o TAC da Carne Legal.

    Pela metodologia apresentada pelo MPF, um fornecedor direto poderá receber um alerta quando tiver adquirido volume considerado significativo de animais provenientes de fornecedores indiretos em desacordo com os critérios socioambientais.

    Inicialmente, esse limite foi estabelecido em:

    • mais de 30% do total adquirido pelo fornecedor direto na janela analisada;
    • 50 cabeças de gado, quando esse número representar um limite menor.

    O protocolo prevê a redução gradual dessa tolerância ao longo da implementação do sistema.

    Controle começa de forma gradual

    A implementação não significa que os frigoríficos passarão imediatamente a bloquear produtores em janeiro de 2027.

    A primeira etapa será destinada à contabilização das movimentações entre fornecedores indiretos e diretos, criando uma base para as análises posteriores.

    Segundo o cronograma divulgado após o adiamento:

    • janeiro de 2027: início da contabilização das transações dos fornecedores indiretos;
    • janeiro de 2028: início das análises e emissão de relatórios preliminares, inicialmente informativos;
    • julho de 2028: previsão de início dos Relatórios de Alerta sobre Fornecedores Indiretos, que poderão gerar consequências comerciais para fornecedores em situação irregular.

    O calendário deve ser acompanhado porque o protocolo está sendo implantado de maneira gradual e pode receber novos ajustes.

    Frigorífico poderá bloquear fornecedor direto

    Quando as regras de bloqueio estiverem em vigor, o impacto comercial recairá inicialmente sobre o fornecedor direto.

    Caso o sistema identifique volume relevante de gado proveniente de propriedades indiretas fora dos critérios estabelecidos pelo TAC, o frigorífico poderá deixar de comprar animais daquele fornecedor até que a situação seja justificada ou regularizada.

    Entre os mecanismos previstos pelo MPF para permitir a retomada das negociações estão a comprovação de que o fornecedor indireto voltou a atender aos critérios socioambientais ou a apresentação de documentos e certidões que demonstrem sua regularidade na data da operação.

    TAC da Carne já controla compras diretas

    O TAC da Carne Legal estabelece compromissos socioambientais para frigoríficos que atuam na Amazônia e já é utilizado para avaliar as compras diretas de bovinos.

    As empresas participantes devem adotar mecanismos para evitar a aquisição de animais provenientes de propriedades relacionadas a desmatamento ilegal, embargos ambientais, invasão de áreas protegidas ou outras irregularidades previstas no protocolo.

    O desafio dos fornecedores indiretos é maior porque frigoríficos normalmente têm acesso direto aos dados da propriedade responsável pela venda final do animal, mas não necessariamente a todas as fazendas pelas quais o bovino passou anteriormente.

    Dados divulgados pelo próprio MPF em 2025 indicaram que frigoríficos participantes do TAC e submetidos a auditorias independentes registraram nível significativamente menor de irregularidades em comparação com empresas avaliadas por verificações automáticas.

  • Vídeo flagra gado fugindo de incêndio que avança por Jangada há quase uma semana

    Vídeo flagra gado fugindo de incêndio que avança por Jangada há quase uma semana

    Um incêndio florestal de grandes proporções avança por áreas rurais de Jangada, em Mato Grosso, e ameaça propriedades, pastagens e animais. O fogo começou na sexta-feira (14) e mobiliza equipes do Corpo de Bombeiros, Prefeitura e Defesa Civil.

    As chamas atingem áreas próximas à BR-364 e avançam também no sentido de Acorizal. Em vídeos divulgados do local, cerca de dez bois aparecem correndo pela pastagem para fugir do fogo.

    https://www.instagram.com/reel/DcNdlHqS6Nd/?igsi=ZWZ5cDhvaWt2ajlx

    O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) atua no combate às chamas com equipes em solo e apoio aéreo.

    Incêndio avança por áreas rurais

    Segundo o motorista Joailson Aparecido, de 34 anos, há focos próximos à cidade, na zona rural e às margens da rodovia. Ele relatou que as chamas já atingiram áreas entre Jangada e o trevo de acesso a Acorizal.

    “Aqui na região tá foco de incêndio para todo lado que tá próximo à cidade, dentro da cidade, na zona rural, próximo à rodovia, a BR. Só que o Corpo de Bombeiro já tá pelo local dando apoio com o caminhão-pipa, brigadista, avião. Só que o fogo tá muito alto mesmo, tá queimando em vários lugares”, relatou.

    O CBMMT confirmou as ações de combate ao incêndio com duas aeronaves. As equipes atuam na região desde segunda-feira (17), com militares em solo e apoio de um caminhão-pipa cedido pela Prefeitura.

    A concessionária responsável pela rodovia também participa da operação, com trabalhos de apoio às margens da via.

    O objetivo das equipes é controlar os focos e impedir que o incêndio avance para novas áreas rurais.

    Moradores deixam propriedades com medo das chamas

    Além das pastagens e dos animais ameaçados, o avanço do fogo preocupa moradores de sítios e chácaras da região.

    Segundo Joailson, algumas pessoas estão deixando as propriedades diante da aproximação das chamas.

    “Tem muitos sitiantes, moradores que têm chácara, têm casa, estão tudo abandonando e saindo do local com medo do fogo, porque o fogo tá muito forte, tá vindo queimando tudo”, afirmou.

    Como o incêndio começou

    Segundo o prefeito, o tempo seco seria um dos principais fatores relacionados ao incêndio. Mato Grosso enfrenta condições de calor e baixa umidade, cenário que favorece a propagação do fogo em áreas de vegetação.

    Já Joailson afirma que as chamas teriam começado na região do lixão do município. Essa versão é um relato do morador e não deve ser tratada como causa oficialmente confirmada.

    De acordo com ele, o fogo teria avançado do local para uma propriedade rural próxima e depois alcançado as margens do Rio Jangada.

    “Esse incêndio começou no lixão aqui da cidade. Aí desse lixão pegou numa fazenda que tem próximo. Aí desceu na beira do Rio Jangada, atravessou o rio e pegou do outro lado e começou a queimar”, contou.

    Ainda segundo o relato, após atravessar o rio, as chamas se espalharam por chácaras e propriedades próximas à rodovia.

  • Aprenda como calcular a área necessária para o manejo do gado confinado

    Aprenda como calcular a área necessária para o manejo do gado confinado

    Saber calcular a área necessária para o cuidado do gado é uma das necessidades básicas de um proprietário rural. O espaço disponível precisa ser suficiente para permitir a movimentação dos animais e, ao mesmo tempo, facilitar o acesso à alimentação, à água e às áreas de descanso.

    Como referência, um confinamento com 100 bovinos pode precisar de cerca de 2 mil metros quadrados, considerando uma área de aproximadamente 20 m² por animal. A conta, porém, não deve ser aplicada de maneira isolada, já que o tamanho adequado depende também das características da instalação e do sistema de manejo adotado.

    Como fazer o cálculo?

    A conta básica é simples. Basta multiplicar a quantidade de animais pela área estimada para cada bovino.

    Por exemplo, para um lote de 100 animais, o cálculo seria de 100 × 20 m², resultando em 2 mil m². Para 200 bovinos, seriam cerca de 4 mil m². Já um confinamento com 500 animais precisaria de aproximadamente 10 mil m² dentro desse mesmo parâmetro.

    Essa metragem, entretanto, corresponde à referência de espaço para os animais. O planejamento completo ainda precisa considerar as estruturas utilizadas no manejo.

    Espaço interfere no bem-estar do gado

    No confinamento, os bovinos permanecem em uma área delimitada e dependem da estrutura disponível para realizar atividades essenciais, como comer, beber água, descansar e se movimentar.

    Por isso, uma área mal dimensionada pode dificultar o manejo e aumentar problemas como a concentração de lama e dejetos, especialmente durante períodos de chuva.

    Além disso, o excesso de animais em um espaço pequeno  também pode aumentar a competição por recursos e prejudicar as condições de conforto do rebanho.

    A drenagem do terreno é outro ponto importante. Quando a água não consegue escoar adequadamente, o acúmulo de lama pode comprometer a locomoção e o descanso dos bovinos.

    Área do confinamento não é o único cálculo

    Apesar de a metragem por animal ser um dos principais parâmetros, o produtor também precisa dimensionar corretamente o acesso aos cochos e bebedouros. A disposição dessas estruturas deve permitir que os bovinos consigam se alimentar e beber água sem dificuldades.

    O sistema utilizado também influencia o espaço necessário. Instalações a céu aberto e estruturas fechadas possuem características diferentes e podem trabalhar com referências distintas de área por animal.

    Por isso, os 20 m² por bovino devem ser entendidos como uma referência de cálculo, e não como uma regra universal para todos os sistemas de confinamento.

    Como definir a área ideal?

    O primeiro passo é estabelecer quantos animais serão confinados. A partir daí, o produtor pode utilizar uma referência de área por cabeça para chegar à metragem inicial do curral.

    Depois, é necessário avaliar o terreno, a drenagem, a localização dos cochos e bebedouros e os espaços necessários para circulação e manejo. Também é importante considerar as condições climáticas da região e a possibilidade de formação de lama.

    Assim, calcular a área para o gado confinado vai além de descobrir quantos animais cabem em determinado espaço. O objetivo é criar uma estrutura que permita manejo eficiente e condições adequadas de bem-estar para o rebanho.

    Para uma referência de 20 m² por animal, a conta é direta: 100 bovinos exigem cerca de 2 mil m²; 200 animais, 4 mil m²; e 500 bovinos, aproximadamente 10 mil m². A definição final, porém, deve considerar as características específicas de cada confinamento.

  • Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Uma das pragas mais temidas da pecuária voltou ao centro das atenções nos Estados Unidos. O governo americano anunciou um novo pacote de investimentos para impedir o avanço da mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo, inseto capaz de provocar ferimentos graves e até matar animais quando o tratamento não ocorre a tempo.

    Desta vez, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) destinou US$ 25 milhões para construir uma unidade de distribuição de moscas estéreis em Douglas, no Arizona. A medida fortalece a barreira sanitária na fronteira com o México e amplia a capacidade de resposta diante da ameaça.

    Como a mosca-da-bicheira ameaça os rebanhos

    O perigo não está na mosca adulta, mas nas larvas.

    As fêmeas procuram feridas abertas em bovinos, ovinos, caprinos, equinos e outros animais de sangue quente. Em seguida, depositam os ovos sobre esses machucados.

    Pouco tempo depois, as larvas eclodem e passam a consumir tecido vivo. Como consequência, a lesão aumenta rapidamente e favorece infecções secundárias.

    Sem tratamento imediato, o quadro se agrava. Além de perder peso, o animal sofre intenso estresse e pode morrer nos casos mais graves.

    Embora a pecuária concentre a maior parte dos prejuízos, o parasita também pode atingir animais silvestres, cães, gatos e, em situações raras, seres humanos.

    Técnica reduz a população do inseto

    Em vez de depender apenas de produtos químicos, os Estados Unidos apostam em uma estratégia biológica desenvolvida há décadas.

    O método consiste na criação de milhões de machos estéreis em laboratório.

    Depois disso, equipes especializadas liberam esses insetos nas áreas de risco.

    Ao cruzarem com as fêmeas selvagens, eles impedem o nascimento de novas gerações. Assim, a população da praga diminui gradualmente até desaparecer em determinadas regiões.

    Por isso, especialistas consideram essa tecnologia uma das ferramentas mais eficientes já utilizadas no controle da mosca-da-bicheira.

    Nova estrutura amplia a defesa na fronteira

    O novo centro funcionará em Douglas, cidade localizada na divisa entre os Estados Unidos e o México.

    A escolha não ocorreu por acaso. A região representa uma das principais portas de entrada para animais provenientes do território mexicano.

    Com a nova unidade, o USDA espera acelerar a distribuição das moscas estéreis sempre que surgirem focos da praga.

    Ao mesmo tempo, o governo mantém outro projeto estratégico em andamento: a construção de uma fábrica de grande porte no Texas, responsável pela produção em larga escala desses insetos.

    Juntas, as duas estruturas deverão ampliar significativamente a capacidade de resposta das autoridades sanitárias.

    Avanço da praga elevou o nível de alerta

    Foto: USDA

    Nos últimos meses, a identificação de novos focos na América Central e no México aumentou a preocupação do setor pecuário americano.

    Diante desse cenário, o USDA endureceu temporariamente as regras para a entrada de bovinos mexicanos.

    Agora, entretanto, o governo iniciou uma reabertura gradual das importações.

    Douglas será o primeiro ponto autorizado a receber animais novamente. Ainda assim, cada etapa dependerá do cumprimento rigoroso das medidas sanitárias estabelecidas pelas autoridades americanas.

    Restrição também afetou o mercado

    As limitações impostas às importações reduziram a oferta de bovinos para frigoríficos dos Estados Unidos.

    Como resultado, os preços da carne permaneceram elevados durante vários meses.

    Mesmo assim, técnicos do governo avaliam que reforçar o controle sanitário continua sendo mais vantajoso do que enfrentar uma disseminação ampla da praga em regiões produtoras.

    Segundo eles, um surto de grandes proporções poderia provocar prejuízos muito superiores aos impactos temporários sobre o mercado.

    Brasil também acompanha a situação

    Embora o investimento tenha como foco o território americano, o assunto interessa diretamente aos pecuaristas brasileiros.

    A mosca-da-bicheira ocorre em diversos países das Américas e exige monitoramento permanente das propriedades rurais.

    Por isso, veterinários orientam os produtores a examinarem qualquer ferida identificada nos animais.

    Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, maiores serão as chances de recuperação e menores tendem a ser os prejuízos econômicos.

    Além disso, boas práticas de manejo, inspeções frequentes e programas de vigilância sanitária continuam sendo fundamentais para preservar a saúde dos rebanhos e garantir a competitividade da pecuária no mercado internacional.

  • Praga reaparece nos EUA após 60 anos e ameaça pecuária do Texas

    Praga reaparece nos EUA após 60 anos e ameaça pecuária do Texas

    Autoridades americanas confirmaram o primeiro caso do verme da bicheira do Novo Mundo (screwworm) em solo americano em seis décadas. O diagnóstico positivo veio de uma amostra colhida em um bezerro de três semanas de idade em La Pryor, no condado de Zavala, próximo à fronteira com o México. A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, anunciou o caso durante coletiva de imprensa em 3 de junho.

    A mosca, que deposita seus ovos em ferimentos abertos de animais vivos, representa uma ameaça direta à indústria pecuária do Texas, avaliada em cerca de US$ 15 bilhões por ano. Até o momento, as autoridades não registraram novos casos, mas o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) já mobilizou equipes em campo e trabalha em conjunto com parceiros locais para conter um possível avanço da praga.

    O órgão reforçou que a bicheira não contamina carne, frutas ou vegetais e não deve afetar diretamente a cadeia de abastecimento de alimentos. Ainda assim, estimativas do próprio USDA apontam que um surto pode gerar prejuízos de até US$ 1,8 bilhão apenas no Texas, pressionando ainda mais os preços da carne bovina, que já operam em patamares recordes.

    O que é o verme da bicheira?

    O verme da bicheira do Novo Mundo pertence a uma espécie de mosca varejeira que se diferencia das demais por depositar ovos em tecido vivo, e não em matéria em decomposição. Pequenos ferimentos, como picadas de carrapato, já atraem as fêmeas, que podem depositar entre 200 e 300 ovos por vez. E até 3 mil ao longo de uma vida que dura entre 10 e 30 dias.

    As bicheiras do Novo Mundo são a forma larval carnívora de Cochliomyia hominivorax, uma espécie de mosca varejeira — Foto: Michael Miller/Texas A&M

    Após a eclosão, as larvas penetram na ferida e se alimentam da carne viva do hospedeiro. No estágio final de desenvolvimento, elas formam estruturas semelhantes a ganchos e se aprofundam ainda mais no tecido, o que originou o nome “screwworm” (verme parafuso, em tradução livre). Depois de cerca de sete dias se alimentando, as larvas caem no solo, se enterram e emergem como moscas adultas, reiniciando o ciclo.

    Infestações múltiplas costumam ocorrer na mesma ferida, com larvas em diferentes estágios de desenvolvimento, o que acelera a destruição dos tecidos.

    Historicamente, a praga concentrava sua presença na América do Sul e em partes do Caribe. Desde 2023, porém, ela vem avançando para o norte, atravessando a América Central até chegar ao México, movimento que levou as autoridades a intensificar o monitoramento a partir do ano seguinte.

    A praga pode infectar humanos e animais domésticos?

    A maior parte dos casos atinge mamíferos como bovinos, animais domésticos e fauna silvestre, mas humanos também podem ser infectados.

    Cães e gatos apresentam vulnerabilidade especial, já que pequenos ferimentos já são suficientes para atrair as moscas. O Texas Farm Bureau recomenda que tutores inspecionem os animais diariamente, com atenção redobrada a áreas com picadas antigas, mau cheiro, lesões visíveis ou sinais de larvas. A entidade também orienta que os tutores avaliem o ambiente onde os pets circulam, evitando objetos que possam causar ferimentos, como cercas de arame ou vegetação cortante. Sem tratamento, a infestação pode matar o animal rapidamente.

    Em humanos, os casos permanecem raros e costumam estar associados a viagens para regiões onde a praga é comum, como América do Sul, Cuba, Haiti e República Dominicana. Pequenos ferimentos, picadas de insetos e até incisões cirúrgicas podem servir de porta de entrada, e a infestação também pode atingir nariz, boca e olhos. Entre os sinais estão feridas que não cicatrizam, dor, sangramento e, em alguns casos, a sensação de movimento causada pela presença das larvas. A prevenção passa por manter feridas limpas e cobertas e usar roupas que protejam a pele.

    Por que a bicheira preocupa tanto o setor pecuário?

    A presença do verme em um animal provoca danos severos, já que o ciclo contínuo de deposição de ovos amplia progressivamente a ferida e pode levar o animal à morte. Mesmo quando o animal sobrevive, a infestação costuma deixar prejuízos significativos à saúde e ao couro.

    vaca leiteira

    Os bovinos enfrentam risco particularmente alto, pois não conseguem proteger feridas abertas e seu porte físico permite o surgimento de múltiplos focos de infestação simultâneos.

    Embora os Estados Unidos tenham erradicado a praga na década de 1960, um ressurgimento entre 1972 e 1976 afetou dezenas de milhares de animais em seis estados e gerou custos milionários ao setor. Produtores americanos não enfrentam essa praga há mais de 40 anos, fator que aumenta a vulnerabilidade atual do setor. O Texas, maior produtor de bovinos do país, movimenta cerca de US$ 15 bilhões por ano com a atividade.

    Como a praga chegou até o Texas?

    A disseminação pela América Central ocorreu de forma rápida, avançando centenas de quilômetros em poucas semanas. Especialistas acreditam que esse deslocamento não se deu apenas por vias naturais, mas também por meio do transporte de animais já infestados. Uma hipótese reforçada pelo fato de a praga não tolerar bem climas muito secos, quentes ou frios por longos períodos.

    Após a confirmação de casos no México em novembro de 2024, os Estados Unidos chegaram a fechar a importação de gado vivo pela fronteira sul, medida que também impactou a oferta no Texas. As restrições passaram por ajustes ao longo de 2025. Até o momento, as autoridades ainda não determinaram exatamente como a infestação chegou ao sul do estado.

    Quais medidas as autoridades estão adotando?

    O governo federal já investiu US$ 100 milhões em pesquisas, armadilhas e reforço da vigilância na fronteira. A principal estratégia de combate continua sendo a técnica do inseto estéril: machos esterilizados são liberados no ambiente para cruzar com fêmeas, gerando ovos inviáveis e reduzindo gradualmente a população da praga. O método já provou eficácia ao longo de décadas, com base operacional no Panamá.

    Novas instalações estão em implementação no México e no Texas, incluindo centros de dispersão de moscas estéreis. As autoridades também estabeleceram uma zona de quarentena e intensificaram a vigilância, com monitoramento que inclui a fauna silvestre. Produtos veterinários emergenciais já foram autorizados para tratamento em diversas espécies.

    Quais sinais os produtores devem observar?

    Especialistas recomendam monitoramento constante dos animais. Entre os principais sinais de alerta estão:

    • Feridas com mau cheiro e presença de larvas
    • Animais lambendo ou mordendo ferimentos com insistência
    • Lesões visíveis e comportamento anormal, como agitação ou apatia

    As larvas podem ser identificadas por pequenos espinhos ao redor do corpo. O tratamento envolve a remoção manual das larvas, limpeza da ferida e uso de produtos prescritos por veterinários. Atualmente há 12 produtos aprovados nos EUA para esse fim, embora ainda não exista ração medicamentosa disponível no mercado.

    Produtores devem comunicar casos suspeitos a veterinários ou autoridades sanitárias imediatamente. Segundo o USDA, o controle da praga é possível com cooperação do setor e cumprimento rigoroso das medidas sanitárias, evitando que a bicheira volte a se estabelecer no país.

  • Casal transforma 11 hectares em fazenda leiteira recordista

    Casal transforma 11 hectares em fazenda leiteira recordista

    Todos os dias, antes do sol nascer sobre as pastagens da Fazenda Córrego do Monjolo, em Açucena, na região Leste de Minas Gerais, Melquisedeque Alves de Oliveira e a esposa, Rosemary Gonçalves, preparam o gado para a primeira ordenha do dia. O casal repete o processo à tarde e mantém, hoje, uma das produções leiteiras mais eficientes da região: nove vacas em lactação geram cerca de 250 litros diários, uma média de 27,7 litros por animal. Um patamar que costuma ser considerado excelente até em fazendas de grande porte.

    Foto: Arquivo Pessoal

    O resultado não veio por acaso. Melqui cresceu na mesma propriedade onde vive atualmente e viu o pai conduzir o trabalho de forma tradicional, sem o uso de técnicas de manejo. Ao assumir sua parte da fazenda, em 1998, decidiu seguir outro caminho. “Tinha em mente que precisava de planejamento e de metas para produzir mais e melhor”, afirma.

    O desafio era grande: apenas 11 hectares produtivos, em um terreno montanhoso, deixavam pouca margem para erros. Ao lado de Rosemary, que também cresceu no campo, o produtor toca a atividade e cuida de um rebanho de 33 cabeças há nove anos. “Ela gosta mais da produção de leite do que eu”, brinca Melqui. “Digo que sigo ainda mais firme na atividade porque vejo o quanto ela ama isso.”

    Genética, manejo e gestão elevam a produtividade

    Melqui investiu em cursos e capacitações para melhorar continuamente a atividade e apostou primeiro no melhoramento genético do rebanho. Em 2020, a Cooperativa dos Produtores Rurais de Virginópolis (Cooprovi) selecionou o produtor para participar do Sebraetec FIV, programa do Sebrae Minas que amplia o acesso de pequenos produtores à tecnologia de fertilização in vitro. “Ver os primeiros animais resultantes do programa crescerem e produzirem foi uma satisfação muito grande”, relata.

    Faltava, porém, um método consistente de trabalho. Em 2021, o analista do Sebrae Minas Claudinei Gomes indicou a Melqui o Educampo Leite, programa que oferece assistência técnica e gerencial com foco em indicadores de produção. A partir daí, o casal retirou o gado do pasto e adotou o regime semiconfinado, com fornecimento de silagem de milho 24 horas por dia. “Em poucos dias, observamos o resultado”, conta.

    Média

    A mudança fez a média de produção por vaca saltar de 15 para 20 litros diários logo nas primeiras semanas. Em 2025, o indicador se consolidou em 22,96 litros por vaca ao dia. Ou seja, acima da média de 18,49 litros registrada pelo grupo acompanhado pelo Educampo. A fazenda também bateu recorde de produção: 403 litros de leite por dia e 147.363 litros ao longo do ano, o equivalente a 13.362 litros por hectare. O número supera em mais do dobro a média do grupo, de 4.682 litros por hectare ao ano, e fica quase três vezes acima da referência de mercado, de 5 mil litros por hectare ao ano.

    Em picos de lactação, alguns animais chegam a produzir 52 quilos de leite, o equivalente a cerca de 50 litros por dia. O desempenho rendeu ao casal o primeiro lugar em três categorias no último torneio do grupo Educampo: produção por área, taxa de lotação (1,59 vaca por hectare, contra média de 0,63 do grupo) e teor de gordura no leite (3,98%). Os resultados chamam ainda mais atenção porque a fazenda enfrenta condições de terreno que encarecem a produção de silagem. O composto para alimentação do gado consome 26,5% da renda bruta da propriedade.

    Trabalho em família e atenção individual ao rebanho

    Na Fazenda Córrego do Monjolo, cada vaca recebe acompanhamento individual. A equipe monitora nutrição, saúde, conforto e ciclo reprodutivo dos animais 24 horas por dia. Melqui e Rosemary dividem o manejo diário com a irmã dela e o cunhado, donos da propriedade vizinha, além da mãe de Rosemary e do sobrinho do casal, que sonha em cursar Medicina Veterinária.

    Para Melqui, o maior aprendizado do processo não veio de planilhas ou indicadores, mas de uma constatação prática que o Educampo reforça no dia a dia: o animal bem cuidado produz mais, adoece menos e vive mais. “Tudo o que fazemos em termos de manejo e cuidado volta em forma de resultado. O animal responde”, diz.

    O programa também deu ao produtor ferramentas para planejar os próximos investimentos do negócio. Em 2025, Melqui reinvestiu cerca de 22% da renda bruta na propriedade, distribuídos entre mecanização (45,7%), benfeitorias (35,3%) e genética e rebanho (19%). A fazenda já conta com sete animais provenientes do Sebraetec FIV, cinco Girolando meio-sangue e dois Holandês Puro de Origem. E o produtor planeja ampliar gradualmente o rebanho para 60 cabeças da raça Holandesa, mais adaptável ao clima e ao relevo da região.

    Próximos passos miram produção de mil litros por dia

    Os planos futuros incluem a construção de um galpão com capacidade para até 30 animais em lactação, com sistema Compost Barn, autossuficiência na produção do composto de alimentação e fosso de ordenha equipado com resfriador. “A meta é chegar a mil litros de leite por dia. Como 2023 e 2024 foram muito bons, iniciamos a terraplanagem do galpão. Mas este ano resolvemos rentabilizar para retomar o projeto com recursos da própria fazenda, evitando a tomada de crédito”, explica Melqui.

    Nessa trajetória, a Cooprovi teve papel central. Há seis anos, quando laticínios encerravam operações na região, a cooperativa iniciou suas atividades e cresceu junto com os produtores locais, ampliando a captação de 400 para cerca de 4 mil litros de leite por dia. “Se não fosse a Cooprovi, hoje não existiríamos mais aqui”, resume o produtor. Para o novo ciclo de melhorias, ele aposta no lançamento do programa Qualidade do Leite, do Sebrae Minas.

    Dados da fazenda podem beneficiar toda a cadeia produtiva

    Os resultados obtidos pelo Educampo Leite na Fazenda Córrego do Monjolo devem contribuir para o aprimoramento das boas práticas na produção leiteira em todo o estado. Um acordo de cooperação firmado recentemente entre o Sebrae Minas e a Embrapa Gado de Leite prevê a análise estruturada dos dados coletados pelo programa. “O Educampo tem um acompanhamento muito próximo, que ajuda a desenvolver a nossa competitividade e atrair mercado. Hoje temos metas, acompanhamento e direção”, afirma Melqui.

    O acordo tem foco no fortalecimento da cadeia produtiva do leite em Minas Gerais e vai usar os registros do Educampo como referência para o desenvolvimento de painéis e ferramentas digitais. Essas ferramentas devem identificar tendências de mercado, oportunidades de melhoria e indicadores estratégicos para a gestão de fazendas leiteiras. Na prática, os resultados conquistados pelo casal poderão embasar diagnósticos mais precisos sobre a pecuária leiteira mineira, gerando conhecimento útil para produtores, técnicos e agentes do setor em todo o estado.

  • Cinco vacas abandonadas viraram rebanho selvagem de 2 mil animais

    Cinco vacas abandonadas viraram rebanho selvagem de 2 mil animais

    Cinco vacas abandonadas em uma ilha remota no sul do Oceano Índico deram origem a uma das histórias mais curiosas da evolução animal. Sozinhos, cercados pelo mar e expostos a ventos incessantes, os bovinos se multiplicaram até formar uma população de quase 2 mil cabeças e retomaram comportamentos típicos de animais selvagens.

    O caso ocorreu na Ilha Amsterdã, território francês localizado a cerca de 4,4 mil quilômetros de Madagascar. Sem rios permanentes, castigada por chuvas frequentes e rajadas de vento que varrem a paisagem, a ilha parecia um lugar improvável para a sobrevivência de um rebanho. Ainda assim, os animais prosperaram.

    Agora, um estudo baseado no material genético de 18 bovinos ajuda a explicar esse fenômeno e lança luz sobre os mecanismos que permitiram a adaptação de um grupo tão pequeno de animais a um ambiente tão hostil.

    Uma aposta fracassada que mudou a história da ilha

    Os registros históricos indicam que, em 1871, um fazendeiro chamado Heurtin e sua família deixaram a Ilha da Reunião e tentaram se estabelecer na Ilha Amsterdã para criar gado. A empreitada durou apenas alguns meses.

    O isolamento, o clima adverso e as dificuldades de adaptação fizeram a família desistir do projeto e retornar. As vacas ficaram para trás. O que parecia o fim de uma experiência malsucedida acabou se tornando o início de um experimento involuntário da natureza.

    DNA revela mistura de europeus e zebus

    As análises genéticas mostraram que o rebanho era formado por descendentes de duas linhagens distintas. Cerca de 75% de sua herança genética veio de bovinos taurinos europeus, próximos ao atual gado Jersey. Os outros 25% vieram de zebus originários do Oceano Índico.

    Essa combinação ajudou a explicar o sucesso dos animais. Os ancestrais europeus já estavam adaptados a condições climáticas semelhantes às encontradas na Ilha Amsterdã. Em outras palavras, parte do caminho já estava pavimentada antes mesmo de os bovinos desembarcarem no local.

    De animais domésticos a uma sociedade selvagem

    Ao longo de poucas gerações, o gado passou por um processo conhecido como feralização, quando animais domesticados recuperam comportamentos típicos da vida selvagem.

    Os pesquisadores identificaram sinais de seleção natural em genes ligados ao sistema nervoso, indicando mudanças comportamentais profundas. Além disso, observadores descreveram grupos organizados de forma semelhante aos de grandes herbívoros selvagens, com estruturas sociais complexas, separação entre machos e fêmeas e formação de grupos reprodutivos durante determinadas épocas do ano.

    As vacas, que um dia dependeram da ação humana, reaprenderam a viver sozinhas. O mugido do curral deu lugar ao silêncio de uma população totalmente adaptada à natureza.

    Infográfico vertical mostrando a evolução das vacas abandonadas

    Nem gigantes, nem miniaturas

    Alguns cientistas, no entanto, acreditavam que os animais haviam diminuído de tamanho para sobreviver aos recursos limitados da ilha, fenômeno conhecido como nanismo insular.

    A genética, porém, contou outra história. Os animais fundadores já eram naturalmente pequenos, semelhantes ao gado Jersey e ao zebu de Madagascar. A pesquisa não encontrou evidências de redução adicional no porte dos bovinos ao longo das gerações.

    O fim de uma população única

    O fim das vacas na ilha de Amsterdã
    Foto: François Cola

    Apesar de sua relevância científica, a população foi completamente abatida em 2010.

    Ambientalistas consideravam o gado uma ameaça ao ecossistema local por causa do pisoteio da vegetação e do potencial impacto sobre espécies endêmicas, como o albatroz-de-Amsterdã e a árvore Phylica arborea.

    Os autores do estudo, porém, observam que a decisão continua cercada de controvérsias. O rebanho prestava serviços ambientais, como a redução da vegetação rasteira e a manutenção de áreas que funcionavam como barreiras naturais contra incêndios. Além disso, medidas de controle de espécies invasoras, como roedores e gatos, só começaram anos depois da eliminação das vacas.

    Uma lição para a conservação

    Para os pesquisadores, o caso da Ilha Amsterdã deixa um alerta. Antes de erradicar populações de animais introduzidos que se tornaram selvagens, é preciso compreender sua história genética e seu potencial científico.

    O destino dessas vacas mostra que a biodiversidade nem sempre cabe em definições simples de “nativa” ou “invasora”. Às vezes, ela surge de forma inesperada, cresce em silêncio e deixa perguntas que continuam ecoando muito depois de o último animal desaparecer.

  • PF investiga uso da pecuária bovina em esquema de facção criminosa

    PF investiga uso da pecuária bovina em esquema de facção criminosa

    A Polícia Federal deflagrou na última quarta-feira (27) a Operação Rota do Fim, que investiga um esquema de tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro com atuação em diferentes estados do país e ligação com o setor da pecuária bovina.

    A ação ocorreu simultaneamente no Rio Grande do Norte, Acre, Rondônia, Ceará, Paraíba e Mato Grosso. Ao todo, a Justiça determinou o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão.

    Segundo a PF, o grupo investigado utilizava empresas ligadas à cadeia produtiva da carne bovina para movimentar recursos obtidos com o tráfico de drogas. As investigações apontam ainda possível ligação da organização com uma facção criminosa do Rio de Janeiro.

    Investigação começou após apreensão de drogas em MT

    As apurações tiveram início em 2022, após a apreensão de 469 quilos de cocaína e 160 gramas de maconha em Poconé (MT).

    A partir do flagrante, os investigadores identificaram um esquema sediado no Acre que, segundo a PF, utilizava empresas de insumos, processamento, distribuição e comercialização de produtos bovinos, além de leilões de gado, para ocultar recursos ilícitos.

    De acordo com a Polícia Federal, cerca de R$ 200 milhões de origem ilegal teriam sido movimentados pelo grupo durante o período investigado.

    Justiça bloqueou bens e rebanhos bovinos

    A operação conta com apoio da Receita Federal e do Gaeco do Ministério Público do Acre. Ao todo, participaram da ação 145 policiais federais e 10 auditores fiscais.

    Segundo a PF, a Justiça também determinou o bloqueio de imóveis, veículos, valores financeiros e até rebanhos bovinos ligados aos investigados.

    Durante a operação, três pessoas ainda foram presas em flagrante por posse ou porte ilegal de arma de fogo.

    Os investigados poderão responder por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e outros crimes que ainda forem identificados ao longo das investigações.

  • Frente fria provoca morte de 83 bovinos em Mato Grosso do Sul

    Frente fria provoca morte de 83 bovinos em Mato Grosso do Sul

    A primeira frente fria de 2026 já trouxe prejuízos para produtores rurais de Mato Grosso do Sul. Segundo a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), cinco propriedades registraram mortes de bovinos por hipotermia, totalizando 83 animais mortos neste mês.

    De acordo com o diretor-presidente da instituição, Daniel Ingold, o problema ocorre quando há uma queda brusca de temperatura acompanhada de chuva, garoa e ventos fortes em poucas horas.

    “Em poucas horas, a temperatura pode cair de 32 °C para 5 °C. Nessas condições, os animais mais vulneráveis são aqueles que já estão debilitados, magros ou estressados, como bois que passaram por transporte recentemente”, explica.

    Segundo Ingold, esses animais ficam mais suscetíveis à hipotermia, principalmente em regiões abertas do Pantanal, onde há pouca vegetação para servir de abrigo contra o vento gelado.

    “Nessa região existem grandes áreas abertas, sem mata ou vegetação para servir de abrigo. Com isso, o animal fica totalmente exposto ao vento gelado, e a sensação térmica acaba sendo muito menor do que a temperatura registrada”, afirma.

    Mortes já ocorreram em outros anos

    O diretor-presidente da Iagro destaca que episódios semelhantes já foram registrados anteriormente no Estado. Em 2010, cerca de 5 mil bovinos morreram em decorrência do frio. Já em 2023, o número chegou a aproximadamente 3 mil animais.

    Neste ano, porém, as notificações somam 83 mortes até o momento.

    “Não dá para dizer que isso é normal, mas também não é algo inédito. O cenário de 2023, por exemplo, foi muito mais grave e chegou a configurar uma emergência sanitária”, diz Ingold.

    Segundo ele, um único produtor da região de Corumbá perdeu 386 cabeças de gado em 2023.

    Manejo adequado pode reduzir prejuízos

    Para minimizar as perdas, a Iagro recomenda reforçar o manejo do rebanho durante períodos de frio intenso. A orientação é manter os animais mais frágeis em áreas protegidas e evitar locais abertos ou próximos de rios e córregos, onde a sensação térmica costuma ser menor.

    Além disso, a suplementação alimentar também ajuda a fortalecer o gado, especialmente porque o frio reduz a qualidade das pastagens e aumenta o déficit nutricional dos animais.

    “Muitas vezes o animal simplesmente deita e morre”, alerta Ingold ao explicar que a hipotermia pode agir rapidamente e sem sinais clínicos evidentes.

    O diretor também afirma que a tecnologia permite prever a chegada das massas de ar frio, o que ajuda os produtores a se prepararem com antecedência.

    Iagro monitora casos para descartar doenças

    Sempre que ocorre uma mortalidade elevada, equipes da Iagro visitam as propriedades para confirmar se a causa das mortes foi realmente hipotermia ou alguma enfermidade.

    Segundo Ingold, o monitoramento é essencial porque Mato Grosso do Sul possui status sanitário de livre de febre aftosa sem vacinação, condição importante para o mercado internacional.

    Ele reforça ainda que os produtores devem comunicar imediatamente os casos à agência para facilitar o acompanhamento e a orientação técnica.

  • Adeus picanha? Corte bovino mais barato conquista espaço entre brasileiros

    Adeus picanha? Corte bovino mais barato conquista espaço entre brasileiros

    O shoulder, corte bovino retirado da região da paleta, vem conquistando cada vez mais espaço no mercado de carnes nobres. Versátil, macio e com preço mais acessível, o corte passou a chamar atenção dos consumidores e já disputa preferência com a tradicional picanha nos churrascos brasileiros.

    Segundo Rossano Mendonça da Silva, proprietário da The Bife Boutique de Carnes Nobres, no Rio de Janeiro, o crescimento da procura está diretamente ligado ao custo-benefício e à qualidade da carne, dois fatores cada vez mais valorizados pelos clientes.

    Em entrevista ao Globo Rural, o empresário explicou que a diferença de preço pesa na decisão de compra. Atualmente, o quilo da picanha angus chega a custar R$ 179 no estabelecimento, enquanto o shoulder angus sai por cerca de R$ 104.

    “Nos últimos cinco anos, o shoulder se tornou uma das carnes mais procuradas justamente por ser um corte em alta. O consumidor consegue levar uma peça nobre pagando menos e ainda comprar maior quantidade. Além disso, o sabor chama muita atenção”, afirmou.

    Conhecido também como “raquete”, o shoulder pode ser encontrado tanto na versão sem capa de gordura, chamada de “red”, quanto com gordura preservada. A escolha costuma variar de acordo com a preferência de cada consumidor.

    Para Silva, o corte já ocupa parte do espaço antes dominado quase exclusivamente pela picanha. “São muitas qualidades reunidas em uma peça só. Por isso, ele vem ganhando destaque no churrasco”, destacou.

    Shoulder deixou de ser visto como “carne de segunda”

    O crescimento da popularidade do shoulder é relativamente recente e ganhou força após churrascarias e restaurantes começarem a incluir o corte nos cardápios.

    Durante muitos anos, o consumidor considerou essa carne um corte “de segunda”, assim como outras peças da parte dianteira do boi. Na época, as pessoas costumavam usar o corte principalmente em preparos de panela. Hoje, no entanto, o cenário mudou completamente, e o shoulder também ganhou espaço e valorização no churrasco.

    Rossano Mendonça defende que a antiga classificação entre carnes de primeira e de segunda perdeu sentido no mercado atual.

    “Se o animal é de qualidade, não faz sentido dizer que existe carne de segunda. O que muda são as características de cada corte. Alguns funcionam melhor para churrasco, outros para cozimento. E o shoulder mostrou que chegou para ficar”, explicou.

    O que influencia na maciez da carne?

    A maciez do shoulder depende de fatores como genética do animal e manejo adotado nas propriedades rurais.

    Segundo especialistas do setor, cortes de raças taurinas costumam apresentar gordura de maior qualidade e textura mais macia. Entre elas, o wagyu, de origem japonesa, aparece como um dos destaques devido ao alto nível de marmoreio.

    Já os animais zebuínos possuem características diferentes e, naturalmente, tendem a apresentar fibras menos macias quando comparados às raças taurinas.